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10 - O comportamento suicida na emergência

João Quevedo Grupo A ePub Criptografado

KELEN CANCELLIER CECHINEL RECCO

MORGANA SONZA ABITANTE

RITELE HERNANDEZ DA SILVA

JOÃO QUEVEDO

Elevadas taxas de suicídio são continuamente registradas na população mundial. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS),1 em torno de 800 mil pessoas cometem suicídio anualmente, o que corresponde a 1,4% de todas as mortes globalmente. Quando consideradas as tentativas de suicídio, esse número se torna 20 vezes maior.1 Essas perdas geram uma importante comoção nas famílias e comunidades onde ocorrem, influenciando a vida de pelo menos outras 6 pessoas.2

O indivíduo em risco de suicídio tem urgência de atendimento. Assim, é fundamental que os profissionais de saúde, nos diversos níveis de assistência, estejam capacitados para o seu reconhecimento e para a adoção de medidas de proteção em situações de vulnerabilidade.2

O ato deliberado e intencional de tirar a vida é denominado suicídio. A expressão comportamento suicida geralmente se refere à presença de pensamentos de morte, plano suicida, tentativa ou ao próprio suicídio.1,2 Contudo, não há uma uniformidade na nomenclatura desses eventos, e diferentes denominações são empregadas para um mesmo comportamento.3 O uso impreciso desses conceitos limita a coleta de dados para a pesquisa, bem como para a prevenção dessas perdas.4

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10 - Transtorno da personalidade borderline

Mario Rodrigues Louzã, Táki Athanássios Cordás Grupo A ePub Criptografado

Hewdy Lobo, Ana Carolina Schmidt de Oliveira, Táki Athanássios Cordás, Fabiana Chamelet Nogueira

O primeiro autor a descrever o termo borderline foi o psicanalista Adolph Stern, em 1938, acreditando que o conceito se adequasse a pacientes que apresentavam tanto características neuróticas quanto psicóticas, ficando, portanto, a meio caminho entre um e outro. Outros autores importantes, como Robert Knight,1 Otto Kernberg2 e Roy Grinker3 exploraram e popularizaram essa definição inicial.4

Kernberg2 definiu “personalidade de organização borderline” como uma de três formas de organização da personalidade, intermediária entre o tipo mais grave, os psicóticos (“personalidade de organização psicótica”), e os menos graves, os neuróticos (“personalidade de organização neurótica”). A “personalidade de organização borderline” seria caracterizada por uma formação de identidade pobre, com defesas primitivas (splitting e identificação projetiva) e baixa tolerância à frustração.

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10 - Tratando transtornos crônicos, graves ou complexos

Jesse H. Wright, Gregory K. Brown, Michael E. Thase, Monica Ramirez Basco Grupo A ePub Criptografado

Após completar seu treinamento inicial em terapia cognitivo-comportamental (TCC) – que normalmente é mais bem realizado por meio do trabalho supervisionado com pacientes com transtorno depressivo maior ou um dos transtornos de ansiedade comuns –, é hora de adquirir experiência trabalhando com pacientes com problemas mais complexos. Várias pesquisas vêm documentando a utilidade da TCC e dos modelos de terapia relacionados para aqueles com transtornos graves ou resistentes a tratamento, como depressão crônica, esquizofrenia e os transtornos bipolar e da personalidade.

Para essas populações de pacientes com quadros clínicos mais difíceis de tratar, vários elementos em comum norteiam a terapia. Estes incluem os seguintes:

•O modelo cognitivo-comportamental e todos os aspectos da TCC são totalmente compatíveis com as formas apropriadas de farmacoterapia.

•Independentemente do grau de gravidade ou comprometimento, a relação terapêutica caracteriza-se pela postura empírica colaborativa.

