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Medium 9788536325187

O que é política?

Iain Mackenzie Grupo A PDF Criptografado

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Iain Mackenzie

ligação subterrânea à corrente de definições conceituais, debates e pensadores que aparecem ao longo do livro, uma corrente que procura trazê­‑lo

à praia dos imensos oceanos da filosofia política.

O que é política?

Para começar com essa questão espinhosa, encaramos política como um tipo de atividade humana, como algo que nós, seres humanos, fazemos. Com certeza poder­‑se­‑á contestar essa posição. Por exemplo, pode ser que alguns dos primatas mais desenvolvidos também apresentem o que poderíamos chamar de comportamento político (de Waal, 1982). Pode também ser que, em geral, a natureza possua valor intrínseco e como tal

“apresente exigências” quanto à maneira de nos comportarmos, de forma que tenhamos o dever de respeitar a natureza – particularmente para assegurar a sobrevivência – não só para o nosso proveito próprio, mas porque a natureza em si é merecedora desse respeito (Naess, 1989). Essas são questões importantes, que,sem dúvida, têm produzido uma quantidade respeitável de filosofia política inovadora. De momento, porém, podem ser postas de lado para que possamos enfocar a dimensão humana da política. Afora isso, quando tivermos compreendido alguns dos principais pressupostos humanistas que impulsionam a filosofia política, estaremos em melhores condições de questionar e testar tais pressupostos. (Haverá traços dessa matéria ao longo do livro, quando se questionar, em especial, a ideia de haver uma “natureza humana” que se possa definir.)

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Medium 9789724415154

1. Resposta à pergunta: Que é o Iluminismo?

Immanuel Kant Grupo Almedina PDF Criptografado

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1.

/ Resposta à pergunta: Que é o Iluminismo?

(1784)

(3 Dez. 1783, p. 516) (1)

O Iluminismo é a saída do homem da sua menoridade de que ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de se servir do entendimento sem a orientação de outrem. Tal menoridade é por culpa própria se a sua causa não reside na falta de entendimento, mas na falta de decisão e de coragem em se servir de si mesmo sem a orientação de outrem. Sapere aude!

Tem a coragem de te servires do teu próprio entendimento!

Eis a palavra de ordem do Iluminismo.

A preguiça e a cobardia são as causas por que os homens em tão grande parte, após a natureza os ter há muito liber(1) A indicação da página da «Berlinischen Monatsschrift» refere-se à seguinte nota na frase: «Será aconselhável sancionar ulteriormente o vínculo conjugal por meio da religião?» do Sr. Preg. Zöllner: «Que é o Iluminismo?

Esta pergunta, quase tão importante como esta: Que é a Verdade?, deveria receber uma resposta antes de se começar a esclarecer! E, no entanto, em nenhum lugar a vi ainda respondida.»

/ A 481 – Nota / A 481

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Medium 9788536323923

Capítulo 1. O que é o direito ?

David Ingram Grupo A PDF Criptografado

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O que é o direito?

Muitos de nós estão familiarizados com as leis, mas poucos sabem o que elas são. Segundo a opinião corrente, leis são formadas por conjuntos de “faça isso” e “não faça aquilo” respaldados no temor das sanções. Isso dá lugar a uma questão: de que maneira as leis, concebidas desse modo, diferem de ordens emanadas de poderosos tiranos que ameaçam nos causar dano a menos que realizemos suas vontades?

Talvez nossa primeira inclinação seja responder que, contrariamente a ordens tirânicas, as leis são moralmente justificadas e razoáveis. Por exemplo, leis que proíbem matar e roubar parecem expressar mandamentos morais razoáveis. Porém, em alguns casos, uma lei pode ordenar fazer algo que pensamos ser moralmente errado e que não é razoável. Isso significa que ela não é mais uma lei?

Outras leis podem nos ordenar fazer coisas razoáveis, mas que não são moralmente obrigatórias – tais como inserir moedas no parquímetro.

Além disso, algumas leis – tais como aquelas que dão permissão para obter uma licença para casamento – não nos obrigam a fazer algo. Pelo contrário, autorizam ou estabelecem procedimentos para realizar atos que podemos escolher fazer (ou não fazer). Por último, algumas normas jurídicas não parecem ordenar ou autorizar nada, mas, ao invés disso, expressam sentenças. Não se pode dizer que elas claramente ordenam ou autorizam algo aqui e agora, porque são acerca de ações (casos) particulares que ocorreram no passado. Se uma decisão judicial proíbe ou permite uma ação presente depende da semelhança entre essa ação e a ação passada. Além disso, algumas dessas decisões judiciais remetem à autoridade anônima do costume, não à autoridade oficial de um juiz ou de um legislador para sua juridicidade. Encontrar um traço comum (ou distintivo) do direito torna­‑se ainda mais desencorajador quando consideramos

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Medium 9788530957735

Capítulo IV - Quem é o animal laborans?

Adriano Correia Silva Grupo Gen PDF Criptografado

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QUEM É O ANIMAL LABORANS?

Viver é um descuido prosseguido.1

João Guimarães Rosa

A

vitória do animal laborans é um tema central à reflexão arendtiana sobre a modernidade política. Para examiná-la realizarei uma análise das variações semânticas do emprego arendtiano do termo, cuja compreensão é central

à articulação operada por ela entre a condição humana, o surgimento da sociedade e a prevalência de uma mentalidade atrelada ao mero viver via trabalho e consumo. Indicarei que há ao menos três sentidos principais do emprego da expressão animal laborans na obra de Hannah Arendt: como dimensão fundamental da existência condicionada pela vida; como produto da sociedade atomizada; e como mentalidade e “modo de vida” extraídos das condições do mero viver. Penso que tal empresa é um passo fundamental à compreensão da relação entre economia e política na era moderna.

O termo animal laborans aparece pela primeira vez na obra publicada de Hannah Arendt no texto “Ideologia e terror” (1953), incorporado à segunda edição de As origens do totalitarismo em 1958, mesmo ano de publicação de A con1

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Medium 9789724419961

O que falta aos Alemães

Friedrich Nietzsche Grupo Almedina PDF Criptografado

O que falta aos Alemães1Entre os alemães não é hoje suficiente ter espírito: há que tomá-lo e aventurar-se a ele…Talvez eu conheça os alemães, talvez lhes possa dizer umas quantas verdades. A nova Alemanha representa uma grande quantidade de capacidades hereditárias e adquiridas de modo que, por um certo tempo, pode gastar perdulariamente o tesouro de força que foi acumulado. Com tal tesouro, a Alemanha não chegou à posse de uma alta cultura e ainda menos a um gosto delicado, a uma «beleza» refinada dos instintos; mas consegue mostrar virtudes mais viris do que qualquer outro país daEuropa. Muito valor e estima de si mesma, muita segurança nas relações, na reciprocidade dos deveres, muita laboriosidade, muita tenacidade — e uma temperança herdada que precisa mais de incentivo do que de freio. Acrescento que, aqui, ainda se obedece sem que o obedecer humilhe… E ninguém despreza o seu adversário…Como se vê, é meu desejo ser justo com os alemães: mas não queria ser infiel a mim mesmo — devo, pois, fazer-lhes também uma objeção minha. Fica muito caro chegar ao poder: o poder imbeciliza… Os alemães — a quem outrora se chamou um povo de pensadores — pensam ainda hoje? Os alemães aborrecem-se agora com o espírito, os alemães desconfiam, hoje, do espírito, a política devora toda a seriedade pelas coisas verdadeiramente espirituais — «Deutschland, Deutschland über alles»: temo que seja este o fim da filosofia alemã… «Há filósofos alemães? Há poetas

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