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DISCURSOS NO COQUETEL - 15 - Introdução de Edmar Bacha

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Introdução de

Edmar Bacha

Edmar Bacha: Quando conversei com minha mulher ontem à noite sobre o seminário de hoje, ela me perguntou: “Como você acha que serão os debates?” Respondi: “Receio que sejam um pouco cacofônicos.” Ao que ela retrucou: “Cacofônicos?

Você está sendo muito pessimista. Serão polifôni‑ cos.” E agora posso dizer que também ela foi pes‑ simista: foram sinfônicos. Muito obrigado a todos vocês por isso.

Devo dizer algumas palavras especiais de agra‑ decimentos. Antes de tudo, a nossos amigos estran‑ geiros, todos os oito provenientes de lugares tão distantes quanto Hong Kong e Israel, vindo dire‑ tamente, ou via Moscou e Genebra. E a Caio, que veio da Alemanha.

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Caio Koch‑Weser: Alemanha, via São Paulo.

Edmar Bacha: Via São Paulo... bem, foi um desvio errado, mas não importa. Portanto, obrigado a esses cavalheiros, pessoas muito ocupadas, com compromissos importantes em outros luga‑ res, mas que, como todos nós do Brasil, queriam estar aqui hoje para homenagear Pedro. Também quero agradecer ao Banco Itaú

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DISCURSOS NO COQUETEL - 16 - Discurso de Fernando Henrique Cardoso

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Discurso de Fernando

Henrique Cardoso

Fernando Henrique Cardoso: Muito obri‑ gado, mas, em vez de falar em inglês, francês, ou alemão, vou falar em português. Há algumas regras de protocolo, e havendo sido presidente eu não posso falar em público no Brasil em outras línguas que não seja o português. (risos)

Eu queria também expressar aqui, mais uma vez, não só o agradecimento que já foi feito por todos que me antecederam nesta reunião, os que vieram de longe e os de perto também, São Paulo, que é quase outro país. Mas queria dizer que, quando recebi o convite do Edmar Bacha para fazer uma homenagem ao Pedro, eu fiquei real‑ mente muito motivado.

O Pedro sempre disse que deu o nome à rua em que nasci. Ela se chama Dezenove de Fevereiro.

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Em Botafogo, aqui no Rio. E é uma homenagem a ele porque ele nasceu no dia 19 de fevereiro. Era uma homenagem antecipada.

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DISCURSOS NO COQUETEL - 17 - Discurso de Pedro S. Malan

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Discurso de

Pedro S. Malan

Pedro S. Malan: Peço desculpas a meus amigos de fora, mas seguirei o presidente Cardoso e fala‑ rei em português. Espero sua compreensão.

Excelentíssimo senhor presidente Fernando

Henrique Cardoso (risos). Já que ele disse que eu tenho um lado formal, eu ia começar assim, mas olhe, o que eu queria dizer é o seguinte: fiquei pro‑ fundamente tocado pelas suas palavras, de que eu certamente não sou merecedor. Quero dizer que eu tenho orgulho de ter sido, nos primeiros 36 anos da minha vida profissional, um servidor público.

Servi ao país em várias capacidades, no Brasil e no exterior, e tenho especial apreço pelas últimas experiências: eu já havia representado o Brasil na diretoria executiva do Banco Mundial (cargo que ocupei pela primeira vez de 1986 a 1990)

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e estava fazendo o mesmo no BID, quando o ministro Marcílio

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PRIMEIRA SESSÃO - 1 - Lições da Crise do Euro

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Lições da Crise do Euro

Caio Koch-Weser

Obrigado pelo convite, Edmar. Feliz aniversário, Pedro! As reformas de longo alcance promovidas por você e sua equipe, sob a liderança de

Fernando Henrique, ainda impulsionam o sucesso econômico do Brasil e podem ser fonte de inspiração para muitos países na Europa.

Em minhas breves considerações, apresentarei um relato sucinto de como se encontra, no momento, a gestão da crise do euro e explorarei algumas das lições aprendidas, embora ainda não tenham sido totalmente aplicadas.

