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Medium 9788536317113

12. Como planejar a pesquisa qualitativa: uma visão geral

Uwe Flick Grupo A PDF Criptografado

Introdução à pesquisa qualitativa

12

Como planejar a pesquisa qualitativa: uma visão geral

Como planejar e construir os planos na pesquisa qualitativa, 129

Estratégias de atalho, 133

Os planos básicos na pesquisa qualitativa, 135

OBJETIVOS DO CAPÍTULO

Após a leitura deste capítulo, você deverá ser capaz de:

conhecer os componentes básicos que influenciam a construção de um plano de pesquisa. reconhecer os planos básicos mais importantes na pesquisa qualitativa. compreender que, em seu próprio estudo, poderá combinar alguns desses planos básicos. aprender, a partir de um exemplo, como funciona esse processo.

COMO PLANEJAR E

CONSTRUIR OS PLANOS

NA PESQUISA QUALITATIVA

Em termos gerais, a expressão-chave

“plano de pesquisa” refere-se às questões sobre como planejar um estudo. Os capítulos anteriores forneceram informações acerca de tópicos relativos à entrada no campo ou à amostragem e, sobretudo, à formulação de uma questão de pesquisa.

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Medium 9788530981679

MARTIN HEIDEGGER E O ANTISSEMITISMO

João Ricardo Moderno Grupo Gen PDF Criptografado

MARTIN HEIDEGGER E O

ANTISSEMITISMO

Eu estudo Heidegger de maneira indisciplinada desde a década de

1970. E nunca gostei dele, mas é preciso ler, estudar, mesmo que de maneira episódica.

Desde os anos 1980, já não se podia mais separar o homem da obra. Até então, o que é que se dizia, como se diz ainda hoje? Ele aderiu ao nazismo, como vários outros, mas a obra está preservada.

E o que se sabe hoje, por todos os grandes especialistas do mundo, e principalmente por suas próprias obras “completas” publicadas em alemão, é exatamente o contrário. O que se sabe de mais grave

é sobretudo pelos próprios livros, conferências e artigos de Martin

Heidegger, que falam por si. Então, não é Heidegger “e” o antissemitismo o título deste texto, mas sim Heidegger “é” o antissemitismo.

Seu antissemitismo é ontológico.

Heidegger vem de uma geração em que os estudantes alemães impediam os estudantes judeus de participarem de várias atividades. Havia uma cultura antijudaica, que é anterior, obviamente, à ascensão de Hitler ao poder. Caso contrário, ele não teria chegado ao poder e jamais poderia ter sido praticada a política de extermínio.

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Medium 9788520456057

ESTUDO DO SUJEITO DA ORAÇÃO

Inez Sautchuk Editora Manole PDF Criptografado

Prática de morfossintaxe

ma verbal) será representada por determinado tipo de verbo, que poderá ser acompanhado de certo tipo de complemento (obrigatório ou não). A posição

C, por sua vez, também poderá ser representada por um tipo de sintagma com certas características próprias. Quando a posição S não for ou não puder ser preenchida, a oração se constituirá apenas do predicado (um V sozinho ou um V + C). Observe:

(95)

Muitas crianças

atrapalham

os pais.

(96)

Muitas crianças

necessitam

dos pais.

(97)

Muitas crianças

pedem

ajuda

(98)

Muitas crianças

choram

na escola.

(99)

Ø

Choveu.

(100)

Ø

Houve

muitas mentiras.

S

V

C

aos pais

(C)

Temos, de (95) a (97), um SVC completo, com a posição C sendo representada por um complemento obrigatório em (95) e (96). Em (97), há dois complementos obrigatórios na posição C e, em (98), um complemento não obrigatório. A posição S fica vazia em (99) e (100).

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Medium 9788571105980

Capítulo 2. Individualidade

BAUMAN, Zygmunt Zahar PDF Criptografado

.2.

Individualidade

Agora, aqui, veja, é preciso correr o máximo que você puder para permanecer no mesmo lugar. Se quiser ir a algum outro lugar, deve correr pelo menos duas vezes mais depressa do que isso!

