Artmed (116)
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Capítulo 5. Assim é, se lhe parece: os "aplicativos" cerebrais

Ramon M. Cosenza Artmed PDF Criptografado

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ASSIM É, SE LHE PARECE:

OS “APLICATIVOS” CEREBRAIS

O cérebro humano é um órgão complexo, com o fantástico poder de permitir que o homem encontre razões para continuar acreditando em qualquer coisa que ele queira acreditar.

Voltaire

Dos dois tipos de processamento cognitivo atuando em nosso cérebro, o primei-

ro deles, ou T1, funciona pela utilização de muitos dispositivos automáticos que podem resolver problemas cotidianos de forma rápida e eficaz. As decisões tomadas dessa forma são chamadas de decisões heurísticas (uma palavra que vem do grego, significando encontrar). Embora imperfeitas, elas fornecem soluções intuitivas para dilemas muitas vezes complexos.

Ao longo da evolução, o cérebro adquiriu a capacidade de identificar problemas recorrentes na vida dos animais, processando-os de forma automática. Nele desenvolveram-se módulos especializados em computar determinadas informações que podem ser comparados aos softwares aplicativos que se tornaram nossos companheiros constantes nos tablets e telefones celulares que usamos a toda hora. Esses aplicativos cerebrais atuam de uma forma heurística e são eficientes, mas, em determinas situações do mundo moderno, podem levar a escolhas e decisões inadequadas. Vamos examinar alguns desses dispositivos e os vieses decorrentes da sua utilização.

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Medium 9788582712498

Capítulo 3. Caindo na rede: as ilusões cognitivas

Ramon M. Cosenza Artmed PDF Criptografado

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CAINDO NA REDE:

AS ILUSÕES COGNITIVAS

Decisões rápidas são decisões perigosas.

Sófocles – 497-406 a.C.

Muitas decisões e escolhas no nosso cotidiano são feitas de maneira heurística –

ou seja, pelo uso de regras simples e automáticas – e são, com frequência, inconscientes. Na maioria das vezes, essa maneira de funcionar é eficiente para a solução dos problemas ordinários, mas pode também resultar em soluções inadequadas, ou que contrariam um procedimento racional. A identificação de muitos desses chamados “vieses cognitivos” tornou-se possível a partir do trabalho pioneiro de dois psicólogos israelenses, Amos Tversky e Daniel Kahneman, na década de 1970

(Tversky & Kahneman, 1974).

O funcionamento cognitivo autônomo, como já sabemos, é preferido porque não envolve muitos recursos computacionais: é mais econômico e, portanto, mais de acordo com nossa avareza cognitiva. Frequentemente, os problemas que surgem do seu uso decorrem de um processamento associativo, resultante da maneira como a nossa memória funciona, armazenando e buscando as informações em uma rede semântica, como vimos no Capítulo 1. A seguir, vamos examinar alguns desses vieses.

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Capítulo 1. As origens: a evolução do cérebro e suas funções

Ramon M. Cosenza Artmed PDF Criptografado

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AS ORIGENS: A EVOLUÇÃO DO

CÉREBRO E SUAS FUNÇÕES

A seleção natural funciona como um remendão – um remendão que não sabe exatamente o que vai produzir, mas que usa tudo ao seu dispor para fazer algum tipo de objeto viável.

François Jacob

A espécie humana dispõe de um cérebro privilegiado em relação aos outros ani-

mais. Com ele somos capazes de raciocinar e de planejar, e com seus recursos conseguimos desenvolver uma comunicação eficiente por meio da linguagem verbal.

Tudo isso possibilitou a produção do conhecimento e sua transmissão através das gerações, levando à construção da sociedade tecnológica em que vivemos nos dias atuais. Mas, apesar desse sucesso evidente, temos de reconhecer que nosso cérebro é um dispositivo imperfeito, que deixa a desejar em muitos aspectos do seu funcionamento cotidiano, sem falar nos problemas que podem ser decorrentes de suas disfunções. É importante, então, compreendermos o porquê de algumas dessas falhas, e para isso é preciso conhecer um pouco da evolução filogenética do cérebro, do ponto de vista tanto de sua estrutura quanto de suas funções.

