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16. Kant, o sujeito moral e a nova metafísica

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Kant, o sujeito moral e a nova metafísica

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s conclusões de Kant a respeito do conhecimento e do sujeito epistemológico estão no seu livro Crítica da razão pura. Segundo Kant, as demandas postas por Hume estão, se não finalmente resolvidas, ao menos bem equacionadas. Todavia, as demandas a respeito da metafísica, por um lado, e a necessidade de se levar em conta a moralização do sujeito desenvolvida por Rousseau, por outro, fazem Kant escrever um outro livro – Crítica da razão pura prática.

Nesse segundo livro, Kant faz a metafísica recuperar o status que o livro anterior lhe tira, e entende que, por causa de ter conseguido tal feito justamente refletindo sobre o que dizer dos problemas éticos, satisfez a demanda de alemães e franceses; ou seja, a histórica e típica demanda por metafísica e por ética, característica da filosofia desses dois povos.

Kant dá atenção à intenção e ao dever.Tais termos estão presentes na noção de moralidade, como ela aparece no cristianismo, na medida em que este é transformado na religião dominante na

Europa, ainda antes do fim do Império Romano.

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25. Quine e os dogmas do empirismo

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Quine e os dogmas do empirismo

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uine é o mais importante filósofo analítico do século xx pós-Segunda Guerra Mundial. Mas não exatamente pela sua denúncia do “mito do museu”, algo que, como foi dito,Wittgenstein

(em sua fase posterior, quando ele passou a contestar seu próprio livro, o pis) e John Dewey também expressam, com outras palavras, mas sobretudo pelas pesquisas que se abrem a partir do texto

Two Dogmas of Empiricism. Em tal artigo, Quine fere de morte não apenas a filosofia da mente adotada pelos positivistas lógicos, mas atinge o órgão vital destes, isto é, as distinções entre proposições que os homens do Círculo de Viena elaboram a partir de

Hume e, concomitantemente, a tarefa reducionista desses filósofos.

Quais são os “dogmas do empirismo” e quais as conclusões que Quine coloca contra eles?

Segundo Quine, no artigo referido acima, o primeiro dogma do positivismo lógico ou empirismo lógico advém de ele tentar reduzir cada proposição sintética a sentenças protocolares e, a partir disso, estabelecer a correlação de proposições básicas com as então mais básicas ainda, e não com as experiências não passíveis de revisão, vindas dos sentidos a respeito de dados brutos.

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28. O holismo radical de Donald Davidson

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O holismo radical de

Donald Davidson

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maneira como Davidson trata o tema da verdade, do significado e, enfim, da comunicação, tem como ponto de partida a sua crítica a Quine.

Davidson ressalta e critica a seguinte frase de Quine, que está em Two Dogmas:“Eu continuo pensando o esquema conceptual que é a ciência como um instrumento, que, em última instância, prediz a experiência futura à luz da experiência passada”. O que se tem aqui? Tudo indica que trata-se da idéia de que um esquema conceptual é algo usado para fazer algo ao conteúdo da experiência. Sendo assim, enunciados, tanto os de caráter observacional como os teóricos, seriam elementos de um esquema conceptual científico. A diferença entre eles teria a ver com a distância deles em relação ao ponto em que o esquema é afetado pelo conteúdo da experiência. Assim, segundo Davidson, em sua crítica contra

Quine, a distinção entre enunciados observacionais e enunciados teóricos repousa em uma distinção mais ampla, a saber, a distinção entre conteúdo empírico e esquema conceptual. Para Davidson, a idéia de um novo dualismo – “algo que organiza algo”, de um lado, e “algo que é organizado por algo”, de outro – não se sustenta: não é inteligível nem defensável.

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1. Mito e filosofia

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Mito e filosofia

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palavra “filosofia” vem do grego phílos + sophía, onde phílos tem a ver com filiação, amizade, e sophía designa sabedoria. Considerando exclusivamente a etimologia do termo filosofia, o que se obtém é que o filósofo é amigo da sabedoria, está filiado à empresa que busca a sabedoria, procura o conhecimento – o saber verdadeiro. O filósofo é aquele que isola a mentira, que aponta o que é falso. Sendo assim, o verdadeiro e o falso, dicotomicamente falando, estão na raiz da conversação que se instalou, no Ocidente, como a Filosofia.

Pode ser que a filosofia, hoje mais do que ontem, não seja a

“busca por um saber último, a Verdade”, mas não se pode negar que o par verdadeiro–falso ou, de modo mais preciso, a discussão sobre a natureza da verdade, ainda faz sucesso em certas conversações, e que tais conversações são as que atribuímos àqueles que chamamos de filósofos.

