355 capítulos
Medium 9788530951016

III – A OFICINA FOUCAULT

ARTIÈRES, Philippe; BERT, Jean-François; GROS, Frédéric; REVEL, Judith Grupo Gen PDF Criptografado

III

A Oficina Foucault

michel_foucault.indd 85

25/02/2014 15:09:18

michel_foucault.indd 86

25/02/2014 15:09:18

Investigar sobre o trabalho

Philippe Artières e Jean-François Bert

Foucault, como se sabe, passava longas horas no hemiciclo da Biblioteca Nacional, na rua de Richelieu, chegando desde a abertura e deixando essa sala Labrouste no fim da tarde. Aí, ninguém ousava incomodá-lo, dizem, esse leitor metódico. Sentado à sua mesa, sobre a qual um bibliotecário tinha colocado um livro, ele operava cada um, incisava-os para pegar dele aqui algumas linhas, lá algumas páginas. Suas notas de leituras dão explicitamente testemunho disso: anotando no alto o título da obra e o nome de seu autor, ele copiava um fragmento; desses fragmentos extraídos, no sentido físico do termo; das bibliotecas,

Foucault retirou muitos; ele procedeu sempre assim, e conservam-se muitos vestígios dessas explorações de jazida, imensa biblioteca de citações de uma vida de pesquisa. Centenas de dossiês que formam, ao mesmo tempo, as origens de um livro e os interiores de um pensamento.

Ver todos os capítulos
Medium 9788565848619

Capítulo 12 - Não abalar as relações de força

Philippe Perrenoud Grupo A PDF Criptografado

12

Não abalar as relações de força

Ninguém quer que outros seres humanos morram de fome. Mas, quando chega o momento de fazer sacrifícios pessoais em benefício dos outros, todo mundo hesita e acaba encontrando boas razões para dizer “primeiro eu!”. Do mesmo modo, ninguém deseja que outros seres humanos sejam dependentes, submissos, explorados, dominados ou maltratados, exceto se houver conflito de interesses.

Ora, há conflito de interesses na área dos conhecimentos e das competências para a vida. Se os mais desprovidos adquirirem conhecimentos mais amplos, eles terão muito mais meios intelectuais para compreender as coisas que lhes acontecem e antecipá-las, para analisar os mecanismos que produzem a miséria, o desemprego, a justiça e a exclusão. Desta forma, as relações de força seriam menos desequilibradas, em escala mundial, no nível de cada sociedade global e, também, nas organizações, sobretudo nas empresas.

Houve uma época, como nos lembra Lelièvre (1990), em que se podia dizer, abertamente, “é bom que o povo seja ignorante”:

Ver todos os capítulos
Medium 9788565848619

Capítulo 2 - Partir preferencialmente da vida das pessoas, em vez de ter os programas como ponto de partida

Philippe Perrenoud Grupo A PDF Criptografado

2

Partir preferencialmente da vida das pessoas, em vez de ter os programas como ponto de partida

As reformas curriculares que visam ao desenvolvimento de competências na escola têm, como ponto de partida, a constatação de uma defasagem entre a vida para a qual a escola pretende preparar e a vida (no trabalho ou fora dele) que as crianças e os adolescentes escolarizados terão, efetivamente, quando se tornarem adultos. Porém, pelo fato dessa defasagem e das suas razões não serem objeto de uma análise precisa, corremos o risco de decidir estabelecer uma “abordagem por competências” de modo precipitado, com base numa conceitualização frágil e numa visão limitada e ingênua, sob vários aspectos, quanto à relação entre a educação escolar e a vida.

Práticas e campos conceituais

A intenção de fazer com que cada noção e cada saber parcial sejam mais “práticos” não deveria acarretar, automaticamente, a sua associação a um uso específico na sociedade. Na realidade, trata-se de uma questão de análise e de escala, para que se possa determinar como os saberes poderão e deverão se tornar ferramentas para a ação humana, no sentido mais amplo desta noção. Como julgar a utilidade e a pertinência prática de um saber? Seria na escala do conteúdo integral de uma disciplina, dos principais temas, dos capítulos ou das noções específicas? Afirmar que a matemática seria

útil na vida das pessoas não é dizer que essa utilidade se estenderia ao teorema

Ver todos os capítulos
Medium 9788536323657

Capítulo 3. Gosto e juízo estético

Daniel Herwitz Grupo A PDF Criptografado

3

Gosto e

Juízo Estético

DUAS QUEST

ÕES CENTRAIS SOBRE O GOST

O

QUESTÕES

GOSTO

O século XVIII polarizou-se entre dois caminhos sobre o gosto: primeiro, se existe qualquer medida da objetividade em seus juízos, se existe um padrão do gosto ou se, em vez disso, de gustibus non disputandum est,

“gosto não se discute” – citando o adágio romano. Algumas pessoas gostam de ópera, outras saltam das vigas quando estão em um teatro, acreditando que ela é uma afetada grandiloquência europeia representada por falastrões e bufões. Margaret Dumont, a clássica dama americana rica, buscando temperar-se com salpicos do gosto fino eurocêntrico, posiciona-se estaticamente atenta ao filme A Night at the Opera, enquanto Açucena profere suas sentenças desfavoráveis em sub-bel-canto; Groucho, posando em um grande avental, coloca seus polegares em seus ouvidos, meneia os dedos para o cantor, encena e grita: bugabugabuga. Nenhuma experiência de uma noite na ópera é igual à outra, e isso assim é especialmente no filme que leva esse nome. Hermann Gottlieb, empresário alemão atrás do livro de bolso de Dumont, persegue Chico e Harpo pelos bastidores do teatro, enquanto eles fazem planar as asas vingando o estéril filme mudo em seu filme pleno de som operístico. O filme é uma batalha dos do gosto e da paixão dos irmãos Marx, além de uma batalha pela alma da América, pois ele se reporta aos imigrantes lançados na proa de barcos navegando direto para Nova York e para os estatutos da autonomia (liberty), da igualdade e da liberdade de gosto.

Ver todos os capítulos
Medium 9788536325187

O problema com o gênero

Iain Mackenzie Grupo A PDF Criptografado

Política

159

a crítica das estruturas masculinas pode habilitar as mulheres a experienciarem a vida de forma diferente, muito embora sejam reticentes e cautelosas quanto à medida que essa crítica possa conduzir à “emancipação” das mulheres. Por último, ainda que todas essas teorizadoras procurem explorar e reavaliar a posição do “feminino” na sociedade, elas procuram desenvolver teorias matizadas da relação entre gênero e sexo. Sendo esse o futuro do feminismo – uma possibilidade que é altamente contestada, inclusive por outras feministas – o que significaria então construir um futuro feminino para a filosofia política? Será possível que a filosofia política venha a abraçar críticas radicais de identidade que pensam além da natureza humana, a política e a justiça? Na verdade, não só é possível, como já está acontecendo. Na próxima seção veremos quão longe a crítica da identidade pode (e precisa?) ser levada, se for o caso de tratar a diferença como simples diferença: ou seja, como termo que não está subordinado a pretensões fundamentais acerca da identidade humana. O foco está na obra desafiante e inovadora de Judith Butler sobre a distinção sexo/gênero.

Ver todos os capítulos

Visualizar todos os capítulos