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Medium 9788582712498

Capítulo 6. Aprender é preciso: probabilidade e lógica

Ramon M. Cosenza Artmed PDF Criptografado

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APRENDER É PRECISO:

PROBABILIDADE E LÓGICA

Tudo que nos dá novos conhecimentos nos traz a oportunidade de sermos mais racionais.

Herbert Simon

Ao longo dos capítulos anteriores, vimos como o cérebro humano está sujeito a

falhas e vieses cognitivos que são decorrentes do seu desenvolvimento evolutivo.

Como o processamento do Tipo 1 (T1) é o padrão, sempre que não ocorre vigilân­ cia e um esforço consciente, nossa maneira de pensar fica sujeita a desvios que são difíceis de evitar. Em ambientes simples e que não sejam hostis, o processamento heurístico costuma ser satisfatório e atender às necessidades do cotidiano. No en­ tanto, na sociedade tecnológica em que vivemos, é preciso utilizar com mais fre­ quência o processamento do Tipo 2 (T2).

No mundo moderno, frequentemente temos de pensar utilizando regras e conheci­ mentos que as gerações de nossos antepassados desconheciam. Atualmente, deci­ sões inadequadas podem decorrer da ignorância de preceitos e estratégias do pen­ samento racional como, por exemplo, os raciocínios probabilístico e lógico. Por isso,

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Medium 9788582712498

Capítulo 7. Neuroeconomia: conhecendo os circuitos do decidir

Ramon M. Cosenza Artmed PDF Criptografado

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NEUROECONOMIA:

CONHECENDO OS

CIRCUITOS DO DECIDIR

Eu sou um cérebro, Watson. O resto de mim é um mero apêndice.

Portanto, é o cérebro que devo considerar. (Sherlock Holmes)

Sir Arthur Conan Doyle

Os animais utilizam seus cérebros a todo o momento para fazer escolhas e tomar decisões que visam a satisfazer suas necessidades, levando em conta seu estado interno e as circunstâncias que ocorrem no ambiente, de maneira que o comportamento resultante seja o mais adaptativo e possibilite tanto a sobrevivência do organismo quanto da espécie a que ele pertence.

A representação do problema, em termos dos estados internos e externos em que se encontra o indivíduo é, na verdade, a primeira etapa nos processos necessários para a tomada de decisão. Essa etapa irá identificar algumas ações que poderão ser escolhidas: se o animal está faminto, por exemplo, é preciso reconhecer no ambiente o que poderá servir de alimento a ser consumido. Ocorre, então, outra etapa: a atribuição de um valor às diversas opções existentes, de modo a obter a maior vantagem disponível. Em seguida, será preciso escolher a melhor ação que leve à obtenção do objetivo escolhido. Finalmente, é necessário monitorar o comportamento desencadeado, para verificar se ele foi efetivo na obtenção do resultado esperado. Dependendo do resultado, é preciso fazer uma atualização das etapas precedentes, pois, se a mesma situação se repete, é importante saber se o melhor

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Editora Manole (63)
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Medium 9788520450444

1. Teoria interpessoal de Peplau

Ilza Marlene Kuae Fukuda; Maguida Costa Stefanelli; Evalda Cançado Arantes Editora Manole PDF Criptografado

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Teoria interpessoal de Peplau

Evalda Cançado Arantes

Maguida Costa Stefanelli

Ilza Marlene Kuae Fukuda

PONTOS A APRENDER

1. Discorrer sobre a pioneira do desenvolvimento de teorias de enfermagem.

2. Evidenciar contexto, conteúdo e processo da teoria interpessoal de

Peplau.

3. Apresentar as fases da aplicação da teoria interpessoal de Peplau.

4. Descrever o papel do enfermeiro psiquiátrico segundo a teoria interpessoal de Peplau.

5. Discorrer sobre as principais contribuições da teoria interpessoal de

Peplau para o desenvolvimento da enfermagem.

PALAVRAS-CHAVE

Teorias de enfermagem, teoria interpessoal de Peplau, papel do enfermeiro psiquiátrico, relacionamento enfermeiro-paciente, enfermagem psiquiátrica, saúde mental.

