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CAPÍTULO I: A educação, a sua natureza e o seu papel

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Capítulo I

A educação, a sua natureza e o seu papel

1. As definições da educação: exame crítico

A palavra educação foi por vezes empregue num sentido muito lato para designar o conjunto de influências que a natureza ou os outros homens podem exercer, seja sobre a nossa inteligência, seja sobre a nossa vontade. Abarca, diz Stuart

Mill, «tudo aquilo que nós próprios fazemos e tudo o que os outros fazem por nós com o objectivo de nos aproximar da perfeição da nossa natureza. Na sua acepção mais lata, abrange mesmo os efeitos indirectos produzidos sobre o carácter e sobre as faculdades do homem por coisas cujo objectivo é muito diferente: pelas leis, pelas formas de governo, pelas artes industriais, e até mesmo por factos físicos, independentes da vontade do homem, como o clima, o sol e a posição local». Mas esta definição envolve factos completamente díspares e que não podemos reunir sob um mesmo vocábulo sem nos expormos a confusões. A acção das coisas sobre os homens é muito diferente, pelos seus processos e pelos seus resultados, daquela que é proveniente dos próprios

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INTRODUÇÃO

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Introdução

A obra pedagógica de Durkheim

Durkheim ensinou Pedagogia toda a vida, ao mesmo tempo que Sociologia. Na Faculdade de Letras de Bordéus, entre 1887 e 1902, deu sempre Pedagogia em aulas semanais de uma hora. Os seus alunos eram, sobretudo, professores do ensino primário. Fez o mesmo na Sorbonne, na cadeira de

Ciência da Educação, onde em 1902 é assistente e em 1906 sucede a Ferdinand Buisson. Até à sua morte, reservou à pedagogia um terço, e frequentemente dois terços, do seu ensino: aulas públicas, conferências para os professores do ensino primário, aulas aos alunos da Escola Normal Superior. Esta obra pedagógica está quase inteiramente inédita. Nenhum dos seus alunos, sem dúvida, a conseguiu compreender na sua totalidade. Pretendemos apresentá-la aqui em resumo.

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Durkheim não repartiu o seu tempo nem o seu pensamento entre duas actividades distintas, ligadas uma à outra de uma forma acidental. Aborda a educação pelo lado em que ela

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CAPÍTULO II: Natureza e método da pedagogia

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Capítulo II

Natureza e método da pedagogia

Têm sido frequentemente confundidas as palavras educação e pedagogia, que exigem, no entanto, ser cuidadosamente distinguidas.

A educação é a acção exercida sobre as crianças pelos pais e pelos professores. Esta acção acontece constantemente e é geral. Não há um instante na vida social, não há mesmo, por assim dizer, um instante ao longo do dia em que as jovens gerações não estejam em contacto com os seus predecessores, e em que, por conseguinte, não recebam destes últimos a influência educadora. Porque esta influência não se faz sentir apenas nos instantes muito curtos em que os pais ou os professores comunicam conscientemente, e através de um ensinamento propriamente dito, os resultados da sua experiência

àqueles que vieram após eles. Há uma educação inconsciente que nunca pára. Pelo nosso exemplo, pelas palavras que pronunciamos, pelos actos que realizamos, formamos de uma maneira contínua a alma das nossas crianças.

Com a pedagogia é completamente diferente. Esta consiste, não em acções, mas em teorias. Estas teorias são manei71

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CAPÍTULO III: Pedagogia e sociologia

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Capítulo III

Pedagogia e sociologia

Meus senhores,

É para mim uma grande honra, e de que sinto vivamente todo o valor, substituir nesta cátedra o homem de alta razão e de firme vontade a quem a França deve, em larga medida, a renovação do seu ensino primário. Em contacto íntimo com os professores das nossas escolas desde que há quinze anos professo a pedagogia na Universidade de Bordéus, pude ver de perto a obra à qual o nome do Sr. Buisson continuará definitivamente ligado e de que conheço, por conseguinte, toda a grandeza. Principalmente quando nos lembramos do estado em que se encontrava este ensino no momento em que foi empreendida a reforma, é impossível não admirar a importância dos resultados obtidos e a rapidez dos progressos conseguidos. As escolas multiplicadas e materialmente transformadas, os métodos racionais substituindo as velhas rotinas de outrora, um verdadeiro impulso dado à reflexão pedagógica, uma estimulação geral de todas as iniciativas, tudo isto constitui certamente uma das maiores e mais felizes revoluções que foram produzidas na história da nossa educação nacio93

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CAPÍTULO IV: A evolução e o papel do ensino secundário em França

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Capítulo IV

A evolução e o papel do ensino secundário em França(4)

1. O meu papel, senhores, não é ensinar-vos a técnica do vosso trabalho: ela apenas se pode aprender através da experiência e é pela experiência que a aprendereis no próximo ano(5). Mas uma técnica, qualquer que seja, degenera depressa num vulgar empirismo se aquele que dela se serve nunca tiver sido levado a reflectir no seu objectivo e nos meios que emprega. Encaminhar a vossa reflexão para as coisas do ensino e ensinar-vos a aplicá-las com método, eis precisamente qual será a minha tarefa. Um ensino pedagógico deve, com efeito, propor-se, não comunicar ao futuro praticante um certo número de procedimentos e de receitas, mas dar-lhe uma plena consciência da sua função.

(4) Esta lição de abertura fora precedida de uma primeira sessão em que o Sr. reitor Liard, o Sr. Lavisse e o Sr. Langlois, director do Museu

Pedagógico, tinham colocado os estudantes ao corrente das medidas tomadas para organizar a sua preparação profissional. A alocução do Sr. Langlois apareceu na Revue bleue, número de 25 de Novembro de 1905.

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