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Capítulo 5. Nervosismo no trânsito

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NERVOSISMO NO TRÂNSITO

Ficar nervoso no trânsito é quase inevitável. As duas situações mais comuns em que as pessoas perdem a calma ocorrem em contextos opostos. Quando o trânsito está muito congestionado, reduzindo a mobilidade e criando a sensação de enclausuramento, o sistema de alerta do nosso organismo tende a ficar mais ativo, nos deixando propensos a ter reações de luta ou fuga. É nesses momentos que uma batida boba ou um esbarrão no retrovisor podem ser o estopim de uma reação agressiva súbita, não raramente desproporcional à gravidade do acontecimento. Como são grandes as chances de que a outra pessoa envolvida também esteja estressada, ao se sentir ameaçada ela também pode se tornar hostil, criando o cenário para as lamentáveis brigas de trânsito, por vezes bastante violentas.

No entanto, também ocorre o fenômeno inverso: quando a fluidez do tráfego é maior, como no início do dia, as brigas decorrem geralmente de uma escalada de violência. Após uma ultrapassagem que alguém julga indevida, uma fechada ou qualquer atitude que seja encarada como provocação, um dos motoristas tenta tirar satisfação e reparar a injustiça da qual se julga vítima. Se a reação do outro envolvido for também de hostilidade, pode ter início uma cadeia crescente de atos de agressão de parte a parte que tem ainda mais chance de culminar em violência física.

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Capítulo 10. Faça uma mulher feliz: mande-a trabalhar (e lave você a louça)

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FAÇA UMA MULHER FELIZ:

MANDE-A TRABALHAR

(E LAVE VOCÊ A LOUÇA)

Você se sente mais feliz no trabalho ou em casa? A resposta depende: se você é mulher, provavelmente é mais feliz... no trabalho! Pois é. Acaba de ser publicado o resultado de um experimento que traz mais informações para enriquecer – e complicar – o debate sobre o até hoje mal equacionado balanço entre carreira e família que desafia a sociedade, em particular as mulheres.

No final da década de 1990, a socióloga Arlie Russell Hochschild publicou um livro apontando uma transformação social que borrava os limites entre trabalho e casa, com as pessoas dedicando progressivamente mais energia a seus empregos do que a seus familiares. E isso apesar de continuarem dizendo que a família era prioridade. Não era só o meio que empurrava nessa direção, mas os próprios indivíduos começavam a se sentir mais seguros, competentes e valorizados nas empresas do que nas suas casas.

Pois bem, cientistas norte-americanos convidaram 122 pessoas para medir, ao longo dos dias, seus níveis de felicidade e estresse não apenas de forma subjetiva, perguntando como eles estavam se sentindo, mas medindo as taxas de cortisol, um hormônio que sobe quando estamos biologicamente estressados. Os resultados foram que, a não ser em situa­

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Capítulo 26. Psicopata é você!

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PSICOPATA É VOCÊ!

Depois dos best-sellers Seu chefe é um psicopata, Seu amigo é um psicopata e do campeão de vendas Seu ex-marido é um psicopata, chegou a hora de falar a verdade: psicopatas somos todos. Ou podemos nos comportar como um.

Nos últimos dias, temos visto vários sinais de como as pessoas comuns podem agir com desprezo pelos outros, ao menos no mundo virtual. Como

é que pessoas tranquilas, que não fazem mal a ninguém no mundo real, entram nessas escaladas de agressividade nas redes sociais, cometendo até mesmo crimes que não fariam em outras situações?

Você já deve ter visto alguém limpando o nariz dentro do carro, tranquilamente tirando “caquinhas” até de repente dar de cara com outra pessoa.

Esse momento de constrangimento, que leva o sujeito a inutilmente tentar disfarçar a nojeira, acontece porque o olhar do outro é um potente freio para nossos comportamentos menos louváveis.