ESTRUTURA DOS TÓPICOS

A teorista Hildegard E. Peplau. Teoria interpessoal de Peplau. Assertivas básicas. Conceitos básicos. Componentes centrais da teoria interpessoal de Peplau. Métodos para estudar enfermagem como processo interpessoal. Modificações na teoria de Peplau. Considerações finais.

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Medium 9788520450444

9. Padrões de assistência de enfermagem e o processo de enfermagem em saúde mental e psiquiátrica

Ilza Marlene Kuae Fukuda; Maguida Costa Stefanelli; Evalda Cançado Arantes Editora Manole PDF Criptografado

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Padrões de assistência de enfermagem e o processo de enfermagem em saúde mental e psiquiátrica

Maguida Costa Stefanelli

Ilza Marlene Kuae Fukuda

Evalda Cançado Arantes

PONTOS A APRENDER

1.

2.

3.

4.

5.

6.

7.

8.

9.

Conceituar os padrões de assistência de enfermagem.

Refletir sobre a importância dos padrões de cuidado de enfermagem.

Conceituar o processo de enfermagem.

Discorrer sobre as etapas do processo e as ações relacionadas a cada uma delas.

Refletir sobre a importância do diagnóstico de enfermagem.

Implementar as etapas do processo, de acordo com o nível de formação.

Descrever as ações específicas realizadas em cada etapa.

Avaliar a utilização do processo de enfermagem no cuidado à pessoa com transtorno mental ou na promoção de sua saúde.

Identificar os padrões de desempenho profissional.

PALAVRAS-CHAVE

Enfermagem em saúde mental e psiquiátrica, padrões de assistência de enfermagem, processo de enfermagem.

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Medium 9788578681210

Políticas e políticos

BARROS, Daniel Martins de Editora Manole PDF Criptografado

O parque dos ratos e a cracolândia

Está em curso, há alguns anos, um verdadeiro experimento de psiquiatria social em São Paulo. Poucos se deram conta, mas a ação da prefeitura na região da Luz para solucionar o problema da cracolândia, com equipes que emblematicamente reúnem policiais e agentes de saúde, trata de forma direta de uma questão médico-psiquiátrica – o uso de drogas – e de uma questão social

– as populações de rua.

Chama a atenção que cerca de 80% dos moradores abordados tenham recusado atendimento em meados de 2009, negando-se a procurar tratamento médico, segundo reportagem da Folha de

S.Paulo.

Na década de 1970, o psicólogo canadense Bruce K. Alexander conduziu um experimento apelidado “Parque dos ratos”. Sua hipótese era de que os modelos animais de dependência química eram furados, já que os ratos eram mantidos em gaiolas apertadas, isolados e restritos. Para ele, usar a droga naquelas condições seria nada mais do que um alívio. Sendo assim, ele criou o tal parque,

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Medium 9788578681210

Doenças e seus tratamentos

BARROS, Daniel Martins de Editora Manole PDF Criptografado

No consultório com Darwin

“Nada em biologia faz sentido a não ser à luz da evolução.”

A frase do geneticista ucraniano Theodosius Dobzhansky foi repetida à exaustão nas efemérides envolvendo Charles

Darwin em 2009 (os 200 anos de seu nascimento e os 150 da publicação de A origem das espécies). O que nem sempre lembramos é que a frase vale também para a medicina, atrelada que é à biologia.

No livro A sobrevivência dos mais doentes (Moalem e

Watters, 2007), isso fica evidente: a maior prevalência de anemia falciforme entre os negros, por exemplo, resultando na proteção que essa doença hematológica confere contra malária (o protozoário que causa a malária não consegue infectar as células sanguíneas distorcidas pela anemia), mostra como a seleção natural tem influência direta na patologia humana.

A psiquiatria, como especialidade médica que é – e sujeita

(embora não restrita) ao biológico cérebro – não poderia

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se safar. Exemplo: desde que o tratamento com carbonato de lítio para o transtorno afetivo bipolar foi introduzido, há lugares em que sua incidência vem aumentando. Claro que não é o remédio que causa novos casos de doença, mas, provavelmente, o fato de as pessoas ficarem melhor permite que se envolvam mais em relacionamentos e tenham mais filhos, o que aumenta a chance de haver mais genes da bipolaridade na população.

