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XVIII

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A FILOSOFIA NA IDADE TRÁGICA DOS GREGOS

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XVIII

Supondo mesmo que se admite a mistura primitiva como correctamente deduzida parece que, do ponto de vista mecânico, se levantam algumas objecções a este grande esboço da estrutura do universo. Mesmo que o espírito produza um movimento giratório num ponto, é muito difícil imaginar a continuação do mesmo, sobretudo porque deve ser infinito e deve fazer girar, aos poucos e poucos, todas as massas existentes. Supor-se-ia desde o princípio que a pressão de todo o resto da matéria teria de esmagar este movimento giratório fraco: que isto não aconteça pressupõe da parte do Nous motor que intervenha de repente com uma força terrível, em todo o caso, suficientemente depressa para termos de chamar turbilhão ao movimento. Demócrito também imaginara um turbilhão assim.

E como esse turbilhão tem de ser infinitamente forte para não ser entravado pelo peso do universo infinito que o esmagaria, também tem de ser infinitamente rápido, porque a força, originalmente, só pode manifestar-se na rapidez.

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XVII

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XVII

O que é que se devia fazer com a confusão caótica do estado originário antes de todo o movimento para que dela surja, sem qualquer acrescentamento de substâncias ou forças novas, o mundo presente com as órbitas regulares das estrelas, as formas regulares das estações e das horas, a sua beleza múltipla e a sua ordem, numa palavra, para que o caos se transformasse em cosmos? Isto só poderia resultar do movimento, mas de um movimento determinado e ordenado de maneira inteligente. É esse movimento que é o meio de acção do Nous, o seu fim consistiria em desligar completamente do agregado todas as partes semelhantes, fim que ainda não foi atingido, porque a desordem e a mistura eram infinitas na origem. Só se chegará a esse fim graças a um processo imenso; nunca por acção de uma varinha de condão mitológica. Se alguma vez, num momento infinitamente longínquo, acontecer que todas as substâncias semelhantes sejam reunidas e que as existências primordiais indivisas repousem lado a lado numa ordem bela, quando cada partícula tiver reencontrado os seus companheiros e a sua pátria, quando a grande paz suceder à grande dispersão e à grande divisão das substâncias e quando já não houver fendas nem divisões, então, o Nous regressará ao seu movimento espontâneo;

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XVI

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XVI

O caso de Anaxágoras não é uma concepção de evidência imediata; para a captar, é preciso ter compreendido a ideia que o nosso filósofo concebeu do que se chama

«devir». Pois o estado de todas as existências elementares heterogéneas antes de todo o movimento não produziria necessariamente uma mistura absoluta de todas as «sementes das coisas», como reza a expressão de Anaxágoras, uma mistura que ele imaginava como uma confusão total de todas as coisas até às partes mais pequenas, depois de todas essas existências elementares terem sido desfeitas como que em argamassa e reduzidas a uma poeira de átomos, de maneira a poderem misturar-se umas com as outras nesse caos, como num cadinho. Poder-se-ia dizer que esta concepção do caos nada tem de necessário; que seria suficiente admitir uma posição acidental qualquer de todas essas existências, mas não uma divisão das mesmas até ao infinito. Bastaria já uma justaposição irregular, seria desnecessária qualquer mistura e impensável uma tão grande confusão. Como é que Anaxágoras chegou a esta representação difícil e complicada? Pela concepção que tinha do devir empiricamente dado, como já foi referido. Começou por haurir da própria experiência uma proposição extremamente surpreendente acerca do devir, e foi esta pro-

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XV

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É preciso olhar para os adversários dos Eleatas para fazer justiça às vantagens extraordinárias que oferece a hipótese de Parménides. Que dificuldades – a que Parménides se subtraíra – esperavam Anaxágoras e todos os que acreditavam na multiplicidade das substâncias, na pergunta: «Quantas substâncias há?» Anaxágoras deu o salto, fechou os olhos e disse: «Um número infinito»; assim escapou à comprovação extremamente penosa de enumerar determinado número de matérias primordiais. Como estas substâncias infinitamente numerosas deviam existir há eternidades sem aumento e sem modificação, esta suposição implicava a ideia contraditória de uma infinidade fechada e realizada. Em resumo, a multiplicidade, o movimento, o infinito, afugentados por Parménides graças ao princípio admirável do ser uno, voltavam do exílio e lançavam as suas flechas sobre os adversários de Parménides, para lhes fazerem feridas que não têm cura. Estes adversários não tinham, aparentemente, consciência clara da força terrível do pensamento dos Eleatas : «Não pode haver nem tempo nem movimento nem espaço, porque só podemos pensá-los como infinitos, quer dizer, infinitamente grandes, por um lado, divisíveis até ao infinito, por outro; mas todo o infinito não tem ser, não existe» – ninguém contesta esta ideia

