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NIETZSCHE E A VONTADE DE RACISMO

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NIETZSCHE E A VONTADE DE RACISMO

“O homem é o animal monstruoso e superior; o homem superior é o homem inumano e sobre-humano, um depende do outro.”

Nietzsche,

Vontade de potência II, P.-A. 1887 (XVI, § 1027).

Nietzsche é um dos maiores desafios da filosofia contemporânea. Há várias filosofias em Nietzsche, e cada um seleciona a que mais lhe convém, omitindo as demais, ou mentindo sobre as outras. Norberto

Bobbio classifica-o como o pai do fascismo alemão de caráter subversivo e não conservador, o arquiteto do totalitarismo nacional-socialista avant la lettre, também chamado por alguns teóricos de nacional-bolchevismo, por intermédio de uma filosofia irracionalista que seduz até hoje os incautos. A propaganda de Hitler transformou Nietzsche no filósofo do nazismo,1 e é por essa razão que Heidegger dele se vale em seus livros em honra do nacional-socialismo. Hitler, Carl Schmitt, Heidegger,2 Alfred Rosenberg,3 Alfred Bäumler4 (responsável na

Alemanha pela reedição em 1930 dos livros Vontade de Potência I e II, de Nietzsche, assim como Heidegger o fará em 1936 e 1938) e Heinrich Härtle,5 entre outros grandes nomes do nazismo, jamais teriam podido, em maior ou menor grau, apropriarem-se das ideias racistas de Nietzsche para o regime se estas ideias não contivessem todos os

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O PROBLEMA DE MARTIN HEIDEGGER E O CAMINHO DE HANNAH ARENDT

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O PROBLEMA DE MARTIN HEIDEGGER E

O CAMINHO DE HANNAH ARENDT

Tomei a decisão de fazer esta palestra em termos coloquiais, não só porque não estamos em uma universidade, como também porque eu precisaria fazer digressões filosóficas para dar mais detalhes de natureza conceitual.

Esta palestra deve servir mais como um estímulo intelectual visando ao entendimento de uma época e, sobretudo, servir de maneira preventiva para não recairmos na barbárie, porque nós não podemos somente olhar para trás. É preciso entender o que hoje representa a “filosofia” do nacional-socialismo, como se apresenta e como pretende retomar um projeto mundial de dominação. Este projeto começa nas ideias, depois perpassa a economia e, finalmente, atinge as armas.

O problema de Heidegger e o caminho de Hannah Arendt. Eu poderia até fazer um jogo de palavras aqui e dizer que o problema de Heidegger tornou-se o problema de Hannah Arendt, e que o caminho de Hannah Arendt foi o caminho de Heidegger. Há uma terceira figura que transita entre os dois: casado com uma judia, um filósofo alemão, Karl Jaspers, uma figura de peso, uma figura eminente, orientador de tese de Hannah Arendt, e ao mesmo tempo um grande amigo de Heidegger, e que se afastou de Heidegger ao longo do tempo, à medida que Heidegger aderia formalmente ao partido em 1933 e se tornava um protagonista do nacional-socialismo na

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OS MORANGOS HEIDEGGERIANOS DE AUSCHWITZ

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OS MORANGOS HEIDEGGERIANOS DE

AUSCHWITZ

NOTAS CRÍTICAS SOBRE O NAZISMO COMO

“FILOSOFIA”

Os negros não têm história

Se agora levarmos em conta a questão da essência da história, pode-se pensar que decidimos arbitrariamente o que é a história, isto

é, que a história seria o que é distintivo do ser do homem. Poder-se-ia argumentar, em primeiro lugar, que há homens e grupos de homens − os negros, por exemplo, os cafres (Kaffer) – que não têm história, dos quais dizemos que são sem história. [...] Há também história fora do campo dos homens, e, em segundo lugar, dentro do mesmo campo humano, a história pode inexistir, como no caso dos negros.1

A natureza viva ou morta também tem a sua história. Mas como acabamos de dizer que os cafres são sem história? Porque eles têm tanta história quanto os macacos e os pássaros. Ou bem seria possível, apesar de tudo, que a terra, as plantas e os animais não tenham história? Parece certamente incontestável que o que é perecível pertence logo ao passado; mas tudo que é perecível e que pertence ao passado não entra necessariamente na história. O que são as rotações da hélice do avião? A hélice pode muito bem girar dias inteiros, entretanto, fazendo isso, não acontece nada. Mas claro, quando o avião transporta o Führer de Munique em direção a Mussolini, em Veneza, então isto

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BRASÍLIA E O GOLPE DE ESTADO CONSTITUCIONAL

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BRASÍLIA E O GOLPE DE ESTADO

CONSTITUCIONAL

“O faraó Aquenáton (Amenófis IV) levou 17 anos para construir a nova capital, Aquenáton. Eu construí Brasília em cinco anos.

O faraó construiu um monumento para os mortos.

Brasília é um monumento para os vivos.”

Juscelino Kubitschek, ex-Presidente do Brasil.

Em 1992, três anos após a minha defesa de Doctorat d’État na Universidade de Paris I – Panthéon – Sorbonne, tive a clara intuição da necessidade de desfazer o golpe de Estado constitucional habilmente perpetrado por Juscelino Kubitschek, valendo-se das irresponsáveis cartas magnas passadas que permitiram dormitar em berço esplêndido a transferência da capital, cujo único argumento até então era interiorizá-la para afastar o perigo de ataques navais. Ora, desde a

Primeira Guerra Mundial a aviação militar destruía com facilidade qualquer cidade, e sequer precisamos mencionar a Segunda Guerra

Mundial e as condições militares à época da decisão de JK. Pura farsa. O conceito de golpe de Estado estende-se a um golpe no Estado.

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MERQUIOR E O OTIMISMO TOTALITÁRIO DE HEIDEGGER

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MERQUIOR E O OTIMISMO TOTALITÁRIO

DE HEIDEGGER

“Crer no progresso não quer dizer que um progresso já se produziu”,

Franz Kafka.

“A maldição do progresso irrefreável é a irrefreável regressão”,

Theodor Adorno e Max Horkheimer.

“A sujeição da natureza regredirá rumo à sujeição do homem e vice-versa”,

Max Horkheimer.

Em uma perspectiva histórica relativa à cultura brasileira contemporânea, a imagem cometa de José Guilherme Merquior tem o brilho límpido e a ressonância acústica de uma inteligência sintética, com avanços nas teorias políticas, literárias, sociais e filosóficas. Essa energia próxima do átomo da erudição foi capaz de edificar uma obra indispensável sob vários aspectos relativos à expressão da inteligência brasileira do século XX. Merquior foi o gênio que colocou o

Brasil no século XX da intelectualidade mundial. Espírito universal,

Merquior foi uma das mais expressivas figuras do verdadeiro pensamento democrático de direito da contemporaneidade nacional.

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