Artmed (116)
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Medium 9788582712498

Capítulo 6. Aprender é preciso: probabilidade e lógica

Ramon M. Cosenza Artmed PDF Criptografado

6

APRENDER É PRECISO:

PROBABILIDADE E LÓGICA

Tudo que nos dá novos conhecimentos nos traz a oportunidade de sermos mais racionais.

Herbert Simon

Ao longo dos capítulos anteriores, vimos como o cérebro humano está sujeito a

falhas e vieses cognitivos que são decorrentes do seu desenvolvimento evolutivo.

Como o processamento do Tipo 1 (T1) é o padrão, sempre que não ocorre vigilân­ cia e um esforço consciente, nossa maneira de pensar fica sujeita a desvios que são difíceis de evitar. Em ambientes simples e que não sejam hostis, o processamento heurístico costuma ser satisfatório e atender às necessidades do cotidiano. No en­ tanto, na sociedade tecnológica em que vivemos, é preciso utilizar com mais fre­ quência o processamento do Tipo 2 (T2).

No mundo moderno, frequentemente temos de pensar utilizando regras e conheci­ mentos que as gerações de nossos antepassados desconheciam. Atualmente, deci­ sões inadequadas podem decorrer da ignorância de preceitos e estratégias do pen­ samento racional como, por exemplo, os raciocínios probabilístico e lógico. Por isso,

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Medium 9788582712757

Capítulo 49. Freud não explica, mas se implica

Celso Gutfreind Artmed PDF Criptografado

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FREUD NÃO EXPLICA,

MAS SE IMPLICA

A psicanálise nasce com a descoberta do inconsciente e tem nela um de seus pilares, talvez o maior. Relacioná-la à “explicação” faz o maior sentido e gera incômodo. Em defesa de certo mistério (essência da vida e da arte), muita gente boa criticou e ainda critica a psicanálise. O escritor

Elias Canetti via nela algo de pretensioso, não só por ele apostar mais fichas no social, mas por ter ojeriza ao fechamento de uma ideia. Outros intelectuais o acompanharam mundo afora e adentro. Julien Green amava e odiava a psicanálise e, por aqui, Paulo Hecker Filho não a via com bons olhos em sua prosa. Já Mario Quintana não perdia a oportunidade de zoá-la poeticamente.

A transformação do inconsciente em consciente a partir de uma interpretação (explicação) aparece nos primeiros trabalhos de Freud e, de certa forma, nunca desapareceu. A propósito, a expressão “Freud explica” pode ter nascido ali. A respeito disso, Sérgio Paulo Rouanet me contou uma história engraçada. Ao contrário de Canetti, Quintana e Hecker, ele sempre admirou a obra de Freud, em especial no aspecto literário. Quando foi dar um curso sobre ela, houve excesso de inscrições, e o filósofo precisou fazer uma peneira. Entre os candidatos, entrevistou uma senhora “muito perua” que, ao ser questionada sobre o seu interesse, disse apenas que adorava Freud. “O que, especificamente?” – Rouanet perguntou. “Não

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Medium 9788582712757

Capítulo 85. Um detalhe, e júlio abre campos

Celso Gutfreind Artmed PDF Criptografado

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UM DETALHE,

E JÚLIO

ABRE CAMPOS

Esta crônica e seu causo não preciso disfarçar ou filtrar com ficção.

Aconteceu comigo e meu analista. Era a quarta e última sessão da semana, e houve silêncio, barulho e sonhos, como de hábito. Houve de tudo para fugir do hábito, quando eu girava ao redor de mim mesmo e de uns fantasmas. Enrodilhado, tentando sair, saindo e parado. Era análise, era lento com a elaboração presente-passado na busca de algum futuro. Era associação que, às vezes, mergulhava e, com mais frequência, afundava.

Não era livre ainda, e nunca será completamente. Também aprendemos isso na análise. Era o que dava.

Salvo resistência ou onipotência em contrário, eu e o analista capengávamos no ritmo da coisa sem nome em busca do nome da coisa. Não era medicamentoso, cirúrgico, comportamental. Tinha o vagar da vida em si ao revisar-se em questões abertas de pensamento, morte e afeto. Não era fácil. Era de verdade.

À saída, peguei minha mochila e taquei nas costas, como de hábito.