Eis o grande problema do mundo virtual: a falta do olhar alheio. Nosso cérebro está adaptado para interagir face a face com os outros. Nesse tipo de conversa, recebemos uma série de informações em tempo real, se estamos agradando, se a pessoa está brava, triste ou feliz e, assim, ajustamos o conteúdo e também a forma do nosso discurso de forma automática e inconsciente. Isso não apenas porque queremos agradar, mas também

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Capítulo 33. Quer ser sexy? Use a criatividade

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QUER SER SEXY?

USE A CRIATIVIDADE

A década de 1980 será vista no futuro como o momento em que se iniciou uma mudança revolucionária na história dos relacionamentos – a ascensão dos nerds. A revolução dos computadores pessoais é sem dúvida a maior responsável pelo fenômeno, que, se teve seu início na década de 1970, foi vislumbrado pouco tempo depois, em 1984. O filme A vingança dos nerds mostrava um grupo de alunos do curso de ciências da computação que, após sofrer muito bullying, contra todas as probabilidades invertia a cadeia alimentar do campus universitário e acabava recebendo mais prestígio e badalação do que os atletas e descolados. Virada semelhante se deu na sociedade, que os elevou da categoria de párias nos anos 1970 a necessários nos anos 1990. Em 1996, o documentário O triunfo dos nerds não deixa dúvidas de que o dinheiro e, consequentemente, o poder estavam mudando de mãos.

No entanto, a vida deles ficou mais fácil não só porque a tecnologia criou empregos bem remunerados que só eles conseguiam – tornando-os mais ricos e, como decorrência, mais sexy. Ficou também mais fácil descobrir pessoas que compartilham dos mesmos interesses, por mais específicos que sejam, e assim encontrar possíveis pretendentes. A tecnologia veio

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Capítulo 27. Os pelados e suas razões

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OS PELADOS E SUAS RAZÕES

Há alguns anos, a cidade de Porto Alegre (RS) passou por uma fase em que várias pessoas saíram correndo nuas pelas ruas. A primeira foi uma mulher, detida por estar correndo nua num parque da cidade. Na sequência, mais três casos foram flagrados, no que parecia configurar uma tendência. Das quatro pessoas, duas mulheres foram abordadas e levadas – adivinhe para onde? – ao psiquiatra. Ambas teriam problemas, segundo informações de familiares e amigos, o que explicaria o comportamento.

Tenho dúvidas se a mera presença de problemas explica o fenômeno como um todo. A psiquiatria (bem-feita), como qualquer ramo da medi­ cina (bem-feita) se esforça para diferenciar o que é ou não doença. No caso da pressão alta, para ficar num exemplo clínico, uma vez detectada a média dos valores de pressão arterial da população – 120 x 80 milímetros de mercúrio, o famoso “doze por oito” – descobrem-se quais as taxas que trazem mais risco de complicações para o organismo e, voila, definimos uma doença: “hipertensão arterial”. Vá tentar fazer isso no caso da psiquia­ tria: estabelecer o comportamento médio, descobrir quando os desvios dessa média se tornam prejudiciais e, então, determinar o que é doença.

Parece bem mais complicado. E é.

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Capítulo 43. Dinheiro traz felicidade

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DINHEIRO TRAZ FELICIDADE

“Dinheiro não traz felicidade. Então me dê o seu e seja feliz”, diz uma piada sobre esses dois grandes objetivos da vida moderna, dinheiro e felicidade.

Se eu afirmar que uma das frases está certa, e a outra, errada, você seria capaz de dizer qual é qual? Ao contrário do que muitas vezes imaginamos, a primeira parte está errada, dinheiro pode sim trazer felicidade. Mas isso só acontece porque a segunda frase está certa: gastar com os outros – e não guardar ou comprar coisas para nós mesmos – é a fórmula de sucesso.

As pesquisas sobre o tema são abundantes e todas concordam com outra anedota (atribuída a vários autores, mais recentemente citada no filme O lobo de Wall Street): “Já fui rico. Já fui pobre. É melhor ser rico”.

