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Medium 9788520429174

Relatar ou descrever

SILVA, Deonísio da Editora Manole PDF Criptografado

Relatar ou descrever

A opção narrativa de um herói problemático

T

al como ocorreu algum tempo depois em A grande arte, o narrador em relevo na coletânea de narrativas curtas, que veio a tornar-se tão polêmica por causa da proibição, defende as ideias do Autor, travestido numa espécie de alter ego. Frequente na ficção de Rubem Fonseca, a figura desse narrador já aparecera em seu livro de estreia, Os prisioneiros, muito embora tenha sido possível tipificá-lo apenas depois de considerado seu périplo até A grande arte.

A opção por uma narrativa na primeira pessoa do singular — predominância absoluta na ficção do Autor — revela um recurso estratégico de extraordinário vigor para a ficção documental e testemunhal de Rubem Fonseca, além de cindir, vertical e profundamente, a ficção de cunho social, levando aquele que narra a ser um dos rebelados que se junta aos personagens, personagem ele também, ao mesmo tempo em que conduz a narrativa. É exatamente essa tomada de poder no interior da narrativa que possibilita ao personagem dar sua própria versão dos acontecimentos do enredo, opinar sobre a condição dos outros personagens, extravasar seus sentimentos mais fundos, dominar a crítica, notadamente aquela

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Medium 9788521624578

Capítulo 9 - Linguagem e Sociedade

LYONS, John Grupo Gen PDF Criptografado

Capítulo 9

Linguagem e Sociedade

9.1 Sociolinguística, etnolinguística e psicolinguística

Até o momento não existe um modelo teórico amplamente aceito dentro do qual a linguagem possa ser estudada, macrolinguisticamente, de vários pontos de vista diferentes, igualmente interessantes: social, cultural, psicológico, biológico etc. (v. Seção

2.1). Além disso, é no mínimo duvidoso que tal modelo teórico geral seja um dia elaborado. É importante ter isso em mente.

Poucos linguistas hoje concordariam com os princípios positivistas do reducionismo da mesma forma que Bloomfield e seus companheiros da Unidade da Ciência o fizeram há meio século (v. Seção 2.2). Mas existem muitos linguistas que defendem um tipo mais limitado de reducionismo, dando prioridade às ligações entre a linguística e uma, em vez de outra, das várias disciplinas pertinentes à linguagem.

Alguns, como Chomsky e os gerativistas, vão enfatizar os pontos de contato entre a linguística e a psicologia cognitiva; outros nos dirão que, já que as línguas são uma instituição social, tanto do ponto de vista de sua manutenção quanto de seu funcionamento, não há, em última instância, nenhuma distinção a fazer entre a linguística e a sociologia ou a antropologia social. É natural que um grupo de estudiosos, em virtude de suas tendências, de sua educação ou de seus interesses especiais, adote um desses dois pontos de vista em detrimento do outro. O que tem que ser condenado é a tendência daqueles que adotam um determinado ponto de vista nesse assunto de apresentá-lo como o único cientificamente justificável.

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Medium 9788520456057

DECOMPONDO OS SINTAGMAS

Sautchuk, Inez Editora Manole PDF Criptografado

O estudo da sintaxe

Funções adverbiais (como modificadores circunstanciais) também são costumeiramente exercidas pelos sintagmas preposicionados, uma vez que apresentam as mesmas características morfossintáticas e, inclusive, semânticas de um advérbio. Perceba a perfeita correspondência que há em:

(69)  A chuva cai cedo.

(70)  A chuva cai de manhã.

(71)  A chuva cai à mesma hora.

Finalmente, falta comentarmos o sintagma verbal, que é um dos elementos básicos da oração. Esse tipo de sintagma tem o verbo ou a locução verbal como núcleo, podendo constituir-se apenas por esse núcleo ou apresentar diversas configurações, quando acompanhado de outros tipos de sintagmas. É o que temos a seguir:

(72) 

(73) 

(74) 

(75) 

As crianças adormeceram.