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Comportamentos

BARROS, Daniel Martins de Editora Manole PDF Criptografado

Por que se agridem os gays

Estão em pauta nos últimos tempos os episódios de agressão contra homossexuais. Muitas respostas surgem para a pergunta de por que isso acontece, e eu também tenho uma teoria: quem agride homossexual faz isso porque não tolera a própria homossexualidade. Pode ser polêmico, mas tenho três testemunhas de peso a favor da minha tese.

Em primeiro, o velho Freud, com seu conceito de formação reativa, um mecanismo de defesa do ego no qual, diante de desejos inconscientes e tendências inaceitáveis para o indivíduo, este adota o comportamento exatamente oposto. Assim, alguém com desejos homossexuais latentes reagiria com raiva quando confrontado com tais impulsos.

Pode até parecer teórico demais ou pouco científico, mas foi uma ideia posta à prova em um estudo já clássico (Adams et al., 1996): os psicólogos convidaram 64 voluntários, todos homens heterossexuais, para uma pesquisa, classificando-os em muito ou pouco homofóbicos, de acordo com um questionário

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Grupo A (3084)
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Medium 9788582715277

Capítulo 18. Psicoterapias em grupo

Aristides Volpato Cordioli (Org.), Eugenio Horacio Grevet (Org.) Grupo A PDF Criptografado

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Psicoterapias em grupo

Elizeth Heldt

Andressa S. Behenck

Ana Cristina Wesner

Este capítulo descreve um breve histórico das psicoterapias em grupo e os fatores terapêuticos que são comuns a todas elas. São abordadas as principais modalidades em uso no tratamento dos transtornos mentais – as terapias cognitivo-comportamentais (TCCs), a psicoterapia de orientação analítica (POA) em grupo e os grupos de autoajuda. Além disso, são apresentados os fundamentos, as técnicas, as indicações e contraindicações e o papel do terapeuta em cada um desses modelos, bem como as evidências empíricas de eficácia. Por fim, são discutidas as questões em aberto e as perspectivas futuras dessa modalidade de psicoterapia.

O interesse pela psicoterapia de grupo o

­ correu principalmente na década de 1940, fruto da

­alta demanda gerada por condições psiquiátricas durante a Segunda Guerra Mundial, quando os profissionais eram escassos e a necessidade de tratamento se tornava cada vez maior.

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Medium 9788582715277

Capítulo 2. As principais psicoterapias: fundamentos teóricos, técnicas, indicações e contraindicações

Aristides Volpato Cordioli (Org.), Eugenio Horacio Grevet (Org.) Grupo A PDF Criptografado

As principais psicoterapias: fundamentos teóricos, técnicas, indicações e contraindicações

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Aristides Volpato Cordioli

Lucas Primo de Carvalho Alves

Lucianne Valdivia

Neusa Sica da Rocha

Este capítulo apresenta um breve panorama da psicoterapia e seus diversos tipos na atualidade, incluindo a origem, a evolução, o conceito e os elementos que caracterizam esse importante método de tratamento de problemas emocionais e transtornos mentais. Aqui, são descritos os principais modelos, os fundamentos teóricos e técnicas, bem como as indicações e as contraindicações da psicoterapia.

Originalmente chamada de cura pela fala, a psi­ coterapia tem suas origens na medicina antiga, na religião, na filosofia, na cura pela fé e no hip­ notismo. Foi, entretanto, no final do século XIX que ela passou a ser usada como método de tra­ tamento dos transtornos mentais, com um re­ ferencial teórico, uma técnica ou um método aplicado por um terapeuta treinado e adepto de um modelo definido. Com base no modelo mé­ dico e nas teorias e nos métodos de tratamento desenvolvidos por Freud, as terapias de orienta­

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Medium 9788536327549

24. Comunicação dolorosa

De Marco, Mario Alfredo Grupo A PDF Criptografado

24

Comunicação dolorosa

MARIO ALFREDO DE MARCO

Um ponto importante a ser destacado em relação ao fornecimento de informações é a clareza da perspectiva a partir da qual estamos funcionando; por exemplo, agiremos de forma diferente se consideramos o acesso à informação um direito do paciente ou um dever (De Marco, 2003). Na primeira situação, forneceremos ao paciente as informações de acordo com suas possibilidades e respeitando suas resistências. No segundo caso, forneceremos a informação ao paciente, independentemente de seu estado.

