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Capítulo 30 - O Desafio da Contemporaneidade

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O Desafio da

Contemporaneidade

A globalização na aurora do século XXI

Ao nos questionarmos sobre a arquitetura contemporânea, estamos fazendo uma pergunta impossível de responder, porque estamos dentro dela: estamos inseridos no desafio da contemporaneidade, ela

é o nosso presente, e é absolutamente impossível termos as certezas de outrora. Por isso, a revisão das posições atuais tem de ser mais crítica do que histórica, e a crítica atual, ao outorgar a primazia aos processos figurativos, elabora uma infinidade de categorias e classificações cada vez mais complexas. Vivemos presos em uma espessa rede de termos em constante transformação, que não busca subsistir mais do que o tempo fugaz imposto pelos modismos. Os ideais estéticos da modernidade foram substituídos por alguns ideais estéticos identificados com um jogo gramatical sem conteúdo.

Nesta era de individualismo coletivo e frenético entre os séculos XX e XXI, a arquitetura ocidental – que vimos nascer no presente eterno do laboratório egípcio – hoje se estende por todo o planeta.

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Capítulo 25 - A Cidade Moderna

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A Cidade Moderna

Os congressos internacionais de arquitetura moderna (CIAM)

O epicentro das principais elaborações teóricas sobre a arquitetura e o urbanismo funcionalista foi a reunião realizada em junho de 1928 no castelo suíço de La Sarraz, onde se afirma categoricamente que

“o urbanismo não deve ser determinado por considerações de ordem estética, e sim por dados ou preocupações de ordem funcional”.

O encontro de La Sarraz vem a se constituir no primeiro dos

Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna (CIAM), cujo programa de estudo e temática foi implicitamente definido pela análise sistemática dos distintos níveis de agregação, desde a habitação até cidade e, junto com esta, a relação de dois a dois entre suas distintas funções urbanas.

Em La Sarraz, o planejamento urbano ultrapassa a cidade e atinge os cidadãos, em cuja vida se distinguem três funções urbanas: a função residencial, o hábitat ou a habitação; a função laboral, o trabalho ou a empresa; e a função terciária, o ócio ou o lazer.

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Capítulo 17 - Escalas e Cenografias Barrocas

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Escalas e

Cenografias Barrocas

Michelangelo e o problema da escala

A escala dos deuses e a escala da casa do homem, a escala do móvel e a escala da cidade permitem estabelecer arquétipos de significação muito diferentes, onde a escala entra como dado para definir a qualidade e identidade do modelo imaginado e caracterizar sua arquitetura, através da correspondência entre as partes que o compõem e suas métricas respectivas.

De qualquer maneira, a escala humana envolve uma concepção especial do mundo; e analogamente o faz a escala monumental.

Por isso, no passado, algumas épocas e suas respectivas arquiteturas eram antropomórficas ou humanas, e outras eram hierárquicas e monumentais. Eram dois termos opostos de uma dialética sem conexão possível.

Porém, na Idade do Humanismo, as coisas começam a mudar, de forma que em certas ocasiões podem ser reconhecidas diferentes escalas em um mesmo edifício, como nas partes do Escorial, ou na comparação anterior entre São Pedro de Montorio e São Pedro do Vaticano.

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Capítulo 11 - A Cabana Cristã

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A Cabana Cristã

Relação entre igreja e cidade

Para definir um movimento arquitetônico, costuma-se considerar seus edifícios mais importantes. Porém, começar falando deles na

Idade Média seria absolutamente artificial, porque na época cada obra arquitetônica era considerada como parte e uma continuidade que se estendia no espaço e no tempo, não como um objeto abstrato e imutável. Como afirma Leonardo Benevolo, o resultado mais importante da experiência medieval é “a continuidade das modificações impressas no entorno”. O sistema unitário dessas modificações, ou seja, a cidade medieval, tem um significado preponderante sobre os edifícios concretos, ainda que estes sejam notáveis.

Enquanto a cabana clássica é uma construção isolada, a cabana cristã se combina com outras construções e se prolonga nelas, apresentando um caráter orgânico de expansão e articulação dos edifícios. Nas catedrais, nos monastérios, nos castelos e nas casas aparece o mesmo caráter, já que a importância do fator temporal se opõe ao sentido unívoco clássico.

