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Medium 9786587017044

Fracastoro no Palácio do Doge

Heitor Rosa Editora Almedina PDF Criptografado

Fracastoro no

Palácio do Doge

O cardeal Farnese estava bem-disposto e confiante naquela manhã, pois, de acordo com o relatório em mãos, todos os convidados já se encontravam no palácio. Foi ele mesmo quem nos recebeu, a Fracastoro e a mim, e aos colegas religiosos, à porta da capela, onde celebrou a missa das sete horas. Na breve homilia, saudou os participantes da fechada reunião e lembrou que aquele ofício destinava-se a suplicar as bênçãos divinas para o sucesso do pequeno conclave. Apenas o embaixador da

Rússia não estava presente, deixando clara a sua condição de cristão ortodoxo.

Após a missa, o grupo dirigiu-se para a grande sala de refeições, preparada com rico desjejum, e lá os bispos mostraram toda a sua descontração, falando e rindo como jovens noviços.

De início, Fracastoro foi praticamente ignorado, pois dele nada sabiam, à exceção do abade Jean-Pierre, do bispo de Nápoles e do próprio cardeal Farnese. Entretanto, o médico chamava a atenção por sua elegância, e aos poucos, entre cochichos que seriam bem típicos de mulheres, as informações sobre ele eram passadas de boca em boca.

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Medium 9788547232092

1.4 O Estado e o direito: a manutenção da coesão social e a institucionalização do sujeito de direito

Josélia Ferreira dos Reis, Vânia Morales Sierra Editora Saraiva PDF Criptografado

Capítulo 1 | Estado, direito e lei: aspectos conceituais

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1.4 O Estado e o direito: a manutenção da coesão social e a institucionalização do sujeito de direito

Poulantzas, ao discordar da perspectiva da identificação do direito com a forma mercadoria, vai destacar a importância da separação entre o Estado e as relações de produção, entendendo ser este o princípio fundamental para a organização dos aparelhos do Estado, como a justiça, o exército, a administração, a polícia, a burocracia, as instituições representativas, o sistema jurídico etc.50 Tais instituições instauram a classe politicamente dominante, assegurando a separação radical dos meios de produção do trabalhador, estabelecendo por meio da codificação as formas de divisão do trabalho.

Em sua análise sobre o direito, Poulantzas destaca que “a lei é o código da violência pública organizada”.51 Considera que o direito, ao institucionalizar a expropriação dos meios de produção pela classe dominante, desenvolve a individualização. Isso porque, ao determinar a separação entre a economia e a política, homogeniza em nome da igualdade da lei e da necessidade de submissão ao Estado todos os trabalhadores, transformando-os em sujeitos jurídicos. Essa individualização é que constitui a figura material das relações de produção e da divisão social do trabalho nos corpos capitalistas, sendo consequência material das práticas e técnicas do Estado, que cria e subjuga o corpo político.52

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Medium 9788571440685

PARTE II - Iniciando a pesquisa

Silvia Pereira De Castro Editora Saraiva PDF Criptografado

TCC-prova-5.indb 24

14/10/19 12:18

TCC-prova-5.indb 25

14/10/19 12:18

2 Noções iniciais

Silvia Pereira de Castro Casa Nova

Para começar nossa conversa, precisamos, juntos, entender as atividades iniciais que compreendem fazer um Trabalho de Cconclusão de Curso (TCC). Essas atividades iniciais envolvem, de uma maneira simplificada, algumas decisões. São elas: escolher o tema de pesquisa;

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procurar um problema;

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definir objetivos geral e específicos;

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escolher o orientador;

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ter certeza de que esse é o tema e o orientador;

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entender os aspectos formais;

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estabelecer um cronograma de pesquisa;

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começar a pesquisar e a definir leituras;

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organizar e resumir as primeiras leituras;

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definir uma abordagem de pesquisa;

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elaborar o projeto.

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Calma, calma! Abordaremos cada atividade ou decisão com cuidado e você verá que não se trata de nenhum bicho de sete cabeças. Talvez tenha duas cabeças, não mais. Vamos começar?

