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29. Richard Rorty, Jürgen Habermas e o tema da verdade

Ghiraldelli Jr., Paulo Editora Manole PDF Criptografado

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Richard Rorty,

Jürgen Habermas e o tema da verdade

R

orty está convencido de que Davidson está certo quando diz que o que há em mãos para qualquer deliberação de manter uma frase ou uma teoria como verdadeira, diante de alguma pressão em contrário, é o cálculo de custos e benefícios levando em conta a lógica, no caso, tudo que se explica acima sobre a convenção-T.

Todavia, para Rorty, isso não é tudo – é um mínimo.

Ou seja, para Rorty, não há que se recorrer, em um patamar mínimo de possibilidades de justificação, senão à capacidade que cada um tem de dizer: convém manter esse enunciado X e/ou a teoria Y porque no jogo de prós e contras tal atitude é mais confortável na medida em que a manutenção dela(s) não traz contradições insuportáveis, enquanto o contrário, ou seja, o abandono de X e/ou Y traz contradições insuportáveis. Mas isso em um patamar mínimo. E isso não é, ao contrário do que à primeira vista possa parecer, uma teoria coerentista da verdade e sim, o aperfeiçoamento pragmatista de uma tal postura coerentista. Por quê?

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Medium 9788530981679

MEDICINA E ECONOMIA NACIONAL-SOCIALISTA

João Ricardo Moderno Grupo Gen PDF Criptografado

MEDICINA E ECONOMIA

NACIONAL-SOCIALISTA

A Darcy do Nascimento Moderno e Aleksander Henryk Laks, in memoriam, o primeiro por ter lutado na Itália contra o nazismo, e o segundo por ter sobrevivido a Auschwitz.

Hitler, desde a sua inscrição no Partido dos Trabalhadores Alemães

(Deutsche Arbeitpartei), em 1919, e principalmente ao assumir a presidência em 1920, quando muda o nome do partido para aquele pelo qual seria conhecido pela história, Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP, Nationalsozialistische

Deutsche Arbeiterpartei), sempre considerou que a política a ser implantada na Alemanha e na Grande Alemanha deveria ser uma política de “saúde pública” racial. Com efeito, diz ele: “não creiam que se possa combater uma doença sem matar o organismo que é a causa, sem destruir o bacilo. Não acreditem que se pode combater a tuberculose racial sem fazer com que o povo se livre do micróbio que é a causa da tuberculose racial. Enquanto não eliminarmos o agente causal, o judeu, de nosso seio, a influência nociva da judiaria não desaparecerá, e o envenenamento do povo continuará”.1

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Medium 9788582603628

Capítulo 5 - Você, Eu e Nós Neste Mundo Conturbado

Henry Mintzberg Grupo A PDF Criptografado

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5. VOCÊ,

EU E NÓS

NESTE

MUNDO

CONTURBADO recentemente:

“como estão as coisas?”. Deixei escapar: “está tudo bem.

Ao menos, para mim”. Se você está no mesmo barco, por favor, não pressuponha que vai flutuar. E se você acredita que “alguém tem que fazer algo a respeito”, então, por favor, entenda que é melhor que esse alguém seja você. E eu. E nós – nós mesmos, como sujeitos, não objetos. Os

QUANDO ALGUÉM ME PERGUNTOU

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problemas deste mundo estão mais próximos da nossa porta e muito mais longe da solução do que a maioria de nós gostaria.

Quando Kofi Annan (2013) apelou para um “movimento global popular” para enfrentar a mudança climática, ele quis dizer você e eu, toda vez que levarmos o lixo para fora ou explorarmos alguma externalidade conveniente. “Pensar verde não pode ser responsabilidade exclusiva de alguns ativistas ambientais, enquanto o resto de nós continua a viver como se não houvesse amanhã”, disse ele. Não são as areias betuminosas que criam a poluição, mas aqueles de nós que levam adiante suas intenções, em nossos carros e nossos votos.

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Medium 9788537807712

Capítulo 3. Sobre a dificuldade de amar o próximo

BAUMAN, Zygmunt Zahar PDF Criptografado

.3.

Sobre a dificuldade de amar o próximo

A invocação de “amar o próximo como a si mesmo”, diz Freud

(em O mal-estar na civilização),¹ é um dos preceitos fundamentais da vida civilizada. É também o que mais contraria o tipo de razão que a civilização promove: a razão do interesse próprio e da busca da felicidade. O preceito fundador da civilização só pode ser aceito como algo que “faz sentido” e adotado e praticado se nos rendermos à exortação teológica credere quia absurdum – acredite porque é absurdo.

Com efeito, é suficiente perguntar “por que devo fazer isso?

Que benefício me trará?” para sentir o absurdo da exigência de amar o próximo – qualquer próximo – simplesmente por ser um próximo. Se eu amo alguém, ela ou ele deve ter merecido de alguma forma… “Eles o merecem se são tão parecidos comigo de tantas maneiras importantes que neles posso amar a mim mesmo; e se são tão mais perfeitos do que eu que posso amar neles o ideal de mim mesmo… Mas, se ele é um estranho para mim e se não pode me atrair por qualquer valor próprio ou significação que possa ter adquirido para a minha vida emocional, será difícil amá-lo.” Essa exigência parece ainda mais incômoda e vazia pelo fato de que, com muita frequência, não me é possível encontrar evidências suficientes de que o estranho a quem devo amar me ama ou demonstra por mim “a mínima consideração. Se lhe con99

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Medium 9788571104389

Capítulo 1. A cultura condiciona a visão de mundo do homem

LARAIA, Roque de Barros Zahar PDF Criptografado

1. A CULTURA CONDICIONA

A VISÃO DE MUNDO DO HOMEM

Ruth Benedict escreveu em seu livro O crisântemo e a es­ pada1 que a cultura é como uma lente através da qual o homem vê o mundo. Homens de culturas diferentes usam lentes diversas e, portanto, têm visões desencontradas das coisas. Por exemplo, a floresta amazônica não passa para o antropólogo — desprovido de um razoável conhecimento de botânica — de um amontoado confuso de árvores e arbustos, dos mais diversos tamanhos e com uma imensa variedade de tonalidades verdes. A visão que um índio Tupi tem deste mesmo cenário é totalmente diversa: cada um desses vegetais tem um significado qualitativo e uma referência espacial. Ao invés de dizer como nós: “encontro-lhe na esquina junto ao edifício x”, eles frequentemente usam determinadas árvores como ponto de referência. Assim, ao contrário da visão de um mundo vegetal amorfo, a floresta

é vista como um conjunto ordenado, constituído de formas vegetais bem-definidas.

A nossa herança cultural, desenvolvida através de inúmeras gerações, sempre nos condicionou a reagir depreciativamente em relação ao comportamento daqueles que agem fora dos padrões aceitos pela maioria da comunidade. Por isto, discriminamos o comportamento desviante. Até recentemente, por exemplo, o homossexual cor67

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