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18 Tumores pediátricos

Thais Manfrinato Miola, Fernanda Ramos de Oliveira Pires Editora Manole ePub Criptografado

Cecília Maria Lima da Costa

Viviane Sonaglio

Neviçolino Pereira de Carvalho Filho

A oncologia pediátrica é a especialidade médica responsável pelo tratamento de crianças e adolescentes portadores de doenças oncológicas. Alguns centros especializados no tratamento desses tumores consideram a idade limite máxima de 14 anos, porém a maior parte considera 18 anos de idade.

Na sua maioria, os cânceres que acometem crianças e adolescentes são completamente distintos dos que incidem em adultos. Muitos cânceres pediátricos têm característica histológica semelhante à das células embrionárias, por esse motivo esses tumores têm alto índice de proliferação e, consequentemente, maior agressividade. Por outro lado, também respondem de forma eficaz e rápida ao tratamento químio e radioterápico, especialmente quando a doença é diagnosticada em estádios iniciais.31

O câncer pediátrico é um conjunto de patologias que são consideradas raras, com incidência que varia entre 0,5% a 2% de todos os cânceres. Apesar da sua raridade o câncer pediátrico merece atenção especial das políticas públicas, já que, dependendo da faixa etária, corresponde à segunda, ou até mesmo à primeira, causa de óbitos na infância.1,2,3

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2. PRINCÍPIOS DA QUIMIOTERAPIA E DA IMUNOTERAPIA ONCOLÓGICA

HERON R. S. RACHED, MIGUEL ANTONIO MORETTI, MARCELO DANTAS TAVARES DE MELO, MARIA VERÔNICA CÂMARA DOS SANTOS, RODRIGO SANTUCCI Editora Manole PDF Criptografado

Capítulo 2

PRINCÍPIOS DA QUIMIOTERAPIA E DA

IMUNOTERAPIA ONCOLÓGICA

I Z A B E L L A C O R D E I R O F R E I R E SA A D R AC H E D

H E R O N R . S . R AC H E D

INTRODUÇÃO

Após o diagnóstico e o estadiamento de um câncer, uma variedade de opções terapêuticas pode ser adotada, como remoção cirúrgica da massa tumoral, radioterapia, quimioterapia e imunoterapia oncológica.1

Neste capítulo, serão abordadas as principais classes de quimioterápicos e imunoterapias aplicadas em diferentes doenças malignas.

Os resultados no tratamento do câncer estão relacionados ao conhecimento da atividade de crescimento tumoral, que está diretamente associada à capacidade do sistema imunológico de eliminar clones de células malignas e às propriedades dos medicamentos utilizados, como ação farmacológica, variabilidade farmacocinética e farmacodinâmica, resistência e interação com outros fármacos.1,2

CICLO CELULAR E CRESCIMENTO TUMORAL

A compreensão do ciclo celular é essencial para entender os princípios da quimioterapia.

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21 Terapia nutricional no paciente oncológico crítico

Thais Manfrinato Miola, Fernanda Ramos de Oliveira Pires Editora Manole ePub Criptografado

Michelle Nogimi Barricelli

Paciente em estado crítico/grave é aquele que se encontra em risco iminente de perder a vida ou função de órgão/sistema do corpo humano, bem como aquele em frágil condição clínica decorrente de trauma ou outras condições relacionadas a processos que requeiram cuidado imediato clínico, cirúrgico, gineco-obstétrico ou em saúde mental.¹

Segundo levantamento realizado por um hospital especializado em oncologia do estado de São Paulo, 78% dos pacientes admitidos em sua UTI encontram-se em estado de desnutrição ou risco nutricional.2

É indicado o início da terapia nutricional precoce no período de 24 a 48 horas após a admissão do paciente, exceto em casos em que ele não esteja hemodinamicamente estável, visando melhorar o balanço nitrogenado negativo, a manutenção da função intestinal, melhorar a imunidade, aumentar a capacidade antioxidante celular e diminuir a resposta hipercatabólica.3

Em paciente em instabilidade hemodinâmica, especialmente com o uso de altas doses de vasopressores, com sinais de hipoperfusão tecidual, a nutrição enteral pode ser pouco tolerada e até agravar a hipoperfusão intestinal. O início da nutrição enteral é mais seguro na presença de sinais clínicos que sugerem o funcionamento intestinal adequado, como presença de ruídos intestinais audíveis e eliminação de flatos ou fezes.4 Mas não necessariamente é imprescindível a presença de ruídos hidroaéreos e nem a liberação de flatos para tentar iniciar a oferta da nutrição enteral ao paciente crítico.5,19

