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Capítulo 2. Avaliação da inteligência no ciclo vital

Claudio Simon Hutz; Denise Ruschel Bandeira; Clarissa Marceli Trentini Grupo A ePub Criptografado

A avaliação da inteligência é um dos grandes temas de estudo da psicologia e uma prática psicológica existente desde os primórdios da psicologia científica. Excelentes revisões podem ser encontradas em Segabinazi e Zamo (2016), Primi (2006) e Pasquali (2002). A evolução da produção científica em psicologia nas áreas de avaliação psicológica, psicologia do desenvolvimento, psicologia cognitiva e neuropsicologia permite, atualmente, construir um conjunto de conhecimentos que subsidiam a avaliação da inteligência ao longo do ciclo vital, tema deste capítulo.

Com o desenvolvimento das áreas da psicologia citadas e o crescimento do conhecimento acerca do tema, os estudos relacionados à inteligência passaram a focar também nas funções cognitivas, como atenção, percepção, memória, imaginação, organização do conhecimento, linguagem, pensamento, resolução de problemas, criatividade, raciocínio e tomada de decisão. Atualmente, o conceito de inteligência está relacionado à habilidade de utilizar o conhecimento para resolver problemas (Eysenck & Keane, 1994; Matlin, 2004; Sternberg et al., 2000).

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Capítulo 11. Estudo de caso: contribuição da avaliação da inteligência em um quadro clínico heterogêneo

Claudio Simon Hutz; Denise Ruschel Bandeira; Clarissa Marceli Trentini Grupo A ePub Criptografado

A avaliação da inteligência, como bem descrita ao longo deste livro, é bastante complexa e apresenta-se como um constante desafio aos profissionais que atuam na área. Essa complexidade se dá pela própria natureza do construto, pelas limitações dos instrumentos utilizados e, também, pela dificuldade em estabelecer a clara relação dos resultados obtidos com a funcionalidade global do sujeito avaliado. Ao mesmo tempo, sabemos que a inteligência é um fator muito relevante na vida dos indivíduos, interferindo no funcionamento acadêmico, profissional e social, o que torna sua avaliação fundamental.

O objetivo deste capítulo é apresentar um caso clínico a fim de demonstrar, na prática, como se dá a condução do processo avaliativo. Iniciaremos descrevendo a demanda da avaliação e relatando os dados da entrevista, em seguida apresentaremos os resultados dos instrumentos utilizados e sua interpretação e finalizaremos com o raciocínio clínico necessário para a integração dos dados e discussão dos resultados, identificando possíveis indicações terapêuticas. É importante ressaltar que o caso aqui apresentado não deve ser adotado como um modelo a ser seguido, e sim como uma ilustração que promova a discussão dos aspectos envolvidos na avaliação da inteligência, tendo em vista que cada caso clínico apresenta especificidades que devem ser consideradas.

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Capítulo 1. Avaliação da inteligência: uma introdução

Claudio Simon Hutz; Denise Ruschel Bandeira; Clarissa Marceli Trentini Grupo A ePub Criptografado

Um processo seletivo apresentou aos candidatos a seguinte questão: “Fabio, David e Pedro estavam alegremente conversando sentados ao redor de uma mesa redonda. David não estava à direita de Pedro. Quem estava à direita de Fabio? Alternativas: a) David, b) Pedro e c) Não dá para saber”. Trata-se de uma pergunta simples, mas 30% dos candidatos erraram a resposta. Perguntas similares a essa são rotineiramente apresentadas em processos seletivos de recursos humanos realizados em contextos organizacionais, clínicos ou educativos. Entretanto, qual seria a utilidade desse tipo de pergunta?

