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Guilherme A. Silva, Williams Gonçalves Editora Manole PDF Criptografado

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PARADIGMA CIENTÍFICO

Aos estudantes e estudiosos das relações internacionais não pode causar estranheza a expressão “paradigmas das relações internacionais”, de uso corrente em nossa disciplina. O conceito de paradigma científico surgiu com a publicação de A Estrutura das Revoluções

Científicas, de Thomas Khun, em 1962. A obra teve como objeto de análise as chamadas Ciências Exatas, mas obteve enorme repercussão entre os cientistas sociais.

De acordo com Khun, a evolução do conhecimento científico não ocorre de forma linear objetiva e cumulativa. Longe de responder a um processo lógico e racional, Khun demonstra com o uso de casos históricos a importância de elementos sociológicos nos processos de construção e reformulação do conhecimento e práticas científicas. A evolução histórica do conhecimento responderia, segundo aquele autor, a um processo que alterna períodos de edificação da

“ciência normal” com momentos de transição, marcados por rupturas drásticas, as chamadas “revoluções científicas”.

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Medium 9788571109308

4. O legado do Manifesto

BOYLE, David Zahar PDF Criptografado

arx morrera sem pátria nem testamento legal em 1883. Foi enterrado no cemitério de Highgate, em

Londres, onde seu túmulo ainda é local de peregrinação para marxistas de todo o mundo. Sua enorme coleção de cartas e cadernos foi entregue a Engels para que completasse o trabalho de Marx. Por mais de uma década Engels lutou para finalizar O capital, antes de morrer de câncer, em 1895; suas cinzas foram espalhadas por Beachy Head, em

Sussex. O terceiro e último volume de O capital só seria publicado em 1894, na Alemanha. Uma tradução pirata para o inglês foi lançada em Nova York e tornou-se logo best-seller, pois houve um mal-entendido em Wall Street quanto ao assunto abordado pelo livro.

Durante grande parte de suas vidas, a esperança de que suas profecias se tornassem realidade — o que o

Manifesto chama de “derrubada violenta das condições sociais existentes” — parecia remota. Mas apenas vinte e três anos após a morte de Engels, as ideias que ele e Marx expuseram ao mundo viram-se postas em prática. Foi o momento na história em que um punhado de jovens idealistas — duas gerações depois daqueles primeiros leitores do chamado às armas do Manifesto — de repente vira93

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Capítulo 5 – Poder e política

Adriano Gianturco Grupo Gen PDF Criptografado

Capítulo 5

PODER E POLÍTICA

Não existe política sem poder. O poder é o fator mais importante da política, é o motor de tudo, é a essência e a variável independente da qual dependem todas as outras. Há muitas definições de poder, e, dependendo daquela que vamos utilizar, as implicações político-ideológicas são enormes. O poder se refere aos “meios para obter alguma vantagem” (Hobbes).

O grande economista e sociólogo Max Weber define o poder como “capacidade de fazer valer a própria vontade até perante uma oposição”. Por exemplo, o governo quer arrecadar impostos, as pessoas não querem pagar, mas o governo consegue fazer valer sua vontade e cobrar impostos porque tem (e usa) poder. Pensem no seguinte exemplo (Figura 5.1):

FIGURA 5.1 VOLUNTARIEDADE E COERÇÃO

• Comprar

• Sexo

• Caridade

• Serviço militar profissional

• Sadomasoquismo

• Preços

• Roubar

• Estupro

• Política redistributiva

• Conscrição obrigatória

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H

Guilherme A. Silva, Williams Gonçalves Editora Manole PDF Criptografado

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HEGEMONIA

A palavra hegemonia é originária do termo grego hegemonía, que significa direção suprema, ou poder absoluto, que os chefes dos exércitos, chamados hegemónes, exerciam na Grécia antiga. A origem primeira do conceito de hegemonia está assentada, portanto, na ideia de imposição da vontade por intermédio da força armada.

No âmbito das relações internacionais contemporâneas, o emprego do termo está relacionado à imposição de poder preponderante de um Estado e de seus interesses sobre sistemas internacionais regionais ou globais. Isso se dá por meio de instrumentos de influência, controle, primazia, liderança, intimidação e/ou prestígio. Como resultado, o poder hegemônico impõe arranjos e regras às relações político-econômicas de forma a garantir a distribuição de bens coletivos do sistema internacional de acordo com seus interesses e, consequentemente, a ordem internacional. Não há aqui, portanto, o recurso direto ao militarismo, muito embora a superioridade bélica e econômica seja pré-requisito essencial para o exercício factual da hegemonia. A relação direta entre hegemonia e poder internacional não pode, naturalmente, ser descartada.

