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Primeira parte

Charles De Second Montesquieu Grupo Almedina PDF Criptografado

Primeira parteLivro IDas leis em geralCapítulo IDas leis na sua relação com os vários seresNo seu significado mais amplo, as leis são as relações necessárias que derivam da natureza das coisas. E, nesse sentido, todos os seres têm as suas leis; a Divindade (1) tem as suas leis; o mundo material tem as suas leis; as inteligências superiores ao homem têm as suas leis; os animais têm as suas leis; o homem tem as suas leis (*).(1) A lei, diz Plutarco, é a rainha de todos, mortais e imortais. No tratadoQue é Necessário que um Príncipe Seja Sábio.(*) À primeira vista, o termo leis aqui empregue reflecte uma relação de causalidade entre determinante e efeito. Poder-se-ia dizer que se trata de «leis» no sentido físico do termo (embora digam respeito tanto ao mundo físico como humano), na medida em que o efeito não é menos do que uma consequência necessária de uma causa inteligível. A causalidade, neste sentido, seria a condição de inteligibilidade num mundo que não é governado pela «fortuna». Se porventura a diversidade do mundo humano, por aparentar o caos e a desordem, nos assombra é porque nos esquecemos que todos os «acidentes particulares» são arrastados pelo «andamento principal» (CGR, XVIII). Em qualquer caso, as leis da

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Capítulo 2 – Fundações

Michel Maffesoli Grupo Gen PDF Criptografado

Capítulo

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Fundações

Retremper le Gai-Savoir nouveau dans le vieux fond du peuple.1

Frédéric Mistral, Mes Origines, cap. XVIII, 1

ANC(IEN)-ÊTRE (ANTIGO-SER)/ANCÊTRES

(ANCESTRAIS)

A cada mudança de época corresponde uma mutação semântica. É por isso que é preciso encontrar as palavras, senão absolutamente exatas, pelo menos o menos possível falsas. Porque, assim como lembra o poeta: “As palavras que vão surgir sabem de nós o que nós ignoramos delas.”2

Essa notação de René Char não se pode persegui-la, destacando que é aprofundando as palavras, aprofundando com as palavras que se pode aceder a essas palavras fundadoras de todo viver-junto?

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Imergir o Alegre Saber novo na velha essência do povo.

R. Char, Ma feuille vineuse. In: Chants de la Balandrane. Pléiade,

1983. p. 534.

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v Homo Eroticus v Michel Maffesoli

Palavras de antiga memória que se enraízam profundamente na experiência humana. Palavras das quais convém lembrar o sentido esotérico, quando tende a prevalecer a tagarelice exotérica. O caminho de pensamento consiste, justamente, isto é, com justeza, em ajudar a emergência dessas palavras que vêm da vida, da experiência vivida. Dizê-las o mais belamente possível.

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Medium 9788536309637

Capítulo 3 - Razões morais em contexto

Dwight Furrow Grupo A PDF Criptografado

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Razões morais em contexto

No Capítulo 2, concluímos que não podemos encontrar na objetividade uma fundamentação adequada para o raciocínio moral. Se a objetividade não pode fundamentar o nosso raciocínio moral, o que pode? Neste capítulo, quero explorar a possibilidade de que a fundamentação para o raciocínio moral encontra-se em nossos relacionamentos. Nós descobrimos o que a moralidade requer de nós e fazemos julgamentos sobre que tipo de pessoa ser e justificamos nossas ações por meio de nossa capacidade de raciocinar dentro do contexto dos vários relacionamentos que compõem nossas vidas.

Mas que tipo de relacionamentos? Afinal de contas, a exploração e a opressão caracterizam alguns relacionamentos. Certamente, essas não são as fundamentações adequadas para o raciocínio moral.

Os tipos de relacionamentos que apresentam a base lógica mais plausível para as necessidades da ética são os relacionamentos de cuidado. Isto é porque, ao cuidar de pessoas, assim como de objetos, instituições, etc., expressamos mediante nossas ações, o que tem valor para nós, e a ética parece estar inextricavelmente ligada a valores.

