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Capítulo 79. O milagre de salvador celia

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79

O MILAGRE DE

SALVADOR CELIA

O psiquiatra Salvador Celia sempre me impressionou pela sua falta de noção do impossível. Certa vez, ele estava organizando a Semana do Bebê, em Canela, e me disse:

– Vou trazer a Luíza Brunet para ser madrinha da festa. Ela vai trazer alegria para os adultos. Adultos alegres alegram crianças.

Ela estava no auge, mas ele também, e a trouxe. Como trouxe Renato

Aragão, Regina Duarte, seu Francisco, pai de Zezé de Camargo e Luciano – que só não vieram porque, no fundo, o Salvador não quis. Mais comovente era quando duvidava da noção do impossível nas crianças. Elas vinham com várias deficiências, mas ele já tinha decidido:

– Serão cidadãs felizes.

Para quem via de fora, nem pensar. Mas Salvador era daqueles que não via de fora. Olhava por dentro, sentindo junto, e não se deixava contaminar pela opinião alheia ou pelo preconceito (vindos de fora). Era uma de suas armas. Lembro-me de outras duas. Uma, jamais fazia o trabalho sozinho.

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Capítulo 76. Davi e golias

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76

DAVI E GOLIAS

Eu fui a uma banca de TCC. Qual a importância disso?

Trabalhos de conclusão de curso existem no mundo acadêmico do mundo inteiro. Em todos os cursos, da graduação à pós. São eventos meio fechados que interessam a seus protagonistas e suas famílias, quando muito. Alguns rendem frutos à comunidade, mas a colheita costuma ser feita bem depois.

Eu não era protagonista e nem da família. Poderia alegar que o assunto escolhido era original: a utilização terapêutica dos contos. Balela! Desde a noite dos tempos, os contos têm uma função terapêutica, era uma vez e será todos os dias. Quem conta e ouve se sente melhor, mas tudo é história, em que as personagens principais são as pessoas. Gente é sempre importante e não falta a essa trama. Cleonice, a autora do trabalho, é filha de agricultores. Desde pequena precisou ajudar os pais na plantação de milho. No verão, ficava atrás de um arbusto para se esconder do sol. Os cães a protegiam de perigos como cobras e aranhas. A seca era farta, a terra pouca e se acabou. A família foi morar na Vila do Arrabalde, onde a Cleonice passou a infância e permanece até hoje. Ela comeu o pão que o diabo amassou e, algumas vezes, não se alimentou direito. Dias antes da formatura, escapou por pouco de uma bala perdida. Tinha ido a um bar para assistir pela TV a inauguração da Arena, mas nunca deixou de

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Capítulo 72. Heitor, a criança sábia

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HEITOR, A CRIANÇA SÁBIA

Ele tem seis anos e se chama Heitor. Estuda na escola Theodoro Bogen, de Canoas. Fui lá contar histórias. Esperava-me na porta e foi logo me passando o número do seu telefone com o endereço. Esqueceu-se do nome da rua, mas disse que não tinha problema, era só eu ligar antes de vir que ele descia para abrir a porta. Queria que eu fosse à sua casa para continuar contando histórias, pois seus pais eram muito ocupados.

Na hora da palestra, sentou-se na primeira fila. Desfiei, então, um de meus truques: dizer que tenho vergonha; em geral, faz as crianças ajudarem, ou seja, prestarem atenção. Dificilmente um adulto tem bala na agulha para entreter uma criança por muito tempo. Basta elas olharem para dentro que verão algo mais fascinante, mas o Heitor olhava para fora e foi logo dizendo que eu não precisava ter vergonha, tomasse uma água que passava. Tomei, e me passou que eu ainda precisava de alguns truques diante dos mais sábios. Na hora das perguntas, ele já tinha a primeira:

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Capítulo 68. Contar: o furto saudável

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68

CONTAR: O FURTO SAUDÁVEL

Sou um psicanalista. De crianças, também. Às vezes, eu as atendo com seus pais. Com seus pais, eu ouço e conto. Com elas, eu brinco. É que as crianças se expressam brincando, o que inclui desenhar. As palavras não são ainda o seu carro-chefe. Há outro mediador que ofereço para elas: contos. Com palavras, é claro, mas vestidas de histórias e ritmos. Portanto, livros. Eles estão na sala de espera e adentram o consultório; seguido, participam da consulta como um brinquedo, um desenho.

Quando uma criança brinca, ela diz tudo o que quer dizer e não conseguia antes de brincar. Ela diz o que a alegra, o que a assusta, o que a apavora. O brinquedo é a sua palavra. Teve uma que construiu uma casa com Lego. Brincou de construir e deu atenção especial ao quarto dos pais.

