Artmed (116)
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Capítulo 84. O oceano do franscischelli

Celso Gutfreind Artmed PDF Criptografado

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O OCEANO DO FRANCISCHELLI

Frequentei seminários do Leonardo Francischelli na Sociedade Brasileira de Psicanálise. Quando terminei a minha formação, tornei-me seu colaborador em outro grupo, sobre técnica. Sempre respeitei o Francischelli, senão não trabalharia com ele. Resenhei com prazer seu livro Amanhã, psicanálise!

Nunca tinha parado para me perguntar os motivos da proximidade.

A gente não costuma parar para perguntar muita coisa, a gente vai vivendo e pronto. Não seria isso a psicanálise ontem e hoje, um espaço de poder parar e perguntar?

Eu teria motivos para não me aproximar cientificamente de Francischelli. Ele acredita muito mais nas regras do que eu. Ele acredita muito mais em Freud (ele pronuncia Frói) e na psicanálise. Tive outras formações antes de chegar a ela, trabalhei árdua e ludicamente com bebês e suas famílias, tenho flexibilidade para atendê-los, o que se estende a casais, pais e filhos.

O Francischelli não crê muito nisso. Com transparência e sinceridade, ele propõe um atendimento de corte mais clássico, elegante, individual.

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Medium 9788582712757

Capítulo 73. Especial

Celso Gutfreind Artmed PDF Criptografado

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ESPECIAL

E sei apenas do meu próprio mal que não é bem o mal de toda gente...

Mario Quintana

Estive na escola Tristão Sucupira Vianna. Fui adotado no Programa Adote um escritor, da Câmara Rio-grandense do Livro. A história é assim: a escola escolhe um escritor, trabalha seus livros com os alunos e depois promove um encontro.

A escola Tristão Sucupira Vianna é especial. Difícil dizer o que é isso, talvez uma alternativa para fugir da ditadura dos nomes ou da violência dos nomes, porque na nossa sociedade algumas crianças recebem alcunhas esquisitas. São diagnósticos de gente grande, tais como paralisia cerebral, síndrome de Down, retardo mental, e nomes costumam impregnar-se. Só não são universais. Trabalhei como etnopsiquiatra com filhos de imigrantes africanos em uma escola ao norte de Paris. Para eles, não havia diagnósticos, e sim outros sentidos mais libertadores.

Por aqui, os nomes evocam a violência de um golpe: o de não tolerar uma diferença ou o que não segue à norma, embora a norma não exista, já que nada é igual, e a maioria é diversa. A escola Tristão Sucupira

Vianna é daquelas que não aceita a violência dos nomes. Ela acolhe os

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Medium 9788582712757

Capítulo 55. Que bebê nós queremos?

Celso Gutfreind Artmed PDF Criptografado

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QUE BEBÊ NÓS QUEREMOS?

Que bebê nós queremos? é o título da crônica. É como o nosso nome: não o inventamos. Quando damos por nós, somos chamados por ele. Queremos o bebê saudável de um mundo autossustentável, etc., mas isso é invariante.

Os bebês são pura intersubjetividade, cada bebê é único, mas ali estava o título, sólido, inconsútil. Que bebê nós queremos?

Acho que gostei porque pensei em coisas boas, como na questão do desejo, talvez a fundamental. A grande pergunta, talvez a única: O que queremos? Pensei em Derrida e na importância de desconstruir. Em

Winnicott e na construção das mães e, então, passei a destruir o título.

Pensando em nascimento, decidi matá-lo.

Só um título suficientemente bom o permitiria, e uma turma me dava a permissão do assassinato: Freud, Derrida, Winnicott novamente e, sobretudo, a mãe suficientemente boa que olha, toca, manipula, deseja e se deixa atacar pelo bebê. Então, destruí o título, pensando outra vez no

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Medium 9788582712757

Capítulo 64. O sindicato e a psicanálise

Celso Gutfreind Artmed PDF Criptografado

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O SINDICATO E A PSICANÁLISE

Tive um encontro com o pessoal do Sintrajufe-RS, o Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal do Estado do Rio Grande do Sul. Ali estavam o Paulo, o Reginaldo, a Ana Paula e mais uma fotógrafa de cujo nome não me lembro, mas que vai me perdoar, pois é fotógrafa e prioriza as imagens aos nomes.

