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Capítulo 15 - O currículo em ação: os resultados como legitimação do currículo

José Gimeno Sacristán Grupo A PDF Criptografado

15 O currículo em ação:

os resultados como legitimação do currículo

José Gimeno Sacristán

Universidade de Valência

N

a tradição mais difundida do pensa­ mento educacional, o currículo é ent­en­dido como o texto que reúne e estru­tura o conhecimento que deverá ser com­partilhado e reproduzido ou produzido nos estudantes sob a ordem de um deter­mi­ nado formato. A educação não pode deixar de ser reprodução, e o currículo é seu texto e a partitura na qual a encontramos codificada.

Esse é um dado da realidade, não uma ideia ou tentativa de valorização. O processo de ensinar não deixa de ser mais um aspecto de socialização cultural que dá continuidade à sociedade e à cultura. Outra questão é o que

é re­pro­duzido e como é feita a reprodução.

Eviden­temente, não é o mesmo entender que o cur­rículo res­ponde à função de selecionar aca­de­mi­­ca­mente, que a tradição seja repro­ du­zida de maneira tradicional como se fosse um legado incontestável ou que se faça de forma crítica.

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O modelo e a sua refutação

Rui Bebiano Editora Almedina PDF Criptografado

NO LABIRINTO DE OUTUBRO

caraterizavam, e também uma maneira de recuperarem aquilo que no modelo inaugurado pela revolução russa consideraram ter sido perdido ou traído. Entre estes movimentos e setores, e independentemente do formato da exegese do ato revolucionário que, seguindo as diferentes tendências e fações, foram elaborando, essa perspetiva afirmou-se como cimento agregador de militâncias e de convicções, sobretudo como perceção da necessidade do gesto coletivo violento e messiânico levado até ao extremo, «até ao fim», enquanto ritual de passagem para uma era nova que, pondo fim a todas as injustiças, devolveria a felicidade um dia perdida àquela parte maior da humanidade que os seus atores acreditavam representar.

Porém, para uma grande parte das correntes apostadas na mudança histórica, adeptas desse «socialismo científico» que com Marx e Engels

é autoproclamado, se não como anti-utópico, pelo menos como capaz de superar a dimensão tomada como idealista e fugaz da utopia socialista, nada existe de metafórico nessa possibilidade. Na verdade, a materialização da Revolução de Outubro tinha demonstrado o caráter efetivamente plausível da transformação mais profunda e a possibilidade de esta ser concretizada num tempo que a antecipa. Algo que a torna admissível, e não apenas transposta para os «amanhãs que cantam» – recorrendo aqui à conhecida e tão relembrada expressão de esperança usada como título da autobiografia de Gabriel Péri43 –, mobilizadores da vontade coletiva, mas sempre empurrados para a frente e diferidos como uma escatologia.

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NA MÁQUINA DO TEMPO

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na máquina do tempo

Que utilidade pode ter um livro, mais um livro, que aborda o impacto, a crítica e o eco real e simbólico da Revolução Russa de 1917 no curso dos cem anos que se seguiram? Logo um tema tratado em milhares de livros, artigos, títulos de jornais, suplementos, documentários, congressos, proclamações, debates que ainda há pouco se multiplicaram no contexto da evocação coletiva, de natureza apologética, reprovadora ou analítica, que o centenário desse acontecimento edificador do mundo contemporâneo motivou. Justifica-se, por isso, uma curta explicação que dê conta da singularidade e da utilidade destas páginas. Por um lado, pretende-se observar o caráter polissémico daquele momento, que não se limitou a produzir um modelo de sociedade ou um novo paradigma político, tendo igualmente libertado futuros hipotéticos e plausíveis, abrindo caminho a diferentes experiências, associadas a um século inteiro de transformação progressista da humanidade. Por outro, procura encarar o modo como esta multiplicidade de buscas e de experiências correspondeu, e com toda a certeza continuará a corresponder, à infinita demanda humana, mobilizadora da transformação, por uma sociedade mais equilibrada, justa, igualitária e que se antevê feliz.

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Antes e depois de Karl Marx

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NO LABIRINTO DE OUTUBRO

representado de uma maneira vaga, que se crê ter sido arruinado por

­circunstâncias e agentes que importa destruir e arredar.

Antes e depois de Karl Marx

A transformação das sociedades humanas, tal como a concebeu

­Platão na República, conduziria à cidade ideal onde para sempre reinaria a justiça, requerendo um esforço destinado a restabelecer a ordenação primeva desaparecida. Constituía uma modificação radical, mas também um instante de viragem que antecedia a regressão a um ponto de origem idealizado. Assim, Châtelet considerou que, «por paradoxal que possa parecer a afirmação, Santo Agostinho, Bossuet, Rousseau ou Engels são platónicos»23, uma vez que neles a superação radical da ordem do mundo visou sempre – entre a descoberta da Cidade de Deus e a apoteose final do comunismo – a recuperação de um tempo generoso e feliz tomado como desaparecido, como o Paraíso Perdido de John

Milton, e a restituição de uma ordem utópica e edénica que fora aniquilada durante um processo de declínio tão longo que remonta a tempos ancestrais, insituáveis na cronologia.