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Capítulo 3 – Public Choice

Adriano Gianturco Grupo Gen PDF Criptografado

Capítulo 3

PUBLIC CHOICE

Analisar “a política sem romance”1 é o objetivo e, ao mesmo tempo, o melhor resumo desta Escola de Pensamento.

A Public Choice parte de uma abordagem neutra, cética, fria, analítica, científica, realista. A Escola da Public Choice (ou

Escolha Pública) é uma vertente, “um programa de pesquisa”

(Buchanan) que analisa a política, com os métodos da ciência econômica e especificamente da Escola Neoclássica. Algumas pessoas podem ter a tendência a pensar que a política seja algo positivo, que está lá para suprir nossas vontades, para servir o bem comum, e que representa os interesses do povo por meio de um processo bottom-up por delegação, ou seja, uma visão idealista da política.

Alguns dos autores mais importantes são Gordon Tullock,

Anthony Downs, Richard Wagner, James Buchanan, William

Niskanen, Mancur Olson e Bryan Caplan. Nos anos 1960,

Buchanan ganhou uma bolsa de estudos e foi estudar na Itália.

Lá descobriu a Escola de Finanças Públicas Italiana (Einaudi,

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Medium 9788578682002

Conclusão

Dioclécio Campos Júnior Editora Manole PDF Criptografado

Como afirma o pesquisador francês Georges Vignaux

(1940-), em seu livro Les imbéciles ont pris le pouvoir, ils iront jusqu’au bout (Os imbecis tomaram o poder, irão até o fim):

É sempre necessária uma crise para a tomada de consciência no sentido de que é indispensável mudar nossas maneiras de considerar as coisas e de viver juntos. Não sabemos evoluir de outra forma que não seja por meio de catástrofes, e deste ponto de vista, a catástrofe é entendida como salutar. Múltiplos sinais anunciam essa catástrofe. Não sabemos lê-los nem interpretá-los. No entanto, a falta de vigor generalizada, o dinheiro que faz a lei, a televisão que faz as opiniões, o desemprego maciço dos jovens, os aposentados no abandono, a multiplicação dos pobres estão aí: tantas catástrofes já ocorridas, as quais nos prometem remediar sem jamais o fazerem, porque os imbecis vivem felizes no mundo que dominam. Isso não pode durar: uma revolução é inelutável. Cabe a cada um tomar seu destino em mãos, tomando inicialmente consciência das coisas.

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Medium 9788537817698

9. Pós-positivismo em RI

JACKSON, Robert; SØRENSEN, Georg Zahar PDF Criptografado

9

Pós-positivismo em RI

Introdução�

322

Pós-estruturalismo em RI�

324

Pós-colonialismo em RI�

331

Feminismo em RI�

335

Crítica das abordagens pós-positivistas�

340

O programa de pesquisa pós-positivista�

343

Pontos-chave�

344

Questões�

345

Orientação para leitura complementar�

346

Links�

346

Resumo

Este capítulo apresenta as abordagens pós-positivistas em RI. Três diferentes linhas são aqui discutidas. O pós-estruturalismo tem como focos a linguagem e o discurso; adota uma atitude crítica às abordagens tradicionais em que enfatiza as maneiras pelas quais essas teorias representam e discutem o mundo.

É particularmente crítico do neorrealismo em função de seu foco unilateral em determinados Estados (do Norte). O pós-colonialismo adota uma atitude pósestrutural para compreender a situação em áreas que foram conquistadas pela

Europa, especialmente na Ásia, na África e na América Latina. O feminismo sustenta que as mulheres são um grupo em desvantagem no mundo, em termos tanto materiais quanto de um sistema de valores que favorece os homens.

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Medium 9788530979522

Capítulo 9 – Autocracias

Adriano Gianturco Grupo Gen PDF Criptografado

Capítulo 9

AUTOCRACIAS

A quase totalidade das primeiras formas de política foi autocrática e ditatorial. A democracia é uma invenção relativamente moderna na história da política. Ainda hoje existem muitos sistemas autocráticos. Neles, um indivíduo ou um grupo dita ou ordena políticas impositivas sobre várias matérias, exclui amplos grupos da população do processo de decisão, as medidas são muito restritivas das liberdades individuais e geralmente os governantes não são eleitos. Os governantes podem chegar ao poder por meio de golpe, de revolução ou de eleições, tornando o sistema ditatorial após a posse, às vezes abolindo as eleições ou manipulando-as fortemente.