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10. 0EFEITOS DE FÁRMACOS ANTINEOPLÁSICOS SOBRE A ATIVIDADE ELÉTRICA CARDÍACA

HERON R. S. RACHED, MIGUEL ANTONIO MORETTI, MARCELO DANTAS TAVARES DE MELO, MARIA VERÔNICA CÂMARA DOS SANTOS, RODRIGO SANTUCCI Editora Manole PDF Criptografado

Capítulo 10

EFEITOS DE FÁRMACOS ANTINEOPLÁSICOS

SOBRE A ATIVIDADE ELÉTRICA CARDÍACA

DA L M O A . R . M O R E I R A

J O S É TA R C Í S I O M E D E I R O S

INTRODUÇÃO

O advento de novos agentes antineoplásicos melhorou significativamente a perspectiva de vida dos pacientes com câncer. Ao mesmo tempo, observou-se que o maior tempo de vida propiciou a detecção de efeitos colaterais em diversos tecidos corporais, causados pelos diferentes agentes farmacológicos utilizados durante o tratamento. Esses efeitos são observados particularmente sobre o coração e podem, de alguma maneira, interferir nos resultados do tratamento a que os pacientes são submetidos. Agressões diretas sobre os miocárdios atrial e ventricular e sobre o sistema especializado de condução do coração podem acarretar disfunções cardíacas, que se complicam com quadros de insuficiência cardíaca, e também serem causas de arritmias de gravidades variadas, prejudicando a evolução clínica dos pacientes tratados.

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15 Transplante de células-tronco hematopoiéticas

Thais Manfrinato Miola, Fernanda Ramos de Oliveira Pires Editora Manole ePub Criptografado

Thais Manfrinato Miola

Natália Leonetti Lazzari

O transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH) é um tratamento complexo, sendo realizado um regime de altas doses de quimioterapia (QT) – fase de condicionamento, havendo ou não a necessidade de radioterapia corporal total, seguida de infusão de células-tronco hematopoiéticas (CTH)¹. Para a realização do TCTH é necessário um acesso venoso central, utilizado para a coleta de sangue para exames e administração de medicamentos, além da própria infusão das CTH.

O procedimento é realizado com o objetivo de normalizar a hematopoese, podendo ser realizado com três fontes de coleta:2

O TCTH é classificado de acordo com o doador, sendo2:

O período anterior à infusão das células é contado como negativo (D–) até o momento da infusão, que é denominado (D0). Após o transplante, os dias passam a ser contados como positivos (D+). A deficiência imune importante pode perdurar de 3 a 12 meses após o transplante, enquanto a reconstituição medular pode durar anos, sendo influenciada pelo tipo de terapia imunossupressora aplicada no pré-transplante e pelo tipo de transplante realizado.5,7 O TCTH pode ser dividido em 4 etapas: condicionamento, infusão de células-tronco hematopoiéticas, recuperação hematopoiética e imunorreconstituição.8

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16 Terapia nutricional em pacientes submetidos ao transplante de células-tronco hematopoiéticas

Thais Manfrinato Miola, Fernanda Ramos de Oliveira Pires Editora Manole ePub Criptografado

Natália Leonetti Couto Lazzari

Jéssica Agnello

Pacientes submetidos ao transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH) recebem um regime de condicionamento mieloablativo que tem como consequência efeitos colaterais relacionados à ingestão e à absorção de nutrientes. Esses efeitos colaterais e a doença tornam esses pacientes mais suscetíveis à desnutrição. A maioria dos pacientes pós-TCTH apresenta dificuldade em retornar ao peso que tinha antes da TCTH no período de um ano.1 Assim, é importante que esses pacientes tenham acompanhamento nutricional durante toda a internação.