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Medium 9788536317113

1. Um guia para este livro

Uwe Flick Grupo A PDF Criptografado

1

Um guia para este livro

A abordagem do livro, 13

A estrutura do livro, 14

Recursos peculiares deste livro, 17

Como utilizar este livro, 18

OBJETIVOS DO CAPÍTULO

Após a leitura deste capítulo, você deverá ser capaz de:

entender a organização deste livro. situar diversos aspectos da pesquisa qualitativa neste livro. identificar quais capítulos utilizar para diversas finalidades.

A ABORDAGEM DO LIVRO

Ao escrever este livro, levamos em consideração dois grupos de leitores – os pesquisadores novatos e os pesquisadores experientes. Em primeiro lugar, o livro orienta o novato à pesquisa qualitativa, talvez até mesmo à pesquisa social em geral.

Para este grupo, formado em grande parte por estudantes de graduação ou pós-graduação, o livro é concebido como uma introdução básica aos princípios e às práticas da pesquisa qualitativa, a sua base teórica e epistemológica e a métodos mais importantes. Em segundo lugar, o pesquisador no campo poderá utilizar este livro como uma espécie de caixa de ferramentas ao enfrentar questões e problemas práticos do cotidiano da pesquisa qualitativa.

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Medium 9786587017051

XLVI - Julgamento e sentença

Heitor Rosa Editora Almedina PDF Criptografado

Heitor Rosa – Julgamento em Notre Dame

XLVI - Julgamento e sentença

Mais dois dias se passaram enquanto Felicie esperava trancada em seu quarto a deliberação ou sentença da comissão. Na primeira dessas noites, alguém bateu à porta; ela levantou-se com dificuldade e, com o temor costumeiro, aguardou. A porta foi aberta parcialmente, o suficiente para que pudesse ser introduzida uma bandeja com alguns objetos. Nenhuma palavra foi dita. Assim que Felicie a recebeu, a porta voltou a ser trancada e o silêncio retornou. À luz da vela, pôde então perceber que havia ganhado um belo Livro das Horas, meia jarra de vinho e um pequeno rolo de pergaminho, com uma mensagem: “Obrigado.

Deus te abençoe”. Não havia assinatura, nem o lacre. Ela presumiu que os presentes viriam de Gauden, o único com motivos para agradecê-la e em condições de presenteá-la com um livro caro e elegante como aquele. Olhou os presentes com indiferença. Por que um agradecimento secreto, sem testemunhas? Seria vergonhoso reconhecer o erro, seria humilhante tornar público que ela se comportara de maneira muito mais cristã do que ele?

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Medium 9786587017051

XIV - A emboscada

Heitor Rosa Editora Almedina PDF Criptografado

Heitor Rosa – Julgamento em Notre Dame

XIV - A emboscada

Os dois cavaleiros aproximavam-se do convento de Notre

Dame des Aubes, a poucas milhas de Troyes. Gilbert e François regressavam de Paris depois de uma cansativa viagem de seis dias cavalgando. Duas mulas carregavam todo o material adquirido pelo médico em Paris, Lagny e Provins. Em Lagny, conseguia-se o melhor mel e pétalas grossas de rosas vermelhas, ambos colhidos nos jardins da abadia de Notre Dame des Ardents. Em Provins, adquiria-se o melhor de diversas raízes, cascas, flores, sementes, pós e grânulos, que eram acondicionados em volumosos sacos de couro. O carregamento destinava-se a reabastecer seu depósito de matérias-primas para a fabricação da teriaga e vários remédios tradicionais e outros que estavam sendo experimentados. A viagem se fizera necessária, pois vários metais em pó e certos óxidos Gilbert só podia consegui-los com os apotecários de Paris, além de algumas ervas que eram fornecidas com exclusividade aos herboristas daquela universidade. Assim, o médico obrigava-se a essas periódicas saídas para aquelas compras. Ao entardecer do sexto dia, finalmente, aproximava-se de Troyes.