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Medium 9788582712498

Capítulo 9. Consequências e conclusões: o que pode ser feito

Ramon M. Cosenza Artmed PDF Criptografado

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CONSEQUÊNCIAS E CONCLUSÕES:

O QUE PODE SER FEITO

Se as pessoas forem racionais, não há necessidade de protegê-las de suas próprias escolhas.

Daniel Kahneman

Nosso cérebro não é um dispositivo perfeito, e boa parte de nossa cognição e de nossas escolhas provém de processos inconscientes a que não temos acesso. Esse conhecimento tem, naturalmente, algumas implicações. Inicialmente, isso nos convida a uma postura mais humilde em relação às nossas certezas e, ao mesmo tempo, a uma conduta de mais tolerância em relação aos outros, em quem enxergamos vieses dos quais nos julgamos imunes.

Sabendo que o funcionamento cognitivo padrão é autônomo, poderíamos perguntar se vale a pena investir na racionalidade. E a resposta é, sem dúvida, afirmativa, pois erros de decisão são onerosos: conflitos desnecessários, casamentos desastrosos, aposentadorias insuficientes, empregos insatisfatórios, guerras injustificáveis.

A racionalidade deveria ser também indispensável, por exemplo, na prática médica, no dispêndio do dinheiro público ou na avaliação de riscos profissionais. Em nossa sociedade, baseada na informação, cada vez mais é importante que as decisões sejam consistentes, mesmo porque mais gente está envolvida na sua adoção (Milk­ man, Chugh, & Bazerman, 2009).

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Medium 9788582712757

Capítulo 82. Mario novello: sem origem e com afeto

Celso Gutfreind Artmed PDF Criptografado

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MARIO NOVELLO:

SEM ORIGEM E COM AFETO

Mario Novello é físico. Ele dirige o Instituto de Cosmologia e tem a obsessão de desvendar a origem do mundo. Fez pós-doutorado na área, publicou livros e escreveu centenas de artigos em revistas internacionais.

Mario duvida do Big Bang, expõe uma filosofia própria sobre o tempo e guarda a esperança de datar o seu início. Ele me convidou para participar de um grupo. Como psicanalista. Terá um padre, um rabino, um filósofo e uma especialista em mitos. Ele desconfia de que todas as versões são parecidas e, juntas, podem trazer algum esclarecimento. Ele completou setenta anos, estudou muito e não para. Acho que sabe mais psicanálise do que eu. Eu desconfio de que a psicanálise ignora a origem do mundo, mas nela encontrei outros obcecados como o Mario.

Um deles é o francês Bernard Golse. Ele dedica a vida a desvendar a origem da linguagem. Tem sessenta anos, também publicou livros, escreveu centenas de artigos em revistas internacionais e não sossega enquanto não apontar o momento exato em que a palavra aparece na vida de uma criança. Fui seu aluno, trabalhamos juntos e escrevi uma obra de ficção para ele: A primeira palavra. Ele fez o posfácio, disse que estava bonitinha, blá blá blá, mas não resolvia o problema. Ele quer uma obra científica e definitiva sobre o assunto.

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Editora Manole (63)
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Medium 9788520439821

5. O sangue do pai

CORNEAU, Guy Editora Manole PDF Criptografado

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O sangue do pai

A traição do corpo

O que apresentei até aqui como sendo o problema psicológico de algumas gerações de homens, tem raízes que chegam até a própria base da civilização ocidental. A ferida da identidade masculina não data de ontem.

A partir do momento em que o pensamento dualista surgiu entre os gregos, e talvez até antes deles, o corpo foi separado do espírito, o objeto do sujeito, a natureza da cultura.

A ferida do Rei Pescador

A reavaliação da agressividade e a integração da vitalidade guerreira estão longe de representar a solução final ao dilema masculino. A história de Perceval, herói por excelência da Idade Média, testemunha muito bem isso. Assistimos já ao drama de uma masculinidade construída apenas a partir do exterior e que perdeu seu sentido de identidade interior.

Aliás, existe algum símbolo mais belo dessa estruturação artificial que o da armadura do cavaleiro, que protege aquele que a carrega, que pode até manter-se em pé sozinha?