Lewis Carrol

É difícil lembrar, e ainda mais difícil compreender, que há não mais de 50 anos a disputa sobre a essência dos prognósticos po­pulares, sobre o que se deveria temer e sobre os tipos de horrores que o futuro estava fadado a trazer se não fosse parado a tempo se travava entre o Admirável Mundo Novo de Aldous

Huxley e o 1984 de George Orwell.

A disputa certamente era legítima e honesta, pois os mundos tão vividamente retratados pelos dois visionários distópicos eram tão diferentes quanto água e vinho. O de Orwell era um mundo de miséria e destituição, de escassez e necessidade; o de

Huxley era uma terra de opulência e devassidão, de abundância e sacie­dade. Como era de se esperar, os habitantes do mundo de

Orwell eram tristes e assustados; os de Huxley, despreocupados e alegres. Havia muitas outras diferenças não menos notáveis: os dois mun­dos se opunham em quase todos os detalhes.

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Medium 9788537807712

Capítulo 2. Dentro e fora da caixa de ferramentas da sociabilidade

BAUMAN, Zygmunt Zahar PDF Criptografado

.2.

Dentro e fora da caixa de ferramentas da sociabilidade

Homo sexualis: abandonado e destituído

Como afirmou Lévi-Strauss, o encontro dos sexos é o terreno em que natureza e cultura se deparam um com o outro pela primeira vez. É, além disso, o ponto de partida, a origem de toda cultura.

O sexo foi o primeiro ingrediente de que o homo sapiens foi naturalmente dotado sobre o qual foram talhadas distinções artificiais, convencionais e arbitrárias – a atividade básica de toda cultura

(em particular, o ato fundador da cultura, a proibição do incesto: a divisão das fêmeas em categorias disponíveis e indisponíveis para a coabitação sexual).

É fácil perceber que esse papel do sexo não foi acidental. Das muitas tendências, inclinações e propensões “naturais” dos seres humanos, o desejo sexual foi e continua sendo a mais óbvia, indubitável e incontestavelmente social. Ele se estende na direção de outro ser humano, exige sua presença e se esforça para transformála em união. Ele anseia por convívio. Torna qualquer ser humano – ainda que realizado e, sob todos os outros aspectos, autossuficiente

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Medium 9788520432860

4. Aristóteles e a qualidade de vida

Paulo Ghiraldelli Jr. Manole PDF Criptografado

Capítulo 4

Aristóteles e a qualidade de vida

O que se quer é “viver bem”, não é verdade? Isso, hoje em dia, não se confunde com a questão de termos ou não

“qualidade de vida”?

A expressão “qualidade de vida” é algo próprio de nossos tempos. Não há dia que não ouvimos avaliações sobre onde há ou não “qualidade de vida” ou, então, se a condição de saúde de alguém tem ou não “qualidade de vida”. Referimo-nos com essa expressão às condições gerais das cidades e, também, às alternativas que temos em tratamentos de saúde, quando é o caso de ponderar sobre decisões de operações, medicamentos e coisas afins. Tudo isso se agrupa quando a questão é sobre a nossa vida psíquica.

Uma boa cidade para se viver ou, como agora se diz com frequência, um centro com “qualidade de vida” não pode favo­ recer o estresse, ou seja, não pode criar condições que gerem distúrbios psicológicos ou, pior, psicossomáticos. O que invo­ camos com essa ideia de “qualidade de vida” é a posse de elementos que nos permitam, antes, não perder a saúde do que propriamente alcançá-la. Não se trata de evocarmos cidades que, como no passado, se propunham a funcionar como locais próprios para tratamentos de determinadas doenças – cidades balneários e similares –, mas de considerarmos cidades

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Medium 9788530966058

CAPÍTULO VI: Um saber comunitário

Michel Maffesoli Grupo Gen PDF Criptografado

Capítulo 6

UM SABER COMUNITÁRIO

É preciso excluir as palavras que não significam coisas.

