Editora Manole (18)
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17. Teoria e prática

GHIRALDELLI JR., Paulo Editora Manole PDF Criptografado

17.

Teoria e prática

P

aulo Freire insistia na articulação perfeita entre teoria e prática, ele queria ultrapassar essa dualidade. Todavia, não raro, era difícil que fosse entendido no que efetivamente estava propondo. Uma boa parte de seu público, até por razões

óbvias – a falta de filosofia no ensino médio e até mesmo no superior –, não o compreendia exatamente. Muitos passaram uma vida toda trabalhando com escritos de Paulo Freire sem nunca terem tomado o que ele dizia sobre teoria e prática no sentido que em que ele utilizava essa terminologia.

Frequentemente, as pessoas imaginavam que, com o termo

“prática”, Freire estava se referindo ao cotidiano do fazer educação, envolvendo as relações entre professor e aluno. Tratar-se-ia, portanto, do comportamento de ambos, o que os levariam, após algum tempo, a poder dizer que viveram e se transformaram por meio de uma contínua relação de ensino-aprendizagem.

Nessa mesma linha, essas pessoas imaginavam que o termo

“teoria” referia-se aos princípios políticos e à pedagogia ao que

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11. Saberes que convivem, mas que não são amigos

GHIRALDELLI JR., Paulo Editora Manole PDF Criptografado

11.

Saberes que convivem, mas que não são amigos

À

s vezes, a falta de rancor é antes um problema que uma solução. Esse é o caso da situação vigente na universidade brasileira atual, um lugar que vive atualmente o inverso da guerra hobbesiana de“todos contra todos”. A universidade hoje

é o local da amizade entre todos. Isso pode não ser uma verdade em termos práticos, mas é o que corre no discurso, graças a uma literatura que tem entupido nossa paciência com teses pouco corretas sobre interdisciplinaridade e multidisciplinaridade.

Segundo esse discurso, tudo que o estudante deve fazer

é caminhar no sentido de integrar saberes, mas os professores que assim falam não integram saber algum. Continuam dentro de suas “caixinhas”. No entanto, se são obrigados a falar para os alunos sobre o “sentido dos estudos universitários”, enchem a boca com frases sobre os benefícios da interdisciplinaridade.

No campo do que convencionamos chamar de “humanidades”, esse discurso tornou-se sagrado. Contra ele, elegeu-se um inimigo comum, batizado como “positivismo” – algo que poucos

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4. A universidade bancária

GHIRALDELLI JR., Paulo Editora Manole PDF Criptografado

4.

A universidade bancária

A

“pedagogia bancária” é uma das melhores caracterizações da pedagogia adotada pela maior parte de nossos professores, inclusive no ensino superior, onde realmente ela não se aplicaria. Trata-se de uma figura criada por Paulo Freire, exatamente para denunciar o caráter dos procedimentos tradicionais em educação. Nos anos 1960-1970, Paulo Freire a utilizou para servir de sparring da sua“pedagogia libertadora”. Com essa expressão,“pedagogia bancária”, o que ele queria dizer, basicamente, é que a dinâmica tradicional em sala de aula implica um professor que deposita informações para os estudantes, os quais por sua vez guardam-nas “no cofre” da memória. Essas informações são, depois, sacadas pelo professor, em geral, no dia da prova. O aluno é o “banco” e o professor o usuário dessa

“casa bancária”.

É bastante interessante que, na universidade atual, até mesmo os professores que se dizem freireanos acabam por ceder à comodidade da “pedagogia bancária”. Uns fazem isso por

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12. Como ler corretamente?

GHIRALDELLI JR., Paulo Editora Manole PDF Criptografado

12.

Como ler corretamente?

E

is a pergunta de um amigo: “Paulo, como ler de modo produtivo?” Gostei da pergunta, pois, para ele,“produtivo” quer dizer “como ler e entender corretamente a ponto de ficar bem inspirado?” Sim! É exatamente isso que uma boa leitura faz ao bom leitor. A boa leitura inspira ações, discursos, com­ portamentos e, enfim, outros escritos. Parece fácil e é fácil, mas

é fácil em tese. Na tarefa da leitura, percebemos que até pes­ soas inteligentes e com uma formação não desprezível trope­

çam. Uma boa parte delas não tropeça no meio do texto, mas logo na primeira frase.

