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Capítulo 1. Weber antes da sociologia weberiana, um reexame

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Weber antes da sociologia weberiana, um reexame

Em um artigo pioneiro de cerca de 20 anos atrás, Lawrence Scaff perguntou como deveriam ser classificadas as obras de Weber anteriores aos estudos de 1904-1905 sobre a ética protestante.1 Os estudos sobre a ética protestante fazem parte de uma abordagem de sociologia interpretativa; os trabalhos anteriores a esses, datados da década de 1890, têm as características de uma economia política de viés marxista, tratando, como tratam, de questões de classe, de poder e de mudança econômica. Reexaminarei essa discussão, incorporando mais informações a respeito da década de

1890, sobre a qual sabemos muito mais hoje. Também alterarei os termos da discussão. Weber era um economista nacional na década de 1890; ponto que deve ser investigado com algum detalhe para se descobrir o que era especificamente weberiano em sua abordagem, que não era uma forma de sociologia marxista com outro nome. Não acompanho a costumeira opinião consensual, segundo a qual os estudos sobre a ética protestante fazem parte da sociologia. A melhor descrição desses estudos é a de que compõem uma psicologia descritiva aplicada à economia nacional. Por último: Weber não se tornou sociólogo senão por volta de 1910. Antes disso, considerava a sociologia suspeita – cuja abordagem geral era ou positivista ou organicista – posições que Weber considerava completamente indefensáveis. E modelou uma sociologia para suas necessidades próprias no desempenho de seus estudos históricos comparativos universais. Ao longo de todas as fases de atividade, Weber manteve a preocupação com significados, valores e cultura, uma das áreas das ciências sociais, históricas e culturais mais difíceis de serem tratadas de maneira competente.

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Capítulo 7. Avançando além de Weber

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Avançando além de Weber

No último capítulo foi estabelecido que, embora significado e causação não sejam separados na sociologia histórica de Weber, a ideia de que todos os fatores por trás dos caminhos de desenvolvimento poderiam ser avaliados e sopesados nunca foi considerada por Weber. Ele igualmente rejeita as teorias evolucionárias e provavelmente teria rejeitado as teorias neoevolucionárias da diferenciação do sistema. Pode-se mostrar que os caminhos do desenvolvimento de diferentes civilizações contêm um relato do significado (ciclo na Índia, harmonia na China e racionalismo no

Ocidente). Isso, por si mesmo, não é determinante dos resultados e da direcionalidade. Resultados são a reunião fortuita de cosmovisões internas e de uma variedade de forças externas. Alguns resultados, que estruturam os padrões futuros da História, sobrevivem e, a partir da posição de Weber, pareceria possível reconhecer uma explicação baseada em novas formas, ou reformas, como sendo adaptadas ao ambiente – não por desígnio, mas por permanência fortuita. A História não é uma coisa maldita após a outra, para parafrasear o teatrólogo Alan Bennet. Ela manifesta um significado, e o historiador forja uma relação de valor entre o leitor contemporâneo e o passado. EPEC estabeleceu que uma maneira de vida cotidiana formada pelo calvinismo foi tanto causadora da modernidade capitalista quanto significativa para a compreensão da natureza da sociedade moderna. As origens determinaram a mentalidade de meios e fins da modernidade.

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Capítulo 8. Poder, legitimidade e democracia

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Poder, legitimidade e democracia

O poder é um tema que está inextricavelmente ligado à obra de Max

Weber, em um duplo sentido. Ele não apenas foi um teórico do poder, mas também forneceu as análises mais agudas da situação política em seus dias. Resumirei muito brevemente a situação de sua época e o comentário dele sobre ela. Apresentarei, então, sua análise acadêmica do poder nas duas versões existentes, respectivamente, a versão inicial e a versão final de Economia e Sociedade, que relacionarei a alguns tratamentos recentes do poder na sociologia política. Examinarei sua análise da democracia e da

“liderança política” que, em especial, defenderei que devem ser revistas à luz de tendências recentes no interior da democracia britânica e americana.

O pano de fundo político de Weber

A própria família de Weber pertencia à elite cultural e política da

Alemanha Guilhermina e tomou parte no apoio ao Kaiserreich, que fora fundado pelo Chanceler Bismark em 1871 e desintegrou-se dramaticamente em 1918, com o fim da Primeira Guerra Mundial. A vida produtiva de Weber decorre no mesmo período do Kaiserreich; Weber permaneceu envolvido proximamente com a política do período, foi um analista influente e sólido das muitas tensões e contradições do regime. As origens dessas dificuldades podem ser traçadas através da história familiar de Weber, e o que surge são alguns dos principais componentes para a formação do estado nacional moderno. Como custosamente sabemos hoje, a união harmônica desses componentes tende a ser uma exceção, e não uma regra.

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Capítulo 2. O capitalismo nos debates dos contemporâneos: Sombart, Weber e Simmel

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O capitalismo nos debates contemporâneos:

Sombart, Weber e Simmel

Este capítulo sustenta que o capitalismo foi objeto de amplo debate na geração de Weber dos economistas nacionais, e que A Ética Protestante e o

Espírito do Capitalismo foi uma intervenção nesses debates. Uma intervenção simultaneamente muito específica – a etiologia cultural e o significado cultural do capitalismo moderno –, mas também uma contribuição mais geral para os debates mais amplos da economia nacional de então. A participação da EPEC nos debates gerais sobre economia nacional permanece praticamente oculta quando o ensaio é lido hoje em dia. O capítulo inicia esboçando alguns dos principais contornos do debate sobre o capitalismo.

Expõe as principais posições assumidas por Werner Sombart e Georg Simmel nesse debate, no qual a própria EPEC de Weber se encaixa. O capítulo destaca o papel dado, em particular, por Weber à psicologia de motivos.

Hartmut Lehmann publicou recentemente uma correspondência de

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Capítulo 3. A Ética Protestante e o “Espírito” do Capitalismo

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A ética protestante e o “espírito” do capitalismo

Max Weber publicou A Ética Protestante e o “Espírito” do Capitalismo em duas partes, em novembro de 1904 e em junho de 1905. Ele o denominou de ensaio. Tem a estrutura de uma tese de pesquisa. Seus capítulos de abertura delineiam o que cabe explicar: o vínculo muito observado entre progresso econômico e populações de orientação protestante. O

Capítulo 2 exemplifica, mas não define o que Weber entende por espírito do capitalismo. O Capítulo 3 desenvolve o argumento de que a ideia de ocupação é religiosa na origem, como indicado pelo conceito de vocação ou chamamento (Beruf). O Capítulo 4 aprofunda o argumento por meio do chamado cristão tal como praticado por quatro seitas puritanas diferentes, e essa prática é definida por Weber como um asceticismo intramundano.

O Capítulo 5 conclui o estudo sustentando que o asceticismo derivado da religião forma a mentalidade do capitalismo moderno. O estudo é apoiado, ao longo de todo ele, por notas de rodapé detalhadas e eruditas, que algumas vezes reduzem o texto principal a umas poucas linhas na edição alemã original. Sendo assim, é um livro ou um ensaio?

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