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1. Do papa ao ditador

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o d a t i d o a do papa

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“Se tanto tenho de esperar à Porta do Paraíso, prefiro ir ao

Inferno!”. Por essa frase, André Gavião foi investigado pelas visitações do Santo Ofício ao Brasil e processado pelo Tribunal de Inquisição em Portugal.1 Foi apenas uma colocação infeliz, provavelmente dita em um momento de raiva. Entretanto, em tempos de Inquisição, isso era inadmissível. É até possível imaginar a cena. Era mais uma manhã de domingo e uma multidão reunia-se em frente à igreja de Nossa Senhora de Ilhéus, esperando que a missa começasse. Naquela temporada de verão, os dias especialmente quentes castigavam as mulheres embaixo de suas sombrinhas e dentro de seus pesados vestidos.

Mesmo no calor da Bahia, elas insistiam em seguir a moda europeia, com seus corpetes apertados e três ou quatro camadas de saias armadas, justapostas e

1 Souza, Laura de Mello e. O diabo na terra de Santa Cruz: feitiçaria e religiosidade popular no Brasil Colonial. São Paulo: Companhia das Letras,

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2. Do populista ao militar

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lita i m o a a t pulis

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1946 a 1

Na quinta-feira, dia 18 de julho, meu teatro foi atacado pelo bando do CCC (Centro de Caça aos

Comunistas). Tínhamos recebido diversos telefonemas anunciando o ataque. A própria Cacilda [Becker] me telefonou para avisar que soubera, por um jornalista amigo, que seria nessa noite. Não dei importância: parecia-me mais um lance de guerra psicológica. Fui ao cinema ver 2001 e, quando saí, passei pelo teatro para ver o final do espetáculo. Ao estacionar o carro, percebi algo estranho: duas radiopatrulhas estavam na frente do teatro enquanto, de dentro, saíam gritos de tumulto e ruídos de móveis e aparelhos sendo arrebentados. Da bilheteria e do escritório começaram a surgir funcionários para verificar o que acontecia. As portas do Galpão estavam trancadas por dentro e, em poucos minutos, de mistura com berros e gritos de pânico pedindo socorro, as portas se abriam e um grupo de dezessete homens se precipitava rumo

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3. Do parlamentar ao juiz

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até hoje de 1986

Cinco de outubro de 1988. Pela primeira vez na história do Brasil, estava a democracia plena, com todos os direitos individuais garantidos, instituída pela

Constituição:55

Art. 5º

III - Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;

IV - É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

V - É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;

IX - É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

55 Durante o Império e o período de 1945 a 1964, a liberdade de imprensa foi garantida, mas as diversões públicas ainda eram submetidas à ação da censura. A Constituição de 1988 foi a primeira a garantir a liberdade de expressão em todos os seus âmbitos.

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XIV - É assegurado a todos o direito à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional.

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4. O protetor dos mendigos

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amargo

Joracy C

Depois da crise de 1929, da Revolução de 1930 e da

Revolta Constitucionalista de 1932, São Paulo fervilhava. Seus habitantes, em grande parte imigrantes europeus, traziam de sua terra natal ideias novas como o marxismo e o anarquismo, enquanto uma classe média urbana surgia da industrialização. Todo esse contexto de ebulição econômica e social não era acompanhado pelo desenvolvimento do teatro, que ainda era predominado pelo teatro de revista e as famosas “comédias para se fazer rir”.

Para o dramaturgo Joracy Camargo, esse cenário era inconcebível.68 O homem sério, de cabeleira vas68 As informações contidas nesse capítulo foram retiradas dos primeiros seis meses de pesquisa que realizei como bolsista de Iniciação

Científica do CNPq, no Arquivo Miroel Silveira, sob orientação da Profa. Dra. Mayra Rodrigues Gomes. Meu trabalho consistiu em terminar e complementar a pesquisa iniciada por outra bolsista, Carolina Rossetti de Toledo, sobre o dramaturgo Joracy Camargo. Seu relatório foi essencial para que eu pudesse saber mais sobre a vida do dramaturgo, que possui pouquíssima bibliografia dedicada a ele.

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5. O pai dos perseguidos

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Nelson R

Flor de obsessão. Eis um dos apelidos que melhor define Nelson Rodrigues, cravado por Cláudio Mello e

Souza, um dos jornalistas mais conhecidos do ramo.

