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Capítulo V - “A política ocidental é cooriginariamente biopolítica?” – Um percurso com Agamben

Adriano Correia Silva Grupo Gen PDF Criptografado

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“A POLÍTICA OCIDENTAL É COORIGINARIAMENTE BIOPOLÍTICA?” – UM

PERCURSO COM AGAMBEN

O homem, durante milênios, permaneceu o que era para

Aristóteles: um animal vivo e, além disso, capaz de existência política; o homem moderno é um animal em cuja política está em questão sua vida de ser vivo.1

Michel Foucault

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o prefácio de sua obra Homo sacer I: o poder soberano e a vida nua, Giorgio Agamben evoca a companhia de dois vigorosos intérpretes dos tempos modernos: Michel Foucault e Hannah Arendt. Em Foucault ele julga encontrar a clara definição de uma biopolítica que inclui a vida biológica nos mecanismos e cálculos do poder estatal; em Arendt, na descrição fornecida por ela em A condição humana da vitória do tipo ou mentalidade que nomeia animal laborans, ele pôde identificar a associação entre primado da vida natural e decadência do espaço público na era moderna. Ainda em Arendt, ele encontra a inédita posição dos campos de concentração como instituição central da dominação totalitária. Não obstante, julga não encontrar em ambos

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Medium 9789724420127

Secção IV – Do conflito legal das faculdades superiores coma faculdade inferior

Immanuel Kant Grupo Almedina PDF Criptografado

O CONFLITO DAS FACULDADES35da influência que os seus homens de ação podem ter sobre o povo, pois este, naturalmente, atém-se sobretudo ao que menos o obriga a esforçar-se e a servir-se da sua própria razão, podendo assim conciliar melhor os deveres com as inclinações; por exemplo, no ramo teológico, que é por si salutar «crer» literalmente, sem indagar (e mesmo sem compreender) o que se deve crer, e que mediante a celebração de certos ritos prescritos podem imediatamente ser apagados crimes; ou no ramo jurídico, que a observância da lei segundo a letra dispensa a inquirição do sentido do legislador.Há, pois, aqui um conflito ilegal, essencial, para sempre inconciliável, entre as Faculdades superiores e a Faculdade inferior, porque o princípio da legislação para as primeiras, que se atribui ao governo, seria a própria anarquia, por ele autorizada. – Com efeito, visto que a inclinação e, em geral, o que alguém acha vantajoso para a sua intenção particular não se qualifica pura e simplesmente para lei; por conseguinte, também não pode ser exposto como tal pelas Faculdades superiores, então um governo que sancionasse coisas semelhantes poria, ao ofender a própria razão, em conflito as Faculdades superiores com a filosófica, conflito que não pode ser tolerado, porque aniquilaria totalmente esta última – o que é de facto o meio mais rápido, mas também (segundo a expressão dos médicos) um meio heroico, com risco de morte, para pôr fim a um conflito.

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Medium 9789724420066

Da extensão do uso teorético-dogmático da razão pura

Immanuel Kant Grupo Almedina PDF Criptografado

/45 Primeira SecçãoDa extensão do uso teorético-dogmático da razão puraO conteúdo desta secção é a proposição: o âmbito do conhecimento teórico da razão pura não se estende além dos objetos dos sentidos.Nesta proposição, considerada como juízo exponível, estão contidas duas proposições:1) a razão, enquanto faculdade do conhecimento das coisas a priori estende-se aos objetos dos sentidos;2) no seu uso teorético, é capaz de [produzir] conceitos, mas nunca um /46 conhecimento teorético do que não pode ser objeto dos sentidos.À prova da primeira proposição pertence também o exame de como é possível um conhecimento a priori de objetos dos sentidos, porque, sem isso, não podemos estar certos de se os juízos acerca de tais objetos são efetivamente conhecimentos; mas, no tocante à sua propriedade de serem juízos a priori, ela anuncia-se a si mesma mediante a consciência da sua necessidade.Para que uma representação seja conhecimento (entendo aqui sempre um conhecimento teórico), é preciso que o conceito e a/ A 45, 46

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Medium 9788530935399

Os fragmentos póstumos do outono/inverno de 1887-1888 (Grupos 9-12)

Nietzsche Grupo Gen PDF Criptografado

Os fragmentos póstumos do outono/inverno de 1887-1888 (Grupos 9-12)

“Não tenho mais apreço pelo leitor: como poderia escrever para o leitor?... Mas faço anotações sobre mim, para mim”

(9 [188]). O que se deve dizer em relação a essas palavras de

Nietzsche, caso se pense nas obras pouco tempo mais tarde determinadas por ele para a impressão, obras como o Crepúsculo dos ídolos, o Anticristo e Ecce homo? Ninguém pode duvidar de que Nietzsche escreveu essas obras para leitores, e não para si mesmo. Portanto, há um momento no qual ele escreve para si e um momento no qual ele escreve para leitores. O que está em questão aí, por sua vez, não são coisas diversas: elas são apenas ditas de maneira diversa, com uma visão e uma intenção alteradas, que também transformam com certeza os conteúdos. Quando Nietzsche se dispõe a publicar um livro, ele pensa de início nos leitores, e, por essa razão, ele se transforma em artista, ou seja – segundo o significado que esse conceito tem para ele –, ele se transforma em mentiroso e em comediante: “O preço que se paga por ser artista é o fato de se experimentar tudo aquilo que os não artistas denominam ‘forma’ como conteúdo, como ‘a coisa mesma’. Com isso, passa-se a fazer parte naturalmente de um mundo às avessas: pois, a partir de então, o conteúdo torna-se algo meramente formal – incluindo aí nossa vida” (11 [3]). Precisamos, então, procurar nos fragmentos póstumos o Nietzsche que diz a verdade, o filósofo, e, nas obras publicadas, o artista? Esse modo de questionamento é, em verdade, simplificador, sobretudo se quisermos estendê-lo até a relação geral entre os escritos póstumos e os escritos publicados. No entanto, ela pode nos ajudar a compreender melhor o último ano de criação de Nietzsche – do outono de 1887 até o fim de 1888.

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Medium 9788530954369

Capítulo 2 – Fundações

Michel Maffesoli Grupo Gen PDF Criptografado

Capítulo

2

Fundações

Retremper le Gai-Savoir nouveau dans le vieux fond du peuple.1

Frédéric Mistral, Mes Origines, cap. XVIII, 1

ANC(IEN)-ÊTRE (ANTIGO-SER)/ANCÊTRES

(ANCESTRAIS)

A cada mudança de época corresponde uma mutação semântica. É por isso que é preciso encontrar as palavras, senão absolutamente exatas, pelo menos o menos possível falsas. Porque, assim como lembra o poeta: “As palavras que vão surgir sabem de nós o que nós ignoramos delas.”2

Essa notação de René Char não se pode persegui-la, destacando que é aprofundando as palavras, aprofundando com as palavras que se pode aceder a essas palavras fundadoras de todo viver-junto?

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Imergir o Alegre Saber novo na velha essência do povo.

R. Char, Ma feuille vineuse. In: Chants de la Balandrane. Pléiade,

1983. p. 534.

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v Homo Eroticus v Michel Maffesoli

Palavras de antiga memória que se enraízam profundamente na experiência humana. Palavras das quais convém lembrar o sentido esotérico, quando tende a prevalecer a tagarelice exotérica. O caminho de pensamento consiste, justamente, isto é, com justeza, em ajudar a emergência dessas palavras que vêm da vida, da experiência vivida. Dizê-las o mais belamente possível.

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