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Medium 9788520450444

28. Assistência de enfermagem à mulher com manifestações de comportamento depressivo no ciclo gravídico-puerperal identificada por meio da Edinburgh Post-Natal Depression Scale

Ilza Marlene Kuae Fukuda; Maguida Costa Stefanelli; Evalda Cançado Arantes Editora Manole PDF Criptografado

28

Assistência de enfermagem à mulher com manifestações de comportamento depressivo no ciclo gravídico-puerperal identificada por meio da Edinburgh

Post-Natal Depression Scale

Maria da Graça Girade Souza

PONTOS A APRENDER

1. Caracterizar o episódio depressivo no ciclo gravídico-puerperal.

2. Diferenciar os quadros depressivos maternos no período pós-parto.

3. Listar os fatores de risco para o desenvolvimento da depressão nesse ciclo.

4. Descrever as intervenções de enfermagem.

PALAVRAS-CHAVE

Episódio depressivo, gestação, depressão puerperal, Edinburgh Post-Natal

Depression Scale, assistência de enfermagem no ciclo gravídico-puerperal.

ESTRUTURA DOS TÓPICOS

Introdução. Apresentação da depressão gestacional e da depressão pós-parto. Edinburgh Post-Natal Depression Scale (EPDS) – instrumento de rastreio. Tratamento. Assistência de enfermagem. Considerações finais. Propostas para estudo. Referências bibliográficas.

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Medium 9788578681210

Políticas e políticos

BARROS, Daniel Martins de Editora Manole PDF Criptografado

O parque dos ratos e a cracolândia

Está em curso, há alguns anos, um verdadeiro experimento de psiquiatria social em São Paulo. Poucos se deram conta, mas a ação da prefeitura na região da Luz para solucionar o problema da cracolândia, com equipes que emblematicamente reúnem policiais e agentes de saúde, trata de forma direta de uma questão médico-psiquiátrica – o uso de drogas – e de uma questão social

– as populações de rua.

Chama a atenção que cerca de 80% dos moradores abordados tenham recusado atendimento em meados de 2009, negando-se a procurar tratamento médico, segundo reportagem da Folha de

S.Paulo.

Na década de 1970, o psicólogo canadense Bruce K. Alexander conduziu um experimento apelidado “Parque dos ratos”. Sua hipótese era de que os modelos animais de dependência química eram furados, já que os ratos eram mantidos em gaiolas apertadas, isolados e restritos. Para ele, usar a droga naquelas condições seria nada mais do que um alívio. Sendo assim, ele criou o tal parque,

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Medium 9788520450444

26. Assistência de enfermagem à pessoa com manifestações de comportamento decorrentes de transtorno do humor: episódio maníaco ou mania

Ilza Marlene Kuae Fukuda; Maguida Costa Stefanelli; Evalda Cançado Arantes Editora Manole PDF Criptografado

26

Assistência de enfermagem à pessoa com manifestações de comportamento decorrentes de transtorno do humor: episódio maníaco ou mania

Maguida Costa Stefanelli

Evalda Cançado Arantes

Ilza Marlene Kuae Fukuda

PONTOS A APRENDER

1.

2.

3.

4.

5.

Caracterizar o episódio maníaco ou mania.

Discorrer sobre os diagnósticos de enfermagem.

Listar os resultados esperados.

Descrever as intervenções de enfermagem.

Discorrer sobre como a tentativa de suicídio pode se manifestar em pessoas com episódio maníaco.

PALAVRAS-CHAVE

Transtorno do humor, episódio maníaco, mania, enfermagem em saúde mental, enfermagem psiquiátrica.

ESTRUTURA DOS TÓPICOS

Introdução. Caracterização do episódio maníaco. Tratamento. Processo de enfermagem. Avaliação final. Propostas para estudo. Referências bibliográficas.

INTRODUÇÃO

No transtorno do humor (TH), o episódio maníaco – hipomania e mania – é estudado atualmente integrando os transtornos bipolares.1,2 Neste capítulo, o TH é apresentado separadamente apenas por questões didáticas.

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Medium 9788520439821

3. O medo da intimidade

CORNEAU, Guy Editora Manole PDF Criptografado

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O medo da intimidade

A intimidade sexual

Mencionei no primeiro capítulo o medo do corpo da mulher que a ausência do pai provoca. Quando um homem não teve a chance de se separar da mãe, sua profunda ambivalência diante de seus parceiros é expressa pelo medo da intimidade. Adrien, Gaëtan, Sébastien e todos os outros têm medo de se entregar a uma relação íntima e profunda. Eles não conseguem manter uma relação consigo mesmos quando se relacionam com o outro, com a mulher. Do palco de teatro até a cama, seus personagens não lhes saem da pele.