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Capítulo 10 - A Civitas Dei Medieval

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A Civitas Dei Medieval

Realidade social e realidade urbana

Quando, em 410, Roma foi tomada e saqueada pelos bárbaros de

Alarico, o Império foi profundamente abalado. Os cristãos foram responsabilizados por essa decadência, e Santo Agostinho, bispo de

Hipona (354-430), saiu em defesa destes redigindo De civitatis Dei, obra grandiosa que define a redenção de Cristo e não a glória de

Roma como centro e chave de toda a história da humanidade. Por isso, perante a queda do Império, a Roma pagã deveria ser substituída por um novo império espiritual. “Desde o princípio dos tempos” – escreveu Santo Agostinho – “estão em constante luta duas cidades: a Jerusalém celeste e a Babilônia terrena; ambas andam misturadas no mundo, mas no final dos séculos será feita a separação, com o triunfo definitivo da cidade de Deus.”

Após a cidade dos homens, surge a cidade de Deus: a civitas

Dei. Este conceito idealista e platônico terá influência decisiva no mundo ocidental ao longo de toda a Idade Média, e dele partiremos para a definição e o estudo da cidade medieval.

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Capítulo 7 - A Cabana Clássica

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A Cabana Clássica

Da ordem à edificação

As primeiras manifestações conhecidas da arquitetura grega são pequenas cabanas construídas no campo ou em lugares sagrados relacionados aos deuses. Elas eram construções frágeis e, às vezes, desmontáveis, mas pertencem a uma tradição à qual a arquitetura clássica deve muito.

O templo grego que nasceu no século VII a.C. como evolução da mégaron micênica – uma simples sala retangular precedida de um pórtico de colunas – não tem as mesmas proporções do egípcio nem aquelas que terá o templo cristão. Construído para guardar uma imagem divina, ele apresenta, em geral, dimensões médias e exclui o altar de seu recinto, deixando-o no exterior.

Suas origens estão em uma plataforma horizontal ou estilobata

– quase sempre de planta retangular – sobre a qual se elevava uma caixa de paredes e uma cobertura ou telhado com duas águas que projetava ao exterior um triângulo ou frontão, rematando o prédio e recebendo uma decoração de esculturas.

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Capítulo 26 - A Linguagem Moderna

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A Linguagem Moderna

A revisão linguística

Se é verdade que no Movimento Moderno sua terminologia e seu território de atuação da arquitetura são duas coisas que caminham intimamente relacionadas, o mesmo não se dá com sua linguagem, que pode ser estudada de modo independente.

Perante a crise linguística determinada pela batalha entre os estilos do século XIX e devido à incessante invenção de motivos formais tão frequentes na cultura eclética e modernista, urgia encontrar uma linguagem que, por sua própria fundamentação, fugisse dos problemas anteriores. Assim, a arquitetura europeia da década de 1920 busca ansiosamente uma nova codificação estilística.

Durante todo o início do século XX, as vanguardas europeias se lançam nessa busca, e parece que é justamente nessas experiências e em suas contribuições pontuais que está a chave para uma linguagem que responda verdadeiramente às características de seu tempo e na qual, frente à contingência dos estilos do século XIX, se afirme um novo valor objetivo para a linguagem da arquitetura: uma nova objetividade. Assim, brotam do tronco do Cubismo vários grupos que aspiram à dedução de uma poética concreta e universalmente comunicável.

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Capítulo 18 - A Cidade Barroca

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A Cidade Barroca

Arquitetura e cidade

A arquitetura barroca é um grande cenário urbano que faz dialogar entre si todas as edificações e transfere as experiências das obras maiores às obras menores, em uma passagem gradual da arquitetura da cidade à arquitetura das edificações.

Se o século XIII havia estruturado a realidade urbana e territorial europeia, os séculos barrocos irão edificá-la: vão construir e dar forma a suas cidades, até nos legar, ao final do período, a imagem definitiva e consolidada da cidade histórica. Mantendo, na maioria das vezes, a estrutura territorial, o traçado urbano e os lotes preexistentes como permanências, pode-se dizer que toda a Europa renova sua edificação nos séculos XVII e XVIII de uma forma mais ou menos ligada ao barroco.