O estado nutricional (EN) fica comprometido por causa dos efeitos colaterais significativos do condicionamento, em especial os sintomas do trato gastrointestinal (TGI), e pelo longo período de hospitalização, sendo considerados pacientes de alto risco nutricional.2 Independentemente do EN atual, perda de peso recente, efeitos colaterais e ingestão oral, pacientes que serão submetidos ao TCTH necessitam de acompanhamento nutricional individualizado e diário devido ao alto nível de toxicidade, principalmente sobre o TGI, com a finalidade de adequar as refeições e otimizar a ingestão alimentar de maneira individualizada. Além disso, pacientes da onco-hematologia apresentam perda ponderal não intencional independentemente do tipo de TCTH a que sejam submetidos.3,4

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10 Tumores colorretais

Thais Manfrinato Miola, Fernanda Ramos de Oliveira Pires Editora Manole ePub Criptografado

Samuel Aguiar Junior

A quase totalidade dos tumores malignos do intestino ocorre no intestino grosso (cólon e reto), sendo o tipo adenocarcinoma o mais comum, correspondendo a mais de 95% de todos os casos. Tumores do intestino delgado são bastante raros e os tipos mais frequentes, dentro dessa raridade, são os tumores neuroendócrinos e os tumores estromais gastrointestinais (GIST).

Os tumores malignos do intestino grosso são hoje a terceira neoplasia maligna mais incidente no mundo e a segunda em mortalidade. Apresentam altas taxas de incidência em países no norte da Europa, na Oceania, na América do Norte e também no Japão, mas taxas moderadas a baixas nas Américas do Sul e Central e na África. No Brasil, é a terceira neoplasia mais incidente entre homens e a segunda entre as mulheres, também apresentando heterogeneidade regional, com taxas muito elevadas nas regiões Sudeste e Sul, particularmente nas grandes regiões metropolitanas, e moderadas a baixas nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Nos últimos anos, tanto as taxas de incidência como as de mortalidade vêm caindo nos Estados Unidos, mas aumentando em países que historicamente tinham taxas baixas, como na América Latina e alguns países da Ásia.1,2

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5 Tumores de cabeça e pescoço

Thais Manfrinato Miola, Fernanda Ramos de Oliveira Pires Editora Manole ePub Criptografado

Marcelo Brasileiro Vaz

André Ywata de Carvalho

Thiago Celestino Chulam

O câncer é atualmente um problema de saúde no mundo inteiro. Considerando-se todas as idades, é a segunda maior causa de morte na população, ficando atrás apenas das doenças cardiovasculares. Cerca de 2/3 das mortes por câncer ocorrem em países menos desenvolvidos, como o Brasil. A menor chance de sobrevivência ao câncer, observada nesses países, está principalmente relacionada à combinação de desconhecimento, diagnóstico tardio e acesso limitado ao tratamento tempestivo e padronizado.1

Em todo o mundo são diagnosticados, a cada ano, mais de 600 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço, a maioria localizada em boca, faringe ou laringe. Nos últimos anos, a incidência de câncer de tireoide tem aumentado significativamente. Os cânceres de vias aerodigestivas superiores são mais comuns em homens, na proporção de 2-4 homens para 1 mulher.1,2,3 Infelizmente, a maioria dos casos ainda é diagnosticada tardiamente, quando a doença se apresenta em estádio avançado,4 de cura mais difícil, e demanda tratamento em centros de alta complexidade. É grande o impacto social e econômico, com custo elevado,5 afastamento profissional prolongado e menor qualidade de vida imposta ao paciente e a seus familiares. O atraso no diagnóstico pode ser atribuído à evolução pouco sintomática nos estádios iniciais da doença, à falta de conhecimento dos pacientes sobre o câncer, às dificuldades de acesso ao sistema de saúde e ao despreparo dos profissionais de saúde.6,7

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14 Terapia nutricional na quimioterapia e na radioterapia

Thais Manfrinato Miola, Fernanda Ramos de Oliveira Pires Editora Manole ePub Criptografado

Thais Manfrinato Miola

Magna A. V. Matayoshi

Andrea Ferreira da Cunha

A atuação do nutricionista é de extrema importância para garantir a adequada ingestão alimentar do paciente submetido a quimioterapia e radioterapia. Os objetivos da terapia nutricional são: manter ou recuperar o adequado estado nutricional, reduzir o número de complicações relacionadas ao tratamento, prevenindo a necessidade de interrompê-lo, e melhorar a qualidade de vida do paciente.1,2,3

A desnutrição é muito comum no paciente oncológico e sua prevalência depende do tipo, localização e estádio da doença, dos órgãos envolvidos, dos tipos de tratamentos utilizados e da resposta do paciente aos tratamentos.4 Pacientes desnutridos ou com câncer do aparelho digestório têm pior prognóstico do que aqueles bem nutridos ou que conseguiram interromper o processo de perda de peso durante o tratamento.5

