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Medium 9788530975753

Introdução

Manoel Motta Grupo Gen PDF Criptografado

Introdução

A questão do crime, a partir da teoria psicanalítica, pode introduzir uma nova perspectiva, renovando a clínica e indicando soluções inéditas para os impasses e problemas atuais do mal-estar na civilização. O crime, não apenas na sua relação com a lei e o simbólico, mas também com o gozo e o real, toca nos dilemas com os quais se depara o sujeito contemporâneo.

A psicanálise introduz na questão do crime um elemento novo: a decifração das motivações inconscientes, que orienta nosso trabalho. Porque a causalidade psíquica está no centro da investigação psicanalítica. Como eixo conceitual desta causalidade está o tríplice registro dos elementos da estrutura: real, simbólico e imaginário.

No entanto, a psicanálise não define personalidades criminosas, uma tipologia do criminoso. Ela não se situa numa classificação geral, mas na particularidade do caso clínico. Através da particularidade do caso, ela interroga o que em cada sujeito o leva a agir. Não há, assim, um criminoso nato nem pulsões criminosas de fundo biológico. Isto vai contra as tendências dos que querem detectar desde a infância quem são os criminosos natos.

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Medium 9788571109674

Aristóteles

MARCONDES, Danilo Zahar PDF Criptografado

Aristóteles

E

nquanto nos diálogos de Platão todas as grandes questões filosóficas se encontram bem encadeadas e passamos de uma discussão sobre a verda­de e o conhecimento para outras de natureza ética, como vimos no capítulo anterior, a filosofia de Aristóteles é de caráter mais sistemático e analítico, dividindo a experiência humana em três grandes áreas: o saber teórico, ou campo do conhecimento; o saber prático, ou campo da ação; e o saber criati­vo ou produtivo. Outra diferença que pode ser notada diz respeito ao tipo de texto que chegou até nós. Enquanto de Platão nos chegaram os diálogos, de

Aristóteles sobreviveram escritos que são basicamente notas de aula (embora ele tenha também produzido diálogos, perdidos já na Antiguidade). Isto faz com que os textos de Aristóteles tenham um estilo que parece mais árido.

No sistema de Aristóteles, a ética, juntamente com a política, pertence ao domínio do saber prático, que pode ser contrastado ao saber teórico. En­quanto no âmbito do saber teórico, que inclui a metafísica, a matemática e as ciências naturais, sobretudo a física, o objetivo é o conhecimento da realidade em suas leis e princípios mais gerais, no domínio do saber prático o intuito

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Medium 9788536309644

Capítulo 5 - Falantes, comunidades lingüísticas e histórias de uso

José Medina Grupo A PDF Criptografado

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Linguagem

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Falantes, comunidades lingüísticas e histórias de uso

5.1 IDIOSINCRASIAS E CONVENÇÕES

Como vimos, Davidson reduz a comunicação ao encontro de idioletos.

Mas, nesta visão, tudo é individual e idiossincrático? Há, afinal, algum aspecto social na comunicação? Podem as convenções lingüísticas ser o produto de interações entre idioletos, mesmo se eles não constituem a base daquelas? Como pode uma comunidade emergir de interações comunicativas? Nesta seção examinaremos como uma abordagem individualista, como a de

Davidson, responde estas questões e, então, contrastaremos essas respostas com aquelas que as abordagens sociais da comunicação oferecem.

Davidson (1986) argumenta que compartilhar convenções lingüísticas não é uma precondição para uma comunicação bem sucedida: não necessitamos compartilhar convenções semânticas ou sintáticas para nos comunicarmos com sucesso. Ele desenvolve um argumento para este fim em sua discussão de malapropismos ou malaprops,1 isto é, violações das propriedades de uso, que tipicamente envolvem erros de escolha de palavras, de grafia ou de pronúncia : por exemplo, “Vá na frente e nós o antecederemos”. O próprio título do artigo de Davidson, A nice derangement of epitaphs (1986), é uma instância desse fenômeno: ele diz respeito à forma idiossincrática com que a

