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Medium 9789724413372

Nota Bibliogáfica

Mirandola, Giovanni Pico Della Grupo Almedina PDF Criptografado

DISCURSO SOBRE A DIGNIDADE DO HOMEMXXXVNota BibliogáficaApresentamos uma breve bibliografia com a intenção de elucidar e orientar o leitor. Assim, referimos em primeiro lugar as principais obras de Giovanni Pico, seguidas das edições mais importantes da sua obra, assim como algumas traduções da Oratio.Quanto aos estudos, referenciamos os que foram essenciais para a elaboração deste trabalho, e que, simultaneamente, são fundamentais para uma compreensão do pensamento do nosso filósofo.OBRASDEGIOVANNI PICO DELLA MIRANDOLLAEpistola ad Hermolaum Barbarum;Commento alla canzone d’amore;Conclusiones sive Theses DCCCC;Oratio;Apologia;Heptaplus;De ente et uno;Disputationes adversus astrologiam divinatricem;Omnia opera, Basileia, 1557, 1572, 1601;Opera omnia. I. II. Introd. Cesare Vasoli, Hildesheim, G. Olms,1969, (reprodução anastática da ed. de Basileia, 1572).XXXVI

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Medium 9788536325187

O estado capitalista

Iain Mackenzie Grupo A PDF Criptografado

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Iain Mackenzie

ços que definem o Estado, de acordo com Oakeshott (1991), são que ele está autorizado a reger o povo, tem o poder de assim se fazer investido no

“aparato de governo”, e as pessoas que são regidas estão obrigadas umas com as outras como cidadãs – isto é, estamos obrigados como membros da comunidade política, em vez de, por exemplo, como seguidores da mesma religião, ou membros da mesma tribo ou família. Deveríamos acrescentar que um dos traços que definem o Estado é que ele usa sua autoridade e poder no âmbito de um território como base na qual fundamente relações externas, ou o que comumente chamamos relações internacionais, com outros Estados. Na verdade, os Tratados de Vestfália, em 1684, que puseram fim à Guerra dos Trinta Anos, geralmente são concebidos como o momento histórico definidor de quando pela primeira vez se reconheceu que estava estabelecida uma Europa de Estados.

O que estas observações revelam é que o Estado tem duas faces: engloba o poder sobre as pessoas no seu território e expressa o poder do povo ao agir “em seu nome”. Embora não contraditório, como vimos no último capítulo, esse aspecto dual é digno de maior investigação. Na verdade, para muitos filósofos políticos, o entrelaçamento de poder que o Estado engloba é indicativo de correntes mais profundas de poder que estão operantes no âmbito das nossas relações sociais, econômicas, e mesmo de gênero. A fim de entender o Estado, precisamos perceber como o poder opera dentro e através do Estado. Uma das narrativas mais convincentes de onde reside o poder “real” do Estado encontra­‑se na obra de

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Medium 9788571109674

Platão

MARCONDES, Danilo Zahar PDF Criptografado

Platão

P

latão (428-348 a.C.) é o primeiro grande filósofo grego a tematizar em sua obra as principais questões éticas que chegaram até nossos dias. Em seus diálogos iniciais, chamados “socráticos”, supõe-se que Platão está ainda sob a influência direta de seu mestre Sócrates (470-399 a.C.). Na maioria des­ses textos encontramos uma discussão entre Sócrates e personagens da vida ateniense, alguns históricos, outros fictícios, em torno de conceitos éticos como a amizade (Lisis), a virtude (Mênon), a coragem (Laques) e o sentimento religioso (Eutífron). Sócrates levanta as questões éticas fundamentais que a filosofia irá discutir, tais como o entendimento desses conceitos, os critérios para a sua aplicação em situações concretas com que nos defrontamos, nossa coerência na aplicação dessas ideias e as razões e argumentos a que devemos apelar para justificá-las. Se a ética depende de virtudes inerentes

