19 capítulos
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A ordem e o progresso

Dioclécio Campos Júnior Editora Manole PDF Criptografado

O conceito de progresso difundido na democracia capitalista está intrinsecamente relacionado ao da ordem em todas as dimensões consideradas. Não concebe a possibilidade de progresso sem que as normas em vigor sejam respeitadas, assim como não se pode imaginar o avanço da sociedade no amplo contexto do progresso sem que as instâncias de controle comportamental da cidadania funcionem com determinação.

A palavra em causa é muito utilizada pelas elites governantes. Trata-se, porém, de expressão vaga a definir conteúdo discutível, para não dizer polêmico. Há correntes de pensamento que não admitem sua existência e outras que a aceitam parcialmente. A maioria, sem dúvida, acredita no progresso. Quando se analisa, no entanto, sob o ângulo da história, a relatividade conceitual do tema aparece com evidência. De fato, a variável do tempo decorrido entre a existência de uma civilização e outra precisa ser abstraída do processo para que a comparação entre civilizações distintas, que existiram em eras diferentes, permita avaliar se o conceito de progresso, como se define na atualidade, pode ser afirmado.

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O poder e a ordem

Dioclécio Campos Júnior Editora Manole PDF Criptografado

Com versões diferentes, o princípio conceitual definido nas peças constitucionais das democracias capitalistas resume-se ao conteúdo da frase: “Todo poder emana do povo e em seu nome será exercido”. De concepção utópica, se não ingênua, esse postulado democrático já tão corroído não traduz a realidade. Presta-se a ocultar, da opinião pública, o embuste que representa. Com efeito, nenhum poder emana verdadeiramente do povo. Para tanto, o livre pensar seria requisito insubstituível, condição que não ocorre em nenhuma sociedade. Até porque, segundo o filósofo alemão Ernst Bloch conceitua em seu livro The principle of hope (O princípio esperança), pensar é, antes de tudo, transgredir, postura que o regramento impositivo jamais aceitaria como prática difundida entre as pessoas. Ademais, a estrutura de poder é criada habitualmente em função dos interesses da minoria endinheirada, da classe rica, jamais das necessidades da maioria espoliada, mantida inculta e dependente. Logo, o poder emana diretamente dos grupos privilegiados da sociedade, das instâncias que controlam a economia e detêm, em suas mãos, a maior parte da riqueza dos países a que pertencem.

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Democracia e a pobreza em Tocqueville: Os paradoxos da nossa condição

Helena Esser dos Reis Editora Almedina PDF Criptografado

Democracia e a pobreza em Tocqueville:

Os paradoxos da nossa condição

Marta Nunes da Costa

I. O século XIX em perspectiva

Historicamente podemos identificar dois marcos fundamentais nos últimos 250 anos: a Revolução Americana e a Revolução Francesa. Alexis de Tocqueville, francês, aristocrata de nascimento, era um homem de espírito sagaz e incisivo que cedo compreendeu que a mudança que as Revoluções anunciavam não era temporária nem coisa do acaso, mas antes da “Providência” e vinha para ficar. A

América tornara-se exemplo da ‘democracia’, exemplo que merecia ser estudado e analisado cientificamente para daí extrair orientações práticas a serem aplicadas no continente europeu. O poder do exemplo residia no fato de a América ser a encarnação de um fato providencial. O fato providencial era a famosa ‘igualdade de condições’. Fato, na medida em que já na Revolução Americana ele se materializa, sendo inclusive uma das condições necessárias para o sucesso da experiência democrática na América; providencial, na medida em que a sua existência não se apresenta como contingente ou aleatória, mas parece tornar evidente o desenvolvimento histórico para o qual todos estamos destinados: o desenvolvimento em direção a uma igualdade cada vez maior entre os seres humanos. Diz o autor que “o gradual desenvolvimento da igualdade é uma realidade providencial. Dessa realidade, tem ele as principais características: é universal, é durável, foge dia a dia à interferência humana; todos os acontecimentos assim como todos os homens servem ao seu desenvolvimento.” (Tocqueville, 1998: 3) Como entender essa igualdade?

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ENSAIO SOBRE O PAUPERISMO

Helena Esser dos Reis Editora Almedina PDF Criptografado

ENSAIO SOBRE O PAUPERISMO1

Alexis de Tocqueville

Primeira parte

Do desenvolvimento progressivo do pauperismo nos modernos e dos meios empregados para combatê-lo

Quando percorremos os diversos países da Europa, nos surpreendemos com um espetáculo extraordinário e aparentemente inexplicável. Os países que parecem os mais miseráveis são aqueles que, na realidade, contam com o menor número de indigentes, e nos povos cuja opulência se admira, uma parte da população é obrigada, para viver, a recorrer aos donativos da outra.

Que se atravessem os campos da Inglaterra, acreditar-nos-emos transportados ao Éden da civilização moderna. As estradas magnificamente conservadas, residências frescas e limpas, gordos rebanhos errantes nas ricas pradarias, agricultores plenos de força e de saúde, a riqueza mais ofuscante do que em qualquer país do mundo, a simples comodidade mais ornada e mais aprimorada que em outros lugares; em toda parte o aspecto do cuidado, do bem-estar e de ociosidade; um ar de prosperidade universal que acreditamos respirar na própria atmosfera e que faz estremecer o coração a cada passo: assim aparece a Inglaterra aos primeiros olhares do viajante.

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A evolução de Tocqueville sobre o problema da pobreza e do pauperismo

Helena Esser dos Reis Editora Almedina PDF Criptografado

A evolução de Tocqueville sobre o problema da pobreza e do pauperismo1

Jean-Louis Benoît

Para compreender o lugar exato dos Ensaios sobre o pauperismo, é importante considerar as condições precisas de sua redação.

Antes de sua viagem aos Estados Unidos, em 1831-1832, Tocqueville estava decidido a começar uma carreira política. “É o homem político que precisamos desenvolver em nós”, tinha escrito a seu amigo Beaumont, em 25 de outubro de 1829. A partir de então, logo que atinge os trinta anos e paga mais de quinhentos francos de impostos, ele pode ser candidato às eleições legislativas e pretende se apresentar em 1837 à Cherbourg, mas, para ter chance de ser eleito, é preciso se estabelecer no Contentin. Neste mesmo ano, torna-se proprietário do castelo de seus ancestrais, com o título de visconde. Em 1834, torna-se membro correspondente da Sociedade Real Acadêmica de

Cherbourg, uma das sociedades científicas da época, composta por notáveis, aos quais se conferia certo prestígio suscetível de influenciar, eventualmente, os membros do corpo eleitoral censitário.

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