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Medium 9789724420073

PRIMEIRA PARTE – A CIÊNCIA DA LÓGICA

Hegel, G. W. F. Grupo Almedina PDF Criptografado

PRIMEIRA PARTEA CIÊNCIA DA LÓGICANOÇÃO PRELIMINAR§ 19A lógica é a ciência da ideia pura, isto é, da Ideia no elemento abstrato do pensar.Desta como de outras determinações contidas na noção prévia vale o que se disse dos conceitos anteriormente propostos acerca da filosofia em geral: são determinações obtidas a partir da e após a sinopse do todo.Pode muito bem dizer-se que a lógica é a ciência do pensar, das suas determinações e leis, mas o pensar como tal constitui apenas a especificação geral ou o elemento, em que a Ideia é enquanto lógica. A Ideia é o pensar não como algo de formal, mas como a totalidade envolvente das suas determinações e leis peculiares, que ele a si mesmo se dá, as não tem já e em si encontra.A lógica é a ciência mais difícil; não tem que ver com intuições, nem sequer, como a geometria, com representações sensíveis abstratas, mas com abstrações puras, e exige uma força e o hábito de se retirar para o puro pensamento, o reter

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Medium 9788536325187

O estado capitalista

Iain Mackenzie Grupo A PDF Criptografado

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Iain Mackenzie

ços que definem o Estado, de acordo com Oakeshott (1991), são que ele está autorizado a reger o povo, tem o poder de assim se fazer investido no

“aparato de governo”, e as pessoas que são regidas estão obrigadas umas com as outras como cidadãs – isto é, estamos obrigados como membros da comunidade política, em vez de, por exemplo, como seguidores da mesma religião, ou membros da mesma tribo ou família. Deveríamos acrescentar que um dos traços que definem o Estado é que ele usa sua autoridade e poder no âmbito de um território como base na qual fundamente relações externas, ou o que comumente chamamos relações internacionais, com outros Estados. Na verdade, os Tratados de Vestfália, em 1684, que puseram fim à Guerra dos Trinta Anos, geralmente são concebidos como o momento histórico definidor de quando pela primeira vez se reconheceu que estava estabelecida uma Europa de Estados.

O que estas observações revelam é que o Estado tem duas faces: engloba o poder sobre as pessoas no seu território e expressa o poder do povo ao agir “em seu nome”. Embora não contraditório, como vimos no último capítulo, esse aspecto dual é digno de maior investigação. Na verdade, para muitos filósofos políticos, o entrelaçamento de poder que o Estado engloba é indicativo de correntes mais profundas de poder que estão operantes no âmbito das nossas relações sociais, econômicas, e mesmo de gênero. A fim de entender o Estado, precisamos perceber como o poder opera dentro e através do Estado. Uma das narrativas mais convincentes de onde reside o poder “real” do Estado encontra­‑se na obra de

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Medium 9788536309644

Capítulo 3 - Indeterminação eaprendizado de línguas: comunicação como o encontro de mentes

José Medina Grupo A PDF Criptografado

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Indeterminação e aprendizado de línguas: comunicação como o encontro de mentes

Na sua leitura cética das Investigações filosóficas, Kripke (1982) encontrou uma forte convergência entre os argumentos de Wittgenstein e de Quine, quanto à indeterminação do significado. Seguindo Kripke, muitos comentadores têm argumentado que, não obstante importantes diferenças de detalhe e orientação, os dois filósofos concordam quanto aos essenciais:1 os argumentos quanto à indeterminação, de acordo com Wittgenstein e Quine, dizem eles, dão suporte à mesma visão holística da linguagem e uma abordagem pragmática semelhante para a semântica. Neste capítulo, tentarei mostrar que as semelhanças de superfície entre os argumentos de Wittgenstein e

Quine escondem diferenças profundas, e que seus argumentos, em última análise, levam a visões de linguagem que são incompatíveis. Além de elucidar estas perspectivas influentes na indeterminação do significado, também argumentarei que os contextos da comunicação cotidiana sujeitam nossas interações lingüísticas a consideráveis restrições de tal forma que nossos significados podem adquirir certos graus de determinação, mesmo se alguns graus de indeterminação ainda subsistem. Por intermédio de restrições contextuais, os significados de nossas interações lingüísticas localizadas podem tornar-se contextualmente determinadas, isto é, determinadas o suficiente para que a troca de comunicação possa continuar com sucesso. A determinação contextual é alcançada quando os participantes em uma comunicação restringem o conjunto de interpretações semânticas admissíveis por um processo de negociação, no qual diferentes interpretações são tácita ou explicitamente rejeitadas. É importante distinguir entre esta forma de determinação obtida contextualmente, que só ocorre em graus, e a idéia de determinação