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Capítulo 7 - A responsabilidade moral

Dwight Furrow Grupo A PDF Criptografado

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A responsabilidade moral

No Capítulo 1, vimos que o agir moral é dependente de nossa capacidade de ingressar em relacionamentos e de os sustentar. Este capítulo continua aquela análise mostrando que atribuições de responsabilidade moral são similarmente dependentes de relacionamentos.

Uma das características mais predominantes de nossa realidade social é a prática de elogiar ou repreender as pessoas por suas ações. Elogio e repreensão são atitudes reativas assim como ressentimento, raiva, admiração, gratidão e indignação. Elas são reações a algo que alguém fez. Ver pessoas (incluindo a si mesmo) como merecedoras de elogio e repreensão é atribuir responsabilidade moral a elas. Dizer que alguém é moralmente responsável por uma ação é dizer que ele merece elogio ou repreensão.

O conceito de responsabilidade moral não deve ser confundido com outros usos da palavra “responsável”. Frequentemente falamos de responsabilidade causal, como, por exemplo, em “O terremoto de ontem foi responsável pela queda do edifício”. O terremoto causou a queda, mas não foi moralmente responsável por ela, porque o terremoto não pretendeu provocar a queda. Terremotos não são o tipo de coisa que pode ter intenções. Como veremos a seguir, a responsabilidade causal relaciona-se com a responsabilidade moral, mas não é idêntica a ela, uma vez que algo pode ser causalmente responsável por um evento sem ser moralmente responsável.

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DO ESPÍRITO DAS LEIS

Charles De Second Montesquieu Grupo Almedina PDF Criptografado

DO ESPÍRITO DAS LEISOU DA RELAÇÃO QUE AS LEIS DEVEM TER COMA CONSTITUIÇÃO DE CADA GOVERNO,COM OS COSTUMES, COM O CLIMA, COM A RELIGIÃO,COM O COMÉRCIO, ETC.AO QUE O AUTOR ACRESCENTOUDAS NOVAS INVESTIGAÇÕES SOBRE AS LEIS ROMANASRESPEITANTES ÀS SUCESSÕES, SOBRE AS LEIS FRANCESASE SOBRE AS LEIS FEUDAIS (*)Prolem sine matre creatam.(*) O subtítulo ou a explanação do título não foi da autoria do próprio Montesquieu. Foi acrescentado por Jacob Vernet, o corrector genebrino das provas do manuscrito de Do Espírito das Leis, que lhe chamou «a adição explicativa do título».Sabemos que Montesquieu não ficou particularmente satisfeito com os erros e abusos da primeira edição, mas não se conhece qualquer protesto explícito pela introdução do subtítulo (N. T.).

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Medium 9788565848619

Capítulo 12 - Não abalar as relações de força

Philippe Perrenoud Grupo A PDF Criptografado

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Não abalar as relações de força

Ninguém quer que outros seres humanos morram de fome. Mas, quando chega o momento de fazer sacrifícios pessoais em benefício dos outros, todo mundo hesita e acaba encontrando boas razões para dizer “primeiro eu!”. Do mesmo modo, ninguém deseja que outros seres humanos sejam dependentes, submissos, explorados, dominados ou maltratados, exceto se houver conflito de interesses.

Ora, há conflito de interesses na área dos conhecimentos e das competências para a vida. Se os mais desprovidos adquirirem conhecimentos mais amplos, eles terão muito mais meios intelectuais para compreender as coisas que lhes acontecem e antecipá-las, para analisar os mecanismos que produzem a miséria, o desemprego, a justiça e a exclusão. Desta forma, as relações de força seriam menos desequilibradas, em escala mundial, no nível de cada sociedade global e, também, nas organizações, sobretudo nas empresas.