O que é que há nas primeiras frases ou até mesmo antes, no título, que se põe como um desvio em vez de ser um gancho para levar o leitor a um bom entendimento do texto? Nesse caso, na maioria das vezes, se o texto é confeccionado por um bom escritor, o problema não está no texto, e sim no leitor. É que o leitor, nesse caso, tem uma frase inicial pronta, posta para ele de antemão, colocada na frente do texto que irá ler. Trata-se

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7. O tal “professor reflexivo”

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7.

O tal “professor reflexivo”

P

aulo Freire falou muito e enfaticamente da necessidade de o professor refletir sobre a sua prática. No entanto, em nenhum momento, Paulo Freire quis dizer com isso que sua proposta estava relacionada ao que, depois, veio a se envolver com a idolatria do “professor reflexivo”. Não é difícil ver as razões para isso.

Uma vez vi um jovem mestrando falar sobre o “professor reflexivo”. Perguntei como ele se via: seria ele um professor ou um “professor reflexivo”? Ele respondeu que se esforçava para ser um “professor reflexivo”. Pedi, então, que me dissesse sobre o que refletia. Respondeu-me prontamente que refletia sobre sua “prática diária como professor”. Solicitei que me contasse sobre a reflexão, o que ele fazia, concretamente, nessa reflexão.

No entanto, ele voltou a repetir o jargão, que refletia sobre“tudo” da sua prática. Pedi exemplos. Ele tentou esboçar um, mas novamente preferiu falar o que havia lido, dizendo que refletia so-

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Grupo A (149)
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Capítulo 2 - Razões morais objetivas

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2

Ética

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Razões morais objetivas

A concepção de ação moral desenvolvida no Capítulo 1, requer que a razão desempenhe um papel significativo em nossa habilidade de estar no controle de nossas vidas. Temos de raciocinar a respeito do que nossos objetivos deveriam ser e raciocinar a respeito da melhor forma de os realizar. Além disso, a habilidade para raciocinar criticamente a respeito de nossos desejos ajuda-nos a manter nossa autonomia por meio do julgamento de nossos desejos,

à luz de valores e comprometimentos mais profundamente arraigados.

No entanto, as razões desempenham um outro papel também. Para participar em uma rede de relações que compõe nosso sistema de cooperações, temos de ser capazes de dar razões para nossas ações, quando solicitados a assim fazer.

Quando as nossas ações afetam os outros, é provável que as pessoas afetadas nos solicitem justificação de nossas ações, não somente no que tange suas efetividades ou eficácia, mas também de um ponto de vista moral. Nossa habilidade em participar naquele sistema de cooperação depende de nossa habilidade em fornecer a justificação adequada para o que planejamos fazer ou fizemos.

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Capítulo 5 - Felicidade

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Ética

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Felicidade

Os capítulos anteriores nos permitem concluir que nossas capacidades, na condição de agentes morais, estão sob a dependência de relacionamentos, que a razão moral é pluralista e dependente do contexto, e que as obrigações são requisitos morais limitados, baseados na presença de conexões reais entre pessoas que constituam relacionamentos.

No entanto, não dissemos muito a respeito dos tipos de relacionamentos que devemos manter, como determinar os padrões de correção e de erro que caracterizam os nossos relacionamentos, ou que tipos de tratamento além dos requisitos mínimos da obrigação nos ajudarão a desenvolver como seres humanos. Em outras palavras, precisamos de um conceito do que devemos valorizar e porquê. Para completar o quadro da moralidade, precisamos de uma visão de como viver, que torne inteligível as nossas vidas morais.

Uma vez que tenhamos decidido o que queremos da vida e descrito os melhores e os piores modos de viver, podemos partir para a descrição das qualidades de caráter necessárias para viver uma vida boa. Padrões de correção e erro são produtos colaterais desta compreensão de como viver.

