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Medium 9788582710210

Capítulo 5 - Capital psicológico no trabalho

Mirlene Maria Matias Siqueira Grupo A PDF Criptografado

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Capital psicológico no trabalho

Mirlene Maria Matias Siqueira

Maria do Carmo Fernandes Martins

Warton da Silva Souza

Estudiosos de fenômenos organizacionais demonstravam, em um passado recente, grande interesse por aspectos negativos, produzindo uma vasta literatura sobre adoecimento no contexto laboral provocado por más condições e precarização do trabalho, bem como voltando a atenção para os comportamentos individuais e grupais desviantes dos objetivos organizacionais. O empenho dos pesquisadores pelo estudo e pela compreensão dos fenômenos negativos deriva, em parte, da essência da Psicologia Tradicional, na qual se observava destaque para o tratamento e a prevenção de psicopatologias que emergem no ambiente organizacional de trabalho. Baumeister e colaboradores (2001) alertam para a tendência de se associar um quadro positivo com os efeitos da minimização de variáveis negativas no contexto organizacional.

No início do século XXI surge a Psicologia Positiva, uma nova perspectiva para atuação profissional e na área da pesquisa, aparecendo como tentativa de romper o viés negativo sobre o desenvolvimento humano por meio do estudo dos aspectos positivos presentes em indivíduos, grupos e nos diferentes contextos da sociedade, como o de trabalho em organizações (Seligman;

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Medium 9788536311104

12. A ORGANIZAÇÃO NEUROFUNCIONAL DA PSICOMOTRICIDADE: INTRODUÇÃO À OBRA DE LURIA

Fonseca, Vitor da Grupo A PDF Criptografado

Vitor da Fonseca 405

A ORGANIZAÇÃO NEUROFUNCIONAL

DA PSICOMOTRICIDADE: introdução à obra de Luria

Aleksandr Romanovich Luria, juntamente com Vygotsky, Leontiev e Rubinstein, é um dos psicólogos russos mais considerados internacionalmente, sendo uma figura pioneira da neuropsicologia mundial. Seus trabalhos, marcadamente de cunho clínico-experimental, estão muito ligados ao estudo dos mecanismos do cérebro e das suas relações com as manifestações expressivas e concretas do psiquismo humano (Whittrock et al., 1972).

Para lançar o desafio da aceitação universal de uma teoria psicomotora do ser humano, mensagem essencial deste livro, sem dúvida Luria fornece inúmeras pistas de investigação, principalmente as que dizem respeito à relação córtexmotricidade. Para Luria (1966b, 1975a, 1980), o cérebro humano é o produto filogenético e ontogenético de sistemas funcionais adquiridos em vários milhões de anos, ao longo do processo sócio-histórico (sociogenético) da espécie humana.

Luria (Luria, 1966b, 1975a, 1980; Luria et al.,

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Medium 9788527731546

14 - Violência Doméstica na Visão Psicanalítica

PAYÁ, Roberta Grupo Gen PDF Criptografado

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Violência Doméstica na

Visão Psicanalítica

Patrícia França Proença

Todo homem mata aquilo que ama.

Oscar Wilde

Introdução

Este capítulo tem como objetivo compreender a violência doméstica com fundamento em conceitos desenvolvidos pela Psicanálise e discutir as estruturas inconscientes dessa dinâmica, considerando se tratar de uma questão muito ampla e que atinge – de uma maneira terrivelmente silenciosa e dramática – crianças, adultos (homens ou mulheres) e idosos, e atravessa todos os grupos sociais, independentemente de classe, idade, etnia, religião, cultura ou região.

O estudo desse tema é extremamente relevante em virtude do imenso sofrimento a que suas vítimas ficam suscetíveis e que impede seu adequado desenvolvimento mental, emocional e físico. Torna-se necessário, além de entender a questão da vítima da violência, também buscar o entendimento sobre o agressor e como foi seu desenvolvimento psíquico, seus conceitos e valores para que culminassem em determinados comportamentos violentos.

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Medium 9788520430026

Quem são os ciumentos?