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Medium 9788520432860

8. Foucault e a alma como prisão do corpo

Ghiraldelli Jr. Paulo Manole PDF Criptografado

Capítulo 8

Foucault e a alma como prisão do corpo

I

Pronto para a morte, Sócrates a saudou dizendo que ela seria sua libertação do corpo. Modificada, essa expressão de

Sócrates poderia endossar um platonismo rasteiro, que afirmaria algo como “o corpo é a prisão da alma”. Os cristãos preferiram não falar em prisão. Douraram a pílula dizendo que “o corpo é o templo da alma”. Já em nossos tempos, o nietzscheano Foucault, na contramão, fustigou-nos dizendo que “a alma é a prisão do corpo”.

A alma é a prisão do corpo? Como? O que Foucault quis dizer com uma frase desse tipo que, convenhamos, não deixa de ser esquisita?

Falando sobre o nascimento e o desenvolvimento das prisões modernas, Foucault afirma que o “homem real”, que é “objeto do conhecimento, da reflexão filosófica ou da intervenção tecnológica” na modernidade, não é substituído pela alma,

“a ilusão dos teólogos”. É necessário notar, diz Foucault, que o próprio homem, nos tempos modernos, é o “efeito de uma subjetivação mais profunda”. Nesse sentido, pode-se então enxergar uma “alma que habita o homem e o traz à existência”.

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Medium 9788547232092

5.3 As barreiras de acesso aos direitos na justiça

Josélia Ferreira dos Reis, Vânia Morales Sierra Editora Saraiva PDF Criptografado

Capítulo 5 | O acesso à justiça e a judicialização das demandas sociais

97

5.3 As barreiras de acesso aos direitos na justiça

Para Vianna, o Brasil atingiu a terceira onda cappelletiana “sem que a intervenção estatal para garantir eficácia na assistência judiciária tivesse sido plenamente cumprida”.30 A estrutura das defensorias públicas ainda se encontra muito aquém das necessidades da população, que demanda outras áreas para além das tradicionais (criminal e familiar), identificadas pela população mais pobre e que apresentam complicações graves no tocante ao processo de judicialização.

Não é à toa que Tavares reconhece a importância do acesso à justiça, sinalizando que, na verdade, de pouco adiantaria a existência formal dos direitos se não houvesse preocupação com a efetivação da igualdade das partes no processamento dos litígios porventura decorrentes do desrespeito a esses direitos, bem como na possibilidade de esclarecimento e oferecimento de solução de problemas extrajudicialmente.31

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Medium 9786587017044

Tornando-me cirurgião-barbeiro

Heitor Rosa Editora Almedina PDF Criptografado

Tornando-me cirurgião-barbeiro

Giuseppe deixou-me uma fazenda nos arredores de Verona, alugada a duas famílias, e os coloni garantiam para a minha despensa vinho, carne e ovos durante todo o ano, além de lã para o meu vestuário. Eu mesmo administrava o negócio e mantinha com os fazendeiros um relacionamento amistoso e agradável.

A decisão de dedicar-me inteiramente à arte de cirurgião-barbeiro não foi fácil, pois me tirava de situação cômoda e poderia enviar-me para lugares estranhos. Mas a tradição familiar de barbeiro era mais forte do que a do campo, e isso pesou quando resolvi aprimorar o meu talento para tornar-me um dos melhores na arte da tesoura e da navalha.

Reuni todo o dinheiro que guardara nos últimos cinco anos, além de vender um quinto da propriedade, e, com uma razoável quantia, aprontei-me para uma nova vida.

O local que me pareceu mais conveniente para o meu aperfeiçoamento ficava bem perto de Verona: Pádua. Apesar da proximidade, eu só a visitara uma única vez. Lá havia bons cirurgiões-barbeiros, conhecedores das entranhas do corpo, pois era uma das poucas cidades onde se permitia a dissecção de cadáveres humanos para fins de estudo.

