379 capítulos
  Título Autor Editora Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta
Medium 9788536325286

1. Filosofia como amor do destino

Haase, Ullrich Grupo A PDF Criptografado

1

Filosofia como amor do destino

Seus educadores não podem ser nada além de seus libertadores. E esse

é o segredo de toda educação (...) ela é uma libertação, um retirar todas as ervas daninhas, detritos e vermes que ameaçam saborear as tenras sementes das plantas; ela é emanação de luz e calor, queda amorosa de chuva à noite, ela é emulação e adoração da natureza. (1/341)

O que é a filosofia? Podemos simplesmente presumir que a tarefa da filo­ sofia é representar o verdadeiro estado de coisas do mundo por meio de juízos afirmativos, positivos. Eles são positivos à medida que se diz o que uma coisa

é, em vez de se dizer o que uma coisa não é, e eles são afirmativos dado que silenciosamente se acrescenta que se acredita em sua verdade. Assim, quando alguém diz, por exemplo, “[eu creio que] a água ferve a 100º Celsius”, está dizendo com isso algo de verdadeiro acerca da água. Embora estender uma tal concepção a todas as várias questões da filosofia, quer elas sejam de natureza moral, investiguem a natureza do conhecimento ou afirmem a existência de

Ver todos os capítulos
Medium 9788530935399

(20 = WII 10a. Verão de 1888)

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm Grupo Gen PDF Criptografado

(20 = WII 10a. Verão de 1888)

20 (1)

O silêncio descarado –

Cinco ouvidos – e nenhum som aí!

O mundo emudeceu...

Obedeci com os ouvidos à minha curiosidade

Cinco vezes joguei o anzol sobre minha cabeça,

Cinco vezes não fisguei nenhum peixe –

Perguntei – nenhuma resposta entre em minha rede –

20 (2)

Tu corres rápido demais:

Somente agora quando tu estás cansado,

Tua felicidade te busca.

20 (3) uma alma coberta de neve, que fala com um vento frio.

20 (4) um riacho cintilante e dançante, que uma cama torta de rochas prendeu: entre pedras pretas reluz e encanta sua impaciência.

20 (5)

Tome cuidado para não advertir o audaz!

Em virtude da advertência ele continua andando em todos os abismos.

20 (6)

Bem perseguido, mal apanhado

FRAGMENTOS PÓSTUMOS, 1887–1889 (Vol. VII)

20 (7) grandes homens e correntes andam curvados, curvados, mas rumo à sua meta: esta é sua melhor coragem, eles não temem os caminhos tortos.

Ver todos os capítulos
Medium 9788530954369

Capítulo 9 – A Harmonia Redescoberta

MAFFESOLI, Michel Grupo Gen PDF Criptografado

Capítulo

9

A Harmonia Redescoberta

On dirait que l’ancien monde finit et que le nouveau commence.

Dir-se-ia que o mundo antigo acaba e que o novo começa.

Chateaubriand

O INSTINTO ESTÉTICO

Em suas Souvenirs d’un Européen, Stefan Zwig observa como logo antes das tempestades da guerra se manifestava uma particular e forte intensidade: “cada indivíduo experimentava um crescimento de seu eu, ele era incorporado a uma massa, ele era o povo”.1 É essa incorporação em tal tribo, em tal comunidade que, em nossos dias, favorece um inegável aumento que se exprime em um familiar “eu curto”.

Elevação de um “eu” em “nós” que é, incontestavelmente, o coração pulsante de todas as manifestações do emocional pós-moderno.

1

Cit. In: C. Sauvat, Stefan Zweig. Paris: Gallimard, 2006. p. 112.

Homos_eroticos.indd 263

18/06/2014 18:06:14

264

v Homo Eroticus v Michel Maffesoli

Os fenômenos caritativos, as “indignações” políticas, as agregações festivas, as agitações esportivas, as peregrinações religiosas, eis quantas manifestações de uma intensidade societal que prefiguram a chegada de um novo paradigma ou, antes, que ilustram o que já está aí: uma vigorosa cultura do sentimento que se dedica a viver no presente.

Ver todos os capítulos
Medium 9788536325187

Pluralismo de valores

Iain Mackenzie Grupo A PDF Criptografado

86

Iain Mackenzie

cada parte – do indivíduo ou da cidade – cumprir seu papel em estabelecer a vida boa para o todo: a pessoa ou a polis.

