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Medium 9788536311166

39 As primeiras supervisões oficiais de atendimento psicanalítico

David E. Zimerman Grupo A PDF Criptografado

VIVÊNCIAS DE UM PSICANALISTA

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REFLEXÕES

Na atualidade, penso que muito dificilmente algum analista didata teria recusado iniciar a análise com um pretendente a candidato que já fora avaliado em entrevistas de seleção prévia, que estava bem recomendado por demais colegas e que, segundo o próprio Guedes, estava bem motivado para fazer uma análise de verdade. Entretanto, em nenhum momento guardei algum tipo de rancor contra o analista e jamais diria que ele foi rígido demais, inflexível ou autoritário comigo. Simplesmente ele foi fiel aos cânones da época. Na atualidade, os analistas, em sua grande maioria, perderam o medo de chegar mais perto dos pacientes e vice-versa. Também não levam ao pé da letra a necessidade de manter um completo anonimato e o rigoroso cumprimento da regra da “neutralidade”, tal como a IPA preconizava.

AS PRIMEIRAS SUPERVISÕES

OFICIAIS DE ATENDIMENTO

PSICANALÍTICO

Nos institutos psicanalíticos do mundo inteiro, a atividade de supervisão do trabalho psicanalítico clínico dos candidatos, tanto a individual como a coletiva, é extremamente valorizada. Em termos de análise individual, são feitas no mínimo duas supervisões, com analistas diferentes, à escolha do candidato. Cada supervisão, feita separadamente, deve se prolongar por dois anos, sempre mantendo com os pacientes um mínimo de quatro sessões semanais. No meu caso, a primeira supervisão, embora eu já estivesse autorizado, demorou um longo tempo para iniciar-se, pela simples razão de que as pessoas que procuravam análise, em sua imensa maioria, eram do sexo feminino, e havia uma imposição por parte do nosso Instituto de

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Medium 9788582712757

Capítulo 39. Maravilhar também é acolher

Celso Gutfreind Artmed PDF Criptografado

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MARAVILHAR

TAMBÉM É ACOLHER

Sería bueno levantarse una mañana y encontrar que la vida de uno depende de uno mismo.

Mafalda (personagem criada por Quino)

Não processei o Carlito. Se ele tinha alguma culpa no cartório dos angustiados, acabou sendo absolvido pelo tempo. Na semana seguinte, ele me ligou.

Tinha lido um livro e lembrou-se de mim, achava o texto a minha cara, mas não sabia se eu iria gostar. O que ele menos sabia é que estava sendo bem mais do que um psicanalista de plantão. Com a sua atitude, atingia o rol dos grandes agentes de saúde, por serem capazes de se antecipar, priorizando a prevenção. Como quem sabe que a doença é a estação final de um trem desgovernado há muitos trilhos. Ou como um terapeuta, que, no momento da crise, em vez de medicar, indica mais leitura, digo, mais sessões. O encontro é o seu remédio. O esforço, o trabalho de ler, digo, de olhar ainda mais. Carlito sentenciava sem se dar conta: ler e analisar-se não sedam; pelo contrário, ampliam a percepção.

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Medium 9788530949372

CAPÍTULO XXIV - NOMEAÇÃO

Joséph Attie Grupo Gen PDF Criptografado

CAPÍTULO XXIV

NOMEAÇÃO

O mistério de um nome1

Teoria do nome ncontramos em Mallarmé, explicitamente formulada, uma teoria propriamente dita da nomeação. Ou, mais exatamente, uma concepção que lhe é própria do que é a nomeação. Já a encontramos em diferentes contornos de sua obra. É o que devemos avaliar agora.

Comecemos dando sua formulação principal, tal como a encontramos nas respostas que ele tinha dado ao jornalista Jules Huret. Este empreendeu uma “Investigação sobre a evolução literária”2 junto a todos os grandes escritores e poetas da segunda metade do século XIX. Ela foi publicada no jornal L’Echo de Paris, de 3 de março a 5 de julho de 1891.