Geralmente os ditadores se autoproclamam os verdadeiros representantes do povo, de seus verdadeiros interesses, o pai da pátria, o pai dos últimos ou outras definições similares. Os defensores dos sistemas autocráticos alegam isso, e teoricamente a ditadura poderia até ser para o bem do povo. Fala-se, nesse caso, de Leviatã benevolente. Na visão de Hobbes, o Leviatã faz exatamente isso. Até Rousseau diz que existe um interesse geral, o bem comum, mas há a necessidade de uma “classe superior” para interpretar esse interesse.

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Capítulo 1 – A Escola Elitista

Adriano Gianturco Grupo Gen PDF Criptografado

Capítulo 1

A ESCOLA ELITISTA

Volte com a mente para a Europa do começo de 1900. A ordem social da nobreza fundada sobre sangue e herança começa a esmigalhar-se, as monarquias, baseadas nos mesmos pilares, perdem poder, as famílias, com brasões e castelos, perdem dinheiro e importância para os novos homens de negócios das cidades. O comércio alcança novos patamares, surgem gradualmente a sociedade de massa e o sufrágio universal e, logo, os partidos de massa. O Commonwealth inglês está perdendo prestígio e força, um novo modelo de sociedade está em ascensão e mostra seu sucesso: a América sem nobreza, mas com self made men; sem herança, mas com meritocracia; sem hierarquia, mas com dinamismo.

Os Estados Unidos instauram o primeiro sistema de democracia representativa do mundo. A Europa o importa gradualmente. Com o surgimento de um novo sistema político, espalha-se a ideia de que a exploração e o absolutismo chegavam ao fim, criando-se uma visão positiva do pensamento democrático, pois é um regime no qual todos podem votar, e cada voto tem o mesmo valor, independentemente da classe social, do gênero, da religião. É uma nova época.

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Capítulo 12 – Grupos, facções e partidos

Adriano Gianturco Grupo Gen PDF Criptografado

Capítulo 12

GRUPOS, FACÇÕES E PARTIDOS

Um partido político é uma organização formada para tomar posse do poder político, geralmente participando das eleições.

Weber diz que os partidos são “associações constituídas para dar uma posição de poder aos próprios chefes dentro do grupo social e aos próprios militantes ativos possibilidades de conseguir fins objetivos e/ou vantagens pessoais”.

Nessa perspectiva, o partido político é um grupo no qual as pessoas entram, alguns viram chefes, outros permanecem na base, com o objetivo de alcançar algumas vantagens, pessoais e coletivas (veja o Capítulo 7 sobre ação coletiva).

Um grupo pode ser uma simples associação ou grupo de interesse e virar um grupo de pressão (sindicato, movimento ecologista etc.) quando pressiona o governo, quando busca rendas políticas. Os partidos políticos juntam pessoas com o mesmo objetivo, mas com a intenção de chegar ao poder por meio das eleições (nos sistemas democráticos).

Os partidos não são o único coletivo relevante para a política.

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2. O documento

BOYLE, David Zahar PDF Criptografado

MANIFESTO

O MANIFESTO

COMUNISTA

O DOCUMENTO

Um espectro ronda a Europa — o espectro do comunismo. Todas as potências da velha Europa uniram-se numa Santa Aliança para exorcizá-lo: o papa e o czar,

Metternich e Guizot, os radicais franceses e os espiões da polícia alemã.

Que partido de oposição não foi acusado de comunista por seus adversários no poder? Que partido de oposição também não lançou contra seus adversários progressistas ou reacionários o estigma do comunismo?

Daí decorrem dois fatos:

1. O comunismo já é considerado uma força por todas as potências da

Europa.

2. Já é tempo de os comunistas publicarem abertamente, diante de todo o mundo, suas ideias, seus fins, suas tendências, opondo à lenda do comunismo um manifesto do próprio partido.

Para isso, comunistas de várias nacionalidades reuniram-se em Londres e redigiram o manifesto a seguir, a ser publicado em inglês, francês, alemão, italiano, flamengo e dinamarquês.

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Medium 9788578682002

Conceito de ordem

Dioclécio Campos Júnior Editora Manole PDF Criptografado

A ordem pode ser definida como um conjunto de configurações estruturais de natureza física, química e biológica, regulares e reprodutíveis, presentes no mundo material como regras naturalmente estabelecidas, ou de natureza sociológica, antropológica, cultural, ética e moral, presentes na sociedade criada pelo homem como princípios limitantes ou norteadores de comportamentos aceitáveis, estereotipados pela necessidade de exercer controle sobre as pessoas.

As primeiras configurações estruturais que permitiram a delimitação desse conceito resultaram de evidências do universo objetivo. Consubstanciaram-se como consequência dos conhecimentos que a ciência passou a produzir mediante a metodologia da experimentação difundida no mundo. Explicitada a lógica cientificamente descoberta na dinâmica dos processos da natureza, o homem não resistiu à tentação de aplicá-la à forma e aos conteúdos das relações humanas nascidas espontaneamente desde os tempos das cavernas.