à natureza humana ou se essas podem ser adquiridas ou ensinadas, como veremos no Mênon, são alguns dos problemas cruciais encontrados nos diálogos socráticos. Por outro lado, podemos dizer que o estilo aporético, ou inconclusivo, dos diálogos socráticos, faz com que não encontremos neles uma solução definitiva para esses problemas, ou tampouco definições para os conceitos éticos. Talvez a lição socrática esteja principalmente na importância do desenvolvimento de uma consciência moral, de uma atitu­de reflexiva e crítica que nos leve a adotar comportamentos mais éticos, e não na formulação de um saber sobre a ética e seus conceitos. É o que diz

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Medium 9788563899392

Capítulo 8 - Conceitos contestados, semelhanças de família e tradição

Hans-Johann Glock Grupo A PDF Criptografado

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Conceitos contestados, semelhanças de família e tradição

Concepções geolinguísticas, historiográficas, formais, materiais e “éticas” de filosofia analítica se mostraram todas deficientes.

Chegamos ao fim da linha? Certamente estamos diante de um impasse. Pode parecer que estamos forçados a concluir (com Preston,

2004) que a filosofia analítica não constitui um fenômeno distintivo. No mínimo, parece como se tivéssemos de concordar com Leiter, quando ele alega: “Não creio que alguém saiba o que é ‘filosofia analítica’” (2004b).

Felizmente, ainda não temos de jogar a toalha. Até aqui, consideramos tipos diferentes de definições analíticas de filosofia analítica, definições em termos de condições que são individualmente necessárias e, em conjunto, suficiente para serem parte da filosofia analítica. Mas existem conceitos legítimos que não permitem uma definição analítica. Com efeito, encontramos tais conceitos em nossa odisseia até aqui. Nem conceitos de semelhança de família que aparecem no ataque tardio, por Wittgenstein, de sua busca juvenil pela essência da linguagem

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Medium 9788536317175

8. Antirrealismo

Steven French Grupo A PDF Criptografado

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Ciência

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Antirrealismo

INTRODUÇÃO

No Capítulo 7, nós examinamos detalhadamente a visão realista da ciência. Ela considera que o objetivo da ciência é a verdade, não em um sentido esquisito, pós-moderno, mas no sentido de corresponder aos estados de coisas que estão “lá fora”, no mundo. E o argumento principal, alguns dirão “definitivo”, para essa visão é que o realismo é a única posição que não faz do sucesso da ciência um milagre. Esse é o “Argumento Sem Milagres” ou ASM. Em outras palavras, assim como as teorias são aceitas – a afirmação realista – porque constituem as melhores explicações dos fenômenos com os quais elas lidam, assim também o realismo é a melhor (de fato, a única) explicação do sucesso da ciência.

Vimos os problemas que essa posição enfrenta. Em primeiro lugar, aquele de mentalidade histórica dirá “Já vi essa história antes e não gosto dela”, registrando que, ao longo da história da ciência, teorias aparentemente bemsucedidas vieram e se foram; teorias que, estivessem os realistas presentes, aceitariam como verdadeiras, ou algo próximo disso, mas na medida em que elas foram posteriormente jogadas fora como falsas, por que acreditar que as nossas teorias atuais, não importando o quão impressionantemente bemsucedidas elas sejam, devam ser consideradas verdadeiras ou aproximadamente verdadeiras? Isso é conhecido como o problema da “MetaIndução Pessimista” ou MIP.

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Medium 9789724417134

2. A relação do valor de memória com o cultodos monumentos

Riegl, Alois Grupo Almedina PDF Criptografado

o culto moderno dos monumentosdo curso natural, regular, a que toda a obra humana está certa e infalivelmente sujeita. Os sinais de uma destruição violenta fazem que as ruínas de um castelo, mesmo proporcionalmente, pareçam menos apropriadas para evocar no espectador moderno uma pura disposição harmoniosa do valor de antiguidade; se recorremos a este exemplo, contudo, num passo anterior, para ilustrar o valor de antiguidade, tal só sucedeu porque, a partir das ruínas, um tal valor torna-se sonora e nitidamente perceptível, demasiado sonoro para proporcionar ao homem afectivamente impressionável moderno a redenção perfeita.2. A relação do valor de memória com o culto dos monumentosDistinguimos nos monumentos três valores de memória diferentes e temos agora de investigar que exigências ao culto dos monumentos resultam da índole de cada um destes valores individualmente. Seguidamente, cumpre considerar os restantes valores que um monumento pode oferecer ao homem moderno; enquanto valores de actualidade, podem contrapor-se em globo aos valores de passado ou de memória.