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Capítulo 3 - Razões morais em contexto

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Razões morais em contexto

No Capítulo 2, concluímos que não podemos encontrar na objetividade uma fundamentação adequada para o raciocínio moral. Se a objetividade não pode fundamentar o nosso raciocínio moral, o que pode? Neste capítulo, quero explorar a possibilidade de que a fundamentação para o raciocínio moral encontra-se em nossos relacionamentos. Nós descobrimos o que a moralidade requer de nós e fazemos julgamentos sobre que tipo de pessoa ser e justificamos nossas ações por meio de nossa capacidade de raciocinar dentro do contexto dos vários relacionamentos que compõem nossas vidas.

Mas que tipo de relacionamentos? Afinal de contas, a exploração e a opressão caracterizam alguns relacionamentos. Certamente, essas não são as fundamentações adequadas para o raciocínio moral.

Os tipos de relacionamentos que apresentam a base lógica mais plausível para as necessidades da ética são os relacionamentos de cuidado. Isto é porque, ao cuidar de pessoas, assim como de objetos, instituições, etc., expressamos mediante nossas ações, o que tem valor para nós, e a ética parece estar inextricavelmente ligada a valores.

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Capítulo 1 - A ação moral

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A ação moral

Para que possamos chegar a algumas conclusões a respeito de como devemos viver e quais obrigações específicas temos para com os outros, devemos começar por compreender a natureza humana e o que dá densidade aos seres humanos. De nada adiantaria vir com uma concepção de moralidade segundo a qual os seres humanos não poderiam viver ou só poderiam adotar com grande dificuldade, sacrificando algum outro componente essencial da existência humana. Consequentemente, desejamos começar nossa investigação descobrindo quais são os motivos que estão em jogo quando as pessoas agem moralmente e fornecem um relato do que faz com que a conduta moral seja inteligível para nós. Em outras palavras, queremos saber o que capacita os seres humanos a agir moralmente.

Um agente é alguém que age; um agente moral, portanto, é alguém que tem a habilidade para tomar decisões morais e agir de acordo com elas. Quais são as capacidades que nos habilitam a fazer julgamentos morais? A maioria dos filósofos, hoje, concordaria que, minimamente, para que sejamos agentes morais, devemos ter a capacidade de tomar as nossas próprias decisões e agir de acordo com elas. Isto, porque responsabilizamos os agentes morais por suas ações e os louvamos ou culpamos, dependendo da avaliação que fazemos de suas ações. Se não tomamos nossas próprias decisões, se nossas ações não estão sob nosso controle, a prática de louvar ou culpar outras pessoas por suas ações faria pouco sentido. Assim sendo, um requisito básico para o agir moral

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Capítulo 7 - A responsabilidade moral

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A responsabilidade moral

No Capítulo 1, vimos que o agir moral é dependente de nossa capacidade de ingressar em relacionamentos e de os sustentar. Este capítulo continua aquela análise mostrando que atribuições de responsabilidade moral são similarmente dependentes de relacionamentos.

Uma das características mais predominantes de nossa realidade social é a prática de elogiar ou repreender as pessoas por suas ações. Elogio e repreensão são atitudes reativas assim como ressentimento, raiva, admiração, gratidão e indignação. Elas são reações a algo que alguém fez. Ver pessoas (incluindo a si mesmo) como merecedoras de elogio e repreensão é atribuir responsabilidade moral a elas. Dizer que alguém é moralmente responsável por uma ação é dizer que ele merece elogio ou repreensão.

O conceito de responsabilidade moral não deve ser confundido com outros usos da palavra “responsável”. Frequentemente falamos de responsabilidade causal, como, por exemplo, em “O terremoto de ontem foi responsável pela queda do edifício”. O terremoto causou a queda, mas não foi moralmente responsável por ela, porque o terremoto não pretendeu provocar a queda. Terremotos não são o tipo de coisa que pode ter intenções. Como veremos a seguir, a responsabilidade causal relaciona-se com a responsabilidade moral, mas não é idêntica a ela, uma vez que algo pode ser causalmente responsável por um evento sem ser moralmente responsável.

