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5 Memória, o reservatório do self: demência

Eric R. Kandel Editora Manole ePub Criptografado

Aprendizagem e memória estão entre as capacidades mais impressionantes de nossa mente. Aprendizagem é o processo pelo qual adquirimos novos conhecimentos sobre o mundo, e memória consiste no meio de reter esse conhecimento ao longo do tempo. A maior parte do nosso conhecimento sobre o mundo e a maioria de nossas habilidades não são intrínsecas, mas aprendidas, desenvolvidas ao longo da vida. Em decorrência disso, somos quem somos em grau considerável pelo que aprendemos e lembramos.

A memória é parte integrante de todas as funções cerebrais, da percepção à ação. Nosso cérebro cria, armazena e revisa memórias, utilizando-as de maneira constante para dar sentido ao mundo. Dependemos da memória para pensar, aprender, tomar decisões e interagir com outras pessoas. Quando a memória é prejudicada, essas faculdades mentais essenciais são afetadas. A memória é, portanto, a cola que mantém nossa vida mental coesa. Sem sua força aglutinante, nossa consciência seria fragmentada em tantos pedaços quanto os segundos que existem em um dia.

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1 O que nossos distúrbios cerebrais podem revelar

Eric R. Kandel Editora Manole ePub Criptografado

O maior desafio de toda a ciência é entender como os mistérios da natureza humana – refletidos em nossa experiência individual sobre o mundo – surgem da matéria física do cérebro. Como os sinais codificados, enviados por bilhões de células nervosas em nosso cérebro, geram consciência, amor, linguagem e arte? Como uma rede de conexões incrivelmente complexa dá origem ao nosso senso de identidade, a um self que se desenvolve à medida que amadurecemos e permanece notavelmente constante em nossas experiências de vida? Esses mistérios do self têm preocupado os filósofos por gerações.

Uma estratégia para resolver esses mistérios é reformular a questão: o que acontece com o nosso senso de self quando o cérebro não funciona adequadamente, quando é atormentado por um trauma ou doença? A resultante fragmentação ou perda do nosso senso de self foi descrita por médicos e lamentada por poetas. Mais recentemente, os neurocientistas têm estudado como o self se degrada quando o cérebro é agredido. Um exemplo famoso é o de Phineas Gage, um ferroviário do século XIX cuja personalidade mudou drasticamente depois que uma barra de ferro atravessou a parte anterior de seu cérebro. Aqueles que o conheciam antes da lesão simplesmente disseram: “Gage não é mais Gage”.

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7 Movimento: doenças de Parkinson e de Huntington

Eric R. Kandel Editora Manole ePub Criptografado

Pelo fato de o movimento parecer tão intuitivo para a maioria de nós, talvez não percebamos quão complexo ele é. Antes que possamos agir, nosso cérebro deve emitir comandos para o corpo, a fim de que os músculos recebam a ordem para contrair ou relaxar. Esses comandos são controlados pelo sistema motor, um conjunto especializado de circuitos e vias neurais que começam no córtex, estendem-se pela medula espinal e distribuem-se a cada centímetro do corpo.

Quando há algo de errado com o sistema motor, ocorrem comportamentos ou movimentos anormais, ou, ainda, perda de controle do movimento. Isso também se manifesta de forma clara no cérebro, e é por esse motivo que os neurologistas têm se concentrado de modo tão intenso na anatomia, com o intuito de associar os transtornos neurológicos aos circuitos neurais específicos no cérebro que os determinam.

Esses estudos de transtornos neurológicos contribuíram muito para a nossa compreensão da função cerebral normal. Na verdade, até a década de 1950, a neurologia clínica era espirituosamente conhecida como a disciplina médica que podia diagnosticar tudo, mas não tratava quase nada. No entanto, após esse período, novos conhecimentos sobre as bases moleculares dos transtornos neurológicos revolucionaram os tratamentos para pessoas com doença de Parkinson, acidentes vasculares encefálicos e até lesões de medula espinal.

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11 Consciência: o grande mistério remanescente do cérebro

Eric R. Kandel Editora Manole ePub Criptografado

Francis Crick, o biólogo mais importante de nossa época, dedicou os últimos trinta anos de sua vida a estudar como surge a consciência a partir do funcionamento do cérebro. “As suas alegrias e as suas tristezas, as suas memórias e as suas ambições, o seu sentido de identidade pessoal e livre-arbítrio não são, de fato, mais do que o comportamento de um vasto conjunto de células nervosas e de suas moléculas associadas”, escreveu Crick em seu livro de 1994 – A hipótese espantosa: busca científica da alma.

