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Capítulo 2 - Monogamia: quem inventou?

Gley P. Costa Grupo A PDF Criptografado

O amor e seus labirintos

Monogamia: quem inventou?

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A monogamia é o mais difícil dos arranjos maritais entre os humanos.

Margaret Mead

Este capítulo tem como principal objetivo abrir questionamentos a respeito da monogamia e possibilitar um espaço de esclarecimento desse tema. Afinal, o ser humano é monogâmico por natureza ou a monogamia constitui uma demanda religiosa, sociocultural ou econômica que lhe é imposta? O assunto tem estado presente em diversos debates, sempre confrontado com o seu par inseparável: a poligamia. Atualmente, um dos seriados de ficção mais assistidos e comentados nos Estados Unidos chama-se Big Love, que enfoca uma família formada por marido, três esposas e sete filhos. O marido precisa recorrer ao uso de remédio para conseguir satisfazer sexualmente as esposas e trabalhar bastante para pagar as contas da família. Trata-se de um relacionamento que os protagonistas evitam tornar público, na medida em que a poligamia não é permitida no país. Como a família do seriado se diz mórmon, líderes dessa religião têm protestado, alegando que a poligamia não faz mais parte da cultura deles. Contudo, a opinião das pessoas, em particular do sexo feminino, questionadas sobre o tema enfocado pelo programa, é que a sociedade mostra sua face hipócrita ao condenar quem, espontaneamente, decide viver uma relação deste tipo e, ao mesmo tempo, aceita com naturalidade que um homem traia a sua mulher. Big Love apresenta momentos engraçados, mas está longe de ser uma comédia. Na verdade, ele procura colocar o espectador diante de uma série de situações que questionam o modelo familiar tradicional.

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Capítulo 5 - Construção de Projetos de Vida no Pós-Carreira

José Carlos Zanelli Grupo A PDF Criptografado

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CONSTRUÇÃO DE PROJETOS

DE VIDA NO PÓS-CARREIRA

O momento da aposentadoria, não raro, vem acompanhado de retrospectivas processadas na mente do aposentando, referentes aos significados e

às relevâncias das experiências até então por ele vivenciadas no mundo do trabalho. Ao retomar o passado vivido no trabalho e constatar que os anos despendidos foram gratificantes, o impacto disto na autoestima ou autoimagem pessoal parece ser nutrido de crenças e de sentimentos que orientam avaliações positivas a respeito desta etapa. Nesse caso, a existência histórica no trabalho é vista como revestida de sentido pleno (Morin, Tonelli e Pliopas,

2007). Tal condição pode contribuir de modo significativo para a qualidade da transição para o pós-carreira.

De modo oposto, quando o “olhar para o passado” se encontra tomado de reminiscências que suscitam sentimentos negativos, expressos pela crença de que “não valeu a pena”, a transposição para o pós-carreira, por meio da construção de um quadro de futuro, em geral, tende a ser acompanhada de um maior sofrimento. Tais crenças e sentimentos decorrentes se encontram relacionados a experiências tidas como ruins ou aversivas. Por exemplo, com um trabalho percebido como pouco significativo, a ausência de identidade com os propósitos organizacionais, a vivência de baixa qualidade de vida no trabalho, o senso de vergonha em associar sua vida laborativa com determinada organização, entre outras do gênero. Tais condições, em decorrência de suas naturezas, geram percepções inóspitas e entremeadas de sentimentos pouco gratificantes decorrentes da vida construída por meio do trabalho.

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Capítulo 12 - As Vivências Grupais

José Carlos Zanelli Grupo A PDF Criptografado

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AS VIVÊNCIAS GRUPAIS

As vivências grupais são fundamentais para o Programa, associadas

às palestras informativas. É por meio delas que os participantes vivenciam os sentimentos relacionados à aposentadoria e refletem sobre os conceitos apresentados nas palestras, permitindo uma melhor compreensão deste momento de suas vidas. A aprendizagem no grupo, como forma de desenvolvimento humano ao longo da vida, é enfatizada durante o trabalho

(França e Soares, 2009).

As vivências aqui relatadas representam algumas sugestões de exercícios e técnicas que poderão ser utilizados no Programa. Certamente, outras poderão ser emprestadas e adaptadas de outras fontes, levando-se em conta as peculiaridades dos participantes e a experiência e criatividade dos orientadores do grupo. Essas técnicas são apenas algumas sugestões, devem ser adaptadas e modificadas pelos orientadores de acordo com as características dos grupos e das organizações. Muitos livros de dinâmicas de grupos e de orientação profissional e de carreira oferecem técnicas que podem ser utilizadas. As que apresentamos já foram testadas em nossos grupos e comprovamos a sua viabilidade e, por isso, oferecemos aos nossos leitores.

