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Pau-brasil

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Dicionário dos apaixonados pelo Brasil

Consciência Negra”, que é celebrado em 20 de novembro, data da morte de Zumbi. O presidente José Sarney classifica como lugar histórico a Serra da Barriga, em memória do quilombo de Palmares. Em 20 de novembro de 1995, o presidente da

República, Fernando Henrique Cardoso, pronuncia um elogio a Zumbi: “Vim aqui para dizer que Zumbi nos pertence, ao povo brasileiro, e que ele representa o melhor de nosso povo: seu desejo de liberdade!”.

Pau-brasil

No início, os portugueses estão perplexos. O que vão fazer com essa Terra de Vera

Cruz? Não basta encontrar um país. É preciso saber se servir dele. Os primeiros viajantes não se sentem seduzidos. Essa terra talvez seja bela, mas a pesca não foi boa e o retorno da idade do ouro pode demorar um pouco. Enquanto isso, é preciso cuidar dela.

Felizmente, existem as florestas. Há a selva da Amazônia que é inextricável, sombria e angustiante, assim como a Mata Atlântica na borda do litoral. Elas são ricas em árvores preciosas como o jacarandá. Escondem madeiras desconhecidas, inúmeras palmeiras, nogueiras gigantes como o anacárdio, cujo fruto, o caju, horrível e deliciosamente ácido, salva muitos marinheiros do escorbuto. Há também a seringueira, que produz a borracha; a ubiragara, cuja madeira se transforma em belas canoas; a balsa, com a qual os índios moldam a jangada, essa embarcação acrobática e de uma elegância sem igual, e na qual Júlio Verne mais tarde se inspirou e que, segundo as belas tradições, seria o navio de Ulisses na Odisseia. E há, principalmente, na Mata Atlântica, uma árvore que ganha de todas as outras, a Caesalpinia echinata, que os tupis chamam de ibirapitanga e os portugueses, de pau-brasil: a árvore de brasa.

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Éden

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E

Éden

Até hoje não sabemos onde fica o paraíso terrestre. No início, ele era situado na

Ásia, para os lados da manhã tranquila, na direção do nascer do Sol. Para a Bíblia, ele se localizava entre o Eufrates e o Tigre. O Preste João o transportou para a Índia. As águas do Indo e às vezes as do Ganges espelhavam suas pradarias.

No Renascimento, o jardim começa a se deslocar. Ele muda de continente. Dirige-se para o pôr do sol. Atravessa os mares. Os grandes navegadores o seguem.

Contudo, eles se enganaram: o jardim das delícias não se estendia para o Oriente, mas para o Ocidente. Escondera-se na floresta amazônica. Era um paraíso paciente: desde o início do mundo, ele esperava silenciosamente os conquistadores.

Cristóvão Colombo o descobre nas Antilhas. Ele anuncia a “boa nova” na carta dirigida a Fernando e Isabel, a Católica. Ele exulta. E anuncia ter chegado “em outro mundo”, no “lugar abençoado onde viviam os primeiros pais”.

Ele não está realmente tão surpreso assim, pois já esperava fazer uma grande descoberta. A sua cabeça estava repleta de miragens. Munido da incorreta geografia de Ptolomeu, ele não sabia muito bem com o que ia se deparar, mas sabia que seria algo extraordinário. Talvez desembarcasse nas ilhas do mar oceano onde as amazonas de Homero e de Heródoto se estabeleceram depois de um longo périplo no Cáucaso, na Capadócia e na África. Ou então veria o país no qual os ciclopes da Odisseia se refugiaram. Uma coisa era certa: ele colocaria os pés nas regiões fabulosas exploradas dois séculos antes por Marco Polo, em Catai (a China).

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Bandeirantes

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Dicionário dos apaixonados pelo Brasil

O riso dele é como seu nome, como uma bala que parte a toda velocidade. A sua mulher diz:

– Nos dias em que não trabalha, ele trabalha. Você sabe o que ele faz? Em vez de descansar, vai para a floresta.

Bala é orgulhoso. No domingo, passeia na floresta. Ele olha. Ouve os pássaros.

