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Medium 9788530963071

Capítulo 1 - Moral e Ciência dos Costumes

DURKHEIM, Émile Grupo Gen PDF Criptografado

Capítulo 1

Moral e ciência dos costumes

DEFINIÇÃO DO FATO MORAL (1893)1

I

/4/ Em geral, para saber se um preceito de conduta é ou não moral, confronta-se o mesmo com uma fórmula geral da moralidade que se estabeleceu an1

Extraído da “Introdução” da obra Da divisão do trabalho social, Alcan.

Essa parte do texto foi suprimida a partir da segunda edição do livro, em 1902. Na nota acrescentada à página desta edição, eis como

Durkheim evoca a eliminação dessa passagem, onde ele trata, entre outras coisas, da definição abstrata do valor moral: “Na primeira edição desse livro, desenvolvemos longamente as razões que provam, segundo nós, a esterilidade desse método. Acreditamos hoje poder ser mais breve. Há discussões que não é preciso prolongar indefinidamente.” Encontrar-se-á a seguir a passagem que precede o texto suprimido e que foi sempre reproduzido nas edições ulteriores à exceção da última meia frase: “... Nosso dever é de procurar tornar-se um ser acabado e completo, um todo que se basta a si mesmo, ou então, ao contrário, de ser apenas a parte de um todo, o órgão de um organismo? Em uma palavra, a divisão do trabalho, ao mesmo tempo que é uma lei da natureza, é também uma regra moral da conduta humana, e, se ela tem esse caráter, por que causas e em que medida? Não é necessário demonstrar a gravidade desse problema prático; porque, qualquer julgamento que se faça sobre a divisão do trabalho, todo mundo sente bem que é ela que se torna cada vez mais uma das bases fundamentais da ordem social; mas para resolvê-lo, como procederemos?”.

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Medium 9788530944063

[1 = N VII 2b. Outono de 1885 - Início do ano 1886]

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm Grupo Gen PDF Criptografado

[1 = N VII 2b. Outono de 1885 – Início do ano 1886]

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Deveria ter propriamente um círculo de homens profundos e sutis à minha volta, que me protegessem um pouco de mim mesmo e que também soubessem me divertir; pois, para alguém que pensa tais coisas, tal como eu as preciso pensar, o perigo de que ele mesmo se destrua sempre está à espreita.

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É possível que ninguém acredite no fato de se vir a saltar um dia inopinadamente e com os dois pés em tal estado resoluto da alma, cuja testemunha ou alegoria pode ser justamente o tão decantado canto de dança. Antes de se aprender a dançar em tal medida, é preciso que se tenha aprendido de maneira sólida a andar e a correr, e já conseguir se colocar sobre as próprias pernas

é algo, para o que, ao que me parece, sempre só poucos estão predeterminados. No tempo em que se ousa pela primeira vez confiar nos próprios membros e sem andadeiras e corrimões, nos tempos da primeira força juvenil e de todos os estímulos de uma primavera própria, se está maximamente em perigo e se anda com frequência de maneira tímida, desanimada, como alguém que se perdeu do caminho, com uma consciência trêmula e com uma desconfiança espantada ante seu caminho: – quando a jovem liberdade do espírito é como um vinho.

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Medium 9788563899392

Capítulo 3 - Geografia e linguagem

Hans-Johann Glock Grupo A PDF Criptografado

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Geografia e linguagem

Este capítulo discute as concepções geo­linguísticas da filosofia analítica. A

Seção 1 apresenta a versão anglocêntrica de tal concepção, que surgiu em conjunção com o contraste analítico/continental.

A Seção 2 rejeita a concepção anglocêntrica por referência às raízes germanófonas da filosofia analítica. A Seção 3 discute um possível retorno, a saber, que os pioneiros germonófonos da filosofia analítica foram aberrações em uma cultura filosófica que era geralmente hostil ao espírito analítico. A

Seção 4 volta­‑se a uma modificação da concepção anglocêntrica. De acordo com a “tese de Neurath­‑Haller”, a filosofia analítica, ainda que não simplesmente anglo­‑saxônica,

é de qualquer maneira anglo­‑austríaca em origem e em caráter. Ainda que as duas sugestões contenham cernes de verdade, elas distorcem as raízes complexas da filosofia analítica, especialmente o impacto dos pensadores alemães e das ideias kantianas. A

Seção Final argumenta que qualquer concepção geolinguística entra em confronto tanto com fatos históricos quanto com o status quo. A dicotomia entre a filosofia analítica e a continental não é só uma classificação cruzada, ela também falha em exaurir as opções, dado que ignora o pragmatismo e a filosofia tradicionalista. As reais divisões filosóficas atravessam todas as fronteiras geo­gráficas e linguísticas.

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Medium 9788530954369

Capítulo 1 – Eros Filósofo

MAFFESOLI, Michel Grupo Gen PDF Criptografado

Capítulo

1

Eros Filósofo

Celui dont les pensers, comme des alouettes,

Vers les cieux le matin prennent un livre essor,

Qui plane sur la vie, et comprend sans effort

Le langage des fleurs et des choses muettes!1

Charles Baudelaire, Élévation

DA REALIDADE AO REAL

Voltemos com serenidade aos caminhos do pensamento que aprofunda a compreensão da força das coisas.

Lembrando uma regra de ouro que estabelece uma relação estreita entre o esotérico e o exotérico. Não pode haver exteriorização a não ser que os fundamentos sejam sólidos. O que torna público: publicidade, jornalista, perito, vulgarizador, deve, para fazer isso, ter muito a refletir. Isso é sabedoria constante em todas as tradições culturais.

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“Aquele que, ao pensar, qual pássaro veloz/De manhã rumo aos céus liberto se distende,/Que paira sobre a vida e sem esforço entende/A linguagem das flores e das coisas sem voz.” Elevação.

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Medium 9788530966058

CAPÍTULO III: O pensamento tradicional

MAFFESOLI, Michel Grupo Gen PDF Criptografado

Capítulo 3

O PENSAMENTO TRADICIONAL

Qui incomincia il libro

Della nova esigenza e

Della suprema virtu.

Boccacio

A VIDA EFETIVA

O que procuras está perto e já vem ao teu encontro.

Hölderlin.

É a virtude da tradição, virtu, isto é, sua força intrínseca, que permite compreender esse “próximo” que não se sabe, ou que não se quer ver. Esse “próximo” que já está aí e move, em profundidade, a vida quotidiana no que ela tem de mais banal e anódino. Quase o que constitui os elementos fisiológicos da existência corrente: morar, comer, vestir-se. Esse habitus de antiga memória que constitui assim como bem o demonstraram, cada um à sua maneira, Santo Tomás de Aquino,

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A ORDEM DAS COISAS

MICHEL MAFFESOLI

Spengler ou Panofsky, o ajustamento do animal humano à biosfera que é a sua.1

E será paradoxo reconhecer que não se está em alinhamento com nossos contemporâneos, em harmonia com o tempo presente, a não ser que se saiba garantir2 a essas três velhas ideias que fizeram suas provas. Garantia que reconhece que o “normal”, de obediência racional, tem pouco interesse em face de um “ordinário” que tem, quanto a ele, uma profunda significação. Ordinário complexo, ambíguo, às vezes imprevisível, onde se cristaliza esse enigma insolúvel que é a vida.

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