Hoje em dia sabemos com alto grau de precisão que os processos mentais que subjazem ao êxito da resposta a perguntas que requerem raciocínio são os mesmos que subjazem à solução de problemas cotidianos. Veja-se, por exemplo, o resultado do estudo de letramento científico realizado no País pelos institutos Abramundo e Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa (Gomes, 2015). No nível 4 de letramento científico (em geral pessoas com ensino superior que poderiam avaliar propostas que exigem o domínio de conceitos e elaborar argumentos sobre a confiabilidade ou a veracidade de hipóteses formuladas), encontrou-se que 8% tiveram dificuldade de interpretar uma conta de luz, 27% teriam dificuldade de apagar um incêndio seguindo as instruções de equipamentos contrafogo e 35% teriam dificuldade de interpretar os resultados de um exame de sangue a partir dos valores de referência fornecidos pelo laboratório. Dificuldades essas não explicadas pelo nível de instrução.

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Capítulo 12. Avaliação da personalidade a partir de teorias fatoriais de personalidade

Claudio Simon Hutz; Denise Ruschel Bandeira; Clarissa Marceli Trentini Grupo A ePub Criptografado

O que faz as pessoas agirem de forma distinta, apresentarem interesses diversos e executarem atividades com diferentes níveis de apti­dão são questões que já estavam presentes na Grécia Antiga (Wild & Revelle, 2009). No últi­mo século, entretanto, o interesse e a produção de conhecimento sobre essas questões permiti­ram o surgimento de uma área de estudo conhe­cida como “diferenças individuais”, sendo que o estudo da personalidade se tornou tão popular a ponto de constituir uma área de investigação própria. Inicialmente, o estudo da personalida­de ocorreu dentro da psicologia social, mas pos­teriormente individualizou-se, sendo que al­guns periódicos, como Journal of ­Personality and Social Psychology, Journal of Personality, European Journal of Personality e ­Personality and Individual Differences, foram criados ou adequados, especificamente, para absorver a grande quantidade de conhecimento produzida na área. O modelo de personalidade mais investigado atualmente é conhecido como Big Five (BIG-5 ou Modelo dos Cinco Grandes Fatores – CGF), que explica a personalidade

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Capítulo 7. Estratégias e técnicas para mudança em terapia do esquema

Kelly Paim; Bruno Luiz Avelino Cardoso Grupo A ePub Criptografado

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Presságio

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p’ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar, E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!

Fernando Pessoa

A terapia do esquema (TE) com casais visa o rompimento do ciclo destrutivo da relação, focando na compreensão e no enfraquecimento dos esquemas iniciais desadaptativos (EIDs). Para isso, o terapeuta utiliza ferramentas técnicas (cognitivas, experienciais, comportamentais e interpessoais) a fim de ajudar os parceiros a identificar e reprocessar as emoções relacionadas aos EIDs. O objetivo principal é o desenvolvimento de estratégias saudáveis para suprir necessidades emocionais infantis e adultas na relação conjugal (Behary & Young, 2011).

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Capítulo 10. Juntos, mas separados: do entendimento à intervenção em relacionamentos distantes

Kelly Paim; Bruno Luiz Avelino Cardoso Grupo A ePub Criptografado

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Às vezes consigo sentir os meus ossos tensos sob o peso de todas as vidas que não estou vivendo.

Jonathan Safran Foer

A busca pela satisfação das necessidades emocionais primárias está no cerne dos relacionamentos amorosos (Paim, 2016; Simeone-DiFrancesco, Roediger, & Stevens, 2015; Stevens & Roediger, 2017). Nessa interação, o funcionamento da personalidade, constituída a partir da inter-relação entre os componentes biológicos, psicológicos e sociais, influencia a dinâmica dos relacionamentos interpessoais estabelecidos.

A rigidez nos padrões cognitivos, emocionais e comportamentais da personalidade tende a causar prejuízos e sofrimento em diversas áreas da vida, sobretudo nas relações conjugais. Conforme Young, Klosko e Weishaar (2008), na base dos problemas interpessoais estão os padrões rígidos da personalidade permeados por esquemas iniciais desadaptativos (EIDs). Os EIDs são traços autoderrotistas da personalidade que definem como o sujeito vê a si mesmo, o mundo e os outros.