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Situação do jogo

A promessa do Banco Central Europeu (BCE) de intervenção ilimitada por meio de Outright Monetary Transactions (OMT) foi um divisor de águas, reduzindo substancialmente as preocupações com o risco de cauda quanto à reversibilidade do euro.

O risco de saída da Grécia caiu muito, depois da prorrogação do pacote de apoio até 2022. Isso dito, o envolvimento do setor oficial (ESO) – inclusive do Banco Central Europeu (BCE) – para maior redução da dívida será inevitável no longo prazo. É apenas uma questão de tempo para que se desenvolvam soluções mais duradouras. O sistema político da Grécia é disfuncional, e ajustes e reformas são propostas de longo prazo.

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PRIMEIRA SESSÃO - 2 - Lições dos Ajustes Fiscais na Europa

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Lições dos Ajustes

Fiscais na Europa

Francesco Giavazzi

Depois da visão geral de Caio sobre a crise europeia, dedicarei meus quinze minutos à análise de aspecto específico da crise – como reduzir as dívidas e os déficits.

Comecemos com um exemplo: a perda pela

Itália da confiança dos mercados, em dezembro de 2011, quando as taxas de juros dos bônus de longo prazo saltaram para 7 % e 7,5 % em poucas semanas. O país foi pressionado a reagir a essa perda de confiança dos mercados com a adoção de medidas fiscais muito rigorosas. Para tanto, mudou‑se o governo, e a nova administração promoveu forte correção fiscal – 3 % do PIB em cerca de um ano e meio, algo enorme. O ajuste consistiu

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em aumento de impostos (80 %) e em redução de gastos (20 %).

Os resultados para a economia, que, em 2011, estava empacada em zero, foram uma contração de 2,5 % em 2012 e, provavelmente, outro retrocesso de 1,5 % ou 2 % em 2013. Em outras palavras, o desfecho macroeconômico da correção fiscal foi um desastre, que, infelizmente, teve consequências políticas. Nas eleições a serem realizadas na Itália em fevereiro de 2013, o principal slogan de um dos partidos políticos é “deixaremos o euro quando assumirmos o governo”. Este partido é o segundo mais popular depois da esquerda, representando cerca de 20 % do eleitorado.

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PRIMEIRA SESSÃO - 3 - Visão da Crise Europeia e Suas Lições

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Visão da Crise

Europeia e Suas

Lições

John Williamson

Diferentes são os tipos de crises. A crise europeia resultou da tentativa de operar uma entidade híbrida, promovendo a união monetária, mas omitindo seus complementos essenciais; o experimento decerto não funcionou. Como ninguém na América Latina está propondo a criação de uma união monetária, não vejo na crise europeia nenhuma lição para a região. O ensinamento mais geral é que não se deve recorrer a entidades híbridas – ou se vai até o fim ou não se começa. Isso era sabido antes da crise: daí a literatura sobre “área monetária ótima”, que, basicamente, pergunta

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como identificar as condições sob as quais o ajuste não seria necessário; só assim seria possível constituir uma união monetária sem uma união fiscal.

Antes da crise, os movimentos de capital dentro da Europa tinham características de um esquema Ponzi. Qualquer país podia tomar empréstimos para financiar qualquer tipo de déficit, pagando taxa de juros marginalmente mais alta que a predominante alhures. A Alemanha não devia sentir-se confortável com essa situação. Só depois, porém, que a Grécia elegeu um governo relativamente honesto, em 2009, a Alemanha despertou para o fato de que não havia mecanismo de ajuste no sistema anterior.

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PRIMEIRA SESSÃO - 4 - Debates da Primeira Sessão

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Debates da

Primeira Sessão

Ilan Goldfajn: Primeiro, tenho uma pergunta para o Caio. Você mencionou umas duas vezes que a falta de pressão do mercado pode realmente permitir que alguns países, como Espanha e outros, não peçam ajuda. Isso talvez seja perigoso, pois pode resultar em outra rodada de crises, antes de finalmente se promover o ajuste. Portanto, minha pergunta é: Agora que os governos conseguiram que os mercados saíssem um pouco de seus pés, seria isso um problema ou podemos prescindir dessa pressão?

