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A formação do mundo ocidental

MARCONDES, Danilo Zahar PDF Criptografado

A Formação do Mundo Ocidental

1

UMA CARACTERIZAÇÃO DA FILOSOFIA MEDIEVAL

A filosofia medieval corresponde ao longo período histórico que vai do final do helenismo (sécs. IV-V) até o Renascimento e o início do pensamento moderno (final do séc. XV e séc. XVI), aproximadamente dez séculos, portanto. Na verdade, contudo, a maior parte da produção filosófica da Idade Média, o que realmente conhecemos como “filosofia medieval”, está concentrada entre os sécs. XII e XIV, período do surgimento e desenvolvimento da escolástica.

Durante muito tempo a Idade Média foi conhecida como a “Idade das Trevas”, um período de obscurantismo e ideias retrógradas, marcado pelo atraso econômico e político do feudalismo, pelas guerras religiosas, pela “peste negra” e pelo monopólio restritivo da Igreja nos campos da educação e da cultura. Entretanto, a arte gótica com suas catedrais, a poesia lírica dos trovadores e a obra de filósofos de grande originalidade como Pedro Abelardo, são Tomás de Aquino e Guilherme de Ockham, mostram o quão errônea é esta imagem.

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Medium 9788530966058

CAPÍTULO I: Do saber ao conhecimento

MAFFESOLI, Michel Grupo Gen PDF Criptografado

Capítulo 1

DO SABER

AO

CONHECIMENTO

A erudição por cima

é o fardo, por baixo é o pedestal.

Jules Barbey d’Aurevilly

O DESVELAMENTO ADOGMÁTICO

As raízes profundas de todo viver-junto são essencialmente religiosas. Foi a partilha dos mistérios sagrados que fortaleceu, durante longo período, o homem como “animal político” e garantiu a permanência do elo social. As formas assumidas por este são, com certeza, variáveis; a dimensão transcendente, esta é constante.

Foi o que pôde autorizar um autor com o espírito tão agudo como Karl Marx a dizer que a “política era a forma profana da religião”. O que, como bom conhecedor da coisa pública, Carl Schmitt não deixa de reconhecer quando declara, à sua maneira, que todas as categorias analíticas são de origem teológica.1

1

Cf. K. Marx, La Question juive (1843). UGE, coll. 10/18, 1968; e C.

Schmitt, Théologie politique (1922). Gallimard, 1988.

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Medium 9788530934699

PARTE DOIS - 6 - BASILEIA

YOUNG, Julian Grupo Gen PDF Criptografado

BASILEIA

6

Basileia em 1870

Nietzsche chegou à estação de trem de Basileia em 19 de abril de 1869 para assumir seu novo cargo na universidade. A cidade que o recebeu estava em um processo lento, e de alguma forma relutante, de abrir-se ao mundo moderno com a demolição da muralha medieval. Em 1844 a cidade construiu um portão que permitiu a conexão ferroviária com Estraburgo, a primeira linha ferroviária da Suíça. Porém, fechavam-no à noite por decisão do conselho administrativo da cidade, a fim de que os cidadãos não fossem incomodados pela vibração do movimento dos trens e, assim, que “pudessem dormir o sono dos justos”. Mais tarde, construíram mais portões ao longo dos 20 anos seguintes para proporcionar mais conexões ferroviárias, mas continuavam fechados à noite e eram controlados pela polícia durante o dia.

Entretanto, mesmo diante dos protestos dos pequenos negociantes que temiam que uma cidade aberta arruinasse seus negócios, a demolição total da muralha começou e só três portões foram preservados como monumentos medievais.