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Construir e repensar a utopia

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NO LABIRINTO DE OUTUBRO

por quem o lê ou escuta. É ela ainda que lhe confere um significado e uma voz, libertando-o da sombra e do silêncio, aos quais de outra forma acabaria por ficar inevitavelmente remetido.

Este pacto estabelecido diretamente com quem o lê, escuta ou vê, depende sobretudo do reconhecimento da legitimidade e da autoridade da sua voz como expressão de uma proposta avalizada, não tanto pelos instrumentos dos quais se serve para a propagar, mas pelas condições pessoais e qualidades particulares que foi desenvolvendo para poder fazê-lo, de uma forma pública, em condições de dialogar com as diferentes formas de as suas audiências perceberem, sentirem, pensarem, escolherem e agirem no campo social.

É verdade que o «clérigo» mencionado por Benda, que se assumia como alguém que pela sua formação, integridade e sentido do humano se tornara capaz de aceder a uma verdade universal, levando-a aos outros como uma «boa-nova», desapareceu de vez com o acentuado recuo na consideração pública, vivido sobretudo no último quartel do século passado, das grandes narrativas históricas. Porém, assim o descreveu Edward Said, a sua presença no papel de alguém capaz de projetar a liberdade humana e o conhecimento, e de com isso reunir condições para perturbar o statu quo, conservando uma dimensão de equilíbrio entre a liberdade pessoal e o impacto que consegue obter junto do coletivo85, tem continuado a definir uma atitude dinâmica. Própria de uma espécie que, apesar de recorrentemente proclamada como em vias de extinção e de possuir rostos e práticas cada vez mais díspares e mais rapidamente renovados ou substituídos, continua a povoar os circuitos da reflexão e do questionamento sobre as grandes questões que integram o pensamento político e social.

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O papel de Lenine

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construção do «outubro vermelho»

o que é verdadeiro, mas também que esse processo de definição continuou muito para lá do momento da tomada do poder pelos bolcheviques e a afirmação da sua hegemonia. Tal não significou, porém, que os diferentes partidos presentes, ou os seus diferentes segmentos, excluíssem

«uma conceção integrativa e totalizante das várias esferas societais»118.

Bem pelo contrário, algumas das correntes dispostas no terreno, bem como determinados protagonistas a elas associados, procuraram impor modelos que apresentavam todas as condições para saírem vencedoras.

Na realidade, aquele que emergiu como triunfante do complexo processo então em marcha saiu não só de um aceso combate político entre fações, mas também da imposição de uma geometria que incluía bissetrizes constantemente procuradas, ensaiadas, recompostas, impostas, derrotadas ou abandonadas.

O papel de Lenine

Nada mais eficaz para se compreender esta variabilidade do que observar o contributo da intervenção prática e teórica de Lenine, bem como o papel do que, após o seu desaparecimento, viria a ser chamado leninismo, ambos pautados por uma grande diversidade de propostas, que passou por escolhas, recuos e decisões momentâneas que nem sempre foram aqueles que teriam sido previstos. Se a Revolução de Outubro não resultou de uma iniciativa individual, indubitavelmente ela não teria sido o que foi sem a intervenção atenta e permanente e, acima de tudo, sem o contributo teórico e o enorme talento organizativo e de persuasão de

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Os intelectuais como dissidentes

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revolução, paradigma, dissidência

de contactos, por vezes de trajetos físicos de exílio ou de resistência, que criam, em regra a contracorrente, as melhores condições para a produção de doutrinas e de propostas dinâmicas, cujo dinamismo se deve em larga medida ao facto de ter sido construído no convívio com a diferença e numa lógica de rejeição do único.

Os intelectuais como dissidentes

Para entender o papel desempenhado por muitos intelectuais e por ativistas de formação cultural deles próxima como construtores, difusores ou críticos de primeira linha do modelo de sociedade e de configuração do mundo que a Revolução de Outubro permitiu conceber e procurou afirmar, e depois como promotores das suas releituras, importa desenvolver uma digressão, ainda que concisa, pela emergência e pela história da própria figura do intelectual como categoria associada ao movimento de transformação do mundo e especialmente vocacionada para municiar e dar corpo a toda a atividade dissidente, em muitas ocasiões dotada de uma natureza revolucionária. Para quem a assume, esta constitui uma dimensão crucial da sua identidade, fulcral para a inscrição social da sua atividade, colaborando na sua definição como dinamizador de opinião e servindo no processo atual das agendas políticas que em dado momento foram escrevendo ou adotando.

