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7 AÍ VEM O REI!

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Universalismo e Nacionalismo: Desponta o Sentimento Nacional.

A Burguesia Sustenta o Rei.

Decadência das Grandes Corporações.

A Igreja e a Reforma.

Se este livro fosse escrito no século X ou XI teria sido muito mais fácil para o autor. Grande parte do material aqui exposto é baseado no estudo de escritores muito antigos, frequentemente em língua estrangeira – latim, francês antigo ou moderno, alemão antigo ou moderno. O historiador medieval, porém, folheando os documentos do passado, verificaria serem todos escritos na língua que melhor conhecia – o latim. Não faria diferença nenhuma se ele morasse em Londres, Paris, Hamburgo, Amsterdã ou Roma. O latim era a língua universal dos eruditos. As crianças naquela época não estudavam inglês, alemão, holandês ou italiano. Estudavam latim. Falava-se inglês, alemão etc., mas essas línguas só mais tarde passaram a ser escritas. O monge espanhol com sua Bíblia na Espanha lia as mesmas palavras latinas que eram lidas pelos monges de um mosteiro inglês.

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13 “A VELHA ORDEM MUDOU…”

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Só os Pobres Pagavam Impostos.

O Progresso Abre os Olhos do Camponês.

A Revolução Francesa. A Burguesia: Quem Era?

A Burguesia Lidera, Camponeses e Trabalhadores Lutam.

O Código Napoleônico, Vitória Burguesa.

Que pensaria o leitor de um governo que taxasse os pobres, mas não os ricos? Totalmente louco, seria seu primeiro pensamento; refletindo, poderia ocorrer-lhe que, de certa forma, é o que o governo dos Estados Unidos está fazendo hoje. Haverá naturalmente muita gente para discordar disso – gente que procuraria provar que os ricos nos EUA pagam uma proporção de impostos mais do que justa. Mas quanto ao fato de que o governo francês do século XVIII realmente cobrava impostos dos pobres, e não dos ricos, não pode haver discordância.

E não pode haver porque as próprias classes privilegiadas admitiam estar isentas praticamente de todas as taxas da época. O clero e a nobreza julgavam que seria o fim do país se, como a gente comum, tivessem de pagar impostos. Quando o governo da França estava em má situação financeira, com as despesas se acumulando rapidamente e deixando muito longe a receita, ocorreu a alguns franceses que a única saída dessa dificuldade era cobrar impostos dos privilegiados. Turgot, ministro das Finanças em 1776, tentou pôr em prática algumas reformas – muito necessárias – do sistema fiscal. Mas os privilegiados não queriam saber disso. Cerraram fileiras em torno do Parlamento de Paris, que assim definiu, claramente, sua posição: “A primeira regra da justiça é preservar a alguém o que lhe pertence: essa regra consiste não apenas na preservação dos direitos de propriedade, mas ainda mais na preservação dos direitos da pessoa, oriundos de prerrogativas de nascimento e posição… Dessa regra de lei e equidade segue-se que todo sistema que, sob a aparência de humanitário e beneficente, tenda a estabelecer igualdade de deveres e destruir as distinções necessárias, levará dentro em pouco à desordem (resultado inevitável da igualdade) e provocará a derrubada da sociedade civil. A monarquia francesa, pela sua constituição, é formada de vários Estados distintos. O serviço pessoal do clero é atender às funções relacionadas com a instrução e o culto. Os nobres consagram seu sangue à defesa do Estado e ajudam o soberano com seus conselhos. A classe mais baixa da nação, que não pode prestar ao rei serviços tão destacados, contribui com seus tributos, sua indústria e seu serviço corporal. Abolir essas distinções é derrubar toda a constituição francesa.”1

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5 O CAMPONÊS ROMPE AMARRAS

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Modifica-se a Situação do Camponês,
que Começa a Ser Dono da Terra.

Novo Regime de Trabalho. As Revoltas Camponesas.

Uma das modificações mais importantes foi a nova posição do camponês. Enquanto a sociedade feudal permanecia estática, com a relação entre senhor e servo fixada pela tradição, foi praticamente impossível ao camponês melhorar sua condição. Estava preso a uma camisa de força econômica. Mas o crescimento do comércio, a introdução de uma economia monetária, o crescimento das cidades proporcionaram-lhe meios para romper os laços que o prendiam tão fortemente.