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Capítulo 4 - Preparação, Orientação, Reflexão ou Relação de Ajuda

José Carlos Zanelli Grupo A PDF Criptografado

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PREPARAÇÃO, ORIENTAÇÃO,

REFLEXÃO OU RELAÇÃO DE AJUDA

Os programas focados na aposentadoria que têm sido desenvolvidos no Brasil e em outros países são dotados de características que os diferenciam entre si, em função do desenho que lhes é conferido por aqueles que são responsáveis pelo seu planejamento e execução. As razões fundamentais das diferenças são as necessidades e as expectativas dos participantes, a cultura corporativa e as respectivas peculiaridades das organizações onde os mesmos ocorrem, os limites e as possibilidades outorgadas pelos gestores e, por fim, os modelos mentais dos idealizadores destes programas, em especial, aos significados que atribuem ao momento da aposentadoria, ao fato de estar aposentado e à perspectiva de vida na aposentadoria. Ao considerarmos tais particularidades na formatação e execução do Programa, neste capítulo, identificaremos algumas possibilidades ou modelos conceituais de atuação.

Também vamos explicitar a escolha por nós feita a respeito de como planejar, organizar e executar o Programa.

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Capítulo 5 - Amor e sexo no casamento

Gley P. Costa Grupo A PDF Criptografado

O amor e seus labirintos

Amor e sexo no casamento

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Há alguns anos, uma revista de grande circulação, com base nos resultados de uma pesquisa nacional, destacou em matéria sobre comportamento em que

70% dos casais não viviam bem, 65% eram infiéis e apenas 20% tinham desejos por seus parceiros depois de 15 anos de vida em comum. É provável que esses dados não tenham-se modificado muito e que não surpreendam nenhum psiquiatra, psicólogo ou psicanalista, tendo em vista que a maioria dos pacientes chega aos seus consultórios apresentando um problema de relacionamento conjugal. No entanto, esse não é essencialmente um fato novo, nem mesmo representa que, na atualidade, os casais se amem menos, como insinua a maioria das pesquisas de opinião pública divulgada pela imprensa.

Conforme destacamos no primeiro capítulo, o casamento por amor, como se costuma dizer, não é algo do passado, mas um evento recente da história da humanidade. Não está muito longe a época em que os pais, sutil ou declaradamente, escolhiam os cônjuges para seus filhos de acordo com os relacionamentos familiares e os interesses políticos ou financeiros. Em muitas cidades do interior, há vários exemplos de famílias que se encontram unidas há várias gerações pelo casamento, sustentando e aumentando seu patrimônio econômico, bem como famílias nas quais os jovens não podem se casar porque seus pais, por razões políticas ou de outra natureza, encontram-se brigados. A essas restrições ao casamento por amor ainda podemos incluir os preconceitos relacionados à cor, raça e religião, vigentes ainda em nossos dias em vários países. Recentemente, uma mulher indiana informou que o seu primeiro esposo havia sido escolhido pelos pais, e um homem bangalês referiu que a esposa fora eleita pelas irmãs, como é comum naquele país. Além destas dificuldades impostas ao casamento por amor, não se pode esquecer que a mulher, ao perder sua família de origem e passar a fazer parte da família do marido, como acontecia no passado e, surpreendentemente, ainda continua acontecendo em algumas comunidades em razão de questões religiosas e econômicas, torna-se destituída de uma identidade própria. Essa realidade, que atravessou os séculos, é mais evidente nos casos de mulheres que, mesmo após a separação, permanecem ligadas à família do ex-marido, até mesmo morando na mesma casa. Como resultado da maior individualidade e independência da mulher tanto emocional quanto econômica, esse quadro se modificou significativamente nos últimos anos, e o casa-

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Capítulo 16 - Amor materno: mito e realidade