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Medium 9788530934699

PARTE TRÊS - 27 - O FIM

YOUNG, Julian Grupo Gen PDF Criptografado

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O FIM

A Clínica na Basileia

Em 11 de janeiro de 1889, Franz Overbeck informou ao outro único contato remanescente de Nietzsche, Heinrich Köselitz, que internara Nietzsche, ou para ser mais exato internei um fantasma, que só um amigo reconheceria, em uma clínica psiquiátrica na Basileia. Ele sofre de ilusões de grandeza infinita, mas também de outros delírios, e seu estado mental não tem esperança de recuperação. Eu nunca tive uma visão tão terrível de destruição.1

Ele entregou o amigo aos cuidados do Dr. Ludwig Wille, a quem Nietzsche reconheceu imediatamente. “Acho que já nos encontramos”, disse a Wille com a dignidade civilizada de um professor da Basileia, “porém, sinto muito ter esquecido seu nome. Você poderia...” “Wille, meu nome é Wille”, respondeu o médico. “Ah, sim, Wille”, concordou Nietzsche. “Você é psiquiatra. Há alguns anos tivemos uma conversa sobre a insanidade religiosa.”2 Embora sua lembrança estivesse correta,

Nietzsche não tinha a menor ideia de quem ele era nem o motivo de não saber.

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Medium 9788520433430

3. Proposta de leitura do Za como ensinamento da superação

José Nicolao Julião Manole PDF Criptografado

capítulo 3

proposta de leitura do

Za como ensinamento da superação

Apresentação

A hipótese interpretativa que desenvolvemos neste estudo é a de que o ensinamento da superação (die

Überwindung) se constitui como o principal tema abordado por Nietzsche em sua obra Za. O conceito de superação, segundo a nossa interpretação, é seu leitmotiv, ou seja, a dinâmica que impulsiona tanto a sua “ação dramática”1 do “tornar-se o que se é”,2 como a elaboração

1 Utilizamo-nos aqui da expressão de Lampert, L., Nietzsche’s

Teaching, 1986.

2 “Wie man wird, was man ist”. Essa famosa máxima de Píndaro

(Pítias, II, 72), que tanto inspirou os poetas Goethe e Hölderlin, serviu a Nietzsche como subtítulo para a sua autobiografia EH; ela aparece, também, de forma variada no aforismo 270 de FW – “Du sollst der werden, der du bist” (Deves tornar-te aquilo que és); no aforismo 335 de FW – “Wir aber wollen Die werden, die wir sind”

(Mas nós queremos nos tornar aquilo que somos). No Za, nas seções “O convalescente” – “wer du bist und werden musst” (quem

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Medium 9788530958978

[30 = Z II 5, 83. Z II 7b. Z II 6b. Outono de 1884 – Início de 1885)

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm Grupo Gen PDF Criptografado

[30 = Z II 5, 83. Z II 7b. Z II 6b.

Outono de 1884 – Início de 1885]

30 (1)

Que a Europa produza logo um grande estadista e que aqueles que se encontram aí agora, na era mesquinha da miopia plebeia, sendo festejados, se revelem em sua pequenez.

30 (2)

Para a primeira parte: introduzir minha avaliação na lógica, por exemplo, hipótese contra certeza etc.

30 (3)

Onde posso me sentir em casa? Esse é o lugar que há mais tempo procuro, essa busca permaneceu a minha busca constante por uma terra natal.

Para que se apaixonar por línguas feias porque nossas mães as falavam? Por que guardar rancor do vizinho se há tão pouco em mim e nos meus pais para amar!

30 (4)

1. Zaratustra

2. O vidente

3. O primeiro rei

4. O segundo rei

5. O mais feio dos homens

6. O consciencioso

7. O bom europeu

8. O mendigo voluntário

9. O velho papa

10. O terrível mágico

30 (5)

Nem sempre é prejudicial a uma era, quando ela não reconhece o seu grande espírito e não tem olhos para o espantoso

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Medium 9788536325187

Intersubjetividade e a política do reconhecimento

Iain Mackenzie Grupo A PDF Criptografado

148

Iain Mackenzie

dos elementos que expressam necessidades humanas fundamentais e que poderia, portanto, enriquecer a nossa própria. Confrontando a questão de quais características do mundo poderiam garantir a base desse respeito igual, Taylor declara:

... no nível humano, poder­‑se­‑ia argumentar que é razoável supor que as culturas que têm proporcionado o horizonte de sentido para grande número de seres humanos, de caracteres e temperamentos distintos, ao longo de um largo período de tempo – que tenham, em outras palavras, articulado sua apreciação do bom, do santo, do admirável – com toda certeza terão alguma coisa que mereça nossa admiração e respeito, mesmo que seja acompanhada de muita coisa que precisamos reprovar e rejeitar. Talvez se possa dizer de outra maneira: seria extrema arrogância descartar a priori essa possibilidade. (1994: 72­‑3)

