50 capítulos
  Título Autor Editora Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta
Medium 9788562938399

LONGE DOS “NOBRES HERÓIS UM BRASILEIRO MAIS OU MENOS COMO EU E VOCÊ (Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, 1969)

Marcos Silva Editora Almedina PDF Criptografado

LONGE DOS “NOBRES HERÓIS

UM BRASILEIRO MAIS OU MENOS COMO EU E VOCÊ

(Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, 1969)

A rapsódia Macunaíma, de Mário de Andrade, publicada em 1928, é considerada marco na Literatura modernista brasileira. Ela acumulou uma fortuna crítica extensa e diversificada, abrangendo de Roger Bastide a Wilson Martins e Haroldo de Campos, mais Cavalcanti Proença, Gilda de Mello e Souza, Telê Ancona Porto Lopes e muitos outros 1.

Quando Joaquim Pedro de Andrade realizou o filme homônimo, parte dessa valorização estava consolidada. Um desafio para ele foi evitar abordar tal clássico de ruptura cedendo às facilidades da adaptação literal ou apenas laudatória. Isso significaria renunciar à ousadia provocativa do texto modernista e à tradição reflexiva do Cinema Novo.

Joaquim Pedro, ainda jovem (nasceu em 1932), participara da construção do Cinema Novo, com, dentre outros, “Couro de gato” (1960, incluído depois na obra coletiva Cinco vezes favela, de 1962), Garrincha, alegria do povo (1962) e O padre e a moça (1966), inspirado em poema de Carlos Drummond de Andrade2.

Ver todos os capítulos
Medium 9786586618037

CAPINAR A ESTRADA

Marcos Silva Editora Almedina PDF Criptografado

CAPINAR A ESTRADA

(Uma história real, de David Lynch, 1999)

Uma história real é um surpreendente road movie, fora dos parâmetros habituais desse gênero cinematográfico. O filme tem como personagem central Alvin Straight, septuagenário, situação etária agravada por relativa pobreza (para os padrões estadunidenses) e múltiplas doenças: deficiência visual, diabetes, artrite, talvez enfisema

— é fumante de cigarrilhas. Ele caminha apoiado em duas bengalas e se recusa a usar andador, assim como rejeita a bata da clínica médica para onde fora conduzido pela filha e por um amigo, depois que passou mal em casa.

Trata-se de um universo de múltiplas limitações, que parece reforçado pela presença dessa filha madura, Rosie, de fala titubeante, sugerindo alguma dificuldade cerebral. Mais adiante, em diálogo com uma moça que conhece na estrada, Alvin diz que a filha é considerada retardada por alguns mas ele discorda disso pois Rosie mantém a casa arrumada,

é dotada de sensibilidade, responsável e foi boa mãe — perdera a guarda dos filhos devido à morte acidental de um deles, chora todo dia por esse motivo. E em diferentes situações da narrativa, ela aparece de forma ativa, trabalhando, observando o mundo (natureza e pessoas), saindo sozinha, preocupada com a saúde do pai, amando-o e recebendo amor dele. Ambos se respeitam em suas respectivas singularidades.

Ver todos os capítulos
Medium 9786586618037

RIR DA TRÁGICA CIDADE

Marcos Silva Editora Almedina PDF Criptografado

RIR DA TRÁGICA CIDADE

(A beleza e a verdade de Morte em Veneza, de Luchino Visconti, 1971)

A abertura visual do filme Morte em Veneza traz um enigma: o que

é mesmo que se vê, ao som do Adagietto da Sinfonia n° 5, de Gustav

Mahler?

A mancha de cor, aos poucos, se deixa identificar — a imensidão do mar, a fumaça que sai de um barco em pleno curso, talvez uma metáfora visual da frágil vida humana, longe de qualquer porto seguro e se desfazendo no ar, retomando barcos fundadores dos imaginários grego, judaico e cristão: a nave de Ulisses, o bote dos argonautas, a arca de Noé, os barcos de Pedro e seus companheiros 1. O século XIX tratou de apresentar outros barcos muito intensos (Hermann Melville e Arthur Rimbaud), que invadiram o século XX (Fernando Pessoa), até chegarmos a um Ulysses sem nau (James Joyce) e a um astronauta com destino incerto (Stanley Kubrick)2.