Para tornar mais claros esses pontos, é útil examinar o tópico “comunicação de más notícias”, que teve uma evolução curiosa ao longo das últimas décadas: até a década de 1960, a tendência era de não revelar ao paciente os diagnósticos mais graves (em relação ao câncer, por exemplo, não se revelava o diagnóstico em 90% dos casos). Nessa época, nos Estados Unidos, foi realizada uma pesquisa tentando descobrir os fatores que motivavam essa atitude. A pesquisa revelou que a maioria dos médicos (90%) considerava que, para o paciente, era melhor que o diagnóstico não fosse revelado. Quando se indagava como haviam chegado a essa conclusão, a resposta mais comum era: “com base em minha experiência”. O que intrigou os pesquisadores foi que mesmo os profissionais recém-formados forneciam essa resposta. Com a análise desses dados, o trabalho demonstrou a falta de uma base empírica, chegando à conclusão de que essa conduta estava baseada em preconceitos e crenças, e não na experiência.

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Medium 9788536327549

18. A morte na cultura, nos hospitais, no indivíduo

De Marco, Mario Alfredo Grupo A PDF Criptografado

18

A morte na cultura, nos hospitais, no indivíduo

CRISTIANE CURI ABUD

VERA BLONDINA ZIMMERMANN

É a negação da morte que é parcialmente responsável pelas vidas vazias e sem sentido das pessoas, pois, quando você vive como se fosse viver para sempre, fica muito fácil adiar as coisas que você sabe que precisa fazer.

Em contraste, quando você compreende plenamente que cada dia que você vive poderia ser o último, você utiliza o tempo daquele dia para crescer, para se tornar mais quem você realmente é, para se aproximar de outros seres humanos.

Klüber-Ross

MORTE E LUTO DURANTE O CICLO DE VIDA

A morte desperta, acima de tudo, medo: medo de perder a própria vida ou de perder um ente querido. Do ponto de vista psicanalítico, Eizirik (2001) nos lembra que a morte desperta fantasias e correspondentes defesas contra elas. A morte representa o incontrolável, o intangível, o desconhecido e o inominável. Por isso, sentimos medo, o qual, na maior parte do tempo, negamos, ou seja, não pensamos em tudo o que pode nos acontecer o tempo todo, pois, se assim fosse, não sairíamos de casa, e ficar em casa também seria perigoso.

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Medium 9788536327549

20. Reações e crises

De Marco, Mario Alfredo Grupo A PDF Criptografado

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Reações e crises

ANA CECILIA LUCCHESE

Você certamente se lembra de ter passado por momentos desagradáveis em decorrência de algum problema de saúde, já teve dores ou algum desconforto e, talvez, tenha precisado buscar ajuda médica. Como você se sentiu? O que acontece com um indivíduo quando adoece?

O equilíbrio entre organismo e seu meio é o modo mais clássico e talvez antigo de conceitualizar a saúde. Canguilhem (apud Lerman, 2010) afirma que “a saúde é a vida no silêncio dos órgãos”. Entende-se como saúde esse estado “silencioso” do organismo, isto é, quando nada se sente, nada se percebe e tudo funciona conforme desejado. Quando nosso corpo está em silêncio, esquecemos dele e de muitos limites humanos. Porém, quando somos acometidos por alguma doença, que escapa a nosso controle, somos lembrados da fragilidade humana, de nossa vulnerabilidade e de que somos todos mortais. Precisar da ajuda de um serviço de saúde, seja de ambulatório, pronto-socorro ou hospital, pode trazer muito sofrimento pelo contato com toda essa fragilidade. As reações psicológicas diante desse novo estado variam imensamente e dependem de inúmeros fatores: a doença pode ser aguda ou crônica, a pessoa em questão pode ser jovem ou idosa, ter tido experiências prévias boas ou ruins com profissionais da saúde, enfim, das circunstâncias e da história de vida de cada um. Neste capítulo, iremos discorrer sobre a experiência de indivíduos em serviços de saúde; sem intenção de tentar fazer um manual, tentaremos aguçar o olhar do leitor para uma vasta gama de reações possíveis. Cabe salientar que uma reação psicológica “normal”, que é “esperada”, também merece ser cuidada, pois traz um sofrimento real para o paciente. Esse sofrimento, muitas vezes “dentro do esperado”, não recebe a devida atenção e acaba não tendo um tratamento adequado.