A intimidade

Como falar de intimidade de uma maneira que não faça de nós intimados, como quem é chamado ao tribunal para ser julgado, ou intimidados, por medo da força ou da autoridade? Como falar do assunto de uma maneira que nos torne mais íntimos de nós mesmos?

O dicionário Le Petit Robert fala do “caráter íntimo e profundo” da intimidade, do que, nela, “é interior e secreto”, mas ele a descreve igualmente como um “prazer, conforto de um lugar onde se sente realmente como em casa”; fala-se também das “relações estreitas e familiares” e da “vida íntima, privada”. A palavra intimidade vem do adjetivo “íntimo”, que deriva da palavra latina intimus, que, por sua vez, é o superlativo de interior. O íntimo significa então o que há de mais interior, e sua definição literal é a seguin-

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Grupo A (2921)
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Medium 9788536314648

Capítulo 12: Neurociências e terapia familiar

Luiz Carlos Osorio; Maria Elizabeth Pascual do Valle Grupo A PDF Criptografado

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|

Luiz Carlos Osorio, Maria Elizabeth Pascual do Valle & cols.

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Neurociências e terapia familiar

Maria Elizabeth Pascual do Valle

O homem deve saber que de nenhum outro lugar, mas do encéfalo, vêm a alegria, o prazer, o riso e a diversão, o pesar, o ressentimento e a lamentação.

E, por isso, de uma maneira especial adquirimos sabedoria e conhecimento, e enxergamos e ouvimos e sabemos o que é justo e injusto, o que é bom e o que é ruim, o que é doce e o que é amargo... E pelo mesmo órgão tornamo-nos loucos e delirantes, e medos e terrores nos assombram...

Todas essas coisas suportamos do encéfalo quando não está sadio... Nesse sentido, sou da opinião de que o encéfalo exerce o maior poder sobre o homem.

Hipócrates, em

“Acerca das Doenças Sagradas”, citado em Gomes, 2005.

POR QUE UM CAPÍTULO DE

NEUROCIÊNCIAS EM UM LIVRO

SOBRE TERAPIA FAMILIAR?

Por neurociências entendemos o conjunto de disciplinas, como a neuroanatomia, a neurofisiologia, a neurobiologia, a neurologia clínica e outras disciplinas correlatas

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Medium 9788582715215

Capítulo 3. Abordagens para prestação de assistência médica

Fred R. Volkmar, Lisa A. Wiesner Grupo A PDF Criptografado

3

Abordagens para prestação de assistência médica

Não é de surpreender que dois dos principais desafios no autismo – dificuldades com a comunicação e a interação social – representem desafios significativos para a prestação de assistência médica. Uma doença aguda pode se apresentar de várias maneiras em uma pessoa com habilidade verbal limitada, como, por exemplo, irritabilidade, diminuição do apetite ou recusa

à alimentação, perda de peso aguda ou, ainda, alterações comportamentais, como bater com a cabeça ou autoagressão. Dificuldades com interação social e sensibilidade à mudança podem significar que uma criança não gosta de ser tocada ou não irá cooperar quando estiver sendo examinada, e até os procedimentos mais simples podem representar desafios. O ritmo rápido dos cuidados médicos pode exacerbar ainda mais essas dificuldades, assim como o volume de pacientes que precisam de atendimento. Isso é muito desafiador quando o provedor de cuidados não está familiarizado com o indivíduo ou quando o ambiente é estranho e hiperestimulante (p. ex., o serviço de emergência). Para pessoas com autismo, o objetivo de longo prazo é ajudá-las a participar o máximo possível do processo de obtenção de bons cuidados à saúde, levando a um estilo de vida saudável (Volkmar &

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Medium 9788536325897

Capítulo 1. Ansiedade: uma condição comum mas multifacetada

David A. Clark; Aaron T. Beck Grupo A PDF Criptografado

Ansiedade: uma condição comum mas multifacetada

1

O amor olha para frente, o ódio olha para trás, a ansiedade tem olhos por toda a cabeça.

Mignon McLaughlin (Jornalista norte­‑americano, 1915­‑)

A ansiedade é ubíqua à condição humana.