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Medium 9786587017044

O segredo de Fracastoro

Heitor Rosa Editora Almedina PDF Criptografado

O segredo de Fracastoro

No outro dia, após o funeral, dirigi-me à Igreja de San Giovanni Lupatoto, em companhia do padre Giuseppe dalla Muta, que fora a Verona prestar sua homenagem ao amigo. Contou-me de como Fracastoro lhe confiara o misterioso pacote um ano antes e das recomendações para entregá-lo somente a mim.

Exatamente como escrevera, o documento estava entre as páginas de seu famoso livro, colocado dentro de uma bolsa de couro firmemente costurada, envolvida por fitas bem ajustadas, sobre cujo nó de amarra fora derretido o lacre com a marca de um grande “F”. A bolsa encontrava-se na sacristia, numa das gavetas do armário dos paramentos. Recebi-a do padre Giuseppe dalla Muta e, conforme me ordenara Fracastoro, só abri e li o documento em minha casa. Eis os seus dizeres:

“Querido amigo Gioacchino,

Cheguei ao fim dessa longa e cansativa viagem terrestre e não quero passar à eternidade sem saldar uma dívida para contigo. Claro que não sabes a natureza dela. Nem poderias.

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Medium 9788571440685

PARTE IV - Como colocar tudo no papel?

Silvia Pereira De Castro Editora Saraiva PDF Criptografado

TCC-prova-5.indb 252

14/10/19 12:18

TCC-prova-5.indb 253

14/10/19 12:18

15Estrutura do TCC

Gilberto José Miranda

Um trecho do depoimento da Deborah Borges Vieira ilustra com clareza a complexidade da redação acadêmica (científica) para quem tem contato com esse gênero pela primeira vez. Todavia, tenha sempre em mente que essa tarefa é importantíssima! De nada adianta fazer uma pesquisa rigorosa e não apresentá-la adequadamente. Portanto, todo empenho na redação do seu trabalho é importante.

Os desafios foram muitos na hora de escrever o artigo [TCC]: interpretação de texto, gramática, gráficos, tabelas, normas da ABNT, falta de criatividade, entre outros. Não conseguia fazer com que os autores diversos conversassem entre si de maneira coerente e justificando os resultados. Escrever a introdução e a metodologia foram grandes desafios, pois há regras e normas de como e o que escrever. Incontáveis vezes não obtive progresso ao escrever meu artigo – isso era desesperador – mas o meu orientador intervinha com suas ideias e me ensinava meios de como iniciar minhas escritas, quais autores poderiam me auxiliar na metodologia e me explicava de maneira compreensível o que seria cobrado de mim na introdução e na metodologia. Estruturamos juntos a ordem da descrição do trabalho, dando um norte para a dissertação. Essa parte também foi árdua, porém mais empolgante, porque era o momento de mostrar minha pesquisa, explicar as coisas que aprendi, embasadas em outros autores.

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Medium 9788520433430

3. Proposta de leitura do Za como ensinamento da superação

José Nicolao Julião Manole PDF Criptografado

capítulo 3

proposta de leitura do

Za como ensinamento da superação

Apresentação

A hipótese interpretativa que desenvolvemos neste estudo é a de que o ensinamento da superação (die

Überwindung) se constitui como o principal tema abordado por Nietzsche em sua obra Za. O conceito de superação, segundo a nossa interpretação, é seu leitmotiv, ou seja, a dinâmica que impulsiona tanto a sua “ação dramática”1 do “tornar-se o que se é”,2 como a elaboração

1 Utilizamo-nos aqui da expressão de Lampert, L., Nietzsche’s

Teaching, 1986.

2 “Wie man wird, was man ist”. Essa famosa máxima de Píndaro

(Pítias, II, 72), que tanto inspirou os poetas Goethe e Hölderlin, serviu a Nietzsche como subtítulo para a sua autobiografia EH; ela aparece, também, de forma variada no aforismo 270 de FW – “Du sollst der werden, der du bist” (Deves tornar-te aquilo que és); no aforismo 335 de FW – “Wir aber wollen Die werden, die wir sind”

(Mas nós queremos nos tornar aquilo que somos). No Za, nas seções “O convalescente” – “wer du bist und werden musst” (quem

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Medium 9786587017044

As alegrias e dores de Fra Gabrielli

Heitor Rosa Editora Almedina PDF Criptografado

As alegrias e dores de

Fra Gabrielli

— Gioacchino e eu nada temos de especial para fazer nesta manhã, e planejamos passear pela Piazza. Vem conosco — repetiu Fracastoro, observando a indecisão de Gabrielli.