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XIX

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Sem dúvida, poder-se-ia agora perguntar por que razão o Nous teve a ideia súbita de atingir um ponto material arbitrariamente escolhido nesse grande número de pontos para o fazer girar na dança agitada e por que razão não lhe ocorreu esta ideia mais cedo. Anaxágoras responderia:

«Ele tem o privilégio do arbitrário, tem o direito da iniciativa, só depende de si mesmo, ao passo que o resto é todo determinado a partir de fora. Não tem nenhuma obrigação e, portanto, também não existe causa alguma que ele fosse obrigado a defender. Se alguma vez desencadeou o movimento e se fixou um fim, isso não passou de» – a resposta

é difícil e Heraclito acrescentaria – «um jogo».

Parece ter sido sempre esta a melhor solução ou a resposta última que os Gregos tiveram nos lábios. Segundo

Anaxágoras, o espírito é um artista, é o génio mais poderoso da mecânica e da arquitectura, que cria com os meios mais simples as formas e os caminhos mais grandiosos e que também cria uma espécie de arquitectura móvel, mas sempre em virtude dessa arbitrariedade irracional, que jaz no fundo da natureza do artista. Parece que Anaxágoras aponta para Fídias e que, face à obra de arte prodigiosa que é o cosmos, brada como se se encontrasse perante o Parténon:

«O devir não é um fenómeno moral, é apenas um fenó-

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XIV

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XIV

Esta consideração já nos fez penetrar um pouco na doutrina de Anaxágoras. É ele quem levanta com toda a força duas objecções contra Parménides, uma acerca da mobilidade do pensamento e outra acerca da origem da aparência. No entanto, a proposição fundamental de Parménides continua a subjugá-lo, como também a todos os filósofos e, naturalmente, mais novos. Todos eles negam a possibilidade do devir e do parecer, no sentido que lhe dá o vulgo e que Anaximandro e Heraclito tinham admitido com mais profunda reflexão, embora ainda de maneira irreflectida. Esta génese mitológica a partir do nada, esta dissolução no nada, esta transformação arbitrária do nada em qualquer coisa, esta troca arbitrária, este tirar ou revestir de qualidades, passou a ser absurdo: mas do mesmo modo e pelas mesmas razões se considera absurda a génese do múltiplo a partir do uno, das qualidades múltiplas a partir de uma qualidade primordial, em suma, a derivação do mundo de uma matéria originária, à maneira de Tales ou de Heraclito. Agora é que estava posto o verdadeiro problema de transpor para este mundo presente a doutrina do ser alheia ao devir e imperecível, sem buscar um refúgio na teoria da aparência e da ilusão dos sentidos.

Mas se não se quer admitir que o mundo empírico é uma

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XIII

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De resto, também é possível objectar contra Parménides alguns argumentos ad hominem ou ex contessis que, embora não iluminassem a própria verdade, puseram pelo menos em evidência a falsidade da separação absoluta entre o mundo dos sentidos e o mundo dos conceitos, por um lado, e a identidade do ser e do pensamento, por outro lado.

Em primeiro lugar: se o pensamento conceptual da razão

é real, é preciso então que a pluralidade e o movimento também sejam reais, pois o pensamento racional é movimento, movimenta-se de conceito para conceito, portanto, no interior de uma multiplicidade de realidades. Não é possível escapar a esta afirmação, é completamente impossível dizer que o pensamento é uma rigidez fixa, um eterno pensar-se-a-si-mesmo imóvel da unidade. Em segundo lugar: se os sentidos só nos dão enganos e aparências e se, na verdade, só existe a identidade real do ser e do pensar, o que são então os sentidos? Em todo o caso, só podem ser aparência, pois não coincidem com o pensamento e o produto deles, o mundo sensível, não coincide com a aparência. Mas, se os próprios sentidos são aparência, para quem

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XII. Da filosofia académica ou cética

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Secção XIIDa filosofia académica ou céticaParte INão existe maior número de raciocínios filosóficos, exibidos 116 sobre qualquer assunto, do que os que provam a existência de uma Divindade e refutam as falácias dos ateus; e, no entanto, os filósofos mais religiosos discutem ainda se um homem pode ser tão cego que seja um ateu especulativo. Como reconciliaremos estas contradições? O cavaleiro andante, que ia à aventura para limpar o mundo dos dragões e gigantes, nunca alimentou a menor dúvida em relação à existência desses monstros.O Cético é outro inimigo da religião, que naturalmente provoca a indignação de todos os teólogos e filósofos mais meditabundos, embora seja certo que ninguém encontrou alguma vez uma tal absurda criatura, ou conversou com um homem que não tivesse nenhuma opinião ou princípio relativo a qualquer assunto, quer de ação ou de especulação. Isto gera uma questão muito natural: o que é que significa ser um cético? E até que ponto é possível instigar os princípios filosóficos da dúvida e da incerteza?