O professor perdeu as provas dos alunos.

Todos podem precisar de mais dinheiro.

Os amigos enviaram condolências à família.

De todos os sintagmas descritos, percebe-se que apenas o verbal não pode deixar de figurar em uma oração e, no eixo sintagmático, vai exercer sempre a mesma função, a de predicado. Os demais tipos de sintagma poderão exercer funções diversas, dependendo das relações que desempenharem entre si e das posições que ocuparem na linha horizontal. Apenas o sintagma adverbial, com núcleo advérbio, terá também uma função sintática fixa: a de adjunto adverbial, como veremos no Capítulo 4.

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Medium 9788520429174

A proibição

SILVA, Deonísio da Editora Manole PDF Criptografado

A proibição

Os bastidores da censura

O

caso Rubem Fonseca começa, para a censura, em 1976, com a proibição de Feliz Ano Novo, publicado no ano anterior pela Editora Artenova. Seu autor, “bem-sucedido executivo

(diretor da Light), realiza o que os profissionais da marginália não conseguem com suas caspas e incompetência ante o sistema e a literatura”, declara Affonso Romano de Sant’Anna em comentário para a revista Veja de 05 de novembro de 1975. Na mesma resenha, o poeta de Que país é este? parece antever a condenação do livro ao afirmar: “Uma leitura superficial desta obra pode tachá-la de erótica e pornográfica.”

Não foi outra a leitura da censura. E, em 15 de dezembro de

1976, a tesoura do ministro da Justiça do governo Geisel aparava

Feliz Ano Novo, depois de 30.000 exemplares e de várias semanas na lista dos dez mais vendidos da Veja. O despacho de Armando

Falcão dizia:

Nos termos do parágrafo 8º do artigo 153 da Constituição Federal e artigo 3º do Decreto-Lei nº 1.077, de 26 de janeiro de 1970, proíbo a publicação e circulação, em todo o território nacional, do livro

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Medium 9788565848954

Capítulo 10 - Perspectivas de ação

José Morais Grupo A PDF Criptografado

10

Perspectivas de ação

A iniciativa popular

No plano da política de blocos, o mundo, de bipolar durante a confrontação entre os imperialismos norte-americano e soviético, tornou-se multipolar e provavelmente assim ficará nas próximas duas ou três décadas. No plano da economia, porém, o mundo, de oeste a leste, só tem um dono: o capitalismo corporativo e multinacional. Vários cenários são possíveis para o futuro, sendo o mais provável a continuação das tendências atuais: o fosso cada vez maior entre os muito ricos e os muito pobres, assim como a forte diminuição do número dos rendimentos médios, dos quais uma pequena minoria se juntará à classe dos muito ricos e uma larga maioria à dos pobres.

O capitalismo corporativo é destruidor e, se continuar dominante, destruirá a Terra, a menos que a ciência e a tecnologia venham a fornecer às gerações de então outros habitats. Pensando no futuro imediato com lucidez, não me parece que alguém possa duvidar, goste ou não, do fato de que o capitalismo corporativo, servindo-se das instituições internacionais, dos governos e dos aparelhos militares dos países mais desenvolvidos, é uma praça-forte inexpugnável, em todo o caso pelos processos revolucionários clássicos de tomada de poder. Se pode haver revolução, ela será original e terá como instrumento revolucionário a classe que o capitalismo corporativo alimenta para poder existir, crescer e estender-se: aquela que é constituída pelo capital humano. Essa classe é – e será – o foco de uma luta ideológica: a sua estrutura mental dominante será ou o individualismo e a competição, ou a sociabilidade e a cooperação. Uma vez que a praça-forte é inconquistável a golpes de aríete e que qualquer cavalo de Troia seria facilmente identificado e desfeito, resta uma via possível, mas de desfecho incerto: a combinação lenta e progressiva da guerra de trincheiras, com mais avanços do que recuos, e o tratamento do tecido que rodeia o centro nervoso do capitalismo

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