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11 - Ansiedade aguda: ataques de pânico

João Quevedo Grupo A ePub Criptografado

MICHELLE N. LEVITAN

ANTONIO E. NARDI

A dor no peito ou a palpitação de origem não cardiovascular são queixas prevalentes em emergências hospitalares (EHs) que resultam em alta utilização dos serviços de saúde e aumento no absenteísmo laboral.1 De forma geral, esse sintoma pode estar associado a doenças cardiovasculares, a dores não relacionadas à doença cardíaca, como distúrbios esofágicos ou relacionados à fisiopatologia da dor, e a ataques de pânico (Quadro 11.1). De fato, dados hospitalares identificam que, entre os pacientes que procuram a EH com o sintoma “dor no peito”, 25% estão, na realidade, vivenciando ataques de pânico.2

Quadro 11.1

Doenças clínicas associadas a dor no peito

•Pneumonia

•Pancreatite

•Refluxo gastresofágico

•Quadros cardiovasculares

•Costocondrite/lesões traumáticas

Fonte: Elaborado com base em Zun,9 Lenfant10 e Campbell e colaboradores.11

Os ataques de pânico trazem alterações corporais e psíquicas bruscas que geram considerável sofrimento. São caracterizados por episódios agudos de ansiedade nos quais sintomas fisiológicos como aceleração dos batimentos cardíacos, tremores, sensação de desmaio, entre outros, podem estar presentes, além de sintomas cognitivos, como medo de morrer ou de enlouquecer.

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11 - Desenvolvendo competência na terapia cognitivo-comportamental

Jesse H. Wright, Gregory K. Brown, Michael E. Thase, Monica Ramirez Basco Grupo A ePub Criptografado

Se você fez um curso básico de terapia cognitivo-comportamental (TCC), estudou este livro e usou os exercícios para praticar suas habilidades terapêuticas, provavelmente deu passos largos em direção a se tornar um terapeuta cognitivo-comportamental competente. Contudo, é bem provável que você precise de mais treinamento e mais experiência para dominar bem essa abordagem (Rakovshik e McManus, 2010). Recomendamos que você busque obter competência total na TCC por três motivos principais. O primeiro é que você pode obter melhores resultados (Rakovshik e McManus, 2010; Strunk et al., 2010; Westbrook et al., 2008). O segundo é que o conhecimento e a experiência do terapeuta são muito importantes para os pacientes. Juntamente com excelentes habilidades para ouvir, correta empatia e outros atributos terapêuticos gerais, sua capacidade de administrar os métodos específicos da TCC pode significar muito para as pessoas que você trata. O terceiro é que você poderá ter mais satisfação no seu trabalho diário – um fenômeno que nós vivenciamos à medida que fomos nos tornando mais proficientes na TCC e sendo capazes de oferecer mais auxílio aos pacientes. Neste capítulo, detalhamos as diretrizes de competência, descrevemos os métodos para medir seu progresso na aprendizagem da TCC, sugerimos algumas maneiras de dar continuidade a seu desenvolvimento como terapeuta e oferecemos dicas sobre como evitar a fadiga e o esgotamento do terapeuta.

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11 - Personalidade, transtornos da personalidade e esquizofrenia

Mario Rodrigues Louzã, Táki Athanássios Cordás Grupo A ePub Criptografado

Yara Azevedo Prandi, Gamaliel Coutinho de Macedo, Mario Rodrigues Louzã

Psiquiatras europeus, no início do século XX, observaram diferentes gradações nos transtornos mentais relacionados à esquizofrenia, principalmente a presença de sintomas leves, similares aos sintomas psicóticos, em parentes dos pacientes.

Eugen Bleuler,1 no livro Dementia Praecox oder Gruppe der Schizophrenien, usou o termo “esquizofrenia latente” e afirmava que a psicose no geral apenas aumentava quantitativamente as características de caráter presentes nos parentes ou na personalidade pré-psicótica do próprio paciente.

Esses sintomas leves, similares aos psicóticos, foram chamados de “esquizoides” por Ernst Kretschmer,2 que estabeleceu uma relação entre estes e a esquizofrenia. Ele propôs uma relação entre tipo físico (leptossômico), características de personalidade (esquizotimia), transtorno da personalidade (esquizoide) e esquizofrenia, considerando haver um continuum entre eles.3

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12 - Transtorno conversivo e transtornos dissociativos

João Quevedo Grupo A ePub Criptografado

THAIS COLAPIETRO GUIDA BARBOSA

THAIS PASTE

MARIO RODRIGUES LOUZÃ

No começo do século XVIII, os transtorno conversivo e transtornos dissociativos eram descritos como histeria. A história da histeria teve início há mais de 2 mil anos, sendo considerada uma das doenças mais antigas descritas na medicina. Hipócrates falava da histeria no tratado “Das doenças das mulheres”, no qual ela aparece como “sufocação da matriz”, o útero. Este, “insatisfeito”, deslocava-se pelo corpo da mulher, sendo responsável pela rotação dos olhos, bem como pela perda da fala, da visão e da consciência.1