Eles desejavam me entregar um troféu chamado Palavra Viva, que chega à nona edição depois de acolher muita gente mais escriba do que eu. A ideia é homenagear escritores que, depois de botarem palavras nos livros, tiram-nas do papel, botam na garupa e saem por aí a garimpar novos pequenos grandes leitores. O escritor Caio Riter faz parte da trupe.

Homenagens à parte, o que interessa inteiramente é o que me contaram. Eles me contaram que a filosofia do Sindicato tenta romper a prática habitual e inventar moda, no melhor dos sentidos. A turma almeja transcender o objetivo principal da categoria, que é lutar por melhores salários e condições de trabalho mais dignas. Não que abram mão disso, mas eles vão além, lançando-se de corpo inteiro ao promoverem oficinas, em um leque amplo que inclui música, dança, teatro, literatura – as artes, em geral – e também idiomas e outros quitutes valiosos, como ioga e xadrez.

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Medium 9788582712757

Capítulo 69. Eu conto para ter esperança

Celso Gutfreind Artmed PDF Criptografado

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EU CONTO PARA TER

ESPERANÇA

Podem dizer o que quiserem. A palavra leva a sentir em meio a todos os rumos e a nenhum. Eu conto para ter esperança.

Podem fazer o que fizerem. O ato leva a todos os rumos e a nenhum.

Que digam, que façam, eu conto para ter esperança.

Podem transitar entre os rodeios da teoria que acalma e os arroubos da prática que corta. Tudo se completa. Nada se completa. Eu conto para ter esperança.

Não conto para acusar, nunca diviso os culpados. Se me canso, repouso para contar novamente. A condição humana às vezes é pobre, e eu também sou, com mais frequência. Não presto para jurista, a minha visão é contaminada por um fio que puxa outro e, lá onde avulta o responsável

(eu acredito na responsabilidade), o fio puxa outro ainda mais, e um novo responsável surge, uma turma, uma multidão, gerações, não tem clareza na origem.

Não conto para encontrar clareza. Quanto mais conto, mais profundo fica. Não conto para encontrar responsabilidade. Adquiri o que obtenho dela (e continuo tentando obter) no tempo em que eu ouvia e me contavam coisas sem saber se eu entendia ou não. Eu entendia. Eu não entendia.

Eu conto para ter esperança.

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Editora Manole (63)
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Medium 9788520450444

1. Teoria interpessoal de Peplau

Ilza Marlene Kuae Fukuda; Maguida Costa Stefanelli; Evalda Cançado Arantes Editora Manole PDF Criptografado

1

Teoria interpessoal de Peplau

Evalda Cançado Arantes

Maguida Costa Stefanelli

Ilza Marlene Kuae Fukuda

PONTOS A APRENDER

1. Discorrer sobre a pioneira do desenvolvimento de teorias de enfermagem.

2. Evidenciar contexto, conteúdo e processo da teoria interpessoal de

Peplau.

3. Apresentar as fases da aplicação da teoria interpessoal de Peplau.

4. Descrever o papel do enfermeiro psiquiátrico segundo a teoria interpessoal de Peplau.

5. Discorrer sobre as principais contribuições da teoria interpessoal de

Peplau para o desenvolvimento da enfermagem.

PALAVRAS-CHAVE

Teorias de enfermagem, teoria interpessoal de Peplau, papel do enfermeiro psiquiátrico, relacionamento enfermeiro-paciente, enfermagem psiquiátrica, saúde mental.

ESTRUTURA DOS TÓPICOS

A teorista Hildegard E. Peplau. Teoria interpessoal de Peplau. Assertivas básicas. Conceitos básicos. Componentes centrais da teoria interpessoal de Peplau. Métodos para estudar enfermagem como processo interpessoal. Modificações na teoria de Peplau. Considerações finais.