Gley P. Costa Grupo A PDF Criptografado

Amor materno: mito e realidade

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Existe uma crença bastante difundida de que o amor materno é um sentimento inato da mulher. Neste capítulo, enfocarei a questão do amor materno no contexto do processo de separação, iniciando com a descrição de um caso: quando os pais informaram Heleninha, uma saudável menina de 6 anos, que iriam separar-se, indo a mãe morar em outro lugar, ela expressou com clareza sua preferência por permanecer com o pai, em que pese manter um excelente relacionamento com a mãe. Havia várias razões para essa preferência, entre as quais a de a menina permanecer na mesma escola e continuar brincando as amiguinhas que moravam no mesmo condomínio. Inicialmente, a mãe concordou sem nenhuma restrição em atender ao desejo da filha. No entanto, passados alguns dias, inesperadamente voltou atrás e, quando se foi, levou Heleninha junto. A decisão do casal era de resolver todas as questões amigavelmente, pois haviam optado pela separação de comum acordo. No entanto, diante da insistência da menina em permanecer em sua casa, o pai decidiu pleitear judicialmente sua guarda. O juiz solicitou o apoio do Serviço Social judiciário que enviou uma profissional à casa da mãe de Heleninha, onde ela se encontrava, para entrevistá-la. Em um determinado momento, a assistente social perguntou à menina: “Você não quer morar com a sua mamãe?”.

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Capítulo 19 - Que é isto chamado amor?

Gley P. Costa Grupo A PDF Criptografado

Que é isto chamado amor?

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De acordo com a mitologia, o Amor (Eros) é fruto da união do imortal Recurso (Poros) com a mortal Pobreza (Pênia). Gerado no dia do nascimento de Afrodite, será para sempre servo da beleza. Da mãe herdou a permanente carência e o destino de andarilho. Do pai, a coragem, a decisão e a energia que o tornam astuto caçador. Com essa dupla herança, tornou-se um ser nem mortal, nem imortal, mas transitando permanentemente entre viver, morrer e ressuscitar. Hesíodo, na Teogonia

(século VIII a.C.), diz que a origem de tudo é o Caos – espaço aberto – depois surgiu a Terra e o Amor, criador de toda a vida, força universal da atração. A partir desta obra, o Amor assumiu definitivamente o papel de ligação. Seguindo esta linha,

Parmênides, o primeiro grande filósofo racionalista da história do pensamento ocidental, concebeu a origem do Universo como resultante da mescla entre os opostos realizada pelo Amor.

Uma idéia parecida sobre o amor vamos encontrar na “teoria das pulsões”, com a qual Freud alicerçou o conhecimento psicanalítico sobre a vida anímica.

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Capítulo 7. Terapia familiar estrutural

Michael P. Nichols; Richard C. Schwartz Grupo A PDF Criptografado

TERAPIA FAMILIAR

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Terapia familiar estrutural

A organização subjacente da vida familiar

Uma das razões pelas quais a terapia familiar pode ser difícil é as famílias com freqüência parecerem conjuntos de indivíduos que se influenciam mutuamente de maneiras poderosas, mas imprevisíveis. A terapia familiar estrutural oferece uma estrutura que traz ordem e significado a essas transações. Os padrões consistentes de comportamento familiar são o que nos permite considerar que eles têm uma estrutura, embora, é claro, somente em um sentido funcional. As fronteiras e coalizões que constituem uma estrutura familiar são abstrações; no entanto, utilizar o conceito de estrutura familiar permite aos terapeutas intervir de maneira sistemática e organizada.

As famílias que buscam ajuda em geral estão preocupadas com um problema específico. Pode ser uma criança que se comporta mal ou um casal que não consegue se relacionar bem. Os terapeutas familiares costumam olhar além dos elementos específicos desses problemas, para as tentativas da família de resolvêlos. Isso leva à dinâmica da interação. A criança que se comporta mal pode ter pais que a repreendem, mas jamais a recompensam. O casal pode estar aprisionado em uma dinâmica perseguidor-distanciador ou ser incapaz de conversar sem brigar.

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Capítulo 15. Análise comparativa

Michael P. Nichols; Richard C. Schwartz Grupo A PDF Criptografado

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Análise comparativa

As diferenças essenciais entre os modelos

O crescimento exponencial da terapia familiar abarrotou o campo com modelos rivais, cada um dos quais fez contribuições importantes. Esta diversificação produziu uma literatura rica e variada, testemunhando a vitalidade da profissão e, ao mesmo tempo, criando uma sucessão desorientadora de conceitos e técnicas. Veja a Tabela 15.1 para um resumo desses modelos.

Neste capítulo, apresentamos uma análise comparativa dos vários modelos. Cada escola proclama uma série de verdades – mas, apesar de certa sobreposição, não há conflitos notáveis entre tais verdades.

Famílias como sistemas

Os terapeutas das comunicações introduziram a idéia de que as famílias são sistemas.