Tomando posição em relação aos parnasianos, Mallarmé diz:

“Os jovens estão mais perto do ideal poético do que os parnasianos, que tratam ainda seus assuntos à maneira dos velhos filósofos e dos velhos oradores, apresentando os objetos diretamente. Penso que é necessário, ao contrário, que só haja alusão [grifo meu]. A contemplação dos objetos, a imagem alçando voo dos devaneios suscitados por eles são o canto: os parnasianos tomam a coisa inteiramente e a mostram: assim, eles deixam de criar mistério; retiram dos espíritos essa alegria deliciosa de acreditar que eles criam. Nomear [grifado por Mallarmé] um objeto é suprimir os três quartos do gozo [grifo meu] que é feito de adivinhar pouco a pouco:

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Medium 9788536302829

Capítulo 38 - Vínculos e configurações vinculares

David E. Zimerman Grupo A PDF Criptografado

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Vínculos e Configurações Vinculares

Quando o amor é por demais simbiótico, asfixiante, cabe fazer uma metáfora com o sol, que ilumina e cria, no entanto o sol quando em excesso, ao invés de criar, seca!

Nem tudo é verdade / Nem tudo é mentira /

Tudo depende / Do cristal com que se mira.

Campoamor (poeta)

As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os problemas; quando na realidade, o amor é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas.

Norman Mailer

INTRODUÇÃO

Este capítulo não poderia faltar no presente manual, tal é a importância que o fenômeno dos vínculos, com as respectivas configurações vinculares, de cada um e do entrosamento entre todos, adquire na contemporânea prática psicanalítica. De fato, a psicanálise deu um significativo salto de complexidade e de qualidade, quando, indo além do que de importante na metapsicologia, teoria e técnica aprendemos com Freud – essencialmente fundamentada nas inatas pulsões libidinais e agressivas, com as respectivas angústias e defesas – e com M. Klein – fundamentalmente baseada nas pulsões sádico-destrutivas, na existência de objetos parciais e totais, arcaicas fantasias inconscientes, com intensas angústias e com defesas bastante mais primitivas do que aquelas descritas por Freud –, ela adquiriu o paradigma de uma permanente vincularidade no campo analítico.

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Medium 9788582712757

Capítulo 51. Três eixos e um amor

Celso Gutfreind Artmed PDF Criptografado

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TRÊS EIXOS E UM AMOR

Os estudos apontam três eixos para legitimar mãe e pai. O primeiro é jurídico: sou mãe, porque a lei diz que sim. Em caso de dúvida, é só consultar a certidão de nascimento, lavrada em cartório com firma reconhecida.

O segundo é biológico. Sou pai, porque transmiti os meus genes. Em caso de dúvida, basta fazer o teste de DNA. Neste mundo de tantos paradoxos, eis um caso raro de certeza quase absoluta. Apesar disso, chega uma hora em que a subjetividade aparece, e ali a ciência reconhece que há um terceiro eixo, este sim decisivo, apesar de incerto: o amoroso.

Não há lei que garanta ser mãe e pai. Há tanta maternidade extraoficial, tanto cuidado paterno sem documento, que o eixo jurídico está longe de ser cabal. Tampouco a biologia decide a parada com seus genes. Há tanta maternidade adotiva – talvez todas, que nada do que é orgânico pode assegurar o começo ou a continuidade de uma filiação, sempre mais afeita

à poesia do que ao átomo. O amor, sim, assegura. Sou mãe ou pai, porque entre nós se criou um vínculo que fez o que somos: um, dois, carnais, cabais – adjetivo nenhum daria conta. Somos substantivos, é indescritível.

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Medium 9788536326467

2 - Concepção psicanalítica da família

Makilim Nunes Baptista, Maycoln Leôni Martins Teodoro Grupo A PDF Criptografado

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Concepção psicanalítica da família

Claudio Garcia Capitão

Rita Aparecida Romaro

Visão histórica da família

A família nem sempre teve a configuração e o desenho que visualizamos atualmente. Ela tem sofrido transformações contínuas, assim como os pressupostos teóricos que, pelos mais variados enfoques, tentam entendê­‑la. Pode ser compreendida como uma instância mediadora entre a pessoa e a sociedade, ou como a primeira referência para a criança, a partir da qual, com base nas inter­‑relações de seus membros, formam­‑se as primeiras regras, valores e crenças de uma pessoa. É ao mesmo tempo um espaço de sociabilidade e socialização primárias, de solidariedade e de proteção social (Carvalho e Almeida, 2003; Lopes, 1985;

Ribeiro, 1999; Baptista, 2004).