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Capítulo 6. Outros modelos de avaliação de inteligência

Claudio Simon Hutz; Denise Ruschel Bandeira; Clarissa Marceli Trentini Grupo A ePub Criptografado

A Bateria de Provas de Raciocínio (BPR-5) (Almeida & Primi, 2000) é um instrumento de avaliação das capacidades cognitivas, especialmente do raciocínio fluido. Por meio de tarefas que exigem o emprego de diferentes tipos de raciocínio, o indivíduo obtém escores nos subtestes específicos e um escore geral, o que permite comparar seus resultados com uma amostra normativa e classificar seu desempenho. Desde sua publicação, foram realizados vários estudos de evidências de validade e de fidedignidade da BPR-5, conforme será exposto adiante neste capítulo, o que garante a qualidade do instrumento para a sua aplicação em indivíduos que tenham escolaridade a partir da 6ª série (ou 7º ano) do ensino fundamental, incluindo adolescentes e adultos. Provas similares têm sido usadas em Portugal e, mais recentemente, na Espanha e em Moçambique, contando sempre com estudos de adaptação e validade.

A BPR-5 originou-se da versão portuguesa Bateria de Provas de Raciocínio Diferencial (BPRD) (Almeida, 1986, 1988), que, por sua vez, originou-se dos Testes de Raciocínio Diferencial, de Meuris (1969). A adaptação para uso no Brasil iniciou-se em 1995 (Primi, Almeida, & Lucarelli, 1996) e, a partir da seleção de conjuntos de itens com base na sua eficácia em função da adequação da dificuldade e do poder discriminativo, foram construídas as duas formas da BPR-5 (A e B) em sua versão brasileira (Almeida, Antunes, Martins, & Primi, 1997). Desde o início, e com a autorização do Prof. Georges Meuris, da Université Catholique de Louvain-la-Neuve, houve substituição do termo “teste” por “prova”, para apoiar uma avaliação mais dinâmica das habilidades cognitivas em face da diversidade de conteúdos nas provas para os mesmos processos cognitivos. Além disso, retirou-se o termo “diferencial” da designação da bateria, pois, mais do que explicados por fatores autônomos, os desempenhos dos sujeitos nas provas eram explicados por um fator geral de habilidade cognitiva (Meuris, Almeida, & Campos, 1988).

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Capítulo 8. Explorando a relação entre inteligência e criatividade

Claudio Simon Hutz; Denise Ruschel Bandeira; Clarissa Marceli Trentini Grupo A ePub Criptografado

Consideradas habilidades do século XXI (Partnership for 21st Century Skills, 2013), a inteligência e a criatividade vêm sendo reconhecidas, cada vez mais, como competências essenciais para o sucesso pessoal, escolar e laboral, baseando-se na constatação de que o conhecimento total do potencial individual somente poderá ser descoberto quando ambas as habilidades forem estudadas conjuntamente.

Nas concepções mais atuais, a criatividade é definida como um construto multidimensional, presente em todas as pessoas, ao menos enquanto potencial, ocorrendo em diferentes graus e domínios nos indivíduos (Robinson, Shore, & Enersen, 2007). É originada a partir da interação de diversos fatores, tais como processos cognitivos, traços de personalidade e contexto ambiental (Eysenck, 1999; Lubart, 2007; Wechsler, 2008), e considerada uma característica que emerge, espontaneamente, desde que não seja inibida ou bloqueada. As abordagens atuais desse construto o definem considerando quatro categorias de investigação:

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Capítulo 13. Avaliação objetiva da personalidade a partir de teorias psicodinâmicas

Claudio Simon Hutz; Denise Ruschel Bandeira; Clarissa Marceli Trentini Grupo A ePub Criptografado

“Até o advento da psicanálise o caráter [a personalidade] era conhecido como destino.”

(Martin Bergman)

“Não há tratamento para doença desconhecida”

(Maximiano)

Na história das ciências, é possível verificar que, nos mais variados campos do conhecimento, inúmeros problemas intrigaram cientistas e que, em determinado período, foram dados como perfeitamente explicáveis e completamente solucionados, mais tarde se descobriu não passarem de explicações parciais e incompletas daqueles fenômenos em questão (p. ex., a astronomia de Galileu comparada às posteriores descobertas de Copérnico ou de Einstein).

