13 capítulos
Medium 9788582604915

Introdução: A resposta é urbana

Jonathan F. P. Rose Grupo A PDF Criptografado

INTRODUÇÃO

A resposta é urbana

1

Nasci em 1952, quando a população mundial era de 2,6 bilhões. Desde então, esse número praticamente triplicou. Em 1952, apenas 30% da população mundial moravam em cidades, mas agora esse percentual ultrapassou

2 os 50%, e até o final do século XXI chegará a 85%. A qualidade e a personalidade das nossas cidades acabarão determinando o temperamento da civilização humana.

Em 1952, as condições em muitas cidades europeias não diferiam muito daquelas no mundo em desenvolvimento atual. Numa das cidades mais austrais da Europa, Palermo, a capital da Sicília, a reconstrução após uma guerra devastadora se estagnou devido à corrupção; carecendo de moradias economicamente acessíveis, famílias acampavam em cavernas enquanto a

Máfia construía uma selva de pedra de dispersão suburbana, patrolando parques e fazendas, subornando e ameaçando autoridades locais com tamanho desprezo por códigos de construção e planos diretores que o resultado ficou conhecido como o Saque de Palermo.

Ver todos os capítulos
Medium 9788582604915

Capítulo 7. Infraestrutura natural

Jonathan F. P. Rose Grupo A PDF Criptografado

CAPÍTULO

7

Infraestrutura natural

Biofilia e resiliência humana

A natureza tem uma maneira maravilhosa de se adaptar a mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, mediar seus efeitos. Mas a natureza ainda proporciona outros benefícios aos humanos. Nosso desejo de estar em meio à natureza parece estar entranhado em nosso próprio ser. A palavra “biofilia” foi cunhada pelo psicólogo Erich Fromm, que a usou para descrever o elo instintivo entre seres humanos e outros sistemas vivos. O biólogo E. O. Wilson também observou que nós humanos temos “uma ânsia por nos afiliarmos a

1 outras formas de vida”. Mesmo no ambiente mais urbano, as pessoas apresentam uma necessidade arraigada de se conectarem com a natureza. E por que não? Nossa própria existência depende das dádivas da natureza: ar, água e as plantas e animais que consumimos como alimento. Há também cada vez mais evidências de que os ambientes urbanos que nos oferecem mais contato com a natureza reforçam nossa saúde cognitiva e bem-estar e aumentam nossa resiliência.

Ver todos os capítulos
Medium 9788582604915

Capítulo 6. Água é uma coisa terrível de se desperdiçar

Jonathan F. P. Rose Grupo A PDF Criptografado

CAPÍTULO

6

Água é uma coisa terrível de se desperdiçar

O Brasil ficou conhecido como a “Arábia Saudita da Água”: um oitavo da

água doce do mundo flui em seu território. Ainda assim, São Paulo, sua maior e mais pujante cidade, pode secar em breve. No outono de 2014, por até seis dias consecutivos, a cidade deixou de fornecer água a seus habitan1 tes; nada para beber, para dar a descarga ou para tomar banho. Nadinha.

O sistema hídrico de Cantareira caiu para 5,3% de sua capacidade. Logo quando a cidade estava prestes a reduzir o abastecimento de água para apenas dois dias por semana, uma longa e pesada série de chuvas em fevereiro elevou os níveis dos reservatórios para 9,5%. Mas as cidades não têm como prosperar vivendo tão perto dos limites de seu suporte metabólico.

Assim como a falta de energia elétrica na Índia, a crise hídrica de São

Paulo tem muitas causas. Ao longo da última década, o sudeste do Brasil vem passando por uma forte seca. São Paulo e seus subúrbios cresceram de forma prodigiosa, e agora precisam fornecer água para 20 milhões de pessoas. Contudo, a cidade não cuidou bem de sua infraestrutura: entre encanamentos com vazamento e furtos, estima-se que 30% de sua água são perdidos. São Paulo tampouco se planejou bem para seu futuro. Somente agora, em meio a uma crise, está propondo a construção de novos reservatórios e a elevação das contas de água para estimular a conservação.

Ver todos os capítulos
Medium 9788582604915

Capítulo 11. Prosperidade, igualdade e felicidade

Jonathan F. P. Rose Grupo A PDF Criptografado

CAPÍTULO

11

Prosperidade, igualdade e felicidade

Em 1930, John Maynard Keynes, um dos maiores economistas do século XX, escreveu um artigo extraordinário, “Economic Possibilities for Our

Grandchildren”, no qual ponderou sobre qual seria a natureza da economia e da qualidade de vida das pessoas dali a cem anos no futuro. Como o ano de 2030 não está mais tão distante, já podemos vislumbrar alguns de seus esboços. À luz do que já ocorreu, parte do que Keynes previu parece incrivelmente visionário, mas ele também deixou de antever boa parcela do que transcorreu ao longo do século XX.

Keynes nasceu em 1883, em Cambridge, Inglaterra. Ele cresceu imerso num ambiente de rigor acadêmico, filosofia moral e ativismo social. Seu pai lecionava economia na Universidade de Cambridge numa época em que a matéria era considerada parte de um sistema mais amplo de moralidade que remontava aos primeiros pensadores e escritores, incluindo Aristóteles, da

Grécia, Cautília, da Índia, e Qin Shi Huang, da China. A mãe de Keynes,

Ver todos os capítulos
Medium 9788582604915

Capítulo 4. A cidade de equilíbrio dinâmico

Jonathan F. P. Rose Grupo A PDF Criptografado

CAPÍTULO

4

A cidade de equilíbrio dinâmico

Quando o Duque de Zhou decidiu construir Chenzhou em 1036 a.C., cada aspecto filosófico, científico e religioso da cultura chinesa norteou sua missão: gerar harmonia entre a humanidade e a natureza. Ele não consultou seus súditos.

E quando Alexandre, o Grande, e Dinócrates decidiram construir Alexandria, eles também nutriam uma perspectiva singular para ela. Embora logo acabassem descobrindo que precisavam projetar uma cidade que funcionasse para os agricultores e também para os bibliotecários, eles estavam a sós no comando.

Mas o Duque de Zhou e Alexandre, o Grande, construíram suas cidades quanto tudo era mais simples. O século XXI é mais complexo e volátil; suas cidades são bem maiores e influenciadas por uma gama muito mais ampla da forças e tendências. Um ótimo planejamento urbano exige liderança; porém, hoje, exige também uma participação bem mais ampla.

As ferramentas limitadas de planejamento urbano de uso comum nos

Ver todos os capítulos

Visualizar todos os capítulos