62 capítulos
Medium 9788536314068

Capítulo 14 - Invocando a democracia: a concepção de Foucault (com insights retirados de Hobbes)

Michael A. Peters; Tina Besley Grupo A PDF Criptografado

Capítulo

14

Invocando a democracia: a concepção de Foucault (com insights retirados de Hobbes)

Mark Olssen

William Connolly (1998) sugeriu que:

Foucault não articula uma visão de democracia. Suas primeiras objeções contra ideais políticos, tais como as prisões, vão contra isso; e sua afirmação mais tardia e cautelosa de uma imaginação política positiva nunca toma essa forma. Mas numerosos comentários relativos ao contexto de sua participação em protestos públicos e em passeatas são sugestivos.

Parece-me que uma série de correspondências pode ser delineada entre a sensibilidade ética cultivada por Foucault e um ethos de democracia que ela invoca (p. 120).

É nesse espírito do ethos da democracia invocada por Foucault que meu artigo se enraíza. Como Connolly, acrescentarei idéias e pensamentos a

Foucault, indo além dele, até que eu crie um quadro suficientemente coerente. Farei naturalmente a diferença entre o pensamento de Foucault e aquilo que for suplementado e acrescentado por mim. Já que Foucault não desenvolveu uma teoria abrangente da democracia, a questão torna qual de suas idéias e formulações são relevantes para uma teoria da democracia: como ele poderia ter problematizado as concepções e formulações existentes, e que linhas de argumentação poderia sugerir para estudos futuros.

Ver todos os capítulos
Medium 9788584290109

Capítulo 5 - Adiantar-se ao futuro: agrupamentos de alunos

Beatriz Jarauta; Francisco Imbernón Grupo A PDF Criptografado

5

Adiantar-se ao futuro: agrupamentos de alunos

Miguel Ángel Santos Guerra

Universidade de Málaga

Há dois tipos de alunos em uma escola: os inclassificáveis e os de difícil classificação.

Um dos problemas da escola é que ela está muito amarrada ao pas­ sado por um presente rotineiro. As dinâmicas institucionais se repetem de um ano para o outro sem que haja a mediação de uma análise intensa dos resultados da ação. As práticas profissionais se reproduzem, imitando mo­ de­los que correm o risco de se converter em estereótipos (Brunsson,

1986; FulLan, 1994; Santos Guerra, 1994, 1997).

Quando apliquei a técnica do brainstorming, solicitei a meus alunos que imaginassem uma escola em que tudo – sem limitações de nenhum tipo

– po­deria ser pensado, pude comprovar como todas as realidades conhecidas condi­cionam as respostas. Quando falam da escola ideal, da escola do futuro ou da escola possível, fazem referência à escola real que conhecem. Dizem, por exemplo: “sem carteiras”, “sem professores”, “sem horários”, “sem no­ tas”, “sem livros”. E também: “as salas seriam maiores”, “os pátios teriam ba­ lanços”, “ha­veria uma lousa gigante”. Além da negação que às vezes aparece nessas indi­cações, manifesta-se um submetimento da imaginação à realidade conhecida, um poderoso mimetismo com o que já existe.

Ver todos os capítulos
Medium 9788584290109

Capítulo 2 - A escola contínua e o trabalhono espaço-tempo eletrônico*

Beatriz Jarauta; Francisco Imbernón Grupo A PDF Criptografado

2

A escola contínua e o trabalho no espaço-tempo eletrônico*

Javier Echeverría

Universidade do País Basco

Pensar o futuro: reflexões prévias

No começo da sua obra Meditação da técnica, Ortega e Gasset (1996, p. 21, tradução nossa) escreveram a seguinte reflexão:

Um dos temas que nos próximos anos vai ser debatido com maior ênfase é o do sentido, vantagens, danos e limites da técnica. Sempre considerei que a missão do escritor é prever com folgada antecipação o que vai ser problema, anos mais tarde, para seus leitores e lhes proporcionar a tempo, ou seja, antes de que o debate surja, ideias claras sobre a questão, de modo que entrem no fragor da contenda com o ânimo sereno de quem, em princípio, já a tem resolvida.

