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7 Movimento: doenças de Parkinson e de Huntington

Eric R. Kandel Editora Manole ePub Criptografado

Pelo fato de o movimento parecer tão intuitivo para a maioria de nós, talvez não percebamos quão complexo ele é. Antes que possamos agir, nosso cérebro deve emitir comandos para o corpo, a fim de que os músculos recebam a ordem para contrair ou relaxar. Esses comandos são controlados pelo sistema motor, um conjunto especializado de circuitos e vias neurais que começam no córtex, estendem-se pela medula espinal e distribuem-se a cada centímetro do corpo.

Quando há algo de errado com o sistema motor, ocorrem comportamentos ou movimentos anormais, ou, ainda, perda de controle do movimento. Isso também se manifesta de forma clara no cérebro, e é por esse motivo que os neurologistas têm se concentrado de modo tão intenso na anatomia, com o intuito de associar os transtornos neurológicos aos circuitos neurais específicos no cérebro que os determinam.

Esses estudos de transtornos neurológicos contribuíram muito para a nossa compreensão da função cerebral normal. Na verdade, até a década de 1950, a neurologia clínica era espirituosamente conhecida como a disciplina médica que podia diagnosticar tudo, mas não tratava quase nada. No entanto, após esse período, novos conhecimentos sobre as bases moleculares dos transtornos neurológicos revolucionaram os tratamentos para pessoas com doença de Parkinson, acidentes vasculares encefálicos e até lesões de medula espinal.

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9 O princípio do prazer e a liberdade de escolha: dependências

Eric R. Kandel Editora Manole ePub Criptografado

Notamos que o medo normal pode evoluir para um transtorno do estresse pós-traumático, tornando as pessoas incapazes de lidar com o dia a dia. Da mesma forma, nossa atração normal pelo prazer pode ser exagerada, o que causa produção excessiva de dopamina pelo cérebro e resulta em dependência. Essa dependência pode estar relacionada a substâncias como drogas, álcool, tabaco, ou a atividades como jogos de azar, comer ou fazer compras.

A dependência gera estragos na vida das pessoas. Pode custar-lhes o emprego, a saúde ou o casamento. Elas podem acabar na pobreza ou na prisão. Às vezes, a dependência leva à morte. Dependentes não querem continuar a fazer o que estão fazendo, mas não conseguem parar – o abuso repetido deteriorou a capacidade do cérebro de controlar desejos e emoções. Desse modo, a dependência rouba nossa vontade, nossa capacidade de escolher livremente entre as várias formas possíveis de agir.

A dependência de substâncias tem um custo enorme em nossa sociedade, com despesa estimada de mais de 740 bilhões de dólares por ano nos EUA. Esse custo econômico aumenta muito se considerarmos distúrbios compulsivos semelhantes à dependência, como jogo patológico e consumo excessivo de alimentos. O custo humano da dependência, para os indivíduos e para a sociedade, é incalculável. Nas últimas décadas, embora tenhamos feito progressos no tratamento de pessoas com certos tipos de dependência como o alcoolismo, as terapias disponíveis para a maioria das dependências, sejam abordagens comportamentais ou medicamentos, provaram ser inadequadas. Felizmente, os cientistas estabeleceram avanços importantes nos últimos trinta anos para a compreensão da biologia da dependência, aumentando a esperança de que novos tratamentos surjam desses novos conhecimentos.

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10 Diferenciação sexual do cérebro e identidade de gênero

Eric R. Kandel Editora Manole ePub Criptografado

No início da vida, a maioria de nós apresenta um forte senso de identidade de gênero – de ser menino ou menina. Por isso, crescemos nos comportando de maneira mais ou menos habitual como outros meninos ou meninas em nossa sociedade. Em geral, nossa identidade de gênero está de acordo com nosso sexo anatômico, nossos órgãos genitais e reprodutores, mas nem sempre. Podemos ter um corpo masculino mas nos sentirmos como menina ou mulher, ou podemos ter um corpo feminino e nos sentirmos como menino ou homem. Essa discrepância é possível porque nosso sexo e nossa identidade de gênero são determinados de maneira distinta, em momentos diferentes durante o desenvolvimento.

A identidade de gênero é o senso de onde nos inserimos no continuum da sexualidade, de ser um homem, uma mulher, ou nenhum dos dois, ou ambos. Ela inclui nosso desenvolvimento biológico, sentimentos e comportamento. Portanto, embora a identidade de gênero possa variar bastante entre os indivíduos, ela depende da diferenciação sexual normal do cérebro. Pelo fato de podermos aprender muito sobre nós mesmos a partir do estudo da identidade de gênero, é oportuna uma digressão do estudo dos distúrbios cerebrais para incluir este capítulo sobre diferenciação sexual do cérebro.

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6 Nossa criatividade inata: distúrbios cerebrais e arte

Eric R. Kandel Editora Manole ePub Criptografado

Os artistas – pintores, escritores, escultores, compositores – parecem diferentes de outras pessoas, privilegiados com dons especiais que o restante de nós não possui. Os antigos gregos acreditavam que pessoas criativas eram inspiradas por musas, as deusas do conhecimento e das artes. Os poetas românticos do século XIX tinham uma visão diferente da criatividade. Eles alegavam que esta surge da doença mental, o que diminui as restrições impostas pelo hábito, pela convenção e pelo pensamento racional, além de permitir ao artista explorar os poderes criativos inconscientes.

Hoje sabemos que a criatividade tem origem no cérebro e possui uma base biológica. Também sabemos que, embora certas formas de criatividade surjam associadas a transtornos mentais, nossa capacidade criativa não depende deles. Além disso, a capacidade de ser criativo é universal. Cada um de nós expressa a criatividade de diversas maneiras e com diferentes graus de habilidade.

No entanto, os românticos não estavam totalmente errados. Para a maioria das pessoas, nossa capacidade criativa inata não é facilmente evocada. Os cientistas ainda não conseguiram desvendar os mecanismos biológicos da criatividade, mas descobriram alguns de seus precursores, um dos quais parece nos livrar de inibições, permitindo que nossas mentes vaguem livremente e busquem novas conexões entre ideias. Essa comunhão com o inconsciente é compartilhada por todas as pessoas criativas, mas às vezes é particularmente marcante em indivíduos criativos com transtornos mentais.

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4 A capacidade de pensar, de tomar decisões e executá-las: esquizofrenia

Eric R. Kandel Editora Manole ePub Criptografado

A esquizofrenia provavelmente se inicia antes do nascimento, mas em geral não se manifesta até o final da adolescência ou início da idade adulta. Quando essa doença surge, muitas vezes tem efeitos devastadores sobre o pensamento, a volição, o comportamento, a memória e a interação social – os fundamentos do nosso senso de self – exatamente na época em que os jovens estão se tornando independentes. Da mesma forma que a depressão e o transtorno bipolar, a esquizofrenia é um transtorno psiquiátrico complexo que afeta inúmeras regiões do cérebro e, no final, compromete a integridade do self.

A biologia da esquizofrenia é, sobretudo, de difícil esclarecimento por causa das vastas consequências do transtorno no cérebro e no comportamento. Este capítulo apresenta o que os neurocientistas tiveram a oportunidade de descobrir sobre a esquizofrenia até agora: quais circuitos ela afeta no cérebro, quais tratamentos estão disponíveis aos pacientes e quais componentes genéticos e do desenvolvimento estão por trás do distúrbio. A nova perspectiva da esquizofrenia, como um transtorno do neurodesenvolvimento que, ao contrário do autismo, se manifesta mais tarde na vida, surgiu da significativa pesquisa genética realizada sobre a doença.

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