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Capítulo 06 - A mente ética

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A mente ética

Em que tipo de mundo gostaríamos de viver se não conhecêssemos nossa posição nem nossos recursos antecipadamente? Falando por mim � mas, creio, não somente por mim � eu gostaria de viver em um mundo caracterizado pelo �bom trabalho�: trabalho que seja excelente, ético e envolvente. Por mais de 10 anos, Mihaly Csikszentmihalyi, William Damon e eu temos investigado a natureza do bom trabalho. Particularmente, nós e nossos colegas temos buscado determinar quais fatores contribuem para o bom trabalho, quais militam contra ele e como melhor aumentar a incidência desse bom trabalho. Dado que nossas descobertas iluminam a mente ética, irei descrevêlas com algum detalhe.

Como muito bem entenderam os cientistas sociais fundadores do final do século XIX, o trabalho está no centro da vida moderna. Émile Durkheim apontou o papel indispensável e convincentemente demonstrado da divisão do trabalho nas sociedades complexas; Max Weber descreveu os alicerces religiosos de uma �vocação� que vai além do desempenho superficial e reflete nossa resposta sincera ao chamamento divino; Sigmund Freud identificou o amor e o trabalho como fatores fundamentais para uma boa vida. Convenientemente, a palavra bom capta três facetas distintas do trabalho. O trabalho pode ser bom no sentido de ser excelente em qualidade � em nossos termos, é altamente disciplinado. Esse tipo de trabalho pode ser bom no sentido de ser responsável � leva em conta suas implicações para toda a comunidade na qual está inserido. E pode ser bom no sentido de a pessoa que o realiza se sentir bem � é envolvente e dotado de sentido, proporcionando o sustento, mesmo em condições difíceis. Se a educação é preparação para a vida, ela é, em muitos aspectos, a preparação para uma vida de trabalho. Os educadores devem

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Capítulo 05 - A mente respeitosa

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A mente respeitosa

O JOGO DE CONTAS ORIGINAL

Há cem mil anos, ancestrais do homo sapiens já se enfeitavam com contas coloridas. Na visão dos estudiosos, membros de um grupo humanóide diferenciavam-se de outro grupo através de uma decisão consciente de se embelezar de uma maneira prescrita.1 Não se pode saber ao certo se esse tipo de adorno era realizado exclusiva ou fundamentalmente com propósitos de formação de grupo, nem se nossos ancestrais já estavam conversando uns com os outros por meio de algum tipo de língua ou protolíngua, nem como esse tipo de marca estava relacionada a outros tipos de simbolismo, de ritos funerários a pinturas de animais em cavernas. Parece claro que a aplicação de marcas que diferenciassem grupos entre si é uma característica importante e duradoura de nossa espécie.

Antropólogos e arqueólogos estudaram o pertencimento a grupos a partir de vários ângulos. Muitos artefatos humanos � como máscaras, totens e escudos � são decorados com sinais distintivos. Os padrões de parentesco costumam ser exógamos: os homens escolhem parceiras de tribos próximas, com nomes de filhos e padrões de residência sendo preocupações antigas e importantes. A troca de presentes entre grupos marca ocasiões cerimoniais, mas essas características identificadoras raramente se restringem a situações de paz ou celebração. Grupos tribais muitas vezes envolvem-se em guerras rituais, combates armados, que vão até que um determinado número de indivíduos tenha sido morto de um lado ou de outro. Nos últimos tempos, os aspectos ritualísticos dos conflitos foram atrofiados: é isso que se quer dizer com expressões assustadoras como guerra total, guerra mundial, conflito global ou destruição mútua garantida.

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Capítulo 04 - A mente criadora

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A mente criadora

Em nossa sociedade global, conectada, a criatividade é buscada, cultivada, valorizada. O visionário do mundo empresarial John Seely Brown disse, com presença de espírito, que, no mundo de amanhã, as pessoas dirão: �Crio, logo, existo�. Quando dou palestras sobre inteligência, costumam me perguntar como se pode cultivar a criatividade. Os públicos esperam que eu venha a defender totalmente a criatividade e revele (definitivamente e sem cobrar!) o segredo de sua aquisição.