Caio Koch-Weser: Pressões dos mercados, boas ou ruins? É uma pergunta difícil. Evidentemente, eu gostaria de distinguir, seletivamente, diferentes pressões de mercado. Obviamente, elas eram muito poucas antes da crise; não havia razoável

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prêmio de risco. Acho que os mercados financeiros pareciam estar adiante da economia real. Acho que teremos mais pressões de mercado; as pressões, porém, insisto neste ponto, seriam decorrentes do crescimento e do desempenho da Europa. Gostaria que o mercado diferenciasse. Tomando Portugal como exemplo – o país se saiu muito bem em todos os indicadores, está reconstruindo suas curvas de rendimento e voltou aos mercados. Seria bom que fosse recompensado por esses resultados. Acho que um pouco dessa diferenciação está ocorrendo na maneira como o mercado está tratando a Irlanda agora e, com seis meses de atraso, Portugal.

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QUARTA SESSÃO - 11 - Finanças Internacionais e Governança Global: Lições que Aprendi e Questões que Persistem

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Finanças Internacionais e Governança Global:

Lições que Aprendi e Questões que

Persistem

Jacob Frenkel

Para mim, é um grande prazer e honra partici‑ par deste evento em homenagem a Pedro Malan, grande homem e grande amigo. Esperamos setenta anos para comemorarmos juntos esse septuagésimo aniversário. Para um grande pro‑ fissional como Pedro Malan, o presente mais adequado que os amigos podem oferecer‑lhe é uma conferência profissional, celebração que ele

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merece integralmente. Pedro é homem muito modesto e prefe‑ riria, não tenho dúvidas, que fôssemos direto para as apresenta‑

ções profissionais. Respeitarei esse desejo. Só observarei, contudo, que, com base em minha estreita colaboração com ele, durante mais de um quarto de século, sou um de seus grandes admira‑ dores. Pedro sempre foi colega dedicado, amigo pessoal, homem de visão, pessoa de compromissos e grande patriota do Brasil, o seu país. É verdadeiro internacionalista, que enalteceu e praticou as virtudes e princípios da economia de mercado, o respeito aos direitos de propriedade e a importância do empreendedorismo.

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QUARTA SESSÃO - 12 - A Ascensão dos Países em Desenvolvimento e Seu Impacto sobre as Finanças Internacionais e a Governança Global

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A Ascensão dos Países em Desenvolvimento e Seu Impacto sobre as Finanças

Internacionais e a

Governança Global

Larry Summers

É com enorme prazer que estou aqui para home‑ nagear Pedro Malan, pessoa que admiro e com quem trabalhei durante muitos anos. Envolvi‑me pela primeira vez com Pedro Malan em meados da década de 1990, e, por acaso, várias foram as questões entre nós. Vi‑me em negociações com

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Pedro e logo descobri alguns de seus traços mais notáveis: nunca eleva a voz; sempre sorri; sempre é extremamente cortês; e sem‑ pre mantém exatamente a posição com que entrou na negocia‑

ção. Essa última característica realmente pareceu‑me frustrante em algumas ocasiões. Até que, poucos anos depois, Fernando

Henrique Cardoso assumiu a roda do leme do país, e Pedro, como ministro da Fazenda, enfrentou grave crise, em que era preciso manter grande disciplina em face das pressões políticas extraordinárias. Dessa vez, Pedro não negociava comigo – nego‑ ciava com os governadores de todos os estados do Brasil e com todos os membros do Congresso Nacional. E Pedro sempre sor‑ ria; Pedro nunca levantava a voz; Pedro nunca gastava um tostão que não queria gastar. Tudo isso representa parte substancial das razões por que há tanto a celebrar hoje. Fiz questão de dizer a meu bom amigo Bob Rubin que eu estava aqui homenageando