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Medium 9788520430026

Sofrimento no ciúme

BALLONE, Geraldo José Editora Manole PDF Criptografado

Sofrimento no ciúme

O sofrimento produzido pelo ciúme não normal não se restringe apenas a danos psíquicos, angústia, depressão, ansiedade, obsessão etc. Há uma intensa participação de todo o organismo no ciúme em geral e, em particular, durante uma crise aguda de ciúme, tal como ocorre durante os episódios de estresse agudo. A onda de sentimento disparada pelo gatilho de ciúme terá efeito sobre o chamado sistema límbico do cérebro, liberando catecolaminas*, que geram uma rápida reação orgânica vigorosa.

Buss et al.8 mediram a atividade do sistema nervoso autônomo de universitários em situações imaginárias de infidelidade. A frequência cardíaca e a sudorese mostraram-se aumentadas quando imaginavam suas parceiras tendo relações sexuais com outras pessoas. Nessa mesma pesquisa, as mulheres ficaram mais perturbadas ao imaginar o parceiro apaixonado por outra mulher. Isso confirma a hipótese de que o ciúme masculino tem uma conotação predominantemente sexual e o ciúme feminino, sentimental.

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Medium 9788578681210

Políticas e políticos

BARROS, Daniel Martins de Editora Manole PDF Criptografado

O parque dos ratos e a cracolândia

Está em curso, há alguns anos, um verdadeiro experimento de psiquiatria social em São Paulo. Poucos se deram conta, mas a ação da prefeitura na região da Luz para solucionar o problema da cracolândia, com equipes que emblematicamente reúnem policiais e agentes de saúde, trata de forma direta de uma questão médico-psiquiátrica – o uso de drogas – e de uma questão social

– as populações de rua.

Chama a atenção que cerca de 80% dos moradores abordados tenham recusado atendimento em meados de 2009, negando-se a procurar tratamento médico, segundo reportagem da Folha de

S.Paulo.

Na década de 1970, o psicólogo canadense Bruce K. Alexander conduziu um experimento apelidado “Parque dos ratos”. Sua hipótese era de que os modelos animais de dependência química eram furados, já que os ratos eram mantidos em gaiolas apertadas, isolados e restritos. Para ele, usar a droga naquelas condições seria nada mais do que um alívio. Sendo assim, ele criou o tal parque,

87

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Medium 9788520450444

36. O enfermeiro no serviço de emergência psiquiátrica: situações específicas

Ilza Marlene Kuae Fukuda; Maguida Costa Stefanelli; Evalda Cançado Arantes Editora Manole PDF Criptografado

36

O enfermeiro no serviço de emergência psiquiátrica: situações específicas

José Gilberto Prates

Elizabeth da Costa Jóia

Cristina Emiko Igue

Ilza Marlene Kuae Fukuda

Maguida Costa Stefanelli

PON­TOS A APREN­DER

1. Identificar as situações de emergência psiquiátrica mais comuns.

2. Descrever os diagnósticos de enfermagem mais comuns em emergência psiquiátrica.

3. Descrever os resultados esperados na assistência de enfermagem em situações de emergência psiquiátrica.

4. Discorrer sobre as intervenções de enfermagem em emergência psiquiátrica, especificando cada situação.

5. Comparar ações do enfermeiro em emergência psiquiátrica nos diferentes níveis de assistência: primário, secundário e terciário.

PALAVRAS-CHAVE

Emergência psiquiátrica, enfermagem em saúde mental, enfermagem psiquiátrica.

ESTRU­TU­RA DOS TÓPI­COS

Introdução. Conceito. Equipe e local de atendimento. Situações de EP.

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Medium 9788520439821

2. Os filhos carentes

CORNEAU, Guy Editora Manole PDF Criptografado

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Os filhos carentes

O teatro da virilidade

Senhoras e senhores, sejam bem-vindos ao teatro da Virilidade. Esta noite, a trupe “Que pai ganha” interpretará a peça Os filhos carentes, uma criação coletiva realizada a partir das improvisações dos atores.

A peça apresenta o retrato de dez homens dos dias atuais, em crise com eles mesmos. Mas, na realidade, esses retratos são atemporais; eles representam as formas habituais que o sexo masculino adquire, há séculos. Trata-se tanto de homens evoluindo no palco do mundo, como de facetas de nós mesmos desfilando em nosso teatro interior.

