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DIÁRIO DE UMA DONA DE CASA

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DIÁRIO DE UMA DONA DE CASA

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13 de janeiro de 1971

A vida íntima de Sherlock Holmes, de Billy Wilder, e duas horas de verão quase intenso – e agradável, pois claro – no

São Jorge, cinema de calores de inverno e frios estivais. O calor era tanto que sabia bem olhar para aqueles nevoeiros tão refrescantes do

Loch Ness. De resto, o filme – divertidíssimo – tem imagens de uma grande beleza. domingo.

segunda. Não sou contra a moda, longe disso. Mas estou cheia

de curiosidade. Quem é que entre nós vai usar, esta primavera, os tais hot pants de que hoje se fala nos jornais? As rapariguinhas, claro. Mas as mulheres mais velhas ou, perdão, menos novas? Mas as senhoras eufemisticamente fortes e que gostam de seguir as leis dos grandes costureiros? Porque, segundo diz a Ursula Andress, os hot pants fazem com que a minissaia pareça um sobretudo. terça. Folheei hoje um livro que decerto será útil a muitos pais

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QUADRO CRONOLÓGICO

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QUADRO CRONOLÓGICO

DOS TEXTOS DE MARIA JUDITE DE CARVALHO

PUBLICADOS NO SUPLEMENTO «MULHER»

DO DIÁRIO DE LISBOA (1971-1974)

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TÍTULOS

DIÁRIO DE UMA DONA DE CASA

Data

Número

Volume

13-01-1971

17264

50

20-01-1971

17270

50

27-01-1971

17277

50

03-02-1971

17284

50

10-02-1971

17291

50

17-02-1971

17298

50

24-02-1971

17304

50

03-03-1971

17311

50

10-03-1971

17318

50

17-03-1971

17325

50

24-03-1971

17332

50

31-03-1971

17339

50

14-04-1971

17353

51

21-04-1971

17360

51

28-04-1971

17367

51

05-05-1971

17373

51

12-05-1971

17380

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DIÁRIOS

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DIÁRIOS

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6 de outubro de 1971

A tarde e a noite, só algumas horas, portanto, mas tão longas, numa casa iluminada por candeeiros de petróleo, sem água corrente, sem telefone, com um transístor (que aqui só apanha estações espanholas, o malvado), a quatro quilómetros – de mau piso – da civilização, que é uma vila com bastante passado mas sem presente que se veja. A falta de eletricidade proíbe bebidas frescas, notícias do mundo, todo e qualquer conforto. Para fazer comida é preciso ir à vila ou arranjar alguém que lá vá, depois acender um velho fogão.

Uma viagem, pois, de algumas horas, ao passado. No entanto, ainda não há muito tempo vivia-se assim ou, pelo menos, podia viver-se assim, era frequente.

As coisas de que nós hoje precisamos, as coisas sem as quais não podemos viver e cuja ausência, mesmo momentânea, nos deixa ­perdidos. A eletricidade e todos os eletrodomésticos, o gás, o telefone…

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TEXTOS TITULADOS

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TEXTOS TITULADOS

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FICÇÃO AO VIVO

1) Pode ser considerada uma história de ficção científica a do japonês Shoichi Yokoi, que em 1944 se escondeu das tropas americanas nas selvas da ilha de Guam, no Pacífico, e que só agora foi, por acaso, encontrado. Ele sabia, por panfletos que em 1952 tinham caído sobre a floresta, que a guerra acabara, mas, como ignorasse as condições do armistício, resolvera não aparecer, com receio de represálias dos americanos. Espantou-se, pois, muitíssimo, com a amizade entre os Estados Unidos e o seu país. Mas muito mais coisas o terão decerto espantado, coisas essas a que os jornais não se referem, de tão óbvias que são. Porque, o que terá ele dito da televisão? E dos jatos? E dos satélites passeando tranquilos e incansáveis

à volta da Terra? E das fotografias de Marte? E do baixo-relevo de

Lénine e das armas soviéticas em Vénus? E das viagens à Lua? E dos homens na Lua vistos em nossas casas? E das máquinas pensantes chamadas computadores? E dos amigos que há 28 anos eram inimigos, pois claro, e vice-versa? É como se Yokoi tivesse hibernado durante quase três décadas ou como se tivesse feito a sua viagem no tempo. Sim, é bem uma história de ficção científica a deste homem que fugiu do mundo precisamente na época em que a ciência e a tecnologia deram o maior salto de que há memória.

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INTRODUÇÃO

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INTRODUÇÃO

Quando Maria Judite de Carvalho começou a participar regularmente com crónicas jornalísticas no Diário de Lisboa, já era reconhecida pelas obras publicadas desde 1959. Com o primeiro livro de contos, intitulado Tanta Gente, Mariana, a crítica fora unânime em considerar a autora uma revelação na área da literatura. Óscar Lopes diria num ensaio editado no final dos anos sessenta que os contos eram «verdadeiramente excecionais»1. E, em 1996, Manuel Gusmão referiu-se à escrita de Maria Judite de Carvalho como «uma arte não sentimental do desamparo, da solidão contida ou quase desatinada»2.

As primeiras crónicas publicadas no Diário de Lisboa, nos finais dos anos sessenta (1968), sob o título genérico «Retângulos da

Vida», anunciavam uma arte invulgar de escrever sobre a realidade.

Porque, ao contrário dos noticiários que relatavam acontecimentos sucessivos sobre os avanços do Homem no espaço e nas ciências médicas, Maria Judite de Carvalho demonstrava, nas histórias, que os caminhos da vida impossibilitavam o Homem de vencer o tempo e a morte. Será a partir deste ponto de vista que a autora descreve

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