Informação Política

Organizado por: Benedito Moraes
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Governo, governança e governamentalização

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Política

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mais fortes, a própria definição de política é necessariamente política.

À medida que examinarmos diferentes conceitos, teorias e pensadores, veremos como esse problema se manifesta. Entretanto, para começar, faz bem saber que, ao divergirem sobre qualquer coisa, muitas vezes filósofos políticos estão divergindo sobre como definir política (ainda que não o declarem expressamente).

Temos agora maior clareza quanto à definição de política? Talvez não, muito embora tenhamos avançado bastante no sentido de uma compreensão mais clara de um dos problemas centrais da filosofia política.

Este será um tema recorrente do livro: em filosofia política, estamos sempre lutando por soluções definitivas para os problemas que levantamos, mas a luta (geralmente) vale a pena porque nos força (em última análise) a levantar perguntas mais pertinentes acerca de nós mesmos e do mundo em que estamos morando. Dito isso, independentemente de se priorizar ora o conflito, ora a conciliação ou a cooperação, ou ainda a decisão coletiva, podemos perceber que política tem algo a ver com a maneira como somos governados por normas. Além disso, quer essas normas sejam alcançadas mediante o consenso de agentes mais ou menos racionais, quer estejam imbricadas profundamente em estruturas sociais como a linguagem, política é uma modalidade de atividade humana que resulta, ou se expressa em interação humana governada por normas. Filosofia política é a tentativa de compreender a natureza e o valor de tal interação regida por normas. Retornaremos às normas mais adiante nessa introdução. Antes disso, daremos um outro passo para chegar a perguntas mais pertinentes sobre política, ao refletirmos sobre o que significa governar.

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O poder e a normalização

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Política

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O poder e a normalização

Um acesso a essa concepção alternativa começa com o pressuposto de que o poder não é simplesmente usado por A contra B, nem é apenas a base de um acordo artificial entre A e B (no interesse de A). Ao contrário, pode ser que A e B (nossos diversos atores políticos, classes e assim por diante) só existam como atores políticos por serem o produto de redes de poder que lhes constituem a identidade no âmbito do mundo político.

É a obra de Foucault que vem à mente ao seguirmos essa linha de pensamento. Sua concepção do poder nos afasta dos modelos tradicionais em vários sentidos e nos foca a atenção nas maneiras, muitas vezes sutis e minuciosas, como o poder “normaliza” a nossa conduta. É importante observar, porém, que Foucault não estava respondendo ao debate acerca das dimensões do poder. Sua análise do poder resultou do meio peculiar da primeira metade da década de 1970 na França. Esse era, por um lado, um lugar onde ainda repercutiam os poderosos levantes sociais de

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O político e a politicização

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Os juízes da normalidade estão em toda parte. Encontramo­‑nos na sociedade do professor­‑juiz, do médico­‑juiz, do educador­‑juiz, do assistente social­‑juiz; neles está baseado o reino universal do normativo; cada pessoa, onde quer que se encontre, sujeita­‑lhe o corpo, os gestos, o comportamento, as atitudes, os sucessos. (1977:304)

Como podemos observar, para Foucault, a abrangência do político compreende nossos corpos. O modo como caminhamos, o modo como saudamos alguém, a postura que assumimos em reunião são todos resultado de processos sutis de normalização, de acordo com Foucault. À luz disso, a filosofia política deveria procurar examinar como essas normas são construídas, os limites do que é normal, e como o transgredir definições de normalidade pode expor normas das quais até então não nos tínhamos dado conta. Uma maneira de reunir tudo isso é afirmar que a filosofia política

(nessa teorização não normativa do mundo das normas) é uma área de conhecimento que visa a politicizar o âmbito do que é político.

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O estado capitalista

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ços que definem o Estado, de acordo com Oakeshott (1991), são que ele está autorizado a reger o povo, tem o poder de assim se fazer investido no

“aparato de governo”, e as pessoas que são regidas estão obrigadas umas com as outras como cidadãs – isto é, estamos obrigados como membros da comunidade política, em vez de, por exemplo, como seguidores da mesma religião, ou membros da mesma tribo ou família. Deveríamos acrescentar que um dos traços que definem o Estado é que ele usa sua autoridade e poder no âmbito de um território como base na qual fundamente relações externas, ou o que comumente chamamos relações internacionais, com outros Estados. Na verdade, os Tratados de Vestfália, em 1684, que puseram fim à Guerra dos Trinta Anos, geralmente são concebidos como o momento histórico definidor de quando pela primeira vez se reconheceu que estava estabelecida uma Europa de Estados.