Com a história da psicanálise1 não foi dife­rente. Nos tempos de Freud, quando a teoria e a técni­ca estavam em seus primórdios, a esfera das dificuldades que se pretendia diagnosticar e tratar com o método ­psicanalítico era limitada e as terapias frequentemente não ultrapassavam alguns poucos meses (Roazen, 1999). À medida que se avançou no conhecimento, conforme se verificará a seguir, foi possível ampliar o universo dos problemas e o esco­po dos pacientes a serem tratados com as terapias dinamicamente orientadas (Kernberg, 1989; Stone, 1954/1986).

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Capítulo 14. O modelo híbrido de diagnóstico dos transtornos da personalidade no DSM-5

Claudio Simon Hutz; Denise Ruschel Bandeira; Clarissa Marceli Trentini Grupo A ePub Criptografado

O Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM), da American Psychiatric Association (APA), é o sistema de classificação dos transtornos mentais mundialmente utilizado entre os pesquisa­do­res (Mezzich, 2002). Atualmente, o DSM está em sua quinta edição (American ­Psychiatric Association [APA], 2013) e pela primeira vez em sua história, desde a publicação de sua primei­ra edição em 1952, são apresentados simultaneamente (em um mesmo volume) dois sistemas independentes e concorrentes de diagnóstico dos transtornos da personalidade (TPs) (Krueger, 2013).

O presente capítulo tem como objetivo apresentar e discutir o mais novo modelo diagnóstico dos TPs. Para tanto, em um primeiro momento, será apresentado um breve panorama histórico de como a classificação dos TPs foi se modificando ao longo das diferentes edições do DSM. Esse resgate histórico permitirá uma compreensão de como o conceito de TP foi evoluindo ao longo dos anos até a contemporaneidade. Em um segundo momento, será feita uma caracterização dos dois principais modelos de diagnóstico dos TPs, a saber: o categórico e o dimensional. Esses modelos coexistem no DSM-5 e fundamentam o modelo híbrido apresentado nessa edição. Em seguida, serão apresentados os sistemas de avaliação e de conclusão diagnóstica propostos no modelo híbrido. Esse novo sistema demanda do clínico uma prática diferente da tradicional, e a ideia aqui é pontuar as diferenças de conduta clínica. Por fim, três casos de indivíduos que foram avaliados nesse sistema serão apresentados de modo a ilustrar a utilidade clínica do novo modelo do DSM-5 no que se refere aos aspectos descritivos da personalidade, de delimitação do diagnóstico e de planificação do tratamento.

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Capítulo 2. Teoria do apego e esquemas conjugais

Kelly Paim; Bruno Luiz Avelino Cardoso Grupo A ePub Criptografado

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Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais.

Belchior – Como nossos pais

A teoria do apego é, atualmente, o grande paradigma da psicologia do desenvolvimento. Construída a partir das ideias do psicanalista e psiquiatra John Bowlby, que contou com o apoio precioso da psicóloga Mary Ainsworth, essa teoria vem colaborando para pesquisas e estudos em diferentes áreas: neurociências (Buchheim, George, Gündel, & Viviani, 2017), psicoterapia (Young, Klosko, & Weishaar, 2008), psicologia social (Grossman, Grossman, & Waters, 2005), bem como orientação de pais, famílias e relacionamentos conjugais (Mendes & Pereira, 2018; Ramsauer et al., 2014). Poucas propostas na psicologia, área repleta de subjetividade, de opiniões e visões tão distintas, conseguiram atingir o consenso alcançado pela teoria do apego.