Nem sempre foi assim. Na maioria das sociedades, durante grande parte da história humana, a criatividade não foi buscada nem recompensada. Assim como os seres humanos têm uma tendência conservadora que milita contra a inovação educacional e os grandes saltos interdisciplinares, as sociedades humanas também se esforçam para manter sua forma atual. Ficamos impressionados com as realizações da sociedade do antigo Egito, mas nos esquecemos, convenientemente, de que a sociedade evoluiu em ritmo muito lento. Homenageamos cientistas como Galileu Galilei, mas é necessário que nos lembremos de que ele foi denunciado e aprisionado, e que Giordano Bruno, seu predecessor científico, foi morto na fogueira. Nem Johann Sebastian Bach, nem

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Capítulo 01 - As mentes vistas do ponto de vista global

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As mentes vistas do ponto de vista global

UMA INTRODUÇÃO PESSOAL

Há várias décadas, como pesquisador da psicologia, venho refletindo sobre a mente humana. Estudei como se desenvolve, como se organiza, como é formada em toda sua amplitude. Estudei como as pessoas aprendem, como criam, como lideram, como mudam as mentes de outros ou suas próprias. Em grande parte, tenho me contentado em descrever as operações típicas da mente � o que já é, em si, uma tarefa assustadora � mas, em algumas ocasiões, também apresentei visões sobre como deveríamos usar nossas mentes.

Em Cinco mentes para o futuro, arrisquei-me a ir mais longe. Ao mesmo tempo em que afirmo não ter bola de cristal, trato dos tipos de mentes de que as pessoas vão necessitar para prosperar no mundo � para prosperarmos � nos tempos que se avizinham. A maior parte de minha iniciativa permanece descritiva, ou seja, especifico as operações das mentes de que vamos precisar.

Contudo, não posso esconder o fato de que também me dedico a um �empreendimento de valores�: as mentes que descrevo também são aquelas que acredito que devamos desenvolver no futuro.

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Capítulo 03 - A mente sintetizadadora

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A mente sintetizadora

O inferno é um lugar onde nada se conecta com nada.

Vartan Gregorian, citando Dante

Na tradição sacra do Ocidente, a história da humanidade começa no jardim do Éden, quando Adão foi seduzido a dar uma primeira mordida na fruta da árvore do conhecimento. Para as gerações que se seguiram imediatamente ao Adão bíblico, o conhecimento acumulou-se a um ritmo suficientemente lento que pudesse ser passado adiante de forma oral (embora, talvez, não em nacos do tamanho de maçãs), de pais para filhos e a cada nova geração. Mas os seres humanos diferenciam-se pelo fato de que continuam a acumular conhecimento em ritmos cada vez mais acelerados. Na verdade, a própria Bíblia representa um esforço para organizar o conhecimento mais importante surgido até então, o qual, é claro, tendia muito em direção a mensagens religiosas e morais.

Quando as sociedades adquiriram consciência do conhecimento que se havia acumulado, uma ocorrência que pode ter sido associada ao advento da alfabetização, grupos tentaram estabelecer o que era conhecido de maneiras que fossem claras, sistemáticas e facilmente entendidas pela geração seguinte. Na tradição ocidental secular, os filósofos pré-socráticos foram os primeiros indivíduos a buscar ordenar o conhecimento existente. Seus sucessores � Sócrates, Platão e, mais especialmente, Aristóteles � esforçaram-se para organizar não apenas o conhecimento sobre como vivemos, mas também, talvez especialmente, o conhecimento existente sobre o mundo como ele era entendido na época. Os livros de Aristóteles � Física, Metafísica, Poética, Retórica, entre muitos outros � repre-

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