Qual é a relação entre a forma da cadeira e a forma da justiça? Para

Platão, assim como os indivíduos e as cidades estão organizadas hierarquicamente, assim também, as formas: afinal, não faria sentido argumentar que a ideia de uma cadeira é igual à ideia da justiça. Assim sendo, não nos surpreende verificar que há uma forma no topo da hierarquia. Todas as formas, desde as de objetos até as de ideias como a da justiça, são essencialmente expressões da forma suprema “do Bem”: “contemplar o

Bem” é a missão suprema do filósofo em sua escalada à boca da caverna.

Isso é o que chamaremos agora a versão paradigmática do monismo do valor: a afirmação de que todos os valores se encaixam harmoniosamente e não conflitam um com o outro. Nesse caso, porque todos encontram seu lugar no âmbito de um ideal abrangente da vida boa. Uma sociedade verdadeiramente justa, portanto, é aquela em que todo mundo consegue realizar seu potencial e desenvolver seus talentos – como artesão, soldado ou governante, dependendo dos talentos de cada um – porque fazer assim vai vincular o indivíduo e a polis como uma única expressão harmoniosa da “vida boa.”

Ver todos os capítulos
Medium 9788530981679

NIETZSCHE E A VONTADE DE RACISMO

MODERNO, João Ricardo Grupo Gen PDF Criptografado

NIETZSCHE E A VONTADE DE RACISMO

“O homem é o animal monstruoso e superior; o homem superior é o homem inumano e sobre-humano, um depende do outro.”

Nietzsche,

Vontade de potência II, P.-A. 1887 (XVI, § 1027).

Nietzsche é um dos maiores desafios da filosofia contemporânea. Há várias filosofias em Nietzsche, e cada um seleciona a que mais lhe convém, omitindo as demais, ou mentindo sobre as outras. Norberto

Bobbio classifica-o como o pai do fascismo alemão de caráter subversivo e não conservador, o arquiteto do totalitarismo nacional-socialista avant la lettre, também chamado por alguns teóricos de nacional-bolchevismo, por intermédio de uma filosofia irracionalista que seduz até hoje os incautos. A propaganda de Hitler transformou Nietzsche no filósofo do nazismo,1 e é por essa razão que Heidegger dele se vale em seus livros em honra do nacional-socialismo. Hitler, Carl Schmitt, Heidegger,2 Alfred Rosenberg,3 Alfred Bäumler4 (responsável na

Alemanha pela reedição em 1930 dos livros Vontade de Potência I e II, de Nietzsche, assim como Heidegger o fará em 1936 e 1938) e Heinrich Härtle,5 entre outros grandes nomes do nazismo, jamais teriam podido, em maior ou menor grau, apropriarem-se das ideias racistas de Nietzsche para o regime se estas ideias não contivessem todos os

Ver todos os capítulos
Medium 9788530981679

PIO XII E O CATOLICISMO NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

MODERNO, João Ricardo Grupo Gen PDF Criptografado

PIO XII E O CATOLICISMO NA SEGUNDA

GUERRA MUNDIAL

Um dos maiores fenômenos da propaganda comunista no século

XX, com repercussão no século XXI, foi a orquestrada contra o anticomunista e antinazista Papa Pio XII, iniciada em 1963, cinco anos após a sua morte, rotulando-o como o papa de Hitler. O Estado de

Israel já declarou oficialmente há alguns anos que não há nenhuma acusação contra o Papa Pio XII e que tudo foi uma farsa montada. Como explicar essa gravíssima ofensa se todos os milhares de documentos dos arquivos públicos e secretos já abertos do Terceiro

Reich e do Eixo se refiram ao Papa Pio XII como o grande inimigo do nacional-socialismo pela defesa e salvação apaixonada da vida dos judeus? Como explicar também se igualmente todos os arquivos dos Aliados revelam das pequenas às grandes movimentações diplomáticas a ação extraordinária de Pio XII em salvar a vida de judeus? E mais, se todas as mais variadas organizações judaicas locais, regionais, nacionais, internacionais e mundiais com sede na Europa, nos EUA e demais países são unânimes em derramar milhares de agradecimentos à gigantesca fraternidade e humanidade de Pio XII?