De fato, quando falta dinheiro para suprir necessidades básicas, como saúde, segurança, alimentação e um mínimo de conforto, as pessoas não conseguem ficar felizes. Por conta disso, a vida melhora proporcionalmente conforme aumentam os ganhos. Dinheiro trazendo felicidade. No entanto, o que não nos contam é que esse aumento de satisfação bate no teto muito rápido; a partir daí, mesmo ganhando mais, não conseguimos aumentar o bem-estar. Dinheiro não trazendo felicidade. A não ser que passemos a gastar com os outros. Dinheiro voltando a trazer felicidade.

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Capítulo 72. Blue Jasmine – você, eu e Woody Allen

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BLUE JASMINE – VOCÊ, EU E

WOODY ALLEN

A realidade é dura. A tal ponto que nós não a encaramos continuamente para valer – se enxergássemos a realidade nua e crua o tempo todo, quem aguentaria? É por isso que vivemos ajustando nosso olhar sobre ela, usando

às vezes o enfrentamento do simplório, em outras a fuga do neurótico.

Desse contraste vem a genialidade do filme Blue Jasmine, de Woody Allen, amplamente elogiado pela crítica.

O filme trata de duas irmãs adotivas que seguem caminhos diferentes:

Jasmine (Cate Blanchet) casa-se com um milionário e vive no luxo em

Nova York, enquanto Ginger (Sally Hawkins) só se envolve com operários e tem uma vida apenas remediada em São Francisco. A história começa com a ida de Jasmine para a casa de Ginger, após perder tudo quando o marido é preso por ser um golpista. Mesmo falida, ela vai de primeira classe, carregando bagagem Louis Vuitton, recusando-se a admitir sua nova condição. Ao longo dos flashbacks, utilizados para contar a história ao mesmo tempo em que constroem o contraponto entre as situações – entre a história delas e também entre o passado e o presente –, vemos que a vida toda Jasmine “olhou para o outro lado”. Desviava os olhos dos esquemas ilegais do marido, das suas incontáveis amantes e da superficialidade da sua relação. O que Allen retrata acontecendo com ela depois da queda,

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Capítulo 77. Interagir com os filhos emagrece

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INTERAGIR COM OS

FILHOS EMAGRECE

Criança tem tanta energia que ser pai de duas me fez emagrecer de tanto ficar atrás delas. No entanto, interagir com os filhos pode ser bom não só para os pais, mas também para as crianças saberem se controlar no futuro.

Uma revisão recente da literatura científica mostrou que as interações sociais precoces, sobretudo o relacionamento que se estabelece entre pais e filhos, são essenciais para o desenvolvimento das funções executivas, aquele conjunto de ações mentais que devem ser realizadas para se alcançar um objetivo. Para tanto, é preciso conseguir inibir comportamentos e ter flexibilidade mental para mudar o plano de ação, atualizando constante­ mente as informações que chegam até nós. O maior desenvolvimento dessas habilidades é justamente na pré-escola, e o contato com outras pessoas é fundamental para tanto, pois ele é a melhor forma de as crianças aprenderem a definir objetivos, mudar perspectivas, controlar os impulsos, etc. Os dados indicam ainda que dos dois modelos de interação pai-filho possíveis – o de suporte e o de punição – o primeiro é o mais bem-sucedi­ do no auxílio ao desenvolvimento das funções executivas nas crianças.

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Capítulo 55. A complexa violência

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A COMPLEXA VIOLÊNCIA

“Um bom assassinato, um legítimo assassinato, um belo assassinato” – declara o policial a repórteres – “Tão belo quanto era de se desejar”.

A frase faz parte da peça Anatomia Woyzeck, que fecha a trilogia da violência da Cia Razões Inversas. Nela, talvez até mais do que em Agreste ou Anatomia Frozen, vê-se como a violência é um fenômeno complexo e que resiste a explicações simplistas.

O texto da peça inacabada de Georg Büchner – considerada uma das mais importantes do teatro do século XIX – foi inspirado pelo caso real do soldado Johann Christian Woyzeck, que assassinou sua companheira e mãe de seu filho, em 1821, na cidade de Leipzig. Preso, logo foi alegada insanidade mental por sua defesa, levando o caso a se arrastar por dois anos entre avaliações e laudos psiquiátricos. Dos médicos locais até a

Faculdade de Medicina da Universidade de Leipzig, muito se debateu sobre a causa do homicídio e a responsabilidade de Woyzeck, até que, a despeito de um quadro psicótico, ele foi executado.