Dentre suas principais contribuições, destacam-se 1) a propensão dos seres humanos a formar vínculos afetivos com figuras especiais desde o início da vida, 2) a tendência à formação de padrões estáveis de relacionamento interpessoal a partir dessas relações iniciais e 3) a utilização das relações sociais como forma de regulação emocional (Bowlby, 1984a; Mikulincer & Shaver, 2016). Essas conclusões impactaram a compreensão das relações conjugais como uma extensão dos vínculos do início da infância, bem como do tipo de comportamento de apego formado na vida adulta, em função da qualidade desses mesmos laços afetivos. Assim como as relações vinculares iniciais, as conjugais também são governadas pelo mesmo sistema comportamental, o sistema de apego. As emoções centrais para o sistema de apego, como o medo intenso da perda da conexão afetiva e o prazer e a satisfação quando do restabelecimento dos vínculos, aparecerão também nas relações conjugais, tornando a compreensão dos conceitos da teoria do apego um ponto de partida para aqueles que pretendem conhecer a dinâmica das emoções em casais.

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Capítulo 8. A relação terapêutica

Kelly Paim; Bruno Luiz Avelino Cardoso Grupo A ePub Criptografado

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O processo terapêutico começa quando encontramos uma parte nossa em nossos pacientes, pois procuramos algo onde se possa debruçar o amor.

Leitune & Risso

A terapia do esquema (TE) revisita e se apropria de elementos importantes de outras abordagens terapêuticas. Um dos aspectos de inovação diante da terapia cognitivo-comportamental (TCC), por exemplo, está no fato de valorizar a relação terapêutica como método eficiente na transformação de como o indivíduo se observa e se relaciona com os demais (Young, Klosko, & Weishaar, 2008). Apesar disso, a relação terapêutica ainda tem sido pouco estudada e pesquisada devido a seu caráter subjetivo.

Na prática clínica, o terapeuta utiliza diversas habilidades afetivas e sociais, recursos estes apreendidos de uma cultura latino-americana, na qual se prezam a proximidade e a expressividade afetiva. Conforme Gilbert (2010), a disponibilidade emocional do terapeuta para oferecer um espaço adequado às demandas dos pacientes é uma das habilidades que refletem o nível de abertura e aceitação para a mudança. Por isso, a construção de um ambiente onde haja uma preocupação genuína com o outro e confiança suficiente para mergulhar em um alto teor emocional são elementos essenciais para o processo terapêutico. Dessa forma, pode-se manter o cuidado com os pacientes na tentativa de suprir as necessidades emocionais não plenamente atendidas na infância.

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Capítulo 4. Avaliação da inteligência: aspectos não verbais

Claudio Simon Hutz; Denise Ruschel Bandeira; Clarissa Marceli Trentini Grupo A ePub Criptografado

Na literatura produzida acerca da avaliação da inteligência, costuma-se utilizar a expressão “avaliação não verbal da inteligência” para se referir em geral a uma avaliação na qual o uso da leitura, da escrita e da fala na interação avaliador-avaliado, por algum motivo, é inexistente, precário ou secundário. Da mesma forma, usa-se a expressão “avaliação da inteligência não verbal” para os casos em que a escrita, a leitura e a fala não estão explícitas nos processos cognitivos envolvidos, ou seja, tanto a tarefa quanto a demanda cognitiva para resolvê-la não se sustentam nessas habilidades, mas, sim, em componentes pictóricos ou imagéticos.

Entretanto, em sentido amplo, o componente verbal, ou linguagem, sempre está presente na cognição humana. Dito de outra forma, mesmo uma operação cognitiva inicialmente evocada por imagens envolve um processamento inteligível verbalmente mediado. Por exemplo, em uma tarefa visuoespacial como a que ocorre no subteste Cubos da Escala de Inteligência Wechsler para Crianças (WISC-IV) (Rueda, Noronha, Sisto, Santos, & Castro, 2013), não há orientação e entendimento da tarefa a ser feita sem a mediação verbal. E mesmo que não houvesse uma orientação falada ou escrita da tarefa a ser realizada, o avaliado utilizaria compreensões verbais, como se ele dissesse interiormente: “a tarefa que eu preciso realizar é construir uma certa figura geométrica a partir dos elementos contidos no item”. Além disso, a resolução desse tipo de tarefa demanda tanto conceitos que se aplicam ao tema, tais como reta, ângulo e preenchimento de cor, quanto outros conceitos, como de ordenamento, alinhamento e agrupamento.