BALLONE, Geraldo José Editora Manole PDF Criptografado

Quem são os ciumentos?

Existem três tipos de ciúme não normal: exagerado, obsessivo e patológico. Nesses casos, já não se trata de sentimentos banais, caprichosos ou voluntários. O ciúme não normal faz parte do grupo de emoções e sentimentos que fazem sofrer, que fogem ao controle e são capazes de escravizar tanto o ciumento quanto o objeto do ciúme.

E quem são as pessoas ciumentas? Existe um grupo de pessoas que mais parecem personagens de ficção, não são encontradas por aí, parecem pessoas que só existem teoricamente. Tanto quanto as ciumentas, também não se encontram pessoas invejosas, pessimistas, rancorosas, miseráveis e todas as portadoras de adjetivos menos nobres e mais vexatórios. Esses traços e os comportamentos decorrentes são mantidos sob sigilo para manter o prestígio pes­ soal, social e familiar.

Há pessoas sensatas e com boa reputação social que enlouquecem sigilosamente por dinheiro, prestígio, medo, vaidade etc. Pode ser muito perturbador descontrolar-se e sucumbir também pelo amor e pelo ciúme. Pesquisas sociopsicológicas mostram que essas pessoas existem de verdade, mas não são vistas, não são encontradas nem em entrevistas profissionais. À pergunta “você é ciumento?”, a resposta é sempre “não”. E continua a mesma quando se pergunta sobre a inveja. Os avarentos, então, parecem figuras do além, embora se saiba que eles também existem.

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Medium 9788582713976

Capítulo 11 - Manejo de Emoções e Estresse

Carmem Beatriz Neufeld Grupo A PDF Criptografado

MANEJO DE

EMOÇÕES E

ESTRESSE

ANA IRENE FONSECA MENDES

ISABELA MARIA FREITAS FERREIRA

FERNANDA VILLELA FRIOLI

CARLA CRISTINA DAOLIO

CARMEM BEATRIZ NEUFELD

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De acordo com Papalia, Olds e Feldman (2006), na adolescência existem muitas transformações expressadas pela fragilidade socioemocional. As características físicas do adolescente e a variação na sua maturação, que pode ser precoce ou tardia, são capazes de influenciar no autoconceito do jovem, assim como na sua adaptação emocional e social. Outro ponto que causa bastante interferência nessa fase do desenvolvimento são as influências emocionais, que podem acabar interferindo na flutuação e instabilidade do humor, bem como na exacerbação emocional.

A aquisição do pensamento abstrato é típico da adolescência, e sua incursão incipiente pode se traduzir em comportamentos imaturos, como discutir com a intenção de experimentar e demonstrar sua capacidade de raciocínio, apresentar dificuldade para tomar decisões, procurar e apontar imperfeições nas figuras de autoridade, etc. Outras particularidades dessa etapa do desenvolvimento são a autoconsciência, caracterizada pela inferência, por parte do indivíduo, de que os outros pensam da mesma forma que ele; pela hipocrisia aparente, que é a incongruência entre defender um ideal e agir em conformidade com ele; e pela sensação de invulnerabilidade, levando ao egocentrismo que explica os numerosos comportamentos autodestrutivos e arriscados (Elkind,

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Medium 9788536307473

6. Considerações básicas sobre itens de teste

Urbina, Susana Grupo A PDF Criptografado

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Susana Urbina

C O N S U L T A R Á P I D A 6. 1

Redigindo itens de teste

Para mais esclarecimentos sobre o processo de preparação de itens para testes de habilidade, bem como orientações claras sobre como redigi-los, os leitores podem consultar uma das seguintes fontes:

• Bennett, R.E., & Ward, W.C. (Eds.).(1993). Construction versus choice: Issues in constructed response, performance testing and portfolio assessment. Hillsdale, NJ: Erlbaum.

• Haladyna, T.M. (1997). Writing test items to evaluate higher order thinking. Boston: Allyn & Bacon.

