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Capítulo 4 - Confusões conceituais

Philippe Perrenoud Grupo A PDF Criptografado

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Confusões conceituais

Geralmente, os sistemas educacionais se apropriam da definição de competência enquanto poder de agir eficazmente em uma “família” de situações.

Em Québec, por exemplo:

O conceito de competência no Programa de Formação é definido da seguinte maneira: um saber agir fundamentado na mobilização e na utilização eficazes de um conjunto de recursos.

Por saber agir, entende-se a capacidade de recorrer, de modo apropriado, a uma diversidade de recursos tanto internos como externos e, principalmente,

às aquisições realizadas no contexto escolar e àquelas decorrentes da vida cotidiana. Um programa baseado no desenvolvimento de competências visa, entre outras coisas, que os conhecimentos possam servir como ferramentas tanto para a ação como para o pensamento, que é também um modo de agir.

Portanto, a competência mobiliza vários recursos e se manifesta em contextos que apresentam uma certa complexidade, contrariamente a um saber processual que seria aplicado isoladamente.

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Medium 9788530954369

Capítulo 3 – “Estar-Com”

Michel Maffesoli Grupo Gen PDF Criptografado

Capítulo

3

“Estar-Com”

Il y a beaucoup d’étoiles qui attendent de toi que tu les remarques.

Há muitas estrelas que esperam de ti que as observes.

R. M. Rilke, Les élegies de Duino

O “CHULEIO (SURJET)”1

É certo que o inaparente é muito frequentemente essencial; mesmo se por preguiça, preconceito, dogmatismo, tem-se alguma dificuldade em observá-lo. Daí a palavra do poeta: são essas “estrelas” que convém levar em conta. E isso, a fim de que, além de um saber abstrato e um pouco desencarnado, se possa elaborar um conhecimento concreto da inteireza do estar-junto. Estamos aí no cerne de uma intuição intelectual de envergadura. Aquela que permite uma visão do interior. A que fornece um relacionamento do que é

1

N.R.: Aqui o autor faz um jogo de palavras entre surjet, um tipo de ponto de costura que corresponde em português a “chuleio”, e sujet, “sujeito” em francês e sur, “sobre”.

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18/06/2014 18:06:06

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Medium 9788520431528

III – O Pragmatismo

Paulo Ghiraldelli Jr. Manole PDF Criptografado

III

O Pragmatismo

Viagem para além das dicotomias

A filosofia da América

No fim do século XIX, a filosofia britânica estava impregnada de hegelianismo. Não é de se estranhar que os filósofos norte-americanos da segunda metade do século XIX, leitores do idealismo britânico, também fossem simpatizantes de Hegel. Em parte, foi pela via de Hegel (e do debate deste com Kant) que o pragmatismo deu seus passos mais sólidos, especialmente com John Dewey (1859-1952).

A ideia básica do pragmatismo veio da busca de se livrar da polêmica entre o realismo neokantiano ou realismo lógico e o idealismo hegeliano. Esse foi o campo de trabalho assumido por Dewey, dando atenção especial à metafísica e à epistemologia. Mais próximo do campo epis­ temológi­co-metodológico, William James (1842-1910) preferiu acentuar que o pragmatismo estava além da polêmica entre racionalismo e empirismo. Adaptado à terminologia atual, Richard Rorty (1931-2007) preferiu falar em representacionismo versus antirrepresentacionismo. Nos dois primeiros casos, de James e Dewey, a noção de experiência poderia representar o elemento pelo qual se sairia do debate tradicional; no caso mais atual, a linguagem veio substituir a experiência.

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Medium 9788530935061

III - DIRETORES DA CORREÇÃO E PENITENCIARISTAS

Manoel Barros da Motta Grupo Gen PDF Criptografado

III

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DIRETORES DA CORREÇÃO E PENITENCIARISTAS

As viagens como disposiƟvo de saber-poder

As viagens de estudo ao exterior ocuparam um amplo espaço na constituição de alguns saberes modernos,1 e na implantação de certas técnicas, como as das penitenciárias, dos jardins botânicos, das escolas e de outras instituições. As viagens dos naturalistas trouxeram para a história natural um imenso conhecimento de novas espécies vegetais e animais. Submetidas ao procedimento da classificação a partir de sua emergência no século XVIII, cultivadas em jardins botânicos, tiveram papel importantíssimo na formação do saber moderno e na sua aplicação prática.

O olhar dos naturalistas vai se propor a construção da estrutura visível dos seres, a observação de viajantes, missionários e administradores. Seu registro, anotação e acumulação vão produzir uma enorme massa de informações, um saber que se acumula e que seria sobre as populações, as comunidades ditas “primitivas” da América, da Ásia e da Oceania. Assim é que a história natural se transforma em

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Medium 9788536320106

1. Estudando filosofia

Clare Saunders, David Mossley, George MacDonald Ross, Danielle Lamb, Julie Closs Grupo A PDF Criptografado

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Estudando

filosofia

O QUE É FILOSOFIA?

A filosofia não se parece com nenhuma outra disciplina. Mesmo os filósofos profissionais consideram bastante difícil definir o que é a filosofia e, com frequência, eximem-se de declarar o que a filosofia é, preferindo dar exemplos de coisas que os filósofos fazem. A definição dos dicionários para

“filosofia” (e também a tradução literal da origem grega da palavra) é “o amor pela sabedoria”, algo que parece se estender a quase tudo (de fato, a filosofia engloba o estudo da ciência, da arte e da linguagem e, para quase toda disciplina que se possa pensar, haverá uma “filosofia da” tal disciplina).

Mas o que diferencia a filosofia de outras disciplinas? Embora a filosofia de fato tenha suas próprias áreas de pesquisa, uma das suas características mais distintivas não é tanto o que se estuda, mas como se estuda – e é isso que faz a experiência de estudar filosofia bastante diferente da experiência de estudar qualquer outra disciplina. Na filosofia, aprendemos a identificar e a pensar com cuidado sobre nossas mais simples ideias e teorias – aquelas que sustentam toda a busca pelo conhecimento que fazemos em outras áreas.

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