Todavia, hoje, algumas disputas atribuídas ao campo da filosofia não seriam levadas tão a sério como no passado recente. A idéia tradicional de que a filosofia espelha a razão na disputa “mito versus razão”, e que tal disputa é a mesma que “ficção versus filosofia”,

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8. A ética e a cidade em Aristóteles e Platão

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A ética e a cidade em

Aristóteles e Platão

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República fala de metafísica, política, ética etc. A ética é a discussão sobre a conduta coletiva e individual dos homens. Nesse contexto, ela tangencia a religião. Há possibilidade de se pensar que a noção de Deus se aproxima da noção de Bem, em Platão.

Aristóteles, por sua vez, também lida com tal noção, definindo-a a partir da teoria das causas: Deus seria o “motor primeiro”, o motor que causa tudo mas que é incausado.

Mas que não se confunda tal noção de Deus com a noção moderna de Deus, a noção judaico-cristã. Deus não é aquele que cria tudo a partir de si; é, sim, em Aristóteles, um tipo de causa final que visa a um resultado.Trata-se do único elemento que não pode ser posto no quadro dos elementos que estão em potência e ato real. Não tem potencialidade porque é ato contínuo, tudo Nele se realiza, de modo que isso é Sua perfeição e, portanto, Sua imutabilidade. É atividade pura. A atividade do pensamento puro, que é o pensamento da perfeição. Deus não pode precisar de mediações entre Si mesmo e as coisas para conhecê-las, Ele é movimento contínuo e conhecimento contínuo e imediato de tudo.

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9. Fé, razão e “nominalismo”

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Fé, razão e

“nominalismo”

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comum dizer que os medievais redefinem não propriamente a filosofia, mas sim o lugar desta na hierarquia das prioridades intelectuais. A filosofia fica sob as ordens da teologia. Deus toma o lugar da Razão como o foco do discurso dos homens de letras.

No Ocidente, o cristianismo, então uma doutrina popular e simples, vira uma religião dominante. Torna-se “a pátria de todos na falta de pátrias” no período entre o fim do Império Romano e o auge do feudalismo, e então tem de responder às indagações das camadas mais intelectualizadas que ficam recolhidas em mosteiros ou em cidades litorâneas, quando do longo período de decadência da vida urbana na Europa.Após mil anos de cristianismo, alguns temas, presentes desde o seu início, chegam a ganhar uma versão filosoficamente sofisticada, tais como: “fé versus razão” e

“universais versus nomes”. O primeiro tema é desenvolvido, entre outros, por Santo Tomás de Aquino, o segundo tem uma história mais tortuosa e, de certo modo, está presente na filosofia contemporânea e em muitos escritos bem atuais.

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20. De Nietzsche a Wittgenstein: os estertores da filosofia moderna

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De Nietzsche a

Wittgenstein: os estertores da filosofia moderna

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ietzsche chega a uma crítica do sujeito a partir de uma visão particular da história da cultura no Ocidente. Ele desenvolve sua argumentação oposicionista com os instrumentos da crítica da linguagem. Resumidamente, a crítica da linguagem começa com sua análise das palavras “bom”, “mau” e “ruim”. Ele as observa no interior do quadro de sua teoria da divisão entre

“fortes” e “fracos”.

Segundo ele, o “forte” possui em seu vocabulário o par

“bom”- “ruim”, enquanto o “fraco” possui o par “bom”- “mau”.

Isto é, o forte qualifica o fraco não como “mau”, em um sentido moral, mas apenas como “ruim”, em um sentido técnico: aquilo ou aquele que não funciona; aquilo ou aquele contra o qual nem vale a pena lutar, pois é de qualidade técnico-funcional desprezível.

No entanto, não é assim que age o “fraco”. Ele utiliza para si próprio a palavra “bom”, como aquele que perdoa, que não revida ao ataque; e o contrário de “bom”, para ele, é “mau” – na verdade, para o fraco, o “mau”, em um sentido moral portanto, é o forte, aquele que poderia conter sua espada mas opta por não fazê-lo.

“Mau”, aqui, não é uma palavra utilizada em sentido meramente

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22. A filosofia analítica e o trabalho de Bertrand Russell

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A filosofia analítica e o trabalho de

Bertrand Russell

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defesa da tese de Frege, de que toda a aritmética é um campo com uma base à qual ela poderia ser reduzida e que tal base é meramente constituída de princípios da lógica, encontra em

Bertrand Russell (1872-1970) um grande entusiasta. Mas Russell não se limita a um trabalho em lógica com derivações para a filosofia. Ao contrário, ele acredita que pode redefinir a filosofia a partir de sua confiança na lógica e na ciência. Sua idéia é a de que “a ciência é inocente até que se prove o contrário, ao passo que a filosofia é culpada a menos que se prove sua inocência”.