A passagem da capivara, dos tamanduás, e os cães querem o tempo todo atacar os tamanduás, mas “não deixo eles fazerem o que querem”.

O que Bala gosta na natureza, o que o cativa e o enfeitiça, é a abundância, os renascimentos, a decomposição, as floradas, a profusão, a vida. É a fertilidade. O inesgotável da terra. A floresta é igual a um ventre. A floresta é um ventre de mulher.

“Você está vendo? A folhagem, lá em cima, está ‘coalhada’ de macacos. [Não sei o que significa essa palavra “coalhada”, sem dúvida cheia, recheada de macacos.]

O que é certo é que ouvimos sua gritaria. São os barrigudos... e eu juro que eles enchem bem a barriga com todos esses frutos que estão por todo lado. Quando vejo de longe os galhos sacudindo, como se fosse um furacão, isso quer dizer que estão se enchendo de frutos e de carnes. Comem até não poder mais todas as delícias do mundo, e é isso o que me alegra, que a floresta se mexa e que ela seja boa; tem todas essas coisas que estão lá no seu interior e todas aquelas que eu não vejo.

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Sebastianismo

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Sebastianismo

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Saudade e caravela aplicam a tática do gigante Anteu, o filho de Poseidom, isto

é, do mar, e de Gaia, isto é, da Terra. Anteu brigava muito com os outros Titãs. Ele encontrou um bom jeito de resistir aos seus inimigos. Toda vez que se sentia enfraquecer, tocava o chão e a mãe terra devolvia-lhe as forças. Assim fizeram a caravela e a saudade: a terra perdida, os cenários dispersos, e como estão seguros de que sempre podem retornar, isso os alimenta de esperança. O sino de sua infância, ainda que os precipite nos lamentos e nas lágrimas, dá-lhes vontade de ir adiante. Virtude da marcha a ré e também da saudade: esta, longe de nos encorajar à debandada, fornece-nos a força necessária para a continuação de nossos sonhos. A saudade

é uma pequena marcha a ré muito eficaz, de uso simples, e que permite aos homens e às mulheres de Portugal ou do Brasil correr aos quatro cantos de seu império, uma vez que têm a garantia, graças a ela, de poder reencontrar os escombros do tempo passado, o porto de onde partiram seus ancestrais, a deliciosa tristeza das coisas que não são mais.

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Crueldade

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pre sua flexibilidade e suas boas maneiras. As classes mais variadas se tratam com uma polidez e uma cordialidade que sempre espantam os homens de uma Europa cruelmente voltada para a barbárie”.

Ele recoloca essa afabilidade a longo prazo: “A principal e a mais real característica desse povo é ser amável por natureza. Cada um que você questiona repete o que já foi dito por outros que aqui chegaram: ‘É a mais gentil gente’. Aqui, nunca ouvimos falar de crueldade contra os animais, touradas ou rinhas de galo, nunca; mesmo nos dias mais sombrios, a Inquisição não ofereceu autos da fé à multidão; tudo o que é brutal enoja o brasileiro”.

Stefan Zweig, claro, sabe que o Brasil, na época em que era colônia de Portugal, retirou da África entre três e seis milhões de humanos, para fazer girar suas moendas de cana-de-açúcar e limpar o penico das repugnantes senhoras e dos brutais senhores de engenho, mas ele acredita que esses negros foram tratados com tato. “Em nenhum país”, ele esclarece, “os escravos foram, relativamente, tão bem tratados”.

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Jorge Amado

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A gambiarra é uma espécie de feira de invenções permanente, informal e monumental, sem árbitros nem juízes, que acontece em todo o território brasileiro.

Alguns sociólogos e economistas bastante competentes pensaram em encorajar a gambiarra com prêmios, medalhas, Legião de Honra ou Ordens de Rio Branco, subvenções do Estado. Outros sonham com as montanhas de dólares que afluiriam aos cofres do Brasil se este conseguisse “patentear” suas gambiarras e exportá-las.