A família, no entanto, vai além da simples soma de seus componentes. Pode ser considerada como um organismo vivo, com leis intrínsecas em seu funcionamento que configuram uma estrutura estável, mas com certa flexibilidade para permitir alterações com o passar do tempo (Falceto, 1998).

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Medium 9788536302065

Capítulo 22 - Constratransferência e Relação de Objeto

R. Horacio Etchegoyen Grupo A PDF Criptografado

FUNDAMENTOS DA TÉCNICA PSICANALÍTICA

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Contratransferência e Relação de Objeto

No capítulo anterior, rastreamos o conceito de contratransferência, desde quando foi introduzido por Freud, em

1910, até a segunda metade do século XX, quando começa a ser estudado com outro enfoque, em outro paradigma: como uma presença ineludível, como instrumento, não menos que obstáculo.

Vimos que Racker estudou a contratransferência da perspectiva dos fenômenos de identificação e descreveu dois tipos, concordante e complementar. Dissemos que essa classificação apresenta alguns problemas e também os assinalamos. A classificação de Racker apóia-se em uma teoria da identificação, que agora estudaremos mais detidamente, seguindo sobretudo Grinberg e Money-Kyrle.

A CONTRA-IDENTIFICAÇÃO PROJETIVA

Com seu conceito de contra-identificação projetiva,

León Grinberg fez uma contribuição de valor à teoria geral da contratransferência ou, como ele pensa, além dessa teoria, já que se ocupa “dos efeitos reais produzidos no objeto pelo uso peculiar da identificação projetiva proveniente de personalidades regressivas” (1974, p. 179).

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Medium 9788536302829

Capítulo 3 - Como agem as terapias analíticas?

David E. Zimerman Grupo A PDF Criptografado

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MANUAL DE TÉCNICA PSICANALÍTICA

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Como Agem as

Terapias Analíticas?

Todos nós acabamos nos acostumando com uma coisa extraordinária: esta conversa esquisita, que denominamos [...] psicanálise, funciona. É inacreditável, mas ela funciona.

Bion (Conversando com Bion, p. 127)

ALGUNS QUESTIONAMENTOS

Uma das perguntas mais freqüentes que tanto pacientes quanto alunos e, de certa forma, todos nos fazemos refere-se diretamente

à incerteza de qual é ou de quais são os fatores que determinam o que é a meta maior de qualquer terapia analítica: a obtenção de verdadeiras mudanças no psiquismo, logo, na conduta do paciente. Até pouco tempo atrás, a resposta era mais simples, e fundamentava-se nos efeitos das interpretações do analista, dirigidas ao inconsciente do paciente, levando à obtenção de insights, os quais, passando por um processo continuado de elaborações, conduziriam à cura analítica.

Na atualidade, com o reconhecimento de que muitos outros fatores possam intervir no processo de aquisição de mudanças psíquicas, as coisas não são mais tão simples, de sorte que nos instiga a refletir sobre uma série de questões, tais como, entre outras: continua válida a idéia de que a interpretação seja virtualmente o

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Medium 9788582710760

Capítulo 16 - O brincar e a subjetividade: ou isto ou aquilo

Celso Gutfreind Grupo A PDF Criptografado

É uma grande pena que não se possa estar ao mesmo tempo nos dois lugares! (Meireles, 1977)

Dia desses, perguntaram-me qual a importância de brincar para a subjetividade. Eu respondi, perguntando:

– Está brincando?

Não estava, então eu disse a fim de mais brinquedo:

– Toda. Brincando, brincando, subjetiva-se.

Decidi ser mais drástico, menos lúdico:

– Não há outro modo de sobreviver. E viver mentalmente falando. A concretude mata, que o diga a psicossomática.

O interlocutor imaginário pensou que eu estava realmente brincando.

E eu estava. Sempre que posso, vou à busca de mais brincadeira, mais

*

Reescrito a partir de um artigo publicado originalmente na revista Pátio Educação Infantil.

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A INFÂNCIA ATRAVÉS DO ESPELHO

subjetividade. Sou razoavelmente normal na luta contra a objetividade mortífera da falta de sentido na vida e na morte.

Brincar é sério, eu também disse. Mas ele não se contentou. A ronha aqueceu, transbordou, desentendemo-nos ferozmente. Mas não queríamos perder a amizade (real, imaginária), cenário de novas brincadeiras; portanto, falamos. Fôssemos crianças, brincávamos.