Joseph de Maistre,

Mémoire au Duc de Brunschwick

DA DISTINÇÃO À CONJUNÇÃO

O ser é a reunião.

Heidegger

As coisas, com efeito, são primeiras e são, em muitos aspectos, menos efêmeras que os homens. Assim, no

âmbito de um pensamento concreto, não se deve conservar senão as palavras que se conformam com essas coisas. Ou seja, com o que é. Talvez seja isso que devolve uma atualidade nova a termos que remetem à simpatia, na verdade, à empatia. Vibrações comuns pelas quais, e graças às quais, se estabelece a “sintonia” entre

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A ORDEM DAS COISAS

MICHEL MAFFESOLI

o ambiente natural e os elos sociais.1 Vibração generalizada que permite compreender que simpatia, empatia e outros afetos não são nada menos que individuais, mas participam da constante esfera coletiva onde se situa a vida efetiva. Outra maneira de dizer interação da natureza e da cultura que constitui o dado mundano.

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Medium 9788582603628

A Questão Fundamental

Henry Mintzberg Grupo A PDF Criptografado

A

QUESTÃO

FUNDAMENTAL

9

Basta!

Basta deste desequilíbrio que está destruindo a democracia, o planeta e nós mesmos.

Basta do pêndulo da política de esquerda e direita, bem como da paralisia do centro político. Basta das garras visíveis do lobby no lugar da mão invisível da

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concorrência. Basta da globalização econômica que enfraquece os estados soberanos e as comunidades locais. Será que já não exploramos suficientemente os recursos do planeta, incluindo nós mesmos como

“recursos humanos”?

Muito mais pessoas estão preocupadas com esses problemas do que mostram as manifestações nas ruas.

A vontade das pessoas está lá; o entendimento do que está acontecendo e como lidar com essas questões não está. Fomos inundados por explicações conflitantes e soluções contraditórias. O mundo em que vivemos precisa de uma renovação radical sem precedentes na experiência humana. Este livro sugere um modelo integrado para seguir em frente.

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Medium 9788521635406

Capítulo 5 - Como se forma a mais valia

MARX, Karl Grupo Gen PDF Criptografado

capítulo

5

Como se Forma a Mais‑Valia*

A utilização da força de trabalho é o trabalho. O comprador da força de trabalho consome fazendo o vendedor trabalhar. Com uma olhada sagaz de conhecedor, o fabricante escolheu os meios de pro‑ dução apropriados para certos serviços especiais: a fiação, a sapata‑ ria etc. Ele se apressa, pois, em consumir a mercadoria comprada, a força de trabalho, fazendo que os próprios meios de produção sejam consumidos pelo detentor da força de trabalho, pelo operário com seu trabalho. O capitalista é forçado a aceitar de início a força de trabalho, tal como ele a encontra no mercado, e o trabalho, tal como ele nasceu em uma época em que não havia ainda capitalistas. A transformação do modo de produção em virtude da subordinação do trabalho ao capital não pode operar‑se senão mais tarde.

O processo de trabalho, enquanto processo de consumo da força de trabalho pelo capitalista, apresenta dois fenômenos particulares.

O operário trabalha sob o controle do capitalista, a quem pertence seu trabalho. O capitalista zela para que o trabalho se processe como

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Medium 9788580554373

Capítulo 19 - Diferentes estruturas familiares

Denise L. McLurkin Grupo A PDF Criptografado

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Diferentes estruturas familiares

Minhas “famílias” adotivas

“Casey”, digo enquanto confiro minha correspondência antes de começar a aula, “você trouxe seu almoço para hoje?”. Casey começa a rir e diz: “Sim, mas não sei se vou querer comê-lo quando chegar o horário do almoço”. Olho para trás e pergunto: “E você, Margie?”. Margie não costuma conferir sua correspondência com tanta frequência quanto deveria, então seus braços estão cheios de coisas como formulários para o pedido de livros, malas diretas para conferências, novos livros de pedagogia com ótimas ideias para todos os professores e cupons vencidos da loja dos professores. Ela diz: “Vocês duas sabem que pretendo me casar em agosto. E como é que vou entrar no meu vestido se continuar almoçando fora com vocês?”. Olho para trás, por cima do outro ombro e digo a Casey, “Tudo bem,

