7 capítulos
Medium 9788565848619

Introdução geral

Philippe Perrenoud Grupo A PDF Criptografado

Introdução geral

É possível desenvolver competências sem questionar os conhecimentos?

“Currículo por competências”, “abordagem por competências”, “trabalho por competências”, “ensino por competências”… Apesar de serem confusas, essas expressões constam em textos oficiais e enfeitam os discursos que abordam as necessárias evoluções dos objetivos da educação escolar básica.

Compreende-se, claramente, que há uma insistência em relação ao desenvolvimento de competências a partir da escolaridade obrigatória. O que quer dizer que, atualmente, as competências não são ou são pouco desenvolvidas nesse nível do ensino.

Tal afirmação está baseada em três fragilidades que tornam difícil o debate:

– A primeira fragilidade é conceitual. Enquanto a noção de competência continuar vaga, incerta e definida por cada um à sua maneira, como saber se a escola atual desenvolve competências? Do que estamos falando, exatamente?

– A segunda fragilidade é de ordem empírica: supondo que tivéssemos uma definição estável e precisa das competências, em que dados poderíamos nos fundamentar para saber se a escola já estaria desenvolvendo as competências definidas e, em caso afirmativo, quais seriam essas competências? Bastaria ter como referência as intenções declaradas ou seria necessário observar os efeitos da escolarização por meio de enquetes realizadas com jovens de 15, 20 ou 25 anos?

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Medium 9789724420127

Observação Geral

Immanuel Kant Grupo Almedina PDF Criptografado

OBSERVAÇÃO GERALDAS SEITAS RELIGIOSASNo que em rigor merece denominar-se religião não pode haver diversidade de seitas (pois ela é una, universal e necessária, por conseguinte, imutável) mas, sim, no tocante à fé eclesial, quer ela se funde apenas na Bíblia ou também na tradição, na medida em que se considera a fé no que é unicamente veículo da religião como artigo seu.Seria um trabalho hercúleo e, ao mesmo tempo, ingrato enumerar simplesmente todas as seitas do cristianismo, se por este se entende a fé messiânica; de facto, ele é apenas uma seita (8) daúltima, de modo que se opõe ao judaísmo em sentido estrito (naúltima época da sua dominação integral sobre o povo), quando surge a pergunta: «És tu o que há de vir ou ainda temos de esperar outro?». Foi também assim que inicialmente os romanos o acolheram. Mas, nesta aceção, o cristianismo seria uma certa fé popular, baseada em dogmas e na Escritura, fé a cujo respeito não se poderia saber se seria válida para todos os homens ou a

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Medium 9788536325187

Liberdade e vontade geral

Iain Mackenzie Grupo A PDF Criptografado

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Iain Mackenzie

Ainda assim, o simples princípio de Mills está notoriamente carregado de problemas, mais obviamente no que se refere ao conceito de

“dano”. Como, por exemplo, definimos dano? Se estivermos empreendendo o que Mills chama “uma ação de simples satisfação pessoal”, como consumir bebida alcoólica, será válido afirmar que, na medida em que isso afeta os outros, apenas os afeta “indiretamente” e, portanto, não provoca nenhum dano “direto” para justificar que se impeça o indivíduo de beber?

A noção de “dano direto” poderá ser sustentada se, com Mill, o dano for definido como dano físico. Entretanto, basta isso para garantir o princípio da liberdade? Poder­‑se­‑ia alegar que muito do que se considera dano, por conseguinte, estaria violando a liberdade da pessoa e adquirindo uma dimensão “psicológica”. Afora isso, Mill postula que não se justifica intervir na vida de outras pessoas, se não for para o “bem” dessas mesmas pessoas.

Entretanto, como veremos na discussão de Rousseau que se segue, pode ser que “forçar as pessoas a serem livres” seja exatamente o que se precisa para torná­‑las livres. Olhando mais adiante, veremos no Capítulo 3 que, de acordo com Catharine MacKinnon, definir o dano que as mulheres sofrem pela pornografia não se limita às que trabalham na indústria da pornografia. Pode ser que, como MacKinnon sustenta, a pornografia esteja provocando um dano mais estrutural do que individual às mulheres. Em outras palavras, ao considerarmos as implicações do “simples princípio” de Mills, vemos a necessidade de todo um exército de qualificadoras cuidadosamente colocadas, desempenhando papéis essenciais na prevenção de danos em áreas específicas da inatacável liberdade pessoal. Pode ser que o desafio verdadeiro seja não jogar a liberdade contra o Estado arbitrário, mas encontrar o jeito de combinar nossa liberdade com a autoridade que atribuímos ao Estado. Esse é o enfoque que encontramos na obra de Jean­‑Jacques Rousseau.

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Medium 9788565848039

Capítulo 2. Visão geral dos temas

Frank Lovett Grupo A PDF Criptografado

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VISÃO GERAL DOS TEMAS

2.1 A IDEIA PRINCIPAL DE UMA TEORIA DA JUSTIÇA

Uma teoria da justiça é uma obra longa e densa, chegando a quase 600 páginas, e

é fácil perder-se em seus detalhes. Dessa forma, é útil analisar o texto tendo-se em mente o que Rawls está tentando argumentar. Este capítulo visa a demonstrar isso, juntamente com um guia geral para navegar pelo longo texto. Felizmente, a ideia central do argumento de Rawls é de entendimento relativamente simples.

Lembre-se do Capítulo 1: quando Rawls elaborou sua própria teoria, duas teo­ rias de filosofia moral e política estavam presentes. A primeira e mais dominante delas era, naturalmente, o utilitarismo. Para a maior parte das pessoas, nada parecia tão poderoso ou sofisticado quanto o utilitarismo. Porém, ao mesmo tempo, muitas pessoas admitiam que o utilitarismo apresentava uma série de características problemáticas, algumas das quais já apontamos. Vamos aqui considerar mais uma. Imagine alguma sociedade na qual uma pequena minoria da população é mantida na mais abjeta escravidão. Esses escravos são bastante infelizes, é claro, e todas as outras pessoas são, em alguma medida, mais felizes do que eles, já que são os escravos que realizam muitos dos trabalhos mais árduos de tal sociedade. Pode acontecer, portanto, que, se somarmos as melhorias que dizem respeito à felicidade da maioria, chegaremos a uma soma muito maior do que o total de infelicidade impingido aos escravos, muito embora cada escravo seja, individualmente, infeliz ao extremo. Nessa sociedade, o utilitarismo provavelmente apoiaria a instituição da escravidão. Bom, mas é claro que também esperaríamos que os números não se apresentassem assim, e de fato talvez não se apresentem. Mas isso importa? Dito de outra forma, a justiça ou a injustiça da escravidão deveria depender do que os números mostram? Muitas pessoas têm a forte intuição moral de que a resposta seja não – de que o fato de a felicidade da maioria superar a infelicidade dos escravos não deve ser importante, uma vez que escravizar seres humanos está evidentemente errado.

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Medium 9789724420127

Divisão das faculdades em geral

Immanuel Kant Grupo Almedina PDF Criptografado

20IMMANUEL KANTAlém destes eruditos corporativos, pode ainda haver independentes, que não pertencem à universidade; mas, ao cultivarem simplesmente uma parte do grande conjunto do saber, constituem certas corporações livres (chamadas Academias, e tambémSociedades das Ciências) como outras tantas oficinas ou vivem, por assim dizer, no estado de natureza da erudição, ocupando-se cada qual por si, sem prescrição e regulamento públicos, do seu aumento ou difusão, como amador.Importa ainda distinguir dos autênticos eruditos os letrados(pessoas que fizeram estudos), os quais, como instrumentos do governo, por este investidos num cargo público para um fim peculiar seu (não precisamente para o maior bem da ciência), devem decerto ter estudado na universidade mas, em todo o caso, podem igualmente já muito ter esquecido (no tocante à teoria); basta-lhes ter retido o que é necessário para cumprir uma função pública que, segundo os seus princípios fundamentais, pode emanar apenas dos sábios, a saber, o conhecimento empírico dos estatutos da sua função (portanto, no tocante à prática); podem, pois, denominar homens de afazeres ou técnicos do saber. Enquanto instrumento do governo (eclesiásticos, magistrados e médicos) têm uma influência legal sobre o público e formam uma classe particular de letrados que não são livres de fazer um uso público do saber, de acordo com a sua sabedoria peculiar, mas apenas sob a censura das Faculdades; porque se dirigem diretamente ao povo, composto de ignorantes (como, porventura, o clero aos leigos) e detêm em parte, na sua especialidade, o poder executivo, se não legislativo, devem ser muito rigorosamente mantidos na ordem pelo governo, a fim de não descurarem o poder judicial, que cabe às Faculdades.

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