Desde o início dos registros históricos, filósofos, líderes religiosos, acadêmicos e, mais recentemente, profissionais da saúde, bem como cientistas sociais e cientistas das

áreas da saúde têm tentado desenredar os mistérios da ansiedade e desenvolver intervenções que efetivamente tratem dessa condição disseminada e perturbadora da humanidade. Hoje, como nunca antes, eventos calamitosos provocados por desastres naturais ou atos desumanos de crime, violência ou terrorismo criaram um clima social de medo e ansiedade em muitos países ao redor do mundo. Desastres naturais como terremotos, furacões, tsunamis, e assim por diante, têm um impacto negativo significativo sobre a saúde mental de populações afetadas com sintomas de ansiedade e de estresse pós­

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Medium 9788563899040

Capítulo 12 - Brinquedos animados_o suporte material da fantasia

Corso, Diana Lichtenstein Grupo A PDF Criptografado

Capítulo 12

Brinquedos animados_ o suporte material da fantasia

Série Toy Story

Plasticidade no uso do brinquedo_Imagem de corpo fragmentado_Abandono da infância_Brinquedos para jovens e adultos_Nostalgia da infância_Restos da infância_Infância revivida na parentalidade

Para controlar o que está fora

é preciso fazer coisas, não simplesmente pensar ou desejar, e fazer coisas toma tempo.

Brincar é fazer.1

Objetos para fantasiar

Quem conserva memórias da sua infância certamente se recorda de alguma fantasia sobre o que fazem os brinquedos quando estão sozinhos no quarto e não se está olhando. Ora, se os brinquedos nos fornecem uma base na qual depositar tantas fantasias, tantas brincadeiras divertidas, investimos tanto afeto neles, por que é que

toda essa magia iria parar só porque não estamos presentes? A tendência infantil de supor vida inteligente, personalidade e intenções em todas as coisas persiste, ainda que diluída, ao longo de toda nossa existência. Ela é visível quando reclamamos com nosso carro se ele estraga, quando conversamos com uma planta para incentivá­‑la a crescer ou damos uma longa bronca nos nossos animais de estimação, por exemplo. Mas para as crianças isso não é um deslize, é sua visão de mundo.

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Medium 9788582711811

Capítulo 13 | Esquizofrenia

Antonio de Pádua Serafim; Fabiana Saffi Grupo A PDF Criptografado

13

Esquizofrenia

GRAÇA MARIA RAMOS DE OLIVEIRA

TÂNIA MARIA ALVES

FABIANA SAFFI

A esquizofrenia é um dos diagnósticos mais pesquisados da psiquiatria contemporânea.

Sua apresentação se caracteriza por alterações neurocognitivas – sobretudo no que se refere a atenção, memória episódica, funções executivas e cognição social, que está diretamente ligada ao comportamento social. As pessoas com esquizofrenia têm dificuldade de inferir os estados mentais ou intenções alheias, identificar e discriminar emoções em faces, bem como tendem a atribuir valência negativa a faces neutras.

Além disso, suas percepções da realidade são distorcidas, podendo levar o indivíduo a perder o contato com o meio externo. É comum que esses pacientes vejam ou ouçam coisas que não existem, criem formas diferentes de falar e acreditem que os outros os estejam perseguindo ou vigiando.

Mais de um século se passou desde o delineamento de demência precoce por

Kraepelin; mesmo assim, a etiologia, a neuropatologia e a fisiopatologia da esquizofrenia ainda não são completamente compreendidas. Apesar da disponibilidade­de critérios diagnósticos confiáveis, essa condição permanece essencialmente como uma síndrome clínica ampla, definida por experiências subjetivas relatadas (sintomas), perda da funcionalidade (defi­ciências comportamentais) e padrões variáveis de curso. As pesquisas têm identificado uma

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Grupo Gen (533)
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Medium 9788527718721

CAPÍTULO XXIII Violência Juvenil e Subjetividade: Uma Reflexão Acerca da Temática

MORATO, Henriette Tognetti Penha; BARRETO, Carmem Lúcia Brito Tavares; NUNES, André Prado Grupo Gen PDF Criptografado

XXIII

CAPÍTULO

VIOLÊNCIA JUVENIL E SUBJETIVIDADE:

UMA REFLEXÃO ACERCA DA TEMÁTICA*

Célia Maria Souto Maior de Souza Fonseca** • Henriette Tognetti Penha Morato*** •

Albenise de Oliveira Lima***

INTRODUZINDO A TEMÁTICA

É do domínio comum que, na contemporaneidade, a violência juvenil tem assumido proporções alarmantes, não apenas no Brasil como em diversas partes do mundo.