O que estas observações revelam é que o Estado tem duas faces: engloba o poder sobre as pessoas no seu território e expressa o poder do povo ao agir “em seu nome”. Embora não contraditório, como vimos no último capítulo, esse aspecto dual é digno de maior investigação. Na verdade, para muitos filósofos políticos, o entrelaçamento de poder que o Estado engloba é indicativo de correntes mais profundas de poder que estão operantes no âmbito das nossas relações sociais, econômicas, e mesmo de gênero. A fim de entender o Estado, precisamos perceber como o poder opera dentro e através do Estado. Uma das narrativas mais convincentes de onde reside o poder “real” do Estado encontra­‑se na obra de

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O que é política?

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Iain Mackenzie

ligação subterrânea à corrente de definições conceituais, debates e pensadores que aparecem ao longo do livro, uma corrente que procura trazê­‑lo

à praia dos imensos oceanos da filosofia política.

O que é política?

Para começar com essa questão espinhosa, encaramos política como um tipo de atividade humana, como algo que nós, seres humanos, fazemos. Com certeza poder­‑se­‑á contestar essa posição. Por exemplo, pode ser que alguns dos primatas mais desenvolvidos também apresentem o que poderíamos chamar de comportamento político (de Waal, 1982). Pode também ser que, em geral, a natureza possua valor intrínseco e como tal

“apresente exigências” quanto à maneira de nos comportarmos, de forma que tenhamos o dever de respeitar a natureza – particularmente para assegurar a sobrevivência – não só para o nosso proveito próprio, mas porque a natureza em si é merecedora desse respeito (Naess, 1989). Essas são questões importantes, que,sem dúvida, têm produzido uma quantidade respeitável de filosofia política inovadora. De momento, porém, podem ser postas de lado para que possamos enfocar a dimensão humana da política. Afora isso, quando tivermos compreendido alguns dos principais pressupostos humanistas que impulsionam a filosofia política, estaremos em melhores condições de questionar e testar tais pressupostos. (Haverá traços dessa matéria ao longo do livro, quando se questionar, em especial, a ideia de haver uma “natureza humana” que se possa definir.)

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5. O olhar da mídia sobre economia e consumo

Wilson da Costa Bueno Editora Manole PDF Criptografado

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O  olhar  da  mídia  sobre   economia  e  consumo

Adalberto  Wodianer  Marcondes  (Dal  Marcondes)

INTRODUÇÃO

Movimentar  a  economia  por  meio  do  consumo  foi  uma  decisão  tomada  após  a  Segunda  Guerra  Mundial,  e  serviu  apenas  para  acelerar  o  uso  e  a  degradação  dos  recursos  naturais  e  econômicos  do  planeta.  O  consumo  foi,  então,  eleito  como  o  principal   vetor  de  desenvolvimento,  o  indicador  de  resultados  sem  o  qual   as  economias  modernas  estariam  fadadas  ao  fracasso.  A  mídia   tornou-se   parceira   privilegiada   desse   modelo   de   desenvolvimento;  em  alguns  casos,  uma  irmã  siamesa  do  consumo,  uma   vez  que  tem  na  publicidade,  principalmente  dos  bens  de  consumo,  a  principal  fonte  de  financiamento  para  manter  essa  enorme   indústria   em   operação.   Esse   padrão   está   se   esgotando,   o   consumo  não  pode  mais  ser  o  principal  vetor  e  indicador  da  economia  e  os  meios  de  comunicação  já  estão  repensando  seus  modelos  de  negócios.  No  entanto,  não  estão  ainda  oferecendo  ao   público  uma  visão  crítica  sobre  o  consumo  e  seus  impactos  sobre   o   uso   de   matérias-primas,   energia   e   descarte   de   resíduos,   entre  outros.

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Redação empresarial 108 Miriam Gold Editora Saraiva
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