Crick progrediu relativamente pouco na descoberta dos mecanismos da consciência, contudo, hoje sua unidade – nossa percepção do self – continua sendo o maior mistério do cérebro. Como conceito filosófico, a consciência continua desafiando o consenso, mas a maioria das pessoas que a estuda e que examinou seus distúrbios a considera não como uma função unitária da mente, mas como estados diferentes em contextos diferentes.

Um dos mais surpreendentes insights a surgir do estudo moderno dos estados de consciência é que Sigmund Freud estava certo: não podemos entender a consciência sem entender que processos mentais complexos e inconscientes permeiam o pensamento consciente. Toda percepção consciente depende de processos inconscientes. Dessa forma, ao nos aprofundarmos no mistério da consciência, lembremo-nos do que nossa exploração de distúrbios cerebrais nos ensinou sobre o processamento mental. Sabemos que o cérebro emprega processos inconscientes e conscientes para construir uma representação interna do mundo exterior que orienta nosso comportamento e nossos pensamentos. Se os circuitos neurais do nosso cérebro estão alterados, vivenciamos o mundo de maneira diferente das outras pessoas, em grau e tipo, nos níveis consciente e inconsciente.

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8 A interação entre emoção consciente e inconsciente: ansiedade, estresse pós-traumático e erros na tomada de decisões

Eric R. Kandel Editora Manole ePub Criptografado

Quando fazemos compras em um supermercado ou conversamos com estranhos em uma festa, confiamos em nossas emoções de modo inconsciente a fim de que nos orientem nessas situações. Também confiamos inconscientemente em nossas emoções quando tomamos decisões. Emoções são estados de prontidão que surgem em nosso cérebro em resposta ao meio ambiente. Elas nos fornecem um feedback imprescindível sobre o mundo e abrem caminho para nossas ações e decisões. No Capítulo 3, consideramos a emoção no contexto do humor, nosso temperamento individual – em particular, analisamos o que a biologia dos transtornos do humor revelou sobre nosso senso de self. Neste capítulo, abordamos a natureza da emoção – seus componentes conscientes e inconscientes – e o papel essencial que ela desempenha em outros aspectos de nossa vida.

Nosso cérebro possui um sistema de aproximação-evasão, o qual nos estimula a buscar experiências que evocam emoções agradáveis e a evitar aquelas que evocam emoções dolorosas ou assustadoras. Neste capítulo, exploramos o que os estudos de animais nos ensinaram sobre como o cérebro regula a emoção do medo e abordamos a natureza dos transtornos de ansiedade humanos, sobretudo o transtorno do estresse pós-traumático – uma reação extrema ao medo. Ao estudar esses distúrbios, os cientistas estão descobrindo onde as emoções surgem no cérebro e como elas controlam nosso comportamento. Aprendemos sobre novas maneiras pelas quais os cientistas estão usando terapia medicamentosa e psicoterapia para ajudar a tratar pessoas com transtornos de ansiedade.

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3 As emoções e a integridade do self: depressão e transtorno bipolar

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Todos nós experimentamos estados emocionais. Na verdade, nossa linguagem transborda de descrições coloridas de como nos sentimos: levantei com o pé esquerdo. Ele está na fossa. Ela está nas nuvens com o novo emprego. Nesses contextos, descrevemos a emoção como um estado mental temporário que vai e vem. Essas mudanças de emoção são completamente normais – e desejáveis. A consciência emocional é vital para se manter vivo e negociar as complexidades da existência social humana.

O estado emocional de uma pessoa é geralmente transitório e ocorre em resposta a um estímulo específico do ambiente. Quando um estado emocional específico se estabelece e se prolonga no tempo, chamamos isso de humor. Pense na emoção como as condições climáticas diárias e no humor como o clima predominante. Da mesma forma que o clima varia amplamente em todo o mundo, o humor predominante varia nos indivíduos. Alguns desfrutam de um bom humor estável, enquanto outros enxergam o mundo de modo mais sombrio. Essa variação na maneira como encaramos o mundo (os psiquiatras chamam isso de temperamento) tornou-se parte intrínseca do comportamento humano. Estamos aqui, portanto, comentando sobre a biologia do self em seu sentido mais profundo e pessoal.