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Grupo Almedina (352)
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Prefácio

Kant, Immanuel Grupo Almedina PDF Criptografado

13// PrefácioA velha filosofia grega dividia-se em três ciências: a Física, aÉtica e a Lógica. (*) Esta divisão está perfeitamente conforme com a natureza das coisas, e nada há a corrigir nela a não ser apenas acrescentar o princípio em que se baseia, para deste modo, por um lado, nos assegurarmos da sua perfeição, e, por outro, podermos determinar exactamente as necessárias subdivisões.Todo o conhecimento é racional: ou material e considera qualquer objecto, ou formal e ocupa-se apenas da forma do entendimento e da razão em si mesmas e das regras univer­sais do pensar em geral, sem distinção dos objectos. A filosofia formal chama-se Lógica; a material porém, // que se ocupa de determinados objectos e das leis a que eles estão submetidos, é por sua vez dupla, pois que estas leis ou são leis da natureza ou leis da liberdade. A ciência da primeira chama-se Física, a da outra é a Ética; aquela chama-se também Teoria da Natureza, esta Teoria dos Costumes.A Lógica não pode ter parte empírica, isto é, parte em que as leis universais e necessárias do pensar assentassem em princípios

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Introdução

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iIntrodução1. A fonte da moralidadeA Fundamentação da Metafísica dos Costumes é uma obra concisa, difícil e profundamente inovadora. Ocupa-se dos«costumes», ou seja, da moralidade – e obedece a um propósito muito claro. Kant anuncia-o logo no Prefácio, onde afirma que pretende somente proceder à «busca e fixação do princípio supremo da moralidade» (BA XV).O pensamento moral de Kant deve parte da sua originalidade à rejeição de diversas perspectivas filosoficamente influentes. Uma delas é a ideia de que a fonte da ética ou moralidade – estes termos serão usados aqui indistintamente – não é mais que a vontade de Deus. Segundo esta perspectiva, Deus determina o que devemos fazer e cabe-nos obedecer-lhe, talvez na expectativa de evitar castigos terríveis e de obter a salvação. Numa variante relativista desta ideia, que Kant também rejeitaria, a sociedade toma o lugar de Deus como fonte da moralidade: cada sociedade tem o seu próprio código moral, e agimos moralmente na medida em que o nosso comportamento se ajusta ao código da nossa sociedade. Opondo-se a qual-

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Segunda Secção - Transição da Filosofia Moral Popularpara a Metafísica dos Costumes

Kant, Immanuel Grupo Almedina PDF Criptografado

41// Segunda SecçãoTransição da Filosofia Moral Popular para a Metafísica dos CostumesDo facto de até agora havermos tirado o nosso con­ ceito de dever do uso vulgar da nossa razão prática não se deve de forma alguma concluir que o tenhamos tratado como um conceito empírico. Pelo contrário, quando aten­tamos na experiência humana de fazer ou deixar de fazer, encontramos queixas frequentes e, como nós mesmos con­cedemos, justas (14), de que se não podem apresentar nenhuns exemplos seguros da intenção de agir por puro dever; porque, embora muitas das coisas que o dever ordena possam acontecer em conformidade com ele, é contudo ainda duvi­doso que elas aconteçam verdadeiramente por dever e que tenham portanto valor moral. Por isso é que houve em todos os tempos filósofos que negaram pura e simples(14) Lachelier (pág. 31) traduz, ambiguamente: «...nous enten­drons bien des personnes se plaindre, et justement nous l’accor­dons...».(P. Q.)// BA 2542

