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Capítulo 7 - O silência da alma (Caso Alana)

Gley P. Costa e colaboradores Grupo A PDF Criptografado

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O SILÊNCIO DA ALMA

(Caso Alana)

Gley P. Costa e Liliana Haydee Alvarez

R ESUMO

Estudo sobre a teoria psicanalítica das manifestações psicossomáticas e sobre as características dos vínculos dos indivíduos acometidos por essa patologia, ilustrado com o material clínico de uma paciente com dermatite.

O termo “psicossomático” foi cunhado por Johan C. Heinroth (1773-1843), professor de psiquiatria em Leipzig, Alemanha (Montagna, 2003). Contudo, no campo da medicina, a mútua influência dos fenômenos fisiológicos e psicológicos é reconhecida desde os primórdios. Como resultado, as enfermidades foram classicamente divididas em orgânicas e funcionais, entendendo-se por funcionais aquelas que resultavam de uma ação psíquica sobre o organismo (organoneuroses). Os primeiros estudos psicanalíticos atribuíram às manifestações somáticas uma conotação simbólica, à semelhança dos sintomas neuróticos, como se pode observar nos trabalhos de Garma (1954, 1958,

1962, 1969). Na mesma época, entretanto, a investigação realizada pelo Chicago Institute for Psychoanalysis destacou que, embora os sintomas histéricos e os transtornos vegetativos, como o aumento da pressão sanguínea ou da secreção gástrica, reflitam uma tensão emocional crônica não aliviada, devemos ter presente que os mecanismos envolvidos nos dois casos não são os mesmos, tanto no aspecto fisiológico como no psicodinâmico. Para essa escola, uma neurose de conversão representa uma tentativa de aliviar simbolicamente um estado tensional, encontrando-se este restrito aos sistemas neuromuscular voluntário e perceptivo, cujas funções são expressar e aliviar as emoções. Diferentemente, a “neurose orgânica” resulta de uma disfunção psicogênica de um órgão vegetativo que não se encontra sob o controle do sistema neuromuscular e, portanto, não expressa nenhum significado psicológico (Alexander, 1989). A esse respeito, assim manifestou Glover (1949, p. 170-171):

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Capítulo 8 - O corpo inerme (Caso Lívia)

Gley P. Costa e colaboradores Grupo A PDF Criptografado

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O CORPO INERME

(Caso Lívia)

Gley P. Costa e Roberto Vasconcelos

R ESUMO

Estudo sobre a relação com o corpo na sociedade contemporânea, ilustrado com a história de uma paciente que desenvolveu um quadro grave de anorexia aos 14 anos e quase se deixou morrer.

Em Messe pour le temps futur, Béjart (1983) procurou encenar uma crítica muito contundente aos (des)caminhos da modernidade, caracterizada pelo individualismo, o cientificismo e o mercado, cujo exagero levou ao que se consagrou com o nome de pós-modernidade, passando a mídia e a publicidade a ocuparem o espaço da Igreja e do Estado. Um mundo superlativo que

Lasch (1979), com muita razão, chamou de “a cultura do narcisismo”, e Debord (1992), de “a sociedade do espetáculo”. Quem sabe também pudesse ser considerado “os anos dourados da cirurgia plástica”, não só pelo número de procedimentos, mas, também, pelo extraordinário avanço da técnica. Relacionado a esse tema, pensamos que a relação com o corpo representa uma das questões fundamentais da sociedade contemporânea.

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Capítulo 6 - A vida muito próxima da morte (Casos Ernesto e Ana)

Gley P. Costa e colaboradores Grupo A PDF Criptografado

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A VIDA MUITO PRÓXIMA DA MORTE

(Casos Ernesto e Ana)

Gley P. Costa, David Maldavsky,

Gildo Katz e José Facundo Oliveira

R ESUMO

Estudo sobre a evidência do valor do Algoritmo David Liberman (ADL), um método de investigação psicanalítica da linguagem como expressão das erogeneidades e das defesas, ilustrado com o material clínico de um paciente adepto da internet e de uma paciente cocainômona com prática homossexual.

O Algoritmo David Liberman (ADL) é um método de investigação da erogeneidade e das defesas e seus estados, testemunhadas na linguagem baseada nos conceitos psicanalíticos, em particular na teoria das pulsões de Freud.

O ADL foi desenhado, desenvolvido e aplicado sistematicamente por David

Maldavsky nos últimos 10 anos, que assim o denominou em homenagem ao seu professor e amigo David Liberman, pioneiro na investigação do discurso com enfoque psicanalítico, como demonstração de reconhecimento ao seu talento e generosidade.

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CAPÍTULO XVIII - O LIVRO E A LETRA

Joséph Attie Grupo Gen PDF Criptografado

CAPÍTULO XVIII

O LIVRO E A LETRA

O livro, expansão total da letra1

En vue qu’une attirance supérieure comme d’un vide, nous avons droit, le tirant de nous par de l’ennui à l’égard des choses si elles s’établissaient solides et prépondérantes…2

A vista de uma atração como de um vazio, temos direito tirando-os de nós pelo tédio frente as coisas se elas se estabelecessem sólidas e preponderantes...

“T

enho o plano de minha obra e de sua teoria poética.”3 Foi o que

Mallarmé escreveu em 31 de dezembro de 1865 a seu amigo

Villiers de l’Isle-Adam. Temos aí a ideia que se tornou prevalecente no século XX da obra e de seu duplo, da obra comportando uma reflexão sobre si mesma, que constitui sua própria poética.

A ideia do Livro emergirá um pouco mais tarde.

Sua formulação canônica, nós a encontramos em Le Livre instrument spirituel (1895): “Uma proposição que emana de mim… sumária quer que tudo no mundo exista para terminar em um livro.”4 Nesse intervalo de tempo, em sua correspondência como em seus escritos críticos, Mallarmé não cessava de fazer alusão à ideia da obra e do Livro. Tratava-se da Obra de sua vida, da Grande Obra, “como diziam os alquimistas nossos antepassados”.5

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Capítulo 17 - Um corpo estranho na mente (Caso Júnior e Vera)

Gley P. Costa e colaboradores Grupo A PDF Criptografado

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UM CORPO ESTRANHO NA MENTE

(Caso Júnior e Vera)

Gley P. Costa e Gildo Katz

R ESUMO

Estudo sobre os aspectos teóricos e técnicos do tratamento de casais cujos membros passaram por experiências traumáticas na infância, ilustrado com um caso em que chama a atenção o apego a um mundo no qual as frequências e as quantidades encontram-se no lugar das qualidades diferenciais.

A clínica psicanalítica contemporânea nos tem revelado um tipo de relacionamento no qual se encontra implicada uma experiência traumática que atua na mente do indivíduo como se fosse um corpo estranho, encapsulado, que obstrui o funcionamento psíquico e que não pode ser expresso em palavras, pois não passou pelo processo de simbolização.

Esse corpo estranho, muitas vezes, constitui a base dos conflitos de determinados casais que nos relatam, em suas histórias, vivências traumáticas.

Sabemos que, para o funcionamento mental desenvolver-se plenamente, é indispensável que o afeto e a representação estejam de alguma forma integrados. A vivência traumática acontece quando se produz uma desarticulação entre o afeto e a representação decorrente de um acontecimento que impacta e penetra de forma forçada na mente, desencadeando uma angústia automática.

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