Ver todos os capítulos
Medium 9788530963071

Capítulo 1 - Moral e Ciência dos Costumes

DURKHEIM, Émile Grupo Gen PDF Criptografado

Capítulo 1

Moral e ciência dos costumes

DEFINIÇÃO DO FATO MORAL (1893)1

I

/4/ Em geral, para saber se um preceito de conduta é ou não moral, confronta-se o mesmo com uma fórmula geral da moralidade que se estabeleceu an1

Extraído da “Introdução” da obra Da divisão do trabalho social, Alcan.

Essa parte do texto foi suprimida a partir da segunda edição do livro, em 1902. Na nota acrescentada à página desta edição, eis como

Durkheim evoca a eliminação dessa passagem, onde ele trata, entre outras coisas, da definição abstrata do valor moral: “Na primeira edição desse livro, desenvolvemos longamente as razões que provam, segundo nós, a esterilidade desse método. Acreditamos hoje poder ser mais breve. Há discussões que não é preciso prolongar indefinidamente.” Encontrar-se-á a seguir a passagem que precede o texto suprimido e que foi sempre reproduzido nas edições ulteriores à exceção da última meia frase: “... Nosso dever é de procurar tornar-se um ser acabado e completo, um todo que se basta a si mesmo, ou então, ao contrário, de ser apenas a parte de um todo, o órgão de um organismo? Em uma palavra, a divisão do trabalho, ao mesmo tempo que é uma lei da natureza, é também uma regra moral da conduta humana, e, se ela tem esse caráter, por que causas e em que medida? Não é necessário demonstrar a gravidade desse problema prático; porque, qualquer julgamento que se faça sobre a divisão do trabalho, todo mundo sente bem que é ela que se torna cada vez mais uma das bases fundamentais da ordem social; mas para resolvê-lo, como procederemos?”.

Ver todos os capítulos
Medium 9788530935399

(22 = W II 8b. Setembro-Outubro de 1888)

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm Grupo Gen PDF Criptografado

(22 = W II 8b. Setembro-Outubro de 1888)

22 (1)

Observação marginal sobre uma niaiserie anglaise. – “O que tu não queres que façam contigo, tu não deves fazer com os outros.” Isso é considerado uma sabedoria; isso é considerado uma astúcia; isso é considerado como fundamento da moral

– como “sentença dourada”. John Stuart Mill e tantos outros: quem não acredita nisso entre os ingleses... Mas a sentença não resiste ao mais simples ataque. O cálculo “não faça nada que não deve ser feito a ti mesmo” proíbe ações em virtude de suas consequências nocivas: o pensamento de fundo é o de que uma ação é sempre retribuída. Mas o que acontece, então, se alguém, com o “principe” na mão, dissesse que “precisamente tais ações seria preciso realizar para que outros não o façam antes de nós – para que coloquemos outros fora de condições de fazê-lo conosco? – Por outro lado: pensemos em um corso, para o qual sua honra ordena a vendetta. Ele também não deseja nenhuma bala de fuzil no corpo: mas a perspectiva de tal bala, a probabilidade de tal bala não o impede de satisfazer sua honra... E em todas as ações decentes não somos justamente intencionalmente indiferentes em relação a tudo aquilo que advém daí para nós? Evitar uma ação que teria consequências nocivas para nós – esta seria uma proibição para ações decentes em geral...

Ver todos os capítulos
Medium 9788530935399

(25 = W II 10b. W II 9d. MP XVI 5. MP XVII 8. D 25. W II 8c. Dezembro de 1888–Início de Janeiro de 1889)

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm Grupo Gen PDF Criptografado

(25 = W II 10b. W II 9d. MP XVI 5. MP XV II8. D 25. W II

8c. Dezembro de 1888–Início de Janeiro de 1889)

25 (1)

A grande política.

Trago a guerra. Não entre os povos: não tenho nenhuma palavra para expressar o meu desprezo pela maldita política de interesses das dinastias europeias, que faz da incitação ao egoísmo e

à autopujança dos povos uns contra os outros um princípio e mesmo quase um compromisso. Não entre classes. Pois não temos nenhuma classe superior, portanto tampouco temos uma inferior: o que se encontra hoje em cima na sociedade está fisiologicamente condenado e, além disso, o que é a prova desse fato, tão empobrecido em seus instintos, tão inseguro, que confessa sem escrúpulo ser o contraprincípio de uma espécie mais elevada de homem.