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Medium 9788536311166

6 Os sucessivos casamentos e descasamentos do meu amigo Artur

David E. Zimerman Grupo A PDF Criptografado

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DAVID E. ZIMERMAN

idade eu já não descreio em mais nada. Tudo é possível. Fiquei com a nítida impressão de que o olhar de Alexandre adquiriu um certo brilho de alívio e de esperança.

Desde então, tenho adotado a forma como Alexandre encarava a vida e a morte, com realismo, mas conservando uma luz de esperança, e inúmeras vezes emprego as sábias sentenças de meu filho Xandi para pacientes, em casos nos quais eles próprios ou familiares íntimos estão em fase terminal de alguma doença grave. Muitas vezes eu me perguntava e continuo me perguntando de onde Alexandre tirou tantas forças. Como podia ser tão estóico diante de uma sentença de morte tão prematura e tão injusta?

Além de toda a cobertura de carinho que ele teve todo o tempo, fato que eleva a moral, a auto-estima, e uma sadia resignação, hoje entendo que a própria hemofilia que ele teve que enfrentar desde bebê criou nele um estado mental que na psicanálise moderna chamamos de RESILIÊNCIA.

Essa expressão designa o estado psíquico que certas pessoas possuem, uma poderosa força interna que conjuga aspectos emocionais, espirituais e, certamente, as pulsões de vida voltadas para o desejo de viver, não obstante, ou talvez por isso, possam estar passando por sérias dificuldades. Estudos recentes comprovam que a consolidação de um estado de resiliência se forma a partir de três fatores: uma condição inata, genética; situações ambientais adversas ou um prejuízo orgânico com características de cronicidade e condições familiares, sociais e profissionais em que exista muito amor e reconhecimento.

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Medium 9788536313436

EPÍLOGO

Salvador Minuchin, Wai-Yung Lee, George M. Simon Grupo A PDF Criptografado

Epílogo

Salvador Minuchin

Temos aqui histórias e contadores de histórias. Todos são muito mais humanos do que o contrário. Falam a mesma língua, compartilham as mesmas limitações culturais e podem até ter sonhos semelhantes. Mas os contadores de histórias são diferentes uns dos outros e manifestam sua singularidade. Se ouvirmos com atenção, poderemos ouvir dialetos regionais, frases ideológicas, música klezmer e enredos de Tennessee Williams.

E cada um leva consigo um sistema de crenças pessoais que formou o núcleo de sua terapia.

As histórias de Margaret Meskill e de David Greenan são consideradas americanas modernas. Tratam de confusões de gênero e de direitos dos gêneros. Eles são porta-vozes de grupos maiores. Margaret fala sobre a dispensa estereotípica não-intencional de homens que acompanha o reequilíbrio feminista da injustiça. David, que se vê como um porta-bandeira, apresenta um conto preventivo sobre os indicadores de proximidade.

Nós podemos ver o pai de Israela Meyerstein empoleirado no telhado verde de uma pintura de Chagall, lendo seus poemas, e a dificuldade de

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Medium 9788536309200

Capítulo 15. Terapia de famílias e de casais

Luiz Carlos Osorio Grupo A PDF Criptografado

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Terapia de famílias e de casais

Como vimos no Capítulo 9, a terapia de famílias ou de casais pode ser considerada a face clínica dos novos paradigmas. Calcula-se que cerca de

95% dos terapeutas de casais e famílias apóiam-se, em sua prática clínica, no pensamento sistêmico e seus desdobramentos.

Em seus movimentos iniciais, as escolas ou correntes de Terapia Familiar

Sistêmica (TFS) questionaram acremente o enfoque psicanalítico dos conflitos e vicissitudes familiares e propuseram mudanças radicais no modo de abordá-los.

A TFS, no entanto, acabou por se constituir em uma proposta clínica de certa forma dogmática e que aspira à hegemonia na abordagem dos problemas familiares, e foi questionada. De um lado, houve a crítica feminista ao fato de os

ícones da TFS (na sua imensa maioria homens) partirem do pressuposto de que haveriam papéis determinados para os homens e para as mulheres no seio da família e considerarem disfuncionais famílias que não apresentassem um pai residente no lar, bem como ignorarem ou considerarem patológica uma composição familiar que não fosse organizada em torno de um par heterossexual. De outro, a circunstância de, paradoxalmente, como mentores da visão sistêmica, não considerarem os múltiplos sistemas relacionais nos quais estão inseridas as famílias e que constituem o que viria a ser denominado de “redes sociais”.