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Medium 9789896942700

Prefácio

Veblen, Thorstein Grupo Almedina PDF Criptografado

Prefácio

Este estudo tem por objetivo analisar o lugar e o valor da classe do lazer enquanto fator económico na vida moderna, mas revelou-se impraticável confinar a análise estritamente aos limites assim traçados. Houve, deste modo, a necessidade de considerar a origem e a linha de evolução da instituição, bem como as características da vida social que não são habitualmente classificadas como económicas.

Em alguns pontos, a análise parte de noções da teoria económica ou da generalização etnológica que podem ser pouco familiares. O capítulo de introdução explica a natureza destas premissas de modo a evitar, assim se espera, a obscuridade. Uma afirmação mais explícita da posição teórica subjacente encontra-se numa série de artigos publicada no Volume IV do American Journal of

Sociology, sobre «The Instinct of Workmanship and the

Irksomeness of Labour», «The Beginnings of Ownership» e «The Barbarian Status of Women». Mas a argumentação não repousa nestas generalizações — em parte novas — de tal forma que perdesse por completo o seu possível valor como artigo de teoria económica no caso de estas novas generalizações não terem, no entender do leitor, validade, por insuficiência de autoridade ou dados.

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Medium 9789724420080

Introdução

Marx, Karl Grupo Almedina PDF Criptografado

IntroduçãoEm livro anterior(1). o Dr. Rubel e eu apresentámos uma seleção de textos que procurava mostrar a natureza do pensamento sociológico de Marx e a sua relevância para a moderna sociologia. Muitos dos textos, especialmente os do período de 1843-1845, eram pouco conhecidos nos países de língua inglesa(2). A partir de então, os escritos de juventude de Marx foram objeto de intensa discussão, mas até agora não havia fácil acesso a traduções satisfatórias. No presente volume, no entanto, ofereço traduções de três das mais importantes obras de juventude: os dois ensaios A Questão Judaica e Contribuição para a Crítica da Filosofia do Direito de Hegel («Introdução»), que foram pela primeira vez publicados nos Anais franco-alemães(1844), e os Manuscritos Económico-Filosóficos (l844)(3).O mais amplo conhecimento dos escritos de juventude deMarx desempenhou importante papel, juntamente com as(1)  T. B. Bottomore e Maximilien Rubel, Karl Marx: Selected Writings in

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Medium 9788530934699

PARTE TRÊS - 19 - ZARATUSTRA

YOUNG, Julian Grupo Gen PDF Criptografado

ZARATUSTRA

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Refúgio em Rapallo

Como acontece com frequência, o sofrimento causado pelo caso Salomé propagouse pelo lugar onde os fatos aconteceram. Nietzsche não suportou mais ficar na Alemanha1 e, como disse a Overbeck, “fugiu” para a Itália.2 Instalou-se por fim, como vimos, em Rapallo no final de novembro de 1882, onde permaneceu até o final de fevereiro do ano seguinte. Ele hospedou-se em um albergue à beira-mar em frente a palmeiras, com preços baratos em razão de estar fora de temporada.

Como seria previsível, sua saúde que até então estava ótima deteriorou-se a um ponto jamais visto. Com crises prolongadas de vômito, dor de cabeça, dores nos olhos e insônia – ele só conseguia dormir com altas doses de hidrato de cloral3– mais uma vez ficou extremamente deprimido. As palavras da mãe que ele era uma

“desgraça ao túmulo do pai” o atormentavam e o pensamento tentador do “cano de uma pistola”4 lhe vinha sempre à mente. Só sua missão, o compromisso predominante com sua “tarefa principal”, evitou o adeus definitivo a uma “vida de um sofrimento extremo”.5

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Medium 9788571104051

A formação do mundo ocidental

MARCONDES, Danilo Zahar PDF Criptografado

A Formação do Mundo Ocidental

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UMA CARACTERIZAÇÃO DA FILOSOFIA MEDIEVAL

A filosofia medieval corresponde ao longo período histórico que vai do final do helenismo (sécs. IV-V) até o Renascimento e o início do pensamento moderno (final do séc. XV e séc. XVI), aproximadamente dez séculos, portanto. Na verdade, contudo, a maior parte da produção filosófica da Idade Média, o que realmente conhecemos como “filosofia medieval”, está concentrada entre os sécs. XII e XIV, período do surgimento e desenvolvimento da escolástica.