Suas conclusões em filosofia se alteram sucessivamente, de livro em livro, cobrindo uma produção vastíssima. Todavia, a idéia de que a filosofia é filosofia analítica, e não valeria a pena se fosse outra coisa, é sempre mantida.

Russell acredita que construções filosóficas não são inúteis, são apenas parte do trabalho filosófico. O autêntico trabalho filosófico, para ele, é o de criticar e clarear noções que, não raro, geram as chamadas discussões filosóficas – metafísicas – não por conta de serem noções autenticamente polêmicas, e sim porque são noções vagas, que não estão no mesmo nível de exatidão das noções com as quais trabalha a ciência. Seu trabalho a respeito da

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27. Introdução às teorias da verdade

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Introdução às teorias da verdade

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outra parte da filosofia de Davidson, que completa sua

“teoria do agente” ou “teoria da ação”, é composta por seus estudos sobre a linguagem e a verdade. Como foi dito, em uma filosofia inspirada nos modernos, cada autor deve falar do sujeito e, depois, da razão. Mutatis mutandis, na filosofia analítica de Davidson, é a discussão do agente e da ação, primeiramente, e depois a discussão da linguagem e da verdade.Todavia, para se entender essa segunda parte da filosofia de Davidson fazem-se necessárias algumas observações sobre um assunto que ganha especificidade no século xx: as teorias da verdade.

Em grego, verdade é aletheia. Quando se diz aletheia há a evocação do não-oculto ou do que não está dissimulado. Aletheia

é o oposto de pseudos, que é justamente o escondido, o que está dissimulado. Não importa aqui se é o “olho do corpo” ou o “olho do espírito” que está vendo. O que interessa aqui é que ambos, quando estão vendo o verdadeiro, estão diante de algo evidente próprio às coisas. A verdade está nas coisas. Dizer a verdade é dizer a verdade do que está na realidade manifestada, e não na realidade que não se manifesta, oculta, a que engana.

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3. Sócrates e os sofistas

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Sócrates e os sofistas

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s chamados “filósofos pré-socráticos” discutem questões de ordem cosmológica (teoria do cosmos, do mundo) e ontológica

(teoria do ser). Sócrates e os sofistas ampliam a conversação da filosofia para o campo da ética, da moral e da política, uma vez que propõem questões novas – perguntas a respeito do homem.

Os “pré-socráticos” cosmólogos falam sobre a phýsis (que, como foi dito, grosseiramente pode-se traduzir por “natureza”), o princípio criador responsável pela geração de todas as coisas. Os pré-socráticos que fundam a ontologia discursam sobre o “ser”, na medida em que deslocam a discussão filosófica para o campo da linguagem e da lógica. Os sofistas, diferentemente, discorrem sobre tais assuntos mas, em geral, preferem falar aos gregos sobre a “arte do bem viver”, ou do “saber viver”, o que inclui a arte de argumentar, ou de saber argumentar – a retórica.

Quanto à arte de saber viver,Trasímaco, por exemplo, a respeito do campo social, insiste que as disputas morais não são relevantes, exceto quando podem ser vistas como lutas pelo poder.

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6. Platão, a teoria da alma e a política

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Platão, a teoria da alma e a política

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teoria da verdade de Platão está associada à teoria da alma.

Indestrutível como forma, a alma teria estado no mundo das formas mas decaído quando do nascimento do homem – o homem empírico. Platão diz que é possível, usando perguntas inteligentes, fazer a alma lembrar da verdade, levando-a a rememorar o momento em que esteve junto das formas puras. Quando do nascimento, há uma queda, diz Platão, que considera a incorporação da alma um verdadeiro trauma. Assim, para que o homem possa obter conhecimento, o saber verdadeiro, nada deve ser feito além de se desanuviar o momento do trauma, dando oportunidade para que a alma do homem empírico reconheça o que viveu, lembre-se que viveu na verdade e que pode então expressá-la neste mundo visível, sensível.

Na medida em que Platão faz essa exposição do que é a alma, constrói uma tipologia humana e, assim, uma discriminação de setores sociais, o que o leva a poder montar uma utopia política

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14. O método de Hume e o “Eu” empirista

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O método de Hume e o “Eu” empirista

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método de filosofar ensinado por Descartes e Rousseau implica passos introspectivos, que explicam primeiro o conhecimento e, depois, o conhecido, ou seja, “o mundo”. Hume, por sua vez, propõe um trabalho de investigação que deve, também, terminar por explicar o conhecimento humano, mas com uma versão que traz problemas para a noção de “eu”, “sujeito”, “entendimento humano”, enfim, “homem”, como os chamados racionalistas tomam tais noções.