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A revolução e o intelectual público

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revolução, paradigma, dissidência

mantenham sempre vinculados a condições históricas e a setores sociais precisos, sendo muitas vezes o excluído, o proscrito, o explorado a representar as possibilidades para muitos julgadas como mais estimulantes e mobilizadoras, aquelas que verdadeiramente os motivam e que dão um sentido, ao mesmo tempo militante e social, ao seu esforço individual e de

índole subjetiva.

A revolução e o intelectual público

O debate sobre a construção do intelectual comporta ainda uma outra discussão sobre a caraterização do posicionamento ético e do lugar político que pode ocupar. Esta tem aqui uma grande importância para uma consideração positiva do seu lugar no processo de conceção, de representação, de encaminhamento e de evocação ulterior da Revolução de Outubro, bem como na sua relação com os diferentes modos de pensar a emancipação dos oprimidos e o caminho posterior rumo a sociedades tomadas como mais justas e igualitárias.

Em 1927, o filósofo e romancista francês Julien Benda publicou o ensaio La Trahison des Clercs, no qual questionou uma politização excessiva, consonante com o enquadramento partidário ou as opções ideológicas de muitos pensadores – nele Benda visava principalmente os intelectuais nacionalistas da direita, mas também os marxistas –, intimando-os que defenderem os valores universais, e não aqueles associados apenas a um dado partido ou a um grupo. Benda pugnava por uma independência matricial, exaltando o dever do intelectual, a que chamou

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A ideia do «Homem Novo»

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NO LABIRINTO DE OUTUBRO

a construção de um mundo melhor e de uma humanidade mais harmoniosa; por outro, como ponto de partida da perversão autoritária que acabaria por contaminar as diferentes experiências do «socialismo real», tornando-as com frequência incapazes de superar a rigidez burocrática e os bloqueios políticos impostos. De uma forma ou de outra, a Revolução Russa e o modelo de Estado que ela originalmente criou mantiveram-se por mais de um século envoltas numa estrutura em forma de fábula que valorizou as suas representações, mas que contaminou também o modo como estas, na sua diversidade, com frequência se dividiram ou opuseram.

A ideia do «Homem Novo»

Esta construção fabulosa começou por assentar na edificação de um imaginário do novo mundo a construir como fundado em dois dos aspetos da interpretação da história e das sociedades invocados na origem por

Marx e por Engels. O primeiro consistiu na perceção de que o objetivo

último do derrube do poder da burguesia seria sempre a construção de uma sociedade na qual esta fosse despojada do poder fático e em que se tornaria possível preparar a assunção futura de um mundo plenamente igualitário, o do comunismo integral, traduzido – agora «sem Deus, nem senhor», como a desejara Auguste Blanqui – na materialização de uma sociedade sem classes e inteiramente justa, na qual, como concebeu

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Impacto internacional

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construção do «outubro vermelho»

Considerando a diversidade deste universo crítico, deve assim sublinhar-se que a construção do «paradigma de Outubro» se fundou, em larga medida, não somente na projeção da obra de Lenine e nos diferentes indicadores que ela proporcionou, mas numa tipificação dos seus acontecimentos, sempre excludentes em relação à sua dimensão utópica e incerta.

O «leninismo», fabricado apenas no período que se seguiu ao seu desaparecimento, contribuirá em larga medida para reforçar essa presença, então aberta a uma dimensão que transcendia em muito as fronteiras da

União Soviética e cujo impacto se manteve por mais de um século.

Impacto internacional

Para a afirmação deste processo foi também decisiva a articulação do movimento revolucionário que chegou ao poder na Rússia no final do ano de 1917, e que a partir desta altura foi projetado como detentor de uma natureza perturbadora da ordem do capitalismo para o mundo inteiro, com a dimensão internacional do ideal de revolução socialista no qual desde a origem se integrou.

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Violência e alcance do Gulag

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edificação, violência, centralismo

ou que pudessem dispor, ainda que apenas num futuro imprevisível, da hipótese de lhe atribuírem uma outra orientação ou uma diferente base social, contrárias à afirmação do socialismo e à construção de uma sociedade efetivamente igualitária, a caminho da desejada perfetibilidade humana.