Durante muito tempo a Idade Média foi conhecida como a “Idade das Trevas”, um período de obscurantismo e ideias retrógradas, marcado pelo atraso econômico e político do feudalismo, pelas guerras religiosas, pela “peste negra” e pelo monopólio restritivo da Igreja nos campos da educação e da cultura. Entretanto, a arte gótica com suas catedrais, a poesia lírica dos trovadores e a obra de filósofos de grande originalidade como Pedro Abelardo, são Tomás de Aquino e Guilherme de Ockham, mostram o quão errônea é esta imagem.

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Medium 9788536309118

Capítulo 6 - Qualidades do caráter moral

Dwight Furrow Grupo A PDF Criptografado

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Ética

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Qualidades do caráter moral

Os capítulos precedentes deixam algumas questões fundamentais sem resposta. Quais processos cognitivos e emocionais usamos para fazer julgamentos morais confiáveis? O que quer dizer ser guiado por aquilo com que você se importa? Como devemos resolver conflitos entre obrigações, e entre obrigações e outras preocupações morais? Quais são as atividades decorrentes do cuidado? Uma vez que a obrigação constitui somente uma parte da moralidade, quais são as outras considerações específicas que desempenham um papel na reflexão moral?

Respostas a essas questões requererão a apresentação de uma abordagem do que significa ser uma boa pessoa. Essa questão nunca esteve longe de nossa discussão. Mas nós a temos discutido indiretamente, em parte devido ao fato de que grande parte da teoria moral tradicional a trata como uma questão secundária. O utilitarismo e a deontologia focalizam quais ações são certas e quais erradas. Eles definem uma boa pessoa como aquela que realiza ações corretas e evita as erradas, mas dirigem a sua atenção à definição do que seja uma ação correta. No entanto, a ética do cuidado começou a mudar esta discussão, porque ações corretas são definidas como ações que surgem de certos motivos, particularmente daqueles que demonstram cuidado. Assim, na ética do cuidado, a ideia de cuidar de uma pessoa é primordial e da qual se derivam as concepções de ações corretas ou erradas.

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Medium 9789724420080

SEGUNDO MANUSCRITO

Marx, Karl Grupo Almedina PDF Criptografado

Segundo manuscritoA relação da propriedade privada[XL]  ... constitui o juro do seu capital. O trabalhador é a manifestação subjetiva do facto de que o capital é o homem inteiramente perdido para si mesmo, assim como o capital é a manifestação objetiva do facto de que o trabalho é o homem totalmente perdido para si próprio. Contudo, o trabalhador tem a infelicidade de ser um capital vivo e, portanto, com necessidades, que em cada momento em que não trabalha perde os seus juros e, por conseguinte, a existência. Como capital, o valor do trabalhador varia de acordo com a procura e a oferta, e a sua existência física, a sua vida, foi e é considerada como uma oferta de mercadorias, semelhante a qualquer outra mercadoria.O trabalhador produz o capital, o capital produz o trabalhador. Assim, ele produz-se a si mesmo, e o homem enquanto trabalhador, enquanto mercadoria, constitui o produto de todo o processo. O homem não passa de simples trabalhador e, enquanto trabalhador, as suas qualidades humanas existem apenas para o capital, que lhe é estranho. Uma vez que o trabalho e o capital são mutuamente estranhos, relacionando-se apenas entre si de modo externo e acidental, este caráter estranho tem de se revelar na realidade. Logo que o capital – por ocorrência necessária ou voluntária – deixa de existir para o trabalhador, este cessa também de existir para si mesmo, não tem trabalho,

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Medium 9788530934699

PARTE DOIS - 8 - A GUERRA E SUAS CONSEQUÊNCIAS

YOUNG, Julian Grupo Gen PDF Criptografado

A GUERRA E SUAS CONSEQUÊNCIAS

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A elaboração de A Origem da Tragédia foi interrompida por um acontecimento mundial que causou efeitos profundos e permanentes no pensamento de Nietzsche.