O barroco difunde e generaliza os princípios ideais do urbanismo renascentista, com certo caráter cenográfico, sacro e profano. A arquitetura, entendida como uma obra total, como um grande projeto que se torna realidade no tempo, antes concentrada nas igrejas e palácios, agora amplia seu domínio. A extensa lista de construções religiosas mantém um forte componente eclesial nas cidades; contudo, ao longo do período barroco começa um importante desenvolvimento da arquitetura secular, promotora tanto de novos edifícios de utilidade pública como de uma arquitetura residencial que estende capilarmente os conceitos e as formas barrocas.

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Capítulo 12 - O Românico, o Primeiro Estilo do Ocidente

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O Românico, o Primeiro

Estilo do Ocidente

A ideia de progresso no mundo ocidental

Os territórios ocidentais do antigo Império Romano são ocupados a partir dos séculos IV e V pelos reinos bárbaros do norte; a partir do século VIII precisam resistir à pressão dos árabes, que dominam a Espanha e passam para França e Itália; nos séculos IX e X são os vikings e os magiares que os perseguem no norte e no leste. Nas vésperas do ano 1000 parece que chega o fim da Europa, e um cronista do século X chega a exclamar desalentado: mundus senescit...

Porém, após a virada do milênio começa um movimento oposto de expansão. No final do século X há uma estabilização dos últimos povos invasores, que no século XIII entram em franca retirada em um processo geral de reconquista. No século XV, consolidam-se os primeiros estados modernos e começa a expansão rumo à América, seguida mais tarde do domínio de todo o planeta e pela conquista do espaço em um processo de expansão que não parou até hoje.

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Capítulo 23 - Vanguardas e Experimentalismos

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Vanguardas e

Experimentalismos

Os novos problemas e as novas respostas

Na transição da Revolução Industrial para a nossa contemporaneidade surgem novos problemas que trazem consigo respostas diferentes e únicas, cujo conjunto leva a uma desagregação dos nexos morfológicos tradicionais em todos os campos.

No início do século XX, as mudanças culturais e científicas colocam em crise a física clássica, mecanicista e determinista própria dos séculos XVIII e XIX. A teoria da relatividade de Einstein, o princípio de indeterminação de Heisenberg, a nova decomposição atômica dos corpos, a crise das geometrias euclidianas, entre outras coisas, abalam essa sensação típica do século XIX de progresso infinito e abrem uma nova etapa cultural e, por isso, arquitetônica.

Era uma época de dúvidas, mas ao mesmo tempo de afirmação de novos modelos universais, os quais abrem, na ciência, caminhos imprevistos sobre bases antimecânicas e aleatórias; que na técnica dá lugar a uma segunda e a uma terceira era da máquina que chega até a conquista do espaço; que em sociopolítica vai da decadência do Ocidente até a superestrutura para o equilíbrio mundial que é a

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Capítulo 5 - O Território da Arquitetura Clássica

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O Território da

Arquitetura Clássica

As contribuições gregas

Imhotep, o arquiteto de Sakkara, era chanceler do rei, juiz supremo, superintendente dos arquivos reais, chefe das obras reais, supervisor das dádivas do Céu, da Terra e do Nilo e protetor do país.

Mil e quinhentos anos depois, Senenmut ainda era o grande administrador das propriedades de Amon, gestor das posses reais, chefe do tesouro real e gerente de obras da corte.

No Egito e em toda a Antiguidade pré-clássica tanto o homem quanto as coisas que o cercavam eram considerados como seres naturais que formavam parte do cosmos e aos quais se aplicavam de modo genérico as concepções cósmicas, atendendo mais a critérios e tradições religiosas do que a estudos filosóficos ou científicos.

Já na Grécia clássica do século V a.C. a consideração filosófica muda de orientação: na passagem do mythos ao logos se deixam de lado os problemas divinos e se foca no homem e no humano. Por isso, apesar da filiação da cultura clássica à egípcia, o arquiteto grego já não será nenhuma daquelas coisas que era seu homólogo egípcio, mas centrará sua atenção na arquitetura, considerando-a como um território próprio separado dos demais.

