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Capítulo 65. Psicanálise, cinema, filosofia e interações precoces

Celso Gutfreind Artmed PDF Criptografado

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PSICANÁLISE, CINEMA,

FILOSOFIA E

INTERAÇÕES PRECOCES

O filme Hanna Arendt, de Margareth Sukowa (2013), deu o que escrever.

Foi justo e merecido, mas ele é daqueles que abre algo para acrescentar.

A obra estimula, porque dá de sentir. Penso que ela toca no cerne da psicanálise com o cuidado de não ser direta ou concreta. Metáforas superam as coisas em si.

Hanna Arendt (1906-1975) era filósofa, e sua aproximação com o método analítico não ultrapassa o encontro de uma amiga. Não há menções a referências teóricas ou clínicas, mas há psicanálise quando Hanna pensa com liberdade e valoriza no ser humano essa capacidade como a principal, a mais sagrada. Ela teria custado a posição de Eichmann (dos nazistas) e a morte de milhões de judeus. Ela estaria na base do mal, mais banal e de origem menos monstruosa do que se pensa. Pensar assim custou a Hanna desafetos da universidade a amigos, de vizinhos a sionistas, de jornalistas a autoridades. Mesmo assim, continuou pensando e voltando a pensar o que pensava, custasse o que custasse – e custou caro –, só não mais do que o sofrimento daqueles sobre quem pensou.

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Medium 9788536313436

3 Famílias universais: todas as famílias são semelhantes

Salvador Minuchin, Wai-Yung Lee, George M. Simon Grupo A PDF Criptografado

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Famílias universais

Todas as famílias são semelhantes

Um terapeuta familiar precisa entender como a etnia, a classe e os outros fatores sociais têm implicações na estrutura e no funcionamento familiar e, portanto, na terapia familiar. Mas existem certos imperativos do desenvolvimento que são mais universais do que relacionados a contexto. Os pais precisam tomar conta de seus filhos. Certos requisitos são apropriados para certos estágios do desenvolvimento. A forma e a organização familiares determinam sua dinâmica. Os membros da família envelhecem em diferentes padrões e, portanto, têm necessidades que podem entrar em conflito. A lista vai além.

O terapeuta familiar, enquanto reconhece a diversidade das formas das famílias, tanto histórica como atualmente, acredita que existam princípios subordinados que orientam a terapia. Este capítulo apresenta um modelo de conceitos familiares que podem formar um guarda-chuva sob o qual uma variedade de terapeutas pode experimentar com uma variedade de procedimentos e ainda ser capaz de generalizar e de se comunicar de forma útil.

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Medium 9788536302829

Capítulo 8 - Resistências. A reação terapêutica negativa

David E. Zimerman Grupo A PDF Criptografado

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MANUAL DE TÉCNICA PSICANALÍTICA

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Resistências. A Reação

Terapêutica Negativa

Dize-me como resistes e dir-te-ei como és!

VISÃO HISTÓRICO-EVOLUTIVA

Desde os primórdios da psicanálise, o fenômeno resistência tem sido exaustivamente estudado em sua teoria e em sua técnica, mas, nem por isso, na atualidade, perdeu em significação e relevância. Pelo contrário, continua sendo considerado a pedra angular da prática analítica, e, cada vez mais, os autores prosseguem estudando-o sob renovados vértices de abordagem e de conceituação.

Na qualidade de conceito clínico, a concepção de resistência surgiu quando Freud discutiu as suas primeiras tentativas de fazer vir

à tona as lembranças “esquecidas” de suas pacientes histéricas. Isso data de antes do desenvolvimento da técnica da associação livre, quando ele ainda empregava a hipnose, e a sua recomendação técnica era no sentido de insistência, por parte do psicanalista, como uma medida contrária à resistência, por parte do paciente. Este método de coerção associativa, empregado por Freud, incluía uma pressão de ordem física (mão na testa do paciente) que ele próprio procedia e recomendava, a fim de se conseguir a recordação e a verbalização dos conflitos passados.

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Medium 9788582710760

Capítulo 15 - Poesia e corpo: matérias-primas da subjetividade

Celso Gutfreind Grupo A PDF Criptografado

O escritor é alguém que brinca com o corpo da mãe.

(Barthes, 2010)

O tema deste capítulo é o cruzamento do corpo e da subjetividade neste momento histórico de pane dos dois, especialmente no movimento do primeiro para a segunda. A poesia faz a ponte. A poesia faz falta. A poesia preenche.

Exageramos com o corpo, carecemos da subjetividade. Exagerar aqui significa utilizá-lo muito com pouco afeto, mais afeito a cabeça como

D.H. Lawrence (2008) descreveu em sua prosa com poesia: “Quando nos penetramos, fazemos nascer uma chama. Até as flores são criadas pela cópula do sol com a terra”.

Ora, a saúde mental também é a possibilidade de construir sentidos, fomentar mentalização, trocas interpessoais; enfim, encontro. Crescer é fazer laços, vínculos (Mazet).** E acrescentamos: laços e vínculos são subjetivos.

Vivemos tempos narcisistas, autocentrados, virtuais, adjetivados como esta descrição. Fechados e pouco substantivos. Solitários. Resultado:

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Medium 9788536319360

5 As etapas da psicoterapia com crianças

Maria da Graça Kern Castro, Anie Stürmer Grupo A PDF Criptografado

As etapas da psicoterapia com crianças

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Lívia Kern de Castro

Paula von Mengden Campezatto

Lisiane Alvim Saraiva

A psicoterapia psicanalítica com qualquer faixa etária, se bem-sucedida, comporta três fases: início do tratamento, fase intermediária e de término, que ocorrem depois de realizado um processo de avaliação detalhada do paciente. A experiência nos mostra que essas fases não são determinadas por sua duração, mas sim pelas características do vínculo terapeuta-paciente, que se modificam no decorrer do processo psicoterápico.

Porém, nem sempre a psicoterapia atinge essas três fases, pois podem ocorrer interrupções no transcurso do processo terapêutico devido a múltiplas causas, como a satisfação da família com apenas o esbatimento dos sintomas, resistências, mudanças de domicílio, dificuldades financeiras, entre outros. No caso de psicoterapia com crianças, esses aspectos devem ser observados ainda mais atentamente, pois além da relação paciente terapeuta, envolve os pais, escola, médicos e outros profissionais que as acompanham.

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