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Medium 9788536325187

O retorno do bom

Iain Mackenzie Grupo A PDF Criptografado

Política

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lidade. Das mulheres se diz que valorizam o cuidado. Talvez as mulheres estejam valorizando o cuidado porque os homens tem estimado as mulheres com base no cuidado que proporcionam. Das mulheres se diz que pensam em termos relacionais. Pode ser que as mulheres estejam pensando em termos relacionais, porque a existência social das mulheres é definida em relação aos homens. O idealismo liberal dessas obras se revela na maneira de como não levam a sério o suficiente a determinação social e as realidades do poder.

(MacKinnon, 1989: 51­‑2)

MacKinnon não vê a obra de Gilligan como maneira potencial de compreender ou de sequer vislumbrar como seria uma sociedade não patriarcal. Antes pelo contrário, percebe a obra de Gilligan como simplesmente ao espelho da construção acentuadamente patriarcal das mulheres que precisa, diz ela, ser superada. MacKinnon, na verdade, sustenta que a obra de Gilligan poderia ser um empecilho ao projeto da emancipação das mulheres por levá­‑las a confirmar a identidade que lhes foi construída pelos homens. Estamos confrontados com uma pronunciada dicotomia?

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Medium 9788530934699

PARTE DOIS - 9 - A FILOLOGIA ANAL

Julian Young Grupo Gen PDF Criptografado

A FILOLOGIA ANAL

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Nietzsche voltou a Basileia depois do serviço militar, no final de outubro de 1870, a tempo de começar a ensinar no período letivo do inverno. Ele estava sofrendo, como vimos, com os efeitos da disenteria, mas, também, com o transtorno de estresse póstraumático. Ele tinha problemas digestivos contínuos e dores de estômago; o estresse causava insônia, exaustão e depressão, que o atormentaram nos seis meses seguintes.

Além destes sintomas, ele tinha hemorroidas. O recomeço das aulas convenceu-o de que a tensão entre a profissão e a vocação, entre a filologia e a filosofia, agravava sua saúde. Isto o levou a escrever a Rohde que pretendia sair logo da universidade, a fim de criar uma “nova academia grega” associada ao projeto de Bayreuth.1No entanto, no final do ano, ele teve outra ideia: iria pleitear a cátedra de filosofia, vazia havia pouco tempo, e Rohde o substituiria no seu antigo cargo de professor de Filologia.

Em fevereiro de 1871, a saúde de Nietzsche agravou-se tanto que ele foi obrigado a pedir uma licença para tratamento de saúde e, acompanhado por Elizabeth, hospedou-se no Hotel due Parc em Lugarno durante seis semanas, a fim de recuperar-se.

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Medium 9788536325170

1. Momentos e conceitos formadores da história do feminismo

Tina Chanter Grupo A PDF Criptografado

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Momentos e conceitos formadores da história do feminismo

As teóricas feministas gastaram muita energia ao tentar combater as ideologias tradicionais de gênero e superar as afirmações naturalizantes acerca da inferioridade inata das mulheres em relação aos homens ou da irracionalidade feminina. Mesmo quando apontamos o papel limitador que isso tem desempenhado em alguns círculos, devemos também reconhecer que a distinção entre sexo e gênero tem servido bem ao movimento feminista. Ela desempenhou um papel fundamental no estabelecimento da paridade no trabalho, por exemplo. Uma vez posta de lado a ideia de que as mulheres são inatamente incapazes de raciocinar bem, ou a ideia de que naturalmente não estão prontas para os rigores da vida pública, fica logo claro que o que se põe no caminho do progresso das mulheres é a convenção, a tradição ou a opinião, mais do que a natureza, a biologia ou a fisiologia.

Os primeiros argumentos feministas enfocavam a injustiça do fato de as mulheres serem excluídas de algumas das atividades centrais, fundamentais para a humanidade – as atividades definidoras da identidade política moderna – às quais os homens pareciam estar destinados por alguma ordem natural. Tais atividades incluíam o direito de assumir um papel ativo na política, no governo e nas lideranças; o direito à representação política; o direito à educação; o direito à autodeterminação; o direito à propriedade legal e o direito de transmitir uma herança. Razoavelmente, então, o movimento feminista moderno começou como um movimento que tentava estabelecer a paridade com os homens.