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QUARTA SESSÃO - 13 - Questões Atuais sobre Governança Global: uma Perspectiva Histórica

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Questões Atuais sobre Governança

Global: uma

Perspectiva Histórica

Stanley Fischer

Gostaria de acrescentar breves comentários ao que Larry disse sobre negociar com Pedro. Eu sempre sabia quando Pedro tinha algo a pedir, porque a conversa sempre começava mais ou menos assim: “Você precisa fazer alguma coisa com aquele cara” – geralmente Mike Mussa, con‑ selheiro econômico do FMI –, “que acabou de fazer críticas ao Brasil, o que é totalmente ina‑ ceitável”. Depois de ficar na defensiva por uns cinco minutos, eu sabia que o assunto seguinte

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Estado da Economia Mundial: Desafios e Respostas

era algum acordo com o Brasil que Pedro queria modificar. Mas tudo era feito sempre com grande sutileza e com grande cortesia.

Quando trabalhei no FMI, fiquei impressionado com a dife‑ rença entre a equipe de um país que sabia o que fazia e a equipe de outro país que recorria ao FMI para escrever seu programa de recuperação. O Brasil se incluía entre aqueles que tinham as melhores e mais coerentes equipes econômicas. O fato de o Brasil atravessar um período extremamente difícil e, depois da defesa heroica da moeda e da luta feroz contra o mercado, pouco antes da posse do presidente Lula, desembocar em uma situação em que estava pronto para avançar é um tributo merecido ao país e, em especial, ao presidente Cardoso. Mas deixarei de lado essas considerações, pois, no começo da tarde, tivemos maravilhosa exposição do presidente Cardoso sobre a subsequente dinâmica do desenvolvimento.

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QUARTA SESSÃO - 14 - Debates da Quarta Sessão

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Debates da

Quarta Sessão

Pedro Malan: Algo que se extrai dessas três apresentações, assim como das da manhã e das de depois do almoço, é o fato de a convivência da economia global com a política nacional ser fonte de tensão duradoura. Muitas das questões que discutimos aqui, desde os sistemas de previ‑ dência social até a abordagem das questões estru‑ turais de prazo mais longo, são decididas, para melhor ou para pior, por meio de processos polí‑ ticos nacionais. Isso dito, há, sem dúvida, muito espaço para a cooperação internacional, cada vez mais necessária. Quanto a isso, tendo a concor‑ dar com Larry em que já fizemos alguns avan‑

ços, mas ainda temos longo caminho a percorrer.

Especificamente, Larry, ao ouvi‑lo, lembrei‑me de nosso amigo mútuo, André Lara Resende, e de

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nossas conversas sobre como aprender com a experiência, durante as quais insistíamos em que, para aprender com a experiência, inclusive com os erros, é preciso algum tipo de arcabouço con‑ ceitual que possibilite pôr a questão em perspectiva. Algo sobre os arcabouços conceituais que eu quero mencionar é o tema dos desequilíbrios em conta‑corrente. Não havia dúvida para a maio‑ ria dos macroeconomistas – uma vez que o déficit dos Estados

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SEGUNDA SESSÃO - 5 - Perspectivas para a América Latina

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Perspectivas para a

América Latina

Albert Fishlow

Integração econômica é um velho tema na América

Latina. Iniciativas regionais com esse objetivo remontam a fins da década de 1950, quando ficou claro que a substituição de importações não havia conseguido deflagrar a centelha de ignição do crescimento industrial – como, em 1949, haviam prometido Raul Prebisch e a Comissão Econômica para a América Latina.1 Caso se deslocasse o foco, até então concentrado em cada país, para o hemisfério como um todo, seria possível evitar as inefi­ciências de escala que notoriamente inibiam a

  Em 1984, o nome mudou para Comissão Econômica para a América

Latina e o Caribe (Cepal).

