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11. Saberes que convivem, mas que não são amigos

Paulo Ghiraldelli Junior Editora Manole PDF Criptografado

11.

Saberes que convivem, mas que não são amigos

À

s vezes, a falta de rancor é antes um problema que uma solução. Esse é o caso da situação vigente na universidade brasileira atual, um lugar que vive atualmente o inverso da guerra hobbesiana de“todos contra todos”. A universidade hoje

é o local da amizade entre todos. Isso pode não ser uma verdade em termos práticos, mas é o que corre no discurso, graças a uma literatura que tem entupido nossa paciência com teses pouco corretas sobre interdisciplinaridade e multidisciplinaridade.

Segundo esse discurso, tudo que o estudante deve fazer

é caminhar no sentido de integrar saberes, mas os professores que assim falam não integram saber algum. Continuam dentro de suas “caixinhas”. No entanto, se são obrigados a falar para os alunos sobre o “sentido dos estudos universitários”, enchem a boca com frases sobre os benefícios da interdisciplinaridade.

No campo do que convencionamos chamar de “humanidades”, esse discurso tornou-se sagrado. Contra ele, elegeu-se um inimigo comum, batizado como “positivismo” – algo que poucos

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13. Bullying

Paulo Ghiraldelli Junior Editora Manole PDF Criptografado

13.

Bullying

H

á uma distinção entre bullying e mobbing que é antes europeia que americana. Ambos apontam para a prática da intimidação que varia da conversa ameaçadora à agressividade física. O bullying é mais americano; diz respeito às ameaças de um indivíduo “fortão” ou poderoso a algum menos musculoso ou sem qualquer poder. Não é uma prática incentivada nos Estados Unidos, mas guarda uma característica que, enfim, tem relação com um modo americano antigo de vida. O cultivo da individualidade e de certa “bravura” foram práticas próprias da maneira como a colonização se fez sentir na América.

O mobbing é, antes de tudo, o comportamento agressivo grupal contra um indivíduo. Está relacionado à intimidação mafiosa, é claro, mas, em determinadas situações, não fica longe do que, no limite, em uma situação de acirramento ideológico de

ânimos, pode levar à intimidação de tipo nazista. Nos Estados

Unidos, talvez fosse tomado por alguns praticantes do bullying como covardia – e o covarde e o looser, na América, têm igual

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3. E o erro?

Susana de Castro Editora Manole PDF Criptografado

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E o erro?

Paulo Ghiraldelli Jr.

O filósofo italiano Giorgio Agamben (2010, p. 132) escreve: “a

arte de viver é […] a capacidade de nos mantermos numa re-

lação harmoniosa com aquilo que nos escapa”. À primeira vista,

trata-se de uma fórmula enigmática. Mas não é. Agamben ex-

plica que o conhecimento parece ter necessidade de um pressuposto, que é a existência de um campo no qual reina o que

não é conhecido, um centro do qual emana a ignorância. Sem esse lugar da ignorância, como poderíamos falar de um espaço

preenchido de conhecimento? O conhecimento então é conhecimento do conhecido e, concomitantemente, um saber do que

se pode pressupor como existente, embora um campo cheio do

que nada sabemos ou ainda não sabemos.

Ah! Mas como é difícil rapidamente deixar a harmonia de

lado e acreditar que o campo do conhecimento, sozinho, é o que

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importa, e o que nos escapa é algo de menor valor! Podemos

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15. O império “natural”

Paulo Ghiraldelli Junior Editora Manole PDF Criptografado

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O império “natural”

A

riadna foi a primeira eliminada do reality show Big Brother Brasil 11. Sem sombra de dúvida, ela tinha a melhor história de vida de todos os participantes. Aliás, por todas as razões, inclusive as mais objetivas – como sua postura simpática na casa –, não é errado especular que tenha sido o preconceito popular que a jogou para fora em tão pouco tempo. Nossa população consegue ser menos intolerante com os gays, ao menos agora, talvez porque tenha encontrado um “demônio” ainda mais malévolo, o transexual.

Todavia, dizer “o nosso povo tem preconceitos” ou “nossa sociedade é hipócrita” e outras frases desse tipo não explicam nada. Quando evocamos a filosofia e as ciências humanas, aí, sim, melhoramos nosso entendimento. No caso, vale lembrar

Paulo Freire, tão preocupado e, em alguns momentos, muito ocupado com as distinções entre “natureza” e “cultura”. O que se pôs na jogada no caso de Ariadna foi uma dupla, identificada pelos nomes “natureza” e “verdade”, e tudo que envolveu seu

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11. Três temas essenciais à filosofia da educação: cidadania, razão e arte

Susana de Castro Editora Manole PDF Criptografado

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Três Temas essenciais à filosofia da educação: cidadania, razão e arTe

Susana de Castro

O tripé “cidadania, razão e arte” é constituído por elementos centrais para uma abordagem filosófica da educação. No que se

segue abordarei cada um deles isoladamente indicando temas e

autores pertinentes a cada um.

I

Cidadania

As origens dos princípios da educação liberal e republicana

Em entrevista a um jornal de grande circulação do Rio de Janeiro, o historiador José Murilo de Carvalho, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ufrj), afirmou que

“os brasileiros não têm grande consciência de seus direitos civis

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e políticos, mas conhecem bem seus direitos sociais, que é exa-

tamente aquilo que o Estado provê: saúde, educação, etc.” (O

Globo, 23/05/2009). Segundo o historiador, essa situação decorreria da nossa herança cultural advinda das monarquias ibéricas,

caracterizadas por um Estado intervencionista e protecionista.

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