Uma palavra do diretor

Durante o trabalho com este grupo, eu me deparei com situações muito cômicas ou muito preocupantes, diante das quais era possível rir ou chorar. É fato que, desde o primeiro minuto em que pus os pés neste teatro, não consegui impedir que os atores encenassem, ad nauseam, trechos de peças que eles pareciam ter memorizado e ensaiado desde a infância. Apesar de que nós não nos entendíamos sobre a fórmula que o espetáculo devia adotar e que, de qualquer modo, esses homens pareciam ter uma ideia fixa, voltar a encenar seu passado, decidi parar de lutar contra a correnteza e então, dediquei-me a pôr ordem no que era possível tirar de suas improvisações.

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Grupo A (2949)
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Medium 9788577260379

Capítulo 4: Variações individuais

John W. Santrock Grupo A PDF Criptografado

4

C A P Í T U L O

4

Variações individuais

Os indivíduos atuam em suas vidas de diferentes maneiras.

—Thomas Huxley

Biólogo inglês, século 19

Tópicos do capítulo

Inteligência

Objetivos de aprendizagem

1

Discutir o conceito de inteligência, como ela é medida e algumas controvérsias a respeito de sua utilização pelos educadores.

2

Descrever os estilos de aprendizagem e pensamento.

3

Definir a personalidade, identificar os “cinco grandes”

(ou mais importantes) fatores da personalidade e discutir a interação pessoa-situação. Além disso, definir temperamento, identificar três tipos de temperamento infantil e avaliar as estratégias de ensino ligadas ao temperamento das crianças.

Testes de inteligência individual

Testes individuais versus testes em grupos

Teorias de inteligências múltiplas

Controvérsias e questões sobre inteligência

Estilos de aprendizagem e pensamento

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Medium 9788536326498

15. Dando voz a estudantes de escolas públicas sobre situações de violência escolar

Habigzang, Luísa F Grupo A PDF Criptografado

15

Dando voz a estudantes de escolas públicas sobre situações de violência escolar*

Ana Carina Stelko-Pereira e Lúcia Cavalcanti de Albuquerque Williams

O desenvolvimento saudável do indivíduo perpassa não apenas por um contexto familiar adequado, em que prevaleçam o afeto e um modo de disciplinar consistente e pouco punitivo, como também um ambiente educacional formal que seja capaz de estimular habilidades motoras e cognitivas promovendo cidadania. Contudo, assim como explorado em outros capítulos deste livro, são muitas as possibilidades de maus-tratos à criança e ao adolescente no ambiente familiar, como também, o que será aludido nesse capítulo, de violência no ambiente escolar.

Um primeiro aspecto a ser esclarecido é o que se considera violência escolar. São muitos os autores que discutem o termo

(Abramovay e Rua, 2002; Debarbieux e

Blaya, 2002; Ruotti, Alves e Cubas, 2006), sendo que Stelko-Pereira e Williams (no prelo) fazem uma discussão de vários conceitos recorrentes, propondo que se tenha em conta: 1) o local em que se realiza a violência na escola, podendo ser: na própria escola, trajeto casa-escola, locais de passeios e/ou festas escolares, outros locais e

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Medium 9788536302065

Capítulo 1 - A Técnica Psicanalítica

R. Horacio Etchegoyen Grupo A PDF Criptografado

1

A Técnica Psicanalítica

DELIMITAÇÃO DO CONCEITO DE PSICOTERAPIA

A psicanálise é uma forma especial de psicoterapia, e a psicoterapia começa a ser científica na França do século

XIX, quando se desenvolvem duas grandes escolas sobre a sugestão, em Nancy, com Liébeault e Bernheim, e na

Salpêtrière, com Jean-Martin Charcot.