Violência e alcance do Gulag

Foi ainda Norman Cohn, que durante décadas estudou os movimentos e as ideias de caráter apocalíptico e milenarista que ocorreram durante o período medieval, quem escreveu que «a partir de 1917 houve uma constante repetição, e numa escala cada vez maior», dos desejos e das metas presentes já nas inúmeras revoltas daqueles tempos, que exprimiam em regra «quimeras de uma luta final de extermínio contra os grandes, e de um mundo perfeito de onde o egoísmo fosse para sempre banido»159. Regressa-se aqui à já referida ideia de reposição justa de uma injustiça tomada como expressão de uma decadência que deverá ser definitivamente abolida.

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Depois de 1991

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construção do «outubro vermelho»

à espera de um debate crítico sereno, no qual os critérios de objetividade se sobreponham a tradições de rejeição e a sensibilidades políticas feridas.

Depois de 1991

Na era pós-Gorbatchev, esta linha crítica surgiu reforçada entre alguns historiadores russos, em boa parte ajudados pela abertura dos antigos arquivos soviéticos, bastante seletiva, mas incontestável, e por isso em condições de permitir abordagens novas e mais bem fundamentadas.

A tendência integrou três caraterísticas da maior importância. Esforçou-se, em primeiro lugar, por mostrar uma complexidade da sociedade soviética que não se coadunava com interpretações excessivamente generalistas ou perentórias, e que muitas vezes continham preconceitos ou partiam de ideias pré-concebidas, fossem eles de natureza anticomunista, pró-comunista ou apenas revisionista. Em segundo lugar, procurou demonstrar que o mito da «irreformabilidade» da URSS, e em consequência da inevitabilidade do seu colapso «final», particularmente sustentado depois dos acontecimentos de 1989, era, de facto, no mínimo bastante discutível. E em terceiro lugar quis comprovar que uma boa parte da história da Revolução

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O problema do totalitarismo

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NO LABIRINTO DE OUTUBRO

j­ornalista e ensaísta bielorrussa Svetlana Alexievich, Nobel da Literatura em 2015, afirmou, comentando esta tendência, que para os governos de Moscovo nessa medida «Estaline e o Gulag não são história»182.

O problema do totalitarismo

A observação do sistema de imposição, através da força usada pelos instrumentos de coação, de um «paradigma de Outubro», que tendeu a excluir outras possibilidades e variantes projetadas em 1917, conduzirá, mais adiante, à progressiva identificação de algumas dessas propostas autónomas ou divergentes. Leva, todavia, a considerar também um tema que tem sido objeto de debates, desconfianças e controvérsias, praticamente desde as primeiras décadas do século passado, e de novo com ênfase nos últimos vinte anos. Trata-se da identificação do modelo de Estado saído da Revolução de Outubro como de uma natureza «totalitária» e do impulso político por ele produzido como instrumento de uma forma própria de «totalitarismo», associável a outros modelos com caraterísticas orgânicas muito diversas daquelas que se impuseram a partir da Revolução de 1917.

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Os acontecimentos de 1917

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Construção do «Outubro Vermelho»

Olhar à distância de mais de um século, de forma razoavelmente completa e crítica, o modelo de transformação hegemónico projetado a partir dos acontecimentos do ano de 1917 na história da R

­ ússia e na do mundo, deve incorporar duas tarefas prévias. Em primeiro lugar, a da definição o mais objetiva possível do fenómeno do qual falamos quando nos referimos à «Revolução Russa de 1917», ou, para usar a expressão menos técnica, mas que tem congregado uma carga política e simbólica mais poderosa, à «Revolução de Outubro». Em segundo lugar, o lançamento de um olhar crítico, embora necessariamente sinóptico, sobre aquelas que têm sido as formas que a historiografia e o que se designa por vezes como «usos da história» tomam para descrever e representar a eclosão e o trajeto desse tempo de viragem e de projeção de um futuro desde cedo entendido como novo e repleto de possibilidades. Ambos os processos são imprescindíveis para configurar as diversas identidades, a global e as específicas, de um «Outubro Vermelho».

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A engenharia das almas

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NO LABIRINTO DE OUTUBRO

princípios que serviram de fundamento para a criação de normas estéticas e para as políticas de exclusão ou de favorecimento que o regime entendia praticar. Foram elas principalmente: a valorização do Estado, do Partido e dos seus dirigentes mais destacados; a elevação do papel do trabalho e da produção associada à valorização social dos produtores; a disseminação da necessidade constante de afirmar, no domínio da criação, a luta contra a burguesia e o capitalismo, considerando os seus vestígios internos e as ameaças externas colocadas à União Soviética; o esforço de engrandecimento da grande tradição histórica nacional da

Rússia, agora ao serviço do novo Estado; o comprometimento nas grandes batalhas de natureza moral e cívica, principalmente como fatores de emulação; e a mobilização em situações de guerra ou de ameaça, em regra exacerbada, do que era entendido como uma tentativa continuada, vista como crescentemente imposta do exterior, da contrarrevolução.

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