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Medium 9788565848619

Capítulo 11 - As duas missões da escola

Philippe Perrenoud Grupo A PDF Criptografado

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As duas missões da escola

Na maioria dos países, há um único sistema educacional, apesar de várias escolas pertencerem ao setor privado. Nesse sistema, a escolarização é a mesma para todas as crianças até o final do primeiro ciclo do ensino fundamental, podendo haver uma orientação para diferentes programas no início do ensino médio ou, até mesmo, no final da escolaridade obrigatória. Nós nos esquecemos que, em várias partes do mundo, até o final do século XIX ou, em alguns países, até o início do século XX, conviviam dois sistemas educacionais, um destinado às crianças das classes populares, as quais saíam da escola na idade de 12 ou 14 anos com uma instrução elementar. O outro sistema, que preparava para o ensino superior, era destinado aos filhos da burguesia, que entravam na escola com 6 ou 7 anos para cursar uma escolaridade que os formava em ciências humanas, e os conduziria ao baccalauréat*. Para essas duas redes de escolarização, Baudelot e Establet (1971) propuseram a denominação “rede primário-profissional (PP)” e “rede secundário-superior (SS)”. A mobilidade entre essas redes era pouquíssima, até mesmo inexistente. Não havia concorrência, pois a primeira rede visava dar aos filhos das classes populares uma instrução mínima, para que eles pudessem entrar no mercado de trabalho aos 15 anos, ou antes, enquanto a segunda rede formava uma elite destinada a exercer as profissões mais qualificadas e a ocupar postos de poder na sociedade. A seleção

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Medium 9788536317175

2. Descoberta

Steven French Grupo A PDF Criptografado

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Steven French

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Descoberta

Quando as pessoas pensam nos cientistas, elas normalmente pensam em um homem (tipicamente) vestido com um jaleco branco; e quando pensam no que os cientistas fazem, elas geralmente os imaginam fazendo grandes descobertas, pelas quais poderiam receber o Prêmio Nobel. A descoberta – de algum fato, de alguma explicação para um fenômeno, de alguma teoria ou hipótese – é vista como estando no centro da prática científica. Desse modo, a questão fundamental que procuraremos responder neste capítulo é: como são descobertas as teorias, as hipóteses, enfim, os modelos científicos? Comecemos com uma resposta bastante comum e bem-conhecida.

A VISÃO COMUM: O MOMENTO EURECA

Nos quadrinhos, a criatividade é muitas vezes representada por uma lâmpada sobre a cabeça do herói. Supõe-se que represente o lampejo da inspiração. De modo semelhante, as descobertas científicas são geralmente caracterizadas como algo que ocorre de repente, em um dramático momento criativo da imaginação, um lampejo de visão ou uma experiência do tipo “aha!”.

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Medium 9788520431528

IV – Ética, Moral e Metaética

Paulo Ghiraldelli Jr. Manole PDF Criptografado

IV

Ética, Moral e Metaética

De volta às escolas de filosofia moral

Ética e moral

Ética e moral não são a mesma coisa. Ética diz respeito a costumes, hábitos e valores relativamente coletivos, assumidos por indivíduos de um grupo social, uma sociedade ou uma nação. Moral diz respeito a hábitos, costumes e valores assumidos por indivíduos de um grupo social, uma sociedade ou uma nação; todavia, o comportamento desenvolvido por tal assunção está diretamente relacionado à psique de cada um, à personalidade e também ao que chamaríamos de suas idiossincrasias.

As origens etimológicas de ética e moral são diferentes. Enquanto ética vem do grego ethos, moral origina-se do latim mores. Delimitam, respectivamente, comportamentos sociais universais e comportamentos sociais particulares. Em sociedades ocidentais modernas e liberais, nas quais há um recorte claro e razoavelmente bem definido das esferas pública e particular, a ética cai no primeiro campo e a moral, no segundo. Não se quer dizer, com isso, que, em uma sociedade moderna, ocidental e liberal, que faz recortes razoavelmente delimitados entre o que é a esfera pública e o que é a esfera privada, o que é do âmbito moral não possa vir a público, ou seja, não possa ser exposto a um público. Em várias situações notáveis,

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Medium 9788536317175

7. Realismo

Steven French Grupo A PDF Criptografado

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Steven French

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Realismo

INTRODUÇÃO

Então você descobriu a sua hipótese e a submeteu a testes rigorosos, levando em consideração tudo o que dissemos até aqui, e ela parece sustentarse em face de todas as evidências. Isso significa que o que ela diz sobre o mundo é verdadeiro? Isso significa que os objetos e processos dos quais ela fala de fato existem? A resposta óbvia seria dizer “sim, é claro” e, se você estiver inclinado a seguir esse caminho, então você é um “realista” de algum matiz.

