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8. Considerações Finais

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8. Considerações Finais

Embora o presente livro trate da crise no casamento e da separação com o intuito de abarcar tanto os aspectos envolvidos na superação da crise para manter o vínculo quanto a resolução das dificuldades no processo de rompimento, o leitor deve ter observado que me detive muito mais no processo de ruptura e posterior recuperação emocional. Embora eu acredite fortemente na premissa de que “é melhor consertar do que descartar”, ainda mais diante da cultura contemporânea do descartável, que tem se estendido para as relações humanas, é preciso saber admitir que, infelizmente, às vezes não é possível reparar uma construção que está desmoronando e, nessas situações, precisamos abrir mão do que tínhamos, aceitar que se quebrou, que a vida útil acabou ou que não nos serve mais.

O meu trabalho clínico me permitiu observar que, quando o vínculo do casal é forte, o prognóstico é positivo e provavelmente o final da história será a saída da crise e a manutenção do casamento, mesmo que para isso seja necessário um processo de psicoterapia (que será então um trabalho psicoterápico mais fluido e eficaz).

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7. Fases, Dificuldades e Elaborações Pós-Separação

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7. Fases, Dificuldades e Elaborações Pós-Separação

Organizando didaticamente, diria que podemos dividir o período pós-separação, quando bem-sucedido, ou seja, com uma elaboração emocional efetiva, basicamente em duas etapas:

Na primeira, sofre-se pelas perdas, rejeições e inseguranças do presente, que têm raízes no passado, como já vimos anteriormente.

E a dor vivenciada costuma ser imensa.

Na segunda, ocorre um movimento de crescimento, amadurecimento, incluindo a desassociação das carências e inseguranças com a separação, com consequente diminuição do sofrimento e, claro, aumento da segurança, bem-estar e capacidade de relacionamento.

Esta divisão tem objetivo puramente didático, porque, na vivência, o que ocorre é uma mescla das duas fases, um ir adiante e um retroceder, alternando os diferentes momentos do processo de separação de casais.

Também pude observar em alguns indivíduos, após a separação, uma extensão da estratégia de ocupação já abordada no tópico sobre concretização da separação (quando a pessoa, logo após a ruptura,

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5. Concretização da Separação e a Participaçãodo Advogado

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5. Concretização da Separação e a Participação do Advogado

Voltamos agora a abordar o momento em que a ilusão do amparo propiciado pelo casamento se desfaz, quando se encara a relação falida sem “tapar o sol com a peneira”. O momento em que aquela decisão de se separar tomada mil vezes e nunca concretizada passa a ser pragmatizada.

Trata-se da etapa em que todas as já citadas resistências foram vencidas e se concluiu e aceitou que o casamento acabou, sendo necessário efetuar a separação concreta, ou seja, da casa, dos bens, dos filhos, do cachorro...

Em geral, nessa etapa, busca-se a oficialização do rompimento por intermédio de um advogado. Com base nos acompanhamentos que fiz de casais em processo de separação, afirmo que é importante a busca desse profissional, porque os bens concretos, o patrimônio e a guarda dos filhos costumam entrar em cena como elementos de barganha, argumentos de chantagem emocional ou como instrumentos para deixar o outro endividado. Esse uso manipulativo (ainda que

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6. Separação Emocional

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6. Separação Emocional

Já sabemos que a concretização formal do término do casamento não é o final do processo de separação. Como adiantei acima, chegará o momento em que o conteúdo emocional não resolvido vai cobrar seu espaço e voltar à cena, exigindo atenção e elaboração.

Será necessário que ocorra essa elaboração para que haja um final feliz, definido aqui como resolução individual das pendências emocionais, que trará o ganho da tranquilidade e a retomada da realização, num novo formato de vida.

Constatei, em muitos pacientes recém-separados, uma enorme frustração em relação à expectativa do fim do sofrimento com a concretização da separação. As pessoas relatavam que esperavam (após decidir se separar) sentir um alívio imediato após a ruptura, na medida em que, estando livres do outro, não vivenciavam mais as brigas nem as hostilidades (ou pelo menos podiam evitá-las, já que não moravam mais na mesma casa). No entanto, percebiam que estavam insatisfeitas, às vezes deprimidas ou até pensando muito no outro.

E diziam inconformadas: “Como assim? Por que não me sinto livre,

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4. Quando o Processo se Dirigepara a Manutenção do Casamento

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4. Quando o Processo se Dirige para a Manutenção do Casamento

Numa separação didática, temos basicamente três tipos de manutenção de casamento pós-crise.

Sobre o primeiro já vimos bastante até aqui, quando explanei sobre as resistências a terminar o casamento e a respeito da não concretização da separação. É quando não ata nem desata e a relação disfuncional se torna crônica.

O segundo se refere a crises passageiras, reativas às vivências traumáticas.

E o terceiro ocorre quando a crise, embora difícil, se resolve com a reconfiguração do casamento, num processo extremamente complexo, em geral acompanhado de um trabalho psicoterapêutico

(Ufa! O prezado leitor há de concordar que parece um alívio abordar esses casos em que a crise mesmo com luta, é superada a contento).

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casamento e separação

4.1 Manutenção do Vínculo Disfuncional

O primeiro tipo, portanto, caracteriza-se pela manutenção do casamento de casais disfuncionais, optando-se pela continuidade do vínculo neurótico, perpetuando-se o sofrimento inerente a essa escolha ou recorrendo-se a mecanismos de defesa para aliviar a dor, como uma espécie de anestesia ou distanciamento.

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1. Introdução

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1. Introdução

Quando um casamento entra em crise e chega (ou não) à separação, o sofrimento vivenciado pelos parceiros costuma ser enorme e por vezes bastante longo, dependendo do tempo que se leva para chegar à finalização da crise.

Nos casos em que ocorre a separação, o drama relacional pode se estender desde o início das dificuldades de relacionamento que estão comprometendo o vínculo, passando pela efetivação da separação e prosseguindo até a elaboração emocional posterior ao rompimento

(a separação emocional).

Naqueles em que a crise evolui propiciando a recuperação do casamento, os considerados “finais felizes” (consideração cultural equivocada na medida em que a separação também pode ser um final feliz em muitos casos), o sofrimento pode persistir até que a funcionalidade do vínculo seja recuperada.

Quando acontece a manutenção do casamento sem uma evolução positiva da crise, as dificuldades vão se tornando crônicas e são suportadas com uma boa dose de anestesia emocional, ou o casal

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2. Casamento e Crise

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2. Casamento e Crise

Todos sabemos que as crises têm um importante lado positivo no que se refere à possibilidade que trazem de transformação e crescimento. Por outro lado, também é conhecido seu potencial destrutivo quando não se direcionam para resoluções satisfatórias em tempo hábil. Isso também se aplica às crises relacionais, das quais tratamos aqui.

É necessário, então, fazer um questionamento sobre o prognóstico da crise. Trata-se de uma crise que caminha no sentido de promover mudanças positivas? Há quanto tempo ela vem ocorrendo? Durante esse período aconteceram progressos ou o drama vem se perpetuando de forma repetitiva, sem soluções?

Pretendo manter esse questionamento implícito em todos os tópicos aqui abordados, com o foco na questão da importância do prognóstico da crise para o seu des-envolvimento, o que inclui a decisão de ficar no ou sair do casamento.

Para entendermos como acontece a crise no casamento, precisamos abordar alguns aspectos da construção desse vínculo desde o seu

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3. Resistências que Impedem a Evolução

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3. Resistências que Impedem a Evolução

No decorrer de minha prática clínica, pude observar algumas formas de resistência que dificultam a resolução dos conflitos, perpetuando a crise numa dolorosa patinação que impede que se vá a qualquer direção. Trata-se, portanto, de uma impossibilidade no des-envolvimento da crise conjugal.

Retomando aqui a forma como estou utilizando a palavra “desenvolvimento”: ao abordar um problema precisamos nos distanciar um pouco, de forma a diminuirmos nosso envolvimento com ele, envolvimento este que impede uma percepção mais nítida e trava o encaminhamento de soluções (para ter uma imagem concreta do que estou falando, basta aproximar um objeto dos olhos para constatar a perda de clareza da visão desse objeto. Para enxergarmos bem, precisamos de uma distância razoável, que possibilite o foco da visão). Assim, para se desenvolver, muitas vezes se faz necessário se des-envolver.

Com frequência, a pessoa se recusa a enxergar sua responsabilidade nas dificuldades conjugais, adotando uma postura acusatória em relação ao parceiro, o que impede a mudança de suas próprias

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Capítulo 21 - Percepção de Desenvolvimento Profissional

Katia Puente-Palacios, Adriano De Lemos Alves Peixoto Grupo A PDF Criptografado

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PERCEPÇÃO DE DESENVOLVIMENTO

PROFISSIONAL

Luciana Mourão

Katia Puente-Palacios

Juliana B. Porto

Ana Claudia Monteiro

O

desenvolvimento pessoal está diretamente relacionado com as atividades do dia a dia do profissional e deve fazer parte de um processo mais amplo de aprendizagem contínua. O foco do conceito de desenvolvimento profissional está em uma combinação de processos, que envolvem um conjunto de modalidades de aprendizagem, com enfoque tanto em aspectos cognitivos como também em comportamentais e afetivos, que favorecem o desempenho no trabalho e o avanço individual na carreira.

Entre as tendências que estão se configurando para a área de desenvolvimento profissional e que destacam a importância da geração de conhecimento sobre esse tema, podem ser citadas (Abbad & Borges-Andrade, 2004;

Abbad, Zerbini, & Souza, 2010; Aguinis & Kraiger, 2009; Mourão, 2009;

Rosseau, 1997; Salas & Cannon-Bowers, 2001; SamGnanakkan, 2010): a) a expansão de atuação da área, que deixa de ser apenas do interesse das organizações, caracterizando-se o desenvolvimento profissional como uma demanda social; b) o aumento da velocidade com que informações tornam-se obsoletas e a maior complexidade cognitiva no trabalho, gerando uma necessidade de qualificação e requalificação mais intensa e rápida; c) o crescimento das pesquisas em avaliação de treinamentos nas organizações e a manutenção da lacuna nas pesquisas sobre necessidade de trei-

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Capítulo 19 - Domínio de Habilidades de Uso de Novas Tecnologias da Informação e Comunicação em Organizações

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DOMÍNIO DE HABILIDADES DE USO DE

NOVAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO

E COMUNICAÇÃO EM ORGANIZAÇÕES

Gardênia da Silva Abbad

Luciana Mourão

Thaís Zerbini

Danilo Batista Correia

A crescente complexidade do trabalho provocou um aumento nas exigên-

cias de capacitação e qualificação dos profissionais que atuam em todos os setores da economia e uma demanda de oportunizar programas de educação permanente e de aprendizagem contínua aos trabalhadores, visando ao desenvolvimento e ao aperfeiçoamento de competências essenciais e emergentes, necessárias ao alcance de objetivos estratégicos das organizações.

De fato, a área de treinamento, desenvolvimento e educação (TD&E) cresceu muito nos últimos anos, tanto em termos práticos como teóricos (Aguinis & Kraiger, 2009). O atual cenário mundial pressiona as organizações a se tornarem mais competitivas, demandando permanente e crescente investimento em capacitação.

Para responder às demandas atuais de aprendizagem para o trabalho e acompanhar a velocidade das mudanças, a modalidade de educação a distância (EaD) apresenta-se como uma opção muito favorável (Zerbini &

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Capítulo 20 - Medidas do Vínculo do Trabalhador com a Carreira

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MEDIDAS DO VÍNCULO DO

TRABALHADOR COM A CARREIRA

Mauro de Oliveira Magalhães

A turbulência e as incertezas que caracterizam o mundo do trabalho con-

temporâneo trazem consequências importantes para as carreiras. Em tempos passados, uma carreira significava ter um emprego com estabilidade vitalícia e alcançar a aposentadoria por tempo de serviço. Na atualidade, esse destino está reservado a uma minoria. O trabalho é, cada vez mais, uma relação temporária sem vínculos de longo prazo. Desse modo, as carreiras tornaram-se mais centradas no indivíduo do que em organizações de trabalho.

Além disso, observa-se a maior probabilidade de uma estagnação nas carreiras organizacionais, pois os processos de “enxugamento” reduzem oportunidades de promoções verticais, e o avanço tecnológico acelerado faz da obsolescência profissional um risco sempre iminente a ser combatido.

Nesse contexto, questões sobre a definição e a mensuração do vínculo do trabalhador com sua carreira adquirem relevância. Este capítulo apresenta as versões brasileiras da Escala de Comprometimento com a Carreira (Carson & Bedeian, 1994) e da Escala de Entrincheiramento na Carreira

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Capítulo 14 - Resiliência no Contexto de Trabalho

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RESILIÊNCIA NO

CONTEXTO DE TRABALHO

Virgínia D. Carvalho

Maycoln Teodoro

Livia de Oliveira Borges

Este capítulo tem como objetivo apresentar a Escala de Resiliência para

Adultos (Resilience Scale for Adults – RSA) e a investigação sobre as evidências de sua validade para o contexto do trabalho e das organizações no

Brasil. Com esse propósito, são tecidas inicialmente algumas considerações conceituais acerca da resiliência, destacando-se o crescimento recente no número de estudos que enfocam esse construto no campo do trabalho.

As origens da escala e os processos de validação realizados são descritos, bem como sua composição fatorial, modos de aplicação, apuração e interpretação dos resultados, encerrando- se com uma breve discussão acerca de seu potencial de contribuição para a compreensão das possibilidades e limites colocados para os processos de adaptação no ambiente organizacional.

CONSIDERAÇÕES CONCEITUAIS ACERCA DA RESILIÊNCIA

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Capítulo 18 - Escala da Perpção de Suporte Organizacional - Versão Reduzida

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ESCALA DE PERCEPÇÃO

DE SUPORTE ORGANIZACIONAL –

VERSÃO REDUZIDA

Fabiana Queiroga

Hugo Pena Brandão

Jairo Eduardo Borges-Andrade

As organizações buscam otimizar sua produtividade para se diferenciar,

manter sua sustentabilidade ou prestar melhores serviços. Essa produtividade, fruto da relação entre os resultados alcançados e o custo empregado, está especialmente relacionada ao desempenho dos indivíduos presentes nas organizações (Maximiniano, 2001). Para Abbad, Freitas e Palati (2006), esse desempenho será competente (e, portanto, produtivo) quando o trabalhador tiver:

1. domínio da tarefa a ser desempenhada (saber fazer);

2. motivação para trabalhar (querer fazer);

3. condições adequadas para desempenhar (poder fazer).

Considerando esses três elementos, há algum que exerce mais peso sobre o desempenho do trabalhador? Sim, há. Na literatura especializada existem muitos relatos de pesquisas que demonstram a importante influência do contexto, o terceiro desses elementos, sobre as ações do indivíduo no trabalho. Além disso, o segundo daqueles elementos, a motivação, pode também estar fortemente associado a esse contexto. Essa influência pode ser avaliada segundo três perspectivas: o contexto como oportunidade ou restrição; como fator de influência distal ou proximal; e como fator antecedente e consequente do desempenho (Abbad, 1999; Abbad et al., 2006).

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Capítulo 12 - Autopercepção de Empregabilidade

Katia Puente-Palacios, Adriano De Lemos Alves Peixoto Grupo A PDF Criptografado

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AUTOPERCEPÇÃO DE EMPREGABILIDADE

Adriano de Lemos Alves Peixoto

Janice Janissek

Carolina Villa Nova Aguiar

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO TERMO

Ainda que o conceito de empregabilidade tenha sua origem na década de

1950, foi apenas a partir dos anos de 1990 que teve início o processo de investigação empírica de seu significado (Forrier & Sels, 2003; Van der Heidje

& Van der Heidje, 2006). Ao longo de sua trajetória, a noção de empregabi­ lidade sofreu várias transformações conceituais, que refletem não somente diferentes perspectivas e abordagens sobre o tema como também diferentes níveis de análise.

De lá até cá, o tema tem ocupado lugar de destaque no mundo acadêmico e vem assumindo um espaço central nas políticas governamentais de formação e qualificação profissional em diversos países, sendo ainda objeto de significativa atenção das empresas e de seus órgãos de representação

(McQuaid & Lindsay, 2005). A literatura na área é bastante vasta, podendo ser encontrados aportes de diferentes disciplinas, tais como a economia do trabalho, a ciência da administração e a psicologia (De Cuyper & De Witt,

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Capítulo 15 - Escala do Trabalho com sentido (ETS)

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ESCALA DO TRABALHO

COM SENTIDO (ETS)

Pedro F. Bendassolli

Jairo Eduardo Borges-Andrade

Em uma célebre passagem de O capital, Karl Marx observa que o pior dos ar-

quitetos ainda assim é melhor do que a mais eficiente das abelhas, e por uma razão: ele consegue representar, em sua mente, aquilo que vai construir antes mesmo de transformá-lo em realidade. Isto foi escrito antes de a psicologia ter sido estabelecida como disciplina independente. O trabalho, para o ser humano, é mais do que a simples repetição, a execução mecânica de um script herdado pela espécie. Envolve a produção de sentido, como foi amplamente discutido pela psicologia desde que esta tomou para si o trabalho como parte dos fenômenos humanos que passaram a lhe interessar. Tal sentido implica a possibilidade de a pessoa antecipar as consequências de suas ações, de imaginar, a priori, os resultados de seu trabalho, sua finalidade e propósito.

O confronto do ser humano com a natureza, mediante o trabalho, produz sentido na medida em que a ação é passível de uma interpretação. Assim, quando trabalhamos, temos motivos para isso (intencionalidade): é porque desejamos contribuir com a sociedade, na forma de bens e serviços com qualidade e valor; é porque esperamos nos desenvolver mediante a rea­ lização dessa atividade; ou então é porque desejamos receber uma remuneração pelo que fazemos, graças a qual podemos adquirir outros bens e serviços que julgamos de valor conforme nossas necessidades. O sentido que atribuímos ao trabalho permite transcendermos a mera reprodução da força física, intelectual e volitiva envolvidas com sua realização. Essa transcendência inscreve a atividade trabalho em uma rede mais ampla de sentidos, no qual está, conforme sugerido há pouco, a sociedade, mas também a família, a escola e todas as outras instituições sociais.

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