Houve uma época, como nos lembra Lelièvre (1990), em que se podia dizer, abertamente, “é bom que o povo seja ignorante”:

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A fusão dos horizontes

Iain Mackenzie Grupo A PDF Criptografado

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Iain Mackenzie

uma problemática perspectiva “branca”. A saída, postula ela, é “uma ética da diferença”, por ser essa a única maneira sensível ao contexto de aplicar a ideia de justiça. Nos termos de Flax: “um modelo homogêneo de domínio/opressão não consegue dar conta da constituição complicada e contraditória do gênero” (1995: 501). Os argumentos de Flax resumem muito bem a posição antiessencialista no âmbito do feminismo, e assim proporcionam uma (espécie de) resposta definitiva à interrogação norteadora deste capítulo: “Quem somos nós (mulheres)?” perguntam as feministas; “nós (mulheres) somos todas diferentes”, responde Flax.

Uma das questões que separa Okin e Flax mais acerbamente é o papel de “crítico distanciado” que Okin avoca como necessário em situações nas quais as mulheres chegaram a internalizar a opressão contra si. Para Okin, está claro que ser uma feminista branca, de classe média não representa um problema quando se trata de lutar contra práticas culturais que violam os direitos humanos básicos, tais como a mutilação de órgãos sexuais femininos. Mesmo que se encontre “distanciado” da prática cultural que se esteja criticando, sustenta Okin, ainda assim se pode asseverar, com toda razão, que essa é uma forma de abuso e opressão, devendo­‑se, portanto, como feminista, procurar intervir, por exemplo, protestando. Flax considera isso profundamente problemático. Para ela, a única posição justificável do crítico é interna. O crítico precisa entender completamente as questões e só o pode fazer estando por dentro do contexto cultural que esclarece a prática em si. Para Flax, é somente aí que a questão real vai emergir, em vez de permanecerem as questões potencialmente escondidas atrás de um letreiro proclamando a opressão universal do sexismo. Por baixo da questão de quem nós (mulheres) somos, está a questão de quem

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Medium 9789724421810

Prefácio

Immanuel Kant Grupo Almedina PDF Criptografado

/ Prefácio

Quando a palavra natureza se toma simplesmente no sentido formal, se bem que ela signifique o primeiro princípio interno de tudo o que é inerente à existência de uma coisa(*), pode haver tantas ciências da natureza quantas as coisas especificamente diversas que existem, cada uma das quais deve conter o seu peculiar princípio interno das determinações próprias do seu ser. Toma-se, porém, a natureza também em sentido material, não como uma maneira de ser, mas como o complexo de todas as coisas enquanto podem ser objetos dos nossos sentidos e, por conseguinte, também objetos da experiência; entende-se, pois, por essa palavra a totalidade de todos os fenómenos, ou seja, o mundo dos sentidos, com exclusão de todos os objetos não sensíveis.

(*)  A essência é o primeiro princípio interno de tudo o que pertence

à possibilidade de uma coisa. Pelo que às figuras geométricas (porque no seu conceito nada se pensa que exprima um ser) se pode atribuir apenas uma essência, mas não uma natureza.

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Medium 9788536323923

Capítulo 4. Crime e castigo

David Ingram Grupo A PDF Criptografado

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Crime e castigo

A maioria de nós tem uma boa compreensão do direito penal graças à ampla cobertura que a imprensa popular dá aos crimes. Malgrado nossa familiaridade com esse lado obscuro da vida, poucas pessoas tem uma ideia clara sobre o que distingue atos criminosos de outras formas de transgressões da lei ou outros delitos. No entanto, isto é certo: crimes são violações do direito que merecem punição porque causam um dano significativo para a sociedade. A desobediência civil é um caso anômalo por essa definição; embora seja punível (tal como o crime), é socialmente benéfica (ao contrário do crime). Os ilícitos tratados no direito privado, que examinaremos no próximo capítulo, não são criminosos, porque geralmente são considerados como menos danosos para a sociedade que os crimes. Prejuízos e quebras de contratos são infrações jurídicas, cujos danos são restritos a pessoas particulares e, portanto, são tratados como assuntos privados com os quais se lida melhor permitindo que as partes prejudicadas busquem compensações. Apenas quando esses delitos privados ameaçam a segurança pública – como no caso do roubo – eles se tornam também matéria de aplicação do direito penal.