Quando surgem cidades nas quais os habitantes se ocupam total ou principalmente do comércio e da indústria, passam a ter necessidade de obter do campo o suprimento de alimentos. Surge, portanto, uma divisão do trabalho entre cidade e campo. Uma se concentra na produção industrial e no comércio, o outro na produção agrícola para abastecer o crescente mercado representado pelos que deixaram de produzir o alimento que consomem. Em toda a História o crescimento do mercado constitui sempre um tremendo incentivo ao crescimento da produção. Mas como é possível aumentar a produção agrícola? Há duas formas. Uma é o desenvolvimento intensivo, que significa obter maiores resultados da mesma terra, com maiores plantações, melhores métodos agrícolas e, de modo geral, através de um trabalho mais intensivo e mais científico. A outra é pela extensão da cultura, que significa simplesmente abrir novas terras que não tenham ainda sido cultivadas. Ambos os métodos foram empregados então.

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12 DEIXEM-NOS EM PAZ!

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Revolta contra o Mercantilismo.

A Doutrina do Laissez-faire. Os Fisiocratas.

O Conceito de Renda Nacional. O Comércio Livre.

Mil setecentos e setenta e seis foi um ano de revolta. Ano notável. Aos norte-americanos, ele lembra a Declaração da Independência, a revolta contra a política colonial mercantilista da Inglaterra; aos economistas de todo o mundo, lembra a publicação da A riqueza das nações, de Adam Smith – súmula da nascente rebelião contra a política mercantilista – restrição, regulamentação, contenção. Um número cada vez maior de pessoas discordava da teoria e da prática mercantilistas. Não concordava porque sofria com elas. Os comerciantes queriam uma parte dos enormes lucros das companhias monopolizadoras privilegiadas. Quando tentaram participar delas, foram excluídos como intrusos. Os homens que tinham dinheiro desejavam usá-lo como, quando e onde lhes aprouvesse. Queriam aproveitar todas as oportunidades proporcionadas pela expansão da indústria e do comércio. Sabiam o poder que lhes dava o capital e desejavam exercê-lo livremente. Estavam cansados do “podem fazer isso, não podem fazer aquilo”. Estavam fartos das “Leis contra… Impostos sobre… Prêmios para…” Queriam o comércio livre.

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21 A RÚSSIA TEM UM PLANO

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A Revolução Russa.

Lênin e a Arte da Revolução.

Coletivo, em Vez de Individual.

Os Grandes Problemas Econômicos da Rússia.

Planejamento Nacional Socialista.

O Comércio Externo e o Monopólio Estatal.

Dezessete anos antes do fim do século XIX, Karl Marx morria. Dezessete anos após o início do século XX, Karl Marx tornava a viver.

O que com Marx era teoria foi posto em prática por seus discípulos – Lênin e outros bolcheviques russos – ao tomarem o poder em 1917. Antes disso, os ensinamentos de Marx eram conhecidos de um pequeno grupo de dedicados adeptos. Posteriormente eles atraíram a atenção de todo o mundo. Antes daquela época os comunistas apenas podiam prometer que sua teoria, se posta em prática, criaria um mundo novo e melhor; depois dela poderiam apontar para um sexto da superfície da Terra e dizer: “Eis aí. Vejam. Funciona.”

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6 “E NENHUM ESTRANGEIRO TRABALHARÁ…”

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Modifica-se Também a Indústria.

Surge o Artesanato Profissional.

O Regime das Corporações. O Justo Preço.

O Burguês Começa a Substituir o Senhor Feudal.

Também a indústria se modificara. Anteriormente, era realizada na casa do próprio camponês, qualquer que fosse seu gênero. A família precisava de móveis? Não se recorria ao carpinteiro para fazê-los, nem eram comprados numa loja da rua do comércio. Nada disso. A própria família do camponês derrubava a madeira, limpava-a, trabalhava-a até ter os móveis de que necessitava. Precisavam de roupa? Os membros da família tosquiavam, fiavam, teciam e costuravam – eles mesmos. A indústria se fazia em casa, e o propósito da produção era simplesmente o de satisfazer as necessidades domésticas. Entre os servos domésticos do senhor havia os que se ocupavam apenas dessa tarefa, enquanto os outros trabalhavam no campo. Nas casas eclesiásticas também havia artesãos que se especializavam numa arte, e com isso se tornavam bastante hábeis em suas tarefas de tecer ou de trabalhar na madeira ou no ferro. Mas isso nada tinha da indústria comercial que abastece um mercado – era simplesmente um serviço para atender às necessidades de casa. O mercado tinha de crescer, antes que os artesãos, como tais, pudessem existir em suas profissões isoladas.