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Capítulo 87. Suje-se gordo! – Mentes corrompidas, Parte 2

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SUJE-SE GORDO! –

MENTES CORROMPIDAS, PARTE 2

O que se passa na cabeça de um corrupto? Essa é a pergunta que estamos tentando responder na série “Mentes corrompidas”. Anteriormente, vimos que quando alguém é investido de poder tende a considerar suas faltas menos graves, sendo mais duro no julgamento dos outros, no que

é chamado de hipocrisia moral. Mas o que acontece depois que o sujeito decide roubar?

Sim, porque de forma geral ninguém é a favor da corrupção. A honestidade é vista como um valor universal, e todos sustentamos que o correto é agir dentro das leis e das normas. Por conta dessa postura que apregoamos, quando nos comportamos de maneira desonesta, temos uma sensação bem desagradável da qual tratamos de nos livrar o mais rápido possível.

É a chamada dissonância ética (subtipo de dissonância cognitiva que ocorre quando pensamos de uma forma, mas agimos de outra). Para nos livrarmos do mal-estar, tentamos abandonar o comportamento; quando isso não é possível (por ser passado, por ser algo de conhecimento público, etc.), alteramos então nossas próprias crenças. Entretanto, há crenças que não podemos mudar (p. ex., não dá para defender que a corrupção seja correta) e então passamos aos maiores exercícios mentais para reduzir a gravidade do malfeito. Seja embaralhando a verdade, justificando os fins

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Capítulo 125. O mercado de antidepressivos – enquanto uns choram, outros vendem lenço

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125

O MERCADO DE

ANTIDEPRESSIVOS –

ENQUANTO UNS CHORAM,

OUTROS VENDEM LENÇO

O ano de 2016 foi um ano pesado – talvez um dos mais complicados nos

últimos tempos, tanto no Brasil como no mundo. Como se não faltassem evidências de que foram doze meses duros de aguentar, um levantamento da IMS Health sobre o mercado farmacêutico brasileiro mostrou que os antidepressivos e os estabilizadores do humor foram os remédios cujas vendas mais cresceram naquele ano (18,2%), só perdendo, em faturamento total, para analgésicos. Enquanto uns choram, outros vendem lenços. Ou antidepressivos.

Mas essa não é necessariamente uma notícia ruim.

A venda dessas medicações vem crescendo no mundo todo, ano a ano, há bastante tempo. Levantamentos prévios já mostravam a tendência também por aqui: entre 2003 e 2007, o aumento havia sido de 42%; entre

2008 e 2013, 48%. Isso na época em que o Brasil voava em céu de brigadeiro, todo mundo estava empregado e ninguém se xingava de coxinha ou mortadela. Aqui, como no restante do mundo, o preconceito com a psi­quiatria vem diminuindo, a segurança dos remédios, aumentando, e o acesso aos tratamentos, se tornando mais fácil – e mais pessoas passaram a ser medicadas. 

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Capítulo 97. Dengue – a hora de uma política baseada em evidências

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DENGUE – A HORA DE UMA

POLÍTICA BASEADA EM

EVIDÊNCIAS

Dos muitos desafios que o Brasil enfrenta, poucos me parecem tão urgentes como o combate ao Aedes aegypti. A epidemia de dengue bate recordes, e nada no horizonte aponta para um arrefecimento do problema – bem ao contrário. Agora, o mosquito passa a transmitir também o vírus zika, e uma epidemia inédita de microcefalia surge para nos assombrar.

Sabemos que o Estado brasileiro vem falhando no enfrentamento ao mosquito há anos, quiçá décadas, em todas as esferas de poder. Apesar disso, as pessoas desempenham um papel fundamental nessa luta, já que o Aedes é essencialmente doméstico e seus criadouros estão em grande parte dentro das casas. Mesmo que os governos façam sua parte, portanto, sem mudanças de comportamento em massa da população essa é uma batalha fadada ao fracasso.

