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Capítulo 15 – Luta Eleitoral e Campanha

Adriano GIANTURCO Grupo Gen ePub Criptografado

De onde vem a regra da maioria? Por que é aplicada e considerada justa e eficiente? Ela não existe por ser considerada justa em si por alguma razão filosófica ou moral, existe por questões históricas, factuais, por questões de incentivos e de forças em jogo. Por isso, Miglio fala que nessa regra se esconde o princípio da regra do mais forte.

Durante a revolução americana, usava-se o slogan: “No taxation without representation” contra o aumento de impostos decidido pela coroa britânica. Baseando-se nas ideias lockianas, os revolucionários acreditavam que não pode haver taxação sem representação, sem consenso.

Por séculos, onde havia eleições, o sistema era voto por censo: votava só quem produzia certa renda, só quem pagava impostos, ou se tinha mais votos em proporção à produção/renda, como no caso dos pais de família que tinham votos múltiplos com base no número de familiares dependentes. Havia algumas diferenças entre alguns países, mas, grosso modo, o sistema era este. Quem não pagava impostos, quem não contribuía não tinha direito a decidir como as coisas deviam ir e como alocar o dinheiro alheio. De certo modo, o voto por censo é o outro lado da moeda do slogan americano: No representation without taxation. Fato é que hoje nenhum dos dois princípios é aplicado. Algumas pessoas (políticos, burocratas) não pagam impostos, e mesmo assim votam; outros não têm direito ao voto, mas têm que pagar impostos (os estrangeiros geralmente não votam ou votam só em eleições locais).

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Conclusão

Dioclécio Campos Júnior Editora Manole PDF Criptografado

Como afirma o pesquisador francês Georges Vignaux

(1940-), em seu livro Les imbéciles ont pris le pouvoir, ils iront jusqu’au bout (Os imbecis tomaram o poder, irão até o fim):

É sempre necessária uma crise para a tomada de consciência no sentido de que é indispensável mudar nossas maneiras de considerar as coisas e de viver juntos. Não sabemos evoluir de outra forma que não seja por meio de catástrofes, e deste ponto de vista, a catástrofe é entendida como salutar. Múltiplos sinais anunciam essa catástrofe. Não sabemos lê-los nem interpretá-los. No entanto, a falta de vigor generalizada, o dinheiro que faz a lei, a televisão que faz as opiniões, o desemprego maciço dos jovens, os aposentados no abandono, a multiplicação dos pobres estão aí: tantas catástrofes já ocorridas, as quais nos prometem remediar sem jamais o fazerem, porque os imbecis vivem felizes no mundo que dominam. Isso não pode durar: uma revolução é inelutável. Cabe a cada um tomar seu destino em mãos, tomando inicialmente consciência das coisas.

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Capítulo 24 – Relações Internacionais

Adriano GIANTURCO Grupo Gen ePub Criptografado

Os atores políticos agem e têm relações internas às fronteiras políticas do próprio território e também externas. Estas últimas são chamadas relações internacionais. O estudo das Relações Internacionais representa hoje uma disciplina em si, que nasceu da Ciência Política e agora constitui um campo de observação com peculiaridades próprias.

Historicamente, o globo terrestre nem sempre foi dividido em fronteiras políticas e governado por um cartel de organizações políticas. Essa realidade, como vimos, é muito recente na história da humanidade. A geopolítica veio gradualmente substituindo a geografia. A história do ser humano é uma história de migrações de lugares áridos e inóspitos para lugares férteis e com clima moderado. Até a história registrada, o mundo era mais aberto do que pode parecer. Depois, Roma mudou várias vezes a própria estrutura política, a própria forma de estado (de ditadura a república, de triunvirato a império etc.), e dentro dela conviviam várias etnias e povos diferentes. Estrangeiros chegavam até a ser governantes, como no caso do imperador Adriano (era espanhol).

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Capítulo 9 – Autocracias

Adriano GIANTURCO Grupo Gen ePub Criptografado

A quase totalidade das primeiras formas de política foi autocrática e ditatorial. A democracia é uma invenção relativamente moderna na história da política. Ainda hoje existem muitos sistemas autocráticos. Neles, um indivíduo ou um grupo dita ou ordena políticas impositivas sobre várias matérias, exclui amplos grupos da população do processo de decisão, as medidas são muito restritivas das liberdades individuais e geralmente os governantes não são eleitos. Os governantes podem chegar ao poder por meio de golpe, de revolução ou de eleições, tornando o sistema ditatorial após a posse, às vezes abolindo as eleições ou manipulando-as fortemente.

Geralmente os ditadores se autoproclamam os verdadeiros representantes do povo, de seus verdadeiros interesses, o pai da pátria, o pai dos últimos ou outras definições similares. Os defensores dos sistemas autocráticos alegam isso, e teoricamente a ditadura poderia até ser para o bem do povo. Fala-se, nesse caso, de Leviatã benevolente. Na visão de Hobbes, o Leviatã faz exatamente isso. Até Rousseau diz que existe um interesse geral, o bem comum, mas há a necessidade de uma “classe superior” para interpretar esse interesse.

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A ordem e o progresso

Dioclécio Campos Júnior Editora Manole PDF Criptografado

O conceito de progresso difundido na democracia capitalista está intrinsecamente relacionado ao da ordem em todas as dimensões consideradas. Não concebe a possibilidade de progresso sem que as normas em vigor sejam respeitadas, assim como não se pode imaginar o avanço da sociedade no amplo contexto do progresso sem que as instâncias de controle comportamental da cidadania funcionem com determinação.

A palavra em causa é muito utilizada pelas elites governantes. Trata-se, porém, de expressão vaga a definir conteúdo discutível, para não dizer polêmico. Há correntes de pensamento que não admitem sua existência e outras que a aceitam parcialmente. A maioria, sem dúvida, acredita no progresso. Quando se analisa, no entanto, sob o ângulo da história, a relatividade conceitual do tema aparece com evidência. De fato, a variável do tempo decorrido entre a existência de uma civilização e outra precisa ser abstraída do processo para que a comparação entre civilizações distintas, que existiram em eras diferentes, permita avaliar se o conceito de progresso, como se define na atualidade, pode ser afirmado.

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