Trago a guerra através de todos os acasos absurdos de povo, classe, raça, profissão, educação, cultura: uma guerra como que entre o levante e o declínio, entre a vontade de vida e a busca de vingança em relação à vida, entre retidão e pérfida mendacidade... O fato de todas as “classes superiores” tomarem o partido da mentira não se encontra livremente à sua disposição – isto é o que elas precisam fazer: não se tem na mão o poder de afastar do corpo instintos ruins. – Nunca fica mais claro do que neste caso o quão pouco o que está em questão é o conceito de “vontade livre”: afirma-se o que se é, nega-se o que não se é... O número fala em favor dos “cristãos”: a vulgaridade do número... Depois de se ter tratado por dois mil anos a humanidade com um disparate fisiológico, a decadência, a contraditoriedade instintiva precisa ter se tornado preponderante. O fato de só há mais ou menos

Ver todos os capítulos
Medium 9788565848763

Capítulo 5 - Vestibular: traumatismos e enganos

Claudio de Moura Castro Grupo A PDF Criptografado

5

Vestibular: traumatismos e enganos

Por definir o futuro de boa parte da juventude, o vestibular é traumático, sendo visto como culpado de crimes abjetos. Em torno dele se criam mitos e fantasias. Os ensaios adiante tentam ver por meio do opaco véu de preconceitos e mal-entendidos.

As crendices no vestibular

Perpetuam-se equívocos no vestibular. Ano após ano, repetem-se as mesmas tolices. Uns querem acabar com ele, outros acreditam na sorte. É acusado de permitir a analfabetos entrar nos cursos superiores.

De tudo que se diz, só uma afirmativa é verdadeira: o vestibular introduz distorções no ensino médio.

Abaixo está uma coleção de afirmativas sobre os vestibulares e seus pecados. Quase todas não passam de rematadas tolices. O vestibular é um dos maiores focos de crendices e antipatias, por ser um ícone da meritocracia, tão avessa aos gostos tupiniquins. Vejamos outras.

“Vou acabar com o vestibular!”

Quantos ministros da Educação prometeram isso ao tomar posse? Tolice. Pode mudar de nome, mas, se há mais candidatos do que vagas, é pre-

Ver todos os capítulos
Medium 9788536325187

Cuidado e justiça

Iain Mackenzie Grupo A PDF Criptografado

100

Iain Mackenzie

damente que contratos legais e transações do mercado livre. Talvez tenhamos que tornar a inclinar a balança da justiça para o lado da igualdade.

Mas o que é isso exigiria se pensarmos em justiça para as mulheres?

Cuidado e justiça

As diferenças entre homens e mulheres que descrevo convergem para uma tendência das mulheres e dos homens a cometer diversos erros relacionais – os homens, de pensar que, se conhecem a si mesmos, segundo o dito de

Sócrates, também conhecerão as mulheres, e as mulheres, de pensar que, se conhecerem outros, chegarão a conhecer­‑se a si próprias. Dessa forma, homens e mulheres entram tacitamente em conluio para não expressar as experiências das mulheres e estabelecer relacionamentos em torno de um silêncio que é mantido pelos homens por não conhecerem sua desconexão das mulheres e pelas mulheres, por não conhecerem a dissociação de si próprias. Muita conversa sobre relacionamentos e sobre o amor oculta cuidadosamente essas verdades. (Gilligan, 1993: xx)

Ver todos os capítulos
Medium 9788520433430

Introdução

José Nicolao Julião Manole PDF Criptografado

introdução

Obra-prima da literatura alemã, Za 1 se inscreve numa dupla tradição, tanto filosófica quanto poética.

É bem verdade que Nietzsche recusou a atribuição de poesia ao Za tal como fez em EH ,2 para reivindicar à obra um estatuto ainda mais elevado do que as poesias

1 Para a citação da obra de Nietzsche, utilizamo-nos, sobretudo, da edição Kritische Studienausgabe, 1988. De agora em diante,

KSA, volume (V) seguido da numeração da passagem, somente para os póstumos. Para os textos editados como obra, citamos a seção ou aforismo conforme o caso. Utilizamo-nos da tradução de Rubens Torres Filho, em Obras incompletas, col. Os Pensadores,

1983. Por vezes fazemos uso da edição Werke Grossoktaveusgabe,

1920, sobretudo quando se trata de uma passagem consagrada e bastante referida. Foi de extrema importância para o trabalho a edição KGW – VI, 4 Nachberichts-Band zu also sprach Zarathustra,

1991, pois trata-se do material alternativo ao texto definitivo do

Ver todos os capítulos
Medium 9788520432594

Introdução

Susana de Castro Manole PDF Criptografado

introdução

Origem

A tragédia surge na Grécia, especificamente na Ática, no fim do século VI a.C. Nasceu do culto religioso a

Dionísio, deus do vinho e da fertilidade. Por ocasião da vindima (colheita da uva), celebrava-se a cada ano, em

Atenas e por toda Ática, a festa do vinho novo. Os participantes se embriagavam e começavam a cantar e dançar freneticamente ao som de címbalos, até caírem desfalecidos.