Os puristas e os historiadores da cultura objetam: consagrar a gambiarra e cobri-la de honras significa ofendê-la e pervertê-la, sufocar seu gênio e desviar sua vocação, aprisionando-a e submetendo-a à ordem, já que ela é um desafio à ordem.

Os filósofos adicionam uma voz brasileira, uma voz suave: oficializar a gambiarra, coroá-la com títulos e prêmios, seria subjugá-la e colocar no bom caminho uma conduta cujo poder está no fato de seguir os caminhos tortos.

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Língua particular

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transformam-na em uma arma contra os vencidos, contra os índios. Assim, eles poderão insultar, humilhar ou castigar seus empregados ou seus escravos à vontade, e em nheengatu, na língua dos vencidos. O prazer dos vencedores será redobrado.

Os colonos dominam essa “língua geral” com muita facilidade, pois muitas vezes eles mesmos são mestiços, filhos de portugueses e de índias, caboclos, mamelucos. Em contrapartida, os administradores enviados por Lisboa de tempos em tempos não compreendem nada do nheengatu. Eles são duplamente exilados, pela distância e pela língua.

Língua particular

Um dia, eu inventei uma língua. Não é uma língua importante. Ela não se liga nem ao tupi, nem ao nheengatu. E também não é geral. É particular. Sua esperança de vida não é longa. É a de um mosquito. Nem bem nasceu e já era uma língua morta e sem sepultura.

Essa história é bem antiga. O general Castelo Branco já tinha dado seu golpe de

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Sigilo

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“Àqueles que suavam sangue e água na selva”, diz Castro, “esses vorazes vendiam por cinquenta o que valia dez e compravam por dez o que valia cinquenta. E quando o ingênuo conseguia triunfar sobre toda essa espoliação e descia, sorridente e perturbado pelo contato com o mundo urbano, a caminho da terra nativa, nos confins do Maranhão ou do Ceará, lá estava Macedo com os colegas e as suas hospedarias, que o haviam explorado na subida e agora o exploravam muito mais ainda, com uma interminável série de ardis, que ia da vermelhinha, onde se começa-

va por ganhar muito e se acabava por perder tudo, até o latrocínio, executado sob a proteção do álcool. De um dia para o outro, o seringueiro de saldo, que suportara uma dezena de anos na selva, em luta com a natureza implacável, para adquirir o dinheiro necessário ao regresso, via-se sem nada – e sem saber nem como o haviam despojado”.

O que era esse milagre da borracha nesse final de século XIX? “Um ímã líquido”, diz Ferreira de Castro, “são esses rios desconhecidos da Amazônia que atraíram tanta gente aos interiores do Brasil na época da corrida da borracha. E foi dos quatro cantos do planeta que veio uma multidão de aventureiros que se lançou na foz do rio gigante, depois das inocentes populações do Nordeste do Brasil que emigravam para o Alto Amazonas fugindo da seca insólita que arruinava o Ceará e, na alta floresta, a borracha selvagem, essa nova riqueza, estando ao alcance da mão, era uma presa fácil”.

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Nazismo

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garota. Assim os meninos pobres poderiam receber uma gorjeta e comprar um brinquedo ou então, o que é ainda mais triste, um pouco de comida para a família.

Desisti de minha caça aos táxis. Procurei uma criança. Encontrei uma garotinha que tirou de seu bolso um apito. Ela fez um barulho considerável, muito agudo, e um táxi saiu do início da noite. Parou bem rente à calçada. A menina me abriu a porta, eu agradeci e lhe desejei um feliz Natal. Subi no velho Volkswagen como

Cinderela segurando suas vestes para sentar na carruagem.

Nazismo

Durante a Segunda Guerra Mundial, a América Latina está ausente. O lugar que esse continente ocupa no imenso teatro é apenas secundário. Ele desempenha o papel de um espectador interessado, no melhor dos casos, de um figurante. No entanto, Hitler, assim que tomou o poder, e até mesmo antes, colocava bandeirolas no mapa da América Latina. Como sentia um fascínio pelos espaços vazios da Patagônia, desejava fundar ali um novo Estado dependente do Reich. A nova nação agruparia o Cone Sul do Chile e da Argentina. Teria o nome de “Bloco Austral” e seria a guardiã do Estreito de Magalhães, e portanto de dois oceanos, o Atlântico e o Pacífico.