Mais do que a soma de suas partes, os sistemas são as partes mais a maneira pela qual funcionam juntas. No passado, não aceitar a teoria sistêmica era como não acreditar em torta de maçã e maternidade. Atualmente, o movimento pós-moderno critica o pensamento sistêmico como apenas outra estrutura modernista, uma metáfora entendida de forma exageradamente literal, e levou a ênfase da ação para o significado, e da organização da família para o pensamento de seus membros.

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Capítulo 1. Os fundamentos da terapia familiar

Michael P. Nichols; Richard C. Schwartz Grupo A PDF Criptografado

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Os fundamentos da terapia familiar

Saindo de casa

Não havia muitas informações na folha de entrada: apenas um nome, Holly Roberts, o fato de que ela era uma estudante universitária prestes a concluir o curso e a queixa apresentada: “dificuldade para tomar decisões”.

A primeira coisa que Holly disse quando se sentou foi: “Eu não tenho certeza se precisava estar aqui. Você provavelmente tem muitas pessoas que precisam mais de ajuda do que eu”. Depois, ela começou a chorar.

Era primavera. As tulipas estavam em flor, as árvores copadas de folhas verdes, e moitas de lilases roxos perfumavam o ar. A vida e todas as suas possibilidades se abriam diante dela, mas

Holly estava importuna e inexplicavelmente deprimida.

A decisão que Holly estava com dificuldade de tomar era o que fazer após a formatura.

Quanto mais ela tentava imaginar, menos capaz se sentia de se concentrar. Começara a dormir tarde, a perder aulas. Finalmente, sua colega de quarto a convencera a procurar o serviço de saúde. “Eu não teria vindo”, disse Holly. “Eu consigo cuidar dos meus próprios problemas.”

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Capítulo 2. A evolução da terapia familiar

Michael P. Nichols; Richard C. Schwartz Grupo A PDF Criptografado

TERAPIA FAMILIAR

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A evolução da terapia familiar

Uma mudança revolucionária em perspectiva

Neste capítulo, examinamos os antecedentes e os anos iniciais da terapia familiar. Aqui existem duas histórias fascinantes: uma de personalidades, outra de idéias. Você lerá sobre os pioneiros – iconoclastas e originais que, de alguma forma, quebraram o molde pelo qual se enxergava a vida e seus problemas como uma função de indivíduos e sua psicologia. Não se engane: a passagem de uma perspectiva individual para uma sistêmica foi uma mudança revolucionária, que forneceu àqueles que a compreenderam uma poderosa ferramenta para entender e resolver problemas humanos.

A segunda história na evolução da terapia familiar é uma história de idéias. A inquieta curiosidade dos primeiros terapeutas familiares levou-os a uma variedade de maneiras novas e perspicazes de conceitualizar as alegrias e tristezas da vida familiar.

Ao ler essa história, prepare-se para surpresas. Esteja pronto para reexaminar suposições fáceis – inclusive a suposição de que a terapia familiar começou como um esforço benevolente em apoio à instituição da família. A verdade é que, no início, os terapeutas encararam o sistema familiar como um adversário.

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Capítulo 11 - Aprendizagem de Procedimentos

Juan Ignácio Pozo Grupo A PDF Criptografado

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Aprendizagem de Procedimentos

Henry terminou seu trabalho na cozinha e foi para o convés. Havia um velho marinheiro sentado em uma escotilha, trançando um longo cabo. Cada um de seus dedos parecia uma inteligência ágil enquanto trabalhava, pois seu dono não os olhava. Em vez de olhá-los, tinha os olhinhos azuis fixos, ao estilo dos marinheiros, cravado além dos confins da costa.

— Então queres conhecer o segredo das cordas? — lhe disse, sem afastar o olhar do horizonte. — Pois só tem que prestar atenção. Faço há tanto tempo que minha velha cabeça se esqueceu de como se faz; só meus dedos se lembram. Se penso no que estou fazendo me confundo.

JOHN STEIBECK, A taça de ouro

Para subir uma escada começa-se por levantar essa parte do corpo situada em baixo

à direita, quase sempre envolvida em couro ou camurça e que, salvo algumas exceções, cabe exatamente num degrau. Posta no primeiro degrau a dita parte, que para simplificar chamaremos de pé, se recolhe a parte equivalente do lado esquerdo (também chamada pé, mas que não deve se confundir com o pé mencionado antes) e, levando-a à altura do pé, se faz com que continue até colocá-la no segundo degrau, onde descansará o pé, como no primeiro se descansou o pé. (Os primeiros degraus são sempre os mais difíceis, até adquirir a coordenação necessária. A coincidência de nome entre o pé e o pé torna difícil a explicação. Cuide-se especialmente para não levantar ao mesmo tempo o pé e o pé.)