Em nosso país, deparamo-nos com uma realidade em que a violência, nas suas mais variadas formas de expressão, tem estado presente em nosso dia-a-dia, fazendo parte, por vezes, dos modelos de identificação de muitos de nossos jovens, servindo-lhes, inclusive, de padrão de conduta e forma de auto-afirmação.

Fazemos parte de uma cultura que convive, condescendentemente, com um cenário em que jovens e crianças perambulam, sem rumo, pelas ruas de nossas cidades.

Os atos de violência que daí advêm são compreendidos, facilmente, no domínio da banalidade e do lugar-comum, perdendo, gradativamente, o caráter de extraordinário e de brutal que lhes é inerente.

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Medium 9788527731546

29 - Estresse Pós-Traumático

PAYÁ, Roberta Grupo Gen PDF Criptografado

29

Estresse Pós-Traumático

Iraci Galiá­s e Nairo de Souza Vargas

Introdução

Com a crescente procura de vítimas de violência criminal, como assaltos e sequestros, e de perdas familiares traumáticas por psicoterapia, o psicoterapeuta precisa estar atento à questão do trauma e dos efeitos do estresse. A violência doméstica também é um tema cada vez mais estudado e que tem recebido maior atenção dos profissionais de ajuda.

A reflexão sobre a violência prepara o psicoterapeuta para oferecer uma assistência mais apropriada, além de ser útil para a sua própria proteção. Aliá­s, um fator é indissociá­vel do outro.

A intensa ansiedade dos clientes, bem como a própria convivência do profissional com violência e perdas inesperadas, aumenta a chance de contaminação pelas dolorosas emoções das vítimas.

Ou seja, o risco de uma identificação com os pacientes é alto. Portanto, a reflexão, associada à troca de experiências entre profissionais, é um dos mais eficientes instrumentos para evitar o envolvimento excessivo entre psicoterapeuta e paciente.

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Medium 9788527731546

44 - Transtorno de Estresse Pós-Traumático na Visão do Psicodrama

PAYÁ, Roberta Grupo Gen PDF Criptografado

44

Transtorno de Estresse

Pós-Traumático na Visão do Psicodrama

Roberta Amaral

Introdução

Neste capítulo, será feita uma leitura psicodramática do transtorno de estresse pós-traumático

(TEPT) e será apresentada a maneira pela qual, por meio do psicodrama, pacientes com esse transtorno são vistos e tratados.

Antes de iniciar, quero enfatizar que Jacob

Levy Moreno (1889-1974), criador do Psicodrama, tinha como referência um modelo de saú­de, e não de patologia. Ele não acreditava em rótulos e, por isso, apesar de ser psiquiatra por formação, sempre utilizava aspas quando usava, em seus textos, a categorização diagnóstica da psiquiatria.

Zerka Moreno, que foi uma das esposas de

J. L. Moreno e que muito o ajudou a sistematizar sua teoria, ressalta o fato de que a palavra diagnóstico, de origem grega, pode ser dividida de duas maneiras: “dia-gnóstico” e “di-agnóstico”.

Gnosis quer dizer “conhecimento, cognição e percepção”. Agnosis quer dizer o contrário. A primeira versão significa, portanto, o “conhecimento por meio da percepção”, enquanto a segunda poderia ser entendida como “retirar o não saber”.1

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Medium 9788527731546

5 - Psicose | Campo do Estrangeiro e o Lugar da Psicanálise

PAYÁ, Roberta Grupo Gen PDF Criptografado

5

Psicose | Campo do

Estrangeiro e o Lugar da Psicanálise

Jucely Giacomelli

Pense em algué­m que não seja radicalmente outro para você, que lhe seja inteiramente transparente, constituí­do, de algum modo, com seus próprios raios do mundo […]. Você não poderia amá-lo nem odiá-lo porque, por falta de resistência e opacidade, você o atravessaria sem encontrar ningué­m: ele não seria. E se você mesmo estivesse lá em pessoa, como um homem de vidro tão transparentes quanto invisível, você não existiria. Para existir é preciso que haja em você – em uma profundidade va­riá­vel – essa “tela opaca” que lhe envia de volta às suas próprias palavras, atitudes ou comportamentos […] como “outros”, de tal maneira assim deslocado de você mesmo, você desejaria novamente uma outra expressão sua nessa tela côncava que a refletirá novamente para você. Essa conjunção da alteridade com a realidade começa nesse encontro que é o sentir (humano) em que cada coisa, cada vez, de novo, se esclarece com o meu próprio dia, que só se levanta com ele. Novidade, realidade emergem através do outro em todo encontro.