Um estudo realizado no ambulatório de quimioterapia do A.C.Camargo Cancer Center avaliou o estado nutricional de 1.222 pacientes, sendo que 13,8% dos pacientes dessa amostra estavam em desnutrição e os tipos de tumores mais prevalentes foram pele não melanoma, tumores gastrointestinais, pulmão e tumores de cabeça e pescoço.6 Os pacientes com câncer estão em risco de desnutrição, não só devido aos efeitos físicos e metabólicos do câncer, mas também por causa das terapias anticâncer, como quimioterapia e radioterapia.7,8

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15. EMERGÊNCIAS CARDIOVASCULARES EM PACIENTES ONCOLÓGICOS

HERON R. S. RACHED, MIGUEL ANTONIO MORETTI, MARCELO DANTAS TAVARES DE MELO, MARIA VERÔNICA CÂMARA DOS SANTOS, RODRIGO SANTUCCI Editora Manole PDF Criptografado

Capítulo 15

EMERGÊNCIAS CARDIOVASCULARES

EM PACIENTES ONCOLÓGICOS

M I G U E L A N TO N I O M O R E T T I

DA N I E L G O L D WAS S E R

INTRODUÇÃO

Profissionais que trabalham em unidades de emergência muitas vezes se depara com pacientes oncológicos em vigência de tratamento, que já finalizaram o tratamento ou que ainda nem sabem que são portadores de neoplasias. Muitas vezes, o primeiro diagnóstico é feito durante um atendimento de pronto-socorro. Uma fratura patológica, um tamponamento cardíaco ou até mesmo uma taquiarritmia com ou sem pericardite podem ser sinais da presença de um câncer.

Uma emergência oncológica pode ser definida como qualquer evento que gere risco de vida, direta ou indiretamente, relacionado à doença, ao seu tratamento ou a tratamentos adjacentes.1 Para prevenção e detecção precoce das emergências oncológicas, os médicos precisam manter um elevado nível de suspeita, além de educar seus pacientes adequadamente para que eles possam identificar e reportar os sintomas.1

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19 Avaliação nutricional e terapia nutricional em oncologia pediátrica

Thais Manfrinato Miola, Fernanda Ramos de Oliveira Pires Editora Manole ePub Criptografado

Graziela Parnoff Pereira Baladão

A avaliação nutricional é o primeiro passo da assistência nutricional, que inicia a partir da coleta e análise de diversos dados com objetivo de identificar precocemente os distúrbios nutricionais a fim de instituir um plano terapêutico adequado, possibilitando manter a condição atual ou recuperar um estado nutricional saudável.1

Na criança com câncer, a desnutrição energético-proteica (DEP) comumente encontrada pode ser causada tanto pela doença como pelo tratamento. Alguns tipos de tumores elevam o risco nutricional (Quadro 1), especialmente os tumores sólidos.2 A prevalência de desnutrição em crianças varia de 6% a 50% em diferentes estudos. Tal discrepância é observada por causa da heterogeneidade dos grupos avaliados – tipo de diagnóstico (estágio tumoral e tipo histológico), métodos utilizados para a avaliação nutricional, além da fase de tratamento em que o paciente foi avaliado (ao diagnóstico, durante a quimioterapia etc.).3-5

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3 Triagem e avaliação nutricional em oncologia

Thais Manfrinato Miola, Fernanda Ramos de Oliveira Pires Editora Manole ePub Criptografado

Lânia Kheyt Fernandes da Costa

Em pacientes oncológicos, o déficit no estado nutricional é um dos problemas considerados mais frequentes, uma vez que a desnutrição, encontrada em 40% a 80% nesse perfil de pacientes, relaciona-se com a baixa resposta ao tratamento, aumento das complicações pós-operatórias e da morbimortalidade, refletindo na qualidade de vida deles.1

Em geral, a desnutrição dos pacientes com câncer é proveniente dos vários efeitos colaterais advindos dessa patologia. Algumas evidências indicam que a depleção nutricional grave tem associação com o aumento dos dias de hospitalização, indicando sua influência na morbidade.2 Esse processo de desnutrição é influenciado pela perda ponderal, um fenômeno observado com frequência nos pacientes oncológicos, e que os predispõe a maiores riscos de infecções, responder de forma inadequada às intervenções terapêuticas como quimioterapia, radioterapia e cirurgia, desfavorecendo, consequentemente, o prognóstico de cura.3