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XII

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XII

O outro conceito de conteúdo, mais amplo do que o de ser, igualmente inventado por Parménides, embora usado por ele com menos habilidade do que pelo seu discípulo Zenão, é o de infinito. Nada pode existir de infinito, pois, de acordo com essa hipótese, obter-se-ia o conceito contraditório de uma infinidade completa. E uma vez que a nossa realidade, o nosso mundo presente, tem em todo o lado o carácter dessa infinidade realizada, significa por sua própria natureza uma contradição face à lógica.

Por conseguinte, também uma contradição perante o real, e é uma ilusão, uma mentira, um fantasma. Zenão usava sobretudo o método da demonstração indirecta. Por exemplo, dizia: «Não pode haver movimento de um lugar para o outro, porque, se tal movimento existisse, estaria dada uma infinidade realizada. Ora, isso é impossível». Na corrida, Aquiles não pode apanhar a tartaruga que tem um pequeno avanço em relação a ele, pois, só para chegar ao ponto de que parte a tartaruga, teria de ter percorrido já espaços inúmeros, em número infinito: primeiro, metade desse espaço, depois, um quarto, depois, um oitavo, depois, um e dezasseis avos, e assim por diante in infinitum. Se ele, de facto, apanha a tartaruga, trata-se de um fenómeno ilógico e, portanto, não de uma verdade, de uma realidade,

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XI. De uma providência particulare de um estado futuro

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Secção XIDe uma providência particular e de um estado futuroUltimamente, conversei muito com um amigo que gosta de 102 paradoxos céticos; embora ele apresentasse muitos princípios que de nenhum modo posso aprovar, contudo, como parecem curiosos e têm alguma relação com a cadeia de raciocínio desenvolvida ao longo desta investigação, reproduzi-los-ei aqui de memória tão exatamente quanto me for possível, a fim de os submeter ao juízo do leitor.A nossa conversa começou por eu admirar a singular boa fortuna da filosofia, que, visto ela exigir a plena liberdade acima de todos os outros privilégios e prosperar sobretudo em virtude da livre oposição de sentimentos e da argumentação, teve o seu primeiro nascimento numa época e num país de liberdade e tolerância, e nunca foi coartada, mesmo nos seus princípios mais extravagantes, por quaisquer credos, concessões ou estatutos penais. Excetuando o desterro de Protágoras e a morte deSócrates, e este último evento brotou em parte de outros motivos, dificilmente se nos deparam na história antiga quaisquer casos de despeito fanático, com que tão pejada está a época presente. Epicuro viveu em Atenas até uma idade avançada, na paz e na tranquilidade; aos epicuristas(1) permitiu-se mesmo receber a função sacerdotal e oficiar no altar, nos mais sagrados

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XI

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E foi um Grego, cuja floração coincide aproximadamente como o início da Revolução jónica. Nessa altura, era possível a um Grego escapar à riqueza luxuriante da realidade como a um simples esquematismo ilusionista da imaginação e refugiar-se, – não, como Platão, no país das ideias eternas, na oficina do demiurgo do universo para apascentar os olhos entre as formas primordiais das coisas, imaculadas e indestrutíveis – mas na paz cadavérica e rígida do conceito mais frio e menos expressivo de todos, o ser. Queremos guardar-nos de interpretar um facto tão notável segundo analogias falsas. Esta fuga não era uma fuga do mundo, no sentido dos filósofos indianos; o que a provocava não era a convicção religiosa profunda da corrupção, da inconsistência e da infelicidade da existência; esse fim supremo, o repouso no ser, não era buscado como a absorção mística numa representação totalmente auto-suficiente e arrebatadora, que é um enigma e um escândalo para o homem comum. O pensamento de Parménides nada tem do perfume embriagador e sombrio do pensamento hindu, que talvez não seja completamente imperceptível em Pitágoras e em Empédocles: o que nessa época mais surpreende neste facto é, sobretudo, o pensamento sem perfume, sem cor, sem alma e sem forma, a ausência