As passagens de Cláudio pelo Jornal do Brasil e suas crônicas esportivas no O Globo marcaram, respectivamente, o jornalismo das décadas de 1960 e 1980.

Em retribuição ao apelido, Nelson o chamaria, em crônica, de “remador de Ben Hur”, em razão de seu permanente bronzeado. A amizade entre os dois permitiu que Cláudio acertasse em cheio. O também jornalista, escritor e dramaturgo era mesmo um obcecado: pela morte, pelo sexo, pelo Fluminense e

— como eterna vítima — pela censura. Quase todas as suas peças sofreram algum tipo de corte, quando não foram totalmente vetadas. Seu livro, O casamento, foi retirado das livrarias. Suas novelas só seriam liberadas graças à influência dos diretores da TV Globo, que escreviam longas cartas tentando convencer

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6. O anticensor

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sor n e c i t n a o to oelho Ne

capítulo

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João Ern

C

João Ernesto Coelho Neto entrou bufando pela porta da sala. Tinha andado os últimos quarteirões em um passo apressado, e subiu as escadas o mais rápido que pode. Estava atrasado. Odiava estar atrasado, mas estava, não teve jeito. Já estavam todos esperando, Décio de Almeida Prado entre eles. A discussão do dia era o futuro do teatro amador no Brasil. Décio, como anfitrião, achou que poderia fazer a cobrança:

— O que aconteceu, Coelho?

— Desculpem-me o atraso, a prova era hoje e não podia faltar.

— Prova? Prova do quê?

— A prova do concurso público — respondeu João, hesitante.

— Mas que concurso, homem?

— Concurso para censor.

A sala ficou em completo silêncio. Todos se olharam, incrédulos. E, então, começaram a rir. Primeiro bai-

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xinho, depois gargalhando alto: João Ernesto Coelho Neto, o presidente da Federação Paulista de Teatro Amador, o diretor de mais de 30 grupos, um dos homens mais apaixonados pelos palcos, trabalhando para o Departamento de Censura? Finalmente, alguém estaria lutando de dentro! Finalmente, o teatro seria salvo!

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«Operação Carne Enlatada»

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I«Operação Carne Enlatada»Numa noite abafada de 10 de agosto de 1939, quase não havia transeuntes que perturbassem a calma noturna da respeitável KaiserWilhelm Strasse, em Berlim, até que, pouco antes da meia-noite, os ecos de passos rápidos de botas ressoaram na famosa rua. O guarda em frente ao enorme edifício cinzento do Ministério do Ar viu passar um homem alto, apressado e ofegante. Como este envergava o uniforme de um oficial SS, o jovem aviador apresentou armas, esticando a espingarda, e permaneceu atento em sentido até o homem virar para a Prinz Albert Strasse, onde a Gestapo – a polícia secreta de Reinhard Heydrich – tinha o seu quartel-general.No átrio, o homem foi cumprimentado com uma série de bater de tacões e de Heil Hitlers. Retribuiu mexendo ligeiramente o braço direito esticado, numa versão descontraída da saudação nazi, e subiu as escadas, indo direto ao grande gabinete no cimo da escadaria, onde Heydrich era rei e senhor.Este homem que perturbava a horas tardias a calma da Wilhelm

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A casa na Rua Herren

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XXIA casa na Rua HerrenUm ou dois dias após o Dia D, o quartel-general de Eisenhower emitiu um comunicado. Este revelava um importante segredo: que ao longo de toda a testa de ponte nas praias da Normandia fora servido aos soldados gelado de diversos e deliciosos sabores, dez horas apenas após o desembarque inicial. Isto destinava-se a sossegar as pessoas que ainda assistiam tranquilamente em casa à grande guerra, mas a invasão foi mais do que um teste supremo à eficácia de um batalhão de homens bem dispostos.Quando o primeiro GI desembarcou na Normandia no Dia D, com água pela cintura, era um homem contra aquilo a que o historiador Percy Ernst Schramm, que mantinha o diário de guerra ­oficial do alto-comando alemão, descreveu como «o máximo de forças disponíveis [que os Alemães] conseguiam posicionar a ocidente».Durou algum tempo até os Aliados, que chegavam ininterruptamente pelo Canal, se equivalerem em número aos defensores. Mesmo uma semana após o Dia D, quando já tínhamos 326 000 homens em terra, os Alemães continuavam a ser mais numerosos, na proporção de dois para um. Foram precisos milhões de soldados aliados, e quase