Ela tinha medo do que se passava lá dentro. Ao brincar, disse, e, ao dizer, passou a conviver com o medo que já não era uma coisa sem nome, dessas que apavoram e, por isso, trágica. Brincar com as coisas – ou contá-las – é como disse Freud, tudo o que podemos fazer, ou seja, transformar grandes tragédias (não ditas) em pequenas desgraças (ditas agora).

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Capítulo 62. O pai na mãe

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62

O PAI NA MÃE

O Winnicott, psicanalista com a benção da poesia, apostou todas as fichas no começo. Para ele, tudo começava em casa para nós, mais precisamente na mãe, e os olhares deviam se dirigir a ela, guardiã do olhar decisivo e duradouro. Antes, Freud, outro cientista meio poeta, havia dado ao pai o direito de salvaguardar a mãe. Já não era pouco, mesmo se ela fosse muito, se não tudo. Depois, Lacan, outro cientista poético, assegurou o dever desse pai de garantir o terceiro, o nome da lei, como quem dissesse que os protagonistas precisam dos coadjuvantes e, na grande casa, todas as portas importam.

Cientistas e poetas felizmente vêm se sucedendo. Eles revisam versos e ideias. Não estão apartados da cultura sempre em movimento. Hoje as mulheres adentraram o mercado de trabalho. Elas rompem tabus, preconceitos, exclusões. Felizmente. Produzem mais, criam mais (além dos filhos), obtêm melhores salários e reconhecimento. Somam, multiplicam, contraem também mais infarto, estresse, câncer de pulmão, infelizmente, mas a morte é da vida, e o saldo é muito bom. As mulheres estão mais paternais sem perder a maternidade e a feminilidade.

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Capítulo 59. A pessoa

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59

A PESSOA

Desde criança, aprendi a cultivar a tolerância e a me defender do preconceito. Acho que a lição veio de casa, porque o Derrida ainda não tinha falado em hospitalidade ou em respeito ao outro, pelo menos não para mim. O que faço é longe do ideal, mas costuma funcionar. Sem ser religioso, tenho amigos devotos, incluindo um padre, um pastor e um rabino.

Aprendo muito com a cultura que me alcançam. Tenho fé de que nos tornamos melhores depois de encontrar alguém diferente. Ninguém é igual.

Também entro pouco no mundo dos negócios e negocio o mínimo necessário para tocar meu negocinho. Mesmo assim, presto atenção no que contam as empresas. Elas agora dizem que a seleção de executivos não está mais só de olho nos “melhores alunos”. Já não basta estudar em faculdade de prestígio, tampouco mostrar alto desempenho. Notas dez estão meio em baixa. Durante o processo, avaliadores procuram a pessoa dentro da pessoa e vasculham as entranhas onde há, especialmente, afetos. Desejam saber que ser humano é o candidato. Sentiram que importa menos alguém inteligente que deixe a desejar nas emoções. Conta ainda uma segunda língua – inglês, de preferência. Somam pontos o espanhol, o francês e até o mandarim, mas nem tudo é número. Ser poliglota já não tem o mesmo peso: mais vale uma língua no coração do que duas na cabeça.

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Capítulo 49. Freud não explica, mas se implica

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FREUD NÃO EXPLICA,

MAS SE IMPLICA

A psicanálise nasce com a descoberta do inconsciente e tem nela um de seus pilares, talvez o maior. Relacioná-la à “explicação” faz o maior sentido e gera incômodo. Em defesa de certo mistério (essência da vida e da arte), muita gente boa criticou e ainda critica a psicanálise. O escritor

Elias Canetti via nela algo de pretensioso, não só por ele apostar mais fichas no social, mas por ter ojeriza ao fechamento de uma ideia. Outros intelectuais o acompanharam mundo afora e adentro. Julien Green amava e odiava a psicanálise e, por aqui, Paulo Hecker Filho não a via com bons olhos em sua prosa. Já Mario Quintana não perdia a oportunidade de zoá-la poeticamente.

A transformação do inconsciente em consciente a partir de uma interpretação (explicação) aparece nos primeiros trabalhos de Freud e, de certa forma, nunca desapareceu. A propósito, a expressão “Freud explica” pode ter nascido ali. A respeito disso, Sérgio Paulo Rouanet me contou uma história engraçada. Ao contrário de Canetti, Quintana e Hecker, ele sempre admirou a obra de Freud, em especial no aspecto literário. Quando foi dar um curso sobre ela, houve excesso de inscrições, e o filósofo precisou fazer uma peneira. Entre os candidatos, entrevistou uma senhora “muito perua” que, ao ser questionada sobre o seu interesse, disse apenas que adorava Freud. “O que, especificamente?” – Rouanet perguntou. “Não

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Capítulo 45. Liberdade, liberdade ou a primeira reação terapêutica negativa

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45

LIBERDADE, LIBERDADE

OU A PRIMEIRA REAÇÃO

TERAPÊUTICA NEGATIVA

Que eu seja o que nunca fui, isto é, que eu seja eu mesmo.