Este livro quer pensar no futuro e propõe como tema de reflexão uma das questões que mais se discutirão nas próximas décadas, o futuro da escola. Se dá por certo que haverá um nova escola, ou seja, que os atuais sistemas educacionais experimentarão profundas transformações. Não se trata, portanto, de pensar o futuro, nem muito menos de prevê-lo, mas de pensar no futuro, o que é algo muito diferente. Aqueles que nascerão no final do século XXI, supondo que a mudança climática ou alguma catástrofe nuclear não tenham transformado radicalmente a face do planeta, terão de aprender, educar-se e socializar-se, ou seja, adquirir conhecimentos, desenvolver capacidades e estabelecer relações com seus conterrâneos, assim

Ver todos os capítulos
Medium 9788521621829

Capítulo 8 - A Avaliação para os Novos Tempos: Qualitativa e Formativa

ALVES, Júlia Falivene Grupo Gen PDF Criptografado

Capítulo 8

A Avaliação para os Novos

Tempos: Qualitativa e Formativa

Contextualização

Um dos grandes desafios que enfrentamos hoje é exatamente o de questionar e substituir os parâmetros com os quais a aprendizagem foi mensurada durante muito tempo e construir e adotar outros que correspondam aos princípios de uma educação mais adequada à realidade do século XXI.

Para os novos tempos − e já faz cerca de 20 anos que se fala nisso − o que se propõe

é a avaliação formativa.

Conceitos para entender a prática

Como se caracteriza esta avaliação?

1. É qualitativa, pois deve ser feita para orientar e acompanhar a aprendizagem dos alunos e as práticas didático-pedagógicas dos professores, ao invés de apenas classificar, julgar, atribuir aos primeiros os resultados insatisfatórios e responsabilizar os segundos pelos os resultados satisfatórios, como se fazia mais comumente na avaliação tradicional.

2. Está inserida no processo de ensino-aprendizagem o tempo todo – desde antes do planejamento do curso até à sua finalização –, abrindo, inclusive, possibilidades para a reformulação do plano de curso e de aula elaborados pelo professor, conforme forem coletados dados nas diversas atividades avaliadas.

Ver todos os capítulos
Medium 9788584290864

Capítulo 8 - As pedagogias das diversas inteligências

Jaume Sebarroja Carbonell Grupo A PDF Criptografado

8

As pedagogias das diversas inteligências

Sinto muito, de coração

O dia em que voltei à aula, depois de meu irmão ter morrido, foi um dia muito especial. Ao entrar, várias meninas vieram em bando me cumprimentar. Fui beijando todos, enquanto iam perguntando coisas:

É verdade que seu irmão morreu? Quem te contou? O que aconteceu?

Você chorou? [...]

Sem mais espera, passei brevemente a lhes explicar que meu irmão tinha tido um infarto, que tinha parado o seu coração. Quem nos contou foram os amigos que estavam com ele, porque quando aconteceu estava passeando com sua moto nova. Também lhes disse que não podia acreditar até que o visse e o tocasse e que tinha estado muito triste e chorado muito, por isso não tinha podido nem ir trabalhar.

Iker me perguntou, se eu podia levar à classe fotos dele, e lhes mostrei umas quantas que tinha pego. Então, começaram a falar de todos os seus cachorros, gatos, peixes e hamsters que haviam morrido. Nomearam-nos misturados aos avôs, tios, bisavôs... Não era a primeira vez que falavam disso, este é um tema que costuma ser suscitado nestas idades iniciais, em que as crianças começam a intuir que isso de morrer pode ser verdade e pode afetar a todos.

Ver todos os capítulos

Visualizar todos os capítulos