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Conclusão: completando um ciclo

Eric R. Kandel Editora Manole ePub Criptografado

Aprendemos mais sobre o cérebro e seus distúrbios no século passado do que durante todos os anos anteriores da história humana juntos. A decodificação do genoma humano nos mostrou como os genes determinam a organização do cérebro e como as mudanças nos genes influenciam os distúrbios. Adquirimos novos conhecimentos sobre as vias moleculares associadas a funções cerebrais específicas, como a memória, assim como os genes defeituosos que contribuem para distúrbios dessas funções, como a doença de Alzheimer. Além disso, sabemos mais sobre a forte interação de genes e meio ambiente na causa dos distúrbios cerebrais, como o papel do estresse nos transtornos do humor e no transtorno de estresse pós-traumático.

Igualmente notáveis são os recentes avanços na tecnologia de neuroimagem. Hoje os cientistas podem rastrear determinados processos mentais e transtornos mentais em regiões cerebrais específicas e suas combinações com a pessoa alerta, método no qual as células nervosas ativas reluzem e geram mapas coloridos das funções cerebrais. Por fim, modelos animais de distúrbios têm nos direcionado para novas linhas de pesquisa em pacientes humanos.

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6 Nossa criatividade inata: distúrbios cerebrais e arte

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Os artistas – pintores, escritores, escultores, compositores – parecem diferentes de outras pessoas, privilegiados com dons especiais que o restante de nós não possui. Os antigos gregos acreditavam que pessoas criativas eram inspiradas por musas, as deusas do conhecimento e das artes. Os poetas românticos do século XIX tinham uma visão diferente da criatividade. Eles alegavam que esta surge da doença mental, o que diminui as restrições impostas pelo hábito, pela convenção e pelo pensamento racional, além de permitir ao artista explorar os poderes criativos inconscientes.

Hoje sabemos que a criatividade tem origem no cérebro e possui uma base biológica. Também sabemos que, embora certas formas de criatividade surjam associadas a transtornos mentais, nossa capacidade criativa não depende deles. Além disso, a capacidade de ser criativo é universal. Cada um de nós expressa a criatividade de diversas maneiras e com diferentes graus de habilidade.

No entanto, os românticos não estavam totalmente errados. Para a maioria das pessoas, nossa capacidade criativa inata não é facilmente evocada. Os cientistas ainda não conseguiram desvendar os mecanismos biológicos da criatividade, mas descobriram alguns de seus precursores, um dos quais parece nos livrar de inibições, permitindo que nossas mentes vaguem livremente e busquem novas conexões entre ideias. Essa comunhão com o inconsciente é compartilhada por todas as pessoas criativas, mas às vezes é particularmente marcante em indivíduos criativos com transtornos mentais.

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10 Diferenciação sexual do cérebro e identidade de gênero

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No início da vida, a maioria de nós apresenta um forte senso de identidade de gênero – de ser menino ou menina. Por isso, crescemos nos comportando de maneira mais ou menos habitual como outros meninos ou meninas em nossa sociedade. Em geral, nossa identidade de gênero está de acordo com nosso sexo anatômico, nossos órgãos genitais e reprodutores, mas nem sempre. Podemos ter um corpo masculino mas nos sentirmos como menina ou mulher, ou podemos ter um corpo feminino e nos sentirmos como menino ou homem. Essa discrepância é possível porque nosso sexo e nossa identidade de gênero são determinados de maneira distinta, em momentos diferentes durante o desenvolvimento.

A identidade de gênero é o senso de onde nos inserimos no continuum da sexualidade, de ser um homem, uma mulher, ou nenhum dos dois, ou ambos. Ela inclui nosso desenvolvimento biológico, sentimentos e comportamento. Portanto, embora a identidade de gênero possa variar bastante entre os indivíduos, ela depende da diferenciação sexual normal do cérebro. Pelo fato de podermos aprender muito sobre nós mesmos a partir do estudo da identidade de gênero, é oportuna uma digressão do estudo dos distúrbios cerebrais para incluir este capítulo sobre diferenciação sexual do cérebro.