1  Cf.:AUERBACH, Erich. Mímesis: a representação da realidade na literatura ocidental.

Ver todos os capítulos
Medium 9788562938399

SEM REVOLUÇÃO — O RETORNO DA CLASSE MÉDIA (Tropa de elite, de José Padilha, 2007)

Marcos Silva Editora Almedina PDF Criptografado

SEM REVOLUÇÃO — O RETORNO

DA CLASSE MÉDIA

(Tropa de elite, de José Padilha, 2007)

O livro clássico Brasil em tempo de cinema, de Jean-Claude Bernardet, analisa vários filmes seminais do Cinema Novo a partir da angústia de classe média diante da miséria reinante no país 1. Personagens tão importantes quanto Antonio das Mortes (o ator Maurício do Vale), em

Deus e o diabo na terra do sol (1964), de Glauber Rocha; o motorista

Gaúcho (o ator Átila Iório) e o soldado Mário (o ator Nelson Xavier), de Os fuzis (1964), de Ruy Guerra; e o jornalista Marcelo (o ator

Oduvaldo Vianna Filho), de O desafio (1965), de Paulo César Saraceni, representam aquela tensão, entre a consciência das relações de poder, a miséria reinante no país e a situação de cada um daqueles homens: nem tão privilegiada, nem tão degradada, intelectuais à sua maneira.

É um quadro organizado ao redor dos projetos reformistas do governo

João Goulart, abortados pela ditadura de 1964.

Ver todos os capítulos
Medium 9788562938399

POEIRA VIVA (Vidas secas, de Nelson Pereira dos Santos, 1963)

Marcos Silva Editora Almedina PDF Criptografado

POEIRA VIVA

(Vidas secas, de Nelson Pereira dos Santos, 1963)

O filme Vidas secas é muito fiel à obra literária com o mesmo título, escrita por Graciliano Ramos e publicada em 1938, durante outro período de ditadura na história do Brasil (Estado Novo, que durou de 1937 a 1945). A extrema fidelidade ao romance se manifesta na capacidade de recriar seu entrecho em imagens e sons. Os gemidos do carro de bois (um veículo que não é visto em nenhuma cena), no prólogo e no epílogo do filme, construíram, com linguagem de cinema, um dos principais temas do romance: O que é ser um ser humano? Essas criaturas são seres humanos? A pergunta sobre a humanidade de tais pessoas não pode ser resolvida por uma desmedida ênfase apenas especular na cadela Baleia, figura importante no romance e no filme. Ela está nos horizontes de reflexão sobre o mundo de sentimentos muito humanos e fantasias que os personagens Fabiano, Nha Vitória e seus dois filhos

(chamados “os meninos”) experimentam .

Ver todos os capítulos
Medium 9788562938399

EM BUSCA DO SAGRADO CORAÇÃO DA NAÇÃO (Central do Brasil, de Walter Salles, 1998)

Marcos Silva Editora Almedina PDF Criptografado

EM BUSCA DO SAGRADO CORAÇÃO DA NAÇÃO

(Central do Brasil, de Walter Salles, 1998)

O filme Central do Brasil aborda fim e começo de vidas,: a idosa professora aposentada Dora (elogiado desempenho de Fernanda

Montenegro, indicada para o Oscar de Melhor Atriz por ele) cuida do menino órfão Josué (bonita estreia do ator Vinícius de Oliveira), até que o jovem encontre sua família; e o Brasil, tão sofrido em violência e miséria — mas dotado de potencialidades. Isso se dá a partir de um país metropolitano, violentamente degradado (o mundo da estação ferroviária Central do Brasil, o caos citadino do Rio de Janeiro), contraponto ao país interiorano povoado por gente boa (os carinhosos irmãos de Josué, Isaías e Moisés, interpretados pelos ótimos atores

Matheus Nachtergaele e Caio Junqueira). Nesses termos, o filme configura um retorno do Brasil a si mesmo, um bom caráter extraviado, reconduzido à linha, desvencilhando-se dos acidentes de percurso a que a modernidade urbana o levara.