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Nota Prévia do Tradutor

Kant, Immanuel Grupo Almedina PDF Criptografado

9Nota Prévia do TradutorA presente versão portuguesa da Grundlegung zur Metaphysik der Sitten de Immanuel Kant foi feita sobre o texto da edição de Immanuel Kants Werke preparada por Artur Buchenau e Ernst Cassirer e publicada pela casa de Bruno Cassirer,Berlim, 1922, vol. IV, págs. 241-324, e a reprodução da segunda edição, de Riga, 1786.Ao rever a nossa tradução, demo-nos ao trabalho de a confrontar com as francesas de Victor Delbos (Kant, Fondements de la Métaphysique des Moeurs, Paris, 1934) e de H. Lachelier(E. Kant, Fondements de la Métaphysique des Moeurs,6.ª edição, Paris, Hachette) e com a espanhola de Manuel G.Morente (M. Kant, Fundamentación de la metafísica de las costumbres, Madrid, 1942). Nos passos de interpretação difícil ou duvidosa, tivemos o cuidado de indicar, em notas assinadasP. Q., o resultado da colação. O leitor terá assim a possibilidade de preferir à nossa qualquer das outras interpretações.Coimbra, Agosto de 1948.Paulo Quintela

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Primeira Secção - Transição do Conhecimento Moral da RazãoVulgar para o Conhecimento Filosófico

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21// Primeira SecçãoTransição do Conhecimento Moral da RazãoVulgar para o Conhecimento FilosóficoNeste mundo, e até também fora dele, nada é possível pensar que possa ser considerado como bom sem limitação a não ser uma só coisa: uma boa vontade. Discernimento (3), argúcia de espírito (4), capacidade de julgar (5) e como quer que possam chamar-se os demais talentos do espírito, ou ainda coragem, decisão, constância de propó­ sito, como qualidades do temperamento, são sem dúvida(3)  Verstand no original, parece-me dever ser aqui excepcio­nalmente traduzido por «discernimento» e não por «entendimento». Os dois tradutores franceses propõem «intelligence»; Morente «enten­dimiento».(P.Q.)(4)  Witz no original, tem o sentido especial da palavra no alemão do século XVIII. Delbos traduz parafrasticamente: «le don de saisir les ressemblances des choses»; Lachelier simplesmente «L’es­prit»; Morente dá à expressão o seu sentido actual e traduz «gra­cejo»! (P. Q.)

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Grupo Gen (208)
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26. CRÉDITO E BANCO

MARX, Karl Grupo Gen PDF Criptografado

26. CRÉDITO E BANCO*

O capitalista tem incessantemente de pagar dinheiro a muitas pessoas e incessantemente de receber de muitas pessoas. Essa operação puramente técnica de pagamento e recebimento de dinheiro constitui um trabalho autônomo, não criando valor, mas fazendo parte dos gastos da circulação. Além disso, certa parte do capital deve sempre existir como riqueza: reserva de meios de compra, reserva de meios de pagamento, capital não empregado e esperando encontrar uma forma de emprego; e uma parte do capital reflui sem cessar sob essa forma. O que, ao lado do recebimento, do pagamento e da contabilidade, torna necessária a conservação da riqueza, que constitui, por sua vez, um trabalho especial.

Esses movimentos puramente técnicos que o dinheiro deve descrever, da mesma forma que os trabalhos e os gastos resultantes, são reduzidos pelo fato de que são realizados para toda a classe capitalista por uma categoria particular de capitalistas ou de agentes. Pela divisão do trabalho, eles tornam-se negócio especial de uma categoria de capitalistas e, a partir daí, concentram-se (como o capital comercial) e operam-se em uma grande escala. No interior dessa ocupação especial, faz-se em seguida uma nova divisão do trabalho, tanto pela organização interna de subespecialidades independentes quanto pela organização interna de cada uma dessas subespecialidades: pagamento do dinheiro, recebimento, balanços, contas correntes, conservação do dinheiro etc.

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21. AS CRISES

MARX, Karl Grupo Gen PDF Criptografado

21. AS CRISES*

Para simplificar a questão, suporemos que a produtividade do trabalho permanece a mesma, que, em consequência, o aumento de capital custa o mesmo trabalho que, no ano precedente, a produção de capital da mesma grandeza. Uma fração da mais-valia deve ser convertida em capital, parte em capital constante, parte em capital variável. E a proporção em que esta fração da maisvalia se reparte entre estes dois elementos do capital depende da composição orgânica** deste. Quanto mais elevado o nível de desenvolvimento da produção, tanto maior a parte da mais-valia que se converteu em capital constante, relativamente àquela que se converteu em capital variável.