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Medium 9788536319360

15 Psicoterapia psicanalítica com crianças institucionalizadas

Maria da Graça Kern Castro, Anie Stürmer Grupo A PDF Criptografado

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Psicoterapia psicanalítica com crianças institucionalizadas

Ana Celina Garcia Albornoz

O abandono, a negligência e o abuso físico, sexual e psicológico são fatos frequentes na vida de muitas crianças. As crueldades impostas a essas crianças deixam marcas que causam graves sequelas na estruturação do seu psiquismo, dão origem a severos quadros psicopatológicos e têm importantes repercussões na vida adulta. As violências perpetradas contra crianças, na maioria dos casos, têm os pais como principais autores. Pais traumatizados na sua própria infância, em geral, apresentam dificuldades para desempenhar suficientemente bem o papel parental. Em muitos casos, a Lei no 8069, de 13 de junho de 1990, determina que as crianças vitimizadas sejam afastadas das suas famílias de origem e sejam encaminhadas

às instituições de acolhimento.

No meu dia-a-dia profissional, em uma instituição pública de acolhimento de crianças vítimas de maus-tratos, frequentemente me deparo com diversas situações que remetem à necessidade de buscar recursos para minimizar as dores deixadas pelas marcas da violência na infância. Tais circunstâncias se inscrevem no campo da práxis ressaltando a questão: como ajudar? Ao buscar na psicanálise uma resposta, fui levada a pesquisar sobre o tema e a constatar que a produção científica na área é escassa.

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Medium 9788536302393

22 “Sem Memória, sem Desejo e sem Ânsia de Compreensão”

David E. Zimerman Grupo A PDF Criptografado

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DAVID E. ZIMERMAN

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“Sem Memória, Sem Desejo e Sem Ânsia de Compreensão”

Entre todas as contribuições de Bion, talvez a recomendação técnica do “Sem memória,...” tenha sido a mais discutida e discutível no establishment psicanalítico.

Dita assim, de forma solta, e tomada ao pé da letra, essa formulação de que o psicanalista deve estar na sessão em um estado de “sem memória e sem desejo” pode provocar nos menos informados perplexidade, confusão e distorção do seu verdadeiro significado, além do risco de vir a ser alvo de comentários jocosos (recordo um saudoso professor de psicanálise que costumava “brincar”, dizendo que

“se a recomendação é não ter memória e desejo, então o analista ideal é um velho impotente e esclerosado”).

No entanto, uma consideração séria e mais abstrativa dessa conceituação permite verificar o quanto ela é importante na prática analítica, a começar pelo fato de que, mais do que uma proposta de modificação na técnica, creio que Bion queria postular uma mudança na atitude interna do analista, com uma certa privação dos órgãos dos sentidos que possibilitasse um máximo de intuição.

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Medium 9788582712757

Capítulo 23. A função analítica é despenteada

Celso Gutfreind Artmed PDF Criptografado

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A FUNÇÃO ANALÍTICA

É DESPENTEADA

Bastou despertar daquele jeito indefinido que Caio Fernando Abreu definiu tão bem: com o pensamento despenteado. No meu caso, despenteado por agrupar funções que poderiam ser mais de uma. Não a batedeira, nem o secador; não o filtro, nem o medicamento. O livro, por exemplo.

Ou o psicanalista. E, como não tinha pente para dar jeito naquilo, decidi agrupar livro e analista.

Na verdade de suas fabulações, eles tinham uma penca de funções em comum. Serviam para divertir, por exemplo. O livro mais, mas ambos serviam. Serviam para fazer pensar, de preferência em pensamentos despenteados. Pensasse na batedeira, não se ia longe: batia-se. Ou no filtro: filtrava-se. Tudo linear, redondo, o sujeito com seu verbo inevitável e penteadinho como o medicamento que medicava direto o sintoma.

Analista e livro serviam para pensar longe, indireto, corajoso, poético, subjetivo, diversificando funções. E serviam, sobretudo, para fazer sentir.

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