Charcot e Freud propuseram que a histeria resultava, de certo modo, de experiências traumáticas, muitas vezes vivenciadas na infância, as quais “não seria permitido” relembrar tais como ocorreram. À medida que o trauma “reprimido” no inconsciente retornava à consciência, manifestava-se na forma de sintomas como despersonalização, analgesia e amnésia, representando indiretamente o trauma sofrido.2

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12 - Transtornos da personalidade e obesidade

Mario Rodrigues Louzã, Táki Athanássios Cordás Grupo A ePub Criptografado

Alexandre Pinto de Azevedo

Apesar de evidências científicas demonstrarem o contrário há vários anos, ainda há, mesmo entre profissionais da saúde, a crença na existência de um perfil de personalidade específico de indivíduos obesos.1 Na verdade, essa ideia inadequada sobre o funcionamento psicológico do indivíduo com obesidade é resultado de construções socioculturais prec onceituosas, tornando-o mais estigmatizado que outras populações sociais, como as minorias étnicas ou mesmo indivíduos com necessidades especiais.2 Na década de 1950, a suposição de que pessoas obesas apresentavam um tipo característico de personalidade já estava sendo contestada, mas apenas estudos recentes dão suporte de qualidade a essa ideia.1,2 Apesar disso, a escassez de pesquisas sobre estereótipos de obesidade em populações de adolescentes, em que, especificamente, expressam mais experiências de insatisfação com a aparência e conflitos entre seus corpos ideal e atual, é surpreendente à luz do aumento da obesidade nos últimos 30 anos e das implicações da compreensão destes estereótipos em intervenções para reduzir o estigma e outras questões associadas à obesidade, lembrando da importância da aparência para o desenvolvimento psicossocial dos adolescentes.2,3

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13 - Luto e transtornos de adaptação

João Quevedo Grupo A ePub Criptografado

ERICK MESSIAS

O termo “luto”, derivado do latim letum, significa morte. Assim, o “pesar pelo falecimento de algum ente querido” é uma experiência universal e inescapável, que inclui sentimentos de tristeza, dor psíquica, ansiedade e angústia.

Dada a ubiquidade dessa experiência, torna-se necessário definir com alguma precisão os limites do luto normal e do luto patológico. Este último tem sido discutido na literatura sob diferentes denominações, incluindo luto complicado, luto traumático e, mais recentemente, transtorno do luto prolongado.1 Este capítulo utiliza o termo “luto patológico”. Há evidências de que o estado de luto patológico aumenta o risco de distúrbios cardiovasculares agudos, morte e suicídio.2

Além disso, é preciso delinear os limites entre essas reações patológicas ao luto e transtornos mentais como a depressão e o transtorno de estresse pós-traumático, com os quais compartilha tantas características.

De modo importante, o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, 5ª edição (DSM-5),3 nos critérios para episódio depressivo maior, passou a permitir esse diagnóstico quando a resposta a uma perda significativa (p. ex., luto) for desproporcional ao sofrimento esperado de acordo com a história do indivíduo e as normas culturais vigentes. O DSM-5 menciona que a distinção entre uma reação de luto e um episódio depressivo requer apura­do julgamento clínico. Ao distinguir luto de um episódio depressivo, é útil considerar que o afeto predominante no luto é o sentimento de vazio e perda, enquanto no episódio depressivo maior é um humor deprimido persistente e uma incapacidade de antecipar felicidade ou prazer. A disforia no luto tende a decrescer em intensidade após dias a semanas e ocorre em “ondas”. Tais “ondas” tendem a ser associadas com pensamentos ou lembranças do falecido.3

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13 - Personalidade e dependência de drogas

Mario Rodrigues Louzã, Táki Athanássios Cordás Grupo A ePub Criptografado

André Malbergier, Luciana Roberta Donola Cardoso

Estudos mais antigos consideravam a patologia da personalidade como fator etiológico primário das dependências de acordo com os modelos moral e sintomático. No modelo sintomático, que dominou a literatura psiquiátrica durante a primeira metade do século XX, a dependência era considerada sintoma de uma personalidade evidenciada por “desajustes, traços neuróticos de caráter, imaturidade emocional ou infantilismo”. Até nos primeiros manuais diagnósticos da American Psychiatric Association, DSM-I e DSM-II, a adição era descrita como uma variação de um “transtorno da personalidade sociopática”.

