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Medium 9788537807712

Capítulo 2. Dentro e fora da caixa de ferramentas da sociabilidade

BAUMAN, Zygmunt Zahar PDF Criptografado

.2.

Dentro e fora da caixa de ferramentas da sociabilidade

Homo sexualis: abandonado e destituído

Como afirmou Lévi-Strauss, o encontro dos sexos é o terreno em que natureza e cultura se deparam um com o outro pela primeira vez. É, além disso, o ponto de partida, a origem de toda cultura.

O sexo foi o primeiro ingrediente de que o homo sapiens foi naturalmente dotado sobre o qual foram talhadas distinções artificiais, convencionais e arbitrárias – a atividade básica de toda cultura

(em particular, o ato fundador da cultura, a proibição do incesto: a divisão das fêmeas em categorias disponíveis e indisponíveis para a coabitação sexual).

É fácil perceber que esse papel do sexo não foi acidental. Das muitas tendências, inclinações e propensões “naturais” dos seres humanos, o desejo sexual foi e continua sendo a mais óbvia, indubitável e incontestavelmente social. Ele se estende na direção de outro ser humano, exige sua presença e se esforça para transformála em união. Ele anseia por convívio. Torna qualquer ser humano – ainda que realizado e, sob todos os outros aspectos, autossuficiente

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Medium 9788571109278

Políticas patrimoniais no Brasil: impasses e realizações

FUNARI, Pedro Paulo; PELEGRINI, Sandra C.A. Zahar PDF Criptografado

Patrimônio histórico e cultural

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nas heterogêneas. No entanto, será que o êxito dessa experiência logrou resultados positivos no trato do patrimônio em outros países da América Latina, e, em particular, em nosso país?

Políticas patrimoniais no Brasil: impasses e realizações

Em nosso país, as políticas públicas voltadas para a área cultural, particularmente aquelas referentes à proteção patrimonial, têm oscilado entre concepções e diretrizes nem sempre transparentes. Certo é que a maior parte das iniciativas nesse campo se inscreveu nas esferas do poder federal, e que, não raro, suscitaram interpretações díspares.

Um registro no mínimo curioso nos auxilia a apreender a ambiguidade que o trato do patrimônio cultural pode envolver (se é que podemos tratar o episódio dessa forma).

Em correspondência enviada, em meados do século XVIII, a D. Luis Pereira Freire de Andrade (governador da capitania de Pernambuco), D. André de Melo e Castro (vice-rei do

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Medium 9788571104389

Capítulo 2. O determinismo geográfico

LARAIA, Roque de Barros Zahar PDF Criptografado

2. O DETERMINISMO GEOGRÁFICO

O determinismo geográfico considera que as diferenças do ambiente físico condicionam a diversidade cultural. São explicações existentes desde a Antiguidade, do tipo das formuladas por Pollio, Ibn Khaldun, Bodin e outros, como vi­mos anteriormente.

Estas teorias, que foram desenvolvidas principalmente por geógrafos no final do século xix e no início do século xx, ganharam uma grande popularidade. Exemplo significativo desse tipo de pensamento pode ser encontrado em

Huntington, em seu livro Civilization and Climate (1915), no qual formula uma relação entre a latitude e os centros de civilização, considerando o clima como um fator importante na dinâmica do progresso.

A partir de 1920, antropólogos como Boas, Wissler,

Kroeber, entre outros, refutaram este tipo de determinismo e demonstraram que existe uma limitação na influência geo­gráfica sobre os fatores culturais. E mais: que é possível e comum existir uma grande diversidade cultural localizada em um mesmo tipo de ambiente físico.

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Medium 9788571109674

Foucault

MARCONDES, Danilo Zahar PDF Criptografado

Foucault

O

francês Michel Foucault (1926-84) foi um dos mais originais pensadores do século XX, com uma obra de grande impacto na filosofia, na história, na psicologia e nas ciências sociais. Influenciado pelo estruturalismo francês e pela fenomenologia, foi também profundamente marcado, como ele mesmo admite, pelos pensamentos de Nietzsche, Freud e Marx.

Sua primeira obra importante foi A história da loucura (1961), que revo­luciona a interpretação tradicional sobre a constituição do saber psiquiátrico e sobre o conceito de loucura e o papel do louco na sociedade desde o início da modernidade. Em Arqueologia do saber (1969) Foucault começa a se afastar do estruturalismo que ainda o inspirara bastante em O nascimento da clínica

(1963), que retomara suas pesquisas sobre a história da loucura. O método arqueológico que formula tem como ponto de partida a necessidade de uma reinterpretação da história, revelando os pressupostos e elementos subjacentes aos saberes de um determinado período histórico e relativizando-os.

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Medium 9788571109674

Aristóteles

MARCONDES, Danilo Zahar PDF Criptografado

Aristóteles

E

nquanto nos diálogos de Platão todas as grandes questões filosóficas se encontram bem encadeadas e passamos de uma discussão sobre a verda­de e o conhecimento para outras de natureza ética, como vimos no capítulo anterior, a filosofia de Aristóteles é de caráter mais sistemático e analítico, dividindo a experiência humana em três grandes áreas: o saber teórico, ou campo do conhecimento; o saber prático, ou campo da ação; e o saber criati­vo ou produtivo. Outra diferença que pode ser notada diz respeito ao tipo de texto que chegou até nós. Enquanto de Platão nos chegaram os diálogos, de

Aristóteles sobreviveram escritos que são basicamente notas de aula (embora ele tenha também produzido diálogos, perdidos já na Antiguidade). Isto faz com que os textos de Aristóteles tenham um estilo que parece mais árido.

No sistema de Aristóteles, a ética, juntamente com a política, pertence ao domínio do saber prático, que pode ser contrastado ao saber teórico. En­quanto no âmbito do saber teórico, que inclui a metafísica, a matemática e as ciências naturais, sobretudo a física, o objetivo é o conhecimento da realidade em suas leis e princípios mais gerais, no domínio do saber prático o intuito

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