— Obrigado, mestre, sinto-me honrado em acompanhar-vos — respondeu Gabrielli por fim.

— Embora não devamos desnudar a intimidade do próximo — continuou Fracastoro —, e só vós, pastores de almas, possais ouvir os segredos mais recônditos, estou curioso por saber como um homem de Deus tornou-se um homem do mundo e chegou a esse estado.

— Não sei mais o que resta de mim. O homem do mundo

é apenas um monte de carne podre, e o homem da fé possivelmente está morrendo. Mas talvez eu esteja sendo injusto contigo, pois se me perguntares se sempre tive fé, devo responder-te que não sei se em algum momento a tive.

— Entendo cada vez menos — disse Fracastoro.

Enquanto caminhávamos pela praça, a passos lentos, sugeri sentarmos num banco próximo à entrada de uma das pontes.

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Medium 9786587017051

XL - O interrogatório na Sorbonne

Heitor Rosa Editora Almedina PDF Criptografado

Heitor Rosa – Julgamento em Notre Dame

XL - O interrogatório na Sorbonne

A notificação para Felicie chegou ao entardecer, dando-lhe boas-vindas a Paris e trazendo instruções quanto ao horário e local onde seria esperada e conduzida para a caridosa entrevista. Estava assinada pelo chanceler da Universidade, o arcediago

Corton. Nenhuma surpresa.

Felicie levantou-se mais cedo; a insegurança, a sensação de solidão, apesar de Claude, a incerteza de como se sairia nas inquirições, tudo isso lhe tirou o sono. O dia amanheceu mais cinzento, o sol não tinha o mesmo entusiasmo da manhã anterior. Nem ela. Como um sinal de solidariedade e aviso para que elevasse o ânimo, percebeu movimentos na barriga, ora fortes, ora delicados chutes.

— Obrigado, meu pequeno. Juntos vamos vencer. Não tenhas receio, sua mamãe não vai desanimar. Agora sei que não estou sozinha, somos dois D´Almania. Esses dragões de Paris não nos metem medo.

Deitou-se novamente para acariciar a barriga, como se passasse a mão na cabecinha do seu filhotinho. Cantarolou uma melodia de ninar. Os chutes aquietaram-se.

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Medium 9788520432860

4. Aristóteles e a qualidade de vida

Ghiraldelli Jr. Paulo Manole PDF Criptografado

Capítulo 4

Aristóteles e a qualidade de vida

O que se quer é “viver bem”, não é verdade? Isso, hoje em dia, não se confunde com a questão de termos ou não

“qualidade de vida”?

A expressão “qualidade de vida” é algo próprio de nossos tempos. Não há dia que não ouvimos avaliações sobre onde há ou não “qualidade de vida” ou, então, se a condição de saúde de alguém tem ou não “qualidade de vida”. Referimo-nos com essa expressão às condições gerais das cidades e, também, às alternativas que temos em tratamentos de saúde, quando é o caso de ponderar sobre decisões de operações, medicamentos e coisas afins. Tudo isso se agrupa quando a questão é sobre a nossa vida psíquica.

Uma boa cidade para se viver ou, como agora se diz com frequência, um centro com “qualidade de vida” não pode favo­ recer o estresse, ou seja, não pode criar condições que gerem distúrbios psicológicos ou, pior, psicossomáticos. O que invo­ camos com essa ideia de “qualidade de vida” é a posse de elementos que nos permitam, antes, não perder a saúde do que propriamente alcançá-la. Não se trata de evocarmos cidades que, como no passado, se propunham a funcionar como locais próprios para tratamentos de determinadas doenças – cidades balneários e similares –, mas de considerarmos cidades

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