É um bom momento, portanto, para entendermos por que vários Estados ao redor do mundo estão incorporando formalmente cientistas comportamentais a seus quadros. Sabendo que a definição e a implementação de políticas públicas dependem muitas vezes da adesão da população, de mudanças de atitudes ou adoção de novos comportamentos, países como

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Capítulo 73. Laranja mecânica e a doença do crime

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LARANJA MECÂNICA E A

DOENÇA DO CRIME

Quando o assunto é violência, particularmente a delinquência juvenil, gosto sempre de lembrar o clássico Laranja mecânica, de Stanley Kubrick, baseado no livro homônimo de Anthony Burgess.

A história mostra o protagonista, Alex, narrando sua história, começando pelos atos bárbaros que cometia com sua gangue sem outro propósito que não a violência em si. Ele acaba preso e condenado à prisão por quatorze anos. É uma época de grandes avanços, no entanto, e surge a promessa de um tratamento revolucionário, que superará em definitivo as “teorias penológicas datas”, como diz o ministro do Interior, defensor de que os presos sejam tratados “de uma forma puramente curativa”.

Em quinze dias, Alex está solto, após passar por sessões de condicionamento aversivo tão intenso que desenvolve náuseas insuportáveis diante de atos violentos. Aos protestos do capelão do presídio, que brada contra a perda do livre arbítrio do rapaz, o ministro responde que aquele era “o verdadeiro cristão”, incapaz de reagir a não ser oferecendo a outra face.

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Capítulo 116. Beleza não se põe à mesa, mas ninguém quer comer no chão

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116

BELEZA NÃO SE PÕE À MESA,

MAS NINGUÉM QUER

COMER NO CHÃO

Você está satisfeito com seu corpo? Se não estiver, consideraria fazer uma cirurgia plástica? Pois praticamente 1,5 milhão de brasileiros (1,49 milhão para ser exato) optaram pelo bisturi ao longo de 2013; com isso, o País superou os Estados Unidos como o primeiro colocado mundial nessas intervenções, segundo o jornalista Jamil Chade.

Por que isso acontece? E que consequências esse fenômeno pode trazer?

As respostas são várias. Há um fator cultural bem nosso, mas que não age sozinho, e sim em conjunção com o atual cenário econômico do Brasil.

Estudando as formas de se relacionar conjugalmente no País, a antropólo­ ga Miriam Goldberg se surpreendeu com a centralidade do “corpo” na nossa cultura, atestando algo que empiricamente Gilberto Freyre já havia proposto e que todos imaginamos: o brasileiro valoriza muito o corpo e sua aparência jovem e saudável. Assim, com o aumento do poder aquisitivo nos

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Capítulo 86. Mentes corrompidas – por que se rouba tanto?

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MENTES CORROMPIDAS –

POR QUE SE ROUBA TANTO?

Será que o brasileiro se cansou realmente da corrupção? Ou a Lava-jato e seus desdobramentos serão, assim como o Michel Teló e as paleterias, um fenômeno que mobiliza o Brasil inteiro, mas acaba em dois verões?

Numa tentativa de alimentar minha esperança (que ainda luta contra minha desconfiança) de que a indignação perdure, resolvi contribuir para o debate ao longo de cinco artigos. É evidente que não é possível esgotar o assunto, mas introduzindo variáveis como a personalidade do corrupto, o impacto emocional do dinheiro, as relações entre o cérebro e a desonestidade; mais do que reduzir o problema da corrupção ao cérebro ou

à mente das pessoas, meu anseio é ampliar o debate público, colocando em cena esses elementos que pouco são discutidos.

Um dos primeiros pontos que chamam a atenção de quem olha para os escândalos nacionais é: será que os políticos corruptos não sentem nem uma pontinha de culpa? Onde foi parar a consciência deles? Conseguiriam dormir em paz?

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