Casey, acho que não queremos ser más influências para Margie. Então, Margie”, digo olhando para o outro lado de novo, “você não está mais convidada para almoçar conosco”. Casey começa a rir, assim como Margie. “Ei”, continua Margie,

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Medium 9788520432860

1. Sócrates pode curar sua alma?

Paulo Ghiraldelli Jr. Manole PDF Criptografado

Capítulo 1

Sócrates pode curar sua alma?

“A filosofia é coisa de homens”. Considerando os tempos heroicos da filosofia grega clássica, essa frase é verdadeira.

Mas, o melhor seria dizer: a filosofia grega clássica é coisa de pessoas livres, portanto, coisa de homens – de homens eroticamente especiais.

Sócrates foi o rei da pederastia. Voraz caçador, ele sempre estava onde os jovens; conversavam e praticavam atividades físicas. Ali, os garotos exibiam seus corpos e tornavam-se irresistíveis aos homens mais velhos. Os belos jovens, alguns até pré-adolescentes, pavoneavam-se na frente deles, mas Sócrates não caía nessa. Ele tinha uma maneira especial de se envolver com os jovens; esmerara-se naquilo que Platão chamou de “a arte do amor filosófico aos rapazes”.1 Essa arte erótica, saudada por

Platão, diferenciava-se da prática tradicional da pederastia grega.

Sócrates inaugurou a inversão da relação de pederastia. Em vez de se desdobrar em elogios aos belos jovens, como era a praxe, Sócrates os atraía para a conversação e, então, em pouco tempo, trazia-os para “o seu lugar”.2 Colocava-os como aqueles

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Medium 9788597018639

18 - A sociedade da informação e as TICs

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade Grupo Gen PDF Criptografado

18

TARIK KIZILKAYA | iStockphoto

A sociedade da informação e as TICs

18.1 Origens

A ampla disponibilização e utilização de computadores, internet, celulares, câmeras digitais, e-mails, mensagens instantâneas, banda larga, redes sociais digitais e uma infinidade de novidades (dispositivos, aplicativos etc.) provocam a necessidade de uma reflexão intensa sobre que atitudes são pertinentes e viáveis para um melhor aproveitamento de tantos expedien-

LakatosMarconi.indb 297

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Capítulo 18

tes (LIMA, 2011). Analisando essa nova configuração sociocultural, podemos questionar sobre as relações diretas e indiretas estabelecidas entre esses novos recursos e a sociedade, em especial numa perspectiva da “Cibercultura”, compreendida como uma organização ou reconfiguração do espaço e/ou da sociedade permeada pelos aparatos tecnológicos. De acordo com Lemos e Cunha (2003, p. 23) citados por Lima e Vasconcelos (2013): o termo está recheado de sentidos, mas podemos compreender a cibercultura como a forma sociocultural que emerge da relação simbiótica entre a sociedade, a cultura e as novas tecnologias de base microeletrônica, que surgiram com a convergência das telecomunicações como a informática na década de 1970. Foi esse novo espaço de comunicação que abriu a oportunidade para o amplo desenvolvimento das TICs, como um conjunto de tecnologias e instrumentos usados para compartilhar, distribuir e reunir informação, bem como para a comunicação individual e/ou em grupo, especialmente com o uso de computadores. Entendendo essa relação, observamos uma rápida distribuição de informações devido a ampla rede de computadores interconectados.

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Medium 9788571105980

Capítulo 1. Emancipação

BAUMAN, Zygmunt Zahar PDF Criptografado

.1.