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Música

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Música

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diabo, pois não colocava todos os ovos na mesma cesta: amiga de Deus, certamente, mas jamais cortou os laços com o diabo, pois nunca se sabe. Ela cortejava Satã tanto quanto o bom Deus, meio a meio, e os ladrões fugiam.

Mesmo quando a guerra civil arrasou a cidade de Salvador, durante as escaramuças que aconteceram depois do fim do império, a mulher de capona saiu-se muito bem. Na cidade em polvorosa, ela passeava tranquilamente. Nenhum soldado teria cometido a grosseria de matá-la. A capona nunca era interpelada. Um raio teria caído e destruído aquele que ousasse tocá-la. Ela passeava em um espaço diferente daquele dos homens. Passava por todas as alfândegas, todas as barreiras, as guaritas do campo legalista e as do campo dos revoltados. Ninguém ousou tocá-la ou importuná-la. Ela avançava e o fogo se apagava.

Os combatentes dos dois exércitos, políticos meio traidores e tentados a aceitar as ofertas de “abertura” de seus inimigos, e soldados medrosos se colocavam muitas vezes sob a proteção das caponas. Alguns alugavam seu sublime vestuário e, munidos desse “abre-te sésamo”, tornavam-se invisíveis graças a todos aqueles tecidos, transitando com agilidade de um campo a outro. Em seu magnífico livro, A Bahia já foi assim, Hildegardes Vianna se lembra:

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São Paulo

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São Paulo

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lhes ofereciam esmeraldas, pátenas de prata, berloques de ouro, cruzes de pedras preciosas, casulas de Yves Saint Laurent e de Jean-Charles Castelbajac, beleza, infinito. Os pobres negros, os pobres brancos contemplavam o tesouro. E com ele se saciavam. Comiam até se fartar. Na Europa, os teólogos e os historiadores explicaram com frequência que as igrejas góticas, com suas cenas evangélicas e suas estátuas de apóstolos, eram a “Bíblia dos analfabetos”. No Brasil, o brilho dos monumentos sagrados era “o alimento dos esfomeados”.

As primeiras igrejas, as da costa e das cidades açucareiras, no século XVI, entre

Salvador e Belém, são construídas por monges como os beneditinos frei Agostinho da Piedade e frei Agostinho de Jesus. Elas são fiéis às tradições europeias. Mais tarde, os monumentos de Minas Gerais são construídos pelas paróquias e pelas confrarias, pois Minas não tem conventos. Os pobres e os escravos constroem igrejas e capelas. É então que a inspiração mestiça do Brasil, que escapa à tutela rígida dos monges, se revela. Às tradições arquiteturais ou artísticas vindas da Europa misturam-se agora o gênio melancólico e alegre dos negros, dos caboclos, às vezes até mesmo dos índios, de todos esses deserdados e escravos que pululam nos canteiros que se multiplicam nas Minas Gerais da corrida do ouro.

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Menina da sombrinha

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M

Menina da sombrinha

Viajei quase a noite toda e o ônibus me deixou na estação rodoviária de Natal.

Também chamada de “a Cidade dos Reis Magos” e “a Cidade do Sol”. Ela desempenhou um papel na história da aviação, mas eu estava cansado. À tarde, tinha um encontro com o grande folclorista Luís da Câmara Cascudo. Tudo o que desejava era dormir.

Eram quatro horas da manhã, sem dúvida. E eu não iria alugar um quarto de hotel só por algumas horas. Procurei uma praia. E encontrei uma. Ela estava pálida. Ao largo, podia-se ver uma longa linha branca. Essa linha fazia barulho e espuma. É ali que as vagas do oceano se quebram. Eu disse a mim mesmo que iria esperar tranquilamente, em minha areia, que o Sol se levantasse, e pensei em Adão quando percebeu que havia nascido e que havia ondas, espuma, ervas, areia e coqueiros.