Pelo que acabo de dizer, e sem ânimo para resenhar sua história, situei o nascimento da psicoterapia a partir do hipnotismo do século XIX. Essa afirmação pode obviamente ser discutida, mas já veremos que tem também apoios importantes. Afirma-se com freqüência e com razão que a psicoterapia é uma arte velha e uma ciência nova; e é esta, a nova ciência da psicoterapia, que situo na segunda metade do século XIX. A arte da psicoterapia, porém, tem antecedentes ilustres e antiqüíssimos, desde

Hipócrates até o Renascimento. Vives (1492-1540),

Paracelso (1493-1541) e Agripa (1486-1535) iniciam uma grande renovação que culmina em Johann Weyer (15151588). Esses grandes pensadores, que promovem, no dizer de Zilboorg e Henry (1941), uma primeira revolução psiquiátrica, trazem uma explicação natural das causas da enfermidade mental, mas não um tratamento psíquico concreto. Frieda Fromm-Reichmann (1950) atribui a Paracelso a paternidade da psicoterapia, que se assenta ao mesmo tempo – diz ela – no sentido comum e na compreensão da natureza humana; contudo, se fosse assim, estaríamos frente a um fato separado do processo histórico; por isso, prefiro situar Paracelso entre os precursores, e não entre os criadores da psicoterapia científica. Com o mesmo raciocínio de Frieda Fromm-Reichmann, poderíamos atribuir a

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Medium 9788536301075

10. Depressão

Nabuco de Abreu, Cristiano Grupo A PDF Criptografado

10

Depressão

Cristiana Vallias de Oliveira Lima

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

A depressão é um transtorno de humor que tem como principais sintomas: tristeza, perda de interesse e de prazer, sensação de vazio, apatia e falta de energia. Associados a isso, podem surgir sentimento de culpa e pensamentos negativos, como ser um fardo para a família e não tem valor como pessoa.

Os indivíduos deprimidos podem tornarse irritados, ansiosos e excessivamente críticos consigo mesmos. Sintomas somáticos podem incluir insônia, perda de peso, concentração diminuída, retardo psicomotor e diminuição da libido. A desesperança também pode crescer, levando a um desejo de morte, ou seja, a pensamentos suicidas.

Pesquisas revelam que o tratamento conjugado de medicação e terapias em especial, a chamada terapia cognitiva, é o mais eficaz e rápido para uma melhora ou remissão do quadro de depressão (Peso et al., 1997; Blackburn e Moore, 1997). Para a prevenção de novos episódios depressivos, a terapia cognitiva é mais efetiva do que o tratamento medicamentoso

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Medium 9788536326955

12. Instrumentos para o processo diagnóstico e/ou intervenção

Affonso, Rosa Maria Lopes Grupo A PDF Criptografado

12

Instrumentos para o processo diagnóstico e/ou intervenção

Rosa Maria Lopes Affonso

A

s avaliações psicológicas dos sintomas envolvem um processo que pode ter um ou vários objetivos, portanto devemos definir em quem e por que serão realizadas. Além disso, devemos estabelecer quais instrumentos serão utilizados para a investigação.

Ocampo (1976), Arzeno (1995) e

Cunha e colaboradores (1986, 1993, 2000) demonstraram a importância do atendimento como um processo de investigação psicológica que deve conter um conjunto de várias avaliações psicológicas, que seguem os passos e etapas a seguir.

1. Primeiro é feita a abordagem inicial dos

sintomas, a análise de seu aparecimento e do contexto individual ou interacional em que eles ocorrem, através da utilização de entrevistas semiestruturadas, por meio das quais são colhidas informações sobre a história pessoal ou familiar do sujeito, associadas à pesquisa do ambiente atual.

2. No caso de crianças, as entrevistas iniciais são realizadas com os pais, podendo envolver uma análise dos sintomas da estrutura familiar da qual a criança faz parte.

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Grupo Almedina (8)
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Medium 9788562938108

2. Casamento e Crise

Caruso, Mara Regina Fernandes Grupo Almedina PDF Criptografado

2. Casamento e Crise

Todos sabemos que as crises têm um importante lado positivo no que se refere à possibilidade que trazem de transformação e crescimento. Por outro lado, também é conhecido seu potencial destrutivo quando não se direcionam para resoluções satisfatórias em tempo hábil. Isso também se aplica às crises relacionais, das quais tratamos aqui.

É necessário, então, fazer um questionamento sobre o prognóstico da crise. Trata-se de uma crise que caminha no sentido de promover mudanças positivas? Há quanto tempo ela vem ocorrendo? Durante esse período aconteceram progressos ou o drama vem se perpetuando de forma repetitiva, sem soluções?