Embora possa parecer a resposta mais óbvia, veremos que objeções podem ser levantadas a ela. Os que levantam tais objeções são conhecidos como

“antirrealistas” e, também como veremos em breve, eles vêm em diferentes formatos.

Assim, esta é a questão fundamental do presente capítulo: o que nos dizem as teorias científicas? Eis três respostas diferentes:

A1: elas nos dizem como o mundo é, tanto em seus aspectos observáveis quanto inobserváveis (realismo).

Esta é a resposta realista. Os realistas consideram as teorias como mais ou menos verdadeiras, e elas nos dizem como o mundo é: não somente como ele

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Medium 9789724420073

Prefácio à 1.ª edição

Hegel, G. W. F. Grupo Almedina PDF Criptografado

Prefácio à 1.ª ediçãoA necessidade de fornecer aos meus ouvintes um fio condutor para as minhas lições filosóficas é a primeira razão que me induz a publicar esta sinopse de todo o conjunto da filosofia mais cedo do que tinha pensado.A natureza de um compêndio exclui não só uma exposição exaustiva das ideias segundo o seu conteúdo, mas também restringe em particular a exposição da sua dedução sistemática, a qual deve conter o que outrora se entendia por demonstração e que é indispensável a uma filosofia científica. O título devia mostrar, em parte, o âmbito de um todo e, em parte, a intenção que temos de reservar os pormenores para o ensino oral.Num epítome, porém, espera-se mais apenas uma ordenação e disposição exteriormente conformes ao fim que se propõe, quando o conteúdo é já suposto e conhecido e cuja exposição se deve fazer com uma concisão intencional. A presente exposição não se encontra neste caso; propõe, antes, uma nova elaboração da filosofia segundo um método que, como espero, será reconhecido como o único, idêntico ao conteúdo, pelo que, se as circunstâncias me tivessem permitido, eu teria podido considerar mais vantajoso para o público fornecer-lhe primeiro um trabalho mais pormenorizado sobre as outras partes da filosofia, análogo

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Medium 9788536325187

Democracia e o calor da participação política

Iain Mackenzie Grupo A PDF Criptografado

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Iain Mackenzie

Afora isso, argumenta Platão, a democracia pode maximizar a liberdade dos súditos, mas, ao fazer assim, na verdade fortalece a tendência à formação de facções, sectarismo e tribalismo na política. As pessoas querem ser livres, mas querem elas realmente a discordância e o conflito que seguidamente resulta da livre expressão de ideias políticas? De acordo com

Platão, as pessoas preferem viver em segurança no seu lugarzinho, como parte de uma política que funciona, a ter liberdade pondo em risco a própria segurança. Caso isso pareça ser condescendente, convém verificar se Platão tinha razão a esse respeito em vista da recente legislação de segurança que resultou da “guerra ao terrorismo” (por exemplo, a legislação que permite detenção prolongada dos “suspeitos de terrorismo” e o uso incrementado de técnicas de vigilância). A democracia e a liberdade estão intimamente conectadas, mas só a liberdade não justifica a democracia: a liberdade é um valor que nós poderíamos (deveríamos?) sacrificar prontamente por amor a uma ordem política (não democrática). No entanto, continua Platão, as liberdades democráticas não só conduzem ao tribalismo: também aumentam a tendência à permissividade. A livre expressão, acentuava ele, muitas vezes toma a forma de licenciosidade, seja na forma de sexo, drogas ou poesia (o rock and roll de Platão)! Para Platão, essa liberdade é ilusória, atolada como está na rotina de perseguir prazeres imediatos. Em termos mais fundamentais, porém, esses usos da liberdade simplesmente acentuam a fragmentação social causada pelo tribalismo democrático.

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