Antes de mais nada, pois, uma parte da mais-valia e do sobreproduto em meios de subsistência, correspondendo a esta parte, deve ser convertida em capital variável, isto é, deve servir para adquirir trabalho novo. Isto só é possível se o número de operários aumenta ou se o tempo de trabalho é prolongado. Para que a acumulação seja um processo constante e contínuo, o aumento absoluto da população é uma condição necessária, ainda que esta mesma população diminua relativamente com referência ao capital empregado. O aumento da população aparece, pois, como sendo a base da acumulação enquanto processo constante. Mas isto supõe um salário médio permitindo o aumento permanente da população operária.*** Para as quedas repentinas, a produção capitalista precata-se fatigando uma parte da população operária, enquanto mantém a outra parte, como exército de reserva, em uma miséria parcial ou total.

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13. O EFEITO DA ACUMULAÇÃO SOBRE OS OPERÁRIOS. O EXÉRCITO INDUSTRIAL DE RESERVA. TEORIA DA PAUPERIZAÇÃO

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13. O EFEITO DA ACUMULAÇÃO SOBRE OS

OPERÁRIOS. O EXÉRCITO INDUSTRIAL DE RESERVA.

TEORIA DA PAUPERIZAÇÃO*

Se uma parte da mais-valia se acrescenta ao capital, e consequentemente é empregada como capital adicional, é evidente que este capital adicional tem necessidade de operários. Permanecendo as mesmas todas as outras circunstâncias, em particular a mesma quantidade de meios de produção (capital constante), é exigida sempre a mesma quantidade de força de trabalho (capital variável) para ser posta em valor; assim, a procura de trabalho aumentará necessariamente, tanto mais rapidamente quanto mais rápido for o aumento do capital. Ora, o capital produz cada ano uma mais-valia cuja fração se acrescenta anualmente ao capital primitivo; esta própria mais-valia aumenta cada ano, pois que – com a acumulação – o capital torna-se maior; enfim, com o aguçamento do instinto de enriquecimento, com o aparecimento, por exemplo, de novos mercados, o nascimento de novas indústrias, consequência de novas necessidades sociais etc., é suficiente que o capitalista reduza seu consumo pessoal para possibilitar o acúmulo de uma quantidade maior de mais-valia. Por essas razões, pode acontecer que as necessidades de acumulação de capital sejam superiores ao aumento do número de operários e que, em virtude disso, os salários subam. Isso mesmo não poderia deixar de se produzir nas condições aqui admitidas. Como em cada ano se empregam mais operários que no ano precedente, cedo ou tarde virá o momento em que necessidades da acumulação comecem a ultrapassar a oferta normal de trabalho e onde e quando, em decorrência, surge uma alta nos salários. Durante todo o século XV, e na primeira metade do século XVIII, ocorreram na Inglaterra queixas a esse respeito; mas as condições mais ou menos favoráveis nas quais os operários se conservam e se multiplicam em nada modifica o caráter fundamental da produção capitalista. Do mesmo modo que a reprodução simples reproduz constantemente

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7. FORMAÇÃO DE UMA TAXA DE LUCRO UNIFORME (OU MÉDIA)

MARX, Karl Grupo Gen PDF Criptografado

7. FORMAÇÃO DE UMA TAXA DE LUCRO

UNIFORME (OU MÉDIA)*

Retornemos agora à questão da influência exercida sobre a taxa de lucro pela diferença existente entre o capital fixo e o capital circulante. Em nosso quadro havíamos admitido que todo o capital constante aparece imediatamente no valor do produto

(que é então inteiramente capital circulante). Isso pode acontecer, mas não é regra. É preciso levar em conta que normalmente não é senão uma parte do capital constante que se consome, o resto permanece intacto. Conforme o que permaneça intacto seja maior ou menor, as mais-valias geradas − contanto que permaneçam iguais as outras circunstâncias – por capitais de iguais importâncias devem, pois, naturalmente ser diferentes. Consideremos o quadro seguinte (supondo sempre que a mais-valia é de 100%, isto é, que a força de trabalho produza além de seu próprio valor uma maisvalia exatamente igual a este):