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Capítulo 27 - Auge e Esplendor da Arquitetura Moderna

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Auge e Esplendor da

Arquitetura Moderna

A historicidade do Movimento Moderno

No século XVI, Giorgio Vasari propôs uma interpretação progressiva da história, que não apenas serve para a compreensão global do fenômeno do humanismo, como também para a compreensão da arquitetura moderna. Apoiando-nos nela, podemos articular a sequência histórica do Movimento Moderno e, consequentemente, desenvolver o estudo da linguagem arquitetônica da modernidade.

Assim, geralmente se fala de uma primeira, uma segunda e uma terceira geração de arquitetos modernistas, em uma épica do modernismo que se inicia com os denominados pioneiros e culmina com os mestres do Movimento Moderno.

Além das contribuições das diversas vanguardas artísticas dos experimentos de Frank Lloyd Wright (1869-1959) em Chicago ou de Hermann Muthesius (1861-1927) e Peter Behrens (1869-1940) na Werkbund, na formação da arquitetura moderna se destacam como antecedentes os derivados da faceta protorracionalista de

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Capítulo 20 - A Composição Arquitetônica

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20

A Composição

Arquitetônica

A composição básica:

Durand e suas lições de arquitetura

Reagindo às insuficiências da tipologia como estrutura platônica ou idealista para a arquitetura, Durand recorre a ideais aristotélicos como a busca das causas e a redução dos fenômenos a um pequeno número de princípios explicativos.

Discípulo de Boullée, Jean-Nicolas-Louis Durand (17601834) pertence à geração napoleônica que institucionaliza o processo revolucionário. Dirigindo até 1800 a nova École Polytechnique, Durand enfrenta o problema do ensino arquitetônico como um problema social novo, cuja resposta pedagógica, suas leçons d’architecture, deve proporcionar ao estudante um método de projeto e construção para qualquer circunstância (Figura 20.1).

Trata-se de um método e não de um tipo, pois a arquitetura deixa de querer refletir tipos ideais para passar a aplicar o rigor do método científico aos programas edificatórios; um método baseado na composição como momento-chave no qual a razão age sem in2ª parte

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Capítulo 14 - O Renascimento

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O Renascimento

O conceito de renascimento

Com o enfraquecimento dos controles racionais do sistema escolástico e algébrico, o repertório estilístico da arquitetura gótica se amplia extraordinariamente, mas a falta de disciplina prejudica, no longo prazo, o processo compositivo.

Como na escolástica tardia, o ponto de partida fica oculto pela excessiva carga de deduções acumuladas. Pois, como afirma

Leonardo Benevolo: “Se os últimos desenvolvimentos do pós-gótico são interrompidos pela difusão do classicismo italiano, é porque o classicismo traz justamente o que falta à cultura do pós-gótico: um novo método de controle geral capaz de satisfazer as necessidades da sociedade na Idade Moderna”.

Este novo método de controle é sustentado não tanto no pensamento algébrico – que tanto no mundo islâmico quanto no mundo cristão medieval pressupora uma avançada estrutura mental –, mas no retorno a uma estrutura mais simples de conhecimento, ao conhecimento próprio da Antiguidade clássica (geométrico e aritmético), ainda que tal retrocesso deva ser entendido como um meio de retomada para um novo impulso progressista, como se demonstrará nos séculos XVII e XVIII.

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Capítulo 6 - Ordem e Linguagem

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Ordem e Linguagem

O conceito de ordem

A contribuição inicial da arquitetura grega – como já mencionamos

– é a delimitação de seu território próprio. Pois bem, essa contribuição vai permitir compreender a arquitetura, como as outras artes, quase como se fosse uma ciência. Aqui se origina a distinção entre as artes (arquitetura, escultura, pintura, etc.) que se consideram categorias permanentes e absolutas da atividade humana.

Para qualquer uma delas se supõe que existam algumas regras objetivas, análogas às leis da natureza, e que o valor de cada obra particular consiste em se adequar a elas. Na pintura ou na escultura, essa lei é denominada cânone: cânone de Policleto, cânone de Lisipo, etc.

Em arquitetura, essas regras são conhecidas pelo nome de ordem.

Cânone e ordem são categorias abstratas. A transferência da ordem (abstrata, ideal) às ordens (concretas, reais) se verifica – como veremos a seguir – através da construção arquitetônica, que dá lugar à ordem dórica, à ordem jônica, etc.

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