Ver todos os capítulos
Medium 9786586618037

A ALEGRE DIFERENÇA RECONCILIADA

Marcos Silva Editora Almedina PDF Criptografado

A ALEGRE DIFERENÇA RECONCILIADA

(Sete noivas para sete irmãos, de Stanley Donen, 1954)

Os cenários de Sete noivas para sete irmãos parecem imagens de calendário kitsch, com cores fortes, temas de flores e neve, simpáticos animais domésticos, aos pares ou junto com filhotes. As roupas dos irmãos, depois de conhecerem a infatigável cunhada Milly (interpretada pela atriz Jane Powell), não fogem desse universo: camisas muito coloridas, realçando-lhes a virilidade — massa muscular —, como se fossem feitas para brigar, mas também para seduzir, diferenciando-se do predomínio marrom e cinza nas sisudas vestes de outros rapazes, seus rivais. E as coreografias do filme são francamente acrobáticas, coisas de macho, mesmo quando as belas moças participam das danças como coadjuvantes.

Sete noivas para sete irmãos, de 1954, foi dirigido por Stanley Donen, autor de grandes clássicos do cinema musical, como Um dia em Nova

Iorque (1949) e, em parceria com Gene Kelly, a obra-prima Cantando na chuva (1952). O filme sobre os rapazes que querem casar se apresenta como uma sucessão de cenas de fantasia explícita. E apela para narrações internas, que aumentam esse estranhamento no espectador, com especial ênfase nas referências a Plutarco (historiador grego, que viveu aproximadamente entre 46 e 120 AD) e ao episódio do rapto das sabinas, parte lendária da fundação de Roma, cujo desfecho teria provocado uma guerra entre romanos e sabinos, mas findara se desdobrando num tratado de união entre esses povos: as mulheres são objeto de disputa e suporte para posterior aliança, sua circulação entre grupos faz parte da cultura, como peça para evitar o incesto.

Ver todos os capítulos
Medium 9786586618037

A ARTE VENCE O MEDO

Marcos Silva Editora Almedina PDF Criptografado

A ARTE VENCE O MEDO

(O sétimo selo, de Ingmar Bergman, 1956)

Antes de assistir a esse filme, vi, nos anos 60, fotogramas de algumas de suas cenas (belos enquadramentos de paisagens e personagens, impressionantes claro-escuros), em livros e revistas sobre Cinema europeu. A imagem da Morte, personagem interpretada pelo ator Bengt

Ekerot, com sua maquiagem muito branca e uma roupa colante e preta, junto da grande capa, jogando xadrez com o cavaleiro Antonius Block

(o ator Max Von Sidow), intrigava-me, possivelmente, porque eu era mais acostumado às tradições cinematográficas marcadas pela pretensão a algum vínculo direto com o social — Neo-Realismo, Nouvelle

Vague, Cinema Novo.

Quando conheci O sétimo selo, nos anos 70, a surpresa foi outra:

Bergman lida com a Morte através dos demais personagens, misturando serenidade e medo, tentativa de postergar a partida final e certeza da derrota, a sobrevivência cotidiana e os rituais de dominação, pequenas rebeliões e gestos de submissão, saídas críticas e possibilidades de beleza. Fala, afinal de contas, da vida! O que parecia, naqueles fotogramas, apenas fantasia enigmática revela-se, no filme, uma realidade complexa, objeto de densa reflexão e atenta a relações sociais.

Ver todos os capítulos
Medium 9786586618037

HITLER: ENSAIO DE CENA E TRANSFERÊNCIA — RIR DO MAL ABSOLUTO

Marcos Silva Editora Almedina PDF Criptografado

HITLER: ENSAIO DE CENA E TRANSFERÊNCIA

— RIR DO MAL ABSOLUTO

(Minha quase verdadeira história, de Dany Levy, 2007)

“Talvez eu tenha exagerado algum detalhe”.

(Fala do personagem Grünbaum, quase fim do filme,

Minha quase verdadeira história)

A fortuna cinematográfica do Nazismo e sua memória, depois de

1945, cresceu extraordinariamente em diferentes gêneros narrativos, tanto no plano de filmes convencionais de mercado quanto na produção de obras autorais por diretores renomados (Roberto Rosselini, com

Alemanha ano zero, 19481; Alain Resnais, em Hiroshima meu amor,

19592; Sidney Lumet, através de O homem do prego, 19643; Luchino

1  ROSSELINI, Roberto. Alemanha ano zero (Itália / França / Alemanha). 1948.Direção:

Roberto Rosselini. Roteiro: Roberto Rosselini e outros. Fotografia: Robert Juillard. Música:

Renzo Rossellini. Elenco: Edmund Moechske (Edmund Mechske), Ernst Pitschau (Padre),

Franz-Otto Krieger (Franz Grüger), Barbara Hintz (Thilde), Franz von Treuberg (General von Laubniz) e Christl Merker (Christl). 71 minutos. Preto e Branco.