CAPITAL

80 c

70 c

60 c

85 c

95 c

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8. MÉTODOS PARA O AUMENTO DA MAIS-VALIA

MARX, Karl Grupo Gen PDF Criptografado

8. MÉTODOS PARA O AUMENTO DA MAIS-VALIA*

A mais-valia é produzida pelo emprego da força de trabalho.

O capital compra a força de trabalho e paga, em troca, o salário.

Trabalhando, o operário produz um novo valor, que não lhe pertence, e sim ao capitalista. É preciso que ele trabalhe certo tempo para restituir unicamente o valor do salário. Mas isso feito, ele não para, mas trabalha ainda mais algumas horas por dia. O novo valor que ele produza agora, e que passa então ao montante do salário, se chama mais-valia.

O capital, consequentemente, obtém de início uma produção de mais-valia prolongando simplesmente a jornada de trabalho além do tempo de trabalho “necessário” (“necessário” no sentido de substituição do valor da força de trabalho). De início o capital subordina o trabalho às condições técnicas nas quais ele se encontra historicamente. Ele não transforma, pois, imediatamente, o modo de produção. A criação de mais-valia pelo simples prolongamento da jornada de trabalho não foi menos eficaz na antiga padaria tradicional do que na moderna fiação de algodão.

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Manole (34)
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3. Proposta de leitura do Za como ensinamento da superação

JULIÃO, José Nicolao Manole PDF Criptografado

capítulo 3

proposta de leitura do

Za como ensinamento da superação

Apresentação

A hipótese interpretativa que desenvolvemos neste estudo é a de que o ensinamento da superação (die

Überwindung) se constitui como o principal tema abordado por Nietzsche em sua obra Za. O conceito de superação, segundo a nossa interpretação, é seu leitmotiv, ou seja, a dinâmica que impulsiona tanto a sua “ação dramática”1 do “tornar-se o que se é”,2 como a elaboração

1 Utilizamo-nos aqui da expressão de Lampert, L., Nietzsche’s

Teaching, 1986.

2 “Wie man wird, was man ist”. Essa famosa máxima de Píndaro

(Pítias, II, 72), que tanto inspirou os poetas Goethe e Hölderlin, serviu a Nietzsche como subtítulo para a sua autobiografia EH; ela aparece, também, de forma variada no aforismo 270 de FW – “Du sollst der werden, der du bist” (Deves tornar-te aquilo que és); no aforismo 335 de FW – “Wir aber wollen Die werden, die wir sind”

(Mas nós queremos nos tornar aquilo que somos). No Za, nas seções “O convalescente” – “wer du bist und werden musst” (quem

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1. A gênese e o lugar do Za no conjunto da obra de Nietzsche

JULIÃO, José Nicolao Manole PDF Criptografado

capítulo 1

a gênese e o lugar do Za no conjunto da obra de

Nietzsche

A gênese do Za

Apresentação

Este capítulo tem por objetivo explicitar a gênese da obra Za, assim como suas influências e estilo, e também apontar a direção que seguia Nietzsche na época de sua composição, ou seja, sua preocupação com o sentido histórico da humanidade. A ideia de sentido histórico (historische Sinn) aparece em Nietzsche desde a segunda das UB;1 porém, é posteriormente abandonada e retomada em MA

I2 e FW. A nossa hipótese interpretativa é a de que Za nasce das reflexões de Nietzsche enquanto escrevia FW, com uma preocupação acerca da história e da sua falta de sentido. Por

1 Sobre essa questão, cf. Lacoue-Labarthe, P., Historie et Mimèsis,

1986.

2 MA I, §2.

filosofia em pílulas

isso, Zaratustra deve ser visto como o vislumbrador e indicador de um novo futuro para a história humana.

