12 capítulos
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5 Memória, o reservatório do self: demência

Eric R. Kandel Editora Manole ePub Criptografado

Aprendizagem e memória estão entre as capacidades mais impressionantes de nossa mente. Aprendizagem é o processo pelo qual adquirimos novos conhecimentos sobre o mundo, e memória consiste no meio de reter esse conhecimento ao longo do tempo. A maior parte do nosso conhecimento sobre o mundo e a maioria de nossas habilidades não são intrínsecas, mas aprendidas, desenvolvidas ao longo da vida. Em decorrência disso, somos quem somos em grau considerável pelo que aprendemos e lembramos.

A memória é parte integrante de todas as funções cerebrais, da percepção à ação. Nosso cérebro cria, armazena e revisa memórias, utilizando-as de maneira constante para dar sentido ao mundo. Dependemos da memória para pensar, aprender, tomar decisões e interagir com outras pessoas. Quando a memória é prejudicada, essas faculdades mentais essenciais são afetadas. A memória é, portanto, a cola que mantém nossa vida mental coesa. Sem sua força aglutinante, nossa consciência seria fragmentada em tantos pedaços quanto os segundos que existem em um dia.

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11 Consciência: o grande mistério remanescente do cérebro

Eric R. Kandel Editora Manole ePub Criptografado

Francis Crick, o biólogo mais importante de nossa época, dedicou os últimos trinta anos de sua vida a estudar como surge a consciência a partir do funcionamento do cérebro. “As suas alegrias e as suas tristezas, as suas memórias e as suas ambições, o seu sentido de identidade pessoal e livre-arbítrio não são, de fato, mais do que o comportamento de um vasto conjunto de células nervosas e de suas moléculas associadas”, escreveu Crick em seu livro de 1994 – A hipótese espantosa: busca científica da alma.

Crick progrediu relativamente pouco na descoberta dos mecanismos da consciência, contudo, hoje sua unidade – nossa percepção do self – continua sendo o maior mistério do cérebro. Como conceito filosófico, a consciência continua desafiando o consenso, mas a maioria das pessoas que a estuda e que examinou seus distúrbios a considera não como uma função unitária da mente, mas como estados diferentes em contextos diferentes.

Um dos mais surpreendentes insights a surgir do estudo moderno dos estados de consciência é que Sigmund Freud estava certo: não podemos entender a consciência sem entender que processos mentais complexos e inconscientes permeiam o pensamento consciente. Toda percepção consciente depende de processos inconscientes. Dessa forma, ao nos aprofundarmos no mistério da consciência, lembremo-nos do que nossa exploração de distúrbios cerebrais nos ensinou sobre o processamento mental. Sabemos que o cérebro emprega processos inconscientes e conscientes para construir uma representação interna do mundo exterior que orienta nosso comportamento e nossos pensamentos. Se os circuitos neurais do nosso cérebro estão alterados, vivenciamos o mundo de maneira diferente das outras pessoas, em grau e tipo, nos níveis consciente e inconsciente.

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10 Diferenciação sexual do cérebro e identidade de gênero

Eric R. Kandel Editora Manole ePub Criptografado

No início da vida, a maioria de nós apresenta um forte senso de identidade de gênero – de ser menino ou menina. Por isso, crescemos nos comportando de maneira mais ou menos habitual como outros meninos ou meninas em nossa sociedade. Em geral, nossa identidade de gênero está de acordo com nosso sexo anatômico, nossos órgãos genitais e reprodutores, mas nem sempre. Podemos ter um corpo masculino mas nos sentirmos como menina ou mulher, ou podemos ter um corpo feminino e nos sentirmos como menino ou homem. Essa discrepância é possível porque nosso sexo e nossa identidade de gênero são determinados de maneira distinta, em momentos diferentes durante o desenvolvimento.

A identidade de gênero é o senso de onde nos inserimos no continuum da sexualidade, de ser um homem, uma mulher, ou nenhum dos dois, ou ambos. Ela inclui nosso desenvolvimento biológico, sentimentos e comportamento. Portanto, embora a identidade de gênero possa variar bastante entre os indivíduos, ela depende da diferenciação sexual normal do cérebro. Pelo fato de podermos aprender muito sobre nós mesmos a partir do estudo da identidade de gênero, é oportuna uma digressão do estudo dos distúrbios cerebrais para incluir este capítulo sobre diferenciação sexual do cérebro.

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8 A interação entre emoção consciente e inconsciente: ansiedade, estresse pós-traumático e erros na tomada de decisões

Eric R. Kandel Editora Manole ePub Criptografado

Quando fazemos compras em um supermercado ou conversamos com estranhos em uma festa, confiamos em nossas emoções de modo inconsciente a fim de que nos orientem nessas situações. Também confiamos inconscientemente em nossas emoções quando tomamos decisões. Emoções são estados de prontidão que surgem em nosso cérebro em resposta ao meio ambiente. Elas nos fornecem um feedback imprescindível sobre o mundo e abrem caminho para nossas ações e decisões. No Capítulo 3, consideramos a emoção no contexto do humor, nosso temperamento individual – em particular, analisamos o que a biologia dos transtornos do humor revelou sobre nosso senso de self. Neste capítulo, abordamos a natureza da emoção – seus componentes conscientes e inconscientes – e o papel essencial que ela desempenha em outros aspectos de nossa vida.

Nosso cérebro possui um sistema de aproximação-evasão, o qual nos estimula a buscar experiências que evocam emoções agradáveis e a evitar aquelas que evocam emoções dolorosas ou assustadoras. Neste capítulo, exploramos o que os estudos de animais nos ensinaram sobre como o cérebro regula a emoção do medo e abordamos a natureza dos transtornos de ansiedade humanos, sobretudo o transtorno do estresse pós-traumático – uma reação extrema ao medo. Ao estudar esses distúrbios, os cientistas estão descobrindo onde as emoções surgem no cérebro e como elas controlam nosso comportamento. Aprendemos sobre novas maneiras pelas quais os cientistas estão usando terapia medicamentosa e psicoterapia para ajudar a tratar pessoas com transtornos de ansiedade.

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4 A capacidade de pensar, de tomar decisões e executá-las: esquizofrenia

Eric R. Kandel Editora Manole ePub Criptografado

A esquizofrenia provavelmente se inicia antes do nascimento, mas em geral não se manifesta até o final da adolescência ou início da idade adulta. Quando essa doença surge, muitas vezes tem efeitos devastadores sobre o pensamento, a volição, o comportamento, a memória e a interação social – os fundamentos do nosso senso de self – exatamente na época em que os jovens estão se tornando independentes. Da mesma forma que a depressão e o transtorno bipolar, a esquizofrenia é um transtorno psiquiátrico complexo que afeta inúmeras regiões do cérebro e, no final, compromete a integridade do self.

A biologia da esquizofrenia é, sobretudo, de difícil esclarecimento por causa das vastas consequências do transtorno no cérebro e no comportamento. Este capítulo apresenta o que os neurocientistas tiveram a oportunidade de descobrir sobre a esquizofrenia até agora: quais circuitos ela afeta no cérebro, quais tratamentos estão disponíveis aos pacientes e quais componentes genéticos e do desenvolvimento estão por trás do distúrbio. A nova perspectiva da esquizofrenia, como um transtorno do neurodesenvolvimento que, ao contrário do autismo, se manifesta mais tarde na vida, surgiu da significativa pesquisa genética realizada sobre a doença.

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