Em meio a uma carta iniciada em 16 de julho de 1879, na qual contava a Rohde a boa impressão que causara à família Wagner durante sua visita a Tribschen em maio, ele soube a notícia:

Ouvi um temível estrondo de um trovão: a Guerra Franco-Prussiana foi declarada e nossa cultura desgastada desmorona-se com o terrível demônio em sua garganta...

Talvez estejamos no começo do fim. Que devastação! Mais uma vez precisaremos de mosteiros. E seremos os primeiros frades. – Seu verdadeiro suíço.1

Isso revela um pouco da reação inicial confusa e ambígua de Nietzsche à declaração de guerra em 19 de julho. Por um lado, ele sentia-se horrorizado pelo fato de a cultura europeia ter fracassado em evitar a eclosão da guerra, um lapso que levaria

à barbárie. Mas, por outro, ao já ter percebido que a cultura da Europa precisava restaurar-se, ele anteviu a possibilidade das celas de recuperação, os “mosteiros”, crescendo em meio às terras “devastadas” pela guerra. (O “mosteiro”, ou às vezes

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Medium 9788536325187

Liberdade individual

Iain Mackenzie Grupo A PDF Criptografado

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Iain Mackenzie

para ele, que tenha sofrido injustiça por largo tempo. A maioria, mesmo estando revoltada, não deve rebelar­‑se por razões triviais; precisa antes ter uma boa causa – e o tempo é indício de boa causa.

O aspecto importante das duas últimas restrições à rebelião é que

Locke equipara a vontade da maioria com o que é direito. Se “o povo” decide que um governo agiu, seja legítima, seja ilegitimamente, o povo tem razão. Isso é muito problemático para diversos filósofos políticos. Dois séculos depois de Locke e, portanto, bem depois da primeira onda de revoluções liberais burguesas contra os poderes feudais, John Stuart Mill, um liberal de estirpe vitoriana, sustentava que nem sempre o povo está certo, e que pensar que sempre esteja poderia resultar em sérias consequências para a liberdade individual.

Liberdade individual

Mill foi profundamente influenciado pela crítica de Alexis de

Tocqueville à padronização da vida na América democrática e à deficiente independência de pensamento que brindava aos cidadãos. “Não conheço país, dizia de Tocqueville, no qual, em termos gerais, haja menos independência de pensamento e real liberdade de discussão que a América”

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Medium 9788536325187

Normas e variedades de filosofia política

Iain Mackenzie Grupo A PDF Criptografado

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Iain Mackenzie

por assim dizer. O liberalismo, para Foucault, acarretou a “governamentalização” de todas as nossas vidas, de tal forma que como indivíduos somos induzidos a nos governarmos continuamente (visto que a quantidade de pessoas que precisam ser governadas é tão imensa que o governo não consegue simplesmente impor sua vontade ao “povo.”) De acordo com

Foucault, portanto, regimes liberais são os que se definem não pelas liberdades que abrigam, mas antes pelo fato de instilarem nos indivíduos um senso de liberdade que age como mecanismo para disciplinar um populacho heterogêneo a governar a si próprio. Consequentemente, não há necessidade do aparato tradicional de governo para bem gerir um país.

Um exemplo famoso que ele apresentou desse processo em andamento é o uso crescente da vigilância na sociedade (Foucault, 1977).

Justifica­‑se a mesma em nome do direito à liberdade de movimento e pela necessidade de segurança; na verdade, porém, a vigilância nos leva a censurar nossa própria conduta para o caso de sermos “apanhados pela câmara.” Um indivíduo bem disciplinado, que tenha internalizado a necessidade de portar­‑se assim como deveria, não carece de forte ação do governo sobre si. Enquanto nós, indivíduos, vemos os direitos como meios de proteção, de acordo com Foucault, os mesmos representam parte de um complexo aparato social destinado a nos disciplinar a uma atividade humana “normal.” Por essa razão, o governo efetivo da nossa própria sociedade não está ocorrendo nem mediante a maquinaria do Estado, nem por meio de novos espaços institucionais conquistados desde os anos de

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