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Prefácio

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Prefácio

Este estudo tem por objetivo analisar o lugar e o valor da classe do lazer enquanto fator económico na vida moderna, mas revelou-se impraticável confinar a análise estritamente aos limites assim traçados. Houve, deste modo, a necessidade de considerar a origem e a linha de evolução da instituição, bem como as características da vida social que não são habitualmente classificadas como económicas.

Em alguns pontos, a análise parte de noções da teoria económica ou da generalização etnológica que podem ser pouco familiares. O capítulo de introdução explica a natureza destas premissas de modo a evitar, assim se espera, a obscuridade. Uma afirmação mais explícita da posição teórica subjacente encontra-se numa série de artigos publicada no Volume IV do American Journal of

Sociology, sobre «The Instinct of Workmanship and the

Irksomeness of Labour», «The Beginnings of Ownership» e «The Barbarian Status of Women». Mas a argumentação não repousa nestas generalizações — em parte novas — de tal forma que perdesse por completo o seu possível valor como artigo de teoria económica no caso de estas novas generalizações não terem, no entender do leitor, validade, por insuficiência de autoridade ou dados.

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Capítulo 2 Emulação Pecuniária

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Capítulo 2

Emulação Pecuniária

Na sequência da evolução cultural, a emergência de uma classe do lazer coincide com o início da propriedade.

Não podia ser de outro modo, uma vez que estas duas instituições resultam do mesmo conjunto de forças económicas. Na fase incipiente do seu desenvolvimento, são apenas aspetos diferentes dos mesmos factos gerais da estrutura social.

É enquanto elementos de estrutura social – factos convencionais – que o lazer e a propriedade são questões relevantes para o propósito deste livro. Uma negligência habitual do trabalho não constitui uma classe do lazer; nem o facto mecânico do uso e do consumo constitui a propriedade. Assim, o presente estudo não se debruça sobre o começo da indolência nem sobre o começo da apropriação de artigos úteis para consumo individual.

A questão que aqui se analisa é a origem e a natureza de uma classe do lazer convencional, por um lado, e o início da propriedade individual como direito convencional ou como justa reivindicação, por outro.

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Veblen e a Economia Política Institucionalista Jorge Bateira

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Veblen e a Economia Política

Institucionalista

Jorge Bateira(*)

Thorstein Veblen (1857-1929) é justamente considerado o fundador do pensamento institucionalista na Economia.

A Teoria da Classe do Lazer – Um Estudo Económico das

Instituições (1899) – de agora em diante uso o acrónimo

TCL – foi o seu primeiro livro, uma publicação que não deixou indiferente o meio académico e a intelectualidade norte-americana do início do século xx. Nesta obra, Veblen sistematiza elementos centrais do seu pensamento que já tinha introduzido, embora de forma menos elaborada, em artigos científicos anteriores. Na TCL encontramos uma análise original do capitalismo em que as instituições ocupam um lugar central, um programa de investigação a que Veblen dedicou toda a sua vida. A obra de

Veblen está na origem de uma escola do pensamento económico que teve grande relevo nos EUA entre as

Grandes Guerras e que, após a Segunda Grande Guerra,

(*)  PhD pela Universidade de Manchester, ex-docente de Economia

Política Internacional na FEUC.

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Capítulo 1 Introdução

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Capítulo 1

Introdução

A instituição de uma classe do lazer encontra-se na sua melhor forma nos estádios mais avançados da cultura bárbara, como, por exemplo, na Europa feudal ou no

Japão feudal. Em tais comunidades, a distinção entre classes é rigorosamente observada, e a característica com maior importância económica nessas diferenças sociais é a distinção entre as ocupações próprias das várias classes.

As classes altas estão tradicionalmente isentas ou excluídas das ocupações produtivas, cingindo-se a atividades com um certo prestígio associado. A ocupação mais prestigiada de todas, em qualquer comunidade feudal, é a guerra, e o serviço religioso surge habitualmente em segundo lugar.

Quando a comunidade bárbara não é especialmente vocacionada para a guerra, a função sacerdotal pode ser a de maior prestígio, vindo as armas em segundo lugar. Mas a regra, com raras exceções, é que os membros das classes altas, sejam eles guerreiros ou sacerdotes, estejam livres das ocupações produtivas, e esta é a expressão económica do seu estatuto superior. A Índia brâmane fornece-nos uma boa ilustração de como estas duas classes se encontram isentas do trabalho produtivo. Nas comunidades da cultura bárbara mais avançada verifica-se uma clara

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Capítulo 3 Lazer Conspícuo

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Capítulo 3

Lazer Conspícuo

Se o seu funcionamento não fosse perturbado por outras forças económicas ou outras características do processo emulativo, o efeito imediato de um esforço pecuniário como aquele que foi descrito em traços gerais seria tornar os homens diligentes e frugais. Com efeito, este resultado ocorre, até certo ponto, nas classes desfavorecidas, cuja forma habitual de obter bens é o trabalho produtivo. Tal

é especialmente o caso das classes trabalhadoras numa comunidade sedentária que se encontra num estádio agrícola da produção, em que se verifica uma considerável subdivisão da produção, e cujas leis e costumes asseguram

às referidas classes uma parcela mais ou menos definida do produto da sua atividade. Estas classes desfavorecidas não podem evitar o trabalho, pelo que a imputação do trabalho não é muito depreciativa para estas pessoas, pelo menos dentro dos limites da sua classe. E uma vez que o trabalho é o seu modo de vida reconhecido e aceite, elas retiram um certo prazer emulativo da reputação de serem eficientes no que fazem, sendo esta muitas vezes a linha de emulação ao seu alcance. Entre aqueles para quem a aquisição e a emulação só são possíveis no âmbito da eficiência produtiva e da frugalidade, a luta pela boa

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