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Medium 9788527731232

9 - Sexualidade na Terceira Idade

DIEHL, Alessandra; VIEIRA, Denise Leite Grupo Gen PDF Criptografado

9

Sexualidade na

Terceira Idade

Ana Perwin Fraiman

Pontos-chave:

• A sociedade ainda conserva a crença de que a atividade sexual desaparece em virtude do avanço da idade e ainda pouco se apercebe da importante possibilidade de que esse declínio de interesse, atividade e prazer possa ser fruto das expectativas culturais que se têm sobre os indivíduos mais velhos

• Resultados de estudos sobre prazer sexual em idades mais avançadas indicam que, embora haja menor premência do desejo, diminuição do interesse e da frequência das atividades sexuais, o prazer permanece quase inalterado

• A grande diferença da sexualidade entre a infância e a terceira idade é que, na primeira, ela acontece com simplicidade e ingenuidade, ao passo que, na terceira idade, já se tem bastante experiência – de boa e/ou de má qualidade –, e ela se expressa mais quando os indivíduos confiam um no outro e nutrem afeto entre si do que como curiosidade

• A pouca experiência e a falta de conhecimento sobre a vida sexual tendem a desaparecer com o tempo. Permanece encoberta a possibilidade de que o declínio da sexualidade tenha fortes condicionantes socioculturais: se existe a crença de que ela acabe com a idade, então muito se faz para que de fato chegue ao fim muito antes do que a biologia pudessse determinar.

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Manole (13)
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Medium 9788520433904

6. A psicanálise além de sua clínica

Jorge Forbes Manole PDF Criptografado

6. A P SI CAN Á L I S E A L É M

DE S UA CL Í N I C A

Na introdução – Provocações Psicanalíticas –, afirmamos

que a psicanálise de hoje ultrapassa o interesse da clínica exclusiva do consultório. Ela também se preocupa e age, o que é fundamental, nas mais variadas manifestações do laço social: na medicina, na família, nas escolas, nas empresas, na política e na sociedade em geral. Para nós, diferentemente daqueles que pensam que a psicanálise estaria desaparecendo junto a outras disciplinas que surgiram nos séculos xix e xx, a psicanálise está só começando. Não conhecemos prática social, ao menos até o momento, que melhor articule o novo laço social da globalização, marcado pela incompletude do real, tal como já exposto. Vamos dar aqui alguns exemplos do que pensamos, a começar com a medicina.

103

6.1. MEDICINA

Examinemos a influência da psicanálise sobre a expressão dos genes; seria fato que aquilo que está escrito no código genético fosse um maktoub, uma determinação inflexível de uma vida?

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Medium 9788520433904

2. A psicanálise do homem desbussolado

Jorge Forbes Manole PDF Criptografado

2. A P S I CA N Á L I S E D O H O ME M

DES B US SO L A D O

Uma teoria abraça a paisagem de sua época, algumas vezes

para melhor, outras para pior. No caso de nosso estudo, a importância da responsabilidade face ao inconsciente só ficou mais evidente quando a organização do laço social do homem ocidental passou da chamada orientação industrial para um novo modelo, globalizado.

Essa passagem ocorreu desde meados do século xx até, principalmente, a virada do século xxi. Celebrada na obra de

Alvin Toffler (2007), A terceira onda, foi retomada por muitos, entre eles por Gilles Lipovetsky (2004), em seu livro Metamorfoses da cultura liberal. A importância do estudo de Toffler

é o fato de reelaborar a história da humanidade em termos econômicos e políticos, até chegar à atualidade.