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14 DE ONDE VEM O DINHEIRO?

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Dinheiro que É Capital e Dinheiro que Não É.

O Capital e os Meios de Produção.

Como os Impérios Acumulam Capital para a Indústria Moderna.

Novas Formas de Produção, Nova Religião.

Dois homens esperam na fila para comprar entradas para o espetáculo. Cada um paga $9,90 por três poltronas. Ao se afastar da bilheteria, um deles se reúne a seus dois amigos. Entram no teatro, sentam-se e esperam que o pano se levante. O outro homem deixa a bilheteria, coloca-se na calçada em frente ao teatro e, com as entradas na mão, aborda os transeuntes. “Quer um lugar no centro para hoje?” – pergunta. Pode ser que acabe vendendo as entradas (por $4,40 cada) ou pode ser que não venda. Não importa.

Há alguma diferença entre os seus $9,90 e os do outro homem? Há, sim. O dinheiro do Sr. Cambista é capital, o dinheiro do Sr. Frequentador do Teatro, não. Onde está a diferença?

O dinheiro só se torna capital quando é usado para adquirir mercadorias ou trabalho com a finalidade de vendê-los novamente, com lucro. O Cambista não queria ver o espetáculo. Pagou $9,90 com a esperança de tê-los de volta – com acréscimo. Portanto, seu dinheiro tinha a função de capital. O Sr. Frequentador do Teatro, por outro lado, pagou seus $9,90 sem pensar em consegui-los de volta – simplesmente desejava ver o espetáculo. Seu dinheiro não tinha a função de capital.

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8 “HOMEM RICO…”

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A Desvalorização da Moeda pelos Reis.

Acumulação de Ouro e Prata.

As Grandes Viagens e Descobertas.

A Revolução Comercial. Os Grandes Banqueiros.

Quando o presidente dos Estados Unidos, às três e dez da tarde de 31 de janeiro de 1934, assinou uma proclamação decretando que o número de grãos de ouro num dólar fosse reduzido de 25 8/10 para 15 5/21, estava seguindo um velho costume espanhol. Era também um velho costume inglês, francês e alemão. A desvalorização da moeda é um recurso que tem séculos de idade. Os reis da Idade Média que desejavam ter o dom de Midas, de transformar tudo em ouro, recorriam à desvalorização da moeda como substitutivo adequado para conseguir dinheiro.

Quando o presidente Roosevelt reduziu a percentagem de ouro do dólar, seu objetivo primordial foi o de elevar os preços. O fato de que essa redução tivesse dado ao Tesouro dos Estados Unidos um lucro de cerca de 2 bilhões e 150 milhões de dólares foi apenas incidental. Para os reis da Idade Média, porém, o objetivo principal era o lucro. Não queriam elevar os preços, mas estes se elevavam assim mesmo, devido à desvalorização.

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23 UM ADMIRÁVEL MUNDO NOVO?

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MARCIA GUERRA

A Expansão do Capitalismo Americano após a Segunda Guerra Mundial.

O Consumo de Massas se Estenderá a Todo o Planeta?

O Comunismo ou os Comunismos em Expansão.

O mundo que Huberman nos descreveu nas páginas anteriores mudou muito de 1936 até hoje. Nestes mais de 70 anos a tecnologia, os padrões de consumo, os de comunicações de massa, de organização política e partidária tornaram-se quase irreconhecíveis. Vejam só: a Europa deixou de ocupar o lugar central na cena internacional; a União Soviética, que representava para ele, e para muitos, a materialização do sonho de uma sociedade mais justa e fraterna, capaz de conduzir-nos ao comunismo, também deixou de existir, assim como foram por terra outras experiências de implantação do socialismo surgidas no pós-guerra; os antigos impérios coloniais inglês, francês, holandês, belga e português desapareceram e deram origem a novos países independentes na África e na Ásia. Os Estados Unidos, que substituíram a Europa no papel de centro econômico, político, militar e cultural do ordenamento mundial, fizeram valer a sua visão de mundo: individualismo, consumismo e imediatismo. Este novo padrão foi acompanhado pela capacidade fenomenal de inovação e geração de riqueza por parte do capital, que brindou o mundo contemporâneo com uma quantidade antes impensável de mercadorias que vieram, todavia, acompanhadas de um nível de intervenção na natureza tão intenso que gerou um novo campo de preocupações para a economia e para a humanidade – a sustentabilidade do planeta. Problemas como a poluição, o aquecimento global ou o desaparecimento de numerosas espécies da flora e da fauna não eram ainda sentidos pelos homens e mulheres que viviam nos anos 1930. O que não quer dizer que naquela época eles achassem a vida boa.