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20 Cuidados paliativos

Thais Manfrinato Miola, Fernanda Ramos de Oliveira Pires Editora Manole ePub Criptografado

Laís dos Santos Puchetti

Nos últimos anos, com o envelhecimento da população, houve um progressivo aumento das doenças crônico-degenerativas, entre elas as neoplasias, assim como há um crescente avanço das tecnologias e terapêuticas que proporcionam longevidade a esses pacientes. Por conta dessas mudanças, tem ocorrido o crescimento de uma modalidade de tratamento que foca na qualidade de vida mediante prevenção e alívio dos possíveis sintomas, como dor, e outros sintomas físicos, espirituais e psicossociais. Essa assistência denomina-se cuidados paliativos.1,2,3

Os cuidados paliativos têm como principais fundamentos cuidar tendo em vista proporcionar qualidade de vida para pacientes e familiares e a manutenção da dignidade humana ao longo da doença, na fase final da vida e no período de luto, priorizando a autonomia dos pacientes.1,4

As primeiras evidências de cuidados paliativos surgiram com um estudo qualitativo publicado em 1970, que retratou um alívio de dor efetivo em paciente com câncer avançado, desmistificando o uso dos opiáceos.1 O comitê de câncer da OMS formou, em 1982, um grupo para estabelecer políticas para alívio de dor e cuidados do tipo hospice para pacientes oncológicos.1 A primeira definição de cuidados paliativos surgiu em 1990: “cuidado ativo e total para pacientes cuja doença não é responsiva a tratamento de cura. O controle da dor, de outros sintomas e de problemas psicossociais e espirituais é primordial. O objetivo do cuidado paliativo é proporcionar a melhor qualidade de vida possível para pacientes e familiares”.1,2

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8 Tumores abdominais

Thais Manfrinato Miola, Fernanda Ramos de Oliveira Pires Editora Manole ePub Criptografado

Felipe José Fernandez Coimbra

Maria Luiza Leite de Medeiro

A neoplasia de esôfago é a sexta mais comum no Brasil. Em 2012, foram estimados 456 mil novos casos no mundo. Segundo o INCA, para 2018-2019 foram estimados 7,99/100 mil novos casos de tumores de esôfago em pacientes do sexo masculino e 2,38/100 mil novos casos em pacientes do sexo feminino. Nos Estados Unidos, a estimativa foi de 17.650 novos casos em 2019.1,2,3

A neoplasia maligna de esôfago é dividida em dois tipos de histologia: adenocarcinoma e carcinoma espinocelular. O carcinoma espinocelular acomete principalmente o terço médio do esôfago e o adenocarcinoma acomete especialmente o terço inferior do esôfago, mas também pode acometer o terço superior. A incidência de carcinoma espinocelular é muito aumentada no chamado “cinturão asiático”, que vai do Irã até a China. Nesses países, a incidência de CEC pode chegar a 30% dos tumores de esôfago.1,4

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7 Terapia nutricional em pacientes com câncer de cabeça e pescoço: reabilitação oral

Thais Manfrinato Miola, Fernanda Ramos de Oliveira Pires Editora Manole ePub Criptografado

Luciana Dall’Agnol Siqueira Slobodticov

A deglutição é uma função que requer ações de várias estruturas, como mandíbula, dentes, língua, faringe e laringe dentro de apenas um segundo. Trata-se de um processo sinérgico composto de fases intrinsecamente relacionadas, sequenciais, harmônicas, de curta duração que podem ser divididas nas seguintes fases: preparatória-oral, oral, faríngea e esofágica. Para que seja eficiente, esse ato depende de complexa ação neuromuscular (sensibilidade, paladar, propriocepção, mobilidade, tônus e tensão) além da intenção de se alimentar. Faz-se necessária uma integridade de vários sistemas neuronais: vias aferentes, integração de estímulos no sistema nervoso central, vias eferentes, resposta motora, integridade das estruturas envolvidas e comando voluntário.1,2,3,4

O objetivo da deglutição é transportar o alimento da boca para o estômago via faringe e esôfago visando manter o suporte nutricional e a hidratação do indivíduo, além de proteger a via aérea com manutenção do prazer alimentar, garantindo, assim, sua sobrevivência.3,5

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