Hume resume seu método à seguinte tarefa. O que se quer

é averiguar se sentenças fornecem proposições analíticas, sintéticas ou simples non sense. Isso deve revelar o quadro do que se pode confiar e do que não se deve considerar relevante. A primeira pergunta do método objetiva saber se um enunciado dado é analítico; para tanto, o que se observa é se sua negação gera uma autocontradição. Não sendo analítico, a segunda pergunta é se o enunciado é sintético; para saber, deve ser notado se tal enunciado possui uma idéia que remete ao empírico, à experiência. Em caso positivo, tal idéia, segundo Hume, está na mente humana como uma impressão – uma impressão sensível, um dado inicial exterior

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21. A filosofia analítica e o trabalho de Frege

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A filosofia analítica e o trabalho de Frege

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s historiadores da filosofia batizaram o século xviii como o “século da razão”. Foi a época em que Kant fez a crítica da razão, estabelecendo os limites do conhecimento, ou seja, o campo de atuação da razão teorética, e o deslocamento do ponto arquimediano metafísico para o âmbito da razão prática, da moral. Os historiadores também dizem que o século xix foi o

“século da história”. O tempo em que Hegel insistiu em que a razão não era apenas uma faculdade da alma ou da mente, mas o verdadeiro tecido do Universo, e que este, como um grande pensamento – o Espírito –, tinha na história sua manifestação, condicionando com sua racionalidade maior a razão humana finita. Em ambos os casos, os historiadores da filosofia estão conscientes de que esses dois séculos deram guarida ao império da filosofia do sujeito.

Após as críticas e desconstruções da filosofia do sujeito, o século xx, nos seus últimos trinta anos, apareceu aos historiadores como a época em que alguns pensadores procuraram continuar a investigação filosófica secundarizando a filosofia do sujeito. Aos olhos de hoje, é possível dizer que esses pensadores fizeram do

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19. Nietzsche: crítica ao sujeito e ataque à metafísica moderna

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Nietzsche: crítica ao sujeito e ataque à metafísica moderna

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crítica de Friedrich Nietzsche (1944-1990) em relação a todo esse projeto humanista é, antes de tudo, uma crítica à noção tradicional de verdade. Não se apresenta como uma crítica direta

à noção de verdade estabelecida pela metafísica e/ou pela epistemologia.Trata-se de uma crítica oblíqua, porque não é diretamente filosófica, mas é filosófica por meio do uso de instrumentos retirados da antropologia, da história, da psicologia e de outros campos.

Não é um crítica “interna” (como a de Wittgenstein, por exemplo).

É uma crítica filosófica, sem dúvida, mas vinda de fora da argumentação que a filosofia, em tese, exigiria, que seria a crítica sem tantos pressupostos.Todavia, nem por isso é menos demolidora.

No aforismo 16 do livro Além de bem ou mal, Nietzsche coloca, contra os filósofos, a fustigante pergunta:“Por que sempre a verdade?”. Nietzsche não diz que a verdade, seja ela o que for,

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26. Donald Davidson e a teoria do agente

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Donald Davidson e a teoria do agente

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ma das linhas de continuidade e ao mesmo tempo de crítica da filosofia de Quine é a desenvolvida pelo norte-americano

Donald Davidson (1917). Uma explanação geral sobre esse filósofo deve incluir os dois lados de suas investigações, que determinam dois tradicionais campos da filosofia: a relação entre eventos mentais e eventos físicos, e a discussão do tema da verdade.

Quanto ao primeiro tema, Davidson inova na medida em que, diferentemente da divisão tradicional entre explicação por razões e explicação por causas, a respeito do que faz um agente – mutatis mutandis, um sujeito –, que em geral traz sempre a criação de dois campos de difícil interligação, ele diz que a explicação por razões é uma espécie de explicação por causa. Trazendo tudo à causalidade, Davidson está simplesmente fincando o pé no naturalismo, no fisicalismo, no materialismo. E não são tais posições fisicalistas um reducionismo? O que faz de Davidson um filósofo interessante ainda que fisicalista? (este “ainda”, em itálico, é um modo de respeitar os filósofos continentais, os europeus, que em geral não simpatizam com a filosofia de língua inglesa por conta do seu fisicalismo ou materialismo). O que Richard Rorty (1931),

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