• Haladyna, T.M. (1999). Developing and validating multiple-choice test items (2nd ed.). Mahwah,

NJ: Erlbaum.

Embora não existam guias comparáveis para toda a ampla gama de abordagens ao desenvolvimento de instrumentos de avaliação da personalidade, alguns princípios básicos para a preparação de itens objetivos podem ser obtidos nas seguintes obras:

• Aiken, L.R. (1996). Rating scales and checklists: Evaluating behavior, personality and attitudes. New York: Wiley.

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Medium 9788541202749

CAPÍTULO 35 - A lei da alienação parental pode contribuir para pacificar o ambiente familiar?

SEIXAS, Maria Rita D'Angelo; DIAS, Maria Luiza (orgs.) Grupo Gen PDF Criptografado

CAPÍTULO

35

A lei da alienação parental pode contribuir para pacificar o ambiente familiar?

Ana Paula Valinho Agostinho

Lélia de Cassia Faleiros

Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim

Não me valeu.

Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim!

O resto é seu

Trocando em miúdos, pode guardar

As sobras de tudo que chamam lar

As sombras de tudo que fomos nós

As marcas de amor nos nossos lençóis

As nossas melhores lembranças

Aquela esperança de tudo se ajeitar

Pode esquecer

Aquela aliança, você pode empenhar

Ou derreter

(Chico Buarque)

Introdução

O amor e a separação sempre foram ingredientes para os mais belos poemas e as mais intensas canções. Como nos lembra Colin Parkes (2009), em seu recente livro Amor e

Perda, o amor é a fonte de prazer mais profunda na vida da maioria das pessoas; na outra ponta a perda daqueles que amamos seja por morte ou separação é a mais profunda fonte de dor. Portanto, como ele nos aponta, podemos considerar o “Amor e a perda como face da mesma moeda”.

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Medium 9788582715574

Capítulo 15. Avaliação psicológica de pessoas diagnosticadas com câncer

Claudio Simon Hutz; Denise Ruschel Bandeira; Clarissa Marceli Trentini;Eduardo Remor Grupo A PDF Criptografado

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AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA

DE PESSOAS DIAGNOSTICADAS

COM CÂNCER

Cristiano de Oliveira

Eduardo Remor

O

câncer é caracterizado pelo crescimen to insidioso e desordenado de ­cé­lulas que constitui uma ameaça à manutenção da vida. Trata-se de uma doença com implicações diretas na saúde e na qualidade de vida dos pacientes e com impactos importantes no funcionamento familiar (American Cancer

Society, 2018). Devido à alta incidência e prevalência no Brasil, são estimados, para os anos de

2018 e 2019, aproximadamente 600 mil novos casos de câncer (Instituto Nacional do Câncer

José Alencar Gomes da Silva [INCA], 2017).

O diagnóstico do câncer vem acompanhado de uma série de implicações, como as representações e os estigmas associados à doença e os paraefeitos de seus tratamentos, que envolvem, via de regra, procedimentos invasivos e com direta repercussão na saúde mental e na qualidade de vida dos pacientes (Esser et al.,

2018; Yang, Chae, & So, 2018).

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Medium 9788536326313

26. MANEJO DE CONTINGÊNCIA

Ribeiro, Marcelo Grupo A PDF Criptografado

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TÉCNICAS DE MANEJO

C A P Í T U L O

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MANEJO DE CONTINGÊNCIA

ANDRÉ DE QUEIROZ CONSTANTINO MIGUEL /

CAROLINA DE MENESES GAYA

Como tem sido possível observar de maneira mais aprofundada ao longo deste livro, a dependência de crack representa um grave problema de saúde pública no Brasil. Dados do II Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas revelam que a prevalência do uso de crack (cocaína na forma fumada) na vida é de 0,7%, e o uso pesado da droga fica em torno de 0,2% de toda a população brasileira.1

O crack é, entre as drogas ilícitas, a substância cuja demanda por tratamento mais aumentou nos últimos anos no Brasil.2 Hoje, a dependência de crack é a causa mais prevalente de internação por uso de cocaína no País.2 Dados extraoficiais divulgados recentemente pela mídia nacional estimam que mais de 1 milhão de brasileiros sejam usuários de crack.3

