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O que é política?

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Iain Mackenzie

ligação subterrânea à corrente de definições conceituais, debates e pensadores que aparecem ao longo do livro, uma corrente que procura trazê­‑lo

à praia dos imensos oceanos da filosofia política.

O que é política?

Para começar com essa questão espinhosa, encaramos política como um tipo de atividade humana, como algo que nós, seres humanos, fazemos. Com certeza poder­‑se­‑á contestar essa posição. Por exemplo, pode ser que alguns dos primatas mais desenvolvidos também apresentem o que poderíamos chamar de comportamento político (de Waal, 1982). Pode também ser que, em geral, a natureza possua valor intrínseco e como tal

“apresente exigências” quanto à maneira de nos comportarmos, de forma que tenhamos o dever de respeitar a natureza – particularmente para assegurar a sobrevivência – não só para o nosso proveito próprio, mas porque a natureza em si é merecedora desse respeito (Naess, 1989). Essas são questões importantes, que,sem dúvida, têm produzido uma quantidade respeitável de filosofia política inovadora. De momento, porém, podem ser postas de lado para que possamos enfocar a dimensão humana da política. Afora isso, quando tivermos compreendido alguns dos principais pressupostos humanistas que impulsionam a filosofia política, estaremos em melhores condições de questionar e testar tais pressupostos. (Haverá traços dessa matéria ao longo do livro, quando se questionar, em especial, a ideia de haver uma “natureza humana” que se possa definir.)

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2. Descoberta

Steven French Grupo A PDF Criptografado

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Steven French

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Descoberta

Quando as pessoas pensam nos cientistas, elas normalmente pensam em um homem (tipicamente) vestido com um jaleco branco; e quando pensam no que os cientistas fazem, elas geralmente os imaginam fazendo grandes descobertas, pelas quais poderiam receber o Prêmio Nobel. A descoberta – de algum fato, de alguma explicação para um fenômeno, de alguma teoria ou hipótese – é vista como estando no centro da prática científica. Desse modo, a questão fundamental que procuraremos responder neste capítulo é: como são descobertas as teorias, as hipóteses, enfim, os modelos científicos? Comecemos com uma resposta bastante comum e bem-conhecida.

A VISÃO COMUM: O MOMENTO EURECA

Nos quadrinhos, a criatividade é muitas vezes representada por uma lâmpada sobre a cabeça do herói. Supõe-se que represente o lampejo da inspiração. De modo semelhante, as descobertas científicas são geralmente caracterizadas como algo que ocorre de repente, em um dramático momento criativo da imaginação, um lampejo de visão ou uma experiência do tipo “aha!”.

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Capítulo 3 - Geografia e linguagem

Hans-Johann Glock Grupo A PDF Criptografado

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Geografia e linguagem

Este capítulo discute as concepções geo­linguísticas da filosofia analítica. A

Seção 1 apresenta a versão anglocêntrica de tal concepção, que surgiu em conjunção com o contraste analítico/continental.

A Seção 2 rejeita a concepção anglocêntrica por referência às raízes germanófonas da filosofia analítica. A Seção 3 discute um possível retorno, a saber, que os pioneiros germonófonos da filosofia analítica foram aberrações em uma cultura filosófica que era geralmente hostil ao espírito analítico. A

Seção 4 volta­‑se a uma modificação da concepção anglocêntrica. De acordo com a “tese de Neurath­‑Haller”, a filosofia analítica, ainda que não simplesmente anglo­‑saxônica,

é de qualquer maneira anglo­‑austríaca em origem e em caráter. Ainda que as duas sugestões contenham cernes de verdade, elas distorcem as raízes complexas da filosofia analítica, especialmente o impacto dos pensadores alemães e das ideias kantianas. A

Seção Final argumenta que qualquer concepção geolinguística entra em confronto tanto com fatos históricos quanto com o status quo. A dicotomia entre a filosofia analítica e a continental não é só uma classificação cruzada, ela também falha em exaurir as opções, dado que ignora o pragmatismo e a filosofia tradicionalista. As reais divisões filosóficas atravessam todas as fronteiras geo­gráficas e linguísticas.

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Capítulo 6 - Método e estilo

Hans-Johann Glock Grupo A PDF Criptografado

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Método e estilo

No último capítulo, consideramos o modo mais direto de se definir um movimento filosófico, definições materiais em termos de doutrinas ou interesses partilhados. Descobrimos que essa não é uma opção viável no caso da filosofia analítica. Para alguns comentadores, esse resultado negativo lança dúvidas sobre a ideia mesma de que a filosofia analítica é um fenômeno distintivo.

Assim, pois, Aaron Preston insiste que a filosofia analítica deve ser definível por adesão a uma certa doutrina ou “teoria”, ou então deve abandonar sua reivindicação de figurar entre os “grupos filosóficos (“escolas”, “movimentos” ou o que for)” (2004, p. 445­‑446; ver também Preston, 2007; de Gaynesford,

2006, p. 21). Preston admite que há um

“conceito comum”, “pré­‑crítico ou impreciso de filosofia analítica”, de acordo com o qual ela é primeiramente “uma escola de filosofia que agora existe” e, em segundo lugar, uma escola que se originou em torno da virada do século XX. Ele crê, contudo, que esse conceito comum é tão vácuo quanto aquele de uma feiticeira. Dado que não há nenhuma doutrina comum unindo as pessoas normalmente classificadas como filósofos analíticos, “não há coisa alguma tal como costumeiramente se concebe que a filosofia analítica seja”, e há um escasso sentido em continuar falando sobre a filosofia analítica

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Capítulo 13 - Os impérios disciplinares

Philippe Perrenoud Grupo A PDF Criptografado

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Os impérios disciplinares

Sob vários aspectos, a escola é um setor de atividade como qualquer outro, oferecendo postos de trabalho em diversas áreas: gestão, limpeza e conservação, assistência social, orientação pedagógica e, sobretudo, ensino. Qualquer modificação na carga horária semanal das diferentes disciplinas, mesmo que nenhuma delas fosse excluída ou substituída, poderia gerar, além do conflito de interesses, a eliminação e, ao mesmo tempo, a criação de empregos. Naturalmente, aqueles que se sentirem ameaçados farão o possível para defender o seu emprego, enquanto aqueles que tiverem a perspectiva de aumentar a sua carga horária darão todo o seu apoio a tal iniciativa.

Porém, não há uma equivalência nas relações de força: as principais disciplinas (matemática, ciências, línguas materna e estrangeira) são praticamente intocáveis, por, no mínimo, três razões:

– Elas têm a preferência dos pais e de uma parcela dos alunos, pois eles acreditam (muitas vezes, com razão) que a carreira escolar dependerá do bom desempenho nessas disciplinas.

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