Ver todos os capítulos
Medium 9786586618037

“ VOCÊ É JUDEU?” (POBRE, MULHER, ANÃO…): O PIOR JÁ COMEÇARA

Marcos Silva Editora Almedina PDF Criptografado

“VOCÊ É JUDEU?” (POBRE, MULHER, ANÃO…):

O PIOR JÁ COMEÇARA

(O ovo da serpente, de Ingmar Bergman, 1977)

As primeiras cenas desse filme são em branco e preto, foco incerto, possível evocação de multidões no clássico Metropolis, de Fritz Lang

(1927) 1, e noutros exemplos do Expressionismo cinematográfico alemão — fragmentos da mesma natureza reaparecem perto de seu desfecho, como se o tempo narrativo não tivesse se passado. E uma das primeiras legendas situa aquele tempo: “(…) quase todos perderam a fé no futuro e no presente”.

O ovo da serpente foi produzido na Alemanha, durante período em que Ingmar Bergman preferiu viver fora de seu país de origem (Suécia), onde chegara a ser preso, em 1976, acusado de sonegar impostos, experiência humilhante que o fez sofrer um colapso nervoso.

Ambientada em Berlim, durante a República de Weimar (1919/1933), nos dias de alucinada inflação, miséria, violência generalizada e medo que antecederam a tentativa hitlerista de golpe em 1923, a obra apresenta o trapezista circense Abel Rosenberg, judeu norte-americano residente naquela Alemanha, sem domínio da língua local, pobre, desempregado. Há um desenraizamento do personagem no país em grave crise, que preservava diferenças e privilégios sociais — quando chega ao prédio onde mora com o irmão, Max, uma espécie de pensão,

Ver todos os capítulos
Medium 9788562938399

CADÊ OS EMBALOS? EMBALAGENS DA DECADÊNCIA (Sábado, de Ugo Giorgetti, 1995)

Marcos Silva Editora Almedina PDF Criptografado

CADÊ OS EMBALOS?

EMBALAGENS DA DECADÊNCIA

(Sábado, de Ugo Giorgetti, 1995)

Esse Sábado se inicia com a chegada de dois funcionários do Instituto

Médico Legal a um prédio antigo e degradado do centro de São Paulo, para dali retirarem o cadáver de um antigo morador, homem idoso, sem parentes. Por defeito técnico, o morto fica preso no elevador, durante horas. E junto com aqueles trabalhadores (o ator Otávio Augusto e o cantor e compositor Tom Zé); mais um anônimo que ali estava de passagem (o cantor e compositor André Abujamra) se vê forçado a auxiliá-los; e uma bela moça, Magda (a atriz Maria Padilha), diretora de arte nas filmagens de um pretensamente sofisticado anúncio de perfume, realizadas no edifício naquele momento.

O convívio forçado entre essas pessoas serve de gancho para diferentes temas no imediato de elevador e prédio, além do entorno da cidade e do mundo Tudo parece contaminado por clima de irreversível decadência: a começar pela edificação, outrora luxuosa e, naquele presente, reduzida a semi-cortiço, recheado por lixo e outros detritos; passando pelo cadáver, que um dos homens do IML insiste em designar como

Ver todos os capítulos
Medium 9788562938399

POLICARPO & POLICARPO (Policarpo Quaresma, Herói do Brasil, de Paulo Thiago, 1998)

Marcos Silva Editora Almedina PDF Criptografado

POLICARPO & POLICARPO

(Policarpo Quaresma, Herói do Brasil, de Paulo Thiago, 1998)

O romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Afonso Henriques de Lima Barreto, publicado originalmente em 1915, chegou a ser comparado, pelo importante historiador Manuel de Oliveira Lima, ao Dom

Quixote, de Miguel de Cervantes.

Mesmo com algum desconto em relação ao paralelo (afinal, o que pode ser cotejado com o magnífico livro de Cervantes?), não resta dúvida sobre Triste fim de Policarpo Quaresma ser um ótimo texto, frequentemente indicado — e com justiça — para alunos brasileiros de diferentes graus, e que interessa ao leitor culto em geral. Muitos jovens de nosso país, no meio da correria para prestarem o vestibular, desde 1998, assistiram ao filme Policarpo Quaresma, Herói do

Brasil, de Paulo Thiago, pensando que resolveriam o problema de ler o romance.