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2 Nossa profunda natureza social: o espectro do autismo

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Somos seres intensamente sociais por natureza. Nosso sucesso de adaptação ao meio ambiente ao longo da evolução resultou em grande parte de nossa capacidade de relacionamento social. Mais do que qualquer outra espécie, dependemos uns dos outros para ter companhia e sobreviver. Por isso, não podemos nos desenvolver normalmente vivendo isolados. As crianças possuem a capacidade inata de interpretar o mundo que enfrentarão quando adultas, porém só podem aprender as habilidades essenciais de que precisarão, como a linguagem, de outras pessoas. A privação sensorial ou social no início da vida pode prejudicar a estrutura do cérebro. Da mesma forma, precisamos de interação social para manter o cérebro saudável na velhice.

Aprendemos muito sobre a natureza e importância de nosso cérebro social – regiões e processos especializados na interação com outras pessoas – ao estudar o autismo, um transtorno complexo em que não há desenvolvimento normal do cérebro social. O autismo surge durante um período crítico de desenvolvimento no início da vida, antes dos 3 anos. Como as crianças autistas não são capazes de desenvolver habilidades sociais e de comunicação de maneira espontânea, elas se isolam em um mundo interior e não interagem socialmente com os outros.

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9 O princípio do prazer e a liberdade de escolha: dependências

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Notamos que o medo normal pode evoluir para um transtorno do estresse pós-traumático, tornando as pessoas incapazes de lidar com o dia a dia. Da mesma forma, nossa atração normal pelo prazer pode ser exagerada, o que causa produção excessiva de dopamina pelo cérebro e resulta em dependência. Essa dependência pode estar relacionada a substâncias como drogas, álcool, tabaco, ou a atividades como jogos de azar, comer ou fazer compras.

A dependência gera estragos na vida das pessoas. Pode custar-lhes o emprego, a saúde ou o casamento. Elas podem acabar na pobreza ou na prisão. Às vezes, a dependência leva à morte. Dependentes não querem continuar a fazer o que estão fazendo, mas não conseguem parar – o abuso repetido deteriorou a capacidade do cérebro de controlar desejos e emoções. Desse modo, a dependência rouba nossa vontade, nossa capacidade de escolher livremente entre as várias formas possíveis de agir.

A dependência de substâncias tem um custo enorme em nossa sociedade, com despesa estimada de mais de 740 bilhões de dólares por ano nos EUA. Esse custo econômico aumenta muito se considerarmos distúrbios compulsivos semelhantes à dependência, como jogo patológico e consumo excessivo de alimentos. O custo humano da dependência, para os indivíduos e para a sociedade, é incalculável. Nas últimas décadas, embora tenhamos feito progressos no tratamento de pessoas com certos tipos de dependência como o alcoolismo, as terapias disponíveis para a maioria das dependências, sejam abordagens comportamentais ou medicamentos, provaram ser inadequadas. Felizmente, os cientistas estabeleceram avanços importantes nos últimos trinta anos para a compreensão da biologia da dependência, aumentando a esperança de que novos tratamentos surjam desses novos conhecimentos.

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4 A capacidade de pensar, de tomar decisões e executá-las: esquizofrenia

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A esquizofrenia provavelmente se inicia antes do nascimento, mas em geral não se manifesta até o final da adolescência ou início da idade adulta. Quando essa doença surge, muitas vezes tem efeitos devastadores sobre o pensamento, a volição, o comportamento, a memória e a interação social – os fundamentos do nosso senso de self – exatamente na época em que os jovens estão se tornando independentes. Da mesma forma que a depressão e o transtorno bipolar, a esquizofrenia é um transtorno psiquiátrico complexo que afeta inúmeras regiões do cérebro e, no final, compromete a integridade do self.

A biologia da esquizofrenia é, sobretudo, de difícil esclarecimento por causa das vastas consequências do transtorno no cérebro e no comportamento. Este capítulo apresenta o que os neurocientistas tiveram a oportunidade de descobrir sobre a esquizofrenia até agora: quais circuitos ela afeta no cérebro, quais tratamentos estão disponíveis aos pacientes e quais componentes genéticos e do desenvolvimento estão por trás do distúrbio. A nova perspectiva da esquizofrenia, como um transtorno do neurodesenvolvimento que, ao contrário do autismo, se manifesta mais tarde na vida, surgiu da significativa pesquisa genética realizada sobre a doença.

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