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22 DESISTIRÃO ELES DO AÇÚCAR?

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Pobreza em Meio à Abundância.

O Planejamento Capitalista, Suas Características.

O Obstáculo: a Propriedade Privada.

Oposição à Economia Nacionalmente Planificada.

A Coordenação Central Capitalista: Fascismo.

Fascismo e Guerra.

O mundo ocidental defrontou-se ostensivamente com o paradoxo da pobreza em meio à abundância.

O que fazer?

Alguma coisa devia ser feita para trazer de volta à ordem o caos gerado pelo colapso do capitalismo. O colapso foi total – viu-se esmagada a estrutura de crédito, paralisada a indústria, milhões ficaram desempregados, arruinados os fazendeiros e a pobreza imperava em meio a muitos – claro, lógico que alguma coisa tinha que ser feita. O antigo sistema baseava-se no Laissez-faire; o antigo sistema estava esmagado. Exigiam-se mudanças. Em vez do Laissez-faire – organização e controle organizado. A vida econômica, deixada à sua própria sorte, terminara em desastre. Não devia mais continuar entregue a si. Tinha que ser tomada pela mão e orientada.

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1 SACERDOTES, GUERREIROS E TRABALHADORES

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O Trabalho na Idade Média.

O Sistema Agrícola. O Servo e o Senhor.

A Situação da Nobreza, da Realeza e do Clero.

Os diretores dos filmes antigos costumavam fazer coisas estranhas. Uma das mais curiosas era seu hábito de mostrar as pessoas andando de carro, depois descerem atabalhoadamente e se afastarem sem pagar ao motorista. Rodavam por toda a cidade, divertiam-se ou se dirigiam a seus negócios, e isso era tudo. Sem ser preciso pagar nada. Assemelhavam-se em muito à maioria dos livros da Idade Média, que, por páginas e páginas, falavam de cavaleiros e damas, engalanados em suas armaduras brilhantes e vestidos alegres, em torneios e jogos. Sempre viviam em castelos esplêndidos, com fartura de comida e bebida. Poucos indícios há de que alguém devia produzir todas essas coisas, que armaduras não crescem em árvores e que os alimentos, que realmente crescem, têm que ser plantados e cuidados. Mas assim é. E, tal como é necessário pagar por uma corrida de táxi, assim alguém, nos séculos X a XII, tinha que pagar pelas diversões e coisas boas que os cavaleiros e as damas desfrutavam. Também alguém tinha que fornecer alimentação e vestuário para os clérigos e padres que pregavam, enquanto os cavaleiros lutavam. Além desses pregadores e lutadores existia, na Idade Média, um outro grupo: os trabalhadores. A sociedade feudal consistia nessas três classes – sacerdotes, guerreiros e trabalhadores, sendo que o homem que trabalhava produzia para ambas as outras classes, eclesiástica e militar. Isso era muito claro, pelo menos para uma pessoa que viveu naquela época, e que assim comentou o fato:

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17 “LEIS NATURAIS” DE QUEM?

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As Leis Naturais da Economia Clássica.

A Economia Individual e a Economia da Sociedade.

O Malthusianismo.

Ricardo e o Valor do Trabalho.

As coisas caem para baixo, e não para cima. O leitor sabe o que lhe aconteceria se pulasse da janela. Os físicos nos fizeram um favor ao explicar isso. Newton formulou a lei da gravidade, uma de uma série de leis naturais que, segundo nos informam, descreve o universo físico. O conhecimento dessas leis naturais nos permite planejar nossas ações e atingir um objetivo desejado. Agir na ignorância delas ou sem levá-las em conta pode ter más consequências.

Do mesmo modo os economistas da época da Revolução Industrial desenvolveram uma série de leis que, diziam, eram tão válidas para o mundo social e econômico como as leis dos cientistas para o mundo físico. Formularam uma série de doutrinas que eram as “leis naturais” da Economia. Estavam convencidos de suas verificações. Não discutiam se as leis eram boas ou más. Não havia por que discutir. Suas leis eram fixas, eternas. Se os homens fossem inteligentes e agissem de acordo com os princípios que expunham, muito bem; mas se não, se agissem sem respeito às suas leis naturais, sofreriam as consequências.