Emancipação

Ao fim das “três décadas gloriosas” que se seguiram ao final da

Segunda Guerra Mundial – as três décadas de crescimento sem precedentes e de estabelecimento da riqueza e da segurança eco­ nômica no próspero Ocidente – Herbert Marcuse reclamava:

Em relação a hoje e à nossa própria condição, creio que estamos diante de uma situação nova na história, porque temos que ser liber­tados de uma sociedade rica, poderosa e que funciona relativamente bem … O problema que enfrentamos é a necessidade de nos liber­tarmos de uma sociedade que desenvolve em grande medida as ne­cessidades materiais e mesmo culturais do homem – uma sociedade que, para usar um slogan, cumpre o que prometeu a uma parte cres­cente da população. E isso implica que enfrentamos a libertação de uma sociedade na qual a libertação aparentemente não conta com uma base de massas.¹

Devermos nos emancipar, “libertar-nos da sociedade”, não era problema para Marcuse. O que era um problema – o problema específico para a sociedade que “cumpre o que prometeu” – era a falta de uma “base de massas” para a libertação.

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Medium 9788520456057

TIPOS DE SINTAGMAS

Inez Sautchuk Editora Manole PDF Criptografado

O estudo da sintaxe

que chamamos de força das leis sintáticas em uma língua. O português também tem as suas e, adiante, veremos qual é esse padrão de construção de frases em nosso idioma.

Tomemos outro período simples:

(60)  Em certos dias enevoados, o sol de verão parece ficar muito fraco.

Em (60), destacando-se outra vez o núcleo verbal como referência, teríamos dois sintagmas anteriores a ele: a. em certos dias enevoados b. o sol de verão e um posterior a ele: c. muito fraco

Os sintagmas organizam-se em torno de um elemento fundamental, ao qual chamamos núcleo. Assim, o sintagma o sol de verão tem por núcleo o substantivo sol, e o sintagma muito fraco tem por núcleo o adjetivo fraco. Por isso, dizemos que o sol de verão é um sintagma nominal, pois tem como base ou núcleo uma palavra substantiva, e que muito fraco é um sintagma adjetival, pois sua base nuclear é um adjetivo. Já o sintagma em certos dias enevoados tem uma configuração diferente: em + certos dias enevoados, ou seja, é formado por uma preposição e um sintagma nominal. Esse é o caso dos sintagmas preposicionados, que poderiam ser representados pela seguinte fórmula: SP = preposição + SN.

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Medium 9788580554373

Capítulo 12 - Violência

Denise L. McLurkin Grupo A PDF Criptografado

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Violência

Brincadeira infantil

“Bom dia, turma”, digo para os alunos da pré-escola sentados no tapete.

“Bom-dia, Sr. Frazier”, eles respondem. Muitas pessoas se chocam ao ver um homem de mais de 1,90m de altura dando aula na educação infantil, mas é uma fase tão importante na vida das crianças, eu me sinto obrigado a dar aula para essa idade.

“Todos colocaram o seu dever na caixa do dever de casa?”, pergunto. Vejo a maioria das mãozinhas levantadas. “Aqueles que ainda não colocaram, por favor, vão até seus escaninhos e coloquem o dever na caixa.” Vários alunos que esqueceram se levantam e colocam suas pastas ali. Eles demoram um pouco para se acostumar com as novas rotinas.

“Oi, Sr. Frazier”, diz Bianca entrando atrasada na sala. “Aqui está meu bilhete de atraso.” “Os atrasos de Bianca estão cada vez mais frequentes”, penso. Quando estou prestes a fechar a porta, a mãe de Bianca entra na sala e entrega para a filha uma folha de papel. “Aqui, querida, você esqueceu o dever de casa.” Bianca logo pega seu dever, vai até seu escaninho e, então, se lembra da nova rotina. Ela silenciosamente coloca seu dever na caixa dos deveres de casa e se senta com o resto da turma no tapete. Viro-me e digo: “Sra. Johnson, eu gostaria de falar com você sobre...” e minha voz fica quase inaudível quando percebo que está com um olho roxo e que seus lábios estão inchados. Ela logo coloca seus óculos e diz: “Sei que ela tem se atrasado, Sr. Frazier. Meu marido mudou de trabalho e estamos tentando acertar as coisas”. Ela abana para Bianca e sai da sala.

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