4 capítulos
Medium 9788520434802

4. A universidade bancária

GHIRALDELLI JR., Paulo Editora Manole PDF Criptografado

4.

A universidade bancária

A

“pedagogia bancária” é uma das melhores caracterizações da pedagogia adotada pela maior parte de nossos professores, inclusive no ensino superior, onde realmente ela não se aplicaria. Trata-se de uma figura criada por Paulo Freire, exatamente para denunciar o caráter dos procedimentos tradicionais em educação. Nos anos 1960-1970, Paulo Freire a utilizou para servir de sparring da sua“pedagogia libertadora”. Com essa expressão,“pedagogia bancária”, o que ele queria dizer, basicamente, é que a dinâmica tradicional em sala de aula implica um professor que deposita informações para os estudantes, os quais por sua vez guardam-nas “no cofre” da memória. Essas informações são, depois, sacadas pelo professor, em geral, no dia da prova. O aluno é o “banco” e o professor o usuário dessa

“casa bancária”.

É bastante interessante que, na universidade atual, até mesmo os professores que se dizem freireanos acabam por ceder à comodidade da “pedagogia bancária”. Uns fazem isso por

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Medium 9788520433133

4. Moralidade e moralismo

GHIRALDELLI JUNIOR, Paulo; CASTRO, Susana de Editora Manole PDF Criptografado

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Moralidade e moralismo

Paulo Ghiraldelli Jr.

As religiões elaboraram nossos primeiros códigos morais. Criamos os deuses justamente para que eles nos dissessem como

fazer de modo melhor o que vínhamos fazendo, ou ao menos

ensaiando. Eles foram nossos primeiros educadores, para o bem e para o mal. As histórias dos deuses deveriam nos dar bons

exemplos a serem seguidos, mas também apresentariam situa-

ções embaraçosas, que deveríamos evitar, e personagens ataba-

lhoados, que teríamos de observar bem para rechaçar e condenar.

Essa pedagogia tinha de nos ensinar a viver de forma coleti-

va, em situações públicas, fazendo com que não perdêssemos o nosso ethos, ou seja, nossos costumes e hábitos, principalmente

quando deixamos de ser nômades. Demos valor a isso. Daí nas-

ceu a ética. A pedagogia divina também nos ensinou a reproduzir costumes e hábitos não para o convívio público, na cidade,

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mas para a vida em nossos lares, em especial quando fizemos de nossas casas um ambiente privado, deslocado do ambiente

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Medium 9788520428405

4. O Estado Novo (1937-1945)

GHIRALDELLI JR., Paulo Editora Manole PDF Criptografado

Capítulo 4

O Estado Novo

(1937-1945)

O ano de 1937 mostrou para as várias correntes políticas que Vargas não iria admitir oposição. Ele havia derrotado por meio de armas as oligarquias paulistas em 1932; em 1935, prendeu os comunistas, quando estes realizaram a

Intentona – uma fracassada tentativa de levante popular. Então, em 1937, com apoio militar, extinguiu a democracia, alegando que o país precisava de um Estado forte, uma vez que os comunistas estariam preparando novo levante. Dois anos depois, em 1939, encarcerou também os integralistas de Plínio Salgado.

O Brasil viveu sob uma Constituição gerada pela Assembléia Nacional

Constituinte de 1934 durante pouco tempo. Getúlio Vargas, que havia se tornado presidente da República pelo resultado da votação da Assembléia de 1934 (a

Assembléia tinha poderes para fazer a Constituição e, concomitantemente, eleger o presidente), logo depois, em 1937, tornou-se ditador1 por meio de um golpe

Ditadura. A origem do termo é romana (dictatura) e denotava um conjunto de mecanismos governativos previstos em lei, para situações especiais e a serem utilizados em caráter excepcional (como guerras, calamidades etc.), que suspendiam temporariamente os trâmites regulares de governo em favor dos mandatários supremos, bem como as garantias normais dos cidadãos. Eram as chamadas ditaduras constitucionais. O abuso desses procedimentos pelos grupos governantes acabou por abrir caminho para regimes despóticos (ditaduras inconstitucionais), em que a excepcionalidade autoritária tornou-se a regra (regime de exceção). Contemporaneamente, ditadura é sinônimo de regime autoritário (vide nota sobre “Democracia e Totalitarismo”). (Nota de Alberto

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Medium 9788584291694

Capítulo 4. Inovação em educação e o papel do Estado

Flavio Rodrigues Campos, Paulo Blikstein Grupo A PDF Criptografado

INOVAÇÃO EM EDUCAÇÃO

E O PAPEL DO ESTADO

Célia Regina Gonçalves Marinelli

Este capítulo tem como objetivo discutir os processos de apropriação realizados pelo Estado diante de demandas sociais, tendo como foco a inovação na educação na realidade brasileira. Nesse sentido, trata da origem econômica do conceito de inovação e seus tipos básicos e contextualiza o cenário da educação superior brasileira, apresentando suas características. Na sequência, discute a transposição para o campo da educação e sua configuração no discurso oficial, expresso em legislação educacional, e como essas referências e esses dispositivos normativos são, então, apropriados no âmbito das escolas.

Concluímos mostrando que as experiências educacionais inovadoras são aquelas que introduzem algum tipo de mudança na prática escolar, por meio de ações de intervenção intencional, planejada e reflexiva, que leve em consideração as especificidades de cada contexto (como, para que e para quem) e com resultados tangíveis ou passíveis de serem verificados. Portanto, vão muito além da natureza meramente prescritiva que tem pautado as ações do Estado brasileiro na configuração da legislação, da normatização e das políticas públicas para a educação.

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