Um estudo feito com crianças e adolescentes com idades entre 10 e 17 anos, moradores das ruas de todas as capitais brasileiras, também mostra dados alarmantes: dessa parte da população, segundo o levanta-

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Medium 9788536325637

8. Terapia cognitivo‑comportamental para os transtornos de comportamento disruptivo: modelo de treinamento parental

Petersen, Circe Salcides Grupo A PDF Criptografado

8

Terapia cognitivo­‑comportamental para os transtornos de comportamento disruptivo: modelo de treinamento parental

Janaína Thaís Barbosa Pacheco

Caroline Tozzi Reppold

O comportamento disruptivo é o responsável por grande parte da procura por serviços psiquiátricos e psicológicos infantis (Garland et al., 2001). A quantidade de estudos empíricos, principalmente internacionais, indica a seriedade do problema e a mobilização da comunidade acadêmica e dos profissionais da área clínica para compreenderem e desenvolverem intervenções direcionadas para crianças e adolescentes com problemas de comportamento e para suas famílias. Serra­‑Pinheiro, Guimarães e Serrano (2005) afirmam que a alta prevalência dos transtornos disruptivos é observada na literatura internacional e em amostras brasileiras. Por exemplo, no período de um ano

(2001/2002) aproximadamente 50% dos pacientes que procuraram o Centro de Atenção e Reabilitação para Infância e Mocidade

(CARIM) da Universidade Federal do Rio de

Janeiro (UFRJ) tinham queixa de comportamento disruptivo (Serra­‑Pinheiro et al.,

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Medium 9788580553383

Capítulo 7 - Persuasão

David G. Myers Grupo A PDF Criptografado

C A P Í T U LO

Persuasão

7

“Engolir e seguir, seja a velha doutrina ou a nova propaganda, é uma fraqueza que ainda domina a mente humana.”

—Charlotte Perkins Gilman, O trabalho humano, 1904

“Lembre-se de que mudar vossa mente e seguir aquele que vos corrige é ser mesmo assim um agente livre.”

Marco Aurélio, Meditações, VIII. 16, 121-180

J

oseph Goebbels, ministro para a Iluminação Nacional e Propaganda da Alemanha de 1933 a

1945, compreendia o poder da persuasão. Tendo recebido o controle das publicações, dos pro-

gramas de rádio, dos filmes e das artes, ele se comprometeu a convencer os alemães a aceitarem a ideologia nazista em geral e o antissemitismo em especial. Seu colega Julius Streicher publicava um jornal antissemita semanal, o Der Stürmer, o único jornal lido do começo ao fim por Adolf Hitler.

Que caminhos levam à persuasão?

Quais são os elementos da persuasão?

Persuasão extrema: Como os cultos doutrinam?

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Medium 9788536314648

Capítulo 12: Neurociências e terapia familiar

Luiz Carlos Osorio; Maria Elizabeth Pascual do Valle Grupo A PDF Criptografado

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Luiz Carlos Osorio, Maria Elizabeth Pascual do Valle & cols.

12

Neurociências e terapia familiar

Maria Elizabeth Pascual do Valle

O homem deve saber que de nenhum outro lugar, mas do encéfalo, vêm a alegria, o prazer, o riso e a diversão, o pesar, o ressentimento e a lamentação.

E, por isso, de uma maneira especial adquirimos sabedoria e conhecimento, e enxergamos e ouvimos e sabemos o que é justo e injusto, o que é bom e o que é ruim, o que é doce e o que é amargo... E pelo mesmo órgão tornamo-nos loucos e delirantes, e medos e terrores nos assombram...

Todas essas coisas suportamos do encéfalo quando não está sadio... Nesse sentido, sou da opinião de que o encéfalo exerce o maior poder sobre o homem.

Hipócrates, em

“Acerca das Doenças Sagradas”, citado em Gomes, 2005.