Um marco filosófico importante que contribuiu para estender tal conceito ao domínio das concepções sociais encontra-se na obra de Augusto Comte (1798-1857). O pensador francês do século XIX esboçou a “lei dos três estados” como uma espécie de metamorfose da sociedade humana. Teve início no estado divino, produto da abstração teísta não científica; evoluiu para o estado teológico, em que a fé passa a ter expressão gramatical; e chegou finalmente ao estado positivo, no qual a percepção científica de atos e fatos supera o subjetivismo para alcançar a concretude da realidade objetiva. É, em síntese, a visão do positivismo, corrente filosófica de referência para muitos pensadores da época. A densidade do conteúdo de sua obra fortaleceu a crença de que a sociedade humana é regida por normas que lhe conferem o estatuto de categoria científica. Exsurge paulatinamente a definição da ordem como verdade científica irrecusável. Expressa-se como elemento estruturador da sociedade, sobre o qual se organizam todos os movimentos que

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Medium 9788537817698

8. Construtivismo social

JACKSON, Robert; SØRENSEN, Georg Zahar PDF Criptografado

8

Construtivismo social

Introdução�

290

Formação doméstica de identidade e normas�

308

EPI construtivista�

311

A ascensão do construtivismo em RI�

291

O construtivismo como teoria social�

293

Críticas ao construtivismo�

312

Teorias construtivistas de relações internacionais�

299

O projeto de pesquisa construtivista�

316

Pontos-chave�

318

Questões�

319

Orientação para leitura complementar�

320

Links�

320

Culturas da anarquia�

299

Normas da sociedade internacional�302

O poder das organizações internacionais�304

Uma abordagem construtivista da cooperação europeia�

307

Resumo

Este capítulo apresenta a teoria do construtivismo social em RI. Explicamos de onde vem o construtivismo e por que ele se estabeleceu como uma abordagem importante em RI. O construtivismo

é examinado tanto como metateoria sobre a natureza do mundo social quanto como uma teoria substancial de RI. São apresentados vários exemplos da teoria construtivista em RI, seguidos de reflexões sobre os pontos fortes e fracos da abordagem.

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Medium 9788520428825

B

Guilherme A. Silva, Williams Gonçalves Editora Manole PDF Criptografado

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BALANÇA DE PODER

Ver Equilíbrio de poder.

BRETTON WOODS

A Conferência Econômica de Bretton Woods, ao lado das conferências políticas de Teerã (1943), Yalta (1945) e Potsdam (1945), foi uma das mais importantes havidas durante a Segunda Guerra Mundial. Realizada entre 1 e 22 de julho de 1944, num hotel da pequena cidade norte-americana de Bretton Woods, em New Hampshire, a conferência reuniu representantes de 44 países, inclusive da antiga

União Soviética, com a finalidade de criar as instituições que formariam os pilares da nova ordem econômica internacional do pós-guerra e estabelecer seus princípios.

Os Estados Unidos eram um dos países mais interessados no

êxito da conferência. Para o governo de Franklin Roosevelt era absolutamente necessário que ao término da guerra a nova arquitetura econômico-financeira internacional estivesse concluída. Essa arquitetura constituía condição fundamental para a inserção do Estado norte-americano no novo sistema internacional.

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Capítulo 23 – Território e federalismo

Adriano Gianturco Grupo Gen PDF Criptografado

Capítulo 23

TERRITÓRIO E FEDERALISMO

O domínio político de um território não é fixo. O Tibete, por exemplo, foi conquistado pela China em 1949, ao passo que Hong

Kong foi devolvida ao país apenas em 1997, depois de 156 anos sob o controle do Reino Unido. A Grã-Bretanha já controlou uma grande parte do mundo por meio da Commonwealth. França, Bélgica,

Holanda, Inglaterra, Portugal e Itália foram protagonistas do colonialismo na África, na América Latina, no Caribe e na América do

Norte. O atual estado italiano só se constituiu em 1861, passando depois por várias alterações territoriais. A Alemanha é ainda mais recente: 1871. O império russo se tornou União Soviética e incorporou vários estados satélites do Leste Europeu e da Ásia, depois implodiu e se fragmentou em diversos estados menores. A Iugoslávia também se fragmentou em vários estados menores, e até 1992 a Tchecoslováquia incorporava a atual República Tcheca e a Eslováquia. As colônias americanas originárias dos EUA eram 13, hoje são 51 estados. A atual

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