Reconhecer isso e cooperar com outros à base da fusão dos nossos horizontes culturais com os deles, de acordo com Taylor, é promover um diálogo verdadeiramente liberal com os outros, o qual corresponde às exigências da política contemporânea da identidade. Dito isso, parece acertado perguntar se a esperança de Taylor da fusão dos horizontes culturais é apenas isso, uma esperança, em vez de ser uma elaborada solução política de um problema central das democracias liberais. Pode ser que a descrição mais detalhada de Habermas do que exatamente está em jogo no diálogo possa sugerir um enfoque alternativo, ou complementar, que mesmo assim estabeleça com maior firmeza a esperança de Taylor.

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Medium 9788530981679

MEDICINA E ECONOMIA NACIONAL-SOCIALISTA

MODERNO, João Ricardo Grupo Gen PDF Criptografado

MEDICINA E ECONOMIA

NACIONAL-SOCIALISTA

A Darcy do Nascimento Moderno e Aleksander Henryk Laks, in memoriam, o primeiro por ter lutado na Itália contra o nazismo, e o segundo por ter sobrevivido a Auschwitz.

Hitler, desde a sua inscrição no Partido dos Trabalhadores Alemães

(Deutsche Arbeitpartei), em 1919, e principalmente ao assumir a presidência em 1920, quando muda o nome do partido para aquele pelo qual seria conhecido pela história, Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP, Nationalsozialistische

Deutsche Arbeiterpartei), sempre considerou que a política a ser implantada na Alemanha e na Grande Alemanha deveria ser uma política de “saúde pública” racial. Com efeito, diz ele: “não creiam que se possa combater uma doença sem matar o organismo que é a causa, sem destruir o bacilo. Não acreditem que se pode combater a tuberculose racial sem fazer com que o povo se livre do micróbio que é a causa da tuberculose racial. Enquanto não eliminarmos o agente causal, o judeu, de nosso seio, a influência nociva da judiaria não desaparecerá, e o envenenamento do povo continuará”.1

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Medium 9788530965747

6. Leonardo Prota e a filosofia francesa

MODERNO, João Ricardo Grupo Gen PDF Criptografado

LEONARDO PROTA E A FILOSOFIA

FRANCESA

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Alcance geral e justeza teórica da definição de filosofia nacional − Hegel e rastros hegelianos

A obra As Filosofias Nacionais e a Questão da Universalidade da Filosofia (Londrina: Editora UEL, 2000) pode ser traduzida como um esforço de solução de um quebra-cabeça que restava por ser enfrentado com a coragem e a perseverança demonstradas por Leonardo

Prota. Senão a solução, ao menos a indicação avançada em que as pesquisas do próprio autor serviriam como guia precursor para aqueles que teriam o trabalho do detalhamento histórico e teórico.

Para tal, seriam necessárias a sustentação teórica do termo filosofia nacional e a sua demonstração clara e distinta de maneira endógena, e a solução para as possíveis objeções relativas à universalidade da filosofia que poderia estar sendo questionada segundo uma visão primária ou bastante escolar do conceito de filosofia. Nesse sentido, a sustentação de uma filosofia nacional francesa dá-se a partir de uma premissa válida e teoricamente demonstrada segundo a qual é preciso identidade cultural fundada em um povo, uma nação, uma língua principal, uma história e uma constelação idiossincrática baseada em singularidades de interesses, desenvolvimentos e ênfases.

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Medium 9788520432594

3. Antígona, o espírito grego

Susana de Castro Manole PDF Criptografado

capítulo 3

Antígona, o espírito grego

Na obra dos três grandes tragediógrafos gregos,

Ésquilo, Sófocles e Eurípedes, há uma gradação na relação com o divino. Para Ésquilo, o herói sofre e é aniquilado porque cometeu uma falta ao tentar ultrapassar os limites que o separava dos deuses, devendo ele (ou seus descendentes diretos) expiar seu crime. Em suas peças, há uma clara separação entre os homens e os deuses, e os homens reconhecem essa separação. Já no caso de Eurípedes, a ideia de um destino ou uma expiação provocada pela ira de um deus já perdeu sua força. Seus personagens respiram um ar cético com relação à religião e os deuses surgem apenas no final, de maneira artificial e exterior (deux ex machina).