POR QUE UM CAPÍTULO DE

NEUROCIÊNCIAS EM UM LIVRO

SOBRE TERAPIA FAMILIAR?

Por neurociências entendemos o conjunto de disciplinas, como a neuroanatomia, a neurofisiologia, a neurobiologia, a neurologia clínica e outras disciplinas correlatas

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Medium 9788536307374

Capítulo 12 - O grupo avançado

Irvin D. Yalom; Molyn Leszcz Grupo A PDF Criptografado

PSICOTERAPIA DE GRUPO

275

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O grupo avançado

Quando um grupo atinge um grau de maturidade e estabilidade, ele deixa de apresentar estágios de desenvolvimento familiares e facilmente descritos. Inicia-se o rico e complexo processo de trabalho, e os principais fatores terapêuticos que descrevi anteriormente atuam com maior força e efetividade. Gradualmente, os membros envolvem-se de maneira mais profunda no grupo e usam a interação do grupo para abordar as questões que os trouxeram à terapia. O grupo avançado caracterizase pela capacidade crescente de reflexão, autenticidade, auto-revelação e feedback dos membros.1 Assim, é impossível formular diretrizes metodológicas específicas para todas as contingências. De um modo geral, o terapeuta deve tentar estimular o desenvolvimento e a operação dos fatores terapêuticos. A aplicação dos princípios básicos do papel e da técnica do terapeuta a eventos específicos do grupo e à terapia de cada paciente (conforme discutido nos Capítulos 5, 6 e 7) constitui a arte da psicoterapia e, por isso, não existe substituto para a experiência clínica, leitura, supervisão e intuição.

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Medium 9788565852708

Capítulo 16 - Treinamento, Desenvolvimento e Educação: Um Modelo para sua Gestão

Livia de Oliveira Borges; Luciana Mourão Grupo A PDF Criptografado

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TREINAMENTO, DESENVOLVIMENTO E

EDUCAÇÃO: UM MODELO PARA SUA GESTÃO

Jairo Eduardo Borges-Andrade

Thaís Zerbini

Gardênia da Silva Abbad

Luciana Mourão

Introdução ....................................................................................................................................466

História e conceitos de treinamento, desenvolvimento e educação..........................................466

O sistema de TD&E .......................................................................................................................467

O modelo de avaliação integrado e somativo em TD&E ..............................................................472

Insumos ....................................................................................................................................473

Procedimentos ..........................................................................................................................473

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Medium 9788582712757

Capítulo 31. Ilusão, mentira, elaboração

Celso Gutfreind Artmed PDF Criptografado

31

ILUSÃO, MENTIRA,

ELABORAÇÃO

Da mentira a filosofia ocupou-se algumas vezes. Bachelard, por exemplo, fez o elogio do devaneio, parente próximo. A psicologia também deu o seu pitaco e, para Winnicott, não se avança nesta vida sem algum grau de ilusão, outro parente. Mas, para acertar o alvo de um tema tão inexato e importante, só com alguma poesia e muita música. Para Quintana, a mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer, e o Chico Buarque a cantou como a desistência não reconhecida de um amor malogrado.

Aproximou-a das uvas verdes e inalcançáveis da fábula da raposa: “Tinha cá pra mim que agora sim eu vivia enfim um grande amor, mentira”.

Nada como um compositor e um poeta para calibrar uma verdade.

Disseram tudo e se anteciparam aos conceitos de que filósofos e psicólogos se valeram para expor seus arrazoados. Ora, para o senso popular, mentir

é feio, e assim são educadas as crianças pelos seus cuidadores inevitavelmente mentirosos. “Façam o que eu digo”, educam e mentem. Para além do devaneio e da ilusão, cumpriram a sina do Quintana e chegaram ao mundo à espera de amor verdadeiro. Aliás, para o poeta, todas as histórias são de amor, e filosofia ou psicologia que se prezem não deveriam discordar de um resumo tão pungente. O que fazer, então, com uma verdade esquecida senão lembrá-la, como fez Quintana? Ou apagá-la, como fez

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