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A magia da câmara negra

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XVIIA magia da câmara negraPara muitos, Pearl Harbor é não só sinónimo de infâmia, mas também do fracasso dos serviços de informações americanos e do triunfo monumental da espionagem japonesa. Ora, este não é, de modo algum, o verdadeiro retrato da situação. É certo que, na véspera dePearl Harbor, a organização de recolha de informações japonesa era enorme, mas na verdade era uma mão cheia de nada. Conhecia a ordem de batalha americana e britânica ao detalhe, a disposição e os movimentos das frotas, todos os dados táticos que um comandante prudente deve ter antes de um ataque. E aqui terminava a sua sabedoria. Fizeram bonita figura em Pearl Harbor, mas gastaram ali todas as informações que possuíam.De facto, tão deficiente era o apregoado serviço secreto japonês que, na manhã após o ataque a Pearl Harbor, não sabia dizer ao alto-comando qual a medida exata do triunfo japonês. Na noite de 7 de dezembro, perguntaram a um almirante americano em Oahu: «Acha que eles podem regressar com tropas, desembarcar e tomar as ilhas?»

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A raposa na sua toca

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IIA raposa na sua tocaA 31 de agosto de 1939, a Wehrmacht, que fora utilizada na­campanha da Polónia, fervilhava de entusiasmo e tensão. Mas, em ­Berlim, num escritório simples e escassamente mobilado, um homem pequeno e pálido, de cabelo branco, recostava-se, descontraído. Para Wilhelm Canaris, a eclosão da guerra fora um anticlímax. Ele trabalhara longa e arduamente para a preparar; agora, as batalhas que a Wehrmacht ainda tinha de vencer ou perder já eram para ele um assunto arrumado. Canaris e os seus homens travaram a sua própria guerra clandestina com enorme dedicação e rara perícia. Apesar de terem perdido algumas escaramuças, haviam ganho a maioria das batalhas. E julgavam-se agora confiantes de que ganhariam a guerra.Quem era este homem, este grande comandante e o cérebro deste vasto exército clandestino? Tendo sido o mais importante chefe de uma organização de espionagem da Segunda Guerra Mundial, Canaris foi também uma das suas figuras mais controversas. Um antigo e destacado alto oficial germânico escreveu: «Raramente foi uma importante personagem histórica julgada com tantos veredictos c­ontrastantes

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A rendição do Japão

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XXIIA rendição do JapãoNa manhã de 8 de maio de 1945, o presidente Harry S. Truman chamou ao seu gabinete os jornalistas acreditados na Casa Branca para anunciar oficialmente a rendição da Alemanha. Depois de concluir a leitura desta jubilosa proclamação na sua voz monocórdica do ­Mississípi, distribuiu pessoalmente aos jornalistas cópias de um«apelo ao Japão» pronto a ser divulgado. Este lia:«A Alemanha nazi foi derrotada.»O povo japonês já sentiu a força dos nossos ataques, por terra, por mar e pelo ar. Enquanto os seus líderes e as suas forças armadas continuarem a guerra, o poder de ataque e a intensidade dos nossos golpes intensificar-se-ão gradualmente até resultarem na completa destruição da produção industrial do Japão, da sua marinha mercante e de tudo o que apoie a sua atividade militar.»Quanto mais tempo a guerra durar, maiores serão o sofrimento e as provações do povo japonês – e tudo em vão. Os nossos golpes não cessarão até que as forças militares e navais japonesas deponham as armas, numa rendição incondicional.