Em 1960, E. Morton Jellinek abordou de forma pioneira a dependência de álcool como doença em seu livro The Disease Concept of Alcoholism (O conceito de doença do alcoolismo). Apesar dessa publicação, somente a partir de 1970, quando vários estudos retrospectivos e prospectivos falharam na tentativa de identificar um tipo único de personalidade “pré-aditiva”, os modelos moral e sintomático foram descartados pela comunidade científica.

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14 - Emergências psiquiátricas em crianças e adolescentes

João Quevedo Grupo A ePub Criptografado

ANDRÉ LUIZ SCHUH TEIXEIRA DA ROSA

FELLIPE MATOS MELO CAMPOS

THIAGO GATTI PIANCA

CHRISTIAN KIELING

Os serviços de emergência psiquiátrica são frequentemente procurados em situações em que crianças e adolescentes requerem cuidado imediato e específico. Nos Estados Unidos, a demanda por esse tipo de atendimento vem aumentando: em 2001, 4,4% das visitas a emergências ocorriam por ­problemas de saúde mental em jovens; em 2011, essa proporção chegou a 7%.1 Não existem dados atualizados disponíveis sobre essa utilização no Brasil.

Há muitas semelhanças no tratamento dos quadros mais comuns apresentados por pacientes crianças e adolescentes, em relação aos mesmos quadros, quando apresentados por adultos. Entretanto, existem algumas diferenças importantes na avaliação e no manejo, as quais são enfatizadas ao longo deste capítulo. De forma geral, recomenda-se que serviços de emergência que atendem um número alto de pacientes nessas condições (acima de 2.000/ano) devem considerar a implementação de programas específicos para atendimento de jovens.2

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14 - Transtornos alimentares

Mario Rodrigues Louzã, Táki Athanássios Cordás Grupo A ePub Criptografado

Táki Athanássios Cordás, Fábio Tapia Salzano, Alexandre Pinto de Azevedo, Andreza Carla de Souza Lopes, Mirella Baise

Os transtornos alimentares (TAs) caracterizam-se por inadequações no consumo, no padrão e no comportamento alimentares, bem como por diferentes crenças equivocadas sobre a alimentação, ocasionando progressiva piora da qualidade nutricional e psicopatológica.1

Esses transtornos são determinados por uma etiologia multifatorial, sendo que aspectos socioculturais (como o ideal de corpo e os padrões de beleza) e psicológicos (individuais e familiares), uso de dietas restritivas (que podem dar início a uma cascata de alterações biológicas) e vulnerabilidade biológica (inclusive genética) têm importante participação no desencadeamento, na manutenção e na perpetuação de seus sintomas.2

O capítulo “Transtornos Alimentares” do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5)3 reúne os diagnósticos já consagrados do capítulo “Transtornos da Alimentação” do DSM-IV-TR,4 incluindo os diagnósticos que constavam como Transtornos da Alimentação da Primeira Infância no capítulo “Transtornos Geralmente Diagnosticados pela Primeira Vez na Infância ou na Adolescência”, suprimido da nova edição do DSM. Assim, os diagnósticos de pica e de transtorno de ruminação foram revisados para que pudessem ser aplicados a indivíduos de qualquer idade.

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15 - A interface entre personalidade, transtornos da personalidade e transtornos do humor

Mario Rodrigues Louzã, Táki Athanássios Cordás Grupo A ePub Criptografado

Ricardo Alberto Moreno, Luis Felipe Costa, Aline Valente Chaves

Eis os questionamentos que nos motivaram a escrever este capítulo: como diferenciar um temperamento e a respectiva morbidez? Qual a fronteira para que as doenças afetivas sejam agravadas por um transtorno da personalidade (TP)?