Adormeci. Quando despertei, alguns jovens jogavam futebol. Eles gritavam. A manhã já estava bem avançada. A areia brilhava por causa do Sol, mas eu não entendia o que estava acontecendo, pois estava à sombra. Levantei os olhos e vi que havia uma sombrinha acima da minha cabeça. Procurei de onde vinha aquela sombrinha e percebi uma garotinha negra, muito linda. Ela tinha uns seis ou oito anos, apenas.

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Amazônia

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Amazônia

A grandeza de Aleijadinho foi reconhecida com dois séculos de atraso. Estranhamente, o número de suas obras aumentou à medida que sua fama se espalhava.

Hoje, as falsificações, realizadas em grande parte no século XX, pululam.

No ano 2000, uma importante exposição sobre Aleijadinho foi apresentada no

Brasil. Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira, que era a curadora, recusou-se a incluir nessa retrospectiva as peças que considerava duvidosas. Os proprietários dessas peças não aprovaram tal rigor. Ela foi demitida de suas funções pouco tempo depois, quando a exposição foi apresentada em Nova York, no Museu

Guggenheim.

Uma catálogo de suas obras foi publicado em 2003 no Rio de Janeiro, sob o título O Aleijadinho e sua oficina – Catálogo das esculturas devocionais. O livro foi realizado em segredo absoluto e assinado por Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira e dois outros especialistas. Um colecionador entrou com uma ação na justiça. Ele perdeu o processo, mas a venda do livro foi suspensa durante dez meses. Hoje, é vendido em toda parte, mesmo na Internet.

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Ruínas

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Ruínas

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lão, garotas de Ipanema ondulantes e Brigitte Bardot tomando água de coco em

Búzios. Ó Deus, como é triste lembrar do bonito que algo ou alguém foram quando sua beleza começa a se deteriorar irremediavelmente.”

Todo ano, o carnaval incendeia a cidade. Nada derruba sua energia. Nem crises, nem assassinatos, nem miséria nas favelas, nem esquadrão da morte, nem tormentos ou incertezas da política. Milhões de homens e de mulheres dançam, cantam, gritam, fazem o êxtase e o amor. Por algumas horas, a Baía da Guanabara é o luxo do mundo. No porto, navios despejam sua carga de turistas vindos dos quatro cantos do mundo.

O pôr de sol

Reveste os campos

Os canais, a cidade inteira

De jacintos e de ouro

As melhores escolas de samba desfilam no Sambódromo idealizado por Oscar

Niemeyer em 1984. As mulheres se vestem com as fantasias que bordaram e costuraram durante semanas a fio. As marquesas negras do século de Luís XIV giram

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Excelência

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Excelência

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Ricardo continua. Ele me dá um pequeno livro, caso eu não me lembre muito bem da Epístola de Timóteo, que de fato é bastante vaga em minha memória. Então leio Timóteo: “Que as mulheres se vistam de uma maneira decente; que sua indumentária, modesta e reservada, não seja feita de cabelos trançados, de ouro, de pedras, de roupas suntuosas, mas sim de boas obras. Durante a instrução, a mulher deve permanecer em silêncio em toda submissão. Eu não permito à mulher ensinar e fazer a lei ao homem. Que ela guarde o silêncio. Adão foi feito primeiro.

Eva em seguida. E não foi Adão que se deixou seduzir, mas Eva”.

Decido não contradizer Ricardo, São Paulo e Timóteo. A rigor, eu gostaria de atacar, mas é preciso atacar um por um, como fazia Horácio contra os Curiácios.

Se devo lutar contra os três ao mesmo tempo, eles se apoiarão, serão fortes demais para mim e serei esquartejado. Além do mais, Ricardo me tranquiliza. Essa história acaba bem, uma vez que a mulher, a despeito de tantas imundícies acumuladas em seu corpo e em sua alma, “será salva ao se tornar mãe”. Sueli concorda. Creio que Ricardo deixou a Assembleia de Deus por causa do status da mulher. De fato, a Assembleia de Deus é um pouco moderna. As mulheres têm o direito de falar. O

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