Como um culto religioso transformou-se em um acontecimento teatral? A explicação para a transformação do ritual em teatro, a metamorfose do culto agrário em espetáculo teatral, passa necessariamente pelas transformações sociais e políticas de Atenas, pela passagem de um domínio da nobreza agrária e heroica para o domínio do povo no Estado democrático. Como relata

Werner Jaeger (2010, p.270), a encenação das tragédias nasce no período de transição entre uma fase e outra, isto

introdução

Figura 1.  Dionísio (520-510 a.C.). Museu Arqueológico

Ver todos os capítulos
Medium 9788530934699

PARTE DOIS - 11 - VOCÊ GOSTA DE BRAHMS?

YOUNG, Julian Grupo Gen PDF Criptografado

VOCÊ GOSTA DE BRAHMS?

11

Nietzsche passou o Natal e o Ano-Novo de 1873-1874 em Naumburg. Apesar do tédio que lhe provocava “a ladainha usual”, ele estava entusiasmado como sempre pelos seus presentes de Natal e os descreveu em uma carta a Von Gersdorff com uma alegria pueril: entre outros, ele ganhou um álbum dourado para grandes fotografias, um porta-cartas de madeira com um desenho floral feito por Elizabeth, objetos de couro russo da Princesa Therese de Altenburg (antiga aluna de seu pai) e uma grande reprodução de Rafael.1De Naumburg ele fez uma viagem a Leipzig para verificar o processo de impressão da segunda Consideração Extemporânea com Fritzsch e a fim de visitar Ritschl, que o submeteu a um “discurso verborreico” referente à péssima poesia de Wagner, ao livro de Overbeck e à suposta conduta de Nietzsche pró-França2

(suposição baseada, provavelmente, em sua crítica à Alemanha bismarckiana).

De volta à Basileia no início de janeiro, ele teve os problemas intestinais e os enjoos costumeiros até o começo de abril. E sua vista não melhorara. Felizmente, seu aluno do ensino médio, Adolf Baumgarter, que lhe parecia talentoso e simpático,3 ofereceu seus serviços de escrevente. Filho de um industrial da Alsácia já falecido,

Ver todos os capítulos
Medium 9788536317175

8. Antirrealismo

Steven French Grupo A PDF Criptografado

8

Ciência

105

Antirrealismo

INTRODUÇÃO

No Capítulo 7, nós examinamos detalhadamente a visão realista da ciência. Ela considera que o objetivo da ciência é a verdade, não em um sentido esquisito, pós-moderno, mas no sentido de corresponder aos estados de coisas que estão “lá fora”, no mundo. E o argumento principal, alguns dirão “definitivo”, para essa visão é que o realismo é a única posição que não faz do sucesso da ciência um milagre. Esse é o “Argumento Sem Milagres” ou ASM. Em outras palavras, assim como as teorias são aceitas – a afirmação realista – porque constituem as melhores explicações dos fenômenos com os quais elas lidam, assim também o realismo é a melhor (de fato, a única) explicação do sucesso da ciência.

Vimos os problemas que essa posição enfrenta. Em primeiro lugar, aquele de mentalidade histórica dirá “Já vi essa história antes e não gosto dela”, registrando que, ao longo da história da ciência, teorias aparentemente bemsucedidas vieram e se foram; teorias que, estivessem os realistas presentes, aceitariam como verdadeiras, ou algo próximo disso, mas na medida em que elas foram posteriormente jogadas fora como falsas, por que acreditar que as nossas teorias atuais, não importando o quão impressionantemente bemsucedidas elas sejam, devam ser consideradas verdadeiras ou aproximadamente verdadeiras? Isso é conhecido como o problema da “MetaIndução Pessimista” ou MIP.

Ver todos os capítulos

Carregar mais