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Grupo A (70)
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Medium 9788536325408

Capítulo 5 - Desenvolvimento Cognitivo nos Primeiros Dois Anos

Denise Boyd ; Helen Bee Grupo A PDF Criptografado

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Desenvolvimento Cognitivo nos

Primeiros Dois Anos

A

s propagandas de livros, vídeos e brinquedos caros muitas vezes fazem os pais se perguntarem se estão dando a seu bebê a estimulação necessária para seu melhor desenvolvimento intelectual. Porém, a influência da experiência no desenvolvimento cognitivo é mais evidente nos casos em que uma interrupção drástica no suporte ambiental – subnutrição, abuso infantil, envenenamento por chumbo ou coisas desse tipo – impedem o desenvolvimento intelectual.

Sabe-se há certo tempo que quantidades extraordinárias de estimulação intelectual fazem pouco ou nada para aumentar o desenvolvimento cognitivo de bebês saudáveis (Bruer, 1999).

Assim, pais ansiosos podem ficar tranquilos ao saberem que as pesquisas mostram que o que os bebês precisam para realizar seu potencial intelectual são cuidadores que atendam a todas as suas necessidades e evitem focar de maneira muito estreita em um parâmetro de desenvolvimento específico, tal como a maximização dos escores em testes de inteligência aos quais as crianças serão submetidas quando ingressarem na escola.

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Medium 9788536325408

Capítulo 8 - Desenvolvimento Cognitivo na Segunda Infância

Denise Boyd ; Helen Bee Grupo A PDF Criptografado

8

Desenvolvimento Cognitivo na

Segunda Infância

O

bserve uma criança de 1 ano brincando e você vai perceber que seu brincar é dominado por explorações sensoriais dos objetos. Ela parece motivada a tocar e manipular tudo em seu ambiente. Se você observar uma criança de 2 anos, verá que uma nova dimensão foi acrescentada ao brincar sensório-motor – a ideia de que os objetos têm nomes. Quase toda manipulação de objetos é acompanhada por uma questão importante para os adultos que estão próximos: “Quisso?” (O que é isso?).

Alguns anos mais tarde, em torno dos 4 anos, formas sofisticadas de brincar de faz de conta, tais como vestir roupas especiais, tornam-se o modo preferido de brincar. Essas alterações no comportamento lúdico estão subordinadas a profundas mudanças no domínio cognitivo. Entre 2 e 6 anos, período aqui denominado segunda infância, a criança deixa de ser uma criatura dependente, capaz de se comunicar apenas de forma primitiva, para se tornar um ser consideravelmente competente, comunicativo, social, capaz de iniciar a escola. Essas mudanças são o tema do presente capítulo.

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Medium 9788536325408

Capítulo 11 - Desenvolvimento Cognitivo na Meninice

Denise Boyd ; Helen Bee Grupo A PDF Criptografado

11

Desenvolvimento Cognitivo na Meninice

O

primeiro dia de escola é visto como um dos pontos de transição mais importantes na vida de uma criança. Nos

Estados Unidos, os pais marcam a ocasião de diversas maneiras

– com roupas novas, materiais escolares novos e mochilas e lancheiras cuidadosamente escolhidas. Algumas famílias tiram fotografias do primeiro translado dos filhos no ônibus escolar ou de sua primeira aula. Todos esses modos de reconhecer esse marco importante indicam às crianças que esse dia é especial, e elas começam a se ver como “crianças grandes” envolvidas no sério negócio de estudar, e não como “criancinhas” que passam a maior parte do tempo brincando.

Em todo o mundo industrializado, assim como na maioria das regiões em desenvolvimento, o período entre 6 e 12 anos é dedicado à educação formal. Essa prática universal é moldada pela observação cotidiana de que as habilidades intelectuais necessárias para a aprendizagem formal florescem durante esse período. Além disso, a instrução formal, quer envolva ensinar as crianças a cuidar do gado em uma cultura tradicional quer a ler e escrever em uma cultura industrializada, fornece às crianças as experiências de aprendizagem que tanto se baseiam quanto expandem suas habilidades cognitivas.