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Medium 9788530957735

Capítulo VI - A esfera social: política, economia e justiça

Adriano Correia Grupo Gen PDF Criptografado

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A ESFERA SOCIAL: POLÍTICA, ECONOMIA

E JUSTIÇA

Não era mais possível desviar os olhos da miséria e da infelicidade da massa da humanidade no século XVIII em Paris ou no século XIX em Londres, onde Marx e Engels ponderaram as lições da Revolução Francesa, assim como não o é hoje em alguns países europeus, a maior parte dos da América Latina, e em quase todos os da Ásia e da África.1

Hannah Arendt

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annah Arendt tornou-se amplamente conhecida na cena acadêmica americana, europeia e depois mundial a partir da publicação do seu livro As origens do totalitarismo, em

1951, mas foi com A condição humana, publicada em 1958, que ela passou a ser reconhecida mais tarde como uma das mais vigorosas pensadoras políticas de nosso tempo. O que vincula suas duas principais obras, dentre outros aspectos significativos, é a constatação de que o enfraquecimento, o desaparecimento ou a perda de especificidade do espaço público redunda em uma debilitação do âmbito político ante os constantes ataques que lhe são desferidos, movidos pelo interesse por usurpá-lo ou por provocar o seu esfacelamento. O conceito de espaço público é fundamental à compre1

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Medium 9788530935399

(12 = W II 4. Início de 1888)

Nietzsche Grupo Gen PDF Criptografado

(12 = W II 4. Início de 1888)

12 (1)

Índice do primeiro livro

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Toda a história do desenvolvimento da filosofia até aqui como história do desenvolvimento da vontade de verdade

A preponderância temporária do sentimento de valor social concebível para produzir uma subestrutura

Crítica ao homem bom, não à hipocrisia dos bons...

Valor de Kant

Para a caracterização do gênio nacional

Estética

“Espiritualidade”, não meramente comandando e liderando

Formulação de Deus como ponto de culminação; retrocesso a partir dele

Música de Offenbach

Sacerdotes

Para a crítica à moral cristã do Novo Testamento

Todo tipo fortalecido de homem se encontrando no nível de um tipo inferior

Guerra contra o ideal cristão, não meramente contra o Deus cristão

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Medium 9789724415895

XII

Friedrich Nietzsche Grupo Almedina PDF Criptografado

A FILOSOFIA NA IDADE TRÁGICA DOS GREGOS

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XII

O outro conceito de conteúdo, mais amplo do que o de ser, igualmente inventado por Parménides, embora usado por ele com menos habilidade do que pelo seu discípulo Zenão, é o de infinito. Nada pode existir de infinito, pois, de acordo com essa hipótese, obter-se-ia o conceito contraditório de uma infinidade completa. E uma vez que a nossa realidade, o nosso mundo presente, tem em todo o lado o carácter dessa infinidade realizada, significa por sua própria natureza uma contradição face à lógica.

Por conseguinte, também uma contradição perante o real, e é uma ilusão, uma mentira, um fantasma. Zenão usava sobretudo o método da demonstração indirecta. Por exemplo, dizia: «Não pode haver movimento de um lugar para o outro, porque, se tal movimento existisse, estaria dada uma infinidade realizada. Ora, isso é impossível». Na corrida, Aquiles não pode apanhar a tartaruga que tem um pequeno avanço em relação a ele, pois, só para chegar ao ponto de que parte a tartaruga, teria de ter percorrido já espaços inúmeros, em número infinito: primeiro, metade desse espaço, depois, um quarto, depois, um oitavo, depois, um e dezasseis avos, e assim por diante in infinitum. Se ele, de facto, apanha a tartaruga, trata-se de um fenómeno ilógico e, portanto, não de uma verdade, de uma realidade,

