980 capítulos
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01. História e pesquisa

Jane Nelsen, Kristina Bill, Joy Marchese Editora Manole ePub Criptografado

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Entender melhor nossos problemas nos ajuda a encontrar soluções

Como descobrimos anteriormente, os principais desafios da criação dos filhos para os pais que trabalham fora são a falta de tempo, pressões por desempenho e uma enorme quantidade de conselhos e estratégias. Infelizmente, não podemos conceder mais tempo a você – todos nós temos vinte e quatro horas por dia. O que podemos dar e daremos a você são ferramentas que o ajudarão a estabelecer prioridades, com sabedoria, sobre como investir o tempo que você tem para tornar sua parentalidade o mais eficaz possível. Não podemos tirar a pressão da competição que existe em nossa sociedade, mas podemos e ofereceremos a você um ponto de vista mais profundo e esclarecido sobre bem-estar pessoal, criação de filhos e escolhas de vida. Para ajudar você a escolher o caminho certo, também podemos oferecer uma luz que o guiará acima de todos os conselhos e sugestões que estão por aí. Vamos começar examinando as pesquisas, a história da psiquiatria e do desenvolvimento do cérebro, aumentando, assim, nossa compreensão sobre quais fatores importantes influenciam a parentalidade eficaz.

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01. Mindfulness: apresentando o constructo

Isabel C. Weiss de Souza Editora Manole ePub Criptografado

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A realidade está onde colocamos nossa atenção.
William James

Origem da palavra

Ao longo dos últimos anos muito tem se falado, comentado e estudado sobre a técnica de meditação chamada mindfulness, que em português traduzimos por “atenção plena”. Longe de querer esgotar definições e conceitos, visamos aqui proporcionar uma visão mais profunda e ancestral das origens do que hoje se tornou uma das técnicas de meditação mais difundidas dos últimos tempos no Ocidente.

A mais conhecida origem do termo mindfulness está atrelada comumente ao budismo, considerando aqui suas diversas escolas. Para uma de suas traduções está a palavra sati, que em páli, a língua original dos ensinamentos budistas, significa “recordação” ou “lembrança”1 e, mais precisamente, o não esquecimento da mente em relação ao objeto experimentado, sendo a sua função a não distração, conforme expresso no comentário do grande mestre budista Asanga a um importante texto dessa tradição2.

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02. O modelo de encorajamento

Jane Nelsen, Kristina Bill, Joy Marchese Editora Manole ePub Criptografado

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Um garotinho encontra um adorável casulo em seu jardim. Ele o observa atentamente todos os dias desde que soube que há uma borboleta dentro dele. Um dia ele consegue ver pequenas rachaduras na superfície do casulo enquanto a borboleta está começando a sair. Animado e querendo ser útil, o garotinho descasca delicadamente as camadas do casulo para libertar a borboleta. A borboleta tenta abrir as asas, mas não tem força, pois não teve a oportunidade de desenvolver seus músculos rompendo o casulo. A pequena borboleta morre nas mãos do menino.

A Disciplina Positiva oferece a solução

Inúmeras vezes, vemos como o amor equivocado dos pais leva à superproteção e ao bloqueio da habilidade das crianças de desenvolverem a resiliência e a motivação interna que precisam para serem membros felizes, contribuidores e bem ajustados em suas comunidades. “Então”, você pergunta, “devo permitir que meu filho sofra quando posso ajudar a aliviar suas dificuldades?” Bem, na verdade, o verdadeiro sofrimento ocorre quando as crianças crescem sem desenvolver um senso de capacidade, confiança e a alegria de contribuir. Alfred Adler ensinou: “Todo ser humano se esforça para ser importante, mas as pessoas sempre cometem erros se não reconhecem que a sua importância reside na sua contribuição para a vida dos outros.”

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02. Psicoterapia cognitivo-comportamental e as práticas de mindfulness: uma breve trajetória

Isabel C. Weiss de Souza Editora Manole ePub Criptografado

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Entre o estímulo e a reação há um espaço. Neste espaço está nosso poder de escolher nossa resposta. Na nossa resposta está nosso crescimento e nossa liberdade.
Viktor Frankl

INTRODUÇÃO

A relação entre religião e espiritualidade com a psicologia, bem como com a ciência, vem sofrendo mudanças. Atualmente elas são encaradas como aliadas em vários tratamentos e abordagens terapêuticas, sejam elas medicamentosas ou não, a ponto de a Organização Mundial da Saúde e o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5) terem incluído em suas publicações as questões religiosas e espirituais e discutido sua relação com a saúde no sentido mais amplo de seu significado1.

Foi nessa relação de proximidade entre religião, ciência e psicologia que surgiu uma nova técnica terapêutica: o mindfulness. Em 1979, na Escola de Medicina da Universidade de Massachussets (EUA), Jon Kabat-Zinn aproveitou esse movimento e incorporou práticas budistas (principalmente a meditação) em seus trabalhos e na terapia com seus pacientes com foco na redução de dores crônicas, estresse e sintomas depressivos, originando o que hoje se conhece por Redução de Estresse Baseada em Mindfulness (Mindfulness-Based Stress Reduction – MBSR, em inglês). Para ele, mindfulness é: “a consciência que surge quando prestamos atenção – com propósito – no aqui e agora e sem julgamentos”1,2.

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03. Aspectos neurobiológicos da meditação mindfulness

Isabel C. Weiss de Souza Editora Manole ePub Criptografado

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Caminhante, não há caminho, o caminho se faz ao caminhar.
Antonio Machado

Neste momento, o leitor já deve estar bem familiarizado com o conceito e a definição de mindfulness, conforme explanados nos capítulos anteriores. No entanto, é importante situar mindfulness no contexto das tradições meditativas e retomar seu significado, para que este seja o ponto de partida para abordar os aspectos neurobiológicos dessa prática. É sabido que a meditação mindfulness não foi nenhuma invenção e, portanto, é derivada de práticas meditativas mais antigas e tradicionais.

De acordo com a definição operacional de meditação desenvolvida por Cardoso et al.,1 a atenção sustentada é uma condição fundamental para a prática meditativa, seja ela qual for. As diversas técnicas ou escolas de meditação variam basicamente no objeto ou estímulo para o qual a atenção é direcionada, podendo ser mais focada, como na respiração, ou consistir em uma “monitoração” de um conjunto maior de sinais e estímulos, como no mindfulness. De qualquer forma, a meditação utiliza a atenção sustentada como um importante aspecto cognitivo. Tratando-se da definição de mindfulness, Kabat-Zinn et al.2 e Bishop et al.3 também trazem destaque para a atenção como recurso pelo qual se desenrola mindfulness. Por ser marcado por um aspecto cognitivo, mindfulness pode ser treinado como qualquer outra atividade cognitiva e, é de se esperar, portanto, que cause modificações na região cerebral, por exemplo, em sua atividade elétrica, estrutura ou função. Estes correlatos neurobiológicos passaram a ser mais compreendidos com o desenvolvimento de instrumentos para a observação das modificações do sistema nervoso central, como o eletroencefalograma (EEG) e a ressonância magnética.

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