Em Sófocles, a situação é diferente. O trágico está no enigma que representa a fronteira entre o homem e o deus. Nele, a tragicidade significa a ausência e o afastamento dos deuses, que parecem não mais se importar com o destino dos mortais. O exemplo clássico é o de

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Medium 9788530965747

10. Gilperto da poesia

MODERNO, João Ricardo Grupo Gen PDF Criptografado

GILPERTO DA POESIA

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Nominais foi para mim um desafio e um exercício simultaneamente sentimental e intelectual de desenigmatização do poético. Foi Platão quem primeiro afirmou ser a poesia um enigma. Entretanto, foi Adorno quem mais elaborou a teoria do enigma da obra de arte.

Esta é um enigma à procura de corajosos decifradores estéticos. Desde o Platão do Sofista sabemos que naqueles tempos o termo “ctética” designava a arte de tomar da natureza aquilo que ela oferece – como a “arte da caça e da pesca” –, e o termo “poética” significava a arte da fabricação daquilo que falta à natureza – não tendo, pois, qualquer limitação à arte da palavra tal como a estética moderna lhe atribuiu. Nominais de certa forma exerce em sentido moderno a arte de fabricar o que falta na “natureza” da palavra na sociedade contemporânea. Principalmente brasileira.

Não há, portanto, filosofia da arte sem enfrentamento do desconhecido proporcionado pela obra de arte. A coragem é a condição prévia absoluta do exercício filosófico. Desde o Sócrates da cicuta que a filosofia não é uma atividade para covardes. Filosofar implica assumir riscos: os de natureza psicológica, econômica, política, cultural, social, entre outros, como os de vida, ou de morte, como querem os franceses. O enfrenta-

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Medium 9788536325187

Autoridade absoluta

Iain Mackenzie Grupo A PDF Criptografado

Política

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as fontes tradicionais da ordem política (moralidade, religião, poder do

Estado) e, na verdade, as pessoas começaram a rebelar­‑se e a derrubar as ordens estabelecidas que promovessem e sustentassem aquelas formas de ordem política. Visto que a derrocada das fontes tradicionais da ordem vinda de cima deixaram um abismo na vida social e política, facilmente preenchido com caos e anarquia, surgiram duas perguntas: a) como evitar a anarquia?; b) Como poderia estabelecer­‑se a ordem política sem retornar às fontes tradicionais desacreditadas que haviam provocado aqueles problemas?

Em suma, como ter ordem social e política sem tirania? Como estabelecer ordem, não “de cima,” mas “de baixo?” Em termos bem simples,

é este o problema que está no cerne do que hoje chamamos filosofia política liberal. O conceito que os liberais muitas vezes usam para reforçar a necessidade de ordem com a exigência de que venha “de cima,” é o de autoridade. Como liberais, obedecemos ao Estado não por estar fundamentado racionalmente e ser moralmente perfeito, não por incorporar a palavra de Deus, não por tender a usar a força contra nós, caso não o fizermos, mas porque nós autorizamos o Estado a nos dominar e a manter a ordem. O Estado, porém, está autorizado somente sob condição de proteger nossa liberdade, de forma que jamais voltemos a estar sujeitos aos regimes tirânicos da Europa feudal. Entretanto, como veremos neste capítulo, acertar o equilíbrio entre autoridade e liberdade não é questão

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Medium 9788565848039

Capítulo 4. Recepção e influência

Frank Lovett Grupo A PDF Criptografado

4

RECEPÇÃO E INFLUÊNCIA

4.1 UMA TEORIA DA JUSTIÇA COMO CLÁSSICO

Tendo sido obra publicada há menos de 50 anos, é muito cedo para avaliar a impor­ tância histórica de Uma teoria da justiça. Não obstante, sua influência como obra de teoria política e filosofia, mesmo em um tempo tão curto, tem sido surpreendente.

Assim, é razoavelmente seguro prever que o livro de Rawls virá a ser considerado como um dos poucos grandes clássicos filosóficos do século XX.