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De acordo com Toffler (2007), podemos pensar em três ondas de transformações sociais que marcam a história da humanidade. Ele localiza a primeira onda há 3.000 anos, começando com o advento da agricultura. É quando alguém tem a ideia de semear e cultivar a terra. O homem, que é nômade e tribal, passa a se reunir em fazendas e viver em comunidades. Vão se formando assentamentos permanentes, cidades, e a vida urbana vai sendo organizada em torno dos camponeses. Assim, dá-se a transformação das populações nômades em colonos e fazendeiros. Depois, há cerca de 300 anos, começa a segunda onda de mudança, com o início da

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Medium 9788520433904

1. O princípio responsabilidade e o inconsciente

Jorge Forbes Manole PDF Criptografado

1. O P R I N C Í P I O

RE S P ON SA B I L I DA D E E O

IN CON SCIE N TE

A psicanálise nasceu e estabeleceu-se com a teoria do trau-

ma passado e, por isso, o tratamento analítico foi definido por

Freud como sendo a cura da memória. Geralmente, a pessoa procura um analista por estar acometida de algum mal-estar que a impede de atingir seus objetivos. O analista a recebe baseado na hipótese de que se algo vai mal, é porque alguma passagem da história de vida da pessoa agora é um empecilho, funcionando como um locus minori resistentiae, um fator constante de entrave: o trauma – a ser removido pela análise.

A expressão “cura da memória” está diretamente associada a essa forma de compreender o sofrimento.

Ao longo de seu ensino, Freud teve posições diferentes na compreensão do acontecimento traumático. A primeira está

1

relatada na Carta 69, de 21 de setembro de 1897, enviada a Wilhelm Fliess. Até aquele momento, ele havia considerado que acontecimentos objetivos da vida ficariam marcados na pessoa, tais quais cicatrizes psíquicas, determinando, daí em diante, disfunções expressas em sintomas. Na Carta

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Medium 9788520433904

3. A psicopatologia e o final da análise

Jorge Forbes Manole PDF Criptografado

3. A P S I CO PATO LO G I A E O F INA L

DA A N Á L I S E

A psicopatologia é o mapa pelo qual o clínico se orienta

e é importante discuti-la quando estamos revendo a atualidade da práxis psicanalítica. Neste capítulo, a psicopatologia será examinada em dois aspectos. Primeiramente, como a entendemos hoje. Depois, como foi sua presença na história da psicanálise.

3.1. COMO ENTENDEMOS A PSICOPATOLOGIA

Pensar, inicialmente, em como entendemos a psicopatologia implica decidirmos se hoje consideramos que ela gera determinantes estáveis. Isso implicaria que, nas afirmações “este paciente é psicótico”, “aquele paciente é histérico” e “aquele outro é maníaco”, estar-se-ia descrevendo uma entidade. O quadro psicopatológico determinaria um estado, objetiva49

mente observável. É uma maneira de ver frequente na medicina, que gerou o propalado movimento da Medicina Baseada em Evidências.

No entanto, na própria medicina há outra possibilidade; por exemplo, na visão de Carol Sonenreich (2005), quando discorre sobre o diagnóstico. Esse autor considera que a psiquiatria limita-se às operações de sua competência, mas inserida na comunicação, nas relações humanas, sem aspiração a verdades absolutas. Na psiquiatria, segundo ele, não se busca unanimidade diagnóstica, a qual não daria garantia quanto

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Medium 9788520433904

Conclusão

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CO N CLUSÃO

CONSEQUÊNCIAS

O que podemos extrair dessas propostas? Primeiramente, que o contato humano implica responsabilidade: como o significante excede o sentido, seu uso requer que suportemos a novidade que ele propicia. O maior contato humano proporcionado pela globalização implica maior responsabilidade, e o tema ganha relevo hoje, conforme são desvalorizadas as “desculpas” encontradas nos saberes que nos são fornecidos pela tradição e pela ciência – que se desgastam como “lugares-comuns”.

Sendo assim, há uma responsabilidade social que opera em função de sermos seres falantes e que não depende sequer da responsabilidade jurídica (adstrita às situações em que há imputação normativa).

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Além disso, a mudança de valores sociais não implica irresponsabilidade. Se já não implica dentro do direito – como se pode pensar e como vimos, desde Kelsen (1998) –, tampouco implica aspectos da vida que passam longe do direito. A responsabilidade é pelo significante dissociado da significação, o significante feito letra, que toca o corpo, como trabalhamos no capítulo 3 – no ponto capitonê – e como há pouco foi definido em uma citação de Jacques Lacan. A responsabilidade

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