Filmar um monumento desses é sempre se expor às cobranças.

Não vale a pena, todavia, agir como se o livro e o filme devessem (ou mesmo pudessem!) ser uma mesma coisa, ou como se o diretor do filme estivesse obrigado a “repetir” o romance. Filmar um escrito literário

Ver todos os capítulos
Medium 9786586618037

MULHERES: A ALEGRIA CONTINUA

Marcos Silva Editora Almedina PDF Criptografado

MULHERES: A ALEGRIA CONTINUA

(Essa pequena é uma parada, de Peter Bogdanovich, 1972)

O filme Levada da breca, de Howard Hawks, foi retomado, com grande liberdade, por Peter Bogdanovich como inspiração para

Essa pequena é uma parada, em 1972. Tal relação, todavia, sequer

é explicitada na ficha técnica da criação mais recente, embora

Hawks fizesse parte do elenco de diretores americanos clássicos sempre elogiados por Bogdanovich e tenha produzido esse novo filme.

Essa pequena é uma parada contou com um elenco estelar: a cantora e atriz Barbra Streisand (a amalucada Judy Maxwell), o ator Ryan

O‘ Neal (Dr. Howard Bannister, músico e pesquisador de rochas ígneas ligadas a sonoridades pré-históricas) — então muito popular devido ao mega-sucesso do melodrama Love story, de Arthur Hiller, 1970 — e coadjuvantes excelentes, com destaque para Madeline Kahn, como

Eunice, a antipática noiva e secretária do Dr. Bannister. Streisand e O’Neal eram atores limitados, mas o diretor do filme conseguiu integrá-los bem no clima geral da obra, extraindo talvez as melhores interpretações de suas carreiras.

Ver todos os capítulos
Medium 9786586618037

ANTES DE MORRER

Marcos Silva Editora Almedina PDF Criptografado

ANTES DE MORRER

(Viver, de Akira Kurosawa, 1952)

O cinema japonês alcançou grande repercussão na Europa e outros países do ocidente a partir dos anos 50 do século XX. A divulgação e a premiação de filmes feitos por Akira Kurosawa (Rashomon, no Festival de Veneza de 1951), Kenji Mizoguchi (A vida de Oharu, no Festival de

Veneza de 1952) e Yasujiro Ozu (atraiu a atenção internacional com

Era uma vez em Tóquio, de 1953) se constituíram num verdadeiro impacto junto à crítica, aos estudiosos e aos diversos interessados por cinema no mundo inteiro. Além de abordarem campos temáticos pouco conhecidos no ocidente, Mizoguchi e Ozu foram recebidos como diretores dotados de uma visão cinematográfica peculiar, marcada por particularidades japonesas nesse universo de linguagem: a profundidade de campo e os planos-sequência, no primeiro, a altura da câmera em relação a personagens e ambientes, no outro. Kurosawa, por sua vez, era visto como um grande talento, mais permeável ao diálogo com tradições ocidentais de cinema.

Ver todos os capítulos
Medium 9786586618037

TORNAR-SE EEUU

Marcos Silva Editora Almedina PDF Criptografado

TORNAR-SE EEUU

(Rastros de ódio, de John Ford, 1956)

Assistir a esse filme é estar diante de um inventário do faroeste, dirigido por um dos maiores Mestres desse gênero cinematográfico

— John Ford —, que se apropriou de Ilíada e Odisséia (os grandes clássicos de Homero, que narram a Guerra de Tróia e o retorno de

Ulisses a sua terra de origem) para falar sobre a grandeza e a miséria do tornar-se EEUU. Nele, cruzam-se grandes temas da História desse país: a Guerra de Secessão, a conquista do oeste, o extermínio — ou, ao menos, reclusão — dos índios em determinadas áreas, a definição de identidade nacional.

Os índios são um crepúsculo que não acaba: Ethan Edwards (o ator

John Wayne), veterano derrotado da Guerra de Secessão, atira nos olhos de um índio já morto para que ele não tenha paraíso e arranca o escalpo do chefe comanche Scar (o ator Harry Brandon) no final do filme; Ethan mesmo, de certo modo, vira índio com esses gestos, na medida em que faz o que os índios faziam com seus inimigos.

Ver todos os capítulos

Carregar mais