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política de industrialização por substituição de importações (ISI) em quase todos os lugares, exceto México e Brasil. E, caso se impusesse o comércio equilibrado, em âmbito setorial e nacional, todos os países, aparentemente, poderiam beneficiar‑se.

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SEGUNDA SESSÃO - 6 - A Ásia e a Economia Global

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A Ásia e a Economia

Global3

Andrew Sheng

Andrew Sheng: Sinto‑me realmente muito honrado por participar desta conferência, pois percorri o caminho mais longo e sou o único asiático aqui.

Stanley Fisher: Não é, não.

Andrew Sheng: Sou, porque Hong Kong fica muito mais longe que Israel. (risadas) Certo?

Ah, sinto muito, perdão. Israel é parte da Ásia.

Realmente me desculpo. O que mostra como a

Ásia é complexa.

  Transcrição das observações de Andrew Sheng na Conferência. O autor

é grato à Sra. Jodie Hu, do Fung Global Institute, pela ajuda na pesquisa.

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De fato, é uma honra participar desta conferência, e vim de

Hong Kong especialmente para homenagear Pedro Malan. Ilan e

Edmar prestaram ontem homenagens muito pessoais e comoventes, exaltando as realizações do Pedro. Nada preciso acrescentar, a não ser repetir o que afirmei esta manhã: que Pedro já era estrela no Banco Mundial quando lá entrei, em 1989, até que ele se mudou para posições mais destacadas e fez muito mais por seu país, como presidente do Banco Central e como ministro da Fazenda.

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SEGUNDA SESSÃO - 7 - Já Não Há Lugar para Velhos Remédios

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Já Não Há Lugar para

Velhos Remédios

André Lara Resende

A expansão monetária agressiva evitou nova depressão. Aprendemos as lições de 1930: o fim de bolhas financeiras não é o momento de insistir na ortodoxia monetária. Chegou‑se a um consenso sobre o uso dos recursos dos bancos centrais para absorver dívidas privadas e para monetizar a dívida pública. Hoje, mais de cinco anos depois do início da crise, as economias do Primeiro

Mundo continuam estagnadas. Quando a questão consiste em como promover a recuperação, o consenso se rompe e velhas controvérsias vêm à tona, sob novos disfarces.

As propostas sobre como promover o crescimento se agrupam em três categorias. Na primeira,

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se inclui quem acredita que o mesmo experimento monetário capaz de evitar o colapso acabará promovendo a recuperação.

O necessário seria uma atuação ainda mais agressiva dos bancos centrais. Quem defende o afrouxamento quantitativo (quantitative easing) como saída da estagnação é adepto da velha escola monetarista. Nada há de surpreendente nessa afirmação, porquanto o afrouxamento quantitativo foi sugerido de início por Milton

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SEGUNDA SESSÃO - 8 - Debates da Segunda Sessão

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Debates da Segunda

Sessão

Regis Bonelli: Antes de abrir a sessão para dúvidas e comentários, gostaria de fazer uma pergunta a cada um dos palestrantes, Albert Fishlow,

Andrew Sheng e André Lara Resende. Primeiro a

Fishlow. Um dos fatos que sabemos estar acontecendo na América Latina é que, em alguns países, o grau de expansão das despesas é muito mais alto que em outros, sobretudo, como você mencionou,

Argentina, Bolívia, Brasil, Equador e Venezuela. E isso é o oposto do que está acontecendo no Chile,

Colômbia, México e Peru, o outro grupo de países a que você se referiu. Você acha que isso tem algo a ver com o conjunto completamente diferente de políticas econômicas que estão sendo adotadas em cada um desses dois grupos, com mais protecionismo em um caso e menos no outro, e que consequências disso você vê no médio prazo?

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Albert Fishlow: A expansão das despesas ocorreu praticamente em quase todos os países da América Latina, em uma década em que se viu o retorno de taxas de crescimento mais altas, favorecidas pelo aumento do comércio internacional. Vale salientar, contudo, três diferenças entre os países do Atlântico e do Pacífico.

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