Pretendo manter esse questionamento implícito em todos os tópicos aqui abordados, com o foco na questão da importância do prognóstico da crise para o seu des-envolvimento, o que inclui a decisão de ficar no ou sair do casamento.

Para entendermos como acontece a crise no casamento, precisamos abordar alguns aspectos da construção desse vínculo desde o seu

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Medium 9788562938108

7. Fases, Dificuldades e Elaborações Pós-Separação

Caruso, Mara Regina Fernandes Grupo Almedina PDF Criptografado

7. Fases, Dificuldades e Elaborações Pós-Separação

Organizando didaticamente, diria que podemos dividir o período pós-separação, quando bem-sucedido, ou seja, com uma elaboração emocional efetiva, basicamente em duas etapas:

Na primeira, sofre-se pelas perdas, rejeições e inseguranças do presente, que têm raízes no passado, como já vimos anteriormente.

E a dor vivenciada costuma ser imensa.

Na segunda, ocorre um movimento de crescimento, amadurecimento, incluindo a desassociação das carências e inseguranças com a separação, com consequente diminuição do sofrimento e, claro, aumento da segurança, bem-estar e capacidade de relacionamento.

Esta divisão tem objetivo puramente didático, porque, na vivência, o que ocorre é uma mescla das duas fases, um ir adiante e um retroceder, alternando os diferentes momentos do processo de separação de casais.

Também pude observar em alguns indivíduos, após a separação, uma extensão da estratégia de ocupação já abordada no tópico sobre concretização da separação (quando a pessoa, logo após a ruptura,

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Medium 9788562938108

5. Concretização da Separação e a Participaçãodo Advogado

Caruso, Mara Regina Fernandes Grupo Almedina PDF Criptografado

5. Concretização da Separação e a Participação do Advogado

Voltamos agora a abordar o momento em que a ilusão do amparo propiciado pelo casamento se desfaz, quando se encara a relação falida sem “tapar o sol com a peneira”. O momento em que aquela decisão de se separar tomada mil vezes e nunca concretizada passa a ser pragmatizada.

Trata-se da etapa em que todas as já citadas resistências foram vencidas e se concluiu e aceitou que o casamento acabou, sendo necessário efetuar a separação concreta, ou seja, da casa, dos bens, dos filhos, do cachorro...

Em geral, nessa etapa, busca-se a oficialização do rompimento por intermédio de um advogado. Com base nos acompanhamentos que fiz de casais em processo de separação, afirmo que é importante a busca desse profissional, porque os bens concretos, o patrimônio e a guarda dos filhos costumam entrar em cena como elementos de barganha, argumentos de chantagem emocional ou como instrumentos para deixar o outro endividado. Esse uso manipulativo (ainda que

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Medium 9788562938108

8. Considerações Finais

Caruso, Mara Regina Fernandes Grupo Almedina PDF Criptografado

8. Considerações Finais

Embora o presente livro trate da crise no casamento e da separação com o intuito de abarcar tanto os aspectos envolvidos na superação da crise para manter o vínculo quanto a resolução das dificuldades no processo de rompimento, o leitor deve ter observado que me detive muito mais no processo de ruptura e posterior recuperação emocional. Embora eu acredite fortemente na premissa de que “é melhor consertar do que descartar”, ainda mais diante da cultura contemporânea do descartável, que tem se estendido para as relações humanas, é preciso saber admitir que, infelizmente, às vezes não é possível reparar uma construção que está desmoronando e, nessas situações, precisamos abrir mão do que tínhamos, aceitar que se quebrou, que a vida útil acabou ou que não nos serve mais.

O meu trabalho clínico me permitiu observar que, quando o vínculo do casal é forte, o prognóstico é positivo e provavelmente o final da história será a saída da crise e a manutenção do casamento, mesmo que para isso seja necessário um processo de psicoterapia (que será então um trabalho psicoterápico mais fluido e eficaz).

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Medium 9788562938108

3. Resistências que Impedem a Evolução

Caruso, Mara Regina Fernandes Grupo Almedina PDF Criptografado

3. Resistências que Impedem a Evolução

No decorrer de minha prática clínica, pude observar algumas formas de resistência que dificultam a resolução dos conflitos, perpetuando a crise numa dolorosa patinação que impede que se vá a qualquer direção. Trata-se, portanto, de uma impossibilidade no des-envolvimento da crise conjugal.

