80 capítulos
Medium 9788571109674

Kant

MARCONDES, Danilo Zahar PDF Criptografado

Kant

I

mmanuel Kant (1724-1804) foi um dos mais influentes pensadores da ética no período moderno. Sua proposição de uma ética de princípios e seu racio­ nalismo encontram importantes seguidores no pensamento contemporâneo, que, neste campo, se desenvolveu em grande medida a partir da influência de sua obra.

Em 1781, Kant inaugura sua fase crítica, com a publicação da Crítica da razão pura, à qual se segue em 1788 a Crítica da razão prática, seu trabalho mais importante no campo da ética. Kant tem como tema central de sua investigação a razão em seu sentido tanto teórico quanto prático. Analisa as condições segundo as quais a razão funciona, a maneira como opera e também seu objetivo. No aspecto teórico, trata-se do conhecimento legítimo da realidade com base na distinção entre entendimento e conhecimento. No que diz respeito à prática, trata-se da escolha livre dos seres racionais, que podem se submeter ou não à lei moral, que por sua vez é fruto da razão pura em seu sentido prático; portan­to, age moralmente aquele que é capaz de se autodeterminar. O pressuposto fundamental da ética kantiana é assim a autonomia da razão.

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Medium 9788571104051

3. A ruptura com a tradição

MARCONDES, Danilo Zahar PDF Criptografado

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A RUPTURA COM A TRADIÇÃO

A. A filosofia de Heidegger

Martin Heidegger (1889-1976) procurou – a partir de uma crítica radical à tradição filosófica, da metafísica ocidental que se origina em Platão – dar um novo rumo, um novo sentido à filosofia, que fosse também a busca de algo mais originário, mais fundamental: a retomada da ontologia, a superação do “esquecimento do Ser”, que teria se produzido nessa tradição.

Sua principal obra, que permaneceu inacabada, Ser e tempo (Sein und Zeit, 1927), foi publicada quando Heidegger era professor na Universidade de Marburg.1 Dessa mesma época são o livro Kant e o problema da metafísica (1929) e os textos “O que é a metafísica” (1929) e “Sobre a essência da verdade” (1930). Nessas obras Heidegger desenvolve uma crítica à tradição e formula sua nova perspectiva filosófica, afastando-se da fenomenologia de seu mestre Husserl.

A crítica à tradição filosófica parte de uma caracterização dessa tradição como essencialista, porém confundindo ser e ente, o que resulta na divisão do ser em substância e acidente, tal como acontece em Aristóteles, bem como nas tendências a classificar e a categorizar o ser, objetificando-o. A pergunta sobre o ser transformou-se na pergunta sobre que tipo de coisas existem. Contra esta tendência, predominante na metafísica ocidental, é necessário recuperar a ontologia, fazendo com que o homem passe a se orientar pela verdade, ao contrário do que teria acontecido na filosofia moderna, responsável pela perspectiva epistemológica, pela filosofia da consciência em que o homem se orientou pelo erro, pelo falso, pela ilusão, pela centralidade da preocupação com o conhecimento e a ciência. Segundo o texto de abertura de Ser e tempo, é precisamente a questão do sentido do ser que deve ser retomada.

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Medium 9788537817698

10. Política externa

JACKSON, Robert; SØRENSEN, Georg Zahar PDF Criptografado

10

Política externa

O conceito de política externa� 350

Análise de política externa�

351

Como estudar política externa: uma abordagem do nível de análise�

356

O nível sistêmico�

O nível do Estado-nação�

357

359

O nível do indivíduo responsável pela tomada de decisões�

365

Indo à guerra no golfo Pérsico:

368 um estudo de caso�

Nota sobre especialistas e think tanks�

373

Pontos-chave�

377

Questões�

378

Orientação para leitura complementar�

379

Links�

379

Resumo

Este capítulo trata das teorias e abordagens envolvidas na análise de política externa, um estudo do gerenciamento das relações e atividades externas de

Estados-nação como algo distinto de suas políticas domésticas. O capítulo foi organizado da seguinte maneira: primeiro se delineia o conceito de política externa, depois se discutem várias abordagens desse tipo de análise. Os argumentos das principais teorias são apresentados usando-se uma abordagem de “nível de análise” que compreende o nível do sistema internacional, o do Estado-nação e o do indivíduo responsável pela tomada de decisões. Um estudo de caso sobre a Guerra do Golfo demonstra como é possível conciliar entendimentos de diversas abordagens da análise de política externa e se encerra com comentários sobre os limites desse tipo de conhecimento. Finalmente, inclui-se uma nota sobre especialistas e think tanks de política externa para indicar o volume das pesquisas sobre o tema, que se estendem muito além das universidades.

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Medium 9788571105980

Capítulo 3. Tempo/Espaço

BAUMAN, Zygmunt Zahar PDF Criptografado

.3.

Tempo/Espaço

George Hazeldon, arquiteto inglês estabelecido na África do Sul, tem um sonho: uma cidade diferente das cidades comuns, cheia de estrangeiros sinistros que se esgueiram de esquinas escuras, surgem de ruas esquálidas e brotam de distritos notoriamente perigosos. A cidade do sonho de Hazeldon é como uma versão atualizada, high-tech, da aldeia medieval que abriga detrás de seus grossos muros, torres, fossos e pontes levadiças uma aldeia prote­gida dos riscos e perigos do mundo. Uma cidade feita sob medida para indivíduos que querem administrar e monitorar seu estar juntos. Alguma coisa, como ele mesmo disse, parecida com o Mon­te Saint-Michel, simultaneamente um claustro e uma fortaleza ina­cessível e bem guardada.

Quem olha os projetos de Hazeldon concorda que a parte do “claustro” foi imaginada pelo desenhista à semelhança da Thélème de Rabelais, a cidade da alegria e do divertimento compulsórios, onde a felicidade é o único mandamento, e não se parece nada com o esconderijo dos ascetas voltados para os céus, que se autoimolam, são piedosos, oram e jejuam. A parte da “fortaleza”, por outro lado, é original. Heritage Park, a cidade que Hazeldon está para construir em 500 acres de terra não muito longe da Cidade do Cabo, deve diferenciar-se das outras

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Medium 9788571104389

Capítulo 3. Antecedentes históricos do conceito de cultura

LARAIA, Roque de Barros Zahar PDF Criptografado

3. ANTECEDENTES HISTÓRICOS

DO CONCEITO DE CULTURA

No final do século xviii e no princípio do seguinte, o termo germânico Kultur era utilizado para simbolizar todos os aspectos espirituais de uma comunidade, enquanto a palavra francesa Civilisation referia-se principalmente às realizações materiais de um povo. Ambos os termos foram sintetizados por Edward Tylor (1832-1917) no vocábulo inglês Culture, que “tomado em seu amplo sentido etnográfico

é este todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade”.1 Com esta definição Tylor abrangia em uma só palavra todas as possibilidades de realização humana, além de marcar fortemente o caráter de aprendizado da cultura em oposição à ideia de aquisição inata, transmitida por mecanismos biológicos.

O conceito de cultura, pelo menos como utilizado atualmente, foi portanto definido pela primeira vez por Tylor.

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