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Medium 9789724416991

Da educação física

Immanuel Kant Grupo Almedina PDF Criptografado

Da educação físicaSendo certo que aqueles que se encarregam da educação enquanto preceptores não se ocupam das crianças tão cedo, de modo a poderem cuidar também da sua educação física, não deixa de ser útil saber tudo aquilo que se deve necessariamente observar na educação desde o seu início até ao seu termo.Mesmo que se lide, enquanto preceptor, apenas com crianças crescidas, pode muito bem acontecer que nasçam novas crianças na casa e, se aquele se conduziu bem, tem sempre pretensões a ser da confiança dos pais e de ser também consultado por estes sobre a educação física delas, dado que, além disso,é frequentemente a única pessoa com formação na casa. Daí que também sejam necessários a um preceptor conhecimentos daquela.Na realidade, a educação física consiste apenas em cuidados, ou dos pais ou de amas ou de aias. O alimento que a natureza determinou à criança é o leite materno. Que a criança sorva com ele as suas convicções, como se ouve dizer com frequência: já mamaste isso com o leite materno! é um mero preconceito. É mais benéfico à mãe e ao filho que a própria mãe amamente. É claro que, em casos extremos, haja excepções a isto, por motivos de doença. Há muito tempo, acreditava-se que o primeiro leite que se encontra na mãe depois do parto e29

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Medium 9788530934699

PARTE DOIS - 6 - BASILEIA

Julian Young Grupo Gen PDF Criptografado

BASILEIA

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Basileia em 1870

Nietzsche chegou à estação de trem de Basileia em 19 de abril de 1869 para assumir seu novo cargo na universidade. A cidade que o recebeu estava em um processo lento, e de alguma forma relutante, de abrir-se ao mundo moderno com a demolição da muralha medieval. Em 1844 a cidade construiu um portão que permitiu a conexão ferroviária com Estraburgo, a primeira linha ferroviária da Suíça. Porém, fechavam-no à noite por decisão do conselho administrativo da cidade, a fim de que os cidadãos não fossem incomodados pela vibração do movimento dos trens e, assim, que “pudessem dormir o sono dos justos”. Mais tarde, construíram mais portões ao longo dos 20 anos seguintes para proporcionar mais conexões ferroviárias, mas continuavam fechados à noite e eram controlados pela polícia durante o dia.

Entretanto, mesmo diante dos protestos dos pequenos negociantes que temiam que uma cidade aberta arruinasse seus negócios, a demolição total da muralha começou e só três portões foram preservados como monumentos medievais.

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Normas e variedades de filosofia política

Iain Mackenzie Grupo A PDF Criptografado

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Iain Mackenzie

por assim dizer. O liberalismo, para Foucault, acarretou a “governamentalização” de todas as nossas vidas, de tal forma que como indivíduos somos induzidos a nos governarmos continuamente (visto que a quantidade de pessoas que precisam ser governadas é tão imensa que o governo não consegue simplesmente impor sua vontade ao “povo.”) De acordo com

Foucault, portanto, regimes liberais são os que se definem não pelas liberdades que abrigam, mas antes pelo fato de instilarem nos indivíduos um senso de liberdade que age como mecanismo para disciplinar um populacho heterogêneo a governar a si próprio. Consequentemente, não há necessidade do aparato tradicional de governo para bem gerir um país.

Um exemplo famoso que ele apresentou desse processo em andamento é o uso crescente da vigilância na sociedade (Foucault, 1977).

Justifica­‑se a mesma em nome do direito à liberdade de movimento e pela necessidade de segurança; na verdade, porém, a vigilância nos leva a censurar nossa própria conduta para o caso de sermos “apanhados pela câmara.” Um indivíduo bem disciplinado, que tenha internalizado a necessidade de portar­‑se assim como deveria, não carece de forte ação do governo sobre si. Enquanto nós, indivíduos, vemos os direitos como meios de proteção, de acordo com Foucault, os mesmos representam parte de um complexo aparato social destinado a nos disciplinar a uma atividade humana “normal.” Por essa razão, o governo efetivo da nossa própria sociedade não está ocorrendo nem mediante a maquinaria do Estado, nem por meio de novos espaços institucionais conquistados desde os anos de

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