O nascimento do Za

Segundo Montinari,3 a primeira vez que Nietzsche falou sobre o Zoroastro, em sua obra, foi em um reduzido fragmento póstumo do período de setembro de 1870 a janeiro de 1871. Nele foi dito, sem a mínima conexão com

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2. O mundo sem fundo de Zaratustra

JULIÃO, José Nicolao Manole PDF Criptografado

capítulo 2

o mundo sem fundo de

Zaratustra

Apresentação

O objetivo deste capítulo é demonstrar a importância que desempenha o antagonismo, ou seja, a contradição

(der Gegensatz ou der Widerspruch)1 no ensinamento da

1 Nietzsche não estabelece nenhuma distinção entre Gegensatz, em geral traduzida para o português como oposição, contraste, antagonismo, antítese, e Widerspruch, correntemente traduzido como contradição. Porém, em alemão as duas palavras estão em compasso com a origem etimológica da palavra, tanto em grego quanto em latim. Em grego, a palavra ’antíphasis é composta do radical do verbo phemí (falar, dizer) e da preposição ’anti (contra), usada como prefixo. A formação da palavra latina contradictio é idêntica, contra-dicere. Nas línguas modernas o termo é uma simples transposição; em português, contradição é quase uma repetição da palavra latina contradictio; em alemão Widerspruch (wider preposição acusativa contra + o radical do verbo sprechen – dizer, falar, sentenciar) e Gegensatz (gegen preposição acusativa contra

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I – A Filosofia Continental

Paulo Ghiraldelli Jr. Manole PDF Criptografado

I

A Filosofia Continental

Para além da noção moderna de sujeito e verdade

A crítica da vida inautêntica: Heidegger

No fim do século XIX, Nietzsche não era lido como filósofo, mas como literato. No decorrer das primeiras décadas do século XX, seus livros ganharam leitores mais competentes e rapidamente se tornaram uma referência obrigatória na filosofia. Alguns leram os livros de Nietzsche e os tomaram como criadores de um novo modo de filosofar, quase uma espécie de nova cosmologia, enquanto outros os tomaram como prenhes da metafísica. Seria uma espécie de último canto da metafísica, mas, ainda assim, metafísica.

Martin Heidegger (1889-1976) viu em Nietzsche um guerreiro contra o platonismo e, portanto, um bom opositor à metafísica tradicional. Para

Heidegger, porém, Nietzsche não teria ultrapassado a metafísica. As noções nietzschianas não ultrapassariam aquilo que seriam as características mais fortes do pensamento moderno. Não que as noções nietzschianas de “vontade de potência” e de “forças”, podendo ser vistas com desconfiança por talvez exalarem algum odor metafísico, fossem os elementos que atrelaram

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IV – Ética, Moral e Metaética

Paulo Ghiraldelli Jr. Manole PDF Criptografado

IV

Ética, Moral e Metaética

De volta às escolas de filosofia moral

Ética e moral

Ética e moral não são a mesma coisa. Ética diz respeito a costumes, hábitos e valores relativamente coletivos, assumidos por indivíduos de um grupo social, uma sociedade ou uma nação. Moral diz respeito a hábitos, costumes e valores assumidos por indivíduos de um grupo social, uma sociedade ou uma nação; todavia, o comportamento desenvolvido por tal assunção está diretamente relacionado à psique de cada um, à personalidade e também ao que chamaríamos de suas idiossincrasias.

As origens etimológicas de ética e moral são diferentes. Enquanto ética vem do grego ethos, moral origina-se do latim mores. Delimitam, respectivamente, comportamentos sociais universais e comportamentos sociais particulares. Em sociedades ocidentais modernas e liberais, nas quais há um recorte claro e razoavelmente bem definido das esferas pública e particular, a ética cai no primeiro campo e a moral, no segundo. Não se quer dizer, com isso, que, em uma sociedade moderna, ocidental e liberal, que faz recortes razoavelmente delimitados entre o que é a esfera pública e o que é a esfera privada, o que é do âmbito moral não possa vir a público, ou seja, não possa ser exposto a um público. Em várias situações notáveis,

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