Isso não equivale a dizer que todos os teóricos políticos e filósofos concordam agora com Rawls, ou que há um consenso sobre os méritos de sua concepção da justiça como equidade. Longe disso, como veremos. Independentemente do resultado de tais debates e independentemente do fato de a concepção específica de justiça como equidade continuar ou não a receber apoio acadêmico significativo, há pelo menos três aspectos em que o livro de Rawls transformou decisivamente seu campo, praticamente garantindo seu status como clássico. O primeiro é que ele fez reviver a filosofia política (e até certo ponto a filosofia moral), retirando-a da relativa obscuridade, na metade do século XX. Na época em que Rawls começou sua obra, na década de 1950, a filosofia política havia se tornado uma disciplina moribunda. Uma teoria da justiça mudou completamente esse estado de coisas: é agora um campo muito respeitado de estudo, que conta com o interesse de milhares de acadêmicos. O segundo é que o livro terminou decisivamente com a hegemonia do utilitarismo sobre a filosofia moral e política. Embora o utilitarismo certamente mantenha um sério e respeitado – ainda que muito diminuído – número de seguidores, já não é mais a única possibilidade no horizonte. Não apenas as teorias contratualistas são agora consideradas uma alternativa viável; na esteira do sucesso inicial de Rawls, muitas novas teorias também surgiram.

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Medium 9788536309149

Capítulo 3 - Indeterminação eaprendizado de línguas: comunicação como o encontro de mentes

José Medina Grupo A PDF Criptografado

3

Indeterminação e aprendizado de línguas: comunicação como o encontro de mentes

Na sua leitura cética das Investigações filosóficas, Kripke (1982) encontrou uma forte convergência entre os argumentos de Wittgenstein e de Quine, quanto à indeterminação do significado. Seguindo Kripke, muitos comentadores têm argumentado que, não obstante importantes diferenças de detalhe e orientação, os dois filósofos concordam quanto aos essenciais:1 os argumentos quanto à indeterminação, de acordo com Wittgenstein e Quine, dizem eles, dão suporte à mesma visão holística da linguagem e uma abordagem pragmática semelhante para a semântica. Neste capítulo, tentarei mostrar que as semelhanças de superfície entre os argumentos de Wittgenstein e

Quine escondem diferenças profundas, e que seus argumentos, em última análise, levam a visões de linguagem que são incompatíveis. Além de elucidar estas perspectivas influentes na indeterminação do significado, também argumentarei que os contextos da comunicação cotidiana sujeitam nossas interações lingüísticas a consideráveis restrições de tal forma que nossos significados podem adquirir certos graus de determinação, mesmo se alguns graus de indeterminação ainda subsistem. Por intermédio de restrições contextuais, os significados de nossas interações lingüísticas localizadas podem tornar-se contextualmente determinadas, isto é, determinadas o suficiente para que a troca de comunicação possa continuar com sucesso. A determinação contextual é alcançada quando os participantes em uma comunicação restringem o conjunto de interpretações semânticas admissíveis por um processo de negociação, no qual diferentes interpretações são tácita ou explicitamente rejeitadas. É importante distinguir entre esta forma de determinação obtida contextualmente, que só ocorre em graus, e a idéia de determinação

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Medium 9788571109674

São Tomás de Aquino

MARCONDES, Danilo Zahar PDF Criptografado

São Tomás de Aquino

A

ética de são Tomás de Aquino (1224-74) toma como ponto de partida a

ética aristotélica (ver p.37-49 deste livro), interpretando-a à luz da dou­trina cristã, assim como santo Agostinho havia feito em relação ao platonismo quase 800 anos antes. Com efeito, são Tomás foi o principal responsável, em sua época, por mostrar que a filosofia de Aristóteles era compatível com o cristianismo. Abriu, assim, caminho para a legitimação da leitura de Aristóte­les ao final do séc. XIII, leitura essa que, em suas várias vertentes, perdurou até o final do pensamento medieval, no séc. XV, e encontrou seguidores ainda durante o período moderno dentre os escolásticos, sobretudo em relação a questões éticas. A Contrarreforma elege são Tomás como representante da ortodoxia católica, de modo que sua obra terá grande importância para o pensamento moderno, embora muitas vezes identificada, ainda que errone­ amente, com uma visão tradicionalista de filosofia e teologia.

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