Luiz Sperb Lemos

Não sei o que me deu: eu quero dizer uma verdade. Não sei se o reencontro de uma poesia lá do começo, não sei se a chance nova de contar tudo o que sinto, já que agora alguém me ouviu.

O fato é que, se você consegue optar pela sua verdade, o entorno reage, cai de pau na sua cabeça e não adianta mostrar o coração: coração apavora, acirra os ânimos. Há liberdade na verdade, mas é muita coisa junta (em gente) que o mundo quase não suporta. Há uma fresta, você entra nela, está apertado, tem amor e criação (a segunda depois da primeira), ardem,

é a vida, “muito prazer” – você diz.

Há tantos anos na vida e ainda não haviam sido verdadeiramente apresentados. Ela não responde nem aponta o caminho. Ela ainda não

é civilizada ou belicosa. Ela simplesmente é. É complicado. Ela sugere sutil e bravamente que avances; avanças, mas o entorno quer matá-lo.

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Capítulo 40. Um scott para freud

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40

UM SCOTT PARA FREUD

Sou da turma que arrisca ao acreditar que a verdade faz bem.

Do autor

Carlito avisou que Paulo Scott estava lançando um livro de poemas chamado Mesmo sem dinheiro comprei um esqueite novo. Mesmo sem poder ir, o encomendei. Chegou no mesmo dia outra obra que eu havia pedido:

Freud – uma biografia ilustrada, de Octave Mannoni. Era maio. Fim de semana. Os poemas e a biografia adentraram o sábado.

Sempre gostei de leituras simultâneas, especialmente a mistura de poesia e prosa. Complementam-se, e eu descanso de uma na outra. Maravilhar-me com o poético e achar a prosa para contá-lo parece aproximar-se da completude. Já venho acasalando outros autores ao longo da vida de leitor: Bandeira e Nietzsche; Manoel de Barros e Jung; Edmund Wilson e Ferreira Gullar. Ninguém é completo, nem na arte.

Há horas não rolava tanta liga entre dois gêneros. A poesia de Scott

é daquelas sem concessões e encontra uma verdade psíquica desde os primeiros versos:

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Capítulo 36. Psicanálise: um negócio de amor e intersubjetividade

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36

PSICANÁLISE: UM

NEGÓCIO DE AMOR E

INTERSUBJETIVIDADE

Je sais que la douleur est la noblesse unique.*

Charles Baudelaire

Dei pelo menos duas opiniões durante a semana. A primeira foi sobre as companhias telefônicas. Elas me mandaram uma “oferta” para o celular.

Não valia a pena e não aceitei. Em seguida, me parabenizaram, como se eu tivesse aceitado, e depois me cobraram, como se eu fosse pagar. Liguei suspendendo, e passei horas entre ramais até conseguir. Acho que consegui.

Já a conta telefônica do consultório veio triplicada. Liguei novamente, e disseram que estavam apenas oferecendo mais rapidez na internet. Ainda bem que conferi e voltei à eternidade dos lentos ramais para sustar. Veio disso a primeira opinião, que repito agora. Eu penso que as companhias telefônicas perderam a ética, impingem serviços, contam com a distração dos clientes em olhar as contas ou a falta de tempo de questioná-las.

E concluí: há uma selvageria em busca do lucro sem a menor consideração pelo outro.

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Capítulo 29. Elogio da tristeza & outras perlaborações

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29

ELOGIO DA TRISTEZA

& OUTRAS

PERLABORAÇÕES

Não quero elogiar a tristeza. Ela vem por si mesma, elogiada ou não.

Poetas maiores sabem disso. O Vinícius chegava a chamar:

Bom dia, tristeza

Que tarde, tristeza

Você veio hoje me ver

Já estava ficando

Até meio triste

De estar tanto tempo

Longe de você.

Grandes filósofos também sabem disso. Kierkeegard não a evitava:

“Arriscar-se é perder o pé por algum tempo. Não se arriscar é perder a vida”. Ele considerava a vida triste, mas não a perdia. Para Schubert, outro grande, toda música era triste. Não sei se ele tinha razão, mas tudo o que importa é como a música, ou seja, tem uma tristeza. Não é buscá-la como um romântico ou alimentá-la como um melancólico, mas sim compreendê-la, sentindo que faz parte da vida.

Alegrias costumam ser indescritíveis, nós as buscamos todos os dias.