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Capítulo 10 - Desenvolvimento Físico e Saúde na Meninice

Denise Boyd ; Helen Bee Grupo A PDF Criptografado

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Desenvolvimento Físico e Saúde na Meninice

A

s crianças em idade escolar têm um tipo maravilhoso de confiança espontânea em seus corpos. A hesitação e rigidez da segunda infância se foram, e as incertezas da puberdade ainda não começaram. Crianças dessa idade podem transitar no mundo com habilidade e começar a praticar esportes com real entusiasmo. É um prazer observar crianças dessa idade nos pátios ou em seus bairros. Elas com frequência têm uma espécie de intenso entusiasmo por sua atividade física.

As mudanças ocultas nos corpos das crianças que permitem os movimentos que conhecemos tão bem – andar de bicicleta, subir, pular, saltar, etc. – são o primeiro tópico discutido neste capítulo. Evidentemente, a meninice tem seus riscos e desafios, e por isso a discussão do domínio físico nesta fase aborda as questões de saúde logo depois. Na seção final do capítulo você vai aprender sobre várias dificuldades comportamentais e emocionais que surgem entre os 6 e 12 anos.

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Capítulo 6 - Desenvolvimento Social da Personalidade nos Primeiros Dois Anos

Denise Boyd ; Helen Bee Grupo A PDF Criptografado

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Desenvolvimento Social e da

Personalidade nos Primeiros Dois Anos

A

primeira infância é o período durante o qual pais e filhos experimentam maior proximidade física do que qualquer outro período do desenvolvimento. A proximidade é agradável para pais e bebês, mas ela também é prática. Em primeiro lugar, os pais geralmente têm que cumprir outras obrigações ao mesmo tempo que cuidam de um bebê. Além disso, manter os bebês próximos ajuda os pais a protegê-los contra danos.

Considerações práticas à parte, a proximidade contribui para o desenvolvimento de fortes laços emocionais entre bebês e cuidadores. A proximidade física oferece aos pais muitas oportunidades de confortar e demonstrar afeto por seus bebês.

Ela também permite que eles interajam com seu bebê trocando sorrisos, caretas ou outras expressões faciais.

No contexto do contato físico frequente, as interações entre bebês e o mundo social a seu redor estabelecem as bases para o desenvolvimento nos domínios social e da personalidade que são o tema deste capítulo. Primeiro examinaremos ideias divergentes propostas por teóricos psicanalíticos sobre os dois primeiros anos; depois consideraremos o processo de apego.

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Grupo Almedina (8)
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8. Considerações Finais

Caruso, Mara Regina Fernandes Grupo Almedina PDF Criptografado

8. Considerações Finais

Embora o presente livro trate da crise no casamento e da separação com o intuito de abarcar tanto os aspectos envolvidos na superação da crise para manter o vínculo quanto a resolução das dificuldades no processo de rompimento, o leitor deve ter observado que me detive muito mais no processo de ruptura e posterior recuperação emocional. Embora eu acredite fortemente na premissa de que “é melhor consertar do que descartar”, ainda mais diante da cultura contemporânea do descartável, que tem se estendido para as relações humanas, é preciso saber admitir que, infelizmente, às vezes não é possível reparar uma construção que está desmoronando e, nessas situações, precisamos abrir mão do que tínhamos, aceitar que se quebrou, que a vida útil acabou ou que não nos serve mais.

O meu trabalho clínico me permitiu observar que, quando o vínculo do casal é forte, o prognóstico é positivo e provavelmente o final da história será a saída da crise e a manutenção do casamento, mesmo que para isso seja necessário um processo de psicoterapia (que será então um trabalho psicoterápico mais fluido e eficaz).

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7. Fases, Dificuldades e Elaborações Pós-Separação

Caruso, Mara Regina Fernandes Grupo Almedina PDF Criptografado

7. Fases, Dificuldades e Elaborações Pós-Separação

Organizando didaticamente, diria que podemos dividir o período pós-separação, quando bem-sucedido, ou seja, com uma elaboração emocional efetiva, basicamente em duas etapas:

Na primeira, sofre-se pelas perdas, rejeições e inseguranças do presente, que têm raízes no passado, como já vimos anteriormente.

E a dor vivenciada costuma ser imensa.