Nos últimos anos, estudos têm surgido no sentido de diferenciar e estudar as diversas faces dos transtornos mentais. Pesquisadores mapeiam de forma detalhada a estrutura e a prevalência dos transtornos mentais na população. Um deles é o São Paulo Megacity, cujo objetivo global é fornecer estimativas de prevalência (12 meses e lifetime) para uma ampla gama de transtornos mentais na população em geral; identificar comorbidades psiquiátricas, bem como sua gravidade e o comprometimento associado; determinar os padrões de utilização dos serviços de saúde; e estimar a carga global das doenças mentais.1

Em sua estrutura o DSM-52 rompeu com a classificação multiaxial introduzida na terceira edição do manual. Os TPs, previamente sugeridos como transtornos do Eixo II, deixaram de ser condições subjacentes e se uniram aos outros transtornos psiquiátricos no Eixo I.

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15 - Emergências psiquiátricas em idosos

João Quevedo Grupo A ePub Criptografado

LEONARDO CAIXETA

YANLEY LUCIO NOGUEIRA

MARIANA LIMA CAETANO

ANDREY ROCHA ROCCA

A abordagem psiquiátrica em um serviço de emergência tem como objeti- vos:

•Conduzir uma avaliação médico-psiquiátrica adequada, mesmo que célere e com poucas informações.

•Identificar uma hipótese diagnóstica, mesmo que inicialmente a abordagem seja sindrômica.

•Fornecer tratamento de emergência, eliminar riscos e preservar a vida.

Todas essas metas devem ocorrer em um serviço devidamente estruturado e eficiente.1-3 Erros no pronto e correto reconhecimento das condições psiquiátricas de urgência em idosos podem resultar em graves consequências clínicas e até risco de morte, além de onerar sobremaneira o sistema de saúde, que despenderá preciosas quantias na tentativa de manejar as sequelas advindas de quadros psicopatológicos malconduzidos.4

A avaliação psicogeriátrica de urgência depende da interpretação correta da complexa interdependência dos sistemas funcionais envolvidos nas operações mentais. Não apenas funções do próprio sistema nervoso central (SNC) apoiam tais sistemas operacionais, mas também, e especialmente no caso dos idosos, a homeostase sistêmica constitui pano de fundo importante na orquestração perfeita dessas funções. Por exemplo, um idoso com infecção no trato urinário ou no aparelho respiratório (aparelhos orgânicos aparentemente sem conexões com funções mentais) pode sofrer intenso impacto em seu funcionamento cognitivo e comportamental por causa dessas doenças, podendo, inclusive, apresentar um quadro de delirium ou demência de rápida instalação.5 Os idosos, assim como as crianças, muitas vezes respondem de forma sistêmica a agravos locais que acometem sistemas ou aparelhos orgânicos “distantes” do SNC.

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16 - Atendimento domiciliar e remoção psiquiátrica emergencial

João Quevedo Grupo A ePub Criptografado

EDUARDO HOSTYN SABBI

LILIANE DIAS DE LIMA

JOÃO QUEVEDO

Os atendimentos domiciliares de crise constituem uma emergência e trazem riscos ao paciente e a terceiros, devendo ser realizados por uma equipe de profissionais devidamente treinados e capacitados para tal função. Trata-se de uma situação peculiar na qual se deve agir fora do setting, em condições diferentes do que se está habituado em consultório ou ambulatório. Em geral, as condições são mais estranhas e adversas ao profissional, os pacientes tendem a ser menos colaborativos e frequentemente há necessidade de remoção involuntária para outro serviço.

Em agosto de 2002, um grupo de psiquiatras da American Psychiatric Association publicou o resultado de uma força-tarefa que ainda é uma referência no estudo dos serviços psiquiátricos de emergência. Ela categoriza e estabelece uma série de recomendações sob a forma de modelos de programa para o atendimento das situações de crise.1

Nesse estudo, o serviço de atendimento domiciliar psiquiátrico de emergência (mobile service) é conceituado como aquele capaz de ir até a comunidade para iniciar o processo de avaliação e definição do tratamento externo ao hospital (incluindo a remoção para outro serviço).1 Tal serviço deve estar preparado para manejar pacientes com extremo risco de lesar a si mesmos ou a outros, com notada debilidade em seu funcionamento e na presença de graves condições médicas, psiquiátricas e de abuso de substâncias.

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