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Alvo: Estados Unidos

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XVIAlvo: Estados UnidosDurante a década que antecedeu Pearl Harbor, o mundo da espionagem ganhou uma nova figura que não podia deixar de dar nas vistas.Era o agente secreto do Japão, que obteve um prestígio cómico de subtil e estranha implicação sinistra. «O espião do Sol Nascente» tornou-se uma personagem de cartoon favorita, um homenzinho familiar que se curvava, sibilando «Mil peldões», com um rasgado sorriso, enquanto as suas mãos vasculhavam atarefadamente o bolso de outrem.Os próprios Japoneses nada viam de divertido nos seus espiões.Consideravam a espionagem um assunto extremamente sério, um instrumento importante da política nacional. De caráter essencialmente oriental, a espionagem japonesa era manifestamente esquizofrénica. Na Ásia, operava com uma selvajaria descontrolada, mas nos Estados Unidos, por exemplo, era educada e cortês. Na Ásia, os Japoneses lidavam com drogas, prostituição, pornografia e jogo.O seu principal objetivo era atingir os fins pela corrupção. A violação, o assassinato, o rapto, o fogo posto e a falsificação eram as principais armas do arsenal dos serviços secretos japoneses. Tratavam as

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Anexos

COUTO, Jorge Grupo Gen PDF Criptografado

Anexos

Anexo A

As investigações de Haffer (1969) e Vanzolini (1970) sobre os padrões de distribuição da fauna na Amazônia, bem como de Journaux (1975) e Meggers (1976) sobre a flora, deram origem ao modelo dos refúgios. De acordo com a interpretação destes cientistas, as bordas dos planaltos das Guianas e Brasileiro e as encostas dos Andes serviram de refúgios às florestas e aos animais a ela adaptados durante as fases secas. Os vários retornos à tropicalidade possibilitaram o seu regresso à região amazônica, explicando, deste modo, a grande variedade de espécies botânicas e zoológicas que a povoam. Cfr. VANZOLINI, P. E.

Zoologia Sistemática, Geografia e a Origem das Espécies. São Paulo, 1970; JOURNAUX,

A. “Géomorphologie des bordures de l’Amazonie brésilienne: de modelé des versants; essai d’évolution páleo-climatique”: Bulletin de l’Association des Géographes Français (Paris),

52 (422-423), 1975. p. 5-19; MEGGERS, B. J. “Vegetacional fluctuation and prehistory cultural adaptation in Amazonia: some tentative correlations”: World Archaeology (Londres),

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As difíceis ervas daninhasda Inglaterra

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XAs difíceis ervas daninhas da InglaterraNo verão de 1940, a Abwehr atingira o seu auge e estava a deteriorar-se impercetivelmente. Os serviços de informações britânicos haviam saído da sua letargia e inépcia, tendo-se tornado, quase de um dia para o outro, um braço crucial do governo de Sua M­ ajestade.Estas alterações exerceram considerável influência na História:Hitler precisava da Abwehr mais do que tudo para preparar o caminho para o próximo destino; Churchill necessitava do conselho dos seus Serviços de Informações para impedir que o Führer o atingisse.Após a conclusão da campanha francesa, Hitler estava algo indeciso quanto ao que fazer. Durante alguns dias chegou a pensar em sugestões de paz. O rei da Suécia, entre outros, surgiu nos bastidores a oferecer os seus serviços para mediar alguma forma de acordo de paz que permitisse ao nazi manter o seu saque. Os serviços de­Gustavo V foram rejeitados por ambos os lados; de forma indignada por Churchill, e perplexa por Hitler. Depois disto, Hitler não hesitou.

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Barbarossa

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XIBarbarossaEm junho de 1940, Hitler celebrou com a sua pequena clique a queda da França e depois retirou-se para o seu refúgio de montanha, o B­ erghof, onde podia refletir melhor. E foi para este local que, menos de um mês depois, convidou para almoçar o general AlfredJodl, chefe pessoal do seu Estado-Maior de operações, com quartel­-general a bordo de um comboio especial, o «Atlas», por forma a poder seguir o Führer para onde quer que este fosse e para estar sempre à sua disposição.De forma quase casual, entre dois pratos, Hitler deu instruções a Jodl para começar a traçar planos para a invasão da Rússia. Ao regressar ao «Atlas», estacionado numa linha de serviço em R­ eichenhall, uma estância termal ali perto, Jodl convocou os seus chefes de planeamento, os coronéis Warlimont e von Lossberg, o capitão de fragata Junge e o major von Falnkenstein e transmitiu-lhes as ordens necessárias.Poucos dias depois já havia um esboço de plano preliminar, mas que tivera por base as informações disponíveis, e estas eram ­escassas.

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