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Capítulo 7 - Outros Processos Auxiliares da Aprendizagem

Juan Ignácio Pozo Grupo A PDF Criptografado

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Outros Processos Auxiliares da Aprendizagem

Efemérides (11 de fevereiro)

O filósofo suíço René Emmental publica, em Zurich, sua obra capital, Negação do positivismo, introdução ao negativismo positivo. O surgimento da obra foi saudado pelo crítico Josef Plum com as seguintes palavras: “Pode ser que não lhe diga nada numa primeira leitura, mas o deixará sem forças para empreender a segunda”.

MONCHO ALPUENTE, O livro dos santos imaginários e dos fatos apócrifos

Os famas, para conservar suas lembranças, tratam de embalsamá-los da seguinte forma: após fixada a lembrança tintim por tintim, embrulham-na da cabeça aos pés num lençol negro e a colocam contra a parede da sala com um cartãozinho que diz:

“Excursão a Quilmes”, ou “Frank Sinatra”. Os cronópios, esses seres desordenados e indiferentes, deixam as lembranças soltas pela casa, entre gritos alegres, e andam pelo meio delas e quando uma passa correndo, acariciam-na com suavidade e lhe dizem: “Não vai se machucar”, e também: “Cuidado com os degraus”. É por isso que as casas dos famas são arrumadas e silenciosas, enquanto nas dos cronópios há grande folia e portas que batem. Os vizinhos se queixam sempre dos cronópios, e os famas mexem a cabeça compreensivamente e vão ver se as etiquetas estão no lugar.

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Capítulo 1 - A Nova Cultura da Aprendizagem

Juan Ignácio Pozo Grupo A PDF Criptografado

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A Nova Cultura da Aprendizagem

Enfim, ele se envolveu tanto na leitura, que passava os dias e as noites lendo; e assim, por dormir pouco e ler muito, lhe secou o cérebro de tal maneira que veio a perder o juízo. Sua fantasia se encheu de tudo aquilo que lia nos livros, tanto de encantamentos como de duelos, batalhas, desafios, feridas, galanteios, amores, tormentas e disparates impossíveis; e se assentou de tal modo na imaginação que todas aquelas invenções sonhadas eram verdadeiras, que para ele não havia outra história mais certa no mundo.

MIGUEL DE CERVANTES, Dom Quixote de la Mancha

Uma coisa lamento: não saber o que vai acontecer. Abandonar o mundo em pleno movimento, como no meio de um folhetim. Eu acho que esta curiosidade pelo que ocorra depois da morte não existia antigamente, ou existia menos, num mundo que mal mudava. Uma confissão: apesar do meu ódio pela informação, gostaria de poder me levantar de entre os mortos a cada dez anos, ir até uma banca e comprar vários jornais. Não pediria mais nada.

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Capítulo 60 - Impasse

R. Horacio Etchegoyen Grupo A PDF Criptografado

FUNDAMENTOS DA TÉCNICA PSICANALÍTICA

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Impasse*

É fácil definir em termos gerais o impasse psicanalítico, mas é árduo descobri-lo e complexo resolvê-lo. Neste capítulo, tentarei delimitar o conceito, situá-lo no campo que lhe pertence (a técnica) e assinalar suas fontes principais (psicopatologia).

Sobre a definição não cabem muitas dúvidas. A palavra francesa é, por si mesma, clara e universal. Quer dizer beco sem saída e é empregada quando algo que se desenvolvia normalmente se trava de repente e se detém. Podemos vê-la freqüentemente nos jornais para caracterizar alguma negociação que chegou a um ponto morto. Não é outro, em meu entender, o sentido que se dá a ela em psicanálise. Entretanto, o uso corrente do termo exige que a detenção ocorra quando as condições gerais da situação analítica conservam-se, e é muito pertinente, então, a precisão de Mostardeiro e colaboradores (1974) ao observar que só se pode falar de impasse em psicanálise quando se cumprem as condições formais do tratamento: se o setting está notoriamente alterado, não cabe fazê-lo. No impasse, o trabalho analítico realiza-se, o paciente associa, o analista interpreta, o enquadre mantém-se em suas constantes fundamentais, mas o processo não avança, nem retrocede. Isso não pressupõe, por certo, que não haja falhas no enquadre e no trabalho do analista. Existem sempre, como em toda análise, porém não são o aspecto decisivo.

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