Na segunda, ocorre um movimento de crescimento, amadurecimento, incluindo a desassociação das carências e inseguranças com a separação, com consequente diminuição do sofrimento e, claro, aumento da segurança, bem-estar e capacidade de relacionamento.

Esta divisão tem objetivo puramente didático, porque, na vivência, o que ocorre é uma mescla das duas fases, um ir adiante e um retroceder, alternando os diferentes momentos do processo de separação de casais.

Também pude observar em alguns indivíduos, após a separação, uma extensão da estratégia de ocupação já abordada no tópico sobre concretização da separação (quando a pessoa, logo após a ruptura,

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6. Separação Emocional

Caruso, Mara Regina Fernandes Grupo Almedina PDF Criptografado

6. Separação Emocional

Já sabemos que a concretização formal do término do casamento não é o final do processo de separação. Como adiantei acima, chegará o momento em que o conteúdo emocional não resolvido vai cobrar seu espaço e voltar à cena, exigindo atenção e elaboração.

Será necessário que ocorra essa elaboração para que haja um final feliz, definido aqui como resolução individual das pendências emocionais, que trará o ganho da tranquilidade e a retomada da realização, num novo formato de vida.

Constatei, em muitos pacientes recém-separados, uma enorme frustração em relação à expectativa do fim do sofrimento com a concretização da separação. As pessoas relatavam que esperavam (após decidir se separar) sentir um alívio imediato após a ruptura, na medida em que, estando livres do outro, não vivenciavam mais as brigas nem as hostilidades (ou pelo menos podiam evitá-las, já que não moravam mais na mesma casa). No entanto, percebiam que estavam insatisfeitas, às vezes deprimidas ou até pensando muito no outro.

E diziam inconformadas: “Como assim? Por que não me sinto livre,

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5. Concretização da Separação e a Participaçãodo Advogado

Caruso, Mara Regina Fernandes Grupo Almedina PDF Criptografado

5. Concretização da Separação e a Participação do Advogado

Voltamos agora a abordar o momento em que a ilusão do amparo propiciado pelo casamento se desfaz, quando se encara a relação falida sem “tapar o sol com a peneira”. O momento em que aquela decisão de se separar tomada mil vezes e nunca concretizada passa a ser pragmatizada.

Trata-se da etapa em que todas as já citadas resistências foram vencidas e se concluiu e aceitou que o casamento acabou, sendo necessário efetuar a separação concreta, ou seja, da casa, dos bens, dos filhos, do cachorro...

Em geral, nessa etapa, busca-se a oficialização do rompimento por intermédio de um advogado. Com base nos acompanhamentos que fiz de casais em processo de separação, afirmo que é importante a busca desse profissional, porque os bens concretos, o patrimônio e a guarda dos filhos costumam entrar em cena como elementos de barganha, argumentos de chantagem emocional ou como instrumentos para deixar o outro endividado. Esse uso manipulativo (ainda que

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4. Quando o Processo se Dirigepara a Manutenção do Casamento

Caruso, Mara Regina Fernandes Grupo Almedina PDF Criptografado

4. Quando o Processo se Dirige para a Manutenção do Casamento

Numa separação didática, temos basicamente três tipos de manutenção de casamento pós-crise.

Sobre o primeiro já vimos bastante até aqui, quando explanei sobre as resistências a terminar o casamento e a respeito da não concretização da separação. É quando não ata nem desata e a relação disfuncional se torna crônica.

O segundo se refere a crises passageiras, reativas às vivências traumáticas.

E o terceiro ocorre quando a crise, embora difícil, se resolve com a reconfiguração do casamento, num processo extremamente complexo, em geral acompanhado de um trabalho psicoterapêutico

(Ufa! O prezado leitor há de concordar que parece um alívio abordar esses casos em que a crise mesmo com luta, é superada a contento).

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casamento e separação

4.1 Manutenção do Vínculo Disfuncional

O primeiro tipo, portanto, caracteriza-se pela manutenção do casamento de casais disfuncionais, optando-se pela continuidade do vínculo neurótico, perpetuando-se o sofrimento inerente a essa escolha ou recorrendo-se a mecanismos de defesa para aliviar a dor, como uma espécie de anestesia ou distanciamento.

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