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24 DA EXPANSÃO À CRISE: A HISTÓRIA INSISTE EM CONTINUAR

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MARCIA GUERRA

A Prosperidade não Será para Todos.

Reafirmando o Valor Positivo da Desigualdade e da
Competição Desenfreada: o Mercado Volta a Ser o Rei.

Sob a Nova Ordem Neoliberal: Elevar os Lucros Fazendo
Aumentar a Desigualdade.

O Colapso do Mundo Socialista: o Gigante Soviético vai ao Solo.

E a História Continua.

Poucos momentos da história podem ser tão adequadamente descritos como “tempos de prosperidade” quanto o período que se estende da década de 1940 até o início da década de 1970. Não apenas a acumulação de capital avançou, em escala global, com um vigor imprevisto e sem precedentes – com as recessões suavizadas pela mediação do Estado –, como as sociedades socialistas e pós-coloniais percebiam-se vivendo melhor do que no passado, seja pelo acesso às novas tecnologias, aos novos serviços e bens, seja pela importância relativa de que passaram a desfrutar.

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10 PRECISA-SE DE TRABALHADORES — CRIANÇAS DE DOIS ANOS PODEM CANDIDATAR-SE

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Expansão do Mercado.

O Intermediário e o Industrial Incipiente.

Reação das Corporações. Os Três Sistemas de Produção.

A expansão do mercado. Repita a frase várias vezes, na ponta da língua. Grave-a em seu cérebro. É uma chave importante para a compreensão das forças que produziram a indústria capitalista tal como a conhecemos.

Produzir mercadorias para um mercado pequeno e estável, onde o produtor fabrica o artigo para o freguês que vem ao seu local de trabalho e lhe faz uma encomenda, é uma coisa. Mas produzir para um mercado que ultrapassou os limites de uma cidade, adquirindo um alcance nacional ou mais, é outra coisa inteiramente diferente. A estrutura das corporações destinava-se ao mercado local; quando este se tornou nacional e internacional, a corporação deixou de ter utilidade. Os artesãos locais podiam entender e realizar o comércio de uma cidade, mas o comércio mundial era coisa totalmente diversa. A ampliação do mercado criou o intermediário, que chamou a si a tarefa de fazer com que as mercadorias produzidas pelos trabalhadores chegassem ao consumidor, que podia estar a milhares de quilômetros de distância.

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11 “OURO, GRANDEZA E GLÓRIA”

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O que Faz a Riqueza de um País? Acumulação de Tesouros.

Estímulo à Indústria. Migração de Trabalhadores.

Riqueza pelo Transporte Marítimo. Colônias.

A Política Mercantilista.

O que é que torna rico um país? O leitor tem alguma sugestão? Faça uma lista desses elementos e veja se correspondem ao que pensavam os homens inteligentes dos séculos XVII e XVIII. Estavam eles muito interessados no assunto porque pensar em termos de um Estado nacional, de todo um país em vez de uma cidade, apresentava novos problemas. Era preciso considerar não o que seria melhor para a cidade de Southampton ou a cidade de Lyon ou a cidade de Amsterdã, mas o que seria melhor para a Inglaterra, a França ou a Holanda. Queriam transferir para o plano nacional os princípios que haviam tornado as cidades ricas e importantes. Tendo organizado o Estado político, voltaram suas atenções para o Estado econômico. As coisas que escreveram e as leis que defenderam tinham, todas, um conteúdo nacional. Os governos aprovaram leis que, no seu entender, trariam riqueza e poder a toda a nação. Na busca de tal objetivo, mantinham o olho em todos os aspectos da vida diária e modificavam, moldavam e regulavam todas as atividades de seus súditos. As teorias expressas e as leis baixadas foram classificadas pelos historiadores como “sistema mercantil”. Na verdade, porém, não constituíam um sistema. O mercantilismo não era um sistema no atual sentido da palavra, mas antes diversas teorias econômicas aplicadas pelo Estado em um momento ou outro, num esforço para conseguir riqueza e poder. Os estadistas ocupavam-se do problema não porque lhes agradasse pensar nele, mas porque seus governos estavam sempre extremamente interessados na questão – sempre quebrados e precisando de dinheiro. O que torna rico um país não era, portanto, uma pergunta ociosa. Era coisa real. E tinha de ser respondida.

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