De vez em quando encontramos, depois escapam, mas só a tristeza pode

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Capítulo 1. Ok, o contrato

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1

OK, O CONTRATO

O contrato – essas combinações antes de iniciar o tratamento – é fundamental na psicanálise. Desde Freud, não passou despercebido pelos autores. O contrato oferece referências de tempo e espaço que são básicas desde bebê. Proporciona limites e colabora com a organização do caos no inconsciente. Do indivíduo à civilização, somos frutos de certas regras.

Elas também nos contêm.

Como disse Etchegoyen, a partir de Freud, o contrato é feito para não ser obedecido; porém, essa desobediência é o que mais interessa. Como um sonho, a via régia, um ato falho, o acesso ao desconhecido. Como uma radiografia da falta a ser compreendida, ou seja, preenchida. Podemos falar das referências do contrato: tempo de sessão, frequência, honorários, férias, etc. E variantes que costumam ser individuais ou da dupla (o campo), construídas a partir de experiências sempre originais.

De minha parte, cuido com o que possa acontecer fora da sessão. Costumo ser firme nos limites de espaço e tempo oferecidos além do setting.

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Capítulo 7. Amor e rótulo

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7

AMOR E RÓTULO

Que hoje eu me gosto muito mais

Porque me entendo muito mais também.

Gonzaguinha

A psiquiatria, desde há muitos manuais, chama de transtorno de oposição desafiante. Ao sistematizar o distúrbio, arma-se de critérios quase irretorquíveis, de análises sistematizadas e de muito poder científico para, nos casos mais estridentes, poder, inclusive, medicar. Medicar é histórico e humano, portanto, ambivalente. Pode aliviar e salvar. Pode lucrar e afogar.

Quem vive o transtorno – mãe e pai especialmente, mas também professores – sente a dureza. A criança se opõe a tudo e a todos com uma energia profunda. De criança. Ao sim, não, ao não, sim, invariavelmente e vice-versa do contrário, assim por diante. Não tem descanso, e a energia do adulto já não é intensa, porque não é de criança. Mas, sendo possível pensar no meio disso (o grande desafio), se vê como quase sempre o cenário

é deslocado. Afinal, desde o começo, tudo é teatro no drama humano.

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Capítulo 9. A psicanálise e o nada - a clínica do vazio revisitada

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9

A PSICANÁLISE

E O NADA – A CLÍNICA

DO VAZIO REVISITADA

À época, eu acompanhava duas situações muito difíceis. Não que as outras não fossem, mas aquelas pareciam especialmente complicadas, uma delas mais ainda, conforme eu pensava no início e confirmou-se ao longo das respectivas tramas.

Na primeira, depois de anos de embate e muito gramar de vazio em vazio, meu interlocutor tornou-se capaz de encontrar um amor. Como era de hábito no seu sentimento de culpa, em vez de contar o romance com prazer, gastava a energia em tentar discutir comigo. Ele me atacava, eu o acolhia, cada um em seu papel no drama que agora vinha dando certo. Ele utilizava a imagem de ferros no interior de uma coluna (era engenheiro, embora não o exercesse por causa de “discussões”) para dizer que havíamos inventado completamente “aquela coluna” (de amor), já que nada tinha em seu passado que pudesse prepará-la, fosse mãe, pai ou as suas próprias tentativas anteriores. Ele sabia o quanto eu discordava dessa hipótese, o que era claro em minha permanente proposição de procurarmos algum fio solto e positivo do seu passado para compreender a parte boa do presente.

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Capítulo 19. A interpretação

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19

A INTERPRETAÇÃO

Quando as coisas estão se esfacelando, o ato mais intencional talvez seja sentar-se e ficar quieto... Nem sempre é necessário, além do mais, proferir a verdade.

Henry Miller

O menino de três anos voltou da escola e pediu a mãe em casamento.

Freud revirou-se na tumba e, mesmo feliz da longevidade de seus insights, lamentou não poder ser o padrinho. A mãe tinha duas opções principais.

A primeira era responder “sinto muito, eu sou casada com o teu pai, tu

és apenas uma criança, crianças não casam, mas tu crescerás e, um dia, quando fores adulto, poderás amar outra mulher que não eu”. Poderia acrescentar: “os amores não são pra já”, citando Chico Buarque. Ela, por exemplo, também preferia ter casado com o Chico Buarque.

A mãe no caso fez diferente e aceitou o filho em casamento. Antes perguntou o que era casar para ele, que respondeu assim: piscou os olhinhos e se aninhou nos braços dela. Bocejou. Dormiu. Sonhou. Não teve outro ritual, não teve cerimônia, Freud não foi o padrinho e voltou a dormir profundamente como em um poema do Bandeira. Mas a cena deu uma lição de psicanálise e poesia. E de interpretação.

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