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Medium 9788582710760

Afinal, para que psicanálise?

Celso Gutfreind Grupo A PDF Criptografado

[...] ele era, ao mesmo tempo, alegre e triste, cético e crente, meigo e cruel, sentimental e escarnecedor, clássico e romântico. (Heine, 2011)

Ternura, aspereza – delicadeza, grosseria – sentimento, sensualidade... sujeira e deidade – tudo misturado nesse composto de inspirada argila. (Keats; Burns, 2009)

Eu começo pelo fim, pelo menos do ponto de vista da psicanálise. Ou de uma de suas autoras, Melanie Klein (1991).

Ela conta que nascemos invejando. E atacando a fonte da inveja. Se o outro – a mãe, a cuidadora – resiste, a gente termina agradecendo. Assim faz o bebê com a mãe. Klein chamou o fenômeno pelo nome: inveja e gratidão.

Falando em resistir, outro psicanalista, o Winnicott (1969b, 1975), especificou que a maior função de um psi (e dos pais e dos educadores)

é sobreviver aos ataques. A prática está cheia de casos assim. O que fazemos? Suportamos e fazemos pouco mais do que tudo isto.

*

Reescrito a partir de uma Aula Inaugural, no Curso de Psicologia da Ulbra.

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Medium 9788573078015

C

David E. Zimerman Grupo A PDF Criptografado

C

C [BION]

Essa letra, na Grade de BION, ocupa a terceira fileira, a que designa a etapa evolutiva dos pensamentos que estão no registro onírico sob a forma de sonhos, devaneios e mitos. Dessa forma, a função de rêverie do analista, também pode ser enquadrada na fileira C.

A letra C também aparece nas traduções em português da obra de BION designando a inicial da palavra conhecimento (do original knowledge e da correspondente letra K).

Cadeia (rede) de significantes [LACAN]

Uma das mais importantes concepções de

LACAN, segundo a qual, desde que nasce, através do discurso dos educadores, o sujeito passa a formar parte de uma cadeia de significantes, na qual deverá estruturarse, sendo justamente o inconsciente essa cadeia articulada.

Assim, tal qual se passa nas conexões dos fios de uma rede, também os diversos significantes, pelo fenômeno psíquico do deslizamento, se interconectam. Ver os verbetes deslizamento e significante.

Calma do desespero (conceito de prática clínica) [BION]

BION atribuiu grande relevância à dor psíquica que o analisando sofre no processo analítico, quando está fazendo mudanças profundas e verdadeiras no seu psiquismo, a ponto de poder atingir um estado de um sofrimento turbulento. A esse sofrimento

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Medium 9788536314648

Capítulo 16: Famílias com bebês

Luiz Carlos Osorio, Maria Elizabeth Pascual do Valle Grupo A PDF Criptografado

16

Famílias com bebês

Olga Garcia Falceto

José Ovidio Copstein Waldemar

INTRODUÇÃO

Neste capítulo, será abordado todo o universo das famílias em que há bebês, e não o das famílias só com bebês, definindo bebê como uma criança menor de 2 anos. Será dada especial atenção à chegada do primogênito – à “fundação” da família – mas descrevemos também vários tipos de situações envolvendo bebês que chegam ao consultório do terapeuta de família, desde casos simples até problemas psiquiátricos bem complexos. Será relatada uma pesquisa epidemiológica que demonstra a magnitude dos problemas descritos e serão assinaladas as semelhanças e as diferenças entre o que se chama psicoterapia paisbebê e a abordagem familiar sistêmica. Por fim, há a apresentação de vários casos clínicos que ilustram a diversidade dos desafios para as famílias e terapeutas.

A DEMOGRAFIA DAS FAMÍLIAS

COM BEBÊS E O ESTUDO DE

UM BAIRRO DE PORTO ALEGRE

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2005, havia no Brasil 3.500.482 crianças de menos de 1 ano, de uma população total de 179.556.501.

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Medium 9788536311166

4 Uma interessante tomada de posição por parte de Letícia, minha netinha, então com menos de 2 anos

David E. Zimerman Grupo A PDF Criptografado

VIVÊNCIAS DE UM PSICANALISTA

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seus alcances, mas também os seus limites e suas limitações, de construir nela um senso de responsabilidade, além de reconhecer e aceitar as inevitáveis diferenças que existem entre todas as pessoas.

Ao longo de algumas análises, seguidamente observo em pacientes adultos o quanto determinada conduta de um(a) professor(a), quando tais pacientes eram crianças ou adolescentes, tanto no sentido positivo (tolerância às eventuais falhas e erros, reconhecimento dos esforços e méritos, um eventual prêmio, crença em suas capacidades latentes, aplauso e incentivo), quanto negativo (uma crítica negativa permanente, uma excessiva demanda de expectativas, que ultrapassam a capacidade do aluno, humilhações públicas, ameaças de reprovação, castigos, etc) pode determinar uma poderosa influência, saudável ou insana, na construção da personalidade do futuro adulto.

Outra reflexão é sobre a coincidência de eu, menino pequeno, estar brincando de arqueólogo no meu primeiro dia de aula: será que era uma previsão de que, no futuro, eu escolheria a profissão de médico, dedicandome a cavoucar nos enigmas do corpo, e, especialmente, de psicanalista que, no fundo, faz um levantamento arqueológico das mentes e almas das pessoas?

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Medium 9788573074826

13 Posições: A Posição Narcisista

David E. Zimerman Grupo A PDF Criptografado

C A P Í T U L O

13

Posições: A Posição Narcisista

Segundo Baranger (1971), o conceito de “posição”, na obra de M. Klein, alude a uma constelação de fenômenos inter-relacionados, como: o tipo de angústia predominante em uma determinada situação (a paranóide ou a depressiva); os mecanismos defensivos utilizados para dominá-las; as pulsões que estão em jogo; as características dos objetos que estão envolucrados nessa constelação; a qualidade e a intensidade das fantasias inconscientes ativadas; o estado das instâncias psíquicas do ego e do superego; os sentimentos e os pensamentos do sujeito – tudo isso configurando uma totalidade em movimento na qual nenhum fator pode ser considerado de forma independente de todos os demais.

M. Klein inicialmente descreveu três tipos de posições: a esquizoparanóide, a depressiva e, entre elas, situou a posição maníaca, porém, ao longo de sua obra, desconsiderou a última e adotou a sua concepção definitiva das duas primeiras posições. As passagens da “posição esquizoparanóide” para a “posição depressiva”, e vice-versa, com as oscilações entre ambas, acompanham-se de modificações e transformações da estrutura e do funcionamento dos objetos internalizados e, de forma correlata, determinam as mesmas modificações no sujeito.

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