24 capítulos
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Capítulo 1 - INTRODUÇÃO

Dalgalarrondo, Paulo Grupo A PDF Criptografado

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INTRODUÇÃO

Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer!

Por exemplo, por aquele manipanso

Que havia em casa, lá nessa, trazido de África,

Era feiíssimo, era grotesco,

Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê.

Se eu pudesse crer em um manipanso qualquer –

Júpiter, Jeová, a Humanidade –

Qualquer serviria,

Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?

Fernando Pessoa (In: Poesias de Álvaro de Campos)

A primeira parte deste livro visa revisar criticamente a literatura sobre religião na sua interface com disciplinas como psicopatologia, psicologia e antropologia. Isso servirá de moldura teórica a uma reflexão sobre investigações empíricas desenvolvida na segunda parte do livro. Assim, praticamente toda a análise e reflexão deste livro tem em comum o tema da religião, articulada com distintos aspectos da saúde mental e de diferentes transtornos mentais.

Procede, portanto, indagar logo de início o que é, enfim, esta invenção humana1 chamada religião. Como se deve conceber hoje e em nosso meio a experiência religiosa? E, afinal, por que relacionar religião e psicopatologia? Que conexões existiriam entre a religião e os transtornos mentais? Existiriam relações necessárias ou, se não necessárias, importantes entre a religião e o campo da saúde mental?

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Capítulo 10 - O sistema-mundo e o colonialismo

Conrad Phillip Kottak Grupo A PDF Criptografado

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O SISTEMA-MUNDO

E O COLONIALISMO

O sistema-mundo

O surgimento do sistema-mundo

Industrialização

Causas da Revolução Industrial

Efeitos socioeconômicos da industrialização

Estratificação industrial

Colonialismo

Colonialismo britânico

Colonialismo francês

Colonialismo e identidade

Estudos pós-coloniais

Embora o trabalho de campo em pequenas comunidades tenha sido a marca registrada da antropologia, é impossível encontrar grupos isolados hoje. É provável que nunca tenham existido sociedades verdadeiramente isoladas. Por milhares de anos, os grupos humanos têm estado em contato uns com os outros. As sociedades locais sempre participaram de um sistema maior, que hoje tem dimensões globais – que chamamos de sistema-mundo moderno, ou seja, um mundo no qual as nações são econômica e politicamente interdependentes.

O SISTEMA-MUNDO

O sistema-mundo e as relações entre os países que o compõem são moldados pela

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Capítulo 5 - Ganhando a vida

Conrad Phillip Kottak Grupo A PDF Criptografado

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GANHANDO A VIDA

Estratégias adaptativas

Forrageio

Estratégias adaptativas baseadas na produção de alimentos

Horticultura

Agricultura

A intensificação agrícola: homem e meio ambiente

Pastoreio

Sistemas econômicos

A produção nas sociedades não industriais

Meios de produção

No mundo globalizado de hoje, as comunidades e as sociedades estão sendo incorporadas, em ritmo acelerado, a sistemas maiores. A origem (cerca de 10 mil anos atrás) e a difusão da produção de alimentos (cultivo de plantas e domesticação animal) levaram

à formação de sistemas sociais e políticos maiores e mais poderosos. A produção de alimentos gerou mudanças importantes na vida humana. O ritmo da transformação cultural aumentou muito. Este capítulo oferece um quadro para a compreensão de várias estratégias adaptativas humanas e sistemas econômicos.

ESTRATÉGIAS ADAPTATIVAS

O antropólogo Yehudi Cohen (1974) usou a expressão estratégia adaptativa para descre-

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Capítulo 5 - PSICOPATOLOGIA E RELIGIÃO

Dalgalarrondo, Paulo Grupo A PDF Criptografado

Religião, psicopatologia e saúde mental

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PSICOPATOLOGIA E RELIGIÃO

LOUCURA E RELIGIÃO: UMA ANTIGA E ÍNTIMA RELAÇÃO

Hem? Hem? O que mais penso, testo e explico: todo-o-mundo é louco. O senhor, eu, nós, as pessoas todas. Por isso é que se carece principalmente de religião: para se desendoidecer, desdoidar. Reza é que sara da loucura. No geral. Isso é que é a salvação-da-alma...

Guimarães Rosa, Grande sertão: veredas.

Ackerknecht (1985) afirma, em sua breve história da psiquiatria, que a noção de transtorno, doença mental ou “loucura” que o Ocidente hoje admite difere muito das noções dos povos indígenas, seja da atualidade ou do passado remoto. Nesses povos, quase todas as doenças e, sobretudo, as formas de alteração mental e comportamental que designamos “transtorno mental grave” são concebidas como produtos de forças sobrenaturais: maus espíritos, deuses, roubos espirituais, possessões, obra de bruxas ou de feiticeiros. Descontada a grande variação em termos do que se considera “anormal” entre povos não-ocidentais, quando a “loucura” ocorre e é reconhecida nesses povos, quase sempre são acionadas percepções e representações que a localizam no âmbito do sagrado, do demoníaco, da possessão, enfim, ela ganha uma acepção plenamente religiosa.

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Capítulo 6 - PESQUISAS EPIDEMIOLÓGICAS EM SAÚDE FÍSICA E MENTAL E RELIGI ÃO

Dalgalarrondo, Paulo Grupo A PDF Criptografado

Religião, psicopatologia e saúde mental

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PESQUISAS EPIDEMIOLÓGICAS

EM SAÚDE FÍSICA

E MENTAL E RELIGIÃO

SAÚDE FÍSICA E RELIGIÃO

A relação entre saúde física e religião tem sido estudada de forma sistemática desde o início do século XX (Levin; Larsen, 1997). Um volume consistente de pesquisas, segundo Jeffrey Levin e Harold Vanderpool (1987) tornou evidente uma crescente área de investigação; eles propuseram, então, denominá-la “epidemiologia da religião”. Nas últimas três décadas, Jeffrey Levin tem se tornado o principal expoente desse campo, publicando não só estudos empíricos com dados originais, mas também análises críticas em relação ao uso do constructo religião em epidemiologia, sobretudo no periódico Social Science and Medicine, caracterizado pelo rigor e pela abertura crítica.

Em 1987, Levin e Schiller revisaram mais de 200 estudos que envolviam a relação entre dimensões da religião e a saúde em geral, estudos esses que apareceram na literatura médica no século XX. Depois disso, muitas outras revisões foram publicadas sobre as relações entre religião e taxas de mortalidade e morbidade específicas. De modo geral, tem-se encontrado associações estatísticas significativas entre maior envolvimento e crenças religiosas e menor freqüência de condições como doença cardiovascular, hipertensão, doença cerebrovascular, câncer e doenças gastrintestinais, assim como associações com indicadores gerais do estado de saúde (boa saúde auto-relatada, sintomas gerais, disfunções e incapacidades, longevidade, etc.).

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