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X. Dos milagres

David Hume Grupo Almedina PDF Criptografado

Secção XDos milagresParte IExiste, nos escritos do Dr. Tillotson, um argumento contra 86 a presença real que é tão conciso, elegante e forte como talvez se pode supor qualquer argumento contra uma doutrina que tão pouco digna é de uma séria refutação. Sabe-se de todos os lados, diz o erudito prelado, que a autoridade, da escritura ou da tradição, se funda simplesmente no testemunho dos apóstolos, que foram testemunhas oculares dos milagres do nosso Salvador, pelos quais Ele demonstrou a sua divina missão. Portanto, a nossa evidência a favor da verdade da religião cristã é menor do que a evidência em prol da verdade dos nossos sentidos, porque, mesmo nos primeiros autores da nossa religião, ela não era maior; e é óbvio que deve diminuir ao passar deles para os seus discípulos; ninguém pode basear uma tal confiança no seu testemunho como no objeto imediato dos seus sentidos. Mas, uma evidência mais fraca nunca pode destruir uma mais forte; por conseguinte, se a doutrina da presença real estivesse tão claramente revelada na Escritura, seria diretamente contrária às regras do justo raciocínio dar-lhe o nosso assentimento. Contradiz os sentidos, embora tanto a Escritura como a tradição, sobre as quais supostamente se edifica, não tragam consigo tanta evidência como os sentidos, ao considerarem-se meramente como provas externas, e não serem mostradas claramente ao coração de cada um, pela ação imediata do Espírito Santo.

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X

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Mas ninguém se agarra impunemente a abstracções tão terríveis como o «ser» e o «não-ser»; o sangue coagula gradualmente, quando se lhes toca. Houve um dia em que

Parménides teve uma ideia singular que parecia tirar o valor a todas as suas combinações anteriores, de maneira que teve o prazer de as deitar fora como um saco cheio de moedas velhas e usadas. Admire-se habitualmente que também uma impressão exterior, e não apenas a lógica intrínseca de conceitos como o «ser» e o «não-ser», contribuísse para a invenção desse dia, a familiaridade com a teologia do velho rapsodo errante, cantor de uma divinização mística da natureza, Xenófanes de Cólofon. Xenófanes levou uma vida extraordinária como poeta itinerante e tornou-se, graças às suas viagens, um homem muito sábio e erudito, que tanto sabia fazer perguntas como contar histórias; por esta razão, Heraclito incluía-o entre os poli-historios e, em geral, entre as naturezas «históricas», no sentido definido já mencionado. De onde e quando lhe veio a tendência mística para o Uno e para o eternamente

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Weber

MARCONDES, Danilo Zahar PDF Criptografado

Weber

O

pensador alemão Max Weber (1864-1920) foi um dos fundadores das ciências sociais contemporâneas. Suas obras representam uma importante contribuição ao pensamento político e econômico, à história e à filosofia, sobretudo à ética, sendo o clássico A ética protestante e o espírito do capita­lismo (1905) provavelmente seu livro mais conhecido neste campo.

Um dos temas centrais da análise sociológica e política de Weber é pre­cisamente a questão dos limites da responsabilidade moral, derivado de seu interesse pela influência do protestantismo, sobretudo calvinista, na formação da sociedade e da cultura europeias desde o século XVI.

Em sua discussão sobre a formação da sociedade moderna, Weber examina a importância do cálculo racional na tomada de decisão, quando se avaliam os melhores meios de se alcançar um objetivo e se discute a eficiência como critério para a determinação dos resultados das ações sociais. A questão da contribuição do progresso técnico e científico à sociedade ocupa igualmente um lugar central na análise de Weber.

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VIII - Sentido e Fundamento do Ser Individual

Edith Stein Grupo Gen PDF Criptografado

VIII

Sentido e

Fundamento do

Ser Individual

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Quando discutimos sobre o ser pessoal do homem, tocamos, com frequência, em outra questão que já encontramos em outros contextos e que devemos es‑ clarecer agora se quisermos entender a essência do homem, seu lugar na ordem do mundo criado e sua relação com o ser divino; trata‑se da questão do “ser individual” (da individualidade) do homem, que so‑ mente se deixa tratar no contexto de uma explicação do ser individual.

§1

Coisa Individual, Individualidade e

Unidade (Ser Individual e Ser Uno)

Convém, primeiro, elaborar claramente o que se en‑ tende por ser individual, pois, o significado desse ter‑ mo não é totalmente claro. Por “indivíduo” (= ser individual) designa‑se ordinariamente o que Aristó‑ teles chamou τόδε τί (um “isso aí”): uma coisa que não se pode já nomear pelo nome (visto que todos os nomes têm um sentido geral), de maneira que somen‑ te se pode assinalar mostrando‑o com o dedo. Para expressar essa maneira de assinalar, Avicena escolheu o termo signare ou designare, tomado dele por santo

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