Retomando aqui a forma como estou utilizando a palavra “desenvolvimento”: ao abordar um problema precisamos nos distanciar um pouco, de forma a diminuirmos nosso envolvimento com ele, envolvimento este que impede uma percepção mais nítida e trava o encaminhamento de soluções (para ter uma imagem concreta do que estou falando, basta aproximar um objeto dos olhos para constatar a perda de clareza da visão desse objeto. Para enxergarmos bem, precisamos de uma distância razoável, que possibilite o foco da visão). Assim, para se desenvolver, muitas vezes se faz necessário se des-envolver.

Com frequência, a pessoa se recusa a enxergar sua responsabilidade nas dificuldades conjugais, adotando uma postura acusatória em relação ao parceiro, o que impede a mudança de suas próprias

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Grupo Gen (490)
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Medium 9788527720595

CAPÍTULO II - APRENDIZAGEM

HÜBNER, Maria Martha Costa; MOREIRA, Márcio Borges Grupo Gen PDF Criptografado

II

CAPÍTULO

APRENDIZAGEM

Paulo Roney Kilpp Goulart •Paulo Elias Gotardelo Audebert Delage • Viviane Verdu Rico • Ana Leda de Faria Brino

INTRODUÇÃO

O QUE É APRENDIZAGEM?

A aprendizagem é um tema recorrente entre as disciplinas preocupadas com algum aspecto do comportamento humano, sejam as diversas abordagens da psicologia, as neurociências ou a pedagogia, para citar algumas. Todavia, embora possamos encontrar com facilidade material de qualidade sobre uma variedade de tópicos dentro do tema

– processos de aprendizagem, mecanismos neurais da aprendizagem, aprendizagem associativa, aprendizagem por tentativa e erro, déficits de aprendizagem etc. –, raramente encontramos uma definição formal de aprendizagem. Aparentemente, trata-se de um daqueles conceitos que todos parecem compreender, mas ninguém é capaz de definir. O fato é que os episódios reconhecidos como casos de aprendizagem são tão variados e as explicações que cada disciplina privilegia são tão diversas (e, por vezes, até incompatíveis entre si) que se torna realmente difícil arriscar uma definição suficientemente abrangente e coerente o bastante para agradar a leitores de todas as predileções teóricas.

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Medium 9788521634591

Capítulo 12 Emoção, Estresse e Saúde

MYERS, David G.; DEWALL, C. Nathan Grupo Gen PDF Criptografado

CAPÍTULO

12

E m o ç ã o , E s t re s s e

e

Saúde

N

inguém precisa dizer que os sentimentos dão cor à vida, ou que em momentos

de estresse eles podem perturbá-lo, ou mesmo salvá-lo. Dentre todas as espécies, nós parecemos ser a mais emocional (Hebb, 1980). Mais do que qualquer outra criatura, expressamos medo, raiva, tristeza, alegria e amor, e esses estados psicológicos em geral geram reações físicas. Nervosos diante de um encontro importante, sentimos o estômago embrulhar. Ansiosos quando falamos em público, vamos constantemente ao banheiro. Brigando com um membro da família, sofremos dores de cabeça avassaladoras.

Todos podemos lembrar de momentos nos quais fomos dominados pelas emoções. Eu guardo a lembrança de um dia em que fui a uma gigantesca loja de departamentos para revelar um filme com Peter, meu filho mais velho, quando ele tinha 2 anos. Eu estava com ele ao meu lado enquanto entregava o filme e preenchia o papel para a revelação, quando um passante falou: “É melhor ter cuidado com esse menino ou irá perdê-lo.” Alguns segundos depois, após deixar o filme, eu me virei e Peter não estava mais ao meu lado.

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Medium 9788527731546

18 - Compreensão Fenomenológica da Vivência de Pânico e Fobia Humana

PAYÁ, Roberta Grupo Gen PDF Criptografado

18

Compreensão

Fenomenológica da Vivência de Pânico e Fobia Humana

Andrés Eduardo Aguirre Antúnez

Introdução

Este capítulo se orienta pela reflexão fenomenológica sobre o ser humano e pela clínica assentada no registro ético e ontológico.1,2 A fenomenologia como escola filosófica nos auxilia a aprofundar o conhecimento do objeto de nossos estudos, e a psicologia clínica põe em prática a vivência real da relação humana.

O rigor fenomenológico é útil ao processo psicoterápico, pois possibilita ampliar o conhecimento de uma pessoa a partir de seu vértice singular e seu idioma pessoal e do sentido da existência, ou da falta dele.2,3 A clínica revela as experiências humanas vividas na relação terapêutica e nas relações do cotidiano.

Assim, a análise fenomenológica e a éticaontológica assentada na situação clínica reposicionam a clínica psicoterapêutica e possibilitam compreensões originais e inéditas aos distintos modos de ser e estar das pessoas em psicoterapia.2,3 O paciente procura encontrar no psicoterapeuta uma testemunha para suas aflições e/ou um interlocutor para auxiliá-la a transformar suas vivências e alcançar um sentido para seu existir.

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Medium 9788541204125

10 Perdas e Ganhos

CASTANHO, Gisela M. Pires Grupo Gen PDF Criptografado

10

Perdas e Ganhos

Suzanna Amarante Levy

“O homem só ensina bem o que para ele tem poe‑ sia.” (Rabindranath Tagore)

Cada vez que me defronto com o ofício do terapeuta clínico, considero um desafio, ou uma aventura, fazer parte de um sistema em que chego como uma estrangeira para as famí‑ lias que atendo, principalmente nos primeiros encontros. Como estrangeira, desconheço suas leis, sua linguagem, seus códigos, sua cultura e, na maioria das vezes, suas expectativas. A minha expectativa é poder trazer algo novo, que faça diferença, que possibilite pensar sobre seus problemas, suas dores e que as torne mobiliza‑ das para voltar para uma próxima sessão.

Ocupar o lugar de estrangeira pode dei‑ xar‑me, de certa forma, livre para dizer o que percebo e o que sinto naquele encontro, mas, ao mesmo tempo, posso ficar enredada na trama e nas emoções das histórias narradas. Assim, preciso contar com a minha percepção e perspi‑ cácia para não ser engolida e oferecer recursos facilitadores que possibilitem novos significa‑ dos para as situações vividas.

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Medium 9788527731546

75 - Terapia Cognitivo-Comportamental do Transtorno Obsessivo-Compulsivo

PAYÁ, Roberta Grupo Gen PDF Criptografado

75

Terapia CognitivoComportamental do

Transtorno ObsessivoCompulsivo

Analise de Souza Vivan e Juliana Braga Gomes

Introdução

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é caracterizado pela presença de obsessões e/ou compulsões. Obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes, que ocorrem de maneira intrusiva e são percebidos como indesejáveis pelo in­di­ví­duo, causando ansiedade ou sofrimento. Compulsões são comportamentos repetitivos ou atos mentais adotados para aliviar o desconforto causado pelas obsessões ou para evitar algum evento ou situação temidos. Além disso, para o diagnóstico de TOC, os sintomas devem ocupar tempo e causar sofrimento ou prejuí­zo na vida do in­di­ví­duo.1

O TOC é considerado um transtorno mental de curso crônico, com frequente flutuação na intensidade dos sintomas, sendo a possibilidade de remissão sem tratamento extremamente baixa. Geralmente, inicia na adolescência e, muitas vezes, ainda na infância, com poucos casos novos após os 30 anos.2 No entanto, apesar do início precoce, do curso crônico e do impacto na vida, a busca de tratamento pode demorar a acontecer. Um estudo multicêntrico verificou que o tempo médio entre o início dos sintomas e a busca de tratamento chega a 18,1 anos.3 A demora em buscar auxílio especializado pode acontecer pelo receio que muitos pacientes apresentam de expor seus sintomas em razão da vergonha, na tentativa de evitar possíveis humilhações. Além disso, Torres e Lima4 acrescentam outros fatores, como a crença que muitos pacientes têm de que, ao verbalizarem suas obsessões, elas possam se tornar realidade.

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