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Capítulo 9. Avaliação assistida da inteligência

Claudio Simon Hutz; Denise Ruschel Bandeira; Clarissa Marceli Trentini Grupo A ePub Criptografado

A avaliação assistida, dinâmica ou interativa, tem por objetivo avaliar o desempenho cognitivo dos sujeitos e ampliar a visão sobre o seu potencial de aprendizagem. Dessa forma, fornece estimativas do resultado de possíveis estratégias reabilitadoras (Boosman, Bovend’Eerdt, Visser-Meily, Nij­boer, & Heugten, 2014; Grigorenko, 2009). As discussões sobre o método iniciaram-se considerando, principalmente, a avaliação da inteligência e da aprendizagem. Nesse sentido, fundamenta-se, sobretudo, em dois conceitos: o de “experiência de aprendizagem mediada”, de Feuerstein, e o de “zona de desenvolvimento proximal”, de Vygotsky. Esses conceitos serão discutidos ao longo do presente capítulo, o qual objetiva apresentar os procedimentos de avaliação assistida e suas formas de apresentação para mensuração de construtos relacionados com a inteligência. Pretendemos, dessa forma, contrapor este com outros métodos existentes na área de avaliação da cognição, aprendizagem e inteligência. Neste capítulo, focalizaremos tais construtos por já apresentarem estudos mais consistentes na literatura. No entanto, a área é promissora, podendo englobar outros, tais como habilidades sociais e autoconceito. Ressaltamos que no presente capítulo adotou-se a terminologia “avaliação assistida”, que é a denominação mais utilizada no Brasil.

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Capítulo 16. Técnicas projetivas e expressivas para avaliação da personalidade

Claudio Simon Hutz; Denise Ruschel Bandeira; Clarissa Marceli Trentini Grupo A ePub Criptografado

As manchas de tinta elaboradas por Hermann Rorschach há quase um século têm grande credibilidade nos meios acadêmicos e profissionais, tendo passado por atualizações sistemáticas e constantes por meio de pesquisas realizadas em diversos países. A aplicação de um Rorschach, independentemente do sistema seguido, é de extrema riqueza para o conhecimento de uma pessoa. Com esse método de avaliação da personalidade, a partir das respostas dadas, podemos reconhecer inúmeras características de uma pessoa, o que, segundo Hertz e Rubenstein (1939, April), equivaleria à realização de “14 entrevistas” (p. 295). Desde seu surgimento, esse instrumento vem evoluindo, e sua validade e fidedignidade foram ampliadas com novos conhecimentos, propiciando um grande desenvolvimento de trabalhos que o aplicaram. John Exner (1969) impulsionou muito os estudos para garantir maior precisão nos resultados desse instrumento, conferindo ao método elevado status científico.

Diversos sistemas foram construídos e elaborados após a morte prematura de Hermann Rorschach, em 1922 – menos de um ano após a publicação de seu método de avaliação –, que deixou à comunidade científica um legado que merecia continuidade. Isso rapidamente ocorreu. No início, timidamente, na Suíça, seu país de origem, e, mais tarde, difundindo-se pelo con­tinente europeu – sendo que a França teve grande destaque no desenvolvimento ­científico do método de Rorschach –, e logo também chegou à América do Norte. Emil Oberholzer, psicanalista suíço, foi o grande responsável por es­sa missão e pela expansão do método, ainda na década de 1920. Também contribuíram Walter Morghentaler, psiquiatra e ­psicoterapeuta suíço, e Hans Binder, psiquiatra suíço. Este foi o primeiro a criar modificações no método de Rorschach, em 1932, introduzindo um importante estudo sobre as respostas de claro-escuro, ampliando a concepção original de Hermann Rorschach, que não teve tempo suficiente de desenvolver estudos sobre essa modalidade de respostas, embora tenha constatado sua importância.

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