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Justiça como posse de um direito

Iain Mackenzie Grupo A PDF Criptografado

Política

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e Utopia da Anarquia foi a primeira da série de respostas famosas e influentes do espectro filosófico­‑político ao enfoque igualitário de Rawls da justiça social.

Justiça como posse de um direito

O princípio redistributivo de Rawls – o princípio da diferença – pressupõe que não seja culpa nossa a posição que ocupamos na sociedade, e que um indivíduo não deveria ser arbitrariamente prejudicado por algo que não é falta sua (daí a ideia de que todas as decisões sobre como repartir as vantagens da sociedade deveria beneficiar os desprivilegiados).

A teoria não menciona a necessidade de redistribuição, primordialmente a redistribuição de riqueza que as pessoas já possuem. Essa redistribuição envolveria tomar alguma coisa que pertence a alguém e dar isso a outrem.

Parece haver razão em afirmar, com Nozik, que isso viola a liberdade dos indivíduos de dispor de sua riqueza por razões quaisquer que queiram, e não com base em alguma concepção impulsionada pela meta espúria de

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NIETZSCHE E A VONTADE DE RACISMO

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NIETZSCHE E A VONTADE DE RACISMO

“O homem é o animal monstruoso e superior; o homem superior é o homem inumano e sobre-humano, um depende do outro.”

Nietzsche,

Vontade de potência II, P.-A. 1887 (XVI, § 1027).

Nietzsche é um dos maiores desafios da filosofia contemporânea. Há várias filosofias em Nietzsche, e cada um seleciona a que mais lhe convém, omitindo as demais, ou mentindo sobre as outras. Norberto

Bobbio classifica-o como o pai do fascismo alemão de caráter subversivo e não conservador, o arquiteto do totalitarismo nacional-socialista avant la lettre, também chamado por alguns teóricos de nacional-bolchevismo, por intermédio de uma filosofia irracionalista que seduz até hoje os incautos. A propaganda de Hitler transformou Nietzsche no filósofo do nazismo,1 e é por essa razão que Heidegger dele se vale em seus livros em honra do nacional-socialismo. Hitler, Carl Schmitt, Heidegger,2 Alfred Rosenberg,3 Alfred Bäumler4 (responsável na

Alemanha pela reedição em 1930 dos livros Vontade de Potência I e II, de Nietzsche, assim como Heidegger o fará em 1936 e 1938) e Heinrich Härtle,5 entre outros grandes nomes do nazismo, jamais teriam podido, em maior ou menor grau, apropriarem-se das ideias racistas de Nietzsche para o regime se estas ideias não contivessem todos os

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O PROBLEMA DE MARTIN HEIDEGGER E O CAMINHO DE HANNAH ARENDT

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O PROBLEMA DE MARTIN HEIDEGGER E

O CAMINHO DE HANNAH ARENDT

Tomei a decisão de fazer esta palestra em termos coloquiais, não só porque não estamos em uma universidade, como também porque eu precisaria fazer digressões filosóficas para dar mais detalhes de natureza conceitual.

Esta palestra deve servir mais como um estímulo intelectual visando ao entendimento de uma época e, sobretudo, servir de maneira preventiva para não recairmos na barbárie, porque nós não podemos somente olhar para trás. É preciso entender o que hoje representa a “filosofia” do nacional-socialismo, como se apresenta e como pretende retomar um projeto mundial de dominação. Este projeto começa nas ideias, depois perpassa a economia e, finalmente, atinge as armas.

O problema de Heidegger e o caminho de Hannah Arendt. Eu poderia até fazer um jogo de palavras aqui e dizer que o problema de Heidegger tornou-se o problema de Hannah Arendt, e que o caminho de Hannah Arendt foi o caminho de Heidegger. Há uma terceira figura que transita entre os dois: casado com uma judia, um filósofo alemão, Karl Jaspers, uma figura de peso, uma figura eminente, orientador de tese de Hannah Arendt, e ao mesmo tempo um grande amigo de Heidegger, e que se afastou de Heidegger ao longo do tempo, à medida que Heidegger aderia formalmente ao partido em 1933 e se tornava um protagonista do nacional-socialismo na

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DIALÉTICA DO GOLPE DE ESTADO CONTEMPORÂNEO

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DIALÉTICA DO GOLPE DE ESTADO

CONTEMPORÂNEO

O começo da história contemporânea do golpe de Estado pode ser situada na revolução bolchevique de 1917, na Rússia, que inaugura a modernidade totalitária, que, justa e paradoxalmente, é a negação da própria modernidade burguesa, na qual a economia, a ciência, a arte, a filosofia e a religião atingiram uma dimensão jamais vista na história da humanidade. O totalitarismo foi a mais profunda regressão, revelando um lado sombrio e macabro da modernidade, que reage aos fundamentos iluministas da modernidade enquanto tal pela negação violenta da liberdade. A reação contra o liberalismo capitalista teve sua vertente mais importante na consagração da opção totalitária.

Etimologicamente, golpe vem do latim vulgar colpus, bofetada, soco; e do grego kólaphos, golpe na face, tapa, murro. A primeira e mais simples significação do vocábulo “golpe” remete a um choque físico entre dois corpos, provocando impactos variados, tais como batida ou pancada. Golpe com arma branca, ou qualquer objeto. O golpe de artes marciais é aplicado tanto na defesa quanto no ataque, quando dialeticamente a defesa se converte em ataque. Nas artes marciais, o golpe dentro das regras é lícito. Golpe de sorte, golpe de gênio, golpe baixo, golpe de ar, golpe de misericórdia, golpe de vista (coup d’oeil, olhada), golpe de mestre, golpe parlamentar, golpe do orçamento, golpe da propina, golpe da estatal, golpe da ONG, golpe do baú e golpe do bilhete da loteria, mesmo os diversos golpes criminosos, ou a expressão literal e metafórica de “acusar o golpe”. Contudo, o golpe de Estado

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BRASÍLIA E O GOLPE DE ESTADO CONSTITUCIONAL

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BRASÍLIA E O GOLPE DE ESTADO

CONSTITUCIONAL

“O faraó Aquenáton (Amenófis IV) levou 17 anos para construir a nova capital, Aquenáton. Eu construí Brasília em cinco anos.

O faraó construiu um monumento para os mortos.

Brasília é um monumento para os vivos.”

Juscelino Kubitschek, ex-Presidente do Brasil.

Em 1992, três anos após a minha defesa de Doctorat d’État na Universidade de Paris I – Panthéon – Sorbonne, tive a clara intuição da necessidade de desfazer o golpe de Estado constitucional habilmente perpetrado por Juscelino Kubitschek, valendo-se das irresponsáveis cartas magnas passadas que permitiram dormitar em berço esplêndido a transferência da capital, cujo único argumento até então era interiorizá-la para afastar o perigo de ataques navais. Ora, desde a

Primeira Guerra Mundial a aviação militar destruía com facilidade qualquer cidade, e sequer precisamos mencionar a Segunda Guerra

Mundial e as